domingo, 21 de novembro de 2021

eu trabalho numa empresa bem grande

Eu estou estagiando já desde Abril mas ontem foi meu primeiro dia presencial no trampo.

Como o pessoal bem disse: não era um dia pra trabalhar TRABALHAR. Maioria do pessoal veio do interior pra empresa pela primeira vez em mais de um ano. Teve uma reunião que ocupou toda a parte da manhã da sexta-feira e, bem, era sexta-feira, ninguém tá pilhado numa sexta.

Meu setor tem umas 10 pessoas, sendo que duas moram fora do ESTADO, umas cinco moram fora da cidade e basicamente eu sou o que mora mais perto, o que é mais ou menos meia hora do meu quarto até eu entrar no meu andar.

Obviamente que quando tava presencial pré-pandemia a galera toda morava em São Paulo, mas como a empresa já viu que deixar o pessoal escolher de onde trabalhar é o que dá menos despesas e mais produtividade e o pessoal não tinha tanta afeição por São Paulo a ponto de pagar o triplo por um aluguel de um apê aqui do valor que seria uma parcela de casa no interior, então a escolha fica fácil pros dois lados.

A galera que veio do interior só pra trabalhar na sexta veio mais pra reencontrar (ou conhecer) o resto do pessoal e também pra comer num restaurante perto da empresa, um restaurante delicioso diga-se de passagem. 

Eu me perdi no prédio em todos os momentos que não estava com meus colegas de trabalho, aquela porra tem cinco torres, uns 4 andares térreos com nomes genéricos e meu senso de direção completamente comprometido por dois anos de isolamento também não ajudaram.

Mas mesmo me perdendo, eu gostei bastante do prédio da empresa, ele é ginorme. Dá pra sair do metrô e entrar no prédio sem tomar chuva debaixo de uma tempestade e dentro do prédio tem basicamente tudo o que você pode precisar: drogaria, loja de conveniência, sorveteria e aposto que tem muito mais que não vi no dia que fui lá.

Os meus colegas de trabalho também são super legais, o que eu já sabia pelo o que interagi com eles por distância, mas é bom ver que as pessoas que ouço nas calls semanais realmente existem de verdade.

Hmm, eu provavelmente só vou trabalhar lá presencialmente de novo no ano que vem, se muito vou mais uma vez no mês que vem, depois disso também é bem pouco provável que eu volte 100% presencial, mas é bom saber que caso eu não queira trabalhar em casa, existe a possibilidade de trabalhar em um lugar agradável relativamente próximo. 

Enfim, ano que vem EU ESPERO que sobre só mais uma matéria pra fazer na Poli, então vou poder me concentrar bem mais no trampo pra ser efetivado e então vou poder sonhar com mais benefícios aí hehehe, até lá seguimos sofrendo com a Poli e o estágio comendo meu cu ao mesmo tempo YEEHAW pelo menos o estágio me paga pra isso...

E é isso aí, vlw flw té mais!

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Ah não, meu post foi parar em Shimokitazawa de novo

Nessas últimas semanas eu me encontrei com um dos amigos que conheci no Japão e a gente, como sempre, ficou trocando memórias daqueles dias na Terra do Sol Nascente.

Eu falei pra ele que o hostel que fiquei em Shimokita e uma casa de shows onde fui ver meu primeiro show fecharam por causa da pandemia, além de uma outra casa de shows que fui também estar programada pra fechar ano que vem.

Ele me perguntou se o café que a gente foi em Shimokita também fechou, fui ver no instagram deles e bingo, fechou no final do ano passado.

Assim que voltei pra casa eu acabei procurando como estavam os outros lugares que frequentei lá. Dentre as casas de show, pelo o que consegui entender, foram realmente só a Yoyogi Zher The Zoo que já fechou e o (LENDÁRIO) Studio Coast que vai fechar ano que ver. Além das duas casas o Akasaka Blitz (onde foi o último show do Fishmans) que visitei só pra tirar foto também já anunciou que vai fechar, as outras casas de show que fui têm patrocinadores muito fortes (tipo o Shibuya Club Quattro que é da PARCO)  ou possuem história demais (tipo o Shinjuku Loft que já está há 25 anos no mesmo lugar mas tem uma história de mais de 50) e parecem já estar fazendo shows com um público bom até.

