quarta-feira, 10 de junho de 2020

Headphones

Eu não sou audiófilo mas amo headphones.

Se você me conhece você sabe que amo headphones, é uma paixão antiga. Eu gosto bastante de ouvir música de diferentes gêneros então sempre gostei também de ter uma experiência boa fazendo isso, como sempre tive que compartilhar o local onde moro com família, não dava pra usar caixinhas de som, então foram os head phones que me acolheram.

Meu primeiro headphone que pude chamar de meu foi um headset horrível da Leadership, na época não existia linha de periféricos GAMER com cores chamativas e designs arrojados, o headset era o básico estofado com couro sintético, terrivelmente não-ergonômico e bem desconfortável. Infelizmente não consegui achar fotos dele no Google mas sequer lembro dele, usei por um ano talvez.

Philips SHP1900

Meu próximo foi o Philips SHP1900 e até hoje acho que foi o melhor custo-benefício num fone que já comprei. Foram 30 reais no Shopping 25 de Março e durou uns bons dois ou três anos até que eu perdi ele na mudança pro apartamento. O som pra época era bom demais e o conforto era razoável, os copos do fone eram bem grandes e apesar do arco não ser acolchoado, o fone era bem leve.

Sennheiser HD228

Minha irmã foi viajar então aproveitei pra pedir um headphone pra ela, pedi qualquer Sennheiser que tivesse e o que ela achou foi o HD228. Foi meu primeiro On-ear e eu gostava bastante, foda que durou uns dois ou três anos como meu principal no PC e ocasionalmente usava como portátil mas o cabo ressecou e se despedaçou e o mesmo aconteceu com o couro sintético, dá pra usar o fone ainda mas ele tá todo amarelado e os pads descascados afetaram (pra pior) a qualidade do isolamento e do som do fone. Hoje ele vive na minha gaveta.

AKG K99

O fone mais longevo da lista (por enquanto) e por ironia foi o fone que comprei pra "usar enquanto não consigo algo melhor", comprei em meados de 2011~2012 e usei até 2018, o som não é grande coisa, o conforto não é dos melhores e não dá pra usar na rua esse trambolho, mas foi o primeiro fone de estúdio que comprei. A qualidade de construção definitivamente não é das melhores (é todo feito de plástico) mas é feito pra durar, mesmo os pads DUROS PRA CACETE foram pensados na longevidade. A AKG agora tem uns fones de estúdio bem mais bonitos e mais legais, feitos de metal e tudo mais, mas eu não tenho muito a reclamar do meu velho K99, ele nunca me deixou na mão.

Audio Technica ATH M50x

O headphone que eu cobiçava desde sua versão anterior, que era sem cabo removível, o Audio Technica M50x é incrível. Eu demorei horas pra escolher entre ele e uns outros mas acho que fiz uma boa escolha. O som é muito bom e os problemas com conforto serão solucionados, espero eu, com a troca de pads que vou fazer quando chegarem os substitutos da China. Mas só o fato de tudo ser substituível dessa vez me passa segurança que vou ter esse fone por pelo menos uns 10 anos.


JVC Gumy
 Agora, de fone portátil eu tive uma caralhada, no ensino médio eu usava um JVC Gumy por ano, já que era o máximo que aquele fone durava, mas a qualidade de som era bem melhor que os que vinham com o celular. O Gumy era uns 15 reais na Santa Efigênia, tive três deles pra usar com o Philips GoGear (MP4 player) e pelo preço eu realmente não tinha do que reclamar, eu usava exatamente essa cor aí, azuzão.

AKG K404

Por um tempo usei os fones que vinham com os celulares da Motorola e depois peguei um AKG K404 pra usar como portátil, só que o mecanismo de ajuste dele come cabelo e a tira de metal dele fica ABSURDAMENTE quente com o sol, puta que pariu. Por algum motivo esse fone não tava funfando quando usei ele na última vez, preciso ver o que é. Eu usei o K404 por uns dois anos.

