quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 4

 Dia 30/10 - Indo pra Kyoto e conhecendo o Nishiki Market

Nosso trem bala pra Kyoto saía 10 e pouco então fizemos checkout lá pelas 8. O plano era passar no subsolo da Estação de Tokyo pra pegar o bentô no trem. É uma tradição que queria mostrar pros meus amigos: o pessoal pega o trem bala bem no horário do almoço pra comer durante a viagem, que dura lá suas duas pra três horas.

Eu aproveitei essa oportunidade pra pegar um bentô de unagi (enguia) pra experimentar e uma porçãozinha de kara ague pra complementar, e um chazinho que não podia faltar. 

Me diz se essa não é uma refeição digna de reis?

 Pior que achei enjoativo. Não sei se o molho agridoce tava mais pro doce do que pro agri mas nem consegui terminar a enguia de tão doce que achei, pelo menos o kara ague tava ok, e percebi que kara ague sem gengibre não é um problema só daqui do Brasil, mas tava bom.

Foi bem bacana a experiência de pegar um trem bala, não é um maglev nem nada do gênero mas porra, só do negócio chegar perto dos 300km/h já me assustou, e pensar que o primeiro trem bala lá da década de 70 não era tão diferente do atual, é realmente admirável.

Chegamos em Kyoto lá pelas 13h e nosso check-in era 15h, o hotel era uma estação de distância da estação de Kyoto (onde descemos do trem bala) então tínhamos duas horas pra explorar a região, deixamos nossas malas na recepção e fomos explorar por perto.

Kyoto é bem diferente de Tokyo, era minha primeira vez lá e eu realmente esperava que seria só casinhas de madeira, templos e gueixas, mas a cidade é bem desenvolvida. As partes históricas são mais afastadas do centro e é legal ver que lá tem uma vida social bem ativa. Demos uma volta pra achar uns templos perto, e isso tinha de monte mesmo na cidade.

Templo a duas quadras de distância do hostel (foto do Nathan)

 Tinha um templo em particular, a duas quadras de distância do nosso hostel, que era bem simpático e vendia os omamoris mais bonitinhos que vi durante a viagem.

Omamori de coelhinhosssssss

 Passamos também no primeiro supermercado da nossa viagem: o FRESCO. Essa rede só tem em Kansai acho, não vi em Tokyo, e era um mercado bem bom: tinha variedade de tudo, bentôs baratos e muitas bebidas, tudo isso num preço bem ok.

Beleza, chegou a hora e voltamos pro hostel pra dar o check-in.

Screenshot de um vídeo que o Nathan tirou do quarto
 

O quarto não era lá muito mais espaçoso que o anterior mas era. Dessa vez não tinha banheiro no quarto mas os banheiros e chuveiros desse hostel eram incríveis, quero dizer, as privadas foram boas durante a viagem toda mas o chuveiro desse hostel tá de parabéns mesmo viu.

Foto do chuveiro (foto do Nathan)

 O chuveiro era tão pica que tinha instrução de uso no box. E a água do hostel inteiro era filtrada então era só a gente ir no banheiro pegar um copo (que tinha lá) pra tomar, sinceramente não sou muito fã disso, já que não dava pra pegar água gelada e não tinha geladeira nem no quarto e nem no hostel inteiro, mas o chuveiro realmente fez valer a pena.

Deixamos as malas no quarto e fomos pro primeiro destino: Nishiki Market.

O Nishiki Market é um shotengai enorme só que feito pra turistas. Eu achei bem parecido com a Ameyoko mas o nível de tourist trap aqui era absurdo, tinha desde espetinho de wagyu por 5000 yen até sushi de bluefin por 3000 yen CADA PEÇA, obviamente comi algumas coisas, não tão caras mas tourist trap nonetheless. 

Nishiki Market em toda sua glória

 O que a gente não sabia era que o Nishiki Market era ligado diretamente a uma rede de shotengais ENORMES onde me perdi pelo menos umas seis vezes. Puta merda, eu andei tipo uns 3km só DENTRO dos shotengais e do Nishiki Market e não vi tudo, achei a parte do shotengai propriamente dito até mais interessante que o Nishiki Market, porque tinha coisas mais pros locais e umas lojas realmente interessantes, mas é, ficamos até tudo fechar.

Comidinhas do Nishiki Market, tourist trap? Sim, mas ainda deliciosas

 
Shotengai conectado ao Nishiki Market

Andamos, comemos e já era hora de ir embora. No caminho (andando) pro hostel dava pra passar no Pokemon Center de Kyoto e fomos lá, não comprei nada mas fui procurar uns negócios de Chainsaw Man por perto, obviamente sem nenhum sucesso, então voltamos pro hostel.

Como todo mundo tinha comido pelo menos alguma coisinha, a fome demorou um pouco pra chegar, então fomos pro Coco Ichibanya pra comer um curry de noite.

