segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Frio > Calor

Tá um calor do caralho e este post vai ser roots.

Já faz um tempo que todos meus posts são coisas gigantescas que demoro mais ou menos uma semana pra escrever, se você ver uns posts da época do ensino médio ou até uns da época que entrei na Poli, os posts eram meio que tweets superdesenvolvidos, coisa pra descontrair mesmo.

Este post é isso também, meio que uma conversa de elevador.

Tá calor pra caralho, não? Puta que pariu. Eu até tentei me vestir decentemente desde que voltei do Nippon, mas o estilo que prevaleceu é a berma florida e uma camisa de futebol, e obviamente minha havaianas amarela, que comprei inspirado no "Paranoid Parade" do Kinoko Teikoku.

E vocês preferem calor ou frio? Eu prefiro o frio pessoalmente, já que dá pra ficar mais confortável em casa, além de que pro frio você pode botar roupa pra caralho por cima que resolve, no calor não dá pra tirar sua epiderme pra refrescar... ainda. E beber bebida quente no frio é bem mais aconchegante que beber bebida fria no calor E NADA PODE MUDAR MINHA OPINIÃO QUANTO A ISSO.

E não é como se eu odiasse o calor, afinal eu amo praias, mas o frio é mais comfy :3. O calor me faz lembrar o filme Whisper of the Heart: choro de cigarra, músicas felizes e felicidade em geral, o frio faz me lembrar de Yuru Camp: COMFYYYYY :333 e músicas da Ichiko Aoba, mas já não é por causa de Yuru Camp. Whisper of the Heart é objetivamente melhor que Yuru Camp mas pro introvertido aqui Yuru Camp é #sonho. 

Enfim, essa conversa me fez lembrar do tipo de pessoa que mais odeio (depois daquelas que nem podem ser consideradas pessoas): as pessoas que, quando perguntadas se preferem calor ou frio, falam que preferem "ameno". Vai tomar no cu.

O filho da puta tem duas opções: A ou B, e escolhe (A + B) / 2, isso me deixa puto. Não é nem sobre querer fazer média, já que a discussão Frio x Calor não é a coisa mais séria, mas é o tipo de pessoa que merece um tapa, porra, todo mundo prefere ameno, por isso que não tem essa opção.

Mal espero que o frio volte pra tomar meu chá quentinho sem soar feito um filho da puta.

vlw flw té mais
que calor do caralho

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Yokohama

Acho que vai ser o último post sobre os lugares específicos que fui no Nippon. Este post é uma desculpa pra eu upar as fotos que tirei de Yokohama em algum lugar.

Eu fui pra Yokohama no dia 8 de Março, meu penúltimo dia de folga antes de voltar pra Yamanashi pra então voltar pra Terra Brasilis.

Meu dia começou saindo de Tsukuba, vocês que já leram o post de Setagaya já devem saber, e depois de umas boas baldeações e de uma viagem de mais de uma hora de trem eu cheguei na Estação de Yokohama. Liguei pros meus amigos que estavam no Japão de intercâmbio e eles falaram que tavam com preguiça de sair de Saitama de manhã pra ir pra Yokohama, ótimo, eu tava sozinho nessa.

Depois de pegar o guia turístico na cabine de informações na Estação de Yokohama (que era bem grande até), eu acabei pegando a linha Minatomirai pra estação Minatomirai, pelo que vi no mapinha essa região era uma parte turística legal e tal. Eu aproveitei pra pegar uns onigiris e um chá na konbini da estação pra comer de café da manhã.

Chegando lá eu fui no Museu de Arte de Yokohama, que sinceramente foi bem decepcionante. Depois subi na Landmark Tower e tive a visão mais bonita da minha viagem inteira pro Nippon.




Tem uma caralhada de fotos que tirei do alto da Landmark Tower mas essas são as duas visões que achei mais legais, a que só dá pra ver a cidade mesmo achei muito parecida com Tokyo. A primeira imagem em particular mostra Minato Mirai, onde passei grande parte do dia.

Lá de cima acabei vendo o que parecia um navio atracado numa doca seca, fiquei animadíssimo e desci pra ver o que era.