Sony MDR ZX310

Depois do K404 eu decidi pegar uma coisa mais consumer friendly, decidi pelo ZX310 da Sony. É um fone bem basicão, é quase o mais básico da linha portátil deles, e pra mim na época era mais que o suficiente pro fim dele: ouvir música no caminho pra faculdade. Não é nada de outro mundo mas pelo preço ele faz o que faz, o conforto é bem mediano mas é bem melhor que o K404. Foi o fone que usei na minha viagem pro Japão e apesar de poder ter trocado por alguma coisa melhor lá, eu decidi que esse já tava bom, headphone portátil barato não é feito pra durar que nem os de estúdio, por isso prefiro esperar ficar ricaço pra comprar um bom portátil, tipo o ATH-ESW990H que é meu sonho de consumo de headphone, meu deus que headphone lindo.

KZ ZST

E por fim o que mais uso na rua (ou usava até o começo da quarentena): o KZ ZST. Você já deve ter visto sobre, é o budget king e símbolo da onda de bons fones vindos da China, até uns anos atrás fones IEM com esse form factor eram extremamente caros, agora você pega um fone da KZ por 15 dólares, e ele tem a qualidade de um IEM de 100 dólares de grife. O ZST é incrível pelo preço, é facilmente um dos melhores fones que eu já tive e não é nada caro, os cabos são muito bons e o melhor: são removíveis. Eu pretendo ficar com KZ ZST por um bom tempo e usar esse setup com IEMs chineses ad infinitum mas admito que fiquei curioso com os outros IEMs da KZ, esse é um dos piores segundo os caras que experimentaram o resto da linha.

Os meus planos pra melhorar meu setup são: mudar os pads do meu M50x, comprar mais uns IEMs da KZ pra experimentar e, quando eu ficar rico pra cacete, comprar o ATH-ESW990H e talvez um Sennheiser HD600/650, mas isso aí é daqui uns bons 10 anos. Meu plano pra agora é manter esse setup de M50x no PC e algum IEM da KZ no portátil.

"CARALHO YOITI, COMO VOCÊ GASTA COM FONE, CARA!" Fazendo a lista eu tive essa impressão, mas somando os valores que paguei na época em cada um deles deu menos de 1500 reais no total, 1500 é uma merda dum Beats Studio hoje, acho que 1500 ao longo de uns bons 12 anos de fones de ouvido não é um gasto muito absurdo, graças a deus que não fui um dos moleques que pediu um Beats pros pais.

O legal agora é que dá pra ter uns fones bons por preços absurdamente baixos, as fabricantes chinesas estão com tudo aí: Superlux, KZ, Moondrop e várias outras marcas fazem fones que você não veria por menos do triplo do preço que eles cobram hoje há cinco anos. É óbvio que se você quiser algo mais requintado, vai ter que pagar por isso mas a não ser que você faça questão de ter o MADE IN AUSTRIA printado no teu headphone, como os AKG topo de linha têm, no final não faz muita diferença, maioria dos fones é feito na China mesmo.

Acho que é legal fazer esses recaps de coisas que você teve porque dá pra ver meio que a sua história, isso deve ser mais legal ainda de se fazer com tênis já que são o objeto do vestuário que mais refletem a pessoa que as veste, na minha opinião.

Enfim, se você é uma das milhares de pessoas que já me pediu conselho de fone pra comprar, vai notar que muito provavelmente o fone que te indiquei não está aqui nesta lista, pois é. Eu indico fones que meio que têm um consenso NA INTERNET de que seja bem bom mas acabo comprando várias coisas na emoção, os dois AKG que tenho são bem exemplo disso, apesar de ser uma marca extremamente bem conceituada, os que tenho não são dos meus favoritos.

E é isso, escrevo este post enquanto uso meu lindinho ATH M50x pra ouvir Indie Pop japonês.

vlw flw té mais!

sábado, 6 de junho de 2020

Ofurô

Se meu plano de voltar pro Japão der errado eu vou comprar um ofurô.

O ofurô que a gente tinha no apartamento no Japão era dividido em 6 pessoas, 6 moleques em idade universitária, vocês já conseguem sentir a nojeira né? Mas não, as regras eram bem claras e seguidas: você tem que tomar banho ANTES de entrar e depois do uso você tem que lavar o ofurô, sem exceções. O resultado foi que todo mundo usava e nunca tava sujo, um verdadeiro exemplo.

