quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CRUSH DE AMIZADE

"Putz, eu queria muito conversar com aquela pessoa mas nunca tive oportunidade." Não é raro eu pensar isso desde que entrei na Poli, e nem estou falando só em conhecer as meninas. 

No meu ensino médio eu tive a (in)felicidade de conversar com todo mundo, até de séries diferentes, já que meu colégio era relativamente pequeno. As coisas começaram a mudar no cursinho. 

No Etapa eu só conversava com estranhos quando queriam discutir algum exercício (geralmente de física ou matemática) e vez ou outra rolava uma conversa solta aleatória. Em 2013 eu não criei nenhum amigo no cursinho, mas em 2014 eu acabei conhecendo pessoas bem legais que sou amigo até hoje, e foi tudo pela obra do acaso da gente sentar perto durante o ano todo, o que foi uma pena porque teve uma boa galera que eu só troquei um papo durante a festa dos aprovados e pareciam ser bem firmeza.

Então eu fui de um ambiente diário de 50 pessoas com minha idade pra uma sala de 200 pra então entrar com 800 na Poli, é óbvio que não tem ninguém que conhece todo mundo do mesmo ano de ingresso (ou será que tem?) mas eu dividi sala com tantas pessoas diferentes e que realmente achava que pareciam ser super gente fina mas nunca tive oportunidade de bater um papo, quero dizer, você não chega numa pessoa falando "Pô, você parece daora, vamos dar um rolê?" em condições normais, talvez numa festa isso pareça ser um comportamento mais aceitável mas não depois de uma aula de Hidrodinâmica.

Quero dizer, eu puxo conversa com pessoas na sala de aula às vezes e criei umas amizades no ano passado que eu juro que não faço ideia como começaram, mas geralmente sou introvertido demais para chegar numa pessoa que não conheço, depois que viro amigo já é outra história.

Eu tive a ideia de fazer este post depois que lembrei que um amigo, que fiz durante minha viagem pro Japão, falou que um dos caras que moraram no mesmo prédio que a gente comentou que era uma pena que eu não ia nos rolês da galera porque eu parecia ser gente fina. Eu até fui com esse cara, e mais uma galera que chegou no mesmo dia no Japão, até Kofu pra passear logo na primeira semana lá, mas realmente depois daí a gente só se viu em situações pontuais (inclusive uma vez já no Brasil). E é uma pena porque ele também parecia uma pessoa bem legal. Os rolês que perdi com o pessoal no Japão foram um ponto negativo de ter me dedicado exclusivamente a ir em shows em Tokyo, não me arrependo tho.

Maioria dos amigos que tenho eu conheci por circunstâncias meio que forçadas: ou dividiram sala de aula comigo (seja em algum curso, colégio, cursinho ou faculdade) ou moraram comigo (no caso dos que conheci no arubaito), tem umas exceções de gente que conheci por amigo de amigo e tudo mais, mas é minoria.

É, eu gosto de conhecer gente, apesar de eu passar a imagem de ser extremamente antissocial e introvertido (o que eu talvez seja?) acho legal conhecer pessoas novas e criar novas amizades, ou como chamam hoje em dia: NETWORKING.

Óbvio que não sou nenhuma Miss Simpatia e quero virar amiguinho de todo mundo, tem gente que não consigo suportar e obviamente tem gente que não me suporta também, e tudo bem, ninguém nasceu pra agradar a todos.

Mas é, acho que li um cara chamar esse sentimento de querer ser amigo de alguém de "Crush de amizade", o que é um nome terrível mas passa a ideia.

Enfim, vocês já tiveram seus "crushes de amizade"? Acho que todo mundo né. Eu já não vejo meus amiguinhos (presencialmente) desde Março então este post é mais uma reza braba pra essa merda toda acabar para todos nós podermos beber uma gelada no bar mais podrão que tiver por aí.

vlw flw té mais!

domingo, 25 de outubro de 2020

WAIFUS

Já que este blog foi feito só pra queimar meu filme, então vamos piorar a situação.

