quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 4

 Dia 30/10 - Indo pra Kyoto e conhecendo o Nishiki Market

Nosso trem bala pra Kyoto saía 10 e pouco então fizemos checkout lá pelas 8. O plano era passar no subsolo da Estação de Tokyo pra pegar o bentô no trem. É uma tradição que queria mostrar pros meus amigos: o pessoal pega o trem bala bem no horário do almoço pra comer durante a viagem, que dura lá suas duas pra três horas.

Eu aproveitei essa oportunidade pra pegar um bentô de unagi (enguia) pra experimentar e uma porçãozinha de kara ague pra complementar, e um chazinho que não podia faltar. 

Me diz se essa não é uma refeição digna de reis?

 Pior que achei enjoativo. Não sei se o molho agridoce tava mais pro doce do que pro agri mas nem consegui terminar a enguia de tão doce que achei, pelo menos o kara ague tava ok, e percebi que kara ague sem gengibre não é um problema só daqui do Brasil, mas tava bom.

Foi bem bacana a experiência de pegar um trem bala, não é um maglev nem nada do gênero mas porra, só do negócio chegar perto dos 300km/h já me assustou, e pensar que o primeiro trem bala lá da década de 70 não era tão diferente do atual, é realmente admirável.

Chegamos em Kyoto lá pelas 13h e nosso check-in era 15h, o hotel era uma estação de distância da estação de Kyoto (onde descemos do trem bala) então tínhamos duas horas pra explorar a região, deixamos nossas malas na recepção e fomos explorar por perto.

Kyoto é bem diferente de Tokyo, era minha primeira vez lá e eu realmente esperava que seria só casinhas de madeira, templos e gueixas, mas a cidade é bem desenvolvida. As partes históricas são mais afastadas do centro e é legal ver que lá tem uma vida social bem ativa. Demos uma volta pra achar uns templos perto, e isso tinha de monte mesmo na cidade.

Templo a duas quadras de distância do hostel (foto do Nathan)

 Tinha um templo em particular, a duas quadras de distância do nosso hostel, que era bem simpático e vendia os omamoris mais bonitinhos que vi durante a viagem.

Omamori de coelhinhosssssss

 Passamos também no primeiro supermercado da nossa viagem: o FRESCO. Essa rede só tem em Kansai acho, não vi em Tokyo, e era um mercado bem bom: tinha variedade de tudo, bentôs baratos e muitas bebidas, tudo isso num preço bem ok.

Beleza, chegou a hora e voltamos pro hostel pra dar o check-in.

Screenshot de um vídeo que o Nathan tirou do quarto
 

O quarto não era lá muito mais espaçoso que o anterior mas era. Dessa vez não tinha banheiro no quarto mas os banheiros e chuveiros desse hostel eram incríveis, quero dizer, as privadas foram boas durante a viagem toda mas o chuveiro desse hostel tá de parabéns mesmo viu.

Foto do chuveiro (foto do Nathan)

 O chuveiro era tão pica que tinha instrução de uso no box. E a água do hostel inteiro era filtrada então era só a gente ir no banheiro pegar um copo (que tinha lá) pra tomar, sinceramente não sou muito fã disso, já que não dava pra pegar água gelada e não tinha geladeira nem no quarto e nem no hostel inteiro, mas o chuveiro realmente fez valer a pena.

Deixamos as malas no quarto e fomos pro primeiro destino: Nishiki Market.

O Nishiki Market é um shotengai enorme só que feito pra turistas. Eu achei bem parecido com a Ameyoko mas o nível de tourist trap aqui era absurdo, tinha desde espetinho de wagyu por 5000 yen até sushi de bluefin por 3000 yen CADA PEÇA, obviamente comi algumas coisas, não tão caras mas tourist trap nonetheless. 

Nishiki Market em toda sua glória

 O que a gente não sabia era que o Nishiki Market era ligado diretamente a uma rede de shotengais ENORMES onde me perdi pelo menos umas seis vezes. Puta merda, eu andei tipo uns 3km só DENTRO dos shotengais e do Nishiki Market e não vi tudo, achei a parte do shotengai propriamente dito até mais interessante que o Nishiki Market, porque tinha coisas mais pros locais e umas lojas realmente interessantes, mas é, ficamos até tudo fechar.

Comidinhas do Nishiki Market, tourist trap? Sim, mas ainda deliciosas

 
Shotengai conectado ao Nishiki Market

Andamos, comemos e já era hora de ir embora. No caminho (andando) pro hostel dava pra passar no Pokemon Center de Kyoto e fomos lá, não comprei nada mas fui procurar uns negócios de Chainsaw Man por perto, obviamente sem nenhum sucesso, então voltamos pro hostel.

Como todo mundo tinha comido pelo menos alguma coisinha, a fome demorou um pouco pra chegar, então fomos pro Coco Ichibanya pra comer um curry de noite.

To com preguiça de virar a foto.

 Eu pedi um curry com caldo de lagosta e com camarõezinhos e um tonkatsu pra acompanhar. Po, delicioso tá, o Coco Ichibanya é famoso por você poder personalizar absolutamente tudo do seu Curry e escolhi justamente o curry que eu menos teria chance de comer aqui no Brasil, mas também peguei um tonkatsu porque tonkatsu com curry é a melhor combinação da culinária japonesa, como todos sabemos.

Voltamos pro hostel e dormimos.

Dia 31/10 - Castelo de Nijo e Museu da Nintendo

 Eu deixei o roteiro deste dia na mão dos meus amigos, não tava muito afim de ficar vendo muita coisa no detalhe, então o Nathan pesquisou e achou sobre o Castelo de Nijo, que aparentemente foi construído no Shogunato e tal.

Castelo bem bonito, não tinha aquela edificação central castelo castelo mesmo tipo o de Osaka mas era bem legal o complexo inteiro, as fortificações e muralhas eram bem legais, além dos jardins impecáveis.

Vista de cima da muralha de um dos pontos de entrada do Castelo de Nijo

 Andamos bastante e foi o primeiro lugar que passamos que tinha aquele carimbo que você ia completando ao passar pelos checkpoints, no final ce tinha um negócio carimbado com todas as cores.

Carimbo do Castelo de Nijo, foi o único que consegui completar nessa viagem

No final paramos pra tomar um sorvete (pelo menos eu) e rumamos pra nosso próximo destino: Museu da Nintendo! Mas antes paramos na Estação de Kyoto pra almoçar.

Lamen que comemos na Estação de Kyoto (foto do Pedro)

 A gente parou num lugar de rede bem x na estação de Kyoto pra almoçar, tinha cardápio em inglês e serviam lamen, já era mais que o necessário. O curioso é que nesse lugar tinha uma plaquinha explicando o que era cada uma das coisas que tinha na mesa pra botar no lamen e FINALMENTE descobri o negócio que amo botar no lamen e nunca achei aqui: Takana.

Pickled Takana my love.

 Cara, eu acabei procurando e achei que é um tipo de mostarda, e em restaurantes sempre é servido com pimenta shichimi, o negócio é delicioso e com o lamen então é perfeito. Pra mim é Takana e alho ralado no lamen em doses cavalares e fico feliz, aqui no Brasil como não tem takana, fico só no potinho de alho mesmo (quando tem).

Enfim, seguimos para o Museu da Nintendo depois do nosso almoço. 

O mais esperado em Kyoto.

 O Museu da Nintendo é um rolezinho de conseguir ingresso: primeiro que você tem que ter conta Nintendo, depois você tem que entrar numa loteria e selecionar três horários (podendo ser em dias diferentes) e se você for selecionado, te alocam pra um horário e você compra o ingresso, pois bem, nós quatro entramos na loteria pra comprar 4 ingressos (então só precisava um ganhar pra conseguir comprar o ingresso) e acabou que nós quatro conseguimos. O foda é: pra gente ter mais chance e não disputar um com o outro, escolhemos todos horários diferentes, acabou que peguei o melhor horário lá de manhã. O foda, mais uma vez, é que pra dar um double check pra ver se teu número de celular cadastrado é real, eles mandam você ligar pra um número gerado na hora, número esse obviamente do Japão, e meu plano de celular da Vivo não deixa ligar pra fora do país nem fodendo AAAAAHHHHHHHH, é, ficou pra lá o plano de ir com meu horário, então pegamos o horário de Alvin que era o segundo melhor (pós-almoço) e fomos, e é isso o prefácio da jornada pro Museu da Nintendo.

