domingo, 19 de julho de 2020

CHAMA OS GHOSTBUSTERS, PORRA!

Vocês acreditam em espíritos? Eu não acredito em espírito, fantasma, assombração e essas coisas, mas minha estadia no Japão me testou.

Por algum motivo no Japão é dado que existem espíritos. "Ah, alguém morreu no apê onde vou morar? Vou chamar o sacerdote do templo mais próximo pra fazer uma limpeza." -uma frase normal no Japão.

No Brasil eu passo fácil por dentro de um cemitério à meia noite pra cortar caminho pra um lugar, o meu maior medo é que o cemitério na real seja ponto de encontro de gangue ou algo assim mas eu não teria muita preocupação com quem tá enterrado lá.

No Japão, como eu não precisava me preocupar com os vivos, eu comecei a criar uma paranoia com  o templo/cemitério que ficava no lado do nosso apê em Yamanashi, o que não ajuda é que nas cidades do interior do Japão a iluminação pública é totalmente cagada: os postes ficam a uns 20m de distância entre si e a luz do poste só ilumina uma área ao redor dele, o resto fica num breu do caralho. Isso apresentava dois problemas práticos: o primeiro é que as poucas "calçadas" que tinham eram placas de concreto com furos sobre córregos, então a chance de tropeçar era imensa. O segundo é que se você não conhecesse por onde andava, as chances eram enormes de você se perder por não ter visto a entrada pra uma ruela. Mas o problema maior era o cagaço de ver algum fantasma.

O folclore japonês é cheio de demônios, espíritos e o caralho todo, e por mais que eu tenha evitado com todas as minhas forças a começar a acreditar nessas coisas, recusei veementemente de ir na floresta do suicídio que era relativamente perto de onde a gente tava por exemplo, quando você tá num país que é natural SABER (não acreditar) que espírito existe, você acaba acreditando um pouco também.

Não sei se ajudou mas eu fui pra uns seis ou sete templos lá em Tokyo, gastei uma boa grana em amuletos e tirando a sorte (quem assiste anime deve saber do que estou falando), o fato é que eu não sou budista nem xintoísta mas as visitas aos templos eram uma boa pausa pro caos que era a cidade e eu me sentia genuinamente bem quando visitava um, sou da opinião que as igrejas costumam ter um ar bem mais intimidador (apesar de eu conhecer mesmo só a do meu colégio).

Mas é, até os brasileiros que trampavam no Japão falaram pra gente com a maior naturalidade possível que assombração existia mesmo, ainda tenho minhas dúvidas se eles falavam isso pra assustar a gente só ou se acreditavam realmente naquilo, mas o fato é que eu nunca acordei de madrugada pra ir ao banheiro enquanto eu tava no Japão.

No final eu não adquiri nenhum medo por espíritos, fantasmas ou afins porque isso meio que conflita com minha ideia de pós-morte (que eu não sei o que é, mas não envolve perambular pela terra) mas eu posso muito bem mudar minha ideia em relação a isso a qualquer momento, sou a pessoa com mais medos irracionais que você deve conhecer.

Eu tenho uns calafrios aleatórios durante o dia, será que é uma espécie de sensitividade a espíritos que o Danny Phantom tinha no desenho? Só podemos imaginar a resposta.

Enfim, é isso aí.
vlw flw té mais.
Espero não ser assombrado por este post futuramente.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

MEU DEUS ESSE MANGÁ MUDOU MINHA VIDA!!!!

Você, pessoa que está lendo este blog, certamente já foi influenciado por algum pedaço de mídia que seja, anime, mangá, livro, filme, série, etc. e deve ter falado MEU DEUS, ISSO MUDOU MINHA VIDA.

Vou listar uns animes/mangás que MEU DEUS MUDARAM MINHA VIDA! ou pelo menos tiveram algum impacto. Não vou listar filmes e livros porque a lista ficaria muito extensa. Nota: essa lista não é necessariamente de obras boas, algumas obras muito boas não me impactaram e outras com defeitos notáveis deixaram marcas em minha pessoa.

Great Teacher Onizuka

GTO é um mangá bem clichê mas pro Yoiti de 13~14 anos foi incrível. O mangá em suma é sobre um ex-delinquente que vira professor pra tentar pegar as meninas mas acaba dando lições de vida pra todo mundo, tem treta, bullying e o caralho todo de qualquer escola no mundo mas tem o Onizuka no mangá pra resolver a porra toda. Esse mangá me fez valorizar a profissão de professor a ponto de eu ter cogitado fortemente a possibilidade de virar um, além de fazer com que eu respeitasse mais os professores que me davam aula.

Oyasumi Punpun

Punpun foi possivelmente o mangá que mais me impactou, foi o que me deu um tapa e falou na minha cara SHIT HAPPENS, SON. O mangá é o maior coming-of-age já feito nesse meio, e falar mais que isso seria spoiler. Os personagens são incrivelmente bem feitos (como tudo do Inio Asano) e a arte é linda de morrer, recomendo o mangá pra todo mundo mas já dou o aviso: talvez seja o mangá mais deprimente já escrito na história. Eu fiquei mal por dias depois de ler esse mangá.