Você já foi apaixonado por uma personagem da ficção, pode admitir... hmm, vamos mudar o tom: VOCÊ JÁ FOI APAIXONADO POR UMA PERSONAGEM DA FICÇÃO, PODE ADMITIR, FILHO DA PUTA!

Talvez a heroína daquele filme, ou uma personagem muito bem escrita num livro ou a menina kawaii no mangá que você leu semana passada (eu sei que 90% de quem lê este blog se enquadra aqui). Mas enfim, todo mundo é culpado aqui, e nem digo de gostar de uma personagem a ponto de querer se casar com ela (como às vezes aparece nas notícias sobre do Japão), mas ser cativado por uma personagem a ponto de ter uma paixão platônica? Quem nunca.

O negócio é que na subcultura dos otakus de plantão na interwebs existe um termo, "waifu" (ou "husbando" se for um personagem masculino), que designa as personagens fictícias com quem você se casaria. Eu... não vou entrar em mais detalhes mas podem ficar sossegados que eu não pensei em me casar com uma personagem fictícia ainda.

Mas eu não vou regular neste post não, vou falar das minhas waifus mesmo, personagens de mangás/animes/games pelas quais sou/fui apaixonado platonicamente em algum ponto na minha vida.

~Waifus~

Minha primeira waifu na vida foi a Lacus Clyne do Gundam Seed. Eu não lembro direito porque, já que ela é uma personagem totalmente rasa e horrível e o anime não ajuda muito, já que é igualmente raso e horrível, mas o Yoiti de 11 anos gostava do cabelo rosa eu acho (??) e a Lacus também era meio idol, meio princesa? Eu não lembro bem. Mas dá pra dizer que a Lacus foi a minha primeira paixão no mundo dos animes.

Depois dá pra falar da Yuna do Final Fantasy X/X-2, a Rise do Persona 4, a Makoto do Persona 5, Akashi do Tatami Galaxy, Celica do Fire Emblem Echoes, Jeanne D'Arc e Sakura Saber (Okita Souji) do Fate Grand Order. Eu gosto muito da Jeanne, ainda mais por ela ser dublada pela Maaya Sakamoto, mas me recuso a ver a atrocidade que é Fate Apocrypha e qualquer Fate não produzido pela Ufotable pra falar a verdade.

Dá pra ver que eu acabo gostando mais de personagens de games do que de mangás/animes, acho que isso entra muito naquilo que falei de como animes, filmes e séries em geral não conseguem desenvolver um personagem de forma tão completa quanto nos livros e, neste caso, nos games também.

Eu particularmente não sou de TER waifus (por mais que as pelúcias na minha cama e as figures na estante digam o contrário), eu tenho umas personagens que acho particularmente KAWAII :3 que acabo comprando merch delas, isso é tão verdade que comprei uma figure do Idolm@ster sem nunca ter jogado/assistido nada da série só porque a figure era kawaii e baratinha (é a figure da esquerda na foto abaixo), não me arrependo.

Estante de uma pessoa normal, que não é otaku e não tem waifus.

 

Como eu não cheguei no fundo do poço no que se trata de relacionamentos interpessoais, não é porque eu gosto de uma personagem que eu sinto vontade de me casar com ela, e por isso que maioria dos personagens que gosto geralmente são muito mais pro viés de sentar pra conversar num bar/café ou de pura admiração mesmo do que uma eventual atração romântica, a Chiyoko do act-age e a Touko do Kara no Kyokai por exemplo são personagens muito interessantes que eu não chamaria de waifu porque seria meio que diminuí-las a seres kawaii unidimensionais, o que não é o caso com Fate Grand Order que é praticamente uma fábrica de waifus pro pessoal gastar a grana.

Enfim, estou com esse post aberto numa aba faz umas semanas já e acho que é isso? 

