terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: capítulo 8

Dia 8/11 - Localizações do filme do Chainsaw Man em Jimbocho e Shows em Shinjuku

Esse dia foi o mais planejado da viagem (pelo menos por mim). O dia começou comigo indo pra Jimbocho, famoso bairro das livrarias em Tokyo, pra tirar fotos de localizações que aparecem no filme do Chainsaw Man.

Escadaria que aparece no filme do Chainsaw Man.

 Jimbocho é um bairro mais residencial, ele é famoso pelas livrarias de usados, que chamamos de sebo por aqui, mas entrando pra além das avenidas você só vê uns comércios menores e residências. É um bairro bacana mas não entrou na minha lista de favoritos.

Eu fui pra ver as localizações do filme do Chainsaw Man e fui meio guiado por uns reels que tinha visto na noite anterior, então tem uns lugares que achei meio meteção de louco, falaram que uma cabine telefônica era a que aparecia no filme mas ela no fim não tinha nada a ver, a escadaria era o lugar mais certo mesmo, e o café acho que também. O engraçado foi ver que em todos os lugares que eram minimamente especulados que inspiraram localizações no filme tinham flores aos montes deixadas por fãs.

 

Café que, supostamente, inspirou o Café que aparece no filme do Chainsaw Man, note as garrafas com flores de fãs.

 Eu sinceramente deixaria flores pelo menos no café ou na escadaria. É paia? Com certeza, mas porra se a morte da Reze não me afetou.

Enfim, depois de pay my respects era hora do principal: ver meus shows.

Eu queria ver pelo menos uma banda nessa viagem pro Japão, e num dia aleatório eu tava vendo a agenda de uma cantora que gosto (Lovely Summer Chan) e vi que ela ia tocar num festival, fui ver a lineup e quase caí pra trás:

Imagem
Grade do Shin Onsai

 

 Yeye!! Lovely Summer chan!!! Ohzora Kimishima!!!!! Odotte Bakkari no Kuni!!!!!1 Sunny Day Service!!!!! Shutoku Mukai!!!!!!!!!!! PORRAAAAAAAAAAAA

Eu não lembro se falei mas tinha comprado o ingresso no segundo dia da viagem numa Lawson no lado do nosso então hostel em Ueno, o sistema era de reserva e eu precisava ir no dia do show numa Lawson de novo pra efetivamente imprimir o ingresso, foi uma confusão danada porque eu não sei um puto de japonês e nenhum show que eu tinha ido em 2019 tinha sido assim, mas enfim, consegui pegar o ingresso na Lawson no lado do nosso airbnb.

Eu já falei do festival no primeiro post que fiz depois de voltar da viagem, mas em suma: era um festival onde cada casa de show funcionava como um palco e você tinha que basicamente cruzar o bairro indo de um show pra outro. Eu acho que esse tipo de festival funciona melhor em bairro menos caóticos que Shinjuku, mas no geral a experiência foi ótima, eu consegui ver artistas muito incríveis por um preço bem razoável. Os destaques foram o Ohzora Kimishima num set solo acústico fodido de incrível e Odotte Bakkari no Kuni no Shinjuku Loft quase superlotado. 

Eu escrevi o post sobre o show antes dos shows da Ichiko Aoba e do Oasis mas ainda penso o mesmo que pensei naquele 8 de Novembro no Shinjuku Loft: eu nunca senti o que senti quando o Odotte Bakkari no Kuni tocou ghost. Por uma sorte descomunal, tem um mano no Twitter que filma todos os shows da banda e ele tava bem do meu lado nesse dia, e ele filmou ghost (é o terceiro vídeo).

Nesse dia, entre o show do Ohzora Kimishima e do Odotte Bakkari no Kuni eu tinha uma janela de umas 3 horas e fiquei passeando por Shinjuku, eu acabei pegando uns pôsteres de Chainsaw Man no popup store que tinha na Parco da estação, fiquei com aquela porra num show fodido de cheio depois mas deu tudo certo no final.

Mas enfim, eu ia ficar pro último show no Loft, que era de uma das bandas mais importantes do rock alternativo japonês, Sunny Day Service, mas eu tinha chorado pra caralho com Odotte Bakkari no Kuni, então decidi que já tava bom.

Chorar pra caralho no meio de Kabukicho, não dá pra ser mais Yakuza que isso.

  

Eu acabei encontrando com um amigo meu que tava por perto e fomos explorar a nova Kabukicho Tower.

O Shin Onsai tava com um DJ tocando bem na praça na frente da Kabukicho Tower.

 Cara, eu achei que seria uma tourist trap, e é, mas nada absurdo. Mas assim, não vale a pena ir mesmo, eu e o Pedro só ficamos lá porque tinha um bar pra gente descansar as pernas, mas pagamos um preço meio alto pra uns coquetéis meia bomba. Dentro do prédio tem uma área com restaurante meio que imitando um izakaya gigante no térreo e no andar de cima tem um arcade (só com máquina de garrinha), um monte de gachapon e umas popup stores, além do bar que ficamos, ou seja: nada que valha a pena.

O Nathan chegou e então fomos atrás da janta, eu dei a ideia de comer um yakiniku, eu tinha ouvido falar do Yakiniku Like então fomos atrás da unidade mais perto, que era em Nishishinjuku, uma andadinha de Kabukicho. O legal de Shinjuku é como muda a paisagem só de você andar ao redor da estação. Kabukicho é um inferno cheio de turista sem noção, Sanchome é o paraíso LGBT em Tokyo e Nishishinjuku é onde ficam os centros empresariais (da região pelo menos), então os comércios por lá são bem focados nos engravatados saindo do trabalho tarde.

Mas o que é o Yakiniku Like afinal? Yakiniku é um tipo de restaurante que você grelha a própria carne, geralmente é uma experiência de grupo, a mesa cabe quatro e tem uma grelha no meio, mas o Yakiniku Like só tem balcão e é INDIVIDUAL, loucura loucura loucura.

Setup típico do Yakiniku Like (foto do Nathan)

 

 Aí você pede seu combinado, tem uma torneira de água filtrada na tua frente (o que é o usual no Japão) e os molhos estão espelhados pelo balcão, acho que tinha uns 6 se me lembro bem. Os preços são super convidativos e pagando uns 50 reais já dava pra botar umas fatias de wagyu, o combo sempre vinha com arroz e missoshiru e uma porção de kimchi. Assim, saía mais caro que qualquer lamen ou gyudon mas era uma refeição muito boa por um preço que não ia matar ninguém. Eu devo ter gasto uns 100 reais pra comer BEM no Yakiniko Like, por 100 conto em São Paulo você tem sorte de comer um contra filé de verdade.