EU VEJO UM NAVIO, EU VOU ATRÁS

Mas antes de ser guiado pela minha curiosidade, eu tava com uma fome do caralho. Como eu tava afim de gastar (já que era um dos meus últimos dias no Japão), eu decidi comer na Landmark Tower mesmo e fui num all-you-can-eat lá no shopping na base da torre.

Nem fodendo que eu ia pagar 1480JPY sendo que dava pra pagar 980.

Era 980JPY pra comer por 45 minutos ou 1480JPY pra comer por duas horas, como eu disse em posts passados: eu como rápido, e tava afim de dar prejuízo pro restaurante.

Foram cinco pratos de comida, alguns copos de Melon Soda e três copos de sorvete de melão... em menos de 40 minutos. Cara, o buffet era muito bom, MUITO BOM, ainda mais pelo preço. Tinha tudo o que queria e como eu não tava na vibe por sushi então a seleção de pratos quentes já tava boa demais, tinha até fonte de chocolate e marshmallows, na moral, recomendo demais pra qualquer pessoa que vá pra Yokohama que passe lá, o restaurante se chama Keke Yokohama, dá um google que você pode ver como é. Mesmo pagando o valor cheio de 1500JPY por duas horas de comida livre é uma puta pechincha, ainda mais pela localização.

Tirada a barriga da miséria eu fui atrás do navio que vi lá de cima, e acabei descobrindo que era um antigo navio-escola (como o nosso Cisne Branco) chamado Nippon Maru, e que no lado dela tinha o Museu Portuário de Yokohama.

Nippon Maru em toda sua glória, sendo restaurado.

Me perdoem pelas fotos verticais. Lá no Museu Portuário tinha uma breve história da navegação no Japão, dos povos indígenas aos modernos porta-contêiner, e como a navegação mudou a história do Japão, das embarcações militares aos navios que levaram os imigrantes pras Américas, além de curiosidades que somente um estudante de engenharia naval acharia interessante. Achei bem bacana esse museu, tinha até um simulador de manobra pra navios, coisa que eu já devo ter visto umas quatro vezes, mas que não deixa de ser interessante.

Saindo do Museu Portuário eu fui pra ilhazinha que é Minato Mirai mesmo, andei pra um caralho e fui no Museu do Cup Noodles pra fazer meu Cup Noodles customizado e pra comer um ramen "exótico" na praça de alimentação do museu, o que não foi uma boa ideia já que eu ainda tava cheio do almoço. O Museu do Cup Noodles é uma coisa bem gimmick, não é nada extraordinário mas é legal de visitar sendo turista.

Depois eu passei na Red Brick Warehouse, que era a alfândega portuária até a Segunda Guerra Mundial, mas hoje é um shopping center pequeno, meio sem graça até. Eu não tirei foto mas eu andei por lá imaginando que meus avós devem ter passado por lá cerca de 80 anos atrás, que loucura, cara.

No mais, ainda em Minato Mirai, passei nuns outros shoppings mas tava zero afim de gastar MUITA grana e dei uma entrada no parque de diversões com a famosa roda gigante. Tava tocando Marigold da Aimyon quando eu passei pelos arcades lá, essa é realmente a música da minha viagem.

Yokohama Cosmo Clock
Enfim, eu acabei pegando o trem pra Chinatown e dei uma andada por lá, e como todos os que já foram pra lá falaram: é igual a Liberdade. Quero dizer, não é tão suja quanto ela mas o cheiro característico de restaurantes chineses está lá, assim como as lojas com mercadorias de origem suspeita. Eu acabei comprando um boné com a estrela vermelha, uma camiseta com um Panda vestido de Mao e um baralho temático da história da Revolução Chinesa, nice.

Portal da Chinatown
Eu até pensei em pegar algo pra comer lá mas era aniversário da minha prima e eu precisava voltar pra Tsukuba antes da janta, então só dei um giro pelas lojas e por uns arcades e vazei, numa longa viagem de umas 2h pra Tsukuba.

Eu curti demais Yokohama, eu fui meio que pela obrigação, já que meus pais moravam por lá quando estavam no Japão antes de eu nascer, mas foi um dia super legal e só não foi mais legal que Setagaya porque eu pago um pau absurdo pra aquele bairro, puta que pariu.