Em suma, eu realmente, JURO PELOS MEUS CDS AUTOGRAFADOS, nunca tive uma waifu waifu no sentido mais estrito da palavra. Pra ser bem sincero é bem provável que eu nutra uma paixão mais profunda por umas artistas que eu goste (Chiaki Sat- AHEM) do que por personagens que não existem, eh, não é como se eu fosse um fã batshit crazy de idol que nem o maluco stalker do Perfect Blue, eu só acho mais fácil gostar de uma pessoa que existe do que uma personagem 2D.

Quero dizer, eu até joguei Love Plus nas férias pra ver se eu conseguia arranjar uma waifu mas sinto que as personalidades das moças nesses Dating Sims são tão unidimensionais (mais até que no FGO) que eu não consigo vê-las além do que elas fazem nos jogos. Eu li que a Rinko do Love Plus foi baseada na Yuki do livro Dance Dance Dance do Murakami (a minha personagem favorita do meu livro favorito dele) e fiquei bem decepcionado na real.

Acho que no final tudo volta pra aquilo que falei de que o único meio que explora bem os personagens é a literatura, ou eu sou uma pessoa sem empatia alguma, hmm... não, mentira! Eu chorei no episódio 10 do Violet Evergarden como toda pessoa com coração.

A cabeceira da cama de uma pessoa normal, que não é otaku e não tem waifus.

E é isso aí, apesar de eu ter escrito aí que não tenho waifus e acho a ideia meio tosca, posso dizer que fiquei por muito pouco de ter um dakimakura, mas acabei gostando mais da ideia das pelúcias depois de pegar a Miku num arcade.

Fico aqui por hoje, vlw flw té mais! 

Mandem abraços pras waifus/husbandos de vocês.

sábado, 3 de outubro de 2020

Hopi Hari e uma divagação sobre parques temáticos em geral

Como todo bom paulista que estudou em colégio particular de classe média no final dos anos 2000/começo dos 2010 sabe: o maior programa pro final do ano letivo era o Hopi Hari.

Ah Hopi Hari! Eu nem lembro direito que ano fui lá pela primeira vez mas era um objeto de desejo faz tanto tempo que era quase uma obsessão. Eu ficava olhando o mapinha que minha irmã tinha trazido de alguma das vezes que ela foi pra lá e fazia os mais variados roteiros de como aproveitaria um dia passeando por aquele lugar.

Ah, primeiro a Montanha Russa! Depois o Rio Bravo! Chapéu Mexicano! Carrinho Bate-bate! Navio Viking! E a Torre Eiffel pra terminar com chave de ouro!

Enfim chegou o ano que meu colégio considerava seguro pra levar a gente pra lá, acho que foi no sexto ou sétimo do fundamental, e chegando lá era aquilo que você que foi já deve ter passado: calor do caralho, fila em todos os brinquedos possíveis, gente pra caralho, comida superfaturada e horrível e higiene meio suspeita.

Mas eu não me decepcionei, toda a mística do Hopi Hari ser um país e ter uma língua própria é bem legal, além das diferentes áreas serem tematizadas das mais variadas coisas: de velho oeste americano a civilizações antigas. O foda mesmo eram as filas infinitas e o Hopi Pass que era um cheat code pago praticamente, mas nada o suficiente pra me traumatizar.

Eu acabei indo umas três ou quatro vezes pro Hopi Hari e todas as vezes foram divertidas, dos brinquedos maiores eu só não fui mesmo na Torre Eiffel PORQUE EU TENHO UM MEDO FODIDO DE ALTURA e sou um medroso na moral, eu fui arrastado pelos meus amigos pra todos os brinquedos possíveis mas esse tipo de coisa não é pra mim na moral. A última vez que fui pro Hopi Hari foi em 2011 ou 2012 e eu já estava cansadaço de ter emoção, curiosamente foi logo antes da moça lá ter caído da Torre Eiffel e o parque ficar fechado por um tempo.

Eu tive chance de ir num parque maior que o Hopi Hari, a Tokyo Disneyland no caso, mas não fui pra ir pro show da Chiaki Sato. Meus amigos do arubaito ainda não me perdoaram por isso mas tem uma série de fatores que me fizeram escolher gastar meu tempo andando por Tokyo do que pela terra do Mickey no Japão.