Mas enfim, comemos bem e voltamos pra casa.

Dia 9/11 - Compras em Asakusa e Akihabara

Foi o dia pra conhecer Asakusa. Saímos cedo de casa e fomos a pé pra Asakusa, era realmente perto, coisa de 20 minutos andando, mas a paisagem era bem bacana.

Skytree vista do outro lado do rio Sumida.

 

Eu comprei uma mala nova na famosa GINZA KAREN lá no Shotengai que passa pelo Sensoji, aliás, quem pagou foi o Pedro porque combinamos que meu pagamento por ter sido o planejador da viagem seria uma mala e um tênis novo, que ia dar uns 10k yen pra cada um (uns 350 reais) o que sinceramente foi um valor bem baixo pro trampo que tive, mas a ideia original era eles botarem 10k yen cada pra comprar uma figure, só que uma figure de 30k yen é algo que eu não tava pronto pra ter, muito menos pra levar pra casa (maioria é ginorme pra justificar o preço), então o combo mala + tênis me pareceu mais útil. A mala foi 10k yen.

Depois disso demos umas voltas por Asakusa e voltamos a pé pra casa, almoçamos no Mcdonalds da Skytree, me critiquem o quanto quiserem mas o Mc lá é melhor do que aqui tá.

Depois disso cada um foi pra um canto e eu fui pra Akihabara pra fazer minhas compras.

Eu andei pra caralho por Akihabara e tal e o mais engraçado que aconteceu foi quando eu tava vendo merch do Chainsaw Man no Raido Kaikan (prédio onde a máquina do tempo colide no Steins;Gate) e uns otaku começaram a puxar conversa comigo. Primeiro que os caras não acreditaram que eu era brasileiro, segundo que a comunicação tava sofrida, os maluco não sabiam um puto de inglês e meu japonês sub-N5 também não ajudava muito, ele me convidaram pra jantar mas eu tava zero afim de jantar com uns otakão japonês ME DESCULPEM mas eu não tava afim.

Depois fui comprar um óculos e não tinha meu grau lá na loja, me deram dois dias de prazo pra fazer a lente mas eu eeeeehhhhhhhhhhhh não queria perigar de deixar um óculos lá no Japão, então comprei só a armação mesmo. 

Compras que fiz no dia lá em Akihabara, a caixinha preta é o óculos.

 

 Voltei pra casa e nos encontramos pra jantar. Comemos numa rede chamada PEPPER LUNCH, onde te servem uma chapa de ferro PELANDO um arroz com carne (crua) e você tem que ir mexendo ou deixando a carne chegar no ponto que você deseja. Cara, é um negócio bem diferente e achei bom até, mas não é lá algo memorável, só fui lembrar desse lugar quando fui ver onde comemos.

 

Dia 10/11 - Monte Fuji 

 

 Um dos dias mais esperados, o Monte Fuji!

Saímos cedo de casa pra Shinjuku, onde íamos pegar o ônibus pra Fujikawaguchiko. A gente foi pra um lugar que era um velho conhecido meu: a rodoviária de Shinjuku. Não mudou muita coisa desde 2019 e pegamos mais ou menos a mesma rota que eu fazia pra Kofu (mesmo portão que eu peguei uns ônibus de volta pra Yamanashi inclusive), então me deu uma certa nostalgia do baito.

Chegamos lá e tava CHEIO. O foda é que a estação de Kawaguchiko, onde tem o terminal de ônibus, não foi feita pra ter a quantidade de turistas que tinha no dia, então tinha fila pra tudo lá e tava um caos. A gente desceu e já pegamos a fila pra comprar o passe livre pras linhas de bus que trafegam ao redor dos lagos do Monte Fuji e nos enfiamos no primeiro que fazia sentido pra ter uma vista mais legal.

O lugar onde descemos do ônibus (foto do Pedro)

 

 A gente queria andar, então descemos na primeira parada onde parecia que ia ter alguma coisa. Não foi a ideia mais brilhante mas ninguém morreu por isso também, o Outono tava bem forte e as folhas de momiji estavam lindas naquele dia.

Não é o Monte Fuji aí atrás não.

 

 Andamos pra caralho, eu já tava com vontade de mijar e achei que teria que cometer um crime ambiental naquele lugar tão lindo mas achamos umas instalações pra turistas (com banheiros!) e andando um pouco mais achamos um festival que tava rolando com food trucks, feirinha de artesanato e tudo mais.

Nisso, o Monte Fuji ainda tava meio encoberto por nuvens, então decidimos comer nos food trucks e tentar a sorte depois. 

 

O Kebab que almoçamos, tava delicioso (foto do Alvin)

 

 Comemos, demos uma andada na feira de artesanatos e comprei umas camisetas pros meus pais, a ideia original era comprar umas camisetas na Uniqlo pra eles mas porra, camisetas do Festival de Outono de Fujikawaguchiko 2025? Não dá pra ser muito mais exclusivo que isso.

Tomei um sorvete e fomos ver o Monte Fuji.

Ele mesmo.

 

 Cara, não dá pra descrever muito bem o Monte Fuji. Eu nunca vi grandes montanhas então posso estar sendo emocionado, mas eu fiquei embasbacado ao ver o Fuji de perto. O negócio é gigantesco e aí entendi porque alpinistas fazem o que fazem, é um negócio muito bonito mesmo.

A gente de frente pro Grande (foto de um gringo no celular do Pedro)

 

Depois de muitas fotos e muitos minutos hipnotizados pelo Fuji-san, já era quase hora do nosso busão de volta pra Tokyo, então pegamos o bus de linha pra estação Kawaguchiko. No fim acho que nem valeu a pena pegar o passe livro pro dia todo, só fizemos uma viagem de ida e uma de volta, mas a paz de espírito valeu a pena acho.

Na estação pegamos uns souvenires, como sempre muito bem feitos no Japão, e voltamos pra Tokyo.

A gente voltou e já era meio quase de noite, tava escurecendo cedo nos dias que a gente tava lá. No próprio prédio da rodoviária tem o Takashimaya onde tinha a loja da New Balance, falei pros meus amigos que era hora de pagarem o que faltava da minha taxa de planejamento da viagem e fomos lá pegar o tênis.

Eu e o Nathan testando o 9060 (foto do Pedro)

 

 Acabei pegando o 9060, que era mais ou menos 20k yen, justo o que faltava pro valor que eu tava pedindo, olha só. O tênis é bizarramente confortável e é o que mais uso hoje quando vou sair. Depois disso fomos pra Shibuya, aproveitar a noite naquele lugar mágico.