Mas enfim, eu tomei uns 5 banhos de ofurô durante toda a minha estadia lá, era um ritual que eu só fazia em dias que tinha folga e não ia pra Tokyo ver show, ou seja: raramente. Mas um dos meus grandes pesares da viagem foi não ter visitado onsen (banho público com águas termais) ou sentô (banhos públicos normais) por mais que eu tivesse ressalvas em ver pintos alheios, eu não fui mais por não querer ser um gringo perdido num lugar claramente mais voltado pro público realmente japonês (famosa vergonha), o que realmente me privou de tentar fazer algumas coisas lá.

Meu ritual de ofurô foi totalmente formulado na minha cabeça desde muito tempo antes de ir pro Japão: Eu tomava um banho, me secava, botava o ofurô pra encher enquanto eu fazia alguma coisa no quarto e, depois de uns 15 minutos, eu mergulhava no ofurô com a água bem quente. Então eu ficava lá morgando com o celular (à prova d'água IP68, obrigado LG) tocando Momoe Yamaguchi enquanto ficava vendo o feed do Twitter ou do Instagram. Eu ficava assim até a água começar a esfriar, aí me lavava e lavava o ofurô no final, um dia cochilei e acordei com a água meio fria, quase pego resfriado da forma mais imbecil possível.

Teve um dia que eu estava de boa no ofurô lendo o feed do Twitter quando vejo que a Kaneko Ayano tinha anunciado um show e que os ingressos começavam a vender 9h da manhã, já eram 10h. Maluco, eu saí na hora do banho, me sequei bem mal e corri mais de 200m só pra comprar o ingresso no Seven-Eleven mais perto, se não me engano peguei um ingresso com numeração bem alta (tipo 260 de 300 disponíveis), chances altas de eu ter perdido o show se tivesse terminado meu banho como fazia normalmente.

A coisa que o pessoal não entende é que o ofurô foi feito pra relaxar, não pra tomar o banho propriamente dito como nas banheiras ocidentais, por isso morrer no banho é uma causa de morte não tão rara no Japão pra idosos. Tanto que nas casas não-de-rico, o ralo do ofurô dá na entrada de água da MÁQUINA DE LAVAR ROUPAS, eu não sei se rolava isso no apartamento nosso lá no Japão mas eu nem quero saber.

Enfim, vai gastar água pra caralho se eu fizer isso aqui? Eh, não mais que um banho demorado, dá pra você deixar a água no ofurô e usar um sistema de aquecedor pra esquentá-la depois, óbvio que pra isso você precisa se lavar bem antes de mergulhar nele e mesmo assim ter noção que aquilo é tipo uma sopa (ou chá?) de gente, mas acho bem factível, tanto que minha família tinha um ofurô no apartamento até os meus primeiros anos de vida, infelizmente não mais.

Tem uns lugares com onsen aqui no Brasil, apesar de serem bem diferentes do Japão, acho que sepá vou dar uma olhada num lugar desses pra ir.

É isso, me deu vontade de dar um mergulho num ofurô porque tá frio e é final de semestre, nada te relaxa e te aquece como um bom ofurô.

vlw flw té mais

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Graduation Trip

 DIA DE POST DUPLO NO BLOG DO YOITI, FILHO DA PUTA!

Eu tenho que admitir, tenho complexo de vira-lata.

Eu pago muito pau pro Japão, como vocês podem bem perceber na metade dos meus posts antes e depois de ter ido pra lá, mas pago pros States e pra Europa também fodasse admito.

E olhando pras minhas fotos da época do ensino médio, me veio umas fotos das viagens de formatura que fiz, que tinham sido as coisas mais legais que tinha feito até então. Eu não vou mentir, eu realmente amei com todo o meu coração ter ido pra Floripa e Búzios com meus amigos, mesmo não sendo TODOS meus amigos e ter sido meio que forçado a ir em baladas e essas coisas, mas foi bem legal de qualquer jeito e são memórias que vou levar pra sempre na vida.

Mas eu acho a cultura da "graduation trip" nos States muito legal, é uma coisa que só é possível mesmo porque lá é possível tirar carteira de motorista antes dos 18 mas a ideia de pegar um carro e viajar com seus amigos é muito legal. Eu julgo que as viagens de formatura que temos aqui são uma forma de adaptar a cultura americana (e também europeia talvez?) pra cá, com toda a segurança que pais-coruja exigem, mas acho uma coisa meio vazia por mais hedonista que um estudante de TERCEIRÃO URRA URRA HEI! possa ser.