Parquinho de diversões de Caraguá.

Particularmente eu sou bem mais os parques menores que são abertos pro público (e não cobram entrada) e você só precisa pagar pelo ingresso pra cada brinquedo. Óbvio que são feitos pra públicos diferentes, um parque de beira-mar não é feito pra você gastar o dia inteiro lá, mas esse clima mais casual é incrível. Eu passei pelo Cosmo World de Yokohama e senti a mesma vibe do parquinho à beira-mar de Caraguá que tanto amo, os parques de diversão abertos nas cidades litorâneas são patrimônios da humanidade.

Cosmo Clock, parte do Cosmo World de Yokohama.

E por isso mesmo meu sonho é visitar Coney Island bem mais do que a Disneyland. Desde que joguei Bioshock Infinite e pesquisei mais sobre como eram os parques de diversão no auge de Coney Island, eu criei um fascínio por parques de diversão abertos à beira-mar, e quanto mais sujão mais interessante fica porque lembro de Flapjack e do Neutral Milk Hotel, nisso o parque de Caraguá ganha do de Yokohama.

Enfim, eu tive a ideia pra fazer este post porque estou usando minha caneca do Hopi Hari que comprei na última vez que fui lá, é daquelas que tem uma camada de gel que congela rápido dentro dela e você deixa ela no freezer até precisar gelar uma bebida rápido. Eu devo ter pago um preço absurdo por ela mas pô, ela está em uso faz uns bons 10 anos e é uma lembrança de um bom momento que tive com meus amigos.

E é isso aí, espero um dia ir pro Hopi Hari de novo, ou não, não sei se tenho ânimo pra ir ainda.

vlw flw té mais!

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Meu tesourinho

 Eu sempre tive um fascínio da pessoa ter um BEM MAIS PRECIOSO, um tesouro pessoal. 

"Sabe essa lapiseira? Ela tá com essa tampa amassada porque salvou meu tataravô de uma bala numa trincheira no norte da França em plena Primeira Guerra Mundial!"           

 - Alguém, provavelmente

Eu até herdei umas coisas legais do meu pai, maioria delas obviamente relacionadas a engenharia, mas nunca foi algo que teve muito significado pessoal pra mim porque não tinha nenhuma narrativa folclórica ligada.

O meu bem pessoal pelo qual eu nutria mais carinho é meu canivete suíço, sobre qual já falei num post deste ano ainda, ele não tem um significado maior ou qualquer coisa do tipo mas eu sempre ando com ele na mochila e inclusive foi bem útil em situações que iam desde precisar de uma tesoura pra cortar uma folha de papel na aula de termo até ter que abrir uma lata de creme de leite no Japão. O canivete em si não tem muita história, eu o comprei numa viagem pra Campos do Jordão com minha família depois de ter terminado meu ensino médio mas eu tenho plena consciência que o canivete vai durar mais que eu.

Agora, apesar de eu amar meu canivete, eu não ficaria particularmente DEVASTADO se ele quebrasse ou se eu perdesse ele, já que é uma ferramenta eu meio que tenho plena consciência de que ele deve ser usado e que pode ser eventualmente substituído, então qual é meu bem mais precioso?

Eu gosto muito da minha HQ edição especial da Morte do Sandman e gosto também do meu Kalk Samen Kuri no Hana (famoso melhor álbum das história da humanidade) que minha prima me trouxe do Japão em 2014 mas, novamente, não tem nada de extraordinário nesses objetos, por mais que eu IDOLATRE o KZK falando que ele é a maior obra de arte já feita na humanidade, o objeto físico em si é meramente uma embalagem da obra (por mais que seja uma embalagem instigante) e eu posso muito bem comprar outra cópia caso eu perca a que eu tenho.

Pois bem, algo que eu tenho que tem bastante valor sentimental e que eu considero meu bem mais precioso? Óbvio que vai ser algo que peguei na minha viagem pro Japão.