Controle gigante de 64 (foto do Pedro)

 

O Museu é dividido em duas partes: a parte Museu mesmo, onde tem todos os consoles e várias parafernálias da Big N pro pessoal ver (que é interessante mas a gente não podia tirar foto) e tinha a parte mais popular: a parte com os joguinhos. Basicamente você tinha uma quantidade limitada de créditos pra jogar em uma série de jogos ou baseados ou literalmente jogos mesmo da Nintendo. Dava pra jogar Mario 64 com um amigo num controle gigante de Nintendo 64 mas dava pra jogar nuns consoles que, como já é de conhecimento comum, não são nada mais que emuladores com controles originais pra galera brincar. É um lugar bem legal de visitar e tava na minha lista de lugares pra conhecer, mas não é lá imperdível também, mas é legal.

Wiimote gigante, ele é lindo (foto do Pedro)

No final disso tudo obviamente tem uma lojinha com tudo o que você pode imaginar, inclusive o Wiimote gigante que, com grande pesar, deixamos de comprar porque não conseguimos imaginar como íamos trazer na mala. 

Quando saímos do museu já tinha escurecido (tava escurecendo cedo quando a gente tava lá, tipo antes das 18) e tava chovendo, hora de voltar pro hostel e ver o plano pra janta.

Paramos na Estação de Kyoto pra fazer baldeação pra nossa linha e nos perdemos, acabamos nos encontrando e seguimos as setas pra nossa linha quando o Pedro parou pra ver uma lojinha, nisso a gente seguiu pra depois da loja pra ver o que tinha e achamos essa vista da Kyoto Tower:

A (não tão) grande Kyoto Tower

 Seguimos mais e vimos umas escadas rolantes indo pra cima e subindo ela a gente conseguiu ter uma visão melhor da estação:

Uma beleza arquitetônica

 E subimos mais ainda e vimos as famosas escadarias com iluminação led que sempre tá passando alguma coisa, dessa vez eram motivos de outono:

Tava chovendo, meio perigoso de subir essa escada

 Então vimos uma passarela lá no alto da estação e subimos a escadaria iluminada (as escadas rolantes no lado dela no caso) e chegamos lá no Sky Walk:

A estação vista do topo da escadaria, no meio está a Sky Walk.

 
Vista pro canal, olhando da Sky Walk

Kyoto Tower da Sky Walk

Foi legal pra caralho, nos perdemos um pouco mais nessa parte de cima da estação e encontramos uma maquete de lego da própria estação num lugar meio isolado e que, pelo o que tudo indicava, era o esconderijo dos adolescentes da região, tinha alguns casais se pegando e grupos de meninas filmando tik tok, fé que a taxa de natalidade vai subir pelo menos em Kyoto!

Andamos mais e mais e fomos pro shopping abaixo da Kyoto Tower pra ver se tinha algo pra comer, mas nada interessante, então voltamos pro hostel.

Depois bateu a fome, então pegamos o trem pra andar por Gion pra ver se tinha algo legal pra comer.

Ponte Shijo em Gion

 Andamos andamos e andamos e avistei um Gyukatsu, dei a ideia pro pessoal, todos concordaram, já salivando com a ideia de uma boa carne.

To com preguiça de girar a foto

 Gyukatsu, pelo menos desse tipo, é tipo um tonkatsu só que é carne bovina e ela vem CRUA por dentro e empanada e frita por fora, aí vem uma chapa quente pra você passar o ponto da carne a seu bel prazer. Pra ninguém morrer de vontade ou morrer de pobre, pedimos dois pratos de wagyu e dois normais, sendo que o combinado era dividir as carnes igualmente entre todos pra todos poderes experimentar wagyu, e não era um wagyu normal não, era A5 porra. Levem em conta que esse foi o primeiro wagyu da viagem.

Tava bom pra caralho.

Puta que pariu, que carne boa, vai se foder.

Você pode olhar pro wagyu, só ver gordura e pensar "porra, vou pagar 200 conto num monte de sebo?" Nope, cara, pode parecer eu tentando justificar o gasto que tive mas Wagyu de verdade é MUITO diferente de uma carne normal. Não vou me estender muito porque não é o ponto do post, mas é um negócio bizarro. Porque tem muito umami no gosto do wagyu e a coisa mais próxima dele em sabor, por incrível que possa parecer, foi o atum bluefin que comemos no outro dia. Ah, pode me xingar o quanto quiser, mas antes coma Chutoro de Bluefin e coma um Wagyu A5 e constate que eu só disse verdades aqui.

Enfim, comemos. O restaurante era muito tourist trap, era caro sim mas a qualidade estava muito boa.

De pança cheia voltamos pro hostel.

E o que faremos mais em Kyoto? Fica pro próximo post. Eu queria condensar mais umas coisas mas acho que uns detalhes legais da viagem iam se perder. A parte de descobrir a Sky Walk na Estação de Kyoto foi um negócio bem legal e das experiências que tive com meus amigos foi a que mais guardo com carinho. Eu costumo valorizar muito essas experiências imprevistas porque a expectativa é zero né, então pra corresponder pode acontecer qualquer coisa que já me satisfaz, mas momentos como ver a Estação de Kyoto de cima da escadaria me lembram muito a vez que vi Shibuya de noite pela primeira vez, ou a primeira vez que vi Tokyo do alto da via expressa. Esse sentimento de espanto, de presenciar algo que não consigo descrever em palavras, acho que isso é o que busco sempre mas raramente acho, e no fim é isso que dá valor para as experiências.

E é isso, estou terminando de escrever este post na virada do ano, então feliz ano novo! Meu ano de 2025 foi cheio de altos e baixos e espero que meu 2026 tenha mais altos e menos baixos, e espero o mesmo pra cada um dos leitores e leitoras deste blog.

vlw flw, té mais! 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 3

Dia 28/10 - Ueno

 O dia começou com a gente saindo (relativamente) cedo do hostel e atravessando o Parque de Ueno. Nada no Japão abre antes das 10h da manhã então planejamos dar uma visitada na Universidade de Tokyo (ou Toudai).

 

Hachiko encontrando o dono, estátua na frente da faculdade de agronomia da Universidade de Tokyo

A atração principal foi a estátua do Hachiko encontrando o dono. Todo mundo conhece a estátua do Hachiko em Shibuya mas você sabia que tem uma estátua dele encontrando o dono? E que ele era professor de agronomia na Universidade de Tokyo? Pois é. Essa estátua é bem legal e extremamente fora do roteiro pro turista médio em Tokyo, ela é meio longe da estação de Ueno e fica dentro de uma universidade, então não é a coisa mais fácil de achar, mas é legal dar um rolê pela Toudai e ver a estátua.

Eu acabei visitando a Universidade de Kyoto também, e as duas são bem charmosas. Eu não conheço muitas universidades, acho que só o campus do Butantã da USP, a UFSC, a UFPR e umas particulares, e por incrível que pareça a faculdade brasileira que mais me lembrou as duas que visitei no Japão foi O MACKENZIE. LEMBRANDO QUE ESTOU FALANDO DO CAMPUS SÓ.

Porque pensa bem comigo, são faculdades com campus urbano, bem condensadas e que abrigam (maioria) dos cursos numa área bem arborizada mas sem grandes espaços vazios que nem a USP, acho, pra falar a verdade só passei pelo Mack umas duas vezes e foram duas vezes a mais do que eu queria, mas isso não anula o fato do campus lá do Higienópolis ser bonito.

Mas voltando: o campus é lindo e eu já tinha amado a vez que fui em 2019 (tanto que comi lá) mas dessa vez com as folhas de Gingko, apesar de fedidas, deram um charme especial para o campus.

Boulevard que vai pro Auditório Yasuda, o principal da Toudai

 Saímos por um portão escondido e andamos um bom bocado por trás pra passar na Universidade de Artes de Tokyo (Geidai).

A faculdade que aparece no Blue Period

A Geidai aparece bastante no Blue Period, meu mangá favorito, então foi um no-brainer ter que passar lá pra tirar uma fotinha no portão. O legal é que tem uns bueiros temáticos do mangá atrás da faculdade.

