quarta-feira, 13 de maio de 2020

LUZ VERMELHA É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ

Conversando com meus amigos da época de Ensino Fundamental/Médio eu acabei lembrando de uma coisa que me intrigou do primeiro ano que estive lá no colégio (que foi 2002 se não estou enganado) até a noite passada quando me dei o trabalho de jogar no Google.

Passando as catracas principais do meu antigo colégio, logo na entrada do prédio com as salas de aula, a primeira porta à direita dava numa capela. O que é perfeitamente normal pra um colégio católico, mesmo levando em conta a gigantesca igreja de tijolos laranjinhas que fazia sombra às nossas quadras.

O meu primeiro contato com a capela foi logo no meu primeiro ano lá, no Jardim de Infância III. Pra introduzir conceitos religiosos pros pequenos pimpolhos, o nosso colégio dava seus pulos, na ocasião eles pediram pros alunos levarem brinquedos para serem batizados... batizados?

Eu não estou inventando e, espero eu, que minha memória não esteja me pregando uma peça, mas não teve padre jogando água benta no carrinho que levei e muito menos submergiram o Game Boy do outro moleque no Rio Jordão. Foi mais um passeio pra capela citada, onde nos fora introduzido a importância da oração, a finalidade da capela, etc. No final da atividade tínhamos que desenhar o brinquedo e dar um nome pra ele, eu lembro que levei uma miniatura de Ford Ka, daqueles do tamanho de um mouse, eu sempre gostei de coisas bonitinhas pelo visto.

Ah sim, voltando à capela: além das cadeiras inexplicavelmente desconfortáveis, a iluminação soturna digna hoje de quarto de gamer recluso e o cheiro permanente de pot-pourri com mofo, a coisa que sempre me intrigou era uma caixa de metal preta com uma luz vermelha dentro.

Lembro até hoje nossa professora de Ensino Religioso: "Aquela luz vermelha é DEUS".

Deus? DEUS?!

Eu tinha meus cinco anos de idade, estava desconfortável naquela cadeira horrível que marcava a bunda e segurava um mini Ford Ka nas minhas mãos, eu sequer sabia o conceito de deus mas aquilo me marcou.

E toda vez que a gente voltava na capela eu ficava encarando a caixa preta com luz vermelha, lembro que depois dessa explicação que tive quando tinha cinco anos, nunca mais sequer citavam a maldita luz vermelha, a essa altura eu já achava que a professora que tinha falado que a entidade máxima do universo estava dentro de uma caixa de metal numa capela de um colégio católico no centro de São Paulo... estava totalmente pirada (o que é difícil negar).

Mas ontem quando lembrei dessa caixa preta com luz vermelha eu finalmente me levei a procurar no Google que merda era aquela e realmente, ela simboliza que Deus está em todo lugar e a luz é ininterrupta por isso.

Huh.

Eu já não me surpreendo com nada, ainda mais ligado à religião, mas todo o design daquela caixa preta com a luz vermelha não era nada que remetesse à estética católica, era o cúmulo do utilitarismo. Talvez a caixa abrigasse um no-break pra quando acabasse a luz? Ainda não explica a falta de esforço que botaram pra aquilo ser mais bonito, mas enfim.

Sempre achei muito cyberpunk a ideia de Deus ser uma luz vermelha emitida de uma caixa preta, tem coisa mais distópica que cultuar uma coisa inanimada que nem te dá feedback? Não, pera.

Enfim, a capela acabou sendo substituída pela sala de uma coordenadora quando eu já estava no final do fundamental/início do médio (lá por 2010~). Aquele lugar era um dos muitos espaços que eu achava que eram totalmente desperdiçados no nosso colégio, já que pra celebrações religiosas a igreja sempre estava vazia e pra coisas menos formais eles usavam o salão (saudoso Salão Santa Mônica).