NHK ni Youkoso
Foi a única obra que consumi em três meios: Light Novel, anime e mangá. Eu acho que assisti NHK muito cedo pra me conectar com a obra, vi quando tinha meus 14 anos, e talvez se tivesse deixado pra ver durante a faculdade eu teria um pouco mais de identificação. A obra é uma sátira da cultura otaku do começo dos anos 2000, no fim oposto do espectro que tem obras como Lucky Star e Genshiken, NHK não glorifica os otakus mas também não mostra de maneira verdadeira (tirando alguns momentos) o problema social que são os hikikomoris no Japão. Eu acho que todo otaku deve assistir ou ler NHK ni Youkoso porque, sinceramente, tem coisa a mais na vida além dos animes e mangás.


Legend of the Galactic Heroes
Foi o anime que me fez ficar interessado por política, por mais que alguns falem que o anime tem uma visão conservadora da história (falando especificamente da teoria do grande homem) eu achei que o enredo é bem justo até pra uma obra do Japão, o que prevalece é a figura do indivíduo sobre a nação por exemplo, mas no embate entre a autocracia e a democracia as cartas são dadas de maneira justa. Pro Yoiti de 13 anos o anime foi incrível, foram 110 episódios de aula de ciência política e estratégia militar (no espaço). LOGH acabou também me dando uma imagem melhor dos militares e um ódio profundo por líderes que promovem a guerra sem nunca terem empunhado uma arma, assim como civis que apoiam qualquer tipo de ditadura. Apesar de ter viés liberal eu posso te afirmar que é melhor um moleque ter primeiro contato com política por aqui do que por qualquer livro da Ayn Rand.

Kaze Tachinu (Vidas ao Vento)

Eu sou meio da opinião menos popular de que os filmes realistas da Ghibli são melhores que os fantasiosos. Kaze Tachinu é um filme maravilhoso, acho que é o único anime que tentou mostrar como a engenharia é linda, certo que fica meio que no segundo plano mas todo o processo de design e teste do avião é bem legal e só vi coisa parecida em algum Gundam. A cena que mostra os Zeros voando no final do filme me fez chorar e pensei comigo lá: engenharia é o que quero fazer mesmo. Eu vi esse filme no cinema no meu ano de cursinho, foi uma das coisas que motivaram meus estudos pra entrar na Poli, podemos questionar se a escolha foi sábia depois.

Bokurano
Apesar da abertura LINDA, leiam o mangá, o anime é chato demais. Bokurano foi o mangá mais depressivo que eu tinha lido até ter encostado em Punpun. Sem entrar em maiores spoilers (mas já entrando rsrs) o mangá aborda a reação que cada um dos protagonistas tem sabendo que vão morrer dali a pouco, da menina que dá graças a deus que vai morrer até o cara que não aceita de jeito nenhum, Bokurano é a única obra que conheço que tem isso como tema, e apesar da premissa ser jogada na sua cara desde o começo e não ter muitos plot twists (atentem-se ao "muitos"), você fica meio curioso em ver como o personagem x que agia de tal jeito até então vai lidar com a morte. Enfim, recomendo demais.

Blue Period
De novo? É, de novo. Blue Period é o melhor mangá em andamento e, possivelmente, é o melhor que já li na vida. Eu quero ler o mangá até o final pra me certificar mas puxa, os temas tratados, os personagens, a arte, tudo é feito de maneira tão bonita que é difícil você apontar erros ou defeitos no mangá. Eu posso ser meio suspeito de falar sobre isso já que sempre gostei de arte (num nível totalmente superficial) mas Blue Period me fez mudar completamente como eu enxergo arte, agora eu demoro o dobro do tempo que demorava antes numa ida a um museu. Eu já disse tudo isso no outro post que fiz ano passado mas é, eu não vou parar de amar esse mangá tão cedo assim.


Acho que posso fazer umas menções honrosas também:
  • Episódio 10 de Violet Evergarden: Eu juro, só de assistir os últimos 5 minutos desse episódio eu já estou chorando PRA CARALHO, o resto do anime é bem meh pra falar a real, mas o episódio 10 me faz chorar toda santa vez que eu assisto, e já foram umas cinco;
  • Millenium Actress: Uma das obras menos amadas do Satoshi Kon, mas me fez admirar a carreira dos bons atores veteranos, que passaram pelas mudanças que a indústria cinematográfica sofreu desde então. Ainda acho que uma versão liveaction desse filme com um bom orçamento seria um forte pretendente a qualquer prêmio que fosse;
  • Eve no Jikan: Adquiri meu amor por cafeterias aqui, apesar do Eve no Jikan ser mais um Kisaten japonês um pouquinho modernizado. Ah sim, a parte dos robôs é legal, mas a decoração do café era tão legal que eu realmente pensei em abrir um café naquele estilo;
  • Death Note: Quando li eu achava que tinha que matar bandido mesmo e fodasse, mas é legal notar como sua visão sobre as ações do Light e do L mudam com o passar do tempo.
Enfim, acho que é isso. Eu tava afim de escrever sobre anime/manga porque tava vendo uns vídeos sobre e eu pensei POR UM MOMENTO em criar um podcast pra debater mangá e anime com meus amigos, a ideia tá de pé se alguém me chamar.

vlw flw té mais

domingo, 12 de julho de 2020

Shimokitazawa, Amelie Poulain e o ideal do hipster japonês

É, eu me identifico com os hipsters do Japão.

