domingo, 20 de outubro de 2019

Animes, Cinema e opiniões desnecessárias


O post é longo e provavelmente eu bostejei pra caralho, leia por sua própria conta e risco.



Eu escrevi um post ENORME sobre porque comecei a ver filme cult mas achei que tava falando tanta bosta que o próprio Scorsese ia vir com o Coppola me quebrar na porrada se eu publicasse, vou falar de anime porque sei que otaku não consegue me abaixar na porrada (não no 1x1 pelo menos).


Aqui estão os mangás completos que dei nota >= 9,5:


Aqui estão os animes que dei nota >=9 (porque o MAL não tem decimais):


Você vê algo de comum entre essas duas listas? (tirando o evidente bom gosto)

Não tem uma obra que esteja nas duas listas.

Não tem um anime que eu tenha assistido, que seja adaptação de mangá, que eu tenha gostado de verdade a ponto de ser um dos meus favoritos. Antes que venha um desavisado: NHK ni Youkoso veio de uma Light Novel e não considero os doujins do Yoshitoshi Abe como um material base pro anime inteiro do Haibane Renmei, é mais uma uma ideia inicial mesmo. O curioso é que dos 16 animes na lista, 8 são adaptações de livro ou LN.

Acho que o que muito estúdio caga totalmente é tentar adaptar quadro a quadro um mangá, não levando em conta que a fluidez de uma coisa animada e uma coisa impressa são diferentes, Bokurano por exemplo é extremamente fiel ao material base mas é o único anime que (tentei) assistir que me fez dormir no meio de um episódio, sendo que amo de coração o mangá.

Acho um desperdício tremendo a maneira como são feitas a maioria das adaptações pra anime, a animação pode ser um ótimo meio pra expandir sobre a ideia que o mangá apresenta, eu pessoalmente gosto das adaptações de Initial D e de alguns mangás de esporte porque acho o mangá um meio ineficiente pra transmitir a ideia de movimento, mesmo com o CGI datado da década de 90, ver o AE86 dando drift por Gunma com eurobeat tocando ao fundo era mais divertido que ler as páginas do mangá, a mesma coisa se aplica pros bloqueios impossíveis no Haikyuu! e as jogadas mais SWAG possíveis de Kuroko. Mas é, são boas adaptações pelas circunstâncias, mas não são animes que conseguem expandir muito sobre o material base.

Devilman Crybaby é uma exceção da exceção porque foi feito pelo Yuasa e é muito mais uma obra do Yuasa que calha de ser uma adaptação de Devilman do que uma adaptação de Devilman feita pelo Yuasa, vocês conseguem ver a linha tênue entre as duas coisas? O anime segue o plot original e tudo mais mas aquele estilo grotesco característico do Go Nagai e dos mangás da década de 70 foi substituído pelo estilo arthouse do Yuasa, isso é ruim? Eu sinceramente achei o anime muito bom, e sou total apoiador de uma reimaginação como essa do que uma adaptação quadro a quadro, mas a essência da obra original não está aqui. Em outras palavras: é uma ótima obra mas não faz um bom papel em ser uma boa adaptação do Devilman.

Eu sei que pode parecer estúpido eu falar que uma adaptação não pode ser muito leal ao material original ao mesmo tempo que critico o Yuasa por respeitar o roteiro original e "só" botar o estilo dele na animação, mas acho que nesse caso em especial, tendo visto já algumas das obras passadas dele, acabou dando um gosto de déjà vu. O Yuasa tem um estilo muito particular de surrealismo que funciona muito bem em obras... surrealistas, Tatami Galaxy e Night is Short funcionam bem com ele por serem obras que se sustentam pelo estilo mais que pelo roteiro, e acho que Devilman depende muito do roteiro pra causar o impacto que precisa, e a explosão de surrealismo do Yuasa ao mesmo tempo que causa o choque que é essencial pro desenvolvimento da história, também te faz pensar sobre como seria uma animação mais tradicional de Devilman, com cenas gore mais realistas que poderiam ajudar bastante na construção da obra.

