Dia 11/11 - Nakano Broadway e Skytree
A gente foi meio cedo pra Nakano porque era extraordinariamente longe de onde estávamos, coisa de uma hora de trem, chegamos lá por volta das 10h e pouquinho. O que ninguém fala é que a Nakano Broadway abre 10h mas as Mandarakes (lojas de coisas estranhas que ocupam tipo metade da Broadway) só abrem 11h, então acabamos dando uma volta inteira na Broadway antes das Mandarakes abrirem e depois demos outra volta nas Mandarakes.
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| Entrada da Nakano Broadway |
Acho que botei a carruagem na frente dos cavalos e não falei sobre o que é a Nakano Broadway, pois bem: a Nakano Broadway é tipo um Shopping/Galeria/Shotengai que fica no fim de uma Shotengai mesmo (Nakano Sun Road) e lá é famosa por ter umas lojas BEEEEEM mais nicho do que, sei lá, Akihabara ou Shibuya. Lá na Broadway tem lojas especializadas em trens (model kits e umas partes/réplicas), brinquedos beeeeeem antigos, tinha uma loja só de yaoi/BL e tem umas 3 lojas especializadas em células de animação! Porra, maneiro pra caralho.
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| Uns sketches que comprei na Broadway, foram meio carinho e não faço ideia de onde são ou quem foi o desenhista, mas achei muito daora pra não comprar. |
A Broadway realmente é um lugar mágico, tem bem menos turista que Akihabara por exemplo mas o foco também é outro, lá você não vai achar os últimos eletrônicos ou diversidade no merch de coisas mainstream, mas artbook daquele anime esquecido dos anos 80? Você vai achar.
Entre uma exploração e outra almoçamos num abura soba lá na Sun Road, dentro da Broadway tem uns restaurantes mas nada que parecia MUITO interessante, apesar de ter aqueles restaurantes que cabem tipo 3 pessoas que devia ser bom pra cacete, mas que não saberíamos nem ler o menu.
Mas sim, recomendo demais demais mesmo pra todo mundo que goste de coisas mais nicho pra irem pra Nakano Broadway se visitarem o Japão.
E o melhor é que essas lojas extremamente nichadas dividem espaço com lojas de relógios de luxo, farmácias e o subsolo é um mercado de peixe/açougue/hortifruti enorme que é frequentado pelos moradores da região, lá embaixo inclusive tem um sorvete delicioso.
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| Sorvete no subsolo da Nakano Broadway |
Outra curiosidade é que na entrada da Broadway tem uma loja da Chateraise, e foi a única que vi nessa viagem. A Chateraise é a marca onde trabalhei em 2018/2019 na fábrica lá em Yamanashi. O trabalho não era muito bacana mas foi isso que pagou minha última viagem, então não posso reclamar muito.
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| Famosa Chatô |
Depois de cansar de andar pela Broadway a gente foi numa Don Quijote lá perto, foi mais pra eu comprar mais uns doces pra levar pro Brasil, depois rumamos pra casa.
Mais tarde a gente deciciu subir a Skytree, já que era o último dia antes da viagem de volta e estávamos lá do lado.
E cara, já falei aqui de como a Skytree é enorme, mas subir nela é outro enorme susto.
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| Tirei umas 50 fotos iguais a essa. |
Tokyo de cima, e de noite, é maravilhosa. A gente tinha visto ela de dia já de cima do prédio da Prefeitura em Shinjuku, mas de noite é assustador como a cidade é linda. Eu acho que a vista de qualquer mirante é minimamente bonita mas a Skytree é absurda de alta e é realmente difícil falar como é a sensação de estar lá do alto. A gente acabou pagando a mais pra acessar o andar acima (450m) e ele não é lá muuuuuito diferente do andar "normal" (350m), acho que vale a pena porque é um negócio que você vai uma vez na vida... e tem um chaveiro especial que você só consegue comprar se for no andar de cima, mas tirando isso é a mesma vista.
Na volta passamos num mercado lá perto da Skytree pra comprar uns bentôs pra comer no airbnb.
Dia 12/11 - Último dia...
Último dia, último dia, cada um por si.
Eu quando fui reservar as hospedagens acabei fazendo a pequena cagada de notar o checkout pro mesmo dia do voo, sendo que o checkout era tipo 10h da manhã e o voo era depois da meia noite... meus amigos não quiseram me matar mas senti que fui meio burro de não ter pensado nisso antes.
A gente acabou achando um lugar que dava pra dropar as bagagens por tipo 1000 yen cada até as 21h lá na Skytree, então fizemos isso. Nos despedimos e cada um foi ver suas últimas coisas.
Eu fui pra Kichijoji, lugar onde se passa a primeira e última cena do Umi ga Kikoeru, filme apagadíssimo e talvez menos conhecido da Ghibli. Em Kichijoji também está o Parque Inokashira, onde tem o Museu da Ghibli (que nem tentei ir) e onde vários animes e VNs são ambientados, Kichijoji é considerado o bairro mais desejado pra se morar em Tokyo, pelo menos pelos jovens.