Yatora, gente como a gente.

Yuka-chan, minha personagem favorita no começo do mangá.

Acabamos passando num My Basket, que é tipo um Mini Extra japonês, você se pergunta "Mas isso não seria uma konbini?" Nope, o My Basket tem coisa que só teria em mercado normalmente: carne, frutas, legumes, bentôs mais variados e maior variedade em bebidas de 2 litros, e o melhor? O preço é mais próximo ao de mercado também. Por algum motivo os My Basket têm uma fama similar aos Oxxo aqui no quesito de serem impopulares entre o público geral e serem uma poluição visual nos bairros, o que eu sinceramente não entendi, é basicamente uma konbini na identidade visual, mas enfim,

A gente passou no My Basket pra comprar algo pra tomar de café da manhã, era tipo 9h e a fome estava batendo. Eu peguei uns onigiris, um chá e um lanche, os outros foram mais ousados e pegaram uns bentôs. Fomos então para o Parque de Ueno pra comer nos bancos pra depois ir pro nosso próximo destino: o Museu Nacional de Tokyo.

Museu Nacional (foto do Nathan)

 O museu é ginorme, ele é bem focado na história do Japão, então espere por muitas katanas, armaduras, cerâmicas e algumas obras de arte. Nessa hora eu tava meio chateado porque já era o terceiro dia no Japão e não tinha visto nada de novo novo mesmo, eu só tava repetindo as coisas que vi em 2019 com meus amigos. Eles foram bem compreensivos e falaram que conseguiam se virar sozinhos e era pra eu aproveitar a viagem também, então decidimos andar pelo resto de Ueno e dar uma passada em Akihabara.

Andamos pela Ameyoko mais porque eu tava com a ideia de comprar uma sukajan mas olhando elas ao vivo, e o preço meio salgado delas, eu me perguntei onde caralhos eu usaria uma delas, aí acabei desencanando da ideia. A Ameyoko é um lugar bem legal de ir e apesar de ter tourist trap a cada metro quadrado, não é a tourist trap refinada que a gente acha no Nishiki Market, Dotonbori ou Akiba, é uma tourist trap tão inocente que chega a ser admirável, só indo lá pra saber do que estou falando. 

 Comemos no confiável Sushiro em Ueno, sushi de esteira, nos empaturramos totalmente de ATUM BLUEFIN e era absurdo, o negócio era pornograficamente gostoso e o trio com três sushis, cada um com uma parte do atum, era tipo 500 yen, a gente comeu uns 5 pratos desses. Você tem noção do que é comer sushi de bluefin por menos de 20 conto??????? Vai se fuder, que sushi delicioso puta que pariu (não tiramos foto porque tava muito gostoso pra parar pra tirar foto).

 Depois disso demos uma descansada no hostel e fomos pra Akihabara. Meu objetivo era um só: achar o 3DS edição especial do Love Plus da Manaka, meus amigos estavam afim de ver fone de ouvido então deixei eles na maior loja de fones do Japão: a e-earphones.

 Rodei TODAS as lojas e jogos antigos, TODAS de Akihabara e só achei a edição da Rinko, e estava tipo 60000 yen, eu tava disposto a pagar uns 50000 no da Manaka e isso se eu tivesse bem maluco da ideia.

Jogo de Lain pra PS1. É pra tanto?

Indo de loja pra outra era legal ver que umas 5 lojas tinham o jogo de Lain pra PS1 e sempre tava num preço absurdo, sempre acima de 150000 yen, CENTO E CINQUENTA MIL!! Cara, isso é mais de CINCO MIL REAIS!!!!!!! Enfim, é legal ver essas raridades porque me sinto num museu vendo coisa que só via pela tela do meu PC.

Passei na Fandom, loja com tudo de Vtubers, e comprei umas coisas da Suisei rsrsrsrsrs Comprei uma pelúcia super kawaii da minha oshi virtual e fiquei felizão, por uma fração do preço que ia gastar num 3Ds que nem ia usar de qualquer jeito.

Comprei uma figure da Ai do Oshi no Ko na pose clássica dela também.

 Enfim, voltamos pro hostel e depois saímos de noite pra jantar, fomos num izakaya de rede perto (que minha prima indicou) e foi eeehhhhh ok. Acho que eu esperava mais de um izakaya mas izakaya é pra beber no final do dia, e fizemos isso comendo uns petiscos, então tá tudo bem.

Dia 29/10 - Dia Solo em Shibuya e Shimokitazawa

Nesse dia falei pros meus amigos irem pra Yokohama porque vale muito a pena, mas eu tava afim de tirar o dia pra mim, então só tinha uma opção pra isso: Shimokitazawa.

Mas antes disso queria assistir o filme do Chainsaw Man. Os filmes de anime mais populares têm sessões legendadas em inglês nos maiores cinemas do Japão, eu no caso fui na Toho de Shinjuku, provavelmente o cinema mais famoso do Japão inteiro.

O cartaz era do tamanho A3

 Era a primeira sessão do dia, 8h30, então o cinema tava bem vazio e basicamente só tinha os gringo que vieram assistir o filme legendado, contei uns 15 no máximo.

A tela da sala era enorme, e era uma sala normal, então fiquei bem surpreso de ver o negócio do tamanho de um prédio na minha frente. Comprei um livreto que tinha umas entrevista e concept art do filme, bem feitinho e bem legal de ter na coleção. Fui então ver o filme, tinha passado numa konbini antes pra tomar café, que pra quando estou sozinho era invariavelmente dois onigiris e uma Calpis Water. Fui ver o filme.

FILMAÇO 

Porra moleque, que filme. Já sabia tudo da história porque li o mangá mas caralho mané. Reze se tornou umas personagem bem maior do que já era antes.

Fui convencido, precisava ir na pop up store de Chainsaw Man em Harajuku.

baseyard tokyo my beloved

 A loja tinha vários merch do filme e foi basicamente o único lugar no JAPÃO que tinha coisa do filme, pode acreditar em mim, eu procurei. Então comprei um poster e outras coisinhas. O legal da loja é que tinha uns rascunhos e coisas autografadas expostas.

Eu comprei esse poster da Reze no canto superior direito, queria o autógrafo da Reina Ueda...

 De Harajuku pra Shibuya é só uma caminhadinha certo? ERRADO! Ou pelo menos eu errei de uma forma muito burra (provável). Eu não sei o que caralhos tava rolando com o Maps dessa vez mas o localizador em tempo real tava uma merda e tava apontando que eu tava em lugares totalmente aleatórios, mas enfim, depois de me perder, passar nuns templos e sentir que meus pés iam explodir... cheguei em Shibuya. Por que fui de novo pra lá? Porque consegui reservar um horário pra entrar na pop up store do Oasis finalmente.

Comprei essa camiseta preta aí, uma das minhas favoritas.

 Fui lá na loja do Oasis (não a da Adidas que fomos anteriormente) e comprei duas camisetas e um imã pra minha irmã. As camisetas tavam bem caras, paguei 8000 e 7000 por cada uma, isso dá quase 300, foi com certeza a coisa mais overpriced que comprei no Japão ATÉ ESTE MOMENTO mas valeu muito a pena, onde mais eu poderia comprar camiseta do Oasis exclusiva do Japão? Não comprei a de São Paulo que fui no show mas tenho a de Tokyo, escolhas.

Mas enfim, comprei as coisas que queria e tava com fome, onde o Yoiti foi almoçar? Isso mesmo, no Panda Express do Miyashita Park.

Cara, o Panda Express é o China in Box dos Estados Unidos, só que eu tava no meio de Tokyo. Pessoas me matariam se soubessem que gastei uma refeição no Japão na porra do Panda Express mas eu tava com fome e aquela caralhada de comida que os caras botam no bowl tava muito apetitosa pra passar. Obviamente nem tirei fotos, não queria produzir provas contra mim mesmo, mas tava gostoso pra caralho. Peguei carne, camarão e porco agridoce com meio chahan meio chow mein, mermão, tava bom mesmo tá.

Mas enfim, compras feitas e só me restava ir pra um lugar: Shimokitazawa, a terra prometida.