Todo fã ocidental de música japonesa underground começou pela música japonesa mainstream e depois desceu as escadas, quase nunca ele vem de outros cenários underground ocidentais, porque tem muita coisa que você só entende se vier do mainstream e que não faz sentido se comparar com o underground americano por exemplo. E por isso todo fã ocidental de música japonesa é ou já foi otaku, porque anime/mangá é a coisa mais acessível da cultura japonesa pra qualquer pessoa, e a mais viciante.

O cenário underground em Tokyo é dividido em dois: o de Shimokitazawa e o de Koenji, o de Shimokita claramente é mais puxado pro indie-pop e coisas mais "normais" enquanto que em Koenji é mais comum ver o pessoal counter-culture, tipo punk, noise e coisas mais estranhas. É meio que um consenso que o cenário de Koenji é mais autêntico e original, enquanto que Shimokita é mais superficial, mas eu tive pouco contato com Koenji e Shimokita roubou meu coração.

Nem precisa entender pra saber a vibe do filme.

E putz, dói um pouco admitir mas eu tenho um fascínio pela pós-modernidade japonesa que só vendo. Todo filme indie japonês que foca num cara de 20 e poucos anos tendo uma crise de 1/4 de idade e uma desilusão amorosa em Tokyo (você não imagina quantos filmes assim existem por aí) me deixa fascinado, acho que toda essa dramatização do jovem adulto melancólico é uma coisa meio mundial mas nossa, me taca um mano com coração partido andando por Shimokita e um indie pop tocando no fundo e já exclamo "CARALHO! ME IDENTIFIQUEI!" mesmo que eu não more em Tokyo ou nunca tenha tido uma desilusão amorosa ainda.

E esse é um problema que eu tenho desde bem antes de ir pro Japão, porque eu mergulhei na música underground desde meu ensino médio, então sempre idealizei a juventude perdida japonesa de estar em uma sociedade pós-capitalista numa cidade ginorme cyberpunk, com uma renda excedente enorme pra gastar em prazeres baratos (shows no caso, não pense em merda) e me desiludir com moças andróginas estudantes de artes.

Eu tenho meio que uma teoria que tem todo um mercado por trás dessa idealização de vida medíocre no Japão, não estou falando medíocre num sentido ruim mas é uma coisa bem diferente do SEJA EMPREENDEDOR E GANHE MILHÕES que é a coisa corrente por aqui, vendo esse trailer que postei (de um filme que nem saiu ainda) não consigo deixar de pensar que eu queria ter um café ou uma loja de roupas/livros usados e viver de boa. No Japão tem o agravante de que emprego de escritório escraviza maioria do pessoal novo e não tem uma disparidade de salários tão alta quanto aqui, então não é muito fora de mão um jovem querer viver de uma lojinha ou um café, mas aqui isso é totalmente impensável pra um jovem de classe média com o mínimo de noção.

 Desilusão amorosa? Check! Indie Pop calminho? Check!

Acho que estou falando a mesma coisa de novo e de novo mas é algo que você nota ouvindo indie pop japonês, mesmo sem entender, tem meio que uma melancolia junto com um pouco de romance e a felicidade por pequenas coisas, é basicamente a mentalidade de um hipster de Shimokitazawa. Na moral que você nota que isso é meio que mundial quando percebe que o ideal de vida do hipster japonês parece o enredo de Amelie Poulain.

E eu sei que deve ter uma galera que tem essa vibe por aqui também, assim como no Japão tem festeiro PRA CARALHO, mas Shimokitazawa incorpora tão bem esse ideal de vida morno, meio sem sal e superficial que não há Rua Augusta ou Brooklyn,NY que represente tão bem esse estilo de vida.

Agora você me pergunta se eu queria ter uma vida morna, meio sem sal e superficial? Se eu fosse japonês mesmo eu estaria tentado em dizer sim, mas acho que mesmo essas pessoas têm sonhos que elas sabem que nunca serão realizados por limitações monetárias e coisas assim. Pode parecer legal viver num apartamento de 6 tatamis pra quem vê de fora mas deve dar no saco depois de um tempo.