Realmente, depois de conhecer uma galera na USP eu acabo percebendo como tem coisa que era diferente no meu colégio, o pessoal achava que era piada quando eu falava que em todo começo de aula devíamos rezar o Pai Nosso ou a Ave Maria (e por isso sei rezar as orações até hoje), se o deus cristão for o certo eu já tenho meu perdão por isso... espero.

Chego lá nos portões dos Céus e tem um mano barbudo, ele solta essa:
"Você só vai pro Paraíso caso saiba rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e cantar Sobakasu com todas as flutuações de voz que a Yuki teve no último show do Judy and Mary em 2003 no Tokyo Dome."

easy

É isso então pessoal, valeu falou, té mais!

terça-feira, 5 de maio de 2020

Sobre gostar de música japonesa (Parte II)

Eu notei que por algum motivo, um post que fiz sobre meu gosto por música japonesa em 2017 (relevem a qualidade do texto redigido, eu escrevia mal) voltou a ter um monte de acessos, julgo que seja por pessoas que procuraram por Bokuiru? Enfim, isso me deu a ideia de expandir um pouco na ideia do porquê de eu gostar de música japonesa e como isso mudou depois que fui pro Japão ver os artistas ao vivo.

Era o meu maior sonho ir pro Japão e ver os artistas que mais amava de perto. Mas era algo totalmente fora de alcance, as passagens são caríssimas, hospedagem em Tokyo (até onde eu sabia) idem, eu não falava uma palavra de japonês e essa coisa toda. Então eu já aceitava que os artistas que eu via no Youtube iam continuar por lá mesmo, sendo inalcançáveis.

E ao mesmo tempo que me via totalmente fora da realidade das músicas japonesas do underground, eu sentia uma conexão enorme com o sentimento das músicas, Kinoko Teikoku e Kaneko Ayano foram minhas muletas emocionais pelos últimos 5 anos sendo que não faço ideia do que as músicas tratam na sua maioria.

Então eu tratava com o maior romantismo o cenário underground japonês, onde, ao meu ver, todas as bandas se ajudavam, o ecossistema casa de show - loja de CD - labels era totalmente autossuficiente e todo mundo era feliz. Essa visão caiu por terra depois que li o livro "Quit Your Band!" do Ian F. Martin que parece ter sido feito pra fãs como eu, iludidos com o que veem no Youtube achando que tudo são flores. O cenário musical japonês na real é bem selvagem e basicamente todo mundo é filho da puta até provado o contrário, mas como todo bom cético eu não estava convencido ainda.

E com toda a minha paixão por música underground japonesa, lá fui eu, trampar em temperaturas absurdamente baixas pra pagar minha viagem pro Japão... e obviamente meus shows e CDs.

Cara, eu só posso dizer que você passa a ouvir a música de modo diferente depois que você vê a banda tocando ao vivo, isso já tinha acontecido, mesmo que de forma reduzida, depois que fui ver Oasis em 2009 e Libertines em 2016. Agora, como você ouve uma música depois de interagir com os integrantes?

"Ah, esse solo foi do cara que me vendeu a camiseta", "Esse vocal foi da moça que me cumprimentou e ficou espantada porque eu disse que vim do Brasil", "Olha só, eu pedi autógrafo dessa banda toda" e talvez até "Caralho, mijei no mictório do lado desse mano que tá tocando baixo", todas essas situações são bem verossímeis se você frequenta show underground, só a última que não rolou de verdade comigo.

Mas é, mudou totalmente como ouço algumas músicas, além de muitas me trazerem memórias dos shows que fui, o fato de eu ter conhecido as pessoas por trás de algumas delas diminuiu a distância que tenho com as obras. O que antes era "uma música feita por um mano random no extremo oposto do globo" virou "uma música feita pelo mano que conversou comigo por uns 10 minutos e me agradeceu efusivamente por eu ter ido lá no show dele".