Putz, viagem de formatura no Brasil você é obrigado a ir com pessoal que você odeia da tua escola, além de amigos de fora não poderem ir, concordo completamente que os pacotes são (na maioria) bem vantajosos no ponto de vista financeiro mas toda a liberdade que você perde por ter que acompanhar a caravana toda é bem bosta.

Acho que é uma coisa que veio na cabeça depois de ler o Lost in Sea (do cara que fez Scott Pilgrim) e aposto que é a minoria dos estudantes americanos que sequer fazem uma graduation trip mas acho que uma viagem com os amigos depois de acabados todos os vestibulares deve ser bem maneiro. Nada muito relacionado a álcool mas sair com um carro pra conhecer umas cidades diferentes dentro do estado que seja já seria incrível.

Talvez não seja justo eu falar nessa graduation trip de autoconhecimento agora que tenho 24 anos (que já estou sem saco pra festa), mas eu e meus amigos do colégio já planejávamos uma viagem desde que saímos do ensino médio e a coisa mais próxima que fizemos foi a viagem pra Curitiba ano passado (que não foi viagem pro meu amigo que hospedou a gente, oi Yudi!). A gente até planejou uma ida a Paranapiacaba NO MÊS DE JULHO DESTE ANO, nem precisa dizer que o plano foi por água abaixo né? Ai ai.

Enfim, eu escrevi este capítulo mais porque eu tava relendo os últimos capítulos disponíveis de Blue Period e os protagonistas vão pra Odawara (uma cidade litorânea pequena perto de Yokohama) pra meio que uma jornada de autoconhecimento. Acho que o Japão é legal por isso: na mesma estação que você pega o trem pra escola, é só pegar um trem na outra plataforma que você tá na praia. Esse modelo de graduation trip japonesa também é legal, ainda mais porque lá é tudo interligado e o país é pequeno (ao contrário do Brasil/States onde as linhas ferroviárias são um cu e o país é gigantesco).

A grande ideia que a gente tinha era ir de busão pra qualquer cidade que fosse e andar de Uber por ela, que foi o que fizemos em Curitiba, o problema mesmo seria a hospedagem, um Airbnb seria o ideal.

Enfim, o problema maior não foi nem a falta de carro, porque eu tava com carro por um breve período de tempo, mas o calendário de ninguém batia. Por isso mesmo que no começo desse ano a gente decidiu numa daytrip pra Paranapiacaba ou Campos do Jordão que fosse pra passar frio sem precisar pernoitar, isso até o Corona estragar todo o e qualquer plano que tínhamos.

Graduation trip pra universitários não é tão comum já que no final da graduação você já deveria estar estagiando (deveria) e maioria do pessoal acaba indo em jogos universitários pra caralho, que deve contar como viagem de graduação de alguma coisa pra alguém, nunca fui e não me arrependo tho. Uma boa galera vai pra arubaito meio com o intuito de ser graduation trip, antes de pegar estágio e tudo mais, mas só de precisar ser nissei/sansei pra ir já cagou o esquema pra eu ir com meus amigos.

Neste ponto já temos 24 anos, mais do que uma graduation trip, a gente já tá planejando fazer o famoso bate-e-volta de tiozão, o tempo passou e não me avisaram.

E é isso pessoal, espero que acabe logo essa merda de pandemia pra FINALMENTE eu conseguir viajar com meus amigos.

vlw flw té mais!

Uma ode ao netcafe... e ao frio

Sempre que tá frio eu lembro do Japão.

Não me leve a mal, a maioria das lembranças que tenho de frio no Japão são de sofrência: a primeira noite que dormi lá no apartamento, poucas horas depois de chegar do Brasil, eu tava soltando fumaça da boca DENTRO do apartamento, foram alguns dias até a gente finalmente comprar um aquecedor elétrico, até lá foram noites MUITO frias, a minha sorte é que eu trampava de noite em Dezembro então pegava um horário melhor pra dormir (em relação ao calor).

No trampo era pior ainda: a gente usava uns casacos de exploração polar pra aguentar as temperaturas negativas de fora da fábrica, mesmo assim era frio pra caralho, ainda não esqueço o dia que peguei -8ºC trampando, eu juro que nunca antes na minha vida senti aquele frio. Depois de ser transferido pro turno da manhã ficou menos pior, mas ainda eram temperaturas absurdas, trabalhar a 3ºC era sorte.