O que me deixou meio triste foram o fechamento do hostel e do café em Shimokita. O bairro de Shimokitazawa está longe de ser o que era antes: um vibrante bairro no oeste de Tokyo que era dominado por pequenos comércios, lar de artistas independentes e longe do caos dos turistas de Shibuya, a poucas estações dali. Quando eu fui visitar, Shimokitazawa já era praticamente uma Shibuya com alguns pouquíssimos comércios locais, casas de show pequenas e brechós superfaturados, mas eu amei o bairro do mesmo jeito. 

Eu ainda me lembro da primeira vez que pisei em Shimokitazawa: era já de noite, era minha segunda vez que eu ia pra Tokyo pra ver show, eu tinha acabado de comer ramen com meus amigos da faculdade em Shinjuku e precisava chegar antes das 22h pra fazer o check-in. Eu peguei a linha Odakyu de Shinjuku até Shimokita (que era uma viagem relativamente curta) e... é difícil descrever a sensação que tive. Eu corri pro hostel, que era bem do lado da estação, e foi aquela história: perguntei pro cara do hostel onde o Kinoko Teikoku tinha gravado Chronostasis e fui lá conhecer a rua. 

No caminho pra tal rua eu me maravilhei com aquele lugar. É difícil descrever o que senti naquela caminhada de noite mas eu estava montando a imagem de Shimokitazawa na minha cabeça desde 2013~2014 quando conheci melhor o cenário musical do bairro, tem até um post que fiz em 2015 falando sobre (mas que tenho vergonha de linkar aqui). Mas é, eu entendo porque o bairro é tão amado e porque os artistas frequentam lá, a atmosfera é muito gostosinha.

Nessa minha primeira visita a Shimokita eu acabei não conhecendo muito o cotidiano do bairro, eu acabei passeando de manhã e só voltei pra dormir lá no hostel por dois dias. Foi voltando lá mais pro final da viagem, ainda mais no dia que dei uma andada por toda Setagaya, que eu realmente consegui entender Shimokita como uma parte da região toda lá de Setagaya. Aí foi tiro e queda, até hoje meu lugar favorito no mundo.

Shimokitazawa tem umas três regiões bem bacanas: descendo a Chazawa-dori que está perto da saída sudeste da estação (onde tem o Mister Donut, ABC Mart grandão), subindo a Chazawa-dori (lugar das galerias, restaurantes de curry e brechós) e aquela parte depois da pracinha que tem feira na saída da estação da linha Keio-Inokashira (onde estão as lojas de roupas caras e brechós EXTREMAMENTE superfaturados).

Eu acabei de olhar no Street View como está o bairro e, como eu temia, as notícias não são boas. Um arcade acabou virando Donqui (uma rede ginorme de lojas), uma loja de soba virou Burger King e cada vez mais só dá pra ver lá as lojas que você encontraria em qualquer canto de Tokyo: Daiso, Zoff, ABC Mart, BK, Donqui, Book-Off, McDonalds. Ainda restam os brechós, as casas de show e alguns restaurantes pequenos, mas o futuro não parece muito promissor.

Ao mesmo tempo que fico triste em não ter visto Shimokitazawa no seu auge, supostamente nos anos 80~90, eu agradeço por ter conseguido presenciar ainda que as últimas labaredas do que foi o bairro mais interessante de Tokyo. Uma obra que só fomentou meu desejo de conhecer o bairro foi o livro Moshi Moshi da Banana Yoshimoto, onde ela cita essa descrição do bairro no começo do livro:

"The clutter of streets and buildings, which seem to have been left to spread and grow without any thought – they sometimes appear very beautiful, like a bird eating a flower, or a cat jumping down gracefully from a height. I feel that what might seem at first sight to be carelessness and disorder in fact expresses the purest parts of our unconscious."