Foto bônus: da ponte que vai pra Minato Mirai.
Enfim, Yokohama é um lugar que quero voltar para explorar um dia, eu fui lá com um propósito bem diferente de quando fui pra Setagaya, fui pra turistar mesmo, e curti bastante, ainda mais porque é sempre bom ver o mar.

Dá pra fazer posts sobre Shinjuku, Harajuku, Akihabara e afins ainda mas vou deixar pra depois.

vlw flw té mais!

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Shibuya

Às vezes eu sonho que estou no Japão.

Eu já falei praticamente tudo o que poderia ser dito sobre a viagem, mas uma coisa que nunca serei capaz de descrever é o que senti.

Shibuya à noite e na chuva é uma das coisas mais mágicas que já vi na vida. A primeira vez que fui pra Shibuya foi durante o dia e achei bem ok, até decepcionante de certo modo, mas à noite o cenário parece ter sido tirado de um filme: as luzes, telões, prédios e carros fazem o bairro ter vida própria.


E eu não conseguia me imaginar estando lá, Shibuya de noite era uma coisa tão fantasiosa, tão estranha que eu simplesmente não conseguia me imaginar fazendo parte daquilo. Acho que essa é a maior diferença entre Shibuya e Setagaya/Shimokitazawa, no primeiro caso eu gostei do lugar por ser uma experiência totalmente nova e estranha, no segundo caso o que me atraiu foi a familiaridade e o sentimento de estar em casa.

O que senti quando cheguei correndo em Shibuya direto de Kofu pra assistir um show, e me deparando com o cenário da foto é ainda indescritível. Sério, foi um misto de frio na barriga com sensação de estar sonhando que até hoje eu não consigo nem processar direito.

Acho que o mais perto que senti disso foi quando vi minhas bandas favoritas, também no Japão, mas nesse caso dá pra descrever: "eu vi os caras que são meus ídolos", mas o que senti em Shibuya naquela noite é uma coisa mais pura, mais abstrata, era a essência do espanto, do "WOW!", do cair do queixo.

Às vezes essa sensação aparece nos meus sonhos, como um misto de náusea e uma coisa meio sufocante, aquela Shibuya da noite do dia 19 de Fevereiro aparece vividamente na minha frente, com os turistas falando alto, os comerciais nos telões tocando jingles no último volume e eu não consigo ouvir absolutamente nada, mesmerizado com o que vejo.

E eu acabei voltando pra Shibuya na minha última semana no Japão, dessa vez sem chuva, e fiquei o dia inteiro explorando o bairro enquanto o horário do meu show da Chiaki Sato não chegava, e não senti a magia de outrora, apesar de ter reafirmado a tese de que Shibuya só é legal de noite.

E na moral que Shibuya não foi o lugar que mais gostei do Japão por uma grande margem. Setagaya, Yokohama, Shinjuku e até Harajuku foram mais legais de explorar que aquele bairro, mas naquele momento em especial eu não pensei em nada disso, naquele momento Shibuya era o lugar mais incrível do mundo inteiro.

vlw flw té mais

domingo, 1 de setembro de 2019

Nostalgia por DVDs parte 2: A pirataria

Ah, as maravilhas da pirataria! Numa barraquinha perto de casa os últimos episódios de Jay Jay o Jatinho estavam lado a lado dos mais recentes lançamentos pornográficos do estúdio Brasileirinhas, diversão para a família toda!

Eu não lembro bem quando que as barracas de DVDs piratas começaram a brotar, mas quando mal esperava elas já tomavam as ruas, ainda mais na Liberdade. Isso foi já quando eu tinha uns 10 anos então a seleção de filmes infantis dos vendedores de DVD pirata tiveram um papel fundamental na formação do meu caráter, lembro ainda como amei de coração "O Planeta do Tesouro" (que peguei randomicamente numa vez que meu pai me deixou escolher um filme pra pegar), uma adaptação sci-fi do clássico "A Ilha do Tesouro" do Robert Louis Stevenson feita pela Disney, e ainda acho que esse filme foi o melhor feito pela Disney.