 Aqui cada um foi pra um canto mas eu particularmente me perdi pra caralho. Shibuya está com umas passarelas ENORMES ligando os prédios e estações, de forma que não tem mais cruzamentos numa parte lá do bairro. E os guindastes que já eram parte da paisagem quando vim em 2019 parecem que nunca vão sair daquele bairro.

aesthetic

 

 Fui pra Tower Records pra pegar uns CDs que eu queria e depois fui me perder na Loft, lá comprei presente pra todo mundo que conheço que gosta de coisa de papelaria, me encontrei com o Nathan e o Pedro e fomos jantar o que? Isso mesmo, Yakiniku Like.

Depois voltamos pra casa.

A daytrip pra Kawaguchiko foi o último GRANDE evento da viagem, no dia seguinte (próximo post) fomos pra Skytree mas a gente já estava focado em comprar as quinquilharias pra levar pra casa. Acho que o foda de viagem assim é isso, chutando baixo pelo menos um terço da viagem vai ser pra fazer compras, mesmo no arubaito eu dediquei boa parte da minha última semana no Japão pra fazer compras pra levar pra casa. O meu ideal IDEAL seria distribuir mais as compras durante a viagem e ser um negócio mais orgânico, mas estou sendo muito otimista. 

Eu tava pensando sobre a minha ideia de fazer um mochilão pelo Japão sozinho e eu realmente queria que fosse uma viagem onde eu só ia pra conhecer mesmo os lugares que não pude ir, óbvio que não vou resistir de entrar numa Book Off lá na pqp do Japão, mas não queria que fosse o foco, mas isso deixo pra decidir quando eu tiver a grana pra fazer isso.

Enfim gente, a nossa saga no Japão está chegando ao fim! Faltam só mais dois dias e já adianto que não tem nada transcendental nesses dois dias, mas tem umas surpresas,

vlw flw, té mais!!! 

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 7

Dia 6/11 - De volta pra Tokyo

 

 Como o check-in no próximo lugar era meio tarde e não tinha recepção pra deixar mala (era um Airbnb com self check-in), decidimos pegar uma passagem de tarde pra volta de Osaka pra Tokyo. Eu acho que foi uma ideia meio ruim porque viagem no meio do dia quebra muito os planos tanto na primeira cidade quanto na segunda, fica o aprendizado.

O Alvin comprou o famoso cheesecake que faz boing boing pra gente comer de café da manhã.

Famoso Cheesecake do Rikuro's (foto do Alvin)

 O cheesecake é meio estranho no quesito textura: ele é um bolo fofo mas tem um que de cheesecake que faz parecer que a massa está meio crua, mas é bom, e tem umas passas no meio pra deixar a textura do negócio mais interessante.

Eu sinceramente não lembro o que almoçamos nesse dia, mas sei que nosso trem bala de volta estava pras 14h mais ou menos. Chegamos na estação de Tokyo lá pelas 17h.

Não exploramos muita a estação de Tokyo porque na ida já tínhamos andado um bocado por lá, então fomos direto pra nossa próxima hospedagem.

Essa era a vista do rooftop do nosso Airbnb.

 O lugar onde ficamos nessa última leg da viagem era bem interessante, era um prédio bem estreito com um apartamento por andar, mas assim, nada luxuoso. Eram uns 6 andares e no topo tinha um rooftopzinho com sofás e uma visão incrível pro negócio mais estapafúrdio que podíamos ter em Tokyo: a Skytree.

Cara, vocês não tem ideia da magnitude dessa merda de torre. Eu tinha visto já a Tokyo Tower e não tinha sido nada demais, ohhhh torre, mas a Skytree chega a ser ridícula de grande, ela tem 600 metros!!!!!  SEISCENTOS METROSSSSS!!!!!!!! Muito grande. O bom era que essa porra era a tipo 100 metros do nosso Airbnb, então se tivéssemos perdidos praticamente num raio de 5km daquela porra, era só se guiar indo em direção à Skytree.

A gente foi explorar o shopping na base da Skytree achando que seria mais um daqueles shoppings pequenos em lugares turísticos que estão lá só por estar, mas porra, o shopping da Skytree não perde em nada pros Parco ou Takashimaya que visitamos, era tudo mais compactado pra caber mais mas tinha um Pokemon Center enorme e várias outras coisas bem grandes, tipo a praça de alimentação e um supermercado. Eu me perdi umas três vezes nesse shopping.

Estávamos com vontade de comer lamen e lá dentro só tinham opções meio questionáveis, então fomos num lugar que se entitulava "Yokohama Ramen" lá no ladinho da Skytree, muito bom por sinal.

Yokohama Ramen, o caldo não chegava a ser Tonkotsu, mas era meio salgado (foto do Pedro)

 

Eu esqueci minha pochete embaixo da bancada e um atendente veio atrás da gente correndo pra entregar, cês acreditam que aconteceu a mesma coisa na vez que fui pro arubaito? Acho que fico tão relaxado com meus pertences quando vou pro Japão que acabo esquecendo até o que tenho.

Voltamos pro hostel e dormimos, talvez a melhor cama que tivemos no Japão.

 

Dia 7/11 -  Odaiba, Toyosu, Shimokita e Ikebukuro

 

Hoje era o dia de conhecer a baía de Tokyo.

Acordamos cedo e partimos pra Odaiba. A gente ficou bem no leste da cidade, então a parte da baía de Tokyo era pertinho de onde ficamos. Pegamos o monotrilho que passa pela Rainbow Bridge (linha Yurikamome) e foi uma experiência bem bacana que eu nem lembrava de ter passado quando tinha ido pra Odaiba com meus primos pra Comiket em 2018,mas o monotrilho chega a dar um loop pra ganhar altitude pra passar pela Rainbow Bridge, a linha parecia uma montanha russa, passando ao lado dos prédios.

Rainbow Bridge. Odaiba é uma área bem bonita.

 

Chegamos em Odaiba e vimos a estátua da liberdade, que por incrível que pareça foi construída em homenagem aos franceses... compreensível. Andamos pelo shopping no lado da estátua e depois andamos até a estátua do Gundam.

Estátua do Gundam Unicorn.

 

 O Gundam se transforma nuns horários marcados, o foda é que o próximo era bem no horário do almoço e a gente tinha FOME, então demos umas voltas no shopping atrás do Gundam (inclusive na lojinha oficial do Gundam atrás dele) e fomos pro Mercado de Toyosu.

O Mercado de Toyosu era o novo mercado de peixes que surgiu após perceberem que o Mercado de Tsukiji já tinha virado uma grande tourist trap, os dois coexistem e o de Toyosu até tem uma parte turística, mas o nível de tourist trap é, alegadamente, menor que em Tsukiji.