E Shimokita é isso mesmo, são ruelas tortas perdidas no oeste de Tokyo. Não é um local particularmente interessante pra quem não curte a cena musical mas é certamente um local interessante de conhecer depois de ver o caos que são Shibuya e Shinjuku. Koenji tem mais ou menos essa vibe mas é um pouco mais residencial e (ainda) não descoberta por turistas e grandes redes de lojas. Koenji é Shimokita sem o hype, e com uma cena musical diferente... mas ainda prefiro Shimokitazawa.

Acho que meu carinho depois da viagem pro Japão já não é mais restrito a Shimokitazawa só, mas sim a Setagaya inteira. Deus sabe que o post que mais curti escrever foi sobre o dia que explorei Setagaya, que foi meu dia favorito da minha última semana no Japão. Eu não quero me repetir mas puxa, Sangenjaya, Todoroki, Futako Tamagawa e Shimokitazawa são incríveis. Eu consigo me imaginar facilmente vivendo só dentro de Setagaya, Shinjuku pode parecer legal e tal mas uma pessoal normal não consegue morar lá.

Enfim, eu tenho pouquíssimas esperanças de voltar ao Japão antes dos meus 30 anos, isto é, antes de 2026, então já abandono qualquer chance de ver a Shimokitazawa que vi em 2019. E acho que Tokyo é isso mesmo, eu falava sempre uma frase estupidamente clichê: você não vê duas vezes a mesma Tokyo, a cidade sempre está mudando. E isso pode ser bom como pode ser ruim também.

Eu nem ia escrever sobre Shimokitazawa DE NOVO mas foi onde o post me levou, paciência.

Não vou postar foto de Shimokita porque já devo ter postado todas aqui.

vlw flw té mais!

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Eu só queria pilotar um robô gigante

Eu achei que já tinha escrito aqui sobre mas vi que não era o caso. Vou escrever aqui sobre minha maior decepção no Japão.

Como vocês já devem saber, eu sou um fã de Gundam desde criança. Tudo começou quando passava Gundam Wing na Toonami, acho que começava 00h30 e como eu estudava de tarde na época, dormir até tarde era um dos luxos que eu tinha.


Na época Gundam Wing era a coisa mais complexa que eu já tinha visto: tinha política, guerra e trairagem, coisa que pra mim eram exclusivas para novelas ou outras coisas para adultos. Eu não entendia um caralho do anime (e pra ser bem sincero não entenderia se assistisse hoje, o enredo é uma merda) mas eu curtia ver os robôs gigantes lutando e sobretudo: eu era fascinado por pilotar um robozão de dentro de um cockpit.

Eu só me sinto confortável mesmo num lugar estreito, minha cama sempre é rodeada por coisas pra restringir meus movimentos e eu curtia demais dormir nas salas privativas dos net cafés no Japão, eu só não fui pra um hotel cápsula porque eram bem mais caros, mas em geral eu curto bastante lugares cercados e estreitos pra dormir.

Eu não sei se isso explica meu fascínio por cockpits, mas puta merda, meu sonho é pilotar um Gundam, até hoje. E tudo isso nasceu do vídeo acima, abertura do Gundam Wing.

Pois bem, lembro quando lançarem o arcade de Gundam no Japão onde você pilotava de dentro de um cockpit e rapaz, o Yoiti de 2006 ficou maluco, loucaço. Aquilo ali era o mais próximo de pilotar um Gundam que eu poderia chegar.

Eis que vou pro Japão em 2018~2019 e eu tinha até esquecido desse arcade. Eu já tinha ido ver um Gundam em tamanho real (e como você pode esperar, eu parecia uma criança vendo ele) e já estava dando check na minha wishlist quando, no começo de Janeiro, eu fui com um amigo no maior arcade da região. Eu vi o fliperama do Gundam e uma torrente de memórias do Yoiti criança vieram à tona, eu precisava jogar aquele jogo!