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| É um bairro muito legal mesmo. |
Kichijoji me lembrou bastante Koenji, tirando o Parque Inokashira obviamente, são bairros bem característicos da parte oeste de Tokyo lá pelos lados de Setagaya e Suginami, eles têm shotengai e alguns desses bairros têm até uns shoppings (Parco ou similares) mas tudo numa escala local, gosto desses bairros que possuem uma areazinha boêmia perto da shotengai com uns barzinhos e restaurantes pequenos também, além de comércios mais hipsters que são novos (e descolados) demais para estarem em shotengais. Eu sinceramente moraria minha vida inteira em qualquer desses bairros na parte oeste de Tokyo, mas Kichijoji em especial realmente me marcou, é um lugar que quero conhecer melhor na próxima vez que eu for pro Japão.
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| Pedalinhos do Parque Inokashira. |
Eu andei bem pelo parque e vi que tem um mini zoológico lá dentro, o ingresso era incrivelmente barato (tipo uns 500 yen se me lembro bem) mas tava meio sem tempo então acabei só dando uma volta e tomando um sorvete de vending machine num banquinho. Já tava dando meio dia e quis almoçar, e gente, eu tava num estado de espírito meio desesperado por ser meu último dia no Japão, então nada que fiz fez muito sentido.
Eu decidi ir pra Shimokitazawa pra dar adeus ao meu bairro favorito, e aproveitando ia comer algo por lá. Chegando lá eu vasculhei um lugar bacana pra comer e decidi comer um kebab, até aí beleza né, mas no cardápio tinha 3 opções: Kebab Sando, Kebab Rice e Kebab Snack, indo num preço crescente, eu como o maior gordo da face da terra pensei "po, vou pegar esse kebab snack porque é mais caro e logo deve ser o melhor"............... mano, era um pote SÓ COM CARNE DO KEBAB!!!! PUTA QUE PARIUUUUU
Po gente, eu amo kebab tanto quanto vocês, mas eu já tava com ansiedade porque ia voltar pro Brasil logo mais e teria que VOLTAR A CAÇAR EMPREGO e o voo de 30h de volta não parecia a coisa mais legal do mundo. Eu comi um pouco mais da metade e vazei, o coitado do dono me perguntou o famoso "daijobu?" no sotaque possivelmente turco e só falei hai e vazei, DONO DA KEBABERIA DE SHIMOKITAZAWA, A COMIDA TAVA BOA, EU QUE FUI BURRO!!!!!!
Nisso eu já tava andando a bel prazer pra todo canto que eu pensava, decidi ver o Templo Gotokuji e pegar o bondinho da linha Setagaya até Sangenjaya depois.
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| Maneki Neko no Templo Gotokuji |
Eu fui no Gotokuji em 2019 e lembro que na descrição do templo nos guias turísticos tava escrito que "o Templo diz ser onde nasceu o Maneki Neko, mas há controvérsias(...)" e tinha umas 3 pessoas lá que certamente eram japonesas quando fui em 2019, mas dessa vez o templo tava cheeeeeeio de turista ocidental, por mais que o acesso a ele seja meio merda, bem na meiuca de um bairro bem residencial, tava cheio, e infelizmente quando cheguei tinha acabado de fechar a lojinha de omamoris e afins, tirei umas fotos e fui pegar o bondinho da linha Setagaya.
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| Bondinho especial temático de Maneki Neko!!!! |
Na linha Setagaya, se você tiver sorte, tem a chance de pegar o bondinho do Maneki Neko que é todo decorado de Maneki Neko e tudo mais, eu filmei ele chegando e acabei só tirando foto dele dentro (logo acima) mas deem uma olhada em como é o trem, são muito fofinhos.
Eu desci em Sangenjaya pra depois pegar o trem pra casa, mas antes dei uma volta pelo bairro.
Eu gosto muito de Sangenjaya, não só por ser o local onde você mora no Persona 5 mas o bairro em si é super legal, eu conversei com a moça na central de informações turísticas e peguei um gacha de chaveiro de aniversário de 100 anos da linha Setagaya, e ele é numerado ainda!! Acho que é meu gacha favorito dessa viagem. Dei uma volta meio sem rumo pelo bairro e peguei o trem de volta pra Skytree, mas antes dei uma passada em Jimbocho pra pay my last respects pra Reze.
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| O café que aparece no filme deixa umas garrafas pro pessoal deixar as flores, achei bonitinho demais. |
De volta pra Skytree eu comprei os últimos souvenirs pra levar pro Brasil, incluindo minha ÚNICA compra no Pokemon Center (uns boosters e um chaveiro de pelúcia do Umbreon) mas não consegui jantar nada substancial porque tava meio enjoado ainda, peguei um daqueles smoothies no Seven Eleven perto da Skytree e dois onigiris.