E não seria a Liberdade que nós conhecemos se não tivesse um modo de extorquir os otakus, Nesse caso era uma lojinha no Shopping Sogo que vendia uns DVDs de anime, seis episódios por DVD com um menu horrível feito no Movie Maker provavelmente, sub roubada de fansubber e tudo mais, em módicos preços de uns 15 reais por DVD. Quero dizer, era um roubo, mas abriu várias portas pra mim e amigos na época, eu vi grande parte da saga de Kyoto do Rurouni Kenshin por esses DVDs e foi a época quando não manjava muito de como baixar as coisas na interwebs mas mesmo assim queria assistir as otakarias.

E foram vários anos a fio comprando mais e mais DVDs piratas dos últimos lançamentos do cinema internacional, eu acabei descobrindo como baixar os animes lá por 2008~2009 e lembro até hoje o primeiro anime que baixei completo: Code Geass. Enquanto isso as lojinhas que vendiam DVDs de animes piratas já definhavam, afinal pros otakus a pirataria era quase requisito a esse ponto, e nas ruas da Liberdade já se via os vendedores mais espertos vendendo doramas e filmes japoneses pros velhinhos que por lá rondavam, afinal tá aí um público que não aprenderia a mexer em torrent tão cedo assim.

Existem ainda barracas de DVDs piratas por aí, mas elas estão numa constante queda e a recaída pra pior foi por conta de uma coisa que ninguém esperava que ia chegar: o Netflix. Esqueça os torrents e site ilegais, a preguiça venceu de uma vez por todas: por taxas módicas mensais agora você tem a seu dispor enormes bibliotecas de filmes, séries e animes (Crunchroll no caso), sem perigo de ter pego um DVD de pornô por engano na capa do Bob Esponja, sem perigo de baixar um malware procurando um site pra assistir Pantera Negra e sem o incômodo de ter que sair de casa pra ir pra uma locadora, dessa vez a solução veio pra ficar.

E acho que as plataformas de stream são realmente a evolução mais óbvia pra modernidade, mas é uma pena do ponto de vista mais nostálgico, mais romântico. O Netflix pode ser melhor que as locadoras, o Kindle (e a Amazon de modo geral) pode acabar com as livrarias num futuro próximo e o Spotify veio com uma solução legal (do ponto de vista das leis) pra falta de lojas de música no ocidente, mas essas soluções são tão frias, tão horrivelmente práticas que me deixam meio triste.

Havia meio que um fator social e um certo romantismo em ter que sair de casa pra ter uma diversão pra noite de sábado, eu peguei só o finalzinho da era das locadoras, e numa idade muito tenra pra lembrar bem de qualquer coisa, mas só de ir pra locadora e explorar os novos lançamentos e se aventurar entre os clássicos que você não tinha visto ainda, ou ainda ficar conversando com os atendentes, a ida pra locadora era um evento, era parte da experiência em si de ver um filme. Ir pras barraquinhas de DVD pirata já não era mais um evento tão familiar e os downloads e stream acabaram de vez com isso.

Eu em particular tenho poucas saudades dos DVDs piratas, acho que é uma forma horrível de ganhar dinheiro sobre a propriedade intelectual de terceiros e ainda financiar crimes em alguns casos, mas as locadoras eram magia pura, e foram uma coisa que durou décadas e acabaram num piscar de olhos.

Uma coisa que a modernidade está nos fazendo esquecer é que a praticidade não é sempre o ideal a ser alcançado, há uma beleza na complexidade sem sentido e no romantismo por puro capricho, ler um livro no Kindle pode ser mais prático, barato e rápido que ir a uma livraria e garimpar por um livro que você não tenha lido ainda, mas é a mesma coisa?

A praticidade está matando o romantismo.

Enfim, é isso aí, acabei nem falando tanto de DVDs piratas assim.
vlwflw té mais

domingo, 25 de agosto de 2019

Nostalgia por DVDs parte 1: As Locadoras

Pode me chamar de antiquado mas eu sinto muitas saudades das locadoras de vídeo.

Lembro que tinha uma locadora na esquina da São Joaquim com a Rua da Glória, a Golden Fox, que meu pai devia ter cadastro desde a década de 80 no mínimo, que foi onde achei as mais variadas influências que um menino de 5 anos poderia ter. Nessa época ainda lançavam filmes em VHS e DVD, acho que o preço pra alugar VHS era menor.