A estação que desce no mercado já tem passarelas que ligam ao mercado e à parte turística com barraquinhas de comida e tal, no prédio do mercado tinha uns restaurantes, então arrastei meus amigos pra gente comer o famoso kaisendon.

 

Kaisendon, tava absurdamente bom.

 O Kaisendon era basicamente todos os sashimis frescos do dia num donburi com arroz,eu sinceramente achei que seria um negócio maior, mas foi um prato muito bom e o preço, enquanto caro pros padrões japoneses (3500 yen, uns 120 conto aqui convertendo), tava um preço bem ok convertendo pra reais. Depois de comer a gente foi pra parte com as barraquinhas pra conferir e aproveitei pra comer uma das coisas que mais sonhava: ayu no espeto.

Ayus e Sanmas na fogueirinha (foto do Alvin)

 

 Po, achei simplesmente delicioso. Foi 1000 yen redondo e comi de boa porque o Kaisendon não sendo tão grande deu essa possibilidade. Comemos mais umas coisinhas e cada um foi pra algum lugar diferente, eu fui voltar pra Shimokitazawa pra buscar o óculos que fiz antes de ir pra Kyoto.

Eu peguei o óculos lá na Zoff, andei um pouco por Shimokitawa (ainda mais na parte do Village Vanguard) mas logo rumei pra Ikebukuro, queria assistir o filme de Chainsaw Man de novo, dessa vez em Screen X.

Eu nem tirei foto da sala mas o Screen X é mais ou menos a mesma ideia do IMAX, só que ao invés de ser uma tela côncava, é uma tela que cobre a frente toda e as paredes dos lados. O filme não passa todo em todas as "telas", elas só mostram cenas específicas pra aumentar a imersão. No filme do Chainsaw Man em especial elas "ligam" nas cenas de luta e de romance, além da abertura. É bem gimmicky mas é bacaninha, as telas laterais não são tanto pra você prestar atenção, é mais pra você se sentir dentro do negócio mesmo, e acho que dá até que certo. Essa sessão que fui em Screen X tinha bem mais gente que na sessão com legendas em inglês que fui em Shinjuku no começo da viagem.

Depois de ver o filme eu encontrei com o Alvin e o Pedro pra gente comer no Saizeriya. O Saizeriya é o último lugar que você quer ir se for pro Japão como turista, mas é essencial se você mora lá: é um restaurante "italiano" mas pensa num restaurante italiano só que imaginado pelos japoneses, pois é. Assim, o Saizeriya tá pro Japão assim como o Habib's (ou o Ragazzo, já que estamos falando de comida italiana) está pro Brasil .

O Saize é um dos Family Restaurants, que é basicamente um tipo de restaurante que tem pratos por preços (relativamente) baixos, bebida à vontade por um preço bem simbólico e é frequentado por famílias e jovens de ensino médio, além de Habib's e Ragazzo eu pensaria nos restaurantes de praça de alimentação aqui no Brasil, pensa num lugar que você iria com amigos e família mas não com um date.

Mas enfim, eu particularmente gosto muito do Doria, que é tipo um arroz de forno gratinado, e do Hamburg Steak, que é um hamburguer numa chapa com acompanhamentos, e foi isso que pedi. A comida do Saizeriya não vai impressionar ninguém, mas é uma sensação muito única você comer num Saize 22h no meio de Ikebukuro no meio de um monte de hosts e hostess e gente bêbada. A minha memória com o Saize era comendo no shopping da cidade onde a gente morava em Yamanashi, essa experiência foi tipo um 180 do que eu tinha como lembrança, mas incrível de qualquer jeito.

Eu tava meio ansioso porque tava meio tarde e eu tava com medo de perder o último trem, então voltamos pra casa. Acabamos chegando com uma hora de sobra.

Enfim, estou escrevendo os posts de forma meio espaçada porque estou com preguiça e meu ANIVERSÁRIO DE 30 ANOS ESTÁ CHEGANDO e não estou com muita vontade de comemorar, mas vou escrever algo especial pra ocasião.

E é isso rapaziada, ia botar 3 dias neste post mas queria soltar logo post novo pra não deixar o blog parado, apesar de eu estar escrevendo mais ultimamente do que nos últimos 10 anos...

é isso, 

vlw flw

té mais! 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Gostar de uma banda é também deixar acabar

 Eu to escrevendo o próximo post sobre a viagem pro Japão mas tem uma coisa que queria escrever nesse entremeio antes.

Eu li uma matéria de um site japonês de notícias relacionadas a música (natalie.mu) que entrevistou uma atriz/modelo que eu conhecia porque o perfil dela sempre aparece no meu feed do Instagram, a Makoto Tanaka (aparentemente um nome extremamente comum no Japão). Essa série de matérias entrevista pessoas (famosas) em diferentes profissões e pergunta de uma banda/artista que mais impactou na vida da pessoa, a moça em questão falou de Andymori.


 Eu já falei de Andymori neste blog antes, é uma banda até que bem influente que durou de 2007 até 2014 e é o típico rock indie dessa época, mas uma coisa que sempre me atraiu nas músicas deles são as letras, sempre positivas mas não do jeito "secretamente financiado pelo governo japonês" e também refletiam as inseguranças daquela geração de millenials.

Mas o que achei interessante da entrevista é como a Makoto fala como o término da banda foi essencial pra ela amadurecer como adulta e não manter vícios da juventude. Andymori pra ela foi a primeira banda que ela conheceu sem influência dos pais e a banda acompanhou a vida da moça do ensino médio até a faculdade. Eu fiquei matutando sobre essas colocações dela por uns dias e acho que tem duas bandas que posso falar que tiveram o mesmo papel que Andymori teve pra Makoto Tanaka: Kinoko Teikoku e For Tracy Hyde.

Já fiz post sobre o fim das duas bandas, e por isso mesmo até pensei se deveria fazer mais um post sobre o assunto, mas acho que passados aí quase três anos do fim do For Tracy Hyde e uns sete... SETE ANOS??????? do fim do Kinoko Teikoku, consigo falar melhor sobre o que essas bandas significaram pra mim.

Eu conheci Kinoko Teikoku em 2014 quando achei o clipe do Umi to Hanataba, acho que não tenho outro jeito de falar senão que me apaixonei à primeira vista pela Chiaki Sato. A voz dela pra mim é até hoje uma das mais bonitas que já ouvi e sempre achei ela particularmente linda. Vocês sabem melhor que eu como eu gosto de vocalistas mulheres nas músicas japonesas que escuto, mas muito raramente eu tenho esse fascínio pela pessoa em si, acho que desse jeito eu só compartilho essa mesma paixão com a Momoe Yamaguchi e a Izumi Sakai (do ZARD), a Shiina Ringo obviamente é um caso aparte.