A experiência já começou mal porque botei uma moeda e a máquina não registrou, e eu (ou meu amigo) não sabíamos como reclamar pros funcionários, então relevei já que eu tava emocionadaço ainda. Botei então os 500JPY de crédito (que é 5x o preço de jogar um arcade normal) e lá fui eu realizar meu sonho de criança.

E foi uma decepção.

O jogo te bota numas missões bem basiconas, tipo shoot the target, e depois te manda pra um Free For All putaria sem qualquer objetivo, só matar geral. Eu até achei que minha inabilidade de ler japonês estragou a experiência e tinha uma missão pra fazer no lobby mas não, free for all mesmo.


 

Eu tinha jogado um arcade bem parecido no Shopping Morumbi, e que foi baseado nesse do Gundam, que você controla um X-Wing no universo do Star Wars. E cara, dá de 10 a 0 nesse do Gundam. Eu sei que não tem multiplayer e tudo mais mas a experiência no geral é bem mais bacana. 

Eu terminei a partida Free For All do arcade e fiquei extremamente desapontado. Não era como se eu tivesse pilotado um Gundam, mas eu esperava bem mais da experiência, BEM MAIS.

Me resta agora pilotar um dos mechas que tão fazendo aí, eu acho que a experiência mais próxima a pilotar um Gundam seria pilotar um caça, mas nunca me motivei o suficiente pra tomar esporro e paulada só pra dar uns giros de avião por aí.

Mas meu amigo, se as forças armadas adotarem robôs gigantes, eu vou ser o primeiro na fila me alistando pra pilotar um deles.

Enfim, acho que é isso.

vlw flw té mais!

sábado, 16 de outubro de 2021

1984 (não o que você tá pensando)

Hmm, eu ia tweetar mas acho queria escrever mais sobre o assunto.

Uma das minhas músicas japonesas favoritas é o 1984 do andymori.


Uma das estrofes ressona demais comigo: 

 1984 花に囲まれて生まれた
疑うことばかり覚えたのは戦争映画の見すぎか
親たちが追い掛けた白人たちがロックスターを追い掛けた
か弱い僕もきっとその後に続いたんだ

ou na tradução pra inglês que uso pra entender a letra:

1984
I was born surrounded by flowers
Is it because I watched too many war movies
That I learned to only doubt?
The white people my parents looked up to
Looked up to rock stars
And the frail me probably followed in their footsteps


Acho que andymori é a única banda que ouço que cita os "brancos" constantemente nas músicas, inclusive numa música com uma letra hilária que o nome traduz diretamente pra "O que eu faria se fosse branco". Toda banda influenciada por bandas de fora do Japão devem sentir um complexo de inferioridade às bandas ocidentais, não dá pra medir o alcance e a influência que eles perdem só por serem japoneses e cantarem na língua nativa deles.

E putz, dá pra falar de muita coisa dessa estrofe. O contraste de ter nascido rodeado de flores com o fato de ter assistido filmes de guerra demais (e aprender a duvidar de tudo por isso) é lindo, assim como seguir os passos dos pais no que diz a influência indireta dos rock stars.

Enfim, não quero fazer uma análise textual do 1984 mas tem uma série de músicas japonesas que eu amo as letras mesmo não sabendo se as traduções estão 100% certas ou não, maioria do Kinoko Teikoku.

Do Kinoko Teikoku eu tenho certeza que já citei a bonus track do Eureka, The SEA, Yoru ga Aketara e Aruyue nos posts passados. Nesse grupo de letras de músicas japonesas que amo de coração eu botaria também o Muse da Kayoko Yoshizawa, Rock and Rock ga Nariyamanai do Shinsei Kamattechan, Parks do Homecomings (que é bem bobinha mas junto com a melodia é uma das músicas mais reconfortantes que existem) e algumas da Kaneko Ayano pelo menos motivo do Parks.

Enfim, eu poderia fazer uma série de posts sobre minhas letras favoritas mas tenho preguiça, só queria ter pretexto pra falar do 1984 mesmo.