Eu em particular raramente escolhia um filme pra ver, nessa época pelo menos, mas lembro de ter assistido Space Jam depois de ver de fora da locadora a capa que me intrigou bastante na época: "Um jogador de basquete junto com o Pernalonga? Como assim?", quem pegava a maioria dos filmes era a minha irmã e lembro da saga d'O Senhor dos Anéis, dos filmes de terror que tavam em vogue na época (O Chamado em particular) e daquelas comédias românticas com o Owen Wilson.

No colégio todo mundo tinha a carteirinha da "Turma do Sofá" da Blockbuster, mas como não tinha lojas da rede perto de casa eu tinha que me contentar com as locadoras de bairro mesmo, que podiam não ter os brindes e promoções das redes mas tinham seu charme.

Acho que o começo do fim foi quando a pirataria chegou na porta, de repente as ruas se infestaram de vendedores ambulantes trazendo os mais novos títulos do cinema, às vezes a gravação era um CAMrip horrível mas também acontecia muito de ser uma ISO de um DVD que tinha sido lançado e então tanto fazia alugar na locadora ou comprar aquela coisa horrorosa no saquinho com a capa mal impressa.

De repente a casa de todo mundo que fosse estava cheia de DVDs piratas de filmes novos e antigos, o debate sobre a moralidade da pirataria ainda estava no começo e as campanhas anti-pirataria soltavam pérolas lembradas até hoje como "VOCÊ NÃO FARIA DOWNLOAD DE UM CARRO!" pô, será mesmo?

Por mais que a pirataria estivesse com vento à popa, minha família ia ainda nas locadoras próximas, já que o preço do pirata e do aluguel era quase o mesmo e a gente sabia que não ia ver a maioria dos filmes novamente, que mal poderia fazer? Foi nessa época que uma locadora perto começou a alocar metade do salão pra uma lan house (outra coisa que desapareceu, mas fica pra um próximo post) e a saudosa Golden Fox acabou fechando as portas e virou uma Igreja Universal, a era das locadoras já estava no fim.

Eu lembro até hoje do último DVD que minha família alugou, minha irmã tinha pego um filme numa locadora perto de casa mas como ele não tava rodando (tava riscado eu presumo), eu e minha mãe fomos trocar por outro. O negócio é que fomos no dia depois da data de entrega, por algum imprevisto, e o cara da locadora falou mais ou menos "Vocês não tem direito a pegar outro não, olha a data" e nem devolver a grana o cara devolveu, minha mãe ficou tão pistola que nunca mais pisamos naquela locadora, e em mais nenhuma até onde lembro. O filme se não me engano era algum com a Audrey Tautou, mas posso estar lembrando errado.

A partir daí eu só acompanhei de longe as locadoras acabando uma por uma, as Blockbuster primeiro dividindo espaço com Lojas Americanas e depois sendo totalmente fagocitadas por elas, a locadora-lan house perto de casa virando um restaurante-bar e até as Locadoras 2001, queridinhas de todos os cinéfilos e hipsters de plantão, fechando as portas a pouco tempo atrás.

E de repente não havia mais locadoras de vídeo no Brasil, enquanto que no Japão eu vi até locadora de CD, SIM LOCADORA DE CÊ-DÊ! Pra ser justo a Tsutaya é metade livraria metade locadora, mas é realmente metade/metade e tem muito japonês alugando coisa ainda, vi as famosas estações de coleta automatizada de DVDs/CDs alugados e fiquei pasmo com o anacronismo daquilo, pode ter sido uma das razões pelas quais eu amo aquele país.

O post ficou meio longo e como sei que quem lê esse blog é preguiçoso pra caralho, vou dividir esse flashback em duas partes (eu espero), a próxima vai ser sobre os DVDs piratas.

vlw flw té mais

domingo, 11 de agosto de 2019

Moletom da Poli

Todo mundo que me conhece sabe que eu tenho o famoso moletom da Poli.

A Atlética Politécnica nunca soltou os números mas eu tenho a leve impressão que o moletom da Poli é o artigo de vestuário universitário mais vendido do Brasil. Mesmo que você não faça USP, é bem provável que você já tenha visto o clássico moletom: azul marinho, zíper metálico, revestimento interno do gorro em amarelo assim como o singelo bordado atrás "USP", o emblema da Atlética Politécnica no peito e, em letras garrafais bordadas ao longo do braço esquerdo: POLITÉCNICA. É o famoso moletom POLISTER.