Porra cara, se você lê meu blog você já deve saber mais de Shimokita que um japonês médio, eu não to brincando, então nem preciso falar muito de novo sobre o bairro né. Mas muitas coisas mudaram: a praça que tem na frente da Estação da linha Odakyu foi totalmente reformada, prédios novos ao redor dessa praça dominam a paisagem e boa parte ao redor das duas estações foi totalmente reformada, tem uns comércios gentrificados mas acho que isso já tinha quando fui em 2019.

Shimokita em toda sua glória (um pouco gentrificado)

 

Andei pelo bairro sem rumo, visitei a Village Vanguard e, felizmente, ela ainda estava do mesmo jeito, e aquele prédio onde ela fica ainda parece abandonado. Fui fazer um óculos lá na nova Zoff no lado da estação e me disseram que só ficaria pronto dali uns 5 dias, até fiquei feliz, porque teria desculpa pra voltar lá em Shimokita depois. Vendo agora eu devia ter pego o óculos num lugar mais diferente que a Zoff, é tipo você ir pra Roma e tomar café no Starbucks, mas pelo menos posso falar que comprei meu óculos em Shimokitazawa.

Enfim, andei andei e fui parar num café no segundo andar de um prédio de frente pra praça das estações de trem. Cara, eu não sei japonês mas eu tava full convicto de pelo menos FINGIR ser japonês, pois bem. Entrei no café, bonito, com vista pra Shimokita, e falei que tava sozinho. Primeiro ponto: só tinha casais lá, sentei no balcão de frente pro bar. Beleza, pra pedir era no QR Code, e o que pode ser uma merda aqui, me salvou lá, por que? Porque dá pra botar o Google Translator pra traduzir qualquer página no navegador e porra, me salvou. Pedi o combo de cold brew e sorvete de dia, O QUE PODERIA DAR ERRADO? Pois bem, o sorvete do dia na verdade era uma seleção de uns 8 sabores que, pasmem, estavam escritos numa lousa a mão. Então fiz a coisa mais razoável: Falar que não sei japonês e perguntar em inglês? JAMAIS! Escolhi o ÚNICO sabor que tava em katakana (e não kanji) e mesmo sabendo ler, eu tava tão nervoso que não entendi o que caralhos era o sabor, mas pedi. Era de nozes com passas.

É isso que meu nível de japonês consegue me garantir

Tomei o sorvete, fiquei mexendo no celular tomando meu cold brew (ambos estavam muito bons), quando já tava cansado eu fui no caixa pagar a conta, e com o maior orgulho de não ter arregado a qualquer momento pra falar inglês: pra todos os efeitos, os caras do café acharam que eu só era um japonês com fobia social que não conseguia falar direito, e não só mais um turista que não fala japonês. Uma vitória pro Yoiti com um ano de aprendizado na língua.

Enfim, acabei dando mais uma volta mas como eu já sabia que ia voltar pra Shimokita pra pegar o óculos dali uns dias e tava cansado por ter me perdido mais cedo, acabei voltando pro hostel.

Os meus amigos demoraram ainda pra voltar de Yokohama e aproveitei pra passar na Estação de Tokyo pra ver a Character Street, uma parte do subsolo lá tem um monte de loja de coisas de anime e tal, incluindo uma loja oficial do Hololive. Fui lá, não tinha nada da Suisei, então dei uma volta nas outras lojas. Na loja da Tamiya (tipo a HotWheels do Japão) em particular eu fiquei um tempo e comprei uma MP4-4 (carro do Ayrton Senna) e um Subaru Impreza STI, depois voltei pra casa.

Eu realmente não lembro o que jantamos nesse dia, eu sei que esperei o pessoal voltar pra comer mas não lembro o que comemos nesse dia em específico.

Pois bem, aqui terminamos nossa primeira parte da viagem em Tokyo! Próximo post vai ser a ida pra Kyoto e nossos dias lá.

É isso por hoje, vlw flw té mais! 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 2

 Dia 27/10 - Shinjuku (de novo) e Shibuya

O plano era começar o dia no prédio da Prefeitura de Tokyo (em Shinjuku) pra ver o mirante lá, já que no dia anterior ele estava fechado, e depois ver Shibuya e quem sabe mais alguma coisa, spoiler: não teve mais muita coisa porque Shibuya é Shibuya.

 Começamos o dia comendo no Matsuya no lado da estação de Ueno, o Matsuya é um dos concorrentes do Sukiya lá no Japão, e o café da manhã nesses restaurantes é o clássico missoshiru, arrozinho, uma (ou mais) proteína e umas conservas.

Café da Manhã no Matsuya (foto do Pedro)

  Depois rumamos pra Shinjuku, descemos na estação lá que é ligada diretamente à prefeitura e nos perdemos, acabamos achando a fila do mirante (que ainda estava fechado) e esperamos junto com um grupo de turistas falando espanhol (o que vai ser algo constante nos relatos dessa viagem). Subimos de elevador e chegamos ao mirante.

 

Vista do mirante no prédio da prefeitura de Tokyo.

Pra ser bem sincero eu tirei poucas fotos porque eu tinha ido já nesse mirante em 2019 e a vista de Tokyo não mudou tanto pra perceber de cima, mas foi legal ver a reação dos meus amigos. No andar do mirante tem um café e uma lojinha de souvenirs, meus amigos gastaram uma grana lá por mais que eu os tenha alertado que tem lugar com coisa melhor e mais barata "mas tudo aqui é tão bem feito!" e só fiquei sentado vendo os crimes financeiros sendo cometidos.

Prédio da Prefeitura de Tokyo visto de baixo, lindão.

 

Com as fotos da paisagem tiradas e as compras feitas, descemos, e meus amigos pararam na livraria que tinha no térreo, primeira livraria que viram na viagem, e depois finalmente rumamos para o nosso próximo destino: o resto de Shinjuku que não vimos no dia anterior.

Eu acabei levando eles só pra Sekaido mesmo, que é a maior papelaria de Tokyo (dizem os boatos) e tem uma loja de departamentos no lado dela que é cheia de pop up stores, perdemos tempo nisso e na Yodobashi de Shinjuku que estava no caminho, e na Sekaido eu finalmente peguei meu caderninho de carimbos! Coisa essencial pro turista que quer registrar a viagem sem gastar muito. Em Shinjuku eu passei na Lush pra pegar umas coisas pra minha irmã também, só peguei os prints que ela tinha me mandado, mostrei pra atendente e perguntei se ela falava inglês, a moça pegou tudo super rápido e foi super solícita, atendente da Lush de Shinjuku, você é foda.

Enfim, depois partimos pra Shibuya, passamos pelo famoso cruzamento, que de manhã é bem normal e só falei um "ah, vamos passar no Miyashita Park que tá com uma pop up store do Oasis", pois bem:

Loja da Adidas temática do Oasis no Miyashita Park
 

Tinha essa loja da Adidas com várias coisas do Oasis mas tinha também a pop up store do lado que vendia os merch exclusivos do show do Oasis no Japão, essa pop up você tinha que ter feito reserva antes e tudo mais então a gente não foi (eu acabei indo depois) mas nessa loja da Adidas todo mundo comprou pelo menos uma coisa, eu comprei duas camisetas ADIDAS ORIGINALS TOKYO porque ser paia é bom demais.

Compramos, pegamos o cashback do tax free (algo que vai ser comum no meus relatos) e fomos almoçar, adivinha o que a gente foi almoçar? Isso mesmo, McDonalds.

Combo do Street Fighter do McDonalds.

 

Tava tendo collab de Street Fighter com o Mc e foi isso que maioria de nós pegamos. Se você tá com curiosidade, esses lanches tinham muito molho agridoce e maioria das vezes eu acho muito enjoativo, essa vez não foi exceção, e o refrigerante do combo tinha gosto de Red Bull, eu me pergunto sinceramente se era realmente energético ou só SABOR ENERGÉTICO mesmo.

De lá fomos pra Tower Records, maior loja de discos do mundo, e ficamos um bom tempo explorando os andares. 

Você gastaria mais de milão num vinil da Shiina Ringo?? E nem é o KZK bicho.

 Por incrível que pareça meu amigos amaram explorar a loja, eu acabei comprando os CDs que faltavam do For Tracy Hyde e um vinil da Momoe Yamaguchi que tava tipo 15 reais.