Meu CD do he(r)art do For Tracy Hyde assinado por (quase) toda a banda veio junto com os CDs que eu considerava mais importantes na minha bagagem de mão, o resto foi na mala despachada, e foi o ÚNICO CD que foi danificado na viagem de volta pro Brasil, a embalagem pelo menos (o crystal case rachou). E ele é um símbolo do que passei no Japão porque os outros dois CDs autografados que tenho (do Hitsujibungaku e do Luby Sparks) foram assinados porque as bandas estavam todas lá juntas na mesinha de merch e era meio que "incluso" no preço do CD os autógrafos. 

No caso do CD do he(r)art eu comprei da vocalista e esperei meu nível de nervosismo abaixar um pouco pra puxar uma conversa (em inglês) com o guitarrista pra ele então ir comigo atrás de (quase) todos os membros da banda pra eu pedir autógrafo, parecia um pai guiando a criança numa festa. Isso tudo e também foi o CD que comprei no meu primeiro show que fui no Japão além da temática do álbum ser centrada em Tokyo, foi nesse dia também que me apaixonei pela cidade. O dia 11 de Janeiro de 2019 estará sempre guardado no meu こころ como o dia que eu me tornei um Tokyoite temporário, apesar de eu ter conhecido só Shinjuku nesse dia, foi amor a primeira vista. 

Quando eu pego meu CD do he(r)art me vem toda a jornada que fiz: de pedir pro meu chefe adiantar minha folga até minha primeira janta em Tokyo que foi um Big Mac que comi na minha cabine do netcafé, me lembro que a primeira pessoa que vi quando cheguei na casa de shows (2h adiantado) foi a vocalista do For Tracy Hyde saindo correndo pra comprar umas coisas na konbini no lado e percebi de repente que aquelas pessoas que eu via tocar na tela do Youtube eram reais.

 

Capa e autógrafos do famigerado.

 

Os únicos poréns dos autógrafos é que um dos guitarristas não assinou (ele tinha vazado mais cedo eu acho) e o baterista que assinou não era o que estava na banda durante a gravação desse álbum em particular, mas na moral que isso não importa, For Tracy Hyde foi a única banda com quem falei dos sete shows que fui no Japão e eu só tinha descoberto eles uns três meses antes de ir pro arubaito, ou seja: se eu tivesse ido pra arubaito em qualquer ano anterior, eu provavelmente não teria ido num show deles e é bem possível que não teria falado com nenhuma banda.

O álbum em si (sobre o qual eu já falei no post sobre a banda) é um tributo a Tokyo, e mesmo que não soubesse disso antes de ouví-lo, depois de conhecer a cidade eu me surpreendi com a capacidade da banda ter conseguido espremer a alma de Tokyo tão bem em pouco mais de uma hora de música, e como diz o título da penúltima música do álbum: Tokyo will find you.

Enfim, eu nem acho que he(r)art seja o melhor álbum da banda, o New Young City que veio depois com certeza é uma evolução musicalmente, mas é uma coisa que tem tanta ligação pessoal comigo que eu nem posso pensar em julgar a obra de forma imparcial, pra mim he(r)art sempre será aquele dia 11 de Janeiro de 2019, quando um jovem Yoiti de 22-quase-23 anos se perdeu e se apaixonou pela cidade mais incrível do mundo.

Ouçam o álbum aqui!

E é isso eu acho? Na moral que eu nem planejei falar tanto sobre o he(r)art já que queria fazer um post exclusivo sobre ele mas miei da ideia e virou o que virou e falei da minha viagem pro Japão novamente RSRSRSRSRSRSRS se foi intencional ou não fica a cargo do leitor.

Pois bem, vlw flw té mais!

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

EMOÇÃO GALERA, EMOÇÃO!

Tem um tipo de música que só existe no underground e é um dos maiores motivos pra eu apreciar tanto o cenário musical não-mainstream japonês: as músicas que conseguem passar emoção de uma forma mais crua.