 

Mas enfim, além de eu ser apaixonado pela Chiaki Sato, as músicas dos dois primeiros álbuns e do EP de 2014 eram tudo o que o Yoiti sadboy vestibulando precisava pra chorar nos dias que não tinha aula ou simulado ou vestibular, aquele ano foi uma merda.

Mas no final de 2014 a banda lançou Fake World Wonderland, que abraçava um dream pop e se distanciava do shoegaze pesado dos álbuns anteriores, mas mesmo assim fiquei animado com o lançamento, porque foi o primeiro que acompanhei, e Aruyue em particular é talvez a melhor música que a banda lançou na carreira, então tava tudo certo não ser mais depressivo.

Aí entrei na Poli, e no fim do meu ano de bixo (2015) eles lançaram Neko to Allergy,que foi o major debut deles. Cara, o álbum é ruim. Umas músicas aqui e ali salvam mas achei bem fraco, xinguei a banda no Rate Your Music, no Twitter, na porra toda e acho que aqui também. Eu me senti traído pela banda ter mudado o som totalmente depois que assinou com uma gravadora grande. Aí meio que larguei o osso e só escutava mesmo as músicas antigas. Comecei a ouvir bossa nova nessa época e descobri a Kaneko Ayano! Minha cantora favorita até hoje, mas hoje estamos falando sobre bandas.

Em 2018, quando tava pra ir pro arubaito, eu conheci For Tracy Hyde enquanto estudava na Sala CAD da Naval. Eu tava explorando os álbuns que o pessoal upava no Youtube e conheci o film bleu e o he(r)art, dois álbuns que guardo no coração até hoje. 

Quando eu fui pro Japão eu acabei tendo a oportunidade de ver o show do For Tracy Hyde, eu não era tãooooo fã deles ainda mas me interessava muito. E aqui que entra um pouco da emoção de atrelar acontecimentos a músicas, porque eu já relatei neste blog umas três ou quatro vezes da primeira vez que fui sozinho pra Tokyo ver o show da banda, e como me perdi por Shinjuku e como conversei com a banda e pedi autógrafos pra todos os membros. Poxa cara, depois desse dia não tinha a menor chance de For Tracy Hyde não se tornar a minha banda favorita, pra mim eles eram Tokyo, eles eram o café da manhã que tomei numa konbini no lado da estação de Shinjuku, eles eram o lamen que comi no almoço sem saber um puto de japonês, eles eram o café que tomei no Starbucks de tarde, eles eram o sentimento de frio na barriga que eu tive ao explorar Tokyo sozinho pela primeira vez, eles inclusive têm uma música chamada TOKYO WILL FIND YOU, dá pra ser mais óbvio que isso?

Acho que meu amor por For Tracy Hyde era diferente do meu amor por Kinoko Teikoku, a Eureka (vocal do FTH) não tinha o magnetismo que a Chiaki Sato tinha, e eu gostava de FTH por estar atrelado a memórias muito boas que tinha de Tokyo em específico, além de eu ter conversado com a banda. Eu acabei vendo um show solo da Chiaki Sato nessa mesma viagem, onde ela cantou uma música do Kinoko Teikoku, mas não senti o espanto que senti com outros shows, acho que era sinal que Kinoko Teikoku já não significava tanto pra mim.

Voltando pro Brasil e não deu nem um ano e o Kinoko Teikoku anuncia que acabou, se não me engano eles nem anunciaram que iam terminar antes dos últimos shows que fizeram mas parece que tudo acabou amistosamente entre os membros. Eu não fiquei particularmente triste, porque eu já não acompanhava a banda faz um tempo, mas parece que parte da minha juventude morreu com eles.

For Tracy Hyde lançou o  maravilhoso New Young City em 2019 e depois da pandemia lançaram Ethernity (álbum que acho ser o mais fraco deles, apesar de ser bom) e Hotel Insomnia e no começo de 2022 eles anunciaram que a banda ia terminar.


 

Acho que o azar do For Tracy Hyde foi a pandemia, porque eles tavam num embalo bem legal fazendo shows no sudeste asiático e tal e, depois da pandemia, só voltaram a fazer tour um pouco antes de acabarem, eles tinham fãs bem leais (eu incluso) e um following bem orgânico, tudo isso sendo totalmente independentes.

Mas enfim, a banda acabou no começo de 2022, foi bem quando eu tava começando como efetivado no meu trampo. E desde então eu corro atrás de bandas pra serem minhas favoritas, mas nada vai me fazer sentir o que senti ao conhecer Kinoko Teikoku ou o que senti na minha primeira noite em Tokyo quando fui ver For Tracy Hyde.

Acho que todo mundo devia ter uma banda ativa favorita durante a juventude, mas uma banda ativa de verdade, que lance material novo, que faça tour e que tenha sido descoberta por você mesmo. Acho que o processo todo de descobrir uma banda nova, acompanhar e, quando possível, ir em shows é uma experiência super maneira. E claro, viver o fim da sua banda favorita é uma experiência que todos deviam passar na vida, é quase uma cerimônia de coming-of-age.

Eu não sei se posso falar que seria uma pessoa diferente se minhas bandas favoritas não tivessem terminado, como a Makoto Tanaka falou do Andymori na entrevista que linkei no começo deste post, mas é uma mudança na vida, por menor que tenha sido. 

Os términos das duas bandas foram bem marcantes na minha vida porque coincidiram com mudanças de rotina que tive: o Kinoko Teikoku terminou bem no meio entre minha volta do arubaito e o começo da pandemia, enquanto que For Tracy Hyde terminou bem quando comecei a trabalhar de CLT, foram realmente coming-of-age.

Pode parecer meio redundante mas gosto de falar que sou apaixonado por tudo o que gosto, gosto de viver o negócio, de comprar merch, de só pensar nas coisas que amo, por isso acabo mal sempre que uma das coisas que amo termina ou fica ruim (ainda mais no caso de mangás, eu AMAVA Oshi no Ko!!), mas vou fazer 30 anos daqui umas semanas e acho que perdi um pouco da paixão que tinha pelas coisas, talvez por isso eu não tenho uma nova banda ativa favorita FAVORITA de verdade ainda, mas isso é papo pra outro post.

E acho que é isso pessoal. Eu acho que bandas são um negócio muito legal de acompanhar, por mais que eu ame a Kaneko Ayano ou a Shiina Ringo por exemplo, uma banda onde todos (ou maioria) são iguais na hierarquia são uma vibe diferente, sinto mais conexão.