Outra coisa que mudou foi toda a idealização que eu tinha com o cenário musical underground japonês, o livro que citei anteriormente realmente tava certo, as casas de show cobram o absurdo que é a bebida obrigatória (por um preço abusivo) mas também operam numa margem de lucro mínima, as lojas de CD pequenas são cada vez mais raras e qualquer emprego que seja nesse setor é totalmente um trabalho de amor, simplesmente não dá pra viver de música no Japão até uma gravadora gigante notar você, ainda assim você vira um refém na mão dos caras. Além disso é bem fácil ver as panelinhas entre as bandas, eu nem tentei ir mais a fundo nisso, já que julgo ser assunto delicado, mas é fácil ver que tem uma certa antipatia entre certos grupos de bandas.

Eu não tive nenhuma grande decepção, e olha que fui com MUITA expectativa pra ver show lá, mas é realmente meio triste saber que as músicas que curto são feitas por pessoas que têm que trampar num escritório pra pagar a conta de luz e o aluguel, mal consigo imaginar como seria a música dessa galera se eles pudessem se dedicar 100% pra música. Por isso mesmo gastei uma grana preta nos CDs e camisetas das bandas que vi, qualquer força que eu pudesse dar já ajudava os caras, ao mesmo tempo eu comprei os CDs usados de artistas mainstream, fui o Robin Hood do cenário musical japonês... numa escala absurdamente pequena.

Enfim, eu ainda tenho que descobrir umas bandas locais pra também ajudar, por mais que eu me identifique demais com as bandas japonesas, não é possível que eu não ache uma por aqui que seja que tenha um som daora com que eu curta.

Pra deixar esse post mais multimídia vou botar um vídeo da banda com quem mais interagi na minha viagem, o pessoal é realmente bem firmeza e fazem um som bem legal.

 


vlw flw té mais

sexta-feira, 1 de maio de 2020

ALTERNATE REALITY YOITIS

Toda vez que fiz uma escolha na vida, eu criei toda uma história pro Yoiti da realidade onde fiz outra escolha.

Geralmente os Yoitis das realidades alternativas estão melhores que o Yoiti desta realidade, porque não vejo muito sentido em manter a existência de um "eu" na pior só pra me sentir bem em comparação.

O primeiro Yoiti alternativo é o que virou jogador de futebol, eu fiz futsal por um ano na minha segunda série, eu tinha 8 anos, e era muito mas MUITO ruim (ainda sou). O Yoiti que continuou no futsal pro resto do ensino fundamental acabou melhorando... um pouco e conseguiu por meio de alguma intervenção divina uma vaga no time sub-alguma coisa do Juventus da Mooca como lateral direito. Depois do time se destacar em uma Copa São Paulo de Juniores, o Yoiti foi parar num time da segunda divisão japonesa e agora ele está no Júbilo Iwata com 24 anos. O sonho desse Yoiti era jogar no Santos, time do coração, além da seleção brasileira obviamente, mas com a vida tranquila em Shizuoka ele não tem muito o que reclamar.

O segundo Yoiti alternativo é o que tava de saco cheio de fazer vestibular e acabou indo pra UFABC em 2014 ao invés de ter feito mais um ano de cursinho pra ir pra Poli. Esse é um Yoiti interessante porque ele começou a andar com a colônia (de japas que só andam com japas), já que a concentração desse pessoal é bem maior lá que na Naval, e começou a fazer parte de grupos extracurriculares desde cedo. Esse Yoiti é meio perdido mas já tá estagiando em alguma empresa lá pelo ABC Paulista.

O terceiro Yoiti alternativo foi fazer medicina depois de dois anos de cursinho após o ensino médio. Não conseguiu uma vaga na Pinheiros mas pegou uma vaga na UFRJ. Ele foi chamado pra se "voluntariar" na crise do Corona e chora em todo plantão que pega devido à quantidade absurda de gente morrendo. Esse Yoiti viu uma boa quantidade de pacientes morrendo mesmo antes da pandemia (vamos lembrar que ele está no Rio) mas mesmo assim não consegue perder a sensibilidade com essas coisas. O caminho pro dinheiro fácil não é tão fácil assim, pensa esse Yoiti.