Pode vir me tacando pedra falando que chora ouvindo sertanejo ou The Killers mas acho que maioria da música que chega no ponto de virar hit acaba sendo esterilizada demais, música de sofrência não tem grito nem choro, o vocalista não desafina cantando EM PRANTOS sobre término, o público não canta o refrão com o fundo dos pulmões, etc.

Eu sei que estou sendo chato, e querendo que toda banda seja basicamente punk, mas acho que é muito bosta você procurar uma música pra sua situação (ainda mais quando for ruim) e ter que se contentar com uma pessoa cantando bem uma letra realmente muito bem escrita mas com zero emoção, poxa, eu quero SENTIR ALGO quando ouço uma música.

Na moral que eu comecei a me importar com EMOÇÃO na música quando ouvi essa aí, a parte depois da pausa (lá por 6:30) é tão crua e mostra o desespero de uma forma tão nua que me assombra até hoje quando ouço, e é algo que a gente nunca vai ver numa música mainstream, apesar da banda sucessora a essa (Midori) ter chegado bem perto de emplacar um sucesso mainstream e Shinsei Kamattechan ser teoricamente mainstream enquanto faz músicas bem pesadas sobre bullying e suicídio.


Esse vídeo mostra porque eu amo Kinoko Teikoku, meu deus, olha a Chiaki Sato cantando quase chorando no final do Yoru ga Aketara (lá pelos 12min) e deveras, é uma música sobre perdoar uma outra pessoa. Eu fiquei puto com a banda justamente porque a música deles ficou muito higienizada, as letras de algumas músicas (Aruyue e Sculpture em especial) são muito boas mas não tinha aquela magia que eles tinham antes, aqueles rough edges que faziam com que todo jovem sem rumo na vida se identificasse com a música deles, mas isso já é passado.


Essa música já é mais pra quando eu quero dar uma alegrada depois de um dia bosta, geralmente eu ouvia Judy and Mary pra esses casos mas essa música do Volleyboys tem esse refrão alto astral que é feito pra ser cantado com uma plateia que anima qualquer um, espero poder ver eles ao vivo algum dia.


Acho que alegria já é algo mais presente no mainstream mas desse jeito? Só a Kaneko Ayano mesmo. As músicas mais alegres do Judy and Mary também são muito boas mas a Kaneko Ayano tem uma aura que nem a YUKI nos anos 90 tinha, e por isso que por mais que ela esteja crescendo bastante ultimamente, não acho que vai chegar no TOPO TOPO das paradas que nem a Aimyon por exemplo, a Kaneko Ayano é muito selvagem pro establishment japonês deixar correr solta.

Tudo isso quer dizer que só gosto de música com gente gritando? Nah. Eu gosto bastante de shoegaze e da Ichiko Aoba em certos momentos, só acho que falta EMOÇÃO no cenário mainstream musical, porra, eu quero chorar ouvindo uma música triste, quero ficar puto ouvindo música pra se revoltar, quero sentir GOOD VIBES ouvindo música feliz, mas é difícil você sentir isso da música se você se restringir só ao que todo mundo ouve.

Acho que é isso, eu queria escrever esse post depois de ter lido um crítico musical falando que ele odeia toe por ser uma banda que tenta se desvincular muito da emoção e acaba parecendo meio insosso, por mais que seja uma busca pela perfeição da forma.

É isso, vou dormir em posição fetal enquanto choro ouvindo Kinoko Teikoku, é pra isso que comprei meus IEMs: pra poder ficar deitado de lado sem ter o perigo dos fones caírem.

vlw flw té mais!

sábado, 29 de agosto de 2020

OUVI GINCANA??!!!!!

 O colégio onde estudei por 12 anos da minha vida era católico e tudo mais, e na última semana de Agosto era sempre celebrada a "Semana Santo Agostinho" ou Semana Cultural.

É uma coisa que lembro com muito carinho: quando eu tinha acabado de entrar no colégio, a semana cultural realizava sua última edição no formato antigo: todos os alunos do colégio (de todas as séries e ensinos, de todos os turnos) eram divididos aleatoriamente em quatro equipes: Ontem, Hoje, Amanhã e Sempre, e depois de uma semana cheia de gincanas, atividades e outro eventos, a equipe que ganhasse ia pra chácara do colégio de graça (ou algo assim, isso foi há uns 18 anos).