Mas tem uns animes que acho que fizeram boas adaptações de mangás conhecidos.
  • Trigun é um anime bem bacana que acabou sim cortando vários elementos do plot do mangá (como a Tessla, que é a origem de metade do meu nickname) mas também fez com que as lutas fossem minimamente inteligíveis, o traço do mangá é um desserviço. A soundtrack do Tsuneo Imahori também é muito boa, talvez uma das melhores OSTs já feitas;
  • Sayonara Zetsubou Sensei reuniu um elenco brilhante, com as melhores dubladoras da época, e com a animação da Shaft (que é o único estúdio possível pra essa adaptação) fez um belo anime, até com foreshadowings do final do mangá nas aberturas e encerramentos. O meu único pesar com o anime é que ele não adaptou o mangá até o final, que é a cereja do bolo pra putaria que é a história desde o começo;
  • Death Note teve uma ótima adaptação, que foi quase quadro-a-quadro mas também botou umas cenas-chave que definiram o anime como a cena que o L lava os pés do Light (simbolismo cristão, quem nunca) e a cena final, que ficou bem mais poética que no mangá.
Se eu tivesse saco pra assistir, estariam na lista acima os animes de shounen clássico como FMA Brotherhood, Shingeki (que falam que melhorou o mangá, não posso atestar isso) e os filmes do Ashita no Joe que eu tenho uma preguiça absurda de assistir, não quero gastar meu tempo vendo um anime com a história que já conheço, sendo que ele nem oferece muita coisa a mais pra justificar o tempo gasto. Devilman Crybaby foi uma experiência totalmente nova, mesmo tendo lido o mangá anteriormente, comecei a ver Brotherhood mas eu não senti que ia adicionar muita coisa na minha experiência com a obra, mesmo começando com uma coisa que não tem no mangá.

Minha maior crítica quanto à indústria dos animes é como os caras demoram pra entender que dá pra fazer coisa boa, eu parei de acompanhar totalmente os animes lançados semanalmente mas o único estúdio que sou minimamente animado pra ver novas releases é o Ufotable, e isso desde que comecei a acompanhar Kara no Kyoukai faz uns 6 anos atrás. A KyoAni por incrível que pareça tá fazendo coisa que era inimaginável que fariam quando eu acompanhava mais eles lá pelos idos de 2008, da Sunrise como sempre eu só acompanho Gundam então não sei opinar muito bem, e é aí que acaba meu conhecimento em estúdios de anime.

Sinceramente, a maior tragédia da indústria foi a morte do Satoshi Kon, os filmes dele conseguiam ter todas as qualidades de filmes dos mais renomados diretores ocidentais e ainda usava muito da vantagem que a animação dava em construir mundos fantasiosos, era a maior chance dos filmes de anime serem levados a sério fora do Japão, eu não acho que o Shinkai vai fazer o que é necessário pra que ocorra uma verdadeira mudança na percepção dos animes, Kimi no Na Wa é overrated, e se a Ghibli não conseguiu promover a mudança que tinha que ser feita no final da década de 90/começo dos 2000, não é agora que alguma coisa vai mudar.

Eu particularmente não defendo que todos os animes sejam arthouse, longe de mim, mas é um meio que pode sim atingir uma maior maturidade se visto não apenas do ponto de vista comercial. Eu sei que é bem diferente pegar uma câmera pra filmar um projeto avantgarde e ter um estúdio à sua disposição pra fazer uma animação experimental, mas só de usar o meio a seu favor, ao invés de só transmitir uma história já contribui pra maturação do segmento.

E o que vai acontecer com os animes? Eles estão melhorando faz um bom tempo já, quem diz o contrário não viveu o que foram os animes mid-2000 com o começo do moe e a shitfest que era a qualidade dos sazonais da época, e nem estou falando só de animação, tá tendo um boom de animes que são remakes de antigos ou que buscam material base em clássicos: remake do LOGH, anime do 7Seeds (QUE É UMA MERDA), Megalobox (que é inspirado no Ashita no Joe), o próprio Devilman Crybaby, Dororo (que vem do clássico do Tezuka) e aposto que não vai tardar da Netflix querer financiar outra adaptação de clássico, só espero do fundo do meu coração que não façam o que fizeram com 7seeds.

Enfim, acho que me estendi demais e perdi totalmente o ponto deste post, em suma eu queria mais falar como a indústria dos animes podia se beneficiar das ferramentas do cinema tradicional pra amadurecer, o que está acontecendo a curtos passos, e como eu odeio o tipo de gente que acha que uma coisa do meio audiovisual tem que se sustentar só pela história.

Eu escrevi este post depois de ter assistido o "Chungking Express" do Wong Kar Wai e ter pensado comigo mesmo o que custava ter um anime simplezinho de comédia romãntica bobinha mas bem dirigida, onde o foco não esteja tanto no relacionamento interpessoal mas sim na forma como ele é mostrado.

Aaaaaaaaaaahhhhhhh... esse deve ter sido um dos posts mais longos que já escrevi.
vlw flw té mais.
Assistam Chungking Express, me deu vontade de viajar pra Hong Kong.