O quarto Yoiti alternativo largou a Poli e foi fazer San Fran. Eu não penso muito sobre esse Yoiti já que a ideia que eu tinha de ir pra San Fran era só pra fugir de números, mas julgo eu que esse Yoiti tá masomeno, fazendo um curso que não curte (no máximo acha algumas coisas interessantes) só pra ter dinheiro pra então sim fazer algo que curte de verdade. Acho que é igual o Yoiti que foi fazer FEA depois de bombar Cálculo I (pela primeira vez), não muito feliz mas também não levando muito no cu.

Enfim, tem mais vários e vários Yoitis alternativos que não estão aqui citados: tem o Yoiti que ficou no Japão depois do arubaito pra tentar a sorte e agora está se fodendo pro causa do corona, o Yoiti que foi pra uma faculdade de artes depois de ler Blue Period, o Yoiti que se transferiu pra uma engenharia mais coxa pra conseguir se formar antes, o Yoiti que foi pra UFSC/UFRJ/Unicamp pra morar longe dos pais e outros tantos vários que surgiram de escolhas arbitrárias da minha vida, e que estão aí em universos paralelos, uns se dando bem, outros se fodendo.

O meu favorito obviamente é o Yoiti jogador de futebol, o ponto de divergência foi há tanto tempo que a única coisa que tenho em comum com ele é o nome.

E é isso, eu tive a ideia pra esse post lá pelas 3h da manhã, quando eu tentava dormir olhando pro teto depois de não conseguir pegar a personagem que queria no gacha do Fire Emblem Heroes. Escrevi este post bem mais rápido que o normal então é possível que eu dê um proofreading depois pra ver se ter algum erro.

No mais é isso aí,
vlw flw té mais.

domingo, 26 de abril de 2020

Humor de baby boomer

Toda semana, na frente da estação Vergueiro logo abaixo das escadarias que davam em frente ao meu colégio, era distribuído o jornal Metro News.

O Metro News é o típico jornal gratuito que vive do lucro dos anunciantes, eles jogavam lá as notícias essenciais da última semana e enchiam de propaganda pra viabilizar a produção do jornal, simples e fácil.

Era quase um ritual, eu nunca pegava o jornal porque sabia que um amigo meu que era de outra sala viria com ele no intervalo das aulas, então ficávamos resolvendo as palavras cruzadas por poucos minutos até que ele tivesse que vazar pra sala dele de volta, mas ele deixava o jornal com a gente. As diversões do jornal eram basicamente o resumo esportivo (que nunca tinha nada que fosse novo), os anúncios óbvios de prostituição que eram a coisa mais humor de ensino médio possível, as já citadas palavras cruzadas e as tirinhas.

As tirinhas eram horríveis, é o humor mais baby boomer possível: era sempre aquela coisa que permeava qualquer tipo de humor voltado para homens no começo dos anos 2000: "odeio minha mulher", "me arrependo de ter filhos", "odeio meu trabalho", "penso mais com meu pinto do que com meu cérebro", etc. Você com certeza já viu algo com esse tipo de humor.

E eu nunca fui uma pessoa de ficar ofendida, mas certamente ficava minimamente incomodado com esse tipo de humor forçado que pressupõe que mulher é burra e a geração mais jovem é perdida, chegando às vezes a beirar uma vulgaridade que me deixava até estupefato de alguém ter tido o culhão de escrever tamanho sacrilégio e publicar.

Esses dias eu tive esse leve flashback às minhas manhãs de 2012/2013 e quis lembrar como era o senso de humor horrível que a geração dos baby boomers têm até hoje, até que achei o subreddit  r/boomershumor, achei incrível como esse tipo de humor não tem fronteiras.