As atividades iam de cabo de guerra a gameshows no teatro do nosso colégio, como eu era aluno do Jardim III, não deu pra ter uma dimensão muito grande do evento como um todo, mas lembro de voltar pra casa e falar pra minha mãe de como tinha sido os eventos, lembro bem que minha irmã estava em outra equipe e que eu estava na equipe "Amanhã".

Depois desse ano, 2002 no caso, a semana cultural ficou mais normal: tinham lá suas celebrações em homenagem ao santo que dava nome ao nosso colégio, vulgo Santo Agostinho, e umas gincanas, eventos e tudo mais, mas não tinha aquele clima de SPORTS FESTIVAL de um anime como antes, o que foi uma pena.

Com o passar dos anos os eventos foram minguando e minguando até que nos meus últimos anos de ensino médio, a Semana Santo Agostinho foi extinta e os eventos foram espalhados pelo ano inteiro, o que tirou totalmente a graça deles. Parece que a justificativa era que tinha uma boa galera que matava aula durante essa semana, o que eu não acho que era verdade, pelo menos eu lembro bem que quase ninguém da minha turma faltava durante essa semana e era uma coisa que eu até aguardava todo ano pra ver como ia ser.

Eu até entendo agora que se na faculdade rolasse isso eu certamente ia matar as "aulas", já que poderia estar estudando, trabalhando ou simplesmente fazendo algo melhor com meu tempo, mas pra garotada de ensino fundamental não tem nada que eles podiam estar fazendo nesse tempo e pro pessoal do ensino médio (ainda mais do TERCEIRÃO! URRA URRA HEI!) a semana pode ser uma boa pausa pra não despirocar.

Sei que sou meio suspeito pra falar disso, já que eu conseguia ter menos vida social no ensino médio do que hoje... durante a pandemia, mas puta merda, gincanas são legais pra caralho. O último resquício de gincana que sobrou no meu colégio foram as MARATONAS INTELECTUAIS que eram quizzes entre umas 6 salas, que eram sempre no palco do imponente teatro do nosso colégio, com perguntas nas categorias (se me lembro corretamente): Conhecimentos gerais, filmes, música e acho que tinha mais uma mas não me lembro [PESSOAL QUE FEZ ENSINO MÉDIO COMIGO POR FAVOR COMENTAR ABAIXO SE LEMBRAREM] onde cada sala mandava dois representantes por categoria, e por mais triste que seja eu preciso admitir que minha sala NUNCA ganhou essa merda, eu acho que inventaram isso lá pelo meu sétimo ou oitavo ano? Então conta aí umas 4 ou 5 edições disso que participei mesmo, me mandaram subir no palco representando a sala, e nunca ganhei, NUNCA! Gianluigi Buffon e Zlatan Ibrahimovic eu entendo vocês.

Enfim, não quero lembrar muito disso aí já que não valia absolutamente nada, não tinha prêmio nem merda nenhuma, mas foi uma puta humilhação ter perdido no TERCEIRÃO contra a molecada do segundo, isso tudo porque um mano da minha sala esqueceu de botar o artigo A em A PEQUENA SEREIA (sim, eu sempre vou lembrar disso). E a sala inteira voltou cabisbaixa da maratona. Em nossa defesa a gente ganhou as viagens de formatura NA FAIXA depois de participar d'O Último Passageiro (que era apresentado pelo nosso atual secretário nacional da cultura) numa gincana televisionada em rede nacional contra dois outros colégios com mensalidades maiores que o do nosso. CHUPA TERCEIRÃO QUE VEIO DEPOIS DA GENTE! O PROGRAMA FOI CANCELADO DUAS SEMANAS DEPOIS QUE A GENTE FOI E VOCÊS NÃO GANHARAM VIAGEM DE GRAÇA! HAHAHAHAHA!