Deu 20h e fomos pra estação pra pegar o trem pro aeroporto, e assim a viagem acabou, sem muitas emoções...
HAHAHAHA NÃO
Gente, vocês têm que entender que o sistema ferroviário japonês é traiçoeiro. Da mesma plataforma sai um trem pra um lugar X e pra um lugar Y e esses trens passam na mesma linha e só bifurcam daqui 10 estações.
Bem, o trem tava cheio então nos dividimos, eu e o Nathan sentamos nos bancos num vagão, o Alvin tava no mesmo vagão mas mais pra ponta, de pé, e o Pedro tava num outro vagão.
Eu sou um cagão do caralho, então tava acompanhando o trajeto do trem em tempo real no Maps e chegando numa estação eu estranhei que o anúncio da próxima estação falava uma estação nada a ver que tava pra outro lado do aeroporto, era oficial, estávamos no trem errado.
| Desespero (tá no fuso BR) |
A gente tinha uma estação pra falar pro Alvin descer e tentar encontrar o Pedro noutro vagão. O trem tava cheiaço e já bateu o desespero. A sorte era que o Nathan tava do meu lado e o Alvin tava no meu campo de visão, o problema era o Pedro. Tentamos mandar mensagem, ligar no celular e nada, a gente tinha que pensar em algo rápido. O plano então era gritar pro Alvin sair quando as portas abrissem e sair desesperado atrás do Pedro noutro vagão. Sim sim, não pode falar alto em trem no Japão, mas era isso ou dar um ruinzaço no último momento possível da viagem, acho que os japoneses me perdoariam.
No final deu certo, o Alvin foi rápido em sair quando gritei e o Nathan me deixou com as malas pra ir atrás do Pedro, que também saiu rápido de outro vagão.
Acabado o susto deu tudo certo, fizemos o check-in e ficamos andando pelo terminal. A gente andou o terminal inteiro e de volta porque o Alvin conseguiu acesso a uma sala vip, lá eu consegui comer direito um curry bem gostoso.
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| Sala VIP em Haneda, vários onigiris, misoshiru e curry. |
Beleza, assim terminamos nossa passagem pelo Japão. Pegamos o voo pra Dubai.
A escala dessa vez durou bem pouco, já que ela originalmente era de 2h45min, mas como o voo de Tokyo atrasou, então ficou mais apertado ainda. Eu só comprei uma água e fui no banheiro, mas meus amigos compraram umas coisas.
E então de volta pro Brasil.
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| Chegamos! |
Foi uma viagem incrível. Não foi nada muito mirabolante, o roteiro cobriu bem o basicão do Japão, mas deu pra aproveitar bastante, mesmo eu tendo já visitado o Japão antes.
Acho que a viagem só foi possível por ter amigos dispostos a botar basicamente um orçamento (coletivo) de mais de 100k na minha mão e só aceitarem o que propus, nesse ponto foi até tranquilo planejar a viagem, não tive objeções em nada no roteiro.
Eu tenho certeza que viagens assim não serão mais possíveis logo mais, tá todo mundo casando e tendo filho (menos eu pelo visto) e eu tinha a ideia de ir pro Japão como uma escapatória por estar fazendo 30 anos logo mais, eu só não esperava que fosse demitido no meio do caminho.
Eu planejo sim voltar pro Japão e já ouvi gente falando "po, mas ce não quer conhecer outros lugares antes de ir lá de novo?" Sinceramente? Não muito viu. Quero sim conhecer a Europa e ceeeertos lugares dos Estados Unidos, e parte da Ásia também, mas acho que não ficarei feliz até ver tudo o que posso no Japão, e queria realmente fazer um mochilão lá, vejo isso como sendo meu objetivo de vida dos próximos 10 anos que sejam, ou seja: antes dos 40 estou lá de novo, espero que antes dos 35.
O que ficou dessa viagem foi essa nossa amizade que provavelmente vai durar bastante, assim como as amizades que fiz no arubaito, e ficam as lembranças de dias que realmente fui feliz, num lugar pelo qual sempre vou nutrir muito carinho.
Arrependimentos? Não ter comprado uns consoles portáteis por lá, mesmo inflacionados, aqui tá pior. E acho que podia ter mudado o lugar dos hotéis em Tokyo... mas até que gostei de onde fiquei, só queria da próxima vez ficar mais perto dos bairros que gosto mesmo (em Setagaya ou Suginami). E acho que queria ter comido mais sushi também.
Mas enfim gente, aqui acaba a série de posts sobre a viagem. Não vou ficar falando dela por anos como falei quando fui pro arubaito, espero, mas tem coisa dessa viagem que vai ficar comigo pra sempre.
É isso, voltamos à programação habitual nos próximos posts, eu provavelmente não vou manter essa frequência de posts porque não tenho muito saco, quis escrever tudo sobre a viagem antes de esquecer detalhes!
vlw flw té mais!



