É sem graça, perpetua tudo que há de ruim na sociedade e é um triste retrato de pessoas que não realizaram nada na vida e culpam família, mulher, sociedade e qualquer coisa que seja pelo próprio fracasso, é uma coisa triste.

Eu não quero aqui falar que não tem nada de certo na geração dos boomers, toda a produção cultural dos anos 60~70 foram de uma riqueza imensa e a música hoje basicamente bebe daquela fonte até hoje, direta ou indiretamente.

É a consciência retrógrada da geração que antes fora eleita pela revista Time como "People of the Year" e agora bota um panaca no poder, é o tipo de pessoa que fala que os jovens de hoje em dia se ofendem facilmente mas só de ouvir "identidade de gênero" já começa a chiar.

Um dos meus maiores medos é me tornar também um tiozão e fazer piadas machistas a torto e direita sem se importar com os outros, acho que é aquilo que falei da sensibilidade no outro post, que é uma qualidade que é muito subestimada mas é o mínimo que devemos ter pra viver em sociedade decentemente.

Obviamente que não defendo também os Millennials (e as gerações subsequentes) com muito ardor. Toda a cultura do cancelamento de ostracizar a pessoa por falar x coisa é o sacrilégio e não foram raras as vezes que eu senti vergonha real de estar nessa geração entre os Millennials e a geração Z, mas acho que isso é papo pra outro post.

Eeeh, acho que perdi um pouco o fio da meada mas eu fiquei tão de cara com umas tirinhas que apareceram no meu feed do FB que decidi escrever este post. Um bom boomer falaria que estou de mimimi e que me ofendo fácil, pau no seu cu.

Eu ia botar uma tirinha aqui pra ilustrar o tipo de humor torpe que vi mas não quero dar publicidade, nem ruim, pro indivíduo que faz essas coisas.

Acho que estou virando cada vez mais um millennial, preocupante. Culpo as minhas bandas underground por isso.

vlw flw té mais

terça-feira, 21 de abril de 2020

Sons randômicos DO JAPÃO

Puta merda, vou falar do Japão de novo.

Uma coisa que é pouco falada, de todas, TODAS as coisas do Japão, é como o povo lá gosta de feedbacks e avisos e sonzinhos pra tudo. Tem um motivo pra celulares com teclas ainda serem usados lá (não tanto quanto antes, mas consideravelmente): as teclas te dão aquele cliquezinho que te dá a segurança que elas foram apertadas. E nisso dá pra explicar todas as demais coisas que clicam e dão aquele prazer tátil só de ficar brincando, as lapiseiras também são meio assim.

Enfim, além dessa coisa tátil também tem os sons e barulhinhos que você ouve em todos os lugares no Japão, o que me deu saudade outro dia foram os apitos na faixa de pedestres pra sinalizar pra quem tem visão prejudicada (ou quem usa smartphone, aliás não atravessem a rua sem olhar que muito motorista no Japão é ruim):


Dos barulhos que aparecem no vídeo eu só ouvi os cuckoo e o piu-piu (lá por 1:13 do vídeo) tanto em Tokyo quanto em Kofu.

Outra grande saudade minha são os sonzinhos que tocavam nas estações e nos trens que peguei, algumas estações tinham musiquinhas próprias que eram características do local (tipo a estação onde o Osamu Tesuka morava tocar a música do Astro Boy).


Os midi tão meio jogados (a não ser que você saiba ler em japonês) mas mostra mais ou menos que estação que cada coisa toca, além das musiquinhas de abrir/fechar porta, aviso, etc. Mas o que me marcou é que eu NUNCA usei fone de ouvido enquanto andava por Tokyo, só usava mesmo nas viagens de ônibus e nos netcafés, então, CARALHO, esses primeiros três sons (que tocavam em toda estação) eram sinônimo de começo de aventura, era a abertura pro anime que eram os meus dias de folga em Tokyo. Esses jingles só tocavam mesmo na linha Yamanote, que é a linha que liga todas as outras, então qualquer lugar que eu fosse eu meio que ouvia as músicas.