Depois meu amigo quis ir no Pokémon Center de Shibuya e esse foi o começo do fim. Nessa viagem a gente foi em uns 4 ou 5 Pokemon Centers e meus amigos foram ainda em mais uns 3 sem mim, quando a gente entrou nesse de Shibuya e quando vi a fila, percebi que era lá que eu largaria o pessoal e daria meu rolezinho por Shibuya.

Eu acabei fazendo uma run pelo bairro todo atrás de duas coisas: meu Headphone sem fio e merch do Chainsaw Man. O primeiro achei fácil numa Bic Camera, comprei junto com um power bank, agora merch do Chainsaw Man??? Porra, fui na Animate, livraria, a porra toda e não achei nada, e durante a viagem toda foi a mesma coisa.

Voltei lá pra buscar meus amigos pra ir embora pra casa e percebi que o shopping onde tava o Pokemon Center era na frente das casas de show WWW e WWW X, essa última sendo a que vi a Chiaki Sato em 2019 e onde também o For Tracy Hyde acabou em 2022, então tirei a fotinha do último álbum deles (que tinha acabado de comprar na Tower) na frente da casa de shows onde eles fizeram o último show.

 

 Meus amigos acabaram indo em várias lojas desse shopping, tinha loja da Nintendo, da Jump, Pop Mart, tudo o que você poderia imaginar e obviamente todas cheias.

Depois de todos fazerem as devidas compras, voltamos pra casa, mas não antes de admirar Shibuya de noite.

Shibuya, mas você pode falar que parece a Faria Lima

 

Cara, aqui fica uma observação: a gente chegou no Japão no dia do primeiro show do Oasis lá (25/10) e lá em Ueno vimos MUITA gente usando roupa da banda e com sacola de merch, e lembrando que Ueno é meio longe do lugar que tava sendo os shows. E isso se repetiu em todos os dias que ficamos em Tokyo antes de ir pra Osaka, todo lugar tinha gente com camiseta da banda, toda loja tocava Oasis e em Shibuya em especial, tanto no Miyashita Park quanto na Tower Records, era Oasis o dia todo todo dia. A música do momento era Oasis e a vibe do momento era Oasis.

As compras que fiz nesse dia

 

Não lembro o que jantamos nesse dia, então deve ter sido algo de rede.

Cara, esse dia e mais uns vão ser bem longos de contar então to prevendo que vou demorar pra cacete pra terminar essa série de posts. Vou terminar com certeza mas vou intercalar com posts aleatórios pra não ficar cansativo de ficar lendo, e mais ainda pra eu escrever.

E é isso, o próximo dia nesta série de posts é Museu Nacional, Universidade de Tokyo, Ameyoko e uma pontinha de Akihabara.

Vlw Flw té mais! 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 1

Logo mais vai fazer um mês que voltei da viagem pro Japão, passada a adrenalina dos shows que eu fui e a depressão de me encontrar em São Paulo, desempregado e sem namorada... acho que consigo ter uma visão melhor de como foi minha viagem.

Eu comecei a planejar essa viagem ano passado, eu repito essa história pra todo mundo que me pergunta e meus amigos querem me corrigir sempre, mas: um dia indo de Uber pra alguma coisa do trampo junto com dois amigos eu soltei que tava planejando viajar pro Japão, mas assim, estava planejando viajar no mesmo nível de eu estar planejando ter um filho hoje: tinha uma vaga ideia e sem planos pra começar a por em ação qualquer coisa, mas eles botaram lenha e falaram que queriam ir também. A fofoca se espalhou mas ainda num nível brincadeira, até que fui um dia trabalhar presencial e outro amigo falou que queria ir também, aí decidi levar a sério.

Fiz o primeiro de muitos rascunhos de roteiro, gastos e tudo mais, apresentei pra eles e todos aceitaram. Então compramos as passagens neste começo de ano e logo depois reservei os hostels.

Foram meses, meses só compartilhando reels no nosso chat de grupo do Instagram de coisas legais que poderíamos ver. No começo o céu era o limite: Hokkaido, ilha dos gatos, Awajishima, Hiroshima, etc. Aí vi que 20 dias era suicídio querer incluir mais que o clássico Tokyo-Kyoto-Osaka, ainda mais pra primeira viagem deles, e decidi jogar safe.

Nosso roteiro planejado então foi:

 

Se vocês me permitem: um roteiro bem bom, ainda mais pra uma primeira viagem pro Japão (pros meus amigos). Acabamos mudando boa parte por motivos que vou esclarecer depois neste post, mas os principais se mantiveram: os dias em cada cidade e boa parte das day trips (só não fomos pra Nikko).

Mas enfim, do planejamento até a viagem rolou um monte de coisa: fui demitido, fui em vários shows e a viagem acabou tomando um significado maior do que o esperado, eu sinceramente não sei o que faria se não tivesse viajado, sepá teria ido sozinho mesmo e estaria trampando em fábrica neste momento... não, isso de novo não.

A viagem começou comigo saindo de casa e encontrando com o amigo que mora aqui do lado pra gente pegar metrô e trem pro aeroporto de Guarulhos.

Aproveitamos o lounge da Nubank pra comer antes da viagem e lá fomos nós para uma longa viagem de quase 15h para Dubai, nossa escala.

A gente só conseguiu uma escala de 9h e no começo achamos ruim, afinal não tem aeroporto que se preze que ficar 9h seja legal, mas conseguimos pegar um hotel, oferecido de graça pela própria Emirates, pra descansar um pouco nessa escala.

Recepção do Hotel

 Era um hotel da própria Emirates mesmo, voltado justamente pra quem precisava de descanso entre voos. Não era nada luxuoso mas cada um de nós ganhou um quarto e uma refeição no buffet do hotel.

 

Quarto
O quarto era o típico quarto de hotel mais ou menos mas porra, de graça eu tava feliz demais. 

Buffet do Hotel

 O buffet tinha bastante comida local, ou pelo menos dos imigrantes lá, e foi interessante. Gostei da experiência de comer algo diferente ao invés de um café da manhã continental que eu acharia em qualquer canto do mundo.

Cada um então dormiu um pouco e tomou banho, a gente podia ficar acho que umas 4h só, mas foi o bastante pra não morrer.

Então andamos o resto do tempo pelo aeroporto, experimentamos mais comidas locais no caminho, e embarcamos pra Haneda.

Visão da minha janela, Dubai não é muito diferente de Santo André

 Dubai foi só uma escala mas gostei de conhecer um lugar novo, não tenho nenhuma curiosidade de conhecer de verdade a cidade mas pra uma escala que não custou nada (além do preço das passagens) tá bom demais.

Bem, hora de embarcar para Haneda.

Yakisoba de camarão que serviram a bordo (foto do Pedro)

Foi mais um voo e mais horas que pareciam não acabar, o yakisoba que serviram a bordo estava delicioso mas tirando isso, nada de extraordinário.

Chegando no Japão a fila da imigração estava absurdamente gigante e ficamos umas boas duas horas e pouco lá. Passamos sem problemas mas como já estava super tarde, e já sabíamos que estaria super tarde, já tínhamos reservado um transfer pro Hotel.

Eu não tinha vindo por Haneda em 2018/2019, vim por Narita, mas o transfer deu o primeiro gostinho de Tokyo pro pessoal, pegando a mudança de paisagem de Haneda até Ueno, nosso primeiro hostel.

Nosso primeiro hostel da viagem em Ueno, o mais apertado (foto do Nathan) 

 

 Eu me permiti ser caprichoso e escolhi Ueno pra gente ficar no começo da viagem. É um bairro relativamente caro pra ficar (mais que Asakusa e menos e Shibuya) mas fica perto de tudo e tem uma vida noturna bem bacana, pensei em tudo isso antes de escolher. O nosso quarto era bem apertado e peguei a cama do chão porque óbvio que eu ia ficar com a cama do chão.

A gente ficou 4 dias em Ueno.

Dia 25/10 - Chegamos em Ueno!

Chegamos bem tarde (depois da meia noite) no hostel mas decidimos explorar a região.

Fiz o check-in e meus amigos ficaram abismados que eu conseguia falar japonês! 