Acho que por hoje é isso mesmo,

vlw flw, té mais!

1984
I was born surrounded by flowers
Is it because I watched too many war movies
That I learned to only doubt?
The white people my parents looked up to
Looked up to rock stars
And the frail me probably followed in their footsteps
https://lyricstranslate.com/pt-br/1984-1984.html

1984 花に囲まれて生まれた
疑うことばかり覚えたのは戦争映画の見すぎか
親たちが追い掛けた白人たちがロックスターを追い掛けた
か弱い僕もきっとその後に続いたんだ
https://lyricstranslate.com/pt-br/1984-1984.html
1984
I was born surrounded by flowers
Is it because I watched too many war movies
That I learned to only doubt?
The white people my parents looked up to
Looked up to rock stars
And the frail me probably followed in their footsteps
https://lyricstranslate.com/pt-br/1984-1984.html
1984
I was born surrounded by flowers
Is it because I watched too many war movies
That I learned to only doubt?
The white people my parents looked up to
Looked up to rock stars
And the frail me probably followed in their footsteps
https://lyricstranslate.com/pt-br/1984-1984.html
1984 花に囲まれて生まれた
疑うことばかり覚えたのは戦争映画の見すぎか
親たちが追い掛けた白人たちがロックスターを追い掛けた
か弱い僕もきっとその後に続いたんだ
https://lyricstranslate.com/pt-br/1984-1984.html
1984 花に囲まれて生まれた
疑うことばかり覚えたのは戦争映画の見すぎか
親たちが追い掛けた白人たちがロックスターを追い掛けた
か弱い僕もきっとその後に続いたんだ
https://lyricstranslate.com/pt-br/1984-1984.html

domingo, 26 de setembro de 2021

"ow Yoiti, vê se você pega só um Fruttare hein"

Um personagem icônico da época do meu ensino médio era o coordenador do meu colégio.

Pra falar a verdade: ninguém levava ele a sério. Acima dele (a gente pensava que estava acima dele pelo menos) estava a coordenadora pedagógica, que era a mãe de um colega de sala meu, e ainda tinha o diretor, que servia mais como uma figura representativa da Igreja, já que era sempre um padre gringo e o colégio era católico.

Pois bem, o nosso professor de física sempre gostava de mostrar que a gente não sabia de nada e que precisávamos ser humildes pra aprender tudo, ainda mais física. Um dia ele pistolou (o que não era incomum) e botou na lousa pra gente resolver a seguinte divisão: 123/6.

"Porra, que conta fácil!" você deve estar pensando.

Mas faz aí no papel, se você fizer do jeito tradicional vai dar 2,5. Naquele dia eu consegui chegar em 25. E NINGUÉM na sala chegou no resultado certo, que era 20,5. Nota: a gente estava no terceiro ano do ensino médio.

O professor então deu um puta sermão de como a gente era ruim e aquela mesma ladainha de sempre, ok.

O negócio é que a memória dele não era tão boa, então deu uns dois meses e ele ficou puto novamente e tacou a mesma divisão na lousa pra gente resolver, só que dessa vez o coordenador estava passando no corredor e isso chamou a atenção dele, então ele veio observar o que tava acontecendo.

Um colega de sala falou o "20,5 professor!" mas não soube demonstrar como chegou lá.

Eu então falei: "Professor, eu sei e vou demonstrar na lousa!".

Botei lá 123/6 = 120/6 + 3/6 = 20 + 1/2 = 20,5.

O professor então me elogiou, falou que era como alguém que fez Kumon a vida toda ia resolver o problema (nota: eu nunca fiz Kumon) e o coordenador ficou tão impressionado comigo que ele me tratou como se eu fosse um gênio pelo resto do ano.