Além desses sonzinhos em vias públicas, obviamente que as lojas não poderiam estar de fora dessa nostalgia:


Esse midi tocava toda vez que alguém entrava em um Family Mart (minha rede favorita de konbinis, pau no cu do Seven Eleven) e como era o estabelecimento comercial mais próximo de onde eu morava em Yamanashi e também era a única coisa na estação onde fiquei em Tsukuba, nada era tão aconchegante quanto entrar em um Famima e ouvir esse jingle com um IRASHAIMASEEE~ e, como estava um frio do caralho na época, sentir o ar quente de dentro da loja junto com o leve cheiro de bentôs requentados e nikuman.

Na moral que posso fazer um post inteiro sobre o Family Mart (e provavelmente farei um dia) mas é como se fosse uma ilha de conforto, em qualquer lugar que você fosse no Japão, sempre tinha um Family Mart com comida e bebida quentinha pra você se sentir melhor. Famima > Seven Eleven > Lawson, acabei só indo uma vez no Daily Yamazaki e no Mini Stop então não posso julgá-los.

Also also also, fica aqui minha eterna gratidão às konbinis que tinham lugar pra sentar e comer os bentôs em paz. Obrigado Famima no lado do nosso apato em Yamanashi, obrigado Seven Eleven de Kofu depois da ponte.

Agora indo pros jingles propriamente ditos:



Toda grande loja no Japão tinha um jingle, e de todos eles esse foi o que mais ficou na minha cabeça. Eu juro que só fui uma vez na BicQlo e fiquei lá por menos de uma hora, mas essa música me assombra até hoje. Eu fiquei HORAS na Yodobashi de Akiba, na BIC Camera e nos Shoppings da Aeon e todos tinham jingles, mas nenhum era tão pegajoso quanto esse da BiqQlo em Shinjuku. De todos os empregos insalubres que eu aceitaria pra morar no Japão, o de atendente na BicQlo é um dos que eu recusaria.


Essa é a música da Yodobashi, se não me engano é alguma música de natal americana só que mais rápida e com as letras obviamente modificadas. Eu juro que esse jingle não me marcou muito, apesar de eu ter ficado horas e horas na Yodobashi de Akiba.

Enfim, acho que de sons randômicos que me fazem lembrar do Japão é isso mesmo. Tem também os anúncios falados de próxima estação e tal da linha Yamanote que podem ser ouvidos nesse soundboard interativo mas acho que já é fora do escopo de "sons".

Falando do midi do Family Mart me deu uma saudade danada das konbinis e, INFELIZMENTE, terei que falar delas em algum post só. Eu juro por tudo que mais amo que, dentre tudo que eu poderia trazer do Japão pro Brasil sem pensar na viabilidade econômica ou cultural, eu traria as konbinis. Nisso por mais que eu tenha asco da coisa de família cristã e o caralho que a Hirota tenta por algum motivo promover, eu tenho que admitir que as konbinis que implantaram até agora pegam uns 30% da vibe de uma konbini real do Japão, não o bastante pra passar mas também não tão ruim pra bombar direto.

Ahhhh me prolonguei demais e ninguém vai ler essa merda, pois bem.
vlw flw té mais.

EDIT: Esqueci de uns que são quase um crime se não citar, tipo o Book-Off, aqui tá meio que um compilado com alguns que até já citei e outros que esqueci:

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A arte de ser culto e gostar de coisas ruins

Eu tenho uma certa admiração por pessoas que são cultas (ou têm bom gosto, apesar disso ser relativo) e mesmo assim assumem gostos por coisas questionáveis, sem querer esconder ou chamar de "guilty pleasure".

Seja uma pessoa que seja amante de Jazz mas defenda a genialidade da Britney Spears ou um ávido leitor de Hegel que também ame Nicholas Sparks, eu particularmente não aplico esse conceito pra gente que gosta de anime e mangá em geral porque esse pessoal começou de algum lugar, e posso apostar que não foi Lain ou Evangelion.