Indo pra Tokyo o frio também não perdoava, peguei várias chuvas e tirando o fato das fotos ficarem mais bonitas, chuva é uma bosta de qualquer jeito, eu quase escorreguei na frente da estação Shinjuku numa poça congelada. Não foram poucos os dias que eu queria pular num onsen.

Enfim, eu tenho uma lembrança boa tão randômica do frio no Japão que precisei explicar todo o prefácio antes de como passar frio no Japão na real foi uma merda. Mas eu tenho essa memória tão específica que sempre aparece nos meus sonhos: os corredores do netcafe onde eu dormia quando ia pra Tokyo.

O Customa Cafe de Yoyogi foi minha casa por umas 5 noites, você chegava lá, pagava 2000JPY por 10h de uso da sua cabine privada e tinha direito a um banho, toalha e uma bebida, o valor é absurdamente bom pra localização, ainda mais com a cabine dessa rede em particular ser totalmente fechada e climatizada.

Minha cabine na primeira ida solo pra Tokyo.
Teve vez que o PC não funfava, o painel do climatizador tava tiltado (e tive que dormir SEM CAMISA) e outras coisas que aconteceram porque o baka aqui não manjava um caralho de japonês, mas pelo preço, pela privacidade e localização não tinha muito o que reclamar.

Minha lembrança de frio é andar pelos corredores do net café (que não eram climatizados) e passar um frio do caralho usando os chinelos-muito-pequenos-pros-meus-pés quando queria ir pro banheiro, tomar banho ou comprar alguma bebida na vending machine do andar.

Os netcafés são interessantes porque não são direcionados pra turistas, maioria dos clientes são japoneses que perdem o último trem ou que MORAM lá por ser o único lugar que podem pagar pra viver em Tokyo, eu lembro de ter visto que os planos mensais lá eram uma pechincha tendo em vista a localização e o que tava incluso, tipo uns 35~40kJPY por mês.

E por ter só japonês lá, o netcafé tinha vibe de hotel (pelos corredores de portas juntas iguais) mas também tinha meio vibe de apartamento, de manhãzinha você via uma galera saindo pra trabalhar, além das máquinas de lavar sempre ocupadas. A vibe era bem diferente do hostel que fiquei em Shimokita.

Meu pé com meia com os chinelos que os caras deixavam pra cada um na entradinha do cubículo.
Tomar banho no netcafé era engraçado porque você tinha que avisar a recepção e eles te falavam o número do chuveiro e o andar e você tinha direito a uns 10 minutos de água. O acionamento da água era tipo uma torneira de banheiro público, uma acionada durava uns 20 segundos e você precisava ficar com a mão na torneira pra água cair sem parar. O shampoo e sabonete líquido estavam sempre no box (assim como no hostel que fui) e eram muito bons. A volta do banho era sempre dolorosa porque eu voltava quente ainda mas até chegar no meu quarto meus pés já estavam congelando.

Interfone, saquinhos de lixo e lenços de papel estrategicamente posicionados.
 Na moral que o dia que dormi no netcafé pela primeira vez foi também a primeira vez que dormi sozinho numa viagem na minha vida, eu tava às 23h recém-saído de um show bem foda no meio de Tokyo e não fazia a menor ideia de onde cair morto, vi o letreiro do Customa de longe e lembrei de uma lista de netcafés que tinha visto faz tempo e decidi apostar minhas fichas lá, e deu certo. Se desse errado o plano era acordar minha prima em Tsukuba e pegar um trem de mais de 1h pra lá, com altas chances de não conseguir chegar a tempo do último trem.

Eu não fiquei com nenhuma lembrança física do netcafé infelizmente, joguei fora a notinha fiscal (devia ter guardado todas elas), não comprei nada do amenity kit que eles ofereciam porque eu já tava com tudo na mochila: creme de mão, pasta de dente,etc. e também não tirei muitas fotos porque não via muito glamour em dormir lá, mas rapaz, que saudade de dormir no estofado duro dos cubículos do Customa Café de Yoyogi.