Foi algo bizarro, mas por bem ou por mal eu tinha o melhor desempenho geral entre a galera do meu ano. Eu era (e continuo sendo) um horror em biologia e gramática, mas o resto eu tirava de letra até, em química e física eu às vezes perdia pra dois amigos meus, mas em matemática eu mandava bem demais (saudades de poder falar isso). Mas é, meu colégio era uma escolinha de bairro, eram duas salas de 25 pessoas no terceiro do médio.

Isso nos leva pra viagem de formatura em Floripa. O almoço num dia lá tinha sido num self service numa praia, a fila pra pagar estava enorme e eis que chega o coordenador (que tinha conseguido ir pra viagem na faixa): "Ooo Yoiti, tá aqui minha comanda e o dinheiro pra pagar certinho", respondi: "Cê tá me devendo um sorvete hein?" pro que ele respondeu com um joinha.

Chegou numa ilha lá, tinha uma loja de lembrancinhas onde vendia sorvete também. Virei pro meu coordenador cobrando o sorvete e ele me deu uma nota de 50 reais "olha, pega um Fruttare no máximo hein?".

Mermão, comprei um Magnum pra mim e mais dois pros meus amigos, devolvi 5 reais de troco pro coordenador. Ele ficou puto mas relevou, afinal a viagem toda tava sendo de graça pra ele. O cara ainda comprou 5 sacos de farinha de alguma coisa que, segundo ele, era bom demais e só tinha em SC.

É um episódio totalmente banal mas mostra bem como o nosso coordenador era. Eu sinceramente não era muito chegado nos coordenadores durante meu ensino médio, sempre achei que esse pessoal insistia em usar os tais novos métodos pedagógicos e não tinham contato o suficiente com os alunos pra saber se tava dando certo ou não, mas algo me diz que esse fenômeno é universal.

Enfim, tá aí mais uma anedota do meu ensino médio. Incrível pensar que o ensino médio durou 3 anos e minha faculdade já tá batendo nos 7. Algo me diz que o médio me impactou mais, mas acho que só vou poder julgar meu período na Poli daqui alguns anos, assim como demorei pra digerir tudo o que aconteceu no ensino médio só um tempo atrás.

E é isso aí, estou com preguiça de postar com consistência então não fiquem muito ansiosos pra mais posts, vai demorar... ou posso postar amanhã algo novo.

vlw flw

té mais!

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

YES DEZ ANOS DE BLOG DO YOITI

Caralho mermão, dez anos de Blog, quem diria!

Minha vida mudou bastante desde que comecei este blog em 2011, eu era um simples estudante de ensino médio que não sabia muito bem o que queria fazer da vida e agora, em 2021, sou um simples (ainda) estudante de Engenharia Naval que francamente? Ainda não sabe muito bem o que fazer da vida.

Muitas coisas me marcaram nesses últimos dez anos: conheci novas pessoas, passei nos vestibulares, perdi um amigo, desbravei novos lugares, comecei o estágio e enquanto fazia tudo isso, eu escrevia de tudo um pouco aqui.

E ao longo dos anos meu blog ganhou e perdeu leitores, algumas pessoas que liam este blog já não falam comigo faz uns bons anos mas algumas outras que me conheceram nesse meio tempo viraram fiéis leitores.

Hmm, eu queria aqui selecionar uns posts favoritos meus:

Cara, eu tenho uma vergonha tremenda do que eu escrevia no meu ensino médio. Eu transparecia muito minha afeição por jogadoras de vôlei (que, sejamos sinceros, ainda tenho) e acho que queria esconder quão otaku eu era? Coisas normais pra todo adolescente, acho. Então por isso esses posts aí acima foram todos escritos depois de entrar na Poli.

A entrada na Poli aliás foi o maior divisor de águas na minha vida. Acho que nem a porra do arubaito que tenho que referenciar a cada post depois que voltei do Japão me mudou tanto quando o rito de passagem que foi entrar na magnífica Escola Politécnica. Mas um post sobre minha experiência na Poli só vai sair mesmo quando eu estiver com meu canudo na mão, o que espero que não demore muito.