Mas enfim, eu já admito aqui que não sou culto, ultimamente ando lendo bem pouco (ano passado eu só terminei dois livros e eram bem curtinhos), não tenho tanto gosto por qualquer mídia pra ser assistida, seja anime, séries ou filmes e vocês já conhecem meu gosto musical.

O negócio é que ultimamente eu desenvolvi quase que uma obsessão por mídia assumidamente ruim (ou pelo menos não culta) ou direcionada pro público infantil: o anime do Digimon, Super Sentai (que é a série que deu origem aos Power Rangers no ocidente), uns mangás bem ruinzões de Twitter, música de idol (Momoiro Clover e Shiritsu Ebisu Chuugaku especificamente), até comecei a ler Kimetsu no Yaiba e uns outros fight-shounen e outras coisas que não são lá benquistas pelo público (ou pela crítica).

Depois de muito tempo tentando me tornar um ser superior através do consumo de cultura, decidi me jogar nas coisas menos pretensiosas desse mundão, desencanei de tentar ler Ulysses ou Hobsbawn e decidi ler mangás bem tosquinhos de comédia romântica enquanto ouço música de idol, me senti melhor? Eh, nem tanto.

Eu realmente queria ter como anime favorito uma coisa tão ruim, mas tão ruim, que nenhuma outra pessoa neste mundo partilhe da minha opinião:
  • "Como assim você não gosta de Pupa? É o melhor anime do Tomomi Mochizuki!"
  • "A segunda season de Gundam 00 é melhor que a primeira, o filme então é melhor ainda."
  • "O anime de Chaos;Head é melhor que Steins;Gate."
  • "Eu leio hentai pela história."
Enfim, pode parecer uma amostra de comentários do MAL feito por trolls mas é admirável ter gosto ruim e assumir, é mais ou menos o que o pessoal fala de que qualquer escala é circular: o cara chegou num ponto de refino que ele consegue enxergar arte num anime ruim, isso claro se a pessoa falando já tiver visto anime o bastante pra ter uma opinião válida, mas sei lá, o Pupa (ou o famoso Mars of Destruction) em particular é tão ruim que duvido muito que tenha sequer "cult following" sério pra alguém dar uma nota maior que 8 pra esse anime sem trollar.

Enfim, eu vou voltar aos meus mangás com nota média abaixo de 8 no Baka Manga Updates enquanto ouço algum álbum com média abaixo de 3 no RYM.

valeu, falou, té mais

domingo, 5 de abril de 2020

Animes esquecidos

Eu ia postar no Twitter sobre isso mas achei uma boa ideia de post aqui, já que posso escrever mais e é um assunto que sempre me vejo lembrando.

Na época que eu era otaku... tá bom, MAIS otaku, e acompanhava todos os animes sazonais lá pela virada dos 2000 pra começo de 2010, eu assisti animes que logos depois foram esquecidos por todo mundo e hoje em dia foram totalmente esquecidos, quando muito alguns possuem uma fanbase "cult following" e são lembrados ocasionalmente em imageboards, mas são animes que por via de regra você vai ter dificuldade de encontrar produtos até no Japão, eu sei porque tentei pra alguns.

Chaos;Head



É o prequel pra um dos melhores animes da última década: Steins;Gate, eu acompanhei o anime porque a Kanako Itou cantava a abertura e eu gostava dela desde Higurashi e School Days. O anime é rushado pra caralho, não faz o menor sentido e simplesmente não é bom, tanto que quando começou o hype por Steins;Gate eu simplesmente ignorei já que tive a péssima experiência com Chaos;Head, obviamente que me arrependi depois.

Black Cat



Esse eu assisti já depois do mangá e do anime terem terminado mas é um dos shounen genéricos que eu mais gosto. O anime por algum motivo tem um final diferente nada a ver com o mangá, sendo que foi feito bem depois dele, e perde vários detalhes aqui e ali, mas não é um anime ruim RUIM, só é aquela típica adaptação de um mangá secundário da Jump, nada excepcional.

