Eu to escrevendo o próximo post sobre a viagem pro Japão mas tem uma coisa que queria escrever nesse entremeio antes.
Eu li uma matéria de um site japonês de notícias relacionadas a música (natalie.mu) que entrevistou uma atriz/modelo que eu conhecia porque o perfil dela sempre aparece no meu feed do Instagram, a Makoto Tanaka (aparentemente um nome extremamente comum no Japão). Essa série de matérias entrevista pessoas (famosas) em diferentes profissões e pergunta de uma banda/artista que mais impactou na vida da pessoa, a moça em questão falou de Andymori.
Eu já falei de Andymori neste blog antes, é uma banda até que bem influente que durou de 2007 até 2014 e é o típico rock indie dessa época, mas uma coisa que sempre me atraiu nas músicas deles são as letras, sempre positivas mas não do jeito "secretamente financiado pelo governo japonês" e também refletiam as inseguranças daquela geração de millenials.
Mas o que achei interessante da entrevista é como a Makoto fala como o término da banda foi essencial pra ela amadurecer como adulta e não manter vícios da juventude. Andymori pra ela foi a primeira banda que ela conheceu sem influência dos pais e a banda acompanhou a vida da moça do ensino médio até a faculdade. Eu fiquei matutando sobre essas colocações dela por uns dias e acho que tem duas bandas que posso falar que tiveram o mesmo papel que Andymori teve pra Makoto Tanaka: Kinoko Teikoku e For Tracy Hyde.
Já fiz post sobre o fim das duas bandas, e por isso mesmo até pensei se deveria fazer mais um post sobre o assunto, mas acho que passados aí quase três anos do fim do For Tracy Hyde e uns sete... SETE ANOS??????? do fim do Kinoko Teikoku, consigo falar melhor sobre o que essas bandas significaram pra mim.
Eu conheci Kinoko Teikoku em 2014 quando achei o clipe do Umi to Hanataba, acho que não tenho outro jeito de falar senão que me apaixonei à primeira vista pela Chiaki Sato. A voz dela pra mim é até hoje uma das mais bonitas que já ouvi e sempre achei ela particularmente linda. Vocês sabem melhor que eu como eu gosto de vocalistas mulheres nas músicas japonesas que escuto, mas muito raramente eu tenho esse fascínio pela pessoa em si, acho que desse jeito eu só compartilho essa mesma paixão com a Momoe Yamaguchi e a Izumi Sakai (do ZARD), a Shiina Ringo obviamente é um caso aparte.
Mas enfim, além de eu ser apaixonado pela Chiaki Sato, as músicas dos dois primeiros álbuns e do EP de 2014 eram tudo o que o Yoiti sadboy vestibulando precisava pra chorar nos dias que não tinha aula ou simulado ou vestibular, aquele ano foi uma merda.
Mas no final de 2014 a banda lançou Fake World Wonderland, que abraçava um dream pop e se distanciava do shoegaze pesado dos álbuns anteriores, mas mesmo assim fiquei animado com o lançamento, porque foi o primeiro que acompanhei, e Aruyue em particular é talvez a melhor música que a banda lançou na carreira, então tava tudo certo não ser mais depressivo.
Aí entrei na Poli, e no fim do meu ano de bixo (2015) eles lançaram Neko to Allergy,que foi o major debut deles. Cara, o álbum é ruim. Umas músicas aqui e ali salvam mas achei bem fraco, xinguei a banda no Rate Your Music, no Twitter, na porra toda e acho que aqui também. Eu me senti traído pela banda ter mudado o som totalmente depois que assinou com uma gravadora grande. Aí meio que larguei o osso e só escutava mesmo as músicas antigas. Comecei a ouvir bossa nova nessa época e descobri a Kaneko Ayano! Minha cantora favorita até hoje, mas hoje estamos falando sobre bandas.
Em 2018, quando tava pra ir pro arubaito, eu conheci For Tracy Hyde enquanto estudava na Sala CAD da Naval. Eu tava explorando os álbuns que o pessoal upava no Youtube e conheci o film bleu e o he(r)art, dois álbuns que guardo no coração até hoje.