E é isso, próximo post continua os relatos da viagem!

vlw flw té mais! 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 6

Dia 3/11 - Chegando em Osaka, Dotonbori e Castelo de Osaka

 Começamos o dia tomando um café da manhã no Mcdonalds, o menu do Japão no café é bem mais diferente do que o normal se comparado com o Brasil: tem macaron, panquecas, aquele hambúrguer de porco que chamam de sausage e o delicioso hash browns.

 

Típico café da manhã do Mcdonalds no Japão (foto do Pedro) 

 

A viagem de Kyoto pra Osaka é um trem normal de um pouco mais de meia hora, de centro pra centro demora mais eu chegar da Liberdade pro centro de Osasco do que a gente demorou de Kyoto pra Osaka.

Chegamos, novamente, antes do horário de check-in então deixamos nossas malas no lobby e fomos explorar Osaka. Esse hostel em particular era numa distância andável de Dotonbori, então fomos lá.

Tako Yaki de Dotonbori

 

Dotonbori é uma grande tourist trap, não tem muita coisa que dá pra salvar lá. Comemos um takoyaki logo no começo da rua, porque não tava lá muito caro, e tava até que bom, mas acabamos ilhados num arcade porque começou a chover pra caralho uma hora. Chegou uma hora que estávamos com fome e não tinha nada com preço razoável e que parecesse gostoso lá por perto, então andamos até o Parco de Shinsaibashi, um shopping.

Lá eu queria achar algo típico de Osaka que fosse palatável pro pessoal, então almoçamos num restaurante de Okonomiyaki.

Okonomiyaki (foto do Alvin)

 Esse restaurante era legal porque os caras preparavam o prato na cozinha e na chapa da mesa era mais pra servir mesmo, ao contrário do usual do cliente ter que fazer tudo na mesa. E tinha yakisoba e umas carnezinhas maneiras pra comer também, que pegamos. Quero dizer, era legal porque se deixasse pra gente preparar ia ser um desastre.

Mas enfim, nesse Parco em particular, que entramos por pura sorte, tinha absolutamente tudo o que você pode imaginar: loja do Pokémon, Jump, Studio Ghibli, Muji, etc.

Voltamos pro hostel, demos check-in. Nosso quarto aqui era bem espaçoso, e assim como em Kyoto não tinha banheiro nem geladeira e nem podia comer nada no quarto(!!) mas o lobby era bem legal e tinha cozinha e geladeira e tudo mais.

Nossa quarto em Osaka (foto do Nathan)

 

 Foi de longe a hospedagem mais barata da viagem, mas teve pontos negativos além dos que falei acima: só deram dois keycards pra gente, então tínhamos que ficar fazendo revezamento pra conseguirmos entrar no quarto; o colchão era quase um futon de tão fino, e não era lá tão grande também; os chuveiros não eram tão legais quanto os de Kyoto. Mas em compensação o lobby era super grande e convidativo, tinha uns eventos do hostel que pareciam bacanas (mas não tivemos tempo de aproveitar), tinha uma rede no nosso quarto e a localização talvez tenha sido a melhor (relativamente) de todos os lugares que ficamos.

Depois de descansarmos um pouco no hostel, fomos ver o Castelo de Osaka. O ideal pra ver o castelo mesmo seria no horário comercial, já que dá pra entrar lá e tudo mais, mas como a gente sabia que de dia é um inferno trafegar por ele, fomos de noite pra ver a iluminação mesmo.

O castelo de Osaka fica beeeeemmmmmmm dentro do parque onde ele tá localizado, da estação até chegar perto dele tem tipo meia hora de caminhada e escadas pra caralho, mas ele é bem bonito,

Ele é muito imponente ao vivo, séloco.

 

 O Castelo é muito bonito, a iluminação destaca ele no meio do parque e toda a caminhada até vê-lo parece ser recompensante depois de você ver o dito cujo. Não tinha nada aberto no parque tirando um festival que tava rolando de Natal... que tinha entrada paga, então voltamos pra jantar perto do hostel. Pior que eu queria comprar um chaveirinho que seja do peixe dourado que fica no topo do castelo, uma pessoa que conheci tinha uma fixação tão grande nele (inclusive andava com um pingente do peixe) que fiquei com vontade de comprar algo relacionado também, mas fica pra próxima.

 Voltando pra perto do hostel eu dei ideia da gente comer num yakiniku, escolhi um na rua do hostel mesmo e onde não tinha um puto de um estrangeiro.

Yakiniku pegando fogo (foto do Nathan)

 

 Pegamos um set com wagyu e tudo mais, delicioso. A gente comeu pra caralho, bebemos pra caralho (pelo menos pro meu nível de tolerância) e voltamos felizes pro hostel.

 

 Dia 4/11 - Universal Studios e Estação de Osaka

 

 O grande motivador pra gente visitar Osaka era a Universal. Eu particularmente não sou muito fã de parques de diversão mas acho que viajar com meus amigos desse jeito já é algo que vai ser raro de rolar daqui pra frente, irmos para um parque de diversão então? Não sei se terei mais chances nessa vida. Então vamos lá.

A gente pegou o Express Pass pra uma série de atrações: Jaws, Harry Potter Forbidden Journey, Mario Kart, Donkey Kony Minecart Madness e um dos Minions (escrevi tudo isso de memória, chances são que errei coisa).

 Chegamos cedo lá e tava uma multidão do caralho na entrada. Apesar disso não demorou muito pra gente entrar no parque.

A primeira atração que fomos foi a do Jurassic Park, que não tava no nosso Express Pass mas aproveitamos que tava sem fila.

Entrada pra parte final do trajeto do Jurassic Park (foto do Alvin)

 

 A Atração do Jurassic Park é um trajeto de barquinho com todo um storytelling de dinossauros fugindo do controle do parque. Os barquinhos são todos guiados por trilhos debaixo d'água (ou seja: não são barquinhos) e no final tem uma pequena grande surpresa que fez todo o negócio valer à pena.

Depois demos uma volta e decidimos ir na nossa primeira atração do Express Pass: Jaws.

Entrada da atração do Jaws (foto do Nathan)

 

A atração do Jaws foi também um passeio de barquinho mas mais teatral, onde a guia do barco fazia toda uma encenação caçando o Tubarão (que não sei se tem nome, não vi o filme).

A gente tinha uma janela meio limitada pra comer antes das próximas atrações no nosso Express Pass, então almoçamos meio cedo, fomos no Diner logo na entrada do parque pra comer o mais legítimo hambúrguer americano.

Acho que todos nós pegamos mais ou menos a mesma coisa (foto do Alvin)

 Assim, o hambúrguer não tava ruim, mas uns dois dias atrás nós comemos o maravilhoso Olu Burger, então bateu aquela depressãozinha. O preço pelo combo tá na notinha do Alvin aí na foto: 1800 yen, meio caro mas pra um parque de diversões tá bem ok, aposto que com o preço convertido (uns 70 conto?) você não consegue comer algo decente no Hopi Hari hoje em dia.