E eu comprei esse moletom no meu primeiro dia de aula, 130 reais.

Ainda lembro que eu tava 100% perdido no primeiro dia, só conhecia mesmo meu amigo da elétrica que era do meu cursinho, e numa pausa entre as aulas introdutórias de 50 minutos eu dei uma passeada no prédio do biênio e aproveitei pra passar na Atlética pra comprar o tão sonhado moletom da Poli. Na moral que eu achei na época que o preço era meio alto, pra uma roupa que não era de marca, e é caro mesmo, mas pelo tanto que usei já, acho que valeu a pena.

Desde antes de entrar na Poli eu sempre curti moletons universitários, já passei horas e mais horas navegando por páginas de atléticas não só nacionais como também de fora do país, é bem legal ver a sutileza que os moletons têm e como isso reflete a imagem que o pessoal de tal curso em tal faculdade têm deles mesmos. A Poli por exemplo sempre busca botar ênfase no POLITÉCNICA, porque é uma palavra bem bonita e com bastante significado (das origens do ensino da engenharia no país), outros cursos da USP sempre destacam o nome de seus institutos, porque depender do nome USP geralmente é sinal que o curso não tem muito destaque. As universidades federais já são o contrário, com um enorme destaque para a sigla da Universidade e o nome do curso nas entrelinhas. Pessoal de qualquer medicina costuma tacar um MEDICINA em letras garrafais e depois a universidade, até o pessoal da Pinheiros faz isso. Algumas atléticas botam o nome da atlética em destaque e eu nunca entendi o motivo disso, mas enfim.

O negócio é que o moletom pra mim era o símbolo do meu sonho de entrar na Poli, aquele moletom não custou apenas os 130 reais que paguei lá na Atlética, custou também os dois anos de cursinho, as noites de estudo e os rolês perdidos, custou tudo o que eu tinha e pra mim era uma ticket pra uma nova vida, spoiler: não foi.

O meu moletom me acompanhou para todos os lugares possíveis, acho que de todas as viagens que fiz desde que entrei na Poli, eu só não levei meu moletom na viagem pra Argentina porque eu não tava afim de levar um soco na cara por ser confundido com um torcedor do Boca Juniors. No Japão eu usei o moletom mais lá na cidade onde eu estava, tanto pra dormir quanto pra sair pro supermercado, em Tokyo eu acabei usando as roupas que tinha comprado na Uniqlo/Champion que eram mais F A S H I O N e também que no frio da porra que tava lá, usar um corta-vento era mais importante que ter uma blusa grossa.

O meu POLISTER já foi pra praias, foi pro interior de São Paulo, foi pra Curitiba, foi pro Japão, foi pra maiorias das visitas monitoradas e também já me proporcionou as melhores sonecas que tive na USP, já que ele é praticamente um cobertor com gorro.

E o meu moletom em particular já está fazendo 4 anos e uns quebrados e não está tão desbotado quanto eu achava que ele ficaria. O zíper dele quebrou ano passado e minha mãe falou pra comprar outro moletom já que a troca de zíper já sairia mais de 50 reais, num misto de apego por ele com a consciência que ninguém em sã consciência compra um moletom novo da faculdade no quarto ano, eu acabei optando por pagar pelo zíper novo mesmo, que acabou vindo na cor azul já que os zíperes metálicos estavam em falta no lugar.

Acabou que eu já não uso tanto meu POLISTER pra cá e pra lá como antigamente, o moletom que mais uso agora é o verde com gola careca que comprei no show da Kaneko Ayano (e é a coisa mais brega da história da humanidade), o moletom da Poli virou meio o que ele tava sendo no Japão: pijama e roupa pra sair pro supermercado.

O moletom POLISTER anda perdendo espaço no gosto politécnico pelo modelo que a Atlética lançou uns dois ou três anos atrás, que é bem mais aquele template de moletom universitário americano: escrito POLI USP, símbolo da Atlética e o famoso EST. 1893 (que é o ano de fundação da Poli e não da Atlética, mas enfim). Antes do moletom que eu tenho, o modelo era baseado nos da GAP com um enorme POLI bordado no peito, que eu acho até legal mas eu realmente tava atrás de um moletom aberto quando era bixo.