Mas é, infelizmente não sou japonês e moro no Brasil pra piorar a situação, então o que resta é virar um hipster engenheiro ou um hipster que trampa no mercado financeiro pra ter então minhas desilusões amorosas com moças não necessariamente andróginas ou estudantes de artes. Pra falar a verdade eu amo a Rua Augusta mesmo não sendo baladeiro, frequentador de puteiros ou shows, acho que tem umas partes dela que são bem Shimokita, ou pelo menos suprem minha abstinência por aquele bairro.

Já dizia Jordan Belfort (ou pelo menos o DiCaprio interpretando ele): "Let me tell you something. There's no nobility in poverty. I've been a poor man, and I've been a rich man. And I choose rich every fucking time."

vlw flw té mais!

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Afinal, o Yoiti é otaku?

Acho que a minha vida social inteira pode ser resumida em dois modos de operar: assumir ser um otaku sem qualquer pudor e esconder que sou um otaku com todas as forças possíveis.

Putz, minha trajetória nos animes já tá fazendo aí seus 20 anos, frequentei por um bom tempo as comunidades de anime no falecido Orkut e fui em uns 4 ou 5 Anime Friends e eventos correlatos (tipo a Comix Fest), mas acho que nunca me declarei otaku.

Otaku é a ""tribo"" odiada por mais tempo nesse Brasilzão, tirando aquelas por motivos ideológicos e tudo mais, otaku já é execrado desde os idos do começo dos 2000, quando essa coisa realmente começou por aqui nos primeiros grandes eventos de anime e comunidades online. Os Kpoppers não existiam na época, os emos não existem mais (no mainstream) e o funk se tornou tão popular que funkeiro já deixou de ser estereótipo, mas os otakus continuam aquela coisa do começo dos anos 2000, com bottom na mochila, camiseta preta de anime, acessórios de gosto duvidoso comprados na Liberdade e uma falta de noção que me fazia ter vergonha alheia toda vez que os via no trajeto do metrô pra minha casa.

Mas eu nunca cheguei a ser esse tipo de otaku que fica na muretinha da estação Liberdade, tive só uma camiseta preta de anime (do Death Note... eu tinha 12 anos glr) que usei em umas duas ocasiões, e nunca botei bottoms de anime na minha mochila, nem correntinha ou nada do tipo. Mas eu sempre senti vergonha alheia quando via o pessoal otaku OTAKU fazendo bosta na Liberdade e sempre fiz questão de não ser esse tipo de gente que só consome anime, mangá, games e, quando muito, doramas e filmes japoneses, tem mais pra vida além disso.

Então eu decidi que ia dividir bem o Yoiti otaku do Yoiti normal. O pessoal fora do meu círculo imediato de amigos sabia que eu curtia anime mas não faziam ideia do otaku que eu era com a estante cheia de mangás e um vasto número de animes assistidos. E nessa época (do fundamental até meu ensino médio) é bem seguro dizer que os momentos mais felizes que tive foram sendo otaku, os eventos de anime foram divertidíssimos com meus amigos e meus gastos mensais com mangás estavam na casa dos 100 reais, o que pra época dava uns 7 ou 8 mangás POR MÊS.

Mas eu tava nesse período de formação de gosto, ouvia mais música britânica por influência da minha irmã, tinha começado a ler mais livros (maioria sendo de autores americanos) e tava também lendo bastante HQs, não é como se eu tivesse ativamente fugindo das otakisses, mas com certeza era uma das motivações. Assim eu via os animes e mangás meio como uma guilty pleasure, eu tirava foto da minha estante de livros e de HQs e postava no FB mas a de mangás eu só postava em lugares onde só tinha otaku mesmo.

Aí eu comecei a ouvir música japonesa.

Fodasse Oasis, Beatles, Verve, Muse, Arctic Monkeys e os caraio, o negócio é Judy and Mary, Shiina Ringo e Tokyo Jihen.

E a música japonesa virou simplesmente minha PLEASURE, sem guilty ou porra nenhuma, sem dividir Yoitis também, eu fiquei simplesmente fascinado pela música japonesa a ponto de eu falar pra qualquer pessoa que me desse o ouvido do processo de criação do Kalk Samen Kuri no Hana da Shiina Ringo.

Depois eu entrei na Poli, conheci uns otakões e daí foi ladeira abaixo.

Eu meio que me decepcionei com a Poli no quesito otakus porque não conheci um puto que assistia Gundam ou conhecia LOGH por exemplo (aposto que esse pessoal tá na elétrica) mas, por um breve período, eu tentei virar um pouco mais normie e fui em umas festas, mas não rolou.

A grande revelação veio mesmo quando fui pro arubaito e aquilo lá era cheio de otaku, afinal onde mais achar otaku enrustido que numa viagem pro Japão? Mas foi nessa viagem que vi que as otakisses pra mim já estavam no segundo plano e a música japonesa era realmente o que eu amava. O karaoke no último dia lá foi uma das coisas mais legais que fiz, música de anime foi feita pra otaku cantar.

Mas afinal, eu sou otaku?