Então rumamos para a parte temática do Harry Potter no parque. O Universal Studios de Osaka tem duas áreas temáticas meio que separadas do resto: a do Harry Potter e a da Nintendo. Elas têm um limite de visitantes então você não tem entrada garantida nessas áreas dependendo do horário que você quiser entrar. O nosso Express Pass dava entrada garantida nessas áreas porque a gente tinha atrações nas duas áreas programadas pra certos horários, a área do Harry Potter tava tão de boa que nem tavam vendo quem entrava.

Eu só assisti até o quinto filme do Harry Potter e li só os dois primeiros livros, então não sei e não lembro de muita coisa.

A área temática de Harry Potter no parque (foto do Pedro)

 

 A área toda era baseada na vilinha que fica no lado de Hogwarts (Hogsmeade acho?) e tinha lojinhas de docinhos, varinha, roupas temáticas e tal, e claro, algumas atrações. O pensamento de comprar uma varinha passou pela minha mente mas cada uma era tipo 300 conto acho, e nem curto essa porra. As filas pras comidas que achei interessante também estavam meio longas e acabamos indo pra atração que a gente tinha direito no Express Pass.

O Harry Potter Forbidden Journey (ou algo do tipo) era uma montanha russa indoor com projeções e tudo mais. Foi legal sim! Mas me deixou bem tonto, essas coisas de VR/projeção contam muito com aceleração brusca pra dar sensação de movimento, aí no final eu tava tontaço.

 Aí andamos mais por outras áreas porque quando entrássemos na área da Nintendo, certamente não sairíamos até o final.

Chegada a hora fomos lá pra área da Big N, a fila tava enorme mesmo pra quem tinha Express Pass. O parque tava cheio de gente mas parece que boa maioria só queria ir pra parte da Nintendo mesmo.

Entrada pra parte da Nintendo do parque (foto do Pedro)

 Uma coisa que não percebi pelas fotos e vídeos que vi no Instagram é como essa parte do parque é apertada, ela é toda compacta e cheia de escadas, lá embaixo é mais de boa (na parte que vai pra área do Donkey Kong) mas essa porra foi muito mal planejada, tem muita gente pra pouco metro quadrado.

Super Nintendo World em toda sua glória (foto do Alvin)

 

 A gente andou bastante mas tinha fila em todo lugar, o sorvete do DK tinha um valor meio abusivo e eu sinceramente sou a pessoa mais propensa a gastar dinheiro de forma burra, mas sei lá, quando gasto dinheiro numa coisa questionável eu geralmente me pergunto se vou me arrepender de não ter comprado, mas pras coisas que vi na Universal em geral nada me chamou muita atenção.

A primeira atração da Nintendo que fomos foi o do Mario Kart.

Castelo do Bowser onde tinha a atração do Mario Kart (foto do Alvin)

 

 Cara, eu achei essa atração bem mais ou menos mas a tecnologia de AR que tinha no visorzinho que cada um tinha que usar é super massa. A experiência foi legal sim mas podia ser melhor se os karts fossem individuais (eram em 4 pessoas cada) mas visto a ENORME fila que tem pra essa porra, entendo economia de escala o suficiente pra ver o porquê de ser do jeito que é hoje.

 

Entrada da área do DK (foto do Alvin)

 

Mas enfim, depois fomos pra área do Donkey Kong, que tá dentro da área da Nintendo mesmo, pra ir no Minecart Madness, a montanha russa do DK.

Entrada do Minecart Madness (foto do Alvin)

 

 A montanha russa foi do caralho. Vocês podem ver vídeos dela em um monte de lugares, mas o carrinho da montanha russa é guiado por trilhos que ficam na lateral e botam trilhos falsos e buracos no meio pra dar sensação de que o carrinho descarrilhou, por mais que seja meio óbvio que tudo aquilo lá faz parte da atração, não dá pra evitar de sentir o frio na barriga real.

A próxima atração que a gente tinha no Express Pass era uma dos Minions mas era só de noite, decidi vazar antes pra conhecer um pouco mais de Osaka. Eu e o Nathan saímos mais cedo e o Alvin e o Pedro ficaram no parque.

Eu e o Nathan fomos pra estação de Osaka pra comprar as passagens de trem bala de volta pra Tokyo mas também exploramos a estação, fomos na Uniqlo e nas lojas que tinham no shopping ligado lá, e tomamos sorvete na Baskin Robins, delicioso por sinal.

Depois disso me despedi do Nathan pra dar uma olhada numas lojas em Shinsaibashi (que era bem perto do nosso hostel) e depois esperamos os dois que estavam no parque pra gente jantar.

A gente jantou num restaurante de Tsukemen bem na esquina antes do nosso hostel. O sistema de pedir era aquela máquina de tickets e eu tava explicando pros meus amigos como funcionava até que o dono do restaurante saiu de trás do balcão e ficou me encarando, meti um inglês e ele falou um "You look japanese bot don't speak japanese?" e dali tive que explicar o porquê de ter japonês no Brasil. Acho que foi a maior interação que tivemos com os japoneses nessa viagem, a gente ficou conversando com o dono enquanto comíamos e foi super legal bater um papo com um nativo, o cara era meio coreano meio japonês e sabia pelo menos japonês, coreano, inglês e chinês (porque no meio da nossa conversa umas clientes chinesas entraram no restaurante). O tsukemen lá era bem interessante que você podia escolher o macarrão entre lámen, soba e udon. 

 

 Dia 5/11 - Onsen, Shinsekai e Denden Town

 

Chegou o dia esperado: o dia da gente ficar pelado.

A ideia de ir pra um onsen ronda a cabeça de todo turista que vai pro Japão, mas geralmente esbarra ou na vergonha ou no impeditivo de ter tatuagem, vou levar em conta que os leitores deste blog sabem o rolê todo que o pessoal do Japão tem com tatuagem.

Por sorte nenhum de nós quatro têm tatuagem, mas sobrou o que? A vergonha de ficar pelado.

A entrada do onsen que nós fomos, é tipo um spa no meio da cidade (foto do Alvin)

 

A gente foi num onsen em Osaka mesmo, eu tinha procurado um lugar que fosse ao mesmo tempo em conta, que tivesse bastante coisa pra fazer e fosse numa localização conveniente. Tinha umas opções em Tokyo mas por tipo o dobro do valor, então fomos nesse mesmo.

Nesse onsen você tinha que tirar o sapato na entrada e botar num footlocker, a chave do footlocker vinha com um rfid que seria tua comanda pro resto da estadia, com esse rfid você paga as comidas, massagens adicionais, etc. E claro, na entrada a gente podia escolher uma yukata pra usar lá dentro, e cada um escolheu uma diferente.