Vendo agora os meus posts me dá uma saudade dos tempos que foram, mas também expectativas já que se a situação piorar, pelo menos a tendência é que eu continue melhorando minha escrita.

Enfim, apesar da plataforma Blogger ter passado por um facelift há pouco tempo, eu não duvido nada que a Google descontinue isso aqui e faça a gente migrar pra uma plataforma bem merda. Já tem um tempo que grande parte dos blogs hosteados no Blogger são ou de putaria ou de pirataria, e apesar deles certamente gerarem muito mais dinheiro pelo Ad Sense que um blog normal, não vejo um futuro muito promissor. 

Por isso e por mais outras eu realmente não garanto o futuro deste blog até o fim da eternidade. Possibilidades de migração pra outra plataforma não são remotas e até minha motivação pra manter este blog pode ir pra zero dependendo dos rumos da minha vida mas é, pelo menos 10 anos dela estão aqui.

E que belos 10 anos foram hein?

Encerro aqui este post, esperando de coração que daqui mais 10 anos eu possa escrever mais um post desse, com mais leitores ou menos leitores, com mais histórias ou menos histórias para serem lembradas.

Este post é dedicado a todos os leitores que me acompanharam nesses últimos anos, em especial ao Romito, que não pôde ver os últimos 4 anos de blog, mas que com certeza me encheria o saco assim que lesse este post.

valeu, falou

até mais!

domingo, 29 de agosto de 2021

Gerações de otakus e eventos de anime

Uma coisa que percebi recentemente foi como gostar de animes se tornou mais socialmente aceito do que nunca.

Eu sou, ou pelo menos quero acreditar que sou, otaku velho (apesar de não gostar de ser chamado de otaku).

Na minha cabeça as gerações de fãs de anime no Brasil se dividem assim:

  • 1ª geração: pré-internet banda larga, ficavam reféns das escolhas das editoras (na época JBC, começo da Panini e Conrad, além de outras hoje extintas) e dos canais de televisão, eventos eram raríssimos e pequenos. Basicamente é o pessoal que entrou nesse mundo antes dos anos 2000;
  • 2ª geração: começo da internet decente, foi quando comecei a ler mangá/assistir anime. Já havia uma maior maturação na editoras, quando começaram a publicar mangás em volumes inteiros de 200 páginas, os eventos já tomavam uma dimensão até que grande, TODO MUNDO usava da pirataria pra ver os animes novos da temporada (baixar anime em rmvb, quem lembra?) e aqui foi o auge dos site project, que traduziam e eram parte essencial das fanbasees de diversos animes como Naruto, Bleach, Death Note, One Piece, etc. Essa época durou do começo dos 2000 até o começo da popularização do stream em massa lá pra 2013~2015;
  • 3ª geração: agora tá na moda ser nerd, agora ser otaku não é tão sinônimo de ser um social outcast. O Netflix e o Crunchyroll democratizaram o acesso aos animes e agora todo mundo pode ver Death Note sem parecer ser emo, what a time to be alive. Por algum motivo os eventos de anime parece que perderam a força que tinham antes e a galera casual que curte anime é a mesma que curte HQs, então é Comic Con Experience pra todo mundo ao invés do saudoso Anime Friends.

Hoje em dia tem uma chance bem grande de você pegar um jovem aleatório na rua e ele saber cantar Blue Bird, ou de saber como tá Boku no Hero Academia ou Shingeki no Kyojin.

Mas como a popularização dos animes e mangás afetam quem já curtia antes?

Eeeehhh, acho que agora é mais fácil de encontrar quem tem o mesmo gosto que você pra esse tipo de mídia, além de ser mil vezes mais fácil de comprar mercadorias (na maioria das vezes falsificada) dos animes que você curte. 

Eu lembro ainda quando fui num mini-evento de anime na Liberdade em 2019 com um amigo que conheci no Japão. Como os amigos desse meu amigo conheciam os eventos de anime de dentro, eles contaram diversos causos que aconteceram em eventos passados e apontaram discretamente para pessoas problemáticas que sempre davam as caras nesse tipo de evento, e que estavam lá no dia.