EDIT: caguei toda a formatação, colei as imagens direto do lightshot e fodeu todo o esquema... mas dá pra ler.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Sensibilidade

Depois de muito ouvir Kinoko Teikoku, ficar lendo os tweets da Chiaki Sato desde que ela criou a conta dela e mudar minha opinião quanto à banda na ordem amor-ódio-aceitação (um dia ainda tenho que compilar todos os posts que fiz sobre eles desde que os conheci), acho que consigo concluir que a qualidade que mais valorizo numa pessoa é a sensibilidade.

Pode ser meio jogado essa relação mas é algo que percebi mesmo só depois de ter ido no show da Chiaki Sato e ter mudado minha opinião quanto ela e a banda, naquele show eu vi não só o verdadeiro valor da Chiaki Sato (e das letras que ela escreveu) mas também do ser humano, eu sei que parece ridículo mas me acompanhe nessa viagem.

Quando digo que valorizo a sensibilidade de uma pessoa, não digo no sentido dela se ofender facilmente, obviamente, mas é uma qualidade que engloba tanto a noção do que acontece ao seu arredor quanto a sensatez em fazer escolhas, assim como pode parecer simplesmente gentileza num nível mais superficial.

Pode parecer estranho isso sair da minha boca, já que nove entre dez pessoas que me conhecem falam que sou bruto (que seria o oposto de sensível), mas venho tentando mudar, não sendo tão estúpido mas também não deixando de ser honesto, que é uma das únicas coisas boas que a minha estupidez trazia à mesa.

Mas voltando à relação do Kinoko Teikoku com a sensibilidade: acho que mais que chamar a Chiaki Sato de um ser extremamente sensível, o que ela aparenta ser, as letras tratam bastante de arrependimento e de machucar e ser machucado por outros (num nível emocional), o que na moral é bem clichê pra bandas indie mas essa banda me afeta de uma maneira indescritível.

E é uma coisa que mudou mesmo o meu pensamento, até um tempo atrás eu achava QUE ARREPENDIMENTO ERA PARA OS FRACOS, MORRA COMO RAOH E MORRA SEM ARREPENDIMENTOS NAS SUA EXISTÊNCIA, PORRAAAA!!!!! mas é óbvio que qualquer ser humano normal, que não tenha 2m de altura, 120% de massa muscular e não seja vilão de mangá shounen dos anos 80, se arrependa na vida. O Kinoko Teikoku me fez perceber meus arrependimentos, e também não ignorá-los, mas também não ficar se arrastando por causa deles.

Acho que muito da imagem do macho-alfa-homem-pra-caralho que acaba fodendo com a galera é justamente essa coisa de não olhar pra trás e RAWR SOU HOMEM MESMO AUUUU, é justamente a falta de sensibilidade.

Eu não estou dizendo pra vocês simplesmente saírem doando dinheiro a torto e à direita sem motivação, ou chorar pra qualquer propaganda de ONG que virem na TV, mas se botar no lugar do outro e não ser cuzão já tá ótimo. Dá pra ser sensível e mandar um cara tomar no cu.

A falta de empatia já é algo inerente de gente de cidade grande e ao que me diz respeito a Chiaki Sato pode muito bem ser uma pessoa que vota no LDP e que fala que Shoplifters é um filme de ficção já que não tem pobre no Japão, mas espero que não porque eu amo ela.

Mas é... isso pode parecer meio hipócrita vindo de mim mas vida que segue, acho que deve ser muito bom ser um bruto sem emoções e arrependimentos e não conseguir ser machucado por ninguém, mas as pessoas que conheci que eram verdadeiramente sensíveis eram admiráveis, talvez não seja o ideal para virar um CEO bilionário em Manhattan mas talvez seja melhor pro mundo que seja assim.

E como disse o pai do Nick nas primeiras linhas d'O Grande Gatsby "Sempre que tiver vontade de criticar alguém, lembre-se que ninguém teve as oportunidades que você teve."

Ouça Kinoko Teikoku.
Leia O Grande Gatsby.
Não seja cuzão.
Boa noite.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

eu quero morar na praia

Nossa, eu quero morar na praia.

Desde quando eu era criança, sempre tive um fascínio pelo mar. Seja pelos peixes, pelos barcos, pelo barulho das ondas, a sensação de andar descalço sobre a areia, o cheiro de maresia, tudo na praia é legal, inclusive o mar, obviamente.

Eu quero muito, muito morar na praia.

Seria mentira eu falar que não levei em conta meu amor por praias quando escolhi Engenharia Naval do catálogo de opções da Fuvest, acho que não grita tanto PUTA QUE PARIU COMO AMO PRAIA quanto Oceanografia, mas dá pro gasto, já foram duas visitas técnicas pro litoral por causa do curso.

Eu já te disse como quero morar na praia?