... eu só falei "Ishida desu (...) ah hai hai (...) ahh burajirujin desu (...) hai ahh watashi no nihongo ha mama desu (...) so desu nee (...) hai" basicamente falei que eu era o Ishida da reserva, que era brasileiro (quando ela perguntou se era br mesmo mesmo me chamando Ishida) e falei que meu japonês era mais ou menos, mas assim, comparado com meu japonês de 6 anos atrás realmente está muito melhor.

Mas enfim, saímos pra dar uma volta e ver o que tinha na região, e lembrando que era já depois da meia noite, e entramos numa ruela aleatória de frente pra uma saída da estação de Ueno (que a essa hora já estava fechada faz tempo).

Restaurante aleatório que achamos, mas muito aesthetic

 Acabamos dando uma boa andada atrás de onde comer mas resolvi levar o pessoal pro clássico lugar onde fazer uma refeição de madrugada em Tokyo: Ichiran.

Lamen do Ichiran umas duas da Matina em Ueno, tem coisa melhor?

 Queria levar eles pra comer no Ichiran porque é o baseline pra lamens no Japão, não é lá muito caro (levando em conta Tokyo) e o sabor é bem ok, pra quem já foi aqui na Liberdade, é bem parecido com o Ikkousha. O grande diferencial do Ichiran é que dá pra pedir e comer sem ter interação com ninguém, as cabines são todas individuais e tudo mais.

Comemos, andamos na passarela enorme na frente da estação de Ueno e voltamos pro hostel, o cansaço tava começando a pegar.

Depois descobrimos que essa na real é só uma de MUITAS entradas da estação de Ueno, do lado que vai pro Parque de Ueno é completamente diferente.

 Dormimos porque no dia seguinte queria mostrar o que pra mim era a Tokyo de verdade

 

Dia 26/10 - Meiji Jingu, Harajuku e um pouquito de Shinjuku

Acordamos cedo e rumamos para a estação de Ueno para que meus amigos adquirissem uma ferramenta essencial para a viagem no Japão: o Suica.

O Suica é o bilhete único do Japão, quero dizer, tem outros ao redor do Japão mas todos valem em todos os sistemas, além do Suica tem o Icoca, o Pasmo e deve ter mais outras variantes regionais menores.

Então pegamos trem pela primeira vez e o primeiro destino foi o Meiji Jingu. 

Descemos numa velha conhecida minha pra chegar lá: Estação Yoyogi.

Catracas da Estação Yoyogi (foto do Nathan)

 

Queria comer café da manhã lá com o pessoal antes de rumar pro Meiji Jingu. Aquela região é uma das minhas favoritas de Tokyo pra falar a verdade, é DO LADO de Shinjuku e perto do Gyoen e do Meiji Jingu/Parque Yoyogi, além de ser uma leve andada pra Shibuya e Harajuku, eu tentei achar um hostel nessa região mas não tem muita hospedagem por lá, e as que tinham eram beeeeem caras (mas fica a dica caso alguém queira uma ideia pra próxima viagem). Ah, era nessa região que eu dormia no net café quando eu ia pra Tokyo ver show em 2019, o net café continua lá! Tá do mesmo jeito então nem tirei foto.

 

 

Entrada do Meiji Jingu
 

O Meiji Jingu é o santuário principal do Japão, levando em conta que santuários (shrine) são xintoístas e templos (temple) são budistas, ele fica colado ao parque Yoyogi. Eu sei que pra uma pessoa normal a ideia de visitar templos e santuários parece tão interessante quanto visitar todas as igrejas em Minas Gerais, mas o Japão é o país do pós-capitalismo: qualquer coisa é uma oportunidade de ganhar dinheiro.

Omamoris a venda no Meiji Jingu

Maioria dos templos e santuários vende os chamados Omamoris, amuletos para todos os fins possíveis, de boa sorte, proteção contra os espíritos mal-intencionados, segurança no trânsito, parto seguro, sorte nas provas, sorte no amor, sorte pra achar emprego, etc. muita coisa mesmo. No Meiji Jingu, sendo o Santuário Nacional, tinha que ter uma seleção de respeito de omamoris, e aqui gastamos uma boa grana.

Outra coisa que tinha na maioria dos templos e santuários era o Goshuin: um carimbo especial com uns escritos feitos a mão por um monge/sacerdote. Pra pegar os goshuins a gente precisava ter o Goshuincho, livrinho específico pra pegar esses carimbos.

Goshuincho que compramos no Meiji Jingu

O Goshuincho abre assim e é maneiraço ver todos os goshuins

 

Enfim, andamos pelo Meiji Jingu, nos perdemos nas saídas e tal mas vimos tudo.

A turma toda antes do hall principal do Meiji Jingu (foto do Nathan, tirada por um gringo aleatório)

 

Depois rumamos pra Harajuku, tem uma saída do Meiji Jingu que dá direto pra lá.

Takeshita Dori

 Infelizmente passamos pela primeira loja de gacha da viagem logo que entramos na Takeshita Dori, você tem ideia do estrago que a primeira loja de gacha faz pra uma pessoa que nunca as viu? Perdemos um bom tempo nessa brincadeira.

Shopping espelhado de Harajuku

 

Andamos bastante por Harajuku, fomos no Shopping com a entrada toda espelhada, vimos lojas com roupas caras e passamos na B-Side Label, minha loja favorita de adesivos. 

MAS TUDO ISSO E AINDA NÃO TÍNHAMOS ALMOÇADO!!!!!!!

Fomos pra Shinjuku porque quando fiz o roteiro achei que estaríamos cheirados pra aguentar zerar Tokyo em dois dias. Almoçamos num sushi de esteira aleatório que achamos, que estava muito bom!

Primeiro Sushi da viagem
 

Andamos mais um pouco, fomos pra aquela parte da escadaria da estação de Shinjuku, entramos no primeiro arcade da viagem (e perdemos as primeiras moedas pra promessa de pelúcia), subimos no primeiro Don Quijote da viagem e o cansaço me atingiu com tudo, e não só eu, todos estavam já morrendo, então voltamos pra Ueno lá pelas 17~18h.

Descansamos, comemos num Udon de rede perto do hostel (que sinceramente, não tava lá grande coisa) e andamos mais um bocado pra conhecer a região mais pra baixo da avenida, e entramos no Don Quijote de Ueno, isso já passava da meia noite e aquele lugar tava cheio... de japoneses! Incrível.

Depois de comprar coisas inúteis no Don Quijote voltamos pro hostel que o dia seguinte prometia.

[continua no próximo post]

Gente, essa série de posts vai ser bem um diário da viagem (de acordo com o que lembro) e vai ser bem detalhado pra guardar mesmo e daqui uns anos eu poder lembrar, então não esperem o primor da prosa porque estou prezando pelo registro histórico mesmo.

Os primeiros dias vão ter mais fotos porque a gente tava com saco ainda, depois as fotos ficam mais escassas. Eu prevejo terminar essa série com uns 4 posts, porque não tenho muito saco pra continuar uma coisa longa aqui no blog (como voc6es podem notar pelas mil tentativas de séries de posts que tentei fazer aqui).

Mas enfim, por hoje é só! Próximo post dessa série vai ter o Prédio da prefeitura de Shinjuku, Shibuya e a vibe que senti lá no Japão dessa vez.

Vlw, flw, té mais! 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

An eulogy for Reze

Eu assisti o filme do Chainsaw Man duas vezes lá no Japão, e isso me motivou a visitar os locais que aparecem no filme (em Jimbocho) e a gastar uma grana não muito razoável em todo merch possível que eu achei da Reze, que infelizmente não inclui a figure linda do Ichiban Kuji que tava num preço nada razoável de mais de mil reais.

AAHHHHHHH VOU DAR SPOILER DO FILME DO CHAINSAW MAN, SE VOCÊ NÃO VIU AINDA E PRETENDE ASSISTIR, CUIDADO!!!!!!!!!! 

Eu amo a Reze desde que li o mangá, tanto que a última capinha que usei do meu celular antigo tinha uma fanart dela (totalmente sem crédito pro artista e obviamente comprada no AliExpress), mas o filme me cativou de uma forma que agora eu tenho três pôsteres da Reze, dois bottons e um photocard da moça só no alcance da minha visão neste momento, a Reze virou uma das minhas personagens favoritas de fato.