A notinha com o número do cubículo, o cartão vale-uma-bebida e a pranchetinha que era o chaveiro da chave do quarto.
 Ainda sonho às vezes que estou andando usando o chinelo do netcafé, com metade do calcanhar pra fora, pelos corredores que pareciam labirintos no Customa de Yoyogi em busca de um chá de limão com mel da vending machine, já que ela estava no mesmo andar eu deixava a porta destrancada (eu tava no Japão afinal) e com meu fiel porta-moedas comprado na Daiso numa mão e meu celular na outra, eu ia passar frio por uns minutos pra ser recompensado por um delicioso chazinho quente.

E é isso aí, se quiserem ver mais sobre o local, procurem "カスタマカフェ" , toda a decoração e os cubículos são no mesmo estilo em todas as unidades. Eu achei interessante que em algumas unidades agora está incluso um buffet à vontade de curry, arroz e acompanhamentos no valor da estadia, a comida parece ser bem basicona mas porra, teria me poupado muita grana se tivesse isso quando eu estava lá.

Enfim, me desculpem esse post tardio sobre o Japão, eu sei que vocês estão de saco cheio e eu fiquei só três meses lá, mas foda-se o blog é meu e esse friozinho me deu uma saudade indescritível do Customa Café de Yoyogi, minha então segunda casa no Japão.

valeu, falou té mais!

EDIT: Adicionei fotos novas.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

PAPÉIS DE PAREDE

Vocês mudam o wallpaper dos seus computadores/celulares com frequência?

O wallpaper do meu celular era sempre um reflexo do meu humor e do meu gosto na época: seja uma foto de um show do Kinoko Teikoku, da Shiina Ringo, screenshot de um anime ou algo bonito do wallhaven, um wallpaper nunca ficava mais de um mês no meu celular. No meu computador era mais ou menos a mesma coisa, eu demorava horas escolhendo algo legal pra botar como wallpaper, mesmo não vendo o dito cujo quase nunca.

E nos meus tempos mais remotos, lá pelos idos de 2008~2010, eu ainda usava o rainmeter e essas coisas pra deixar o meu desktop mais clean e bonito, infelizmente não tenho screens sobreviventes daqueles tempos.

Mas enfim, eu perdi o saco. Eu ainda vou no Wallhaven quando o tédio se torna insuportável mas uso o mesmo wallpaper desde 2017 no computador, e no celular acho que não mudo desde 2018.

A Poli tirou o melhor de mim, nem organizo mais.
Meu desktop tá esse caos aí, não organizo os arquivos direito desde que entrei na Poli e o wallpaper é um screenshot que tirei do Labyrinth do Mondo Grosso (com a maravilhosa Hikari Mitsushima), eu "tratei" a imagem no Pixlr no celular pra aumentar a saturação pra destacar mais as cores vibrantes da roupa da Hikari Mitsushima em relação ao cenário, tá meio lo-res mas acho que assim ficou parecendo um filme do Wong Kar Wai (ainda mais que o clipe foi filmado em Hong Kong).

Eu não troco o wallpaper por preguiça na moral, além de ser legal ver a Hikari Mitsushima toda vez que ligo o PC.

"O espaço de armazenamento está se esgotando" faz dois anos.
Pro meu celular eu fui na política do "em time bom não se mexe" e estou usando o mesmo Nova Launcher e o mesmo pack de ícones desde o meu Moto G de 2014. Eu até tive meus surtos de querer personalizar mais, mas quando a Google lançou esse widget de previsão de tempo + data, me convenci que não precisava ficar baixando coisa desnecessária. O wallpaper é a capa do "Celes and Calypso in the Deep Time" do Candy Claws (que é o meu álbum favorito de Dream Pop) só que usei o Pixlr pra deixar a imagem mais escura e "quente" (acho que essa é a tradução pra warm no caso?) pra não queimar meus olhos quando quisesse mexer no celular às 3h da manhã.

Eu particularmente gostei bastante dessa combinação, tanto que já tentei trocar de wallpaper umas vezes mas nenhum ficou tão legal quanto esse, ao contrário do PC que não troco mais por preguiça. Eu meio que botei na cabeça que quando eu trocar meu celular, vou trocar também o wallpaper e os ícones, mas não me vejo sem o meu leal LG G6 por um bom tempo ainda.