Pois bem, acho que tudo isso explica muito bem porque gosto bastante do Integrapoli, é praticamente uma gincana que não considera o bom senso e dura uma semana SEM PAUSAS. Eu nunca participei ativamente do Integra mas foi uma coisa que sempre me proporcionou umas risadas e prefiro mais que ele exista do que o caso contrário, a Poli merece ter uma semana em que as pessoas possam rir de outras coisas que não as notas das provas de numérico.

Eu não sei se é efeito da quarentena mas eu amaria estar puxando um cabo de guerra ou respondendo pergunta de borda geográfica ou memorizando onde a luzinha acende pra eu pisar ou qualquer coisa do gênero, gincanas são legais.

Por hoje é só galera, valeu, falou, até mais!

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O fardo de ter dois nomes próprios e não poder usá-los em conjunto porque ficaria estranho

 Uma boa parte dos descendentes de japoneses aqui no Brasil têm dois nomes próprios: um brasileiro e outro japonês, e com isso vem uma série de dramas cotidianos.

Qual nome você  (que tem nome japonês e brasileiro) bota no Facebook? Os dois nomes + sobrenome? Nome brasileiro + sobrenome? Só os dois nomes? Nome japonês + sobrenome? Acho que todo mundo tem uma relação diferente com o nome, eu por exemplo só sou chamado de Daniel por pessoas que acabaram de me conhecer ou por professores/pessoas com ligação mais formal comigo, normalmente as pessoas estão me chamando de Yoiti depois da primeira semana que me conhecem.

Mas eu conheço descendentes que basicamente só usam o nome brasileiro ou que são conhecidos pelo sobrenome, eu geralmente observo como um cara é chamado pelos amigos antes de me referir a ele mas tem vários casos de eu ser uma das únicas pessoas que chamam alguém pelo nome japonês, assim como algumas poucas pessoas me chamam pelo sobrenome. No arubaito eu chamava o pessoal do meu setor pelo sobrenome mas o resto do pessoal que eu conheci por fora eu chamava pelo nome mesmo.

Um costume que acabei adquirindo foi de preencher "Daniel Ishida" em qualquer lugar que precisasse de cadastro, já que sempre pediam o primeiro nome e o sobrenome, e eu não queria dar trabalho pra quem fosse tentar falar "Yoiti", mas um caso interessante foi quando fui fazer óculos no Japão e preenchi meu nome como Daniel automaticamente no tablet de cadastro, a moça gaguejou um "Hmm... Dani.. Danieru-san?" e percebi que pela primeira vez botar Yoiti teria sido mais conveniente.

Ter botado só Yoiti Ishida no Facebook também gerou uns incovenientes aqui e ali, tem gente que me procura lá depois de eu me apresentar como Daniel e não acha e qualquer site que faço cadastro com a conta do FB acaba me cadastrando como Yoiti, e isso faz com que muito motoboy do Ifood fique com cara de interrogação pra tentar falar meu nome, mas maioria fala certo (ao contrário do nosso atual secretário nacional da cultura que errou umas 5 vezes em rede nacional 7 anos atrás, quem sabe sabe).

Enfim,pode parecer que não sou muito afeto do nome Daniel mas acho que é mais que eu gosto demais de Yoiti (já que era diferente), até eu entrar na Poli eu só tinha visto uns Yuiti mesmo, mas Ishida e Yoiti tem, se somados, mais que Daniel nessa faculdade eu aposto.

Eu escrevi esse post porque achei a notinha fiscal do óculos que uso normalmente, que é da história da moça gaguejar falando DANIERU, e tá lá ISHIDA DANIEL. Na moral que foi o óculos mais barato que já comprei (5000JPY, na época era uns 170 reais acho?) e como é de plástico ele é mais confortável que os sem borda que eu usava desde 2014, mas ainda está nos planos pegar um oval pra fazer uma justa homenagem ao Shutoku Mukai do começo dos anos 2000. Quando eu for trocar de óculos eu prometo que vou escrever um post sobre óculos, sou fascinado por eles.

Pois bem, vlw flw e té mais!