Isso me fez pensar como o miolo das fanbases não mudou tanto quanto eu pensava. Acho que ainda tem a galera que move os pequenos eventos e discussões desde a minha época e maioria tem por volta da minha idade e começou a ver anime e ler mangá nas mesmas condições que eu. Desde a época do orkut tinham as pessoas estranhas que iam em todo evento de anime e que, muito antes do termo nascer, sofriam cyber-bullying nas comunidades.

Pra falar a real eu já escrevi uns bons posts aqui sobre minha relação com eventos de anime e como eu não me vejo indo em um de maneira não-irônica hoje em dia, ainda mais porque nem mangá eu compro mais. Mas é, acho que tem uma gigantesca diferença entre os eventos geek gerais (tipo o Comic Con Experience) e os de anime: os de anime ainda são organizados como eventos amadores.

Você vai na CCXP por quê? Porque você vai ver o ator famoso que fez o último filme da Marvel e se dispôs a vir aqui pra dar entrevista, porque lá vai ter um estande da Netflix, da WB, da DC vendendo merch oficial, porque vai ter anúncio exclusivo, etc. Agora, porque caralhos você iria num Anime Friends? Pra tomar Mupy? Pra comprar um colar de 15 reais claramente feito com metais não dermatologicamente seguros? Pra ver show de banda decadente que fez opening de um anime de 10 anos atrás?(pra falar a real eu iria pra isso). 

Agora os eventos de anime estão ficando decentes e tão trazendo uns dubladores e mangakas, mas é foda. Como a gente não vê a pessoa por trás das obras, só fãs muito hardcore sabem qual dublador dubla qual personagem, é muito mais jogo você trazer o Henry Cavill pra uma CCXP, todo mundo sabe quem é o Superman. Agora, imagina trazer o Eiichiro Oda num AF e o Zak Snyder na CCXP, você consegue sentir a diferença de impacto que teriam essas duas aparições por mais que a dificuldade pra trazer o Oda seja milhões de vezes maior? Pois é. 

Pra ser justo o CCXP é mais produto do capitalismo do que do amor dos fãs, o que explica muita coisa pra falar a verdade.

Eu estou saindo numa tangente enorme aqui mas o que estou querendo falar aqui em linhas gerais é que as fanbases de animes na minha geração eram ligadas diretamente à realização de eventos de anime. Hoje como "todo mundo" curte anime, o pessoal não tem mais essa necessidade de se enfiarem num galpão cheio de gente estranha só pra achar mais gente com o mesmo gosto, mas os eventos se mantém pela fanbase que foi criada na minha época. 

Uma CCXP é muito mais aberta para fãs casuais do que um AF, acho que esse é um outro ponto central nessa comparação.

Eu sou uma péssima pessoa pra falar de inside info e da história dos eventos de anime já que peguei uma época muito específica do crescimento do AF e nunca fui próximo do pessoal da organização. Isso tudo além de eu não pisar num AF desde 2013 e nunca ter ido numa CCXP.

Mas enfim, eu até esqueci do que eu tava falando, relação dos eventos com as fanbases de anime? Em suma: hoje a grande parte de quem consome anime é casual, antes você tinha que adentrar tanto na comunidade pra achar coisa traduzida ou indicações que era quase certo que se você curtia anime, também orgulhosamente ia adotar o rótulo de otaku.

E é isso? Eu queria escrever bem mais sobre essas diferentes gerações de quem curte anime e a relação com os eventos mas acho que preciso pesquisar mais sobre.

Eu percebi que os animes estavam se popularizando quando um colega de sala meu, o cara mais faria limer (provavelmente não é você que tá lendo este post, relaxa) que você pode imaginar, me perguntou se eu tinha visto já o anime do Death Note, as maravilhas que a Netflix faz.

No fim eu agradeço que não sou otaku.

E é isso aí pessoal, vou escrever sobre um assunto mais interessante na próxima vez.

vlw flw té mais!