Chrno Crusade



Outro que assisti só depois que terminou e tenho a coleção completa do mangá (lançado pela Panini) mas não lembro quase nada da história, lembro que era sobre umas freiras que usavam armas pra exorcizar demônios ou algo assim, lembro também que o final é bem emocionante e é isso aí, acabou por aí o que lembro sobre a obra.

Gakkou no Kaidan



Se você assistia os animes que passavam na Cartoon Network, vai se lembrar desse anime com outro nome: Histórias de Fantasmas. na moral que era um anime bem trash mas era interessante e bem diferente dos outros animes que passavam na CN na época, a animação claramente não era das melhores mas a abertura é uma música bem legal do Hysteric Blue.

Sayonara Zetsubou Sensei



Era um anime de humor muito bom mas muito japonês também, não era nada de comédia Gintama ou Grand Blue, era totalmente humor japonês. Foram três temporadas e uns OVAs que infelizmente não cobriram o final do mangá, onde todo o nonsense da obra toda é justificado com o maior mindfuck já visto na história dos mangás de comédia. O destaque do anime eram as aberturas e encerramentos cantadas, na maioria, por dubladoras do elenco e pelo lendário Ohtsuki Kenji.

Haibane Renmei



Pegaram umas obras que o Yoshitoshi Abe fez por diversão e transformaram num anime. É um anime que amo de coração mas que não é lembrado fora dos círculos de apreciação por coisas comfy :3, a abertura é instrumental, o encerramento faz você pensar que está num sonho, enfim, o anime é lindo mas acho que um remake com uma animação realmente boa faria bem pra essa obra.

Higashi no Eden



Cara, é um anime com abertura feita pelo Oasis. O conceito do anime e a história são bem legais, mas o character design e a animação em si acabam prejudicando a qualidade, eu sempre achei os personagens muito shoujo-like pro setting mais seinen que é o anime.

Zankyou no Terror



Anime criado e dirigido por Shinichiro Watanabe, soundtrack de Yoko Kanno e encerramento com letras da Ichiko Aoba e cantado pela Aimer, e ainda assim é um anime completamente medíocre. Acho que é um daqueles casos que o fim estraga absolutamente tudo, mas também peca em vários outros fatores: o pacing é zoado, os personagens são completamente sem sal e o plot chega a ser absurdo em algumas partes pra proposta que o anime quer entregar. Mesmo assim acho difícil falar que esse anime é necessariamente ruim, ele definitivamente não é bom mas poderia ter sido bem melhor.

Buso Renkin



Eu tinha esquecido completamente desse anime mas é um daqueles bem secundários da Jump que só conseguiu ser publicado até o final porque o autor tinha feito uma grande obra antes, no caso foi Rurouni Kenshin. Pra falar a real eu sequer assisti o anime, só li o mangá mesmo, mas a abertura é demais, melhor música de superação já vista numa abertura de anime.

Menções honrosas

  • Eu ia botar uns Gundam mas é injusto, só de carregar o nome da série já garante que vai ter merch do anime em qualquer lugar no Japão;
  • Robotics;Notes eu prefiro esquecer já que foi uma das minhas maiores decepções, fica a lição que da trilogia ";" só Steins;Gate é bom mesmo;
  • Acho que Trigun, Higurashi e NHK ni Youkoso têm uma fanbase significativa, então não cabem nessa lista.
Enfim, acho que é isso. Eu fiz mais o post pelas aberturas (e encerramento no caso do Zankyou no Terror) porque acho interessante como uns animes low-budget sazonais conseguem arranjar músicas interessantes pra botar como tema e também é legal ver como as músicas de um anime representam bem a época em que ele foi transmitido.

vlw flw té mais, vou lá ver mais uns animes.