To com preguiça de virar a foto.

 Eu pedi um curry com caldo de lagosta e com camarõezinhos e um tonkatsu pra acompanhar. Po, delicioso tá, o Coco Ichibanya é famoso por você poder personalizar absolutamente tudo do seu Curry e escolhi justamente o curry que eu menos teria chance de comer aqui no Brasil, mas também peguei um tonkatsu porque tonkatsu com curry é a melhor combinação da culinária japonesa, como todos sabemos.

Voltamos pro hostel e dormimos.

Dia 31/10 - Castelo de Nijo e Museu da Nintendo

 Eu deixei o roteiro deste dia na mão dos meus amigos, não tava muito afim de ficar vendo muita coisa no detalhe, então o Nathan pesquisou e achou sobre o Castelo de Nijo, que aparentemente foi construído no Shogunato e tal.

Castelo bem bonito, não tinha aquela edificação central castelo castelo mesmo tipo o de Osaka mas era bem legal o complexo inteiro, as fortificações e muralhas eram bem legais, além dos jardins impecáveis.

Vista de cima da muralha de um dos pontos de entrada do Castelo de Nijo

 Andamos bastante e foi o primeiro lugar que passamos que tinha aquele carimbo que você ia completando ao passar pelos checkpoints, no final ce tinha um negócio carimbado com todas as cores.

Carimbo do Castelo de Nijo, foi o único que consegui completar nessa viagem

No final paramos pra tomar um sorvete (pelo menos eu) e rumamos pra nosso próximo destino: Museu da Nintendo! Mas antes paramos na Estação de Kyoto pra almoçar.

Lamen que comemos na Estação de Kyoto (foto do Pedro)

 A gente parou num lugar de rede bem x na estação de Kyoto pra almoçar, tinha cardápio em inglês e serviam lamen, já era mais que o necessário. O curioso é que nesse lugar tinha uma plaquinha explicando o que era cada uma das coisas que tinha na mesa pra botar no lamen e FINALMENTE descobri o negócio que amo botar no lamen e nunca achei aqui: Takana.

Pickled Takana my love.

 Cara, eu acabei procurando e achei que é um tipo de mostarda, e em restaurantes sempre é servido com pimenta shichimi, o negócio é delicioso e com o lamen então é perfeito. Pra mim é Takana e alho ralado no lamen em doses cavalares e fico feliz, aqui no Brasil como não tem takana, fico só no potinho de alho mesmo (quando tem).

Enfim, seguimos para o Museu da Nintendo depois do nosso almoço. 

O mais esperado em Kyoto.

 O Museu da Nintendo é um rolezinho de conseguir ingresso: primeiro que você tem que ter conta Nintendo, depois você tem que entrar numa loteria e selecionar três horários (podendo ser em dias diferentes) e se você for selecionado, te alocam pra um horário e você compra o ingresso, pois bem, nós quatro entramos na loteria pra comprar 4 ingressos (então só precisava um ganhar pra conseguir comprar o ingresso) e acabou que nós quatro conseguimos. O foda é: pra gente ter mais chance e não disputar um com o outro, escolhemos todos horários diferentes, acabou que peguei o melhor horário lá de manhã. O foda, mais uma vez, é que pra dar um double check pra ver se teu número de celular cadastrado é real, eles mandam você ligar pra um número gerado na hora, número esse obviamente do Japão, e meu plano de celular da Vivo não deixa ligar pra fora do país nem fodendo AAAAAHHHHHHHH, é, ficou pra lá o plano de ir com meu horário, então pegamos o horário de Alvin que era o segundo melhor (pós-almoço) e fomos, e é isso o prefácio da jornada pro Museu da Nintendo.

Controle gigante de 64 (foto do Pedro)

 

O Museu é dividido em duas partes: a parte Museu mesmo, onde tem todos os consoles e várias parafernálias da Big N pro pessoal ver (que é interessante mas a gente não podia tirar foto) e tinha a parte mais popular: a parte com os joguinhos. Basicamente você tinha uma quantidade limitada de créditos pra jogar em uma série de jogos ou baseados ou literalmente jogos mesmo da Nintendo. Dava pra jogar Mario 64 com um amigo num controle gigante de Nintendo 64 mas dava pra jogar nuns consoles que, como já é de conhecimento comum, não são nada mais que emuladores com controles originais pra galera brincar. É um lugar bem legal de visitar e tava na minha lista de lugares pra conhecer, mas não é lá imperdível também, mas é legal.

Wiimote gigante, ele é lindo (foto do Pedro)

No final disso tudo obviamente tem uma lojinha com tudo o que você pode imaginar, inclusive o Wiimote gigante que, com grande pesar, deixamos de comprar porque não conseguimos imaginar como íamos trazer na mala. 