Eu leio mangá todo dia na minha vida faz uns bons 10 anos, não assisto anime com tanta frequência mas vejo pelo menos uns 3~4 por ano e ah sim, voltei do Japão com um model kit de Gundam, 3 figures, 4 pelúcias de anime e uma caralhada de gachapon. Eu não tenho moral nenhuma pra negar que sou otaku mas também não declaro que sou.

Se for pelo viés da TRIBO eu não sou otaku, já que nunca me vesti como um otaku da Liberdade e nem fiquei nas muretinhas de estação, mas se for pela definição mais clássica japonesa de ser um fã die-hard de anime/manga (anime-otaku no caso) então sou mesmo, olha essas pelúcias:

Com que moral que falo que não sou otaku?

Enfim, eu meio que associava os meus momentos felizes com anime simplesmente porque eu tinha curtido os eventos que fui com meus amigos, demorei pra descobrir que o que fez os rolês serem legais mesmo foram meus amigos, não os animes e mangás necessariamente. Mas ainda devo bastante pros mangás em especial, maioria do meu vasto conhecimento em coisa inútil (e útil também) provém todo de mangás aleatórios.

Apesar de, no Brasil, eu não ser de nenhuma TRIBO URBANA, acho que o pessoal hipster do Japão, que era rato de show que nem eu fui por três meses, era uma galera onde eu me encaixaria bem se fosse japonês mesmo. A forma de se vestir desse pessoal tá entre o bem casual e a streetwear, é uma galera que vai pra show pra curtir, não pra ficar tirando foto e posando em selfie, e era um pessoal bem na deles. Os hipsters ratos de show underground aqui são geralmente tudo conhecido das bandas que tocam nesses circuitos, aí é meio merda essa panelinha toda, além disso a forma de se vestir do hipster brasileiro é mais pra jovenzinho descolado de Shibuya que jovem desleixado de Shimokita urgh. Tudo o que peço pros deuses da moda é que a tendência japonesa de usar roupas folgadas e confortáveis em eventos se torne mundial, minha calça moletom de dormir e minhas camisetas de skatista da Adidas clamam por esse dia.

Hoje eu já posto abertura de anime no meu FB junto com as músicas underground que ninguém se interessa, eu não me importo de ser taxado de otaku e boa parte dos meu colegas de sala já me associam mais pro lado hipster depois das inúmeras fotos de show que tirei no Japão, mas no final eu sou um pouco de tudo e nada também.

Resumo da ópera: pode me chamar de otaku, hipster ou... Shimokita boy? Mas não me chame pra sentar nas muretas da Estação Liberdade usando camiseta de anime e bottoms na mochila.
valeu, falou, té mais!

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Refrigerantes

Pra toda dieta que se preze, a primeira coisa que falam pra cortar são os refrigerantes.

Eu não sou muito fã de refrigerantes, eu gosto de Coca Cola por motivos maiores (leia-se Fallout) mas não é uma coisa essencial no meu cotidiano. Desde meu ensino médio eu substituí o açúcar dos refrigerantes pelo açúcar dos chás industrializados, e ainda tenho uma obsessão por chá mate tão grande que tive a capacidade de levar pra fazer no Japão, pode falar o que quiser mas chá mate ainda é o melhor chá que existe, desculpa mugicha.

Eu bebia refrigerante ocasionalmente quando criança mas só comecei a gostar mesmo depois que viciei em Coca Cola lá pelos idos de 2010, você pergunta como me viciei? Podem me aloprar falando que sou influenciável demais mas depois de jogar Fallout 3 e Fallout New Vegas eu não tive como conter meu súbito vício por Coca Cola.

Quem jogou Fallout já sabe, mas o jogo todo é baseado numa estética retro-futurista que mistura a música/arquitetura/roupas/etc. da década de 50 com o futuro que eles previam pra gente: carros nucleares, robôs pessoais, hologramas e tudo mais, e nisso tudo a bebida que você mais acha no mapa são as Nuka Colas, uma clara homenagem à clássica garrafa de vidro da Coca Cola. Depois de jogar horas e mais horas de Fallout New Vegas no meu Xbox eu acabei chegando à conclusão que a única coisa do jogo que eu poderia ter pra dar mais imersão era a Coca Cola e putz, viciei.

Mas é, o vício não durou muito já que os Ice Teas com a mesma quantidade de açúcar tomaram o lugar da famosa coquinha diária, mas ainda amo de coração a Coca Cola e não consigo viver muito tempo sem pelo menos beliscar uma latinha.

No Japão eu chutei o balde, tomei todos os refrigerantes que achei nas vending machines, tava frio? Fodasse, aqui vou eu com uma garrafinha de Fanta pêssego num frio de 5ºC. Mas a real é que eu experimentei bem mais as bebidas quentes (por motivos óbvios) e me acostumei demais a tomar chá sem açúcar e água nas refeições, que faz muito mais sentido se você quiser apreciar a comida. Mas obviamente minha maior paixão em terras nipônicas foi a Melon Soda, puta merda, eu juro que conseguiria beber só aquilo pro resto da minha vida, mesmo que tenha tanto açúcar quanto uma Fanta Uva antiga e tenha uma quantidade não razoável de corante, qualquer melon soda era boa demais. Eu lembro que tomei uma Coca no Japão pra ver se o sabor é diferente do daqui, não notei diferença.