Mas o que gosto tanto na Reze?

É algo que gosto em tudo: a possibilidade.

Eu sou um amante do hype. Cara, tudo o que gera expectativa me anima demais, e algo que sempre me fascinou foi o potencial não realizado, o what if.

Atletas que morreram cedo demais. mangás cancelados antes de atingirem o verdadeiro potencial, filmes e games que nunca viram a luz do dia, tudo isso me fascina de verdade. Porque uma coisa é você falar que tal obra que está lá, estática, é a melhor que já existiu, outra coisa é você falar que uma obra que não existe seria a melhor que já existiu. É o futuro do pretérito.

E tudo isso me leva de volta ao filme do Chainsaw Man e à personagem da Reze.

Meu tipo favorito de personagem é o herói trágico, ainda mais em um romance fadado a dar errado.

Grande Gatsby, Romeu e Julieta, Anna Karenina, Morro dos Ventos Uivantes, Saya no Uta, Oyasumi Punpun, Natsu no Zenjitsu, Narcissu (não muito romance mas...)

e agora o filme do Chainsaw Man.

A heroína trágica em especial é uma personagem que me cativa demais, e gosto muito de duas em especial: a Ai de Oshi no Ko e a Reze de Chainsaw Man.

São casos bem diferentes mas de certo modo similares: a Ai morre já no começo da obra e é o que faz a história começar de verdade, a personagem dela é bem incompleta no começo e a partir do relato de terceiros que você começa a entendê-la. Nesse ponto Oshi no Ko é brilhante, infelizmente em todo o resto o mangá é uma merda. Já a Reze é um flash de luz: ela aparece em um arco só e gera um impacto absurdo mais no leitor do que na obra em si, eu entendo a ideia do Fujimoto de não deixar a Reze como uma lembrança eterna mas acho que dava pra ter lidado melhor com a perda dela. E aí chegamos no ponto em comum: nas duas obras você, como leitor, tem que lidar com a morte da personagem, e obviamente tem uma caralhada de exemplos do tipo em mangás, a morte do Rikiishi no Ashita no Joe é talvez o primeiro exemplo mais impactante, mas acho que a Reze no filme em particular foi feita pra isso.

Mas enfim, acho que por sempre estar fascinado com what ifs que acabo remoendo muito no passado, me pergunto o que eu seria se tivesse aceito tal oferta de emprego ou se tivesse dado certo com uma menina que saí uma ou duas vezes e nunca mais nos falamos. 

Eeeeehhhhhhh, ficou meio introspectivo mas é até interessante ver como meu blog às vezes roda ao longo desse tema né, de lembranças e possibilidades, de como o Kinoko Teikoku poderia ter sido a maior banda ou que eu poderia ter ficado no Japão nas duas vezes que fui ou que eu poderia ter largado a Poli... mas apesar disso tudo eu não me arrependo de muita coisa não, por mais que não pareça.

Acho que a Reze representa tudo isso aí, dos amores em potencial às possibilidades de fuga da rotina nunca materializadas, e por isso todo mundo se apaixona por ela quando vê o filme, porque além do romance que rola, o pessoal deixa a imaginação ditar o que poderia ter acontecido.

E é isso, eu gosto muito de muitas personagens e não sou cabaço o suficiente de chamá-las de waifus, porque gosto de cada uma por motivos totalmente diferentes,a Reze é uma delas. As outras são a Ai de Oshi no Ko, Still in Love do Uma Musume (SIM, O JOGO DAS MENINAS CAVALO), Akashi do Tatami Galaxy e a Chiyoko do act-age (acho que já falei dela noutro post). Tem outras também mas são num menor nível.

Mas é, esse post demorou pra ser escrito porque fui no show da Ichiko Aoba aí no meio e a conversa com meu amigo afetou bastante os rumos do post, a Reze no final é as amizades que fazemos no caminho (??).

Se eu continuar este post vou começar a me expor mais que o necessário, então encerramos por aqui hoje.

Amo vocês,

vlw flw, té mais!

 

AAAAHHHHH esqueci da música do post, e não tem como ser outra:


 agora sim:

vlw flw, té mais! 

sábado, 15 de novembro de 2025

FUI PRO JAPÃO DE NOVO

"E aí, como foi a viagem pro Japão?"

Legal, mas...

Foi uma experiência totalmente diferente da primeira vez que fui, acho que amadureci decentemente nesses últimos seis anos e passei a encarar os empecilhos e dificuldades de um jeito muito mais racional e menos infantil, de modo que muito do frio na barriga e incerteza que tive na primeira vez que me aventurei por Tokyo simplesmente não aconteceu de novo por motivos de: eu tinha internet dessa vez; já conhecia boa parte dos bairros e cidades; e estava com três amigos que, por mais que conhecessem menos que eu o Japão, me davam segurança de que pelo menos eu não me ferraria sozinho.

Por mais que eu tenha tentado sair um pouco do usual pros turistas alguns dias, maioria do roteiro era o mais manjado: Shibuya, Shinjuku e arredores em Tokyo, templos e santuários em Kyoto e Universal, Dotonbori e correlatos em Osaka. Nesse ponto, acho que por estar no Outono, é notável o crescimento do turismo no Japão desde a última vez que fui lá, ao ponto que tem lugar que ficou muito pior de visitar (Shibuya, Harajuku, Akiba e Shinjuku em particular e imagino que Kyoto também, apesar de não ter conhecido lá antes). Mas bom ver que bairros mais afastados tipo Setagaya fora de Shimokita e Kichijoji estão com poucos turistas.

Viajar com amigos que conheciam pouco ou conheciam só a parte mais pop da cultura japonesa foi bem diferente de viajar com o pessoal do arubaito por exemplo, fiz o papel de guia pra muitas coisas e levei o pessoal pra comer pratos que provavelmente passariam despercebidos por eles, e que pra gente que cresceu em uma família japonesa era mais do mesmo do que você acha num festival do Japão, mas acho sempre gratificante melhorar o dia das pessoas e apresentar coisas novas pra elas, de modo que acho que mimei muito meus amigos ao fazer boa parte do roteiro de viagem. Viajar num grupo de quatro pessoas com gostos totalmente diversos foi bem DESAFIADOR mas interessante, acho que muita coisa que aconteceu (e que virou história de bar) não rolaria se eu tivesse viajado com mais três nihonjapa, e pro objetivo da viagem era isso mesmo que eu esperava.

Mas estou escrevendo tudo isso porque foi uma boa viagem no final, comprei coisa pra caralho e CONSEGUI IR EM UM SHOWWWWWWWWWW!!!!!!

Por uma sorte absurda, bem nos dias que a gente planejou de estar em Tokyo, marcaram um festival em Shinjuku com artistas que amo:

SHIN-ONSAI 2025 Official on X 

O festival era bem interessante: cada palco era na verdade um casa de shows em Shinjuku, de modo que pra você ir de um palco pra outro era preciso andar pelo bairro. Aí quem tivesse a pulseira do festival tinha acesso a uns descontos legais nos restaurantes perto também. 

Eu vi quatro shows aí: Yeye, Lovely Summer Chan, Ohzora Kimishima e Odottebakarinokuni. 

Yeye é a cantora dessa música que é um clássico cult dos descobridores de música japonesa no Youtube:

 

O show dela foi num jazz club mais afastado dos outros, em Shinjuku Sanchome. Show acústico bem intimista com cadeiras e tal, muito bom.

Depois fui ver a Lovely Summe Chan:

 

Foi um show bem informal dela com um baterista, o azar era que batia com o Ohzora Kimishima e eu queria muito ver ele, então fiquei meia hora no show dela e rumei pro Shinjuku Face pra ver o cara que considero um dos melhores musicistas do Japão:

 

Foi um set acústico mas puta que pariu, isso só amplificou como o Ohzora Kimishima é foda tecnicamente. A casa de shows Shinjuku Face é feita de um jeito que parece que você tá vendo o show num Sesc:

Imagem 

Foi talvez a melhor performance ao vivo que vi na vida, sem qualquer exagero. O homem realmente é um gênio.