E com o passar do curso, ficou cada vez mais claro que eu tava bem mais próximo de um emprego na Faria Lima do que no Arpoador, nada que me abalasse, afinal não era como se eu tivesse feito a escolha da minha vida só porque quero botar meu pézinho na água do mar todo dia.

Um sobradinho a 200m da faixa de areia já tava bom demais.

Não é como se eu não gostasse de São Paulo, não, eu amo essa cidade! Até me perder em Shinjuku no começo deste ano eu jurava pra qualquer pessoa que São Paulo era a melhor cidade do mundo, uma verdadeira capital global, a megalópole tropical.

Tava até aceitando levar umas bala perdida lá no Rio, a praia é bonita lá, não?

O que eu acho interessante é que a gente costuma ter uma visão bem otimista e idealizada do mar, remanescente da Bossa Nova, mas tem vários exemplos na música inglesa e japonesa de visões mais cruéis e niilistas do mar. Acho que por serem países cercados pelo oceano, a relação deles com o mar talvez não seja como a nossa.

Imagina a sorte de morar perto de uma praia? Puta que pariu.

A verdade é que esse sonho de morar na praia virou meio que um detalhe do detalhe, se me dessem opção de duas cidades, com mesmo custo de vida, qualidade, serviços e etc. e uma fosse no litoral e outra não, eu iria pra cidade costeira.

Eu sinceramente não sei se trocaria qualquer outra cidade no Brasil por São Paulo, acima de qualquer romantismo, viver aqui é muito prático, qualquer coisa que você queria tem aqui. Fui muito mal acostumado por Sampa City.

Ter minha casinha na praia vai ser mais um daqueles sonhos que sei que dificilmente serão realizados, junto com a vontade de ter um Honda NSX de primeira geração (que é o carro mais sexy já feito pela humanidade junto com o Porsche 911 original) e o sonho de aprender a tocar saxofone. Mas não é por dificuldade ou qualquer coisa, esses sonhos são mais aquelas coisas do momento que eu dificilmente terei a vontade necessária pra materializar.

Meus sonhos impossíveis que eu realmente quero botar um trabalho a mais pra realizar, tipo criar a minha magnum opus, ter uma live house ou gravadora, abrir um café hipster e morar em Tokyo, já são coisas que pretendo me dedicar mais pra realizar, mas estão tão perto de serem realizados que os do parágrafo anterior, a passos curtos espero chegar lá.

Este post foi escrito depois de oito horas ininterruptas de estudo de uma matéria que estou fazendo pela BDFIDABWIUFOHE vez, com uma playlist de Bossa Nova no fundo.


...ainda quero morar na praia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

ah, Poli.

Chega de posts sobre o Japão e sobre música japonesa (por enquanto), vamos falar da Poli.

Eu sinceramente já odiei mais a Poli, e com certeza já a amei mais também, já odiei mais os politécnicos e também já me esforcei mais pra defendê-los, a relação que tenho hoje com a Escola Politécnica da USP é puramente contratual: eu vou buscar meu diploma nos próximos anos, preenchendo todos os devidos requisitos, e a Poli em troca vai me dar o papel timbrado que eles prometeram, e é isso.

Com cinco anos de Poli nas costas, e mais uns dois pra cumprir, é difícil você estar minimamente animado, seja pra fazer o curso ou pra estar puto, hoje o que resta é a noção de que você odeia maioria das coisas que estuda e a total descrença na humanidade, não necessariamente nessa ordem.

E em muitos aspectos, estudar na Poli pode ser comparado à morte, vamos fazer uma comparação dos estágios de aceitação da morte com a mentalidade de uma pessoa se fodendo na Poli:
  1. Negação: Não não não... não! Eu estou me fodendo na Poli porque o ensino é ruim, os professores são muito cruéis! Eu era o melhor aluno na minha escola!
  2. Raiva: Ah vai se foder! Odeio essa merda de faculdade, vou largar esse caralho!
  3. Barganha: Mas pensando bem... se eu começar a estudar de verdade, fazer as listas que os professores passam e... flexibilizar as minhas morais um pouco mais colar, talvez eu passe em algelin 2... 
  4. Depressão: Ah cara, eu sou muito burro mesmo, não quero nem ir pra aula mais...
  5. Aceitação: Quer saber? Se é pra me foder, que eu saia dessa merda com um diploma, vou tomar no cu de qualquer jeito.
Às vezes seu politécnico médio passa por todos os estados em um dia, ou o mais usual: durante uma prova.

Se não há mais amor nem ódio pela Poli, resta agora a ironia e o humor pra nos manter minimamente motivados pra terminar o curso.

Vamo que vamo, pessoal.

Valeu, falou, té mais.