Mas é, de volta pro Brasil sem melon soda, eu tomo às vezes Sprite ou Guaraná também, mas não tenho mais aquele negócio que tinha quando criança de querer beber refri diferente toda semana, mas ainda experimento quando sai um sabor mais diferente, podem me xingar mas amei a Coca com café.

Isso lembra um amigo meu do ensino médio que tomava uma Coca 600ml por dia e ainda era um dos caras mais atléticos que já conheci, ele tinha gastrite na época e na última vez que o vi já não tava tão fitness quanto no ensino médio, mas fica aí a memória aleatória.

Enfim, por hoje é isso e vou ficar com meu chá mate até que a vontade por uma coquinha me faça pegar uma lata de 350ml.

vlwflw té mais!

quinta-feira, 18 de junho de 2020

"Meus filhos não vão passar pelo o que passei"

No ensino fundamental, antes de ler os clássicos da literatura propriamente ditos, um dos meus livros favoritos era um do Moacyr Scliar: "Um sonho no caroço de abacate".

Era um livro curtinho, pequeno de tamanho com umas 100 páginas e letras grandes, a história era um típico coming-of-age de um jovem judeu e seu amigo negro que sofrem preconceito por serem os primeiros alunos não-brancos de uma escola de elite paulista e o livro faz meio que um paralelo entre a história do principal (o jovem judeu) e os pais dele, que são imigrantes vindos do Leste Europeu.

E uma frase que me marcou quando li o livro era: "Meus filhos não vão passar pelo o que passei." que é um pensamento bem presente em qualquer obra que seja que aborde a imigração pras Américas, tanto que vi algo parecido num mangá que estou lendo agora, Kabatami to Ougon:

Ganhar dinheiro na base do ódio, gosto.
O mangá é sobre duas pessoas que fogem da grande fome da Irlanda e vão pros States em busca de uma vida melhor, a princípio pela corrida do ouro da California. O mangá é bem pesado, mas apesar de ser seinen ele tem uns toques de humor que são característicos dos mangás da Ultra Jump, que é um seinen mais light.

O que realmente me fez pensar é que, se você vive no Brasil (ou nos States que seja), e não é filho de uma família riquíssima, provavelmente um antepassado seu de umas duas, três ou quatro gerações atrás deve ter falado também algo nas linhas de "Meus filhos nunca vão passar pelo o que passei!", porque ou você é descendente de imigrantes, escravos ou nativos, que é gente que não teve vida fácil por aqui.

E é uma coisa que penso às vezes, no caso da imigração, a decisão de ter que sair do seu país pra enfrentar meses num navio e chegar num lugar que você nunca foi, que fala uma língua diferente da sua e com costumes totalmente estranhos, deve ser uma puta decisão. Quero dizer, agora é fácil você com diploma da USP falar que quer ir pro Canadá, Japão, Coréia ou States pra uma vaga que paga bem na área de TI, mas você ter que abandonar seu país, sem qualquer perspectiva de poder voltar, por causa de fome, guerra, perseguição ou qualquer coisa do tipo, é algo que talvez (e ainda bem) nossa geração nunca vai saber como é.

Outra coisa que acho interessante é que nessa época, e até um tempo atrás, era dado que você teria filhos, e tinha essa coisa de "As coisas que não realizei em vida serão feitas pelos meus descendentes". Hoje é bem difícil ter gente, ainda mais com minha idade, falando em querer ter filho com certeza, é difícil até ter gente pensando em casamento.

Eu penso que às vezes não valorizamos o suficiente os sacrifícios que nossos antepassados fizeram, a questão da imigração (ou de coisa até pior dependendo da sua ascendência) é um fragmento bem recente da história da nossa linhagem e a cada geração, falando em linhas bem gerais, o ser humano fica mais acomodado.

Imagino meu avô vendo esse cartaz e dizendo "Hmm... Por que não?".

Meus avós paternos vieram com 20 anos pra cá, pelo o que andei pesquisando nos arquivos do Museu da Imigração, o navio deles saiu do Porto de Kobe e foi pro Oeste, passando por Singapura, sudeste asiático, costa da África e chegaram então em Santos. A história da imigração japonesa na Brasil é a coisa mais manjada, eles tiveram que entrar num sistema de colono em fazendas de café e depois conseguiram um pequeno sítio no interior de São Paulo, a história não muda muito pra maioria dos japoneses que vieram assim.

Eu não estou falando que a gente precisa passar por uma guerra, uma grande fome ou uma diáspora pra nos provarmos como bons descendentes dos nossos antepassados, a pós-modernidade e a solidão da contemporaneidade já são uma merda, mas muito disso é justamente porque a gente é uma geração sem rumo, acho que não estou muito afim de desenvolver essa ideia aqui e isso vai com certeza ser tema pra um próximo post, mas essa pandemia me fez pensar bastante sobre a diferença com que a gente lida com problemas hoje se comparado a antigamente.