Depois foi vez de rumar pro Shinjuku Loft, única casa que eu já conhecia da vez passada, pra ver Odottebakarinokuni:


Foi o show mais emotivo dos que vi no dia, com total destaque pra Ghost (música do vídeo), onde pela primeira vez na vida vi japoneses gritando um refrão (GHOOOOOSTTT)... e fazendo um mini mosh.

Cara, eu CHOREI no Ghost. Essa música é tão épica numa proporção palpável, dá uma sensação tão quente de esperança que toda insegurança que eu tinha até aquele momento me atingiu no mesmo momento e só me restou o sentimento que não importa o que aconteceu até agora, tudo vai ficar bem no final. 

Depois disso saí pra comer yakiniku com uns amigos lá por Shinjuku.

O festival realmente foi uma mão na roda porque foi 4000 ienes e se fosse pra ver cada um desses artistas em shows solos deles o valor que eu desembolsaria seria 4000 POR SHOW e seriam quatro dias perdidos pra ver os quatro também, então fiquei mais que feliz e cancelei o plano que eu tinha pra ver uma banda menor no dia seguinte, ver Ohzora Kimishima e Odottebakari em seguida já foi demais pra minha alma.

Mas enfim, gostei muito da viagem e fiquei feliz em conhecer Kawaguchiko, Osaka e Kyoto e também Jimbocho e Kichijoji, esse último em particular quero explorar mais da próxima vez, me deu muito a vibe da Shimokitazawa que só li em livros, antes do turismo chegar, além de ter um parque maneiro do lado.

Assisti duas vezes o filme do Chainsaw Man, uma vez legendado em inglês (sim, passam uns filmes legendados em inglês lá, maioria dos populares de anime) e outra em ScreenX, e gastei uma grana em merch, mas não consegui a alusiva figure da Reze... mas conheci as localizações do filme! Ponto alto da viagem com certeza. 

Eu voltei do Japão sem muito sentimento de "devia ter feito tal coisa mas não deu" porque sei que eventualmente vou voltar lá, se vai ser sozinho pra um mochilão (meu plano) ou com família, amigos ou sei lá? Não sei, mas sei que vou voltar, assim como sabia que ia voltar quando voltei em Março de 2019 do arubaito. Os shows em particular são exemplos de coisas que aproveito sempre pra ver quando vou lá porque sei que não é sempre que rola e bandas são suscetíveis a terminar a qualquer momento, outra coisa que é bom aproveitar enquanto existe da forma que existe: Shibuya, aquele bairro tá sendo mutilado pelas passarelas.

Hmmmm, acho que é isso. Farei mais posts sobre a viagem, já que preciso justificar a grana descomunal que gastei nela, mas vai ser algo bem mais contido que os posts da época do arubaito.

Vou dormir porque o jetlag está me matando.

vlw flw té mais! 

domingo, 12 de outubro de 2025

Se você tem dentes retos teu trisavô açoitou meu trisavô 200 anos atrás

Eu amo o Twitter, amo o suficiente pra nunca cogitar chamá-lo de X e gosto de ver como as discussões inúteis parecem não ter fronteiras naquela plataforma. Essa semana eu vi esse tweet e fiquei bem contemplativo sobre: 

O Tradutor cagou aí, era pra ser Hitsuji Bungaku ao invés de Hitsuji Kagaku.

Acho que o mais legal aqui é ler os retweets e comentários subsequentes e ver que "ter os dentes retos" é uma expressão no Japão para pessoas privilegiadas em geral, e nesse caso mais específico é sobre o tipo específico de artista que estudou arte na faculdade. Dá pra fazer um paralelo com a classificação que o Ian F. Martin fez no livro Quit Your Band: Notes from the Japanese Underground, onde ele classifica o underground de Tokyo em duas categorias: bandas de Setagaya e bandas da linha Chuo. Bandas de Setagaya (de Shimokitazawa na maioria) em geral são os tais artistas de dentes retos: estudantes de arte, bem conectados e de classe média alta num geral, já as bandas da linha Chuo (que podemos falar que são de Koenji na maioria) são os artistas de uma classe trabalhadora e menos "descolados", não sabendo usar as redes sociais para se promover como as bandas de Setagaya.

Até bandas que não são necessariamente de Tokyo podem ser divididas nessas categorias, porque esse som mais artístico e experimental mas com um grau perceptível de educação e naiveté é algo que permeia o cenário japonês inteiro. E, como todo discurso de Twitter, obviamente temos essa pauta no Brasil também:

Usernames censurados pra evitar dores de cabeça, não censurei o print de cima por preguiça e por duvidar que japoneses tenham o trabalho de chegar no meu blog.

 

O artista branco privilegiado é nosso artista de dentes retos no Brasil.

Quero dizer, essa dualidade sempre esteve presente: só lembrar da batalha do Britpop entre Oasis (classe operária) e Blur (classe média educada em escolas de arte), bem que nesse caso em especial tem o Pulp, que é de classe operária E educada em escolas de arte.

Eu particularmente não vou ficar sinalizando virtude aqui e dizer pra vocês que só vou ouvir música da classe operária, até porque entre classe operária e classe média alta, minha criação foi muito mais do segundo caso, mas isso tudo me fez lembrar de uma fala no Blue Period:

 

E essa é a maior crítica a artistas privilegiados: eles nunca sofreram de verdade ou passaram por dificuldades que a pessoa média já passou. Mas sinceramente, o artista precisa sofrer pra fazer algo bom? Eu acho que não.

Eu me identifico com muitas letras da Kaneko Ayano porque são experiências universais intrínsecas do ser humano urbano de hoje: seja passar por desilusões amorosas ou querer mandar tudo pro caralho, e ela faz isso de uma forma que é muito genuíno. Acho que tem muito de mono no aware nessa valorização do cotidiano que a Kaneko Ayano faz que só é possível porque ela teve uma criação privilegiada.

Quero dizer, o próprio conceito de Mono no Aware só surgiu porque os monges budistas da época eram de uma classe privilegiada e tinham tempo de pensar nessas coisas. Mas pera, acho que estou me perdendo no argumento.

Eu entendo quem não goste de uma forma de arte que claramente não tem nenhuma conexão com sua realidade, mas acho legal de um ponto de vista que aquilo também é um registro de um certo modo de vida, e o estilo de vida dos hipsters japoneses de Setagaya em particular é o que mais anseio desde minha adolescência, então sou meio suspeito de falar qualquer coisa. 

Mas no final nada é preto no branco só. A própria Kaneko Ayano vem de um background privilegiado mas não é a típica musica de uma art school kid tipo Luby Sparks ou sei lá Laura Day Romance. O que eu vejo muito de artistas formados em arte é abraçarem as tendências de som ocidental mas cantando em japonês, tipo a Ako, Lovely Summer Chan, ou o DYGL (que canta em inglês aliás). Mas você me pergunta bandas que não vieram de escolas de arte ou background privilegiados? Mass of the Fermenting Dregs, Asagaya Romantics, Stereogirl e Yuragi são bandas que não têm o som de estudantes de escola de arte, apesar de uns membros dessas bandas terem frequentado escolas de arte.

E a minha conclusão? Não sei. 

Eu sinceramente consumo todo tipo de música, com óbvio ênfase em música de artistas de Setagaya porque sou eu né, mas acho que se limitar a ouvir só música que condiz com sua realidade é tão limitante. Talvez se eu tivesse nascido em outras circunstâncias, em outro lugar e em outra época, também ficaria com raiva de cantoras com dentes retos, ou musicistas treinados desde criança em conservatórios, mas eu, Yoiti, estou bem suave pra esses e quaisquer outros artistas.

Mas enfim, eu fiz esse post porque achei curioso ligarem o fato de uma pessoa ter dentes retos com o fato dela ser privilegiada no Japão. Meus dentes são decentemente retos e nunca usei aparelho hmmmm...

Vou botar um exemplo de artista privilegiado (Kaneko Ayano que começou essa polêmica toda) e uma banda que acho que não é privilegiada no Japão:


 

 


Enfim, o assunto é polêmico e é totalmente opinião de cada um, mas onde estamos senão num blog que escrevo minha opinião sobre coisas irrelevantes faz quase 15 anos?

E é isso, acho interessante ver o twitter do lado japonês porque as discussões inúteis do lado de lá são muito parecidas com as nossas às vezes e no fim somos todos iguais.

vlw flw té mais!