Eu gosto quando pessoas são o foco da foto (ou desenho) quando uso como wallpaper, é preferência pessoal mesmo mas também é a razão pra eu não usar uma foto que tirei no Japão como wallpaper, queria eu ter tirado foto de pessoas interessantes (de modelos quem sabe) lá mas foi só foto minha e dos meus amigos, nada que seja de muito valor pra virar wallpaper.

Acho que dá pra ver um aspecto da pessoa através da imagem que ela usa como wallpaper, seja uma foto de um lugar bonito, do companheiro, com um escudo de time de futebol, carro esportivo, etc. o único tipo que não entendo é a pessoa que usa a selfie dela sozinha como wallpaper, não é nem questão de narcisismo, mesmo a pessoa sendo muito bonita, talvez seja pra mostrar que ela é a dona do celular? Eu sinceramente prefiro perder essa garantia do que acordar todo dia olhando pra uma foto do meu rosto, cruz credo.

Enfim, este post foi totalmente inútil mas depois de cinco rascunhos sobre cinco assuntos diferentes onde não cheguei a nenhuma conclusão, eu queria postar este post que também não chega a nada.

Valeu, falou, té mais.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Durabilidade

Eu gosto de coisas que duram bastante.

Eu me apego muito fácil por um bem material, e amo quando eles duram bastante. Há uma beleza intrínseca à durabilidade dos objetos, qualquer coisa que foi fabricada pra durar bastante me deixa bem feliz, quanto mais tempo passo com um objeto, mais me apego.

No caso dos eletrônicos a merda é que eles foram feitos pra durarem x anos até começarem a falhar, aqui as maiores exceções são os headphones.

Headphone com fio de boa qualidade é feito pra durar mais que você, desde que as almofadas sejam trocáveis e o cabo removível, nada impede que você mantenha um bom headphone por uns 15 anos sem qualquer problema maior. Eu tenho ainda meu AKG K99 que comprei em 2011 que só troquei pelo ATH-M50x porque eu tinha a grana e a vontade de ter algo melhor, nada me impede também de manter o K99 no setup, é a mesma coisa que ter dois carros.

Ainda falando de eletrônicos acho que maioria dos consoles também duram bastante, tirando controle sem fio (ainda mais com analógicos) e uns portáteis, o meu PSP ainda é o único console que me deu perda total, enquanto que o DS Lite se mantém firme e forte depois de mais de 10 anos de uso, com bateria sem viciar e tudo mais.

Com roupa em geral parece que também tem essa de obsolescência programada, mas eu tenho um apreço por camisas de futebol porque tirando as estampas em borracha (de patrocinador, número, nome, etc.) elas aguentam bem ao tempo, minhas camisas do Santos que comprei em 2010/2012 ainda estão bem boas.

Eu acabo sempre rasgando calças PORQUE SOU GORDO e uso que nem um retardado mas eu acho bem legal as jeans feitas pra durar, eu tenho uma Levi's que tem um textinho dentro da calça falando como as calças são duráveis e se possível, depois do uso, doar pra outra pessoa... e ela tá rasgando. Putz, eu realmente acho Jeans uma merda no quesito conforto mas a construção de uma boa Jeans é tão fascinante que lembro que fiquei um bom tempo admirando as minhas Levi's quando comprei, aposto que elas eram mais bem feitas antigamente mas eu acho legal toda a engenharia que vai na confecção de roupas, só de ter rebite numa calça eu acho legal demais.

Agora falando de calçados, acho bem legal os sapatos sociais porque dá pra trocar a sola e se bem cuidado um bom sapato pode durar décadas, eu só tenho um mas dá pra ver que ele foi feito pra durar bastante (já que foi bem caro). Tênis em sua concepção não foi feito pra durar, um Vans normal por exemplo foi feito pra furar em seis meses pra dar aquele ar de "cool", mas eu particularmente acho isso uma merda e tenho um Authentic que tá fazendo uns 5 anos que uso quase sempre, mas já deveria ter jogado fora faz tempo.

Não dá pra ver os furos ENORMES na parte de dentro, mas dá pra ter uma ideia.