Mas é, nunca passaremos pelo o que nossos antepassados passaram, a gente eventualmente vai enfrentar problemas que eles não tiveram e temos luxos que eles nem imaginariam ter, mas ainda acho fascinante esse lance de ir pro desconhecido, sair do seu país pra um lugar que você nunca foi e sem qualquer garantia de que vai dar certo, se eu faria o mesmo? Provavelmente não, mas circunstâncias são circunstâncias, não dá pra julgar uma decisão sem levar em conta tudo o que levou até ela.

Só consigo imaginar o que meus avós sentiram quando avistaram do convés a costa do Brasil, depositando nessa visão todos os sonhos e esperanças que tinham, eu senti um décimo desse sentimento ao contrário quando vi as primeiras luzes do Japão quando meu A380 tava descendo em Narita, mas já sabendo que eu voltaria dali três meses para casa.

Enfim, recomendo que leiam o mangá que falei sobre, Kabatami to Ougon, parece bem bom e tá no comecinho ainda, além disso, por causa deste post, acabei lendo bastante coisa sobre imigração japonesa que não sabia e é legal você saber um pouco mais sobre seus antepassados, só de pensar que você é a culminação de uma linhagem de MILHÕES de anos de seres vivos que foram evoluindo de pouco a pouco, o mínimo que você precisa saber é pelo menos como vivia o pessoal umas duas gerações atrás.

E é isso, valeu falou
té mais!

EDIT: Por PURA COINCIDÊNCIA eu escrevi este post no aniversário de 112 anos da imigração japonesa, juro que foi sem querer.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Uma declaração de amor ao Family Mart

Você passa pela porta automática de vidro e entra, uma músiquinha MIDI toca e você ouve um IRASHAIMASSEEE~, o cheiro de bentôs, nikuman e café entram no seu nariz, você acabou de entrar num Family Mart.

Family Mart perto do apê em Yamanashi.

Uma loja de conveniência (ou konbini) é um mini mercadinho só que muito mas muito melhor: numa konbini você vai achar de tudo, de ingredientes pra cozinhar, roupas íntimas de boa qualidade, artigos de papelaria, petiscos, frutas e bentôs (marmitas japonesas) até comida relativamente fresca, ingressos pra show, passagens de ônibus, bebidas de todos os tipos (alcoólicas ou não, quentes e geladas), pães e bolos. Tudo isso num espaço de uns 100m², até menos na real.

A konbini é uma verdadeira instituição japonesa, é a única coisa aberta depois das 22h em muitas cidades no interior do Japão e elas são espalhadas aos montes em Tokyo, coisa de duas por quarteirão sem qualquer exagero. Além de tudo que falei no parágrafo anterior as konbinis também são os únicos lugares com caixas 24h que são realmente 24h fora de Tokyo, você pode pedir pra Amazon entregar as encomendas lá caso não esteja em casa e são o único lugar com lixeiras 24h, já que não tem lixeira pública no Japão, e tem banheiro também.

Existe uma série de redes de konbini pelo Japão mas as mais famosas (e maiores) são: Family Mart, 7-Eleven e Lawson. E todo mundo que fica pelo menos um tempo no Japão vai ter uma rede de konbinis favorita, eu te garanto que isso gera mais treta que qualquer briga por futebol lá.

Ao fundo, à esquerda está o Lawson mais famoso do mundo para fãs de Kinoko Teikoku.

Lawson foi a que menos frequentei quando estive no Japão, mais porque ela era a mais longe do nosso apê em Yamanashi e não tinha muitas vantagens sobre as outras redes. O único Lawson onde comprei algo pra comer foi o de Shimokitazawa, e foi porque apareceu num clipe do Kinoko Teikoku. Eu me lembro da minha compra até hoje: uma cerveja "Suiyobi no Neko", um pacote de beef jerky e um pacote de lula seca, por algum motivo eu não comprei onigiris, com a sacola com essas compras eu percorri a rua onde o Kinoko Teikoku gravou o clipe do Chronostasis e chorei, chorei porque era a última vez que eu veria Shimokitazawa em um bom tempo.

7-Eleven é a maior rede de konbinis no Japão mas eu só ia lá na ocasião de voltar com fome de Tokyo ou do Shopping Center perto e parar no caminho entre a estação de trem e nosso apê pra comprar um bentô. O que eu mais odiava do 7 era o cheiro persistente de Oden em toda santa loja deles, puta merda, é algo que você realmente só fica enjoado depois de um tempo mas pô, eu não me importo com o cheiro de oden num restaurante mas numa konbini era meio enjoativo, ainda mais no inverno que tava, você entrava pela porta e vinha um bafão de ar quente com cheiro de oden na tua cara. A maior razão pela qual eu ia no 7 era porque o sistema de venda de ingressos deles funciona a partir de código numérico ao invés da busca textual do Famima, como eu não sabia um puto de japonês na época, eu tinha que ir até o 7 só pra comprar alguns ingressos.