Quando saímos do museu já tinha escurecido (tava escurecendo cedo quando a gente tava lá, tipo antes das 18) e tava chovendo, hora de voltar pro hostel e ver o plano pra janta.

Paramos na Estação de Kyoto pra fazer baldeação pra nossa linha e nos perdemos, acabamos nos encontrando e seguimos as setas pra nossa linha quando o Pedro parou pra ver uma lojinha, nisso a gente seguiu pra depois da loja pra ver o que tinha e achamos essa vista da Kyoto Tower:

A (não tão) grande Kyoto Tower

 Seguimos mais e vimos umas escadas rolantes indo pra cima e subindo ela a gente conseguiu ter uma visão melhor da estação:

Uma beleza arquitetônica

 E subimos mais ainda e vimos as famosas escadarias com iluminação led que sempre tá passando alguma coisa, dessa vez eram motivos de outono:

Tava chovendo, meio perigoso de subir essa escada

 Então vimos uma passarela lá no alto da estação e subimos a escadaria iluminada (as escadas rolantes no lado dela no caso) e chegamos lá no Sky Walk:

A estação vista do topo da escadaria, no meio está a Sky Walk.

 
Vista pro canal, olhando da Sky Walk

Kyoto Tower da Sky Walk

Foi legal pra caralho, nos perdemos um pouco mais nessa parte de cima da estação e encontramos uma maquete de lego da própria estação num lugar meio isolado e que, pelo o que tudo indicava, era o esconderijo dos adolescentes da região, tinha alguns casais se pegando e grupos de meninas filmando tik tok, fé que a taxa de natalidade vai subir pelo menos em Kyoto!

Andamos mais e mais e fomos pro shopping abaixo da Kyoto Tower pra ver se tinha algo pra comer, mas nada interessante, então voltamos pro hostel.

Depois bateu a fome, então pegamos o trem pra andar por Gion pra ver se tinha algo legal pra comer.

Ponte Shijo em Gion

 Andamos andamos e andamos e avistei um Gyukatsu, dei a ideia pro pessoal, todos concordaram, já salivando com a ideia de uma boa carne.

To com preguiça de girar a foto

 Gyukatsu, pelo menos desse tipo, é tipo um tonkatsu só que é carne bovina e ela vem CRUA por dentro e empanada e frita por fora, aí vem uma chapa quente pra você passar o ponto da carne a seu bel prazer. Pra ninguém morrer de vontade ou morrer de pobre, pedimos dois pratos de wagyu e dois normais, sendo que o combinado era dividir as carnes igualmente entre todos pra todos poderes experimentar wagyu, e não era um wagyu normal não, era A5 porra. Levem em conta que esse foi o primeiro wagyu da viagem.

Tava bom pra caralho.

Puta que pariu, que carne boa, vai se foder.

Você pode olhar pro wagyu, só ver gordura e pensar "porra, vou pagar 200 conto num monte de sebo?" Nope, cara, pode parecer eu tentando justificar o gasto que tive mas Wagyu de verdade é MUITO diferente de uma carne normal. Não vou me estender muito porque não é o ponto do post, mas é um negócio bizarro. Porque tem muito umami no gosto do wagyu e a coisa mais próxima dele em sabor, por incrível que possa parecer, foi o atum bluefin que comemos no outro dia. Ah, pode me xingar o quanto quiser, mas antes coma Chutoro de Bluefin e coma um Wagyu A5 e constate que eu só disse verdades aqui.

Enfim, comemos. O restaurante era muito tourist trap, era caro sim mas a qualidade estava muito boa.

De pança cheia voltamos pro hostel.

E o que faremos mais em Kyoto? Fica pro próximo post. Eu queria condensar mais umas coisas mas acho que uns detalhes legais da viagem iam se perder. A parte de descobrir a Sky Walk na Estação de Kyoto foi um negócio bem legal e das experiências que tive com meus amigos foi a que mais guardo com carinho. Eu costumo valorizar muito essas experiências imprevistas porque a expectativa é zero né, então pra corresponder pode acontecer qualquer coisa que já me satisfaz, mas momentos como ver a Estação de Kyoto de cima da escadaria me lembram muito a vez que vi Shibuya de noite pela primeira vez, ou a primeira vez que vi Tokyo do alto da via expressa. Esse sentimento de espanto, de presenciar algo que não consigo descrever em palavras, acho que isso é o que busco sempre mas raramente acho, e no fim é isso que dá valor para as experiências.

E é isso, estou terminando de escrever este post na virada do ano, então feliz ano novo! Meu ano de 2025 foi cheio de altos e baixos e espero que meu 2026 tenha mais altos e menos baixos, e espero o mesmo pra cada um dos leitores e leitoras deste blog.

vlw flw, té mais! 

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