Eu nem sei direito porque fiz este post, já que não vou me desfazer do meu moletom POLITÉCNICA por um bom tempo ainda, mas eu sempre me divirto porque, não importa onde eu vá, sempre haverá um panaca usando um moletom da Poli, e se não tiver é porque eu sou o panaca usando o moletom da Poli.

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sábado, 3 de agosto de 2019

eureka - Kinoko Teikoku

Na moral, Kinoko Teikoku foi a banda dos meus 17~~19 anos e por isso eu reverencio este álbum e o Uzu ni Naru. A real é que a banda acabou e só então percebi como ela foi importante para mim, a Chiaki Sato foi uma das minhas primeiras paixões na música e cara, tá pra nascer alguém que tenha uma voz tão linda quanto a dela.

O álbum é extremamente sólido, desde a primeira faixa que é extremamente pessimista até a bonus track que é uma redenção de todos os erros do eu lírico (e todos os nossos também, por que não?) do álbum, a faixa 5, eureka, em especial é assustadora, uma das melhores composições que já saíram do underground japonês nos últimos anos.

Esse álbum cresceu bastante pra mim, eu já gostava bastante dele desde que ouvi pela primeira vez mas é interessante ver como as composições da Chiaki Sato acompanham a vida dela, imagino que até meados de 2013 ela estivesse numa fase mais pessimista e depois chegou a uma redenção, como na bonus track deste álbum.

A bonus track aliás é a melhor música do álbum, sem ela o álbum inteiro não tem sentido, porque até a penúltima faixa o álbum é um poço de depressão, ódio e remorso e a bonus track já chega falando (numa tradução porca minha) "Cada um está carregando seu fardo, as suas lágrimas podem secar amanhã ou depois, mas finja que esqueceu das noites e dias que não voltarão, e sorria, sorria". Quero dizer, não é uma redenção REDENÇÃO, o que seria impossível visto que o álbum todo foi uma via crucis, mas é um passo pra deixar de lado tudo o que te chateava e não ficar remoendo o passado.

Até eu escutar esse álbum mais seriamente, eu achava que o Uzu Ni Naru era melhor, o que não é mentira se compararmos faixa a faixa, mas eureka é praticamente um concept album no modo como ele é construído.


A transição do Kinoko Teikoku amado pelo povo em geral pro odiado aconteceu na bonus track do eureka, tanto que o EP Long Goodbye tem vibes shoegaze/dream pop mas já é bem menos pessimista que os dois álbuns anteriores, o Fake World Wonderland amplia sobre o EP e ao mesmo tempo que possui a música mais dream pop (e uma das minhas favoritas) da discografia do Kinoko Teikoku: Aruyue, também já tem a passagem deles pro mainstream: Tokyo (produzido pelo Uni Inoue, engenheiro de som da Shiina Ringo), o que veio depois vocês já sabem.


Na moral que pode ser bobagem da minha cabeça isso de ficar dando tanto valor pra bonus track deste álbum mas é no mínimo curioso que um álbum que comece com vocais soturnos amaldiçoando meio mundo termine com dois minutos de LA LA LA LA LA LA num estilo Hey Jude hipster japonês, eu quero pelo menos acreditar na minha grande teoria que essa música foi o ponto de mudança do Kinoko Teikoku, é uma coisa tão simples mas que parece ter tanto significado no contexto que nunca deixo de me surpreender, acho que é um final de álbum tão bom quanto o Souretsu do KZK da Shiina Ringo (que também não deixa de ser uma espécie de redenção).

Aliás, não se engane: Kinoko Teikoku nunca foi uma banda SHOEGAZE, eles sempre foram um indie rock com influências aqui e ali, seja de Radiohead, seja de MBV, mas eles nunca foram shoegaze shoegaze.

Ame a banda pelo o que ela foi, não odeie-a pelo o que ela poderia ter sido.
(Digo isso mas ainda fico puto com os últimos álbuns da banda, relevem).



10/10 na moralzinha, só não boto essa nota no rym porque na minha conta essa nota só pode ser dada ao KZK. Dá pra achar a bonus track no Youtube como "Kinoko Teikoku - hidden track" mas acho que vale bem mais ouvir o álbum inteiro, só a bonus track não tem impacto sozinha.