Quando eu fui pro Japão eu acabei tendo a oportunidade de ver o show do For Tracy Hyde, eu não era tãooooo fã deles ainda mas me interessava muito. E aqui que entra um pouco da emoção de atrelar acontecimentos a músicas, porque eu já relatei neste blog umas três ou quatro vezes da primeira vez que fui sozinho pra Tokyo ver o show da banda, e como me perdi por Shinjuku e como conversei com a banda e pedi autógrafos pra todos os membros. Poxa cara, depois desse dia não tinha a menor chance de For Tracy Hyde não se tornar a minha banda favorita, pra mim eles eram Tokyo, eles eram o café da manhã que tomei numa konbini no lado da estação de Shinjuku, eles eram o lamen que comi no almoço sem saber um puto de japonês, eles eram o café que tomei no Starbucks de tarde, eles eram o sentimento de frio na barriga que eu tive ao explorar Tokyo sozinho pela primeira vez, eles inclusive têm uma música chamada TOKYO WILL FIND YOU, dá pra ser mais óbvio que isso?
Acho que meu amor por For Tracy Hyde era diferente do meu amor por Kinoko Teikoku, a Eureka (vocal do FTH) não tinha o magnetismo que a Chiaki Sato tinha, e eu gostava de FTH por estar atrelado a memórias muito boas que tinha de Tokyo em específico, além de eu ter conversado com a banda. Eu acabei vendo um show solo da Chiaki Sato nessa mesma viagem, onde ela cantou uma música do Kinoko Teikoku, mas não senti o espanto que senti com outros shows, acho que era sinal que Kinoko Teikoku já não significava tanto pra mim.
Voltando pro Brasil e não deu nem um ano e o Kinoko Teikoku anuncia que acabou, se não me engano eles nem anunciaram que iam terminar antes dos últimos shows que fizeram mas parece que tudo acabou amistosamente entre os membros. Eu não fiquei particularmente triste, porque eu já não acompanhava a banda faz um tempo, mas parece que parte da minha juventude morreu com eles.
For Tracy Hyde lançou o maravilhoso New Young City em 2019 e depois da pandemia lançaram Ethernity (álbum que acho ser o mais fraco deles, apesar de ser bom) e Hotel Insomnia e no começo de 2022 eles anunciaram que a banda ia terminar.
Acho que o azar do For Tracy Hyde foi a pandemia, porque eles tavam num embalo bem legal fazendo shows no sudeste asiático e tal e, depois da pandemia, só voltaram a fazer tour um pouco antes de acabarem, eles tinham fãs bem leais (eu incluso) e um following bem orgânico, tudo isso sendo totalmente independentes.
Mas enfim, a banda acabou no começo de 2022, foi bem quando eu tava começando como efetivado no meu trampo. E desde então eu corro atrás de bandas pra serem minhas favoritas, mas nada vai me fazer sentir o que senti ao conhecer Kinoko Teikoku ou o que senti na minha primeira noite em Tokyo quando fui ver For Tracy Hyde.
Acho que todo mundo devia ter uma banda ativa favorita durante a juventude, mas uma banda ativa de verdade, que lance material novo, que faça tour e que tenha sido descoberta por você mesmo. Acho que o processo todo de descobrir uma banda nova, acompanhar e, quando possível, ir em shows é uma experiência super maneira. E claro, viver o fim da sua banda favorita é uma experiência que todos deviam passar na vida, é quase uma cerimônia de coming-of-age.
Eu não sei se posso falar que seria uma pessoa diferente se minhas bandas favoritas não tivessem terminado, como a Makoto Tanaka falou do Andymori na entrevista que linkei no começo deste post, mas é uma mudança na vida, por menor que tenha sido.
Os términos das duas bandas foram bem marcantes na minha vida porque coincidiram com mudanças de rotina que tive: o Kinoko Teikoku terminou bem no meio entre minha volta do arubaito e o começo da pandemia, enquanto que For Tracy Hyde terminou bem quando comecei a trabalhar de CLT, foram realmente coming-of-age.
Pode parecer meio redundante mas gosto de falar que sou apaixonado por tudo o que gosto, gosto de viver o negócio, de comprar merch, de só pensar nas coisas que amo, por isso acabo mal sempre que uma das coisas que amo termina ou fica ruim (ainda mais no caso de mangás, eu AMAVA Oshi no Ko!!), mas vou fazer 30 anos daqui umas semanas e acho que perdi um pouco da paixão que tinha pelas coisas, talvez por isso eu não tenho uma nova banda ativa favorita FAVORITA de verdade ainda, mas isso é papo pra outro post.
E acho que é isso pessoal. Eu acho que bandas são um negócio muito legal de acompanhar, por mais que eu ame a Kaneko Ayano ou a Shiina Ringo por exemplo, uma banda onde todos (ou maioria) são iguais na hierarquia são uma vibe diferente, sinto mais conexão.
E é isso, próximo post continua os relatos da viagem!
vlw flw té mais!
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