Family Mart (ou Famima) é minha grande paixão, além de que tinha um no lado do nosso apê, o frango frito que eles vendiam era maravilhoso ~FAMICHIKI EU TE AMO~, sério, os nossos jantares em dias de folga e de pouca grana eram o curry pronto pra fazer no banho maria, arroz e o que tivesse na geladeira, quando sobrava uns 120JPY eu corria pro Famima pra pegar o delicioso FAMICHIKI, eu te juro que era melhor que qualquer KFC e olha que comi pra cacete no KFC no Japão. Além disso tinha uma caralhada de sabores de onigiri lá e muitas vezes nas minhas viagens solo pelos arredores de Tokyo, meu café da manhã foi um onigiri e um café (que também era ótimo) do Famima.

Tá bom, a esse ponto você já percebeu que isso não é mais uma comparação, é uma verdadeira homenagem ao Family Mart. Acho que pela familiaridade com o Famima por ele ser nosso vizinho em Yamanashi, toda vez que eu precisava ir numa konbini, eu ia num Family Mart.

Yamanashi? Famima na frente do nosso apê.
Kofu? Famima embutida na estação de Kofu, atrás da estátua do Takeda Shingen.
Shinjuku? Famima da rodoviária.
Yoyogi? Só descer as escadas do Customa, virar pra direita, duas lojas pra frente tinha um Famima e tinha outro no lado do meu primeiro show no Zher The Zoo.
Harajuku? Famima na entrada da Takeshita-dori.
Shimokita? Descendo da rua do meu hostel, virando pra esquerda, estava lá o Famima.
Yokohama? Famima dentro da estação Minatomirai.
Tsukuba? Famima na estação onde eu tava ficando.

O Family Mart era uma ilha de conforto em qualquer lugar que eu fosse no Japão, certo que eu mal saí de Tokyo e Yokohama mas era tão reconfortante saber que não importava onde eu fosse, teria um lugar onde eu poderia pegar wifi, comprar onigiri e comprar ingressos e passagens. Eu fui pra mais de dez Family Marts diferentes e comprei de tudo nelas: Shounen Jump, caneta permanente, cortador de unha, ingresso pra show, passagem de ônibus, bentôs, onigiris e cafés.

Umas konbinis ainda tinham um espaço pra sentar pra comer o bentô, pelo o que fiquei sabendo dos meus primos isso era uma iniciativa relativamente nova, mas as lojas já esquentavam a marmita e vendiam café moído na hora, então era o que faltava pra eles pegarem marketshare de cafeterias. Eu particularmente sempre ficava na área pra sentar na konbini perto de casa porque tinha wifi e a van do trampo buscava a gente no estacionamento do Famima, além do frio de rachar o cu que estava naquela época.

As konbinis no interior (fora de Tokyo pelo menos) tinham uma atmosfera incrível, geralmente ficavam no meio de um estacionamento relativamente grande pro tamanho da loja em si e como a iluminação pública no interior do Japão é quase inexistente, as luzes das konbinis são visíveis de longe, cyberpunk pra caralho.

Quão cyberpunk é isso? Foto não é minha, tirei daqui.

Além do Famima, Seven e Lawson tinha uma série de konbinis menores: Mini Stop era famosa pelos lanches feitos na hora estilo Subway, Daily Yamazaki era reconhecida pela variedade de pãezinhos frescos e o Seicomart é a folclórica rede de konbinis que só tem em Hokkaido que queria ter conhecido.

E é uma coisa que você só passa a sentir que gosta depois de sair do Japão, porque konbini e vending machine são as coisas que mais têm lá e você cansa de vê-las a cada esquina mas são essas pequenas coisas que fazem o Japão ser do jeito que é, porque konibins em sua concepção são coisas que só podem funcionar no Japão, é o único lugar no mundo onde lojas 24h conseguiriam funcionar sem precisar de segurança e os preços mais altos são aceitáveis pela conveniência das lojas.

Se eu pudesse trazer só UMA coisa do Japão, levando em conta condições ideais de que ia dar certo comercialmente e não ocorreriam assaltos e depredações constantes, eu traria as konbinis pro Brasil. A Hirota e, em menor escala, o Extra e o Carrefour, estão tentando fazer um modelo BR de konbinis, a Hirota em particular até tem uma mini-Daiso dentro pra vender coisas mais variadas e ainda vendem bentôs e comida pronta pra esquentar no micro-ondas dentro da loja, pena que a operação deles é bem limitada e a comida provavelmente não é boa, nunca experimentei mas o preço também não ajuda.

Mas é, konbinis, elas definitivamente não serão nada demais se você for turistar no Japão por umas semanas mas se você ficar por mais tempo é quase certeza que vai acabar precisando delas.

O post foi longo (e poderia ser maior) mas acho que por hoje tá bom.

valeu, falou, té mais!