Eu sou fã do Adidas Superstar até que ele chegou num preço de 400 pila, então me vi forçado a repensar no tênis de couro branco que vou pegar quando ele ficar muito desgastado, um Nike Air Force 1 talvez? Eu fiquei um bom tempo procurando por tênis que durassem por pelo menos uns 3 anos sem se despedaçar mas acho difícil, só descobri até agora que tênis de couro dura bem mais que de lona, BEM MAIS, o conforto é outra história.

Hmmmmm, ainda tenho outras coisas que amo de coração e vão durar por um bom tempo: meu canivete suíço que ganhei quando terminei o ensino médio, as minhas várias lapiseiras que comprei durante esses últimos anos e o meu relógio da Swatch que, apesar de não ser feito pra durar DURAR mesmo como os mais clássicos, tenho fé que vai me acompanhar por um bom tempo... só tenho que comprar mais baterias pra ele. E apesar de ser puro marketing na real, só de ver o MADE IN JAPAN nas minhas lapiseiras ou SWISS MADE no meu relógio e canivete, sinto que o negócio já é indestrutível.

No mais, eu devia ter investido mais em coisas que eu sabia que iam durar mais quando comprei minhas coisas no Japão, tipo uma Jeans de qualidade e um relógio mecânico, acabei comprando uma garrafa térmica e umas roupas que eu sei que não vão durar muito, a térmica é pra vida tho.

O objeto que mais exemplifica meu fascínio por coisas que duram é o canivete suíço mesmo, além dele ser bem útil, a qualidade de construção dele é uma coisa que até hoje me surpreende, o metal é da mais alta qualidade e o plástico é o melhor que se podia ter, e tudo isso custou na época (2013) uns 150 reais, uma verdadeira pechincha pelo que você leva, mesmo com o nome Victorinox pesando no lado da grife. E é isso o que busco nas coisas que compro pra durar: confiabilidade, durabilidade e preço justo, que são coisas que geralmente não andam juntas, ainda mais nos bens de consumo aqui do Brasil.

Acho que tudo isso também tem meio a ver com o porquê de eu ter escolhido fazer engenharia, por mais que navios e canivetes não sejam exatamente similares em quaisquer aspectos que sejam, acho que a busca por confiabilidade e durabilidade dado um orçamento limitado é o que toda engenharia se propõe a fazer.

Enfim, acho que me prolonguei demais mas essa minha quase-obsessão por coisas que duram bastante se reacendeu quando eu tava escrevendo com uma lapiseira que meu pai me deu no ensino médio e que deve ter mais de 30 anos.

vlw flw té mais

domingo, 17 de maio de 2020

La Cucaracha (parte 2)

Hoje eu matei uma barata.

Mas não foi nada romântico como a última vez, foi cômica pra falar a verdade.

Como estou morando no que é essencialmente uma garagem na casa dos meus pais, a incidência de insetos no meu "quarto" é substancialmente maior do que era no meu apartamento, desde que a quarentena começou já foram umas quatro baratas mortas por chinelos já que eu tenho consciência que tacar veneno a rodo num quarto sem janela onde vou dormir não é uma coisa muito inteligente.

Eu estava indo tomar banho e me aparece uma barata *PATPATPATPATPATPATPATPAT* (barulho das patinhas frenéticas das baratinhas em piso de madeira, você sabe). Eu, como todo bom diplomata, tentei resolver no diálogo: "Olha baratinha, tu não me enche o saco e você tá safa, belê?".

Foi banho, estou no pc ouvindo Kaneko Ayano e lendo sobre a Guerra Civil do Afeganistão quando *PATPATPATPATPATPAT* A BARATA COMEÇA A SUBIR NO MEU PÉ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA-

"Ain Yoiti você tem nojo de barata~"

Vai se foder, depois de jogar Fallout 3 não tem como você ficar suave com barata.

Então fui numa caçada com um Vans numa mão e uma Havaianas na outra, passados uns 3 minutos eu finalmente consegui matar a dita cuja e me livrei do cadáver dela na privada.

Mas é, baratas, o Yoiti do ensino médio daria risadas de mim já que eu não tinha particularmente nada contra elas mas sei lá, coisa da vida eu acho.

E é isso, vlw flw té mais!

Also, mudei a plataforma do meu blog pra mais nova do Blogger, o que mudou é que agora tem rolagem infinita e tá com um design um pouco mais novo, me falem se vocês têm alguma opinião sobre.