A gente de yukata na ponte que passava sobre nada (foto de duas moças japonesas que tiraram a foto pra gente mas que está no celular do Alvin)

 

A gente pegava uma toalha menor no começo e uma maior no vestiário antes dos banhos. Obviamente cometemos uns erros de principiante: entramos com a toalha grande pra dentro dos banhos, quando era pra entrar, no máximo, com a toalha pequena. Mas tinha gente que fez pior: entraram enrolados com a toalhas nos banhos, algo que tava até com plaquinha no lado proibindo.

Mas todo o processo de ficar pelado e entrar nos vários banhos foi bem de boa, agimos todos com maturidade e naturalidade mas claro, dali pra frente nossa amizade chegou no nível "JÁ TE VI PELADO HEIN!!!!!" e amizade assim, como todos sabem, é pra sempre na vida.

Depois saímos pra almoçar (no restaurante dentro do próprio Onsen) e dar uma passeada pelas instalações do Onsen. O lugar era bem grande e queria imitar uma cidade de Onsen mesmo: tinha uma ponte, um mini-templo, uma sala cheia de gacha e um belo arcade com uma clássica mesa de ping pong. 

 Depois saímos pro jardim central pra andar um pouco. Os banhos onde ficamos pelados eram divididos por gênero mas o jardim era comum para todos. Demos uma molhada no pézinho e nos dividimos: como era o último dia em Osaka eu queria conhecer umas coisas que não tinha visto, então saí mais cedo com o Pedro, enquanto isso o Nathan e o Alvin ficaram mais no Onsen.

Eu e o Pedro paramos numa GEO (loja de jogos e eletrônicos usados) no lado do Onsen mas não tinah nada legal, nos separamos e fui em busca da minha camisa de baseball.

Um dos meus objetivos nessa viagem era pegar uma camisa de baseball, não sou particularmente fã mas queria ter uma, como não queria ser mainstream eu já tinha descartado pegar dos Yomiuri Giants e do Hanshin Tigers, então fui pro Kyocera Dome pegar a camisa do Oryx Buffaloes.

Memorial das conquistas do Oryx Buffaloes dentro do Kyocera Dome

 Eu me perdi pra tentar entrar no estádio porque o negócio é imenso, mas consegui entrar lá e peguei a camisa, gastei bons 9000 yen mas o tecido e tudo mais são de uma qualidade bem boa então tá tudo certo.

Depois rumei pra Shinsekai pra ver a torre Tsutenkaku.

Torre Tsutenkaku

 Shinsekai é o lugar mais decadente que visitei no Japão dessa vez, não tem outro jeito de descrever. Não tinha a caralhada de turistas que tinha em Dotonbori, não tinha as lojas de Shinsaibashi e tinha umas shotengais que tavam com boa parte das lojas fechadas. Poxa, era uma quarta chuvosa de Novembro mas esperava um pouco mais de vida, mas foi legal ver um lugar assim na viagem.

Depois de eu dar uma volta na Donki de Shinsekai, acabei indo pra Den Den Town, a Akiba de Osaka, porque o Pedro falou que tava lá e era uns 20 min andando.

O que achei incrível na andada de Shinsekai pra Den Den Town foram as lojas de usados que encontrei no caminho. Tinha loja de consoles usados que tavam com preços bizonhos de caro e tinha MUITA loja de DVD pornô, MUITA. Não via coisa assim nem em Akiba! Mas enfim, lá em Den Den eu acabei indo pra Animate e lojas do gênero e vi uns desenhos do mangá de romance que falei neste blog (da moça caixa de supermercado).

Juro que só vi depois a plaquinha de proibido fotografar, desculpa.

 Passei na Super Potato e não achei nada demais, então voltei pro hostel. Nossa janta nesse dia foi num izakaya na avenida perto do hostel, foi bem mais ou menos pra falar a verdade, depois fomos no mercado pra comprar mais coisas pra comer de noite.

Mas enfim, foi isso nossa passagem por Osaka! Acho que foi bem curta e devíamos ter ficado mais tempo pra conhecer a cidade mesmo, mas qualquer dia a mais aqui seriam dias a menos em Tokyo, então optamos pelo mais desejado. Osaka e Kyoto foi onde comemos mais coisas boas e diferentes na nossa viagem, conhecemos mais restaurantes locais e nos aventuramos pra fora do roteiro comum. O resto dos dias da viagem foram mais solos (comparado com a viagem até este ponto) então esperem por mais relatos meus em lugares aleatórios que quis ir.

E é isso, obrigado por lerem até aqui e faltam uns 7 dias pra escrever ainda!

vlw flw, té mais! 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 5

Dia 1/11 - Fushimi Inari e Nara

Já passamos dois dias em Kyoto e só fomos no templo/santuário do lado do hostel! Vamos mudar isso!

Começamos o ida comendo no bom e velho Yayoi, restaurante que comemos todas as manhãs que passamos em Kyoto.

Preguiça de girar a foto

 O café da manhã no Yayoi não tinha nada de muito diferente do que comemos no Matsuya lá em Ueno: era uma proteína, arroz (no Yayoi era um arroz mais diferente, mas ainda arroz), missoshiru e um tofu ou outra guarnição que você podia pedir, mas nós gostamos bem mais do sabor dos pratos deles do que do Matsuya, então acabamos tomando nosso café todo dia no Yayoi, além do negócio ser literalmente do lado do nosso hostel.

Rumamos então para o Fushimi Inari.

Os famosos toriis do Fushimi Inari (foto do Nathan)

 O Fushimi Inari estava CHEIO, muito CHEIO. Cara, esse é aquele santuário com dez mil toriis (talvez mais?) e que a galera gosta de tirar foto e fazer merda. Tinha tanta gente no túnel de toriis que a gente tava andando num ritmo de procissão. A gente parou antes dos toriis pra pegar o goshuin e eu em especial parei pra pegar o caderno de goshuin ilustrado pelo Yoshitaka Amano (ilustrador dos primeiros Final Fantasy), comprei uns omamoris e então rumamos pelos toriis.

Uma hora lá no meio, vendo que não ia ter muita coisa mais além dos toriis, decidimos dar uma desviada numa trilha pro meio da montanha e fomos parar numa floresta de bambu.

Não é Arashiyama, mas tava vazio.

 Não era lá AQUELA floresta de bambus, mas tava vazio e o clima tava agradável.

A gente foi para nuns cemitérios e mini-templos pela montanha e só seguimos reto e seguimos até dar numa estradinha no lado de um monte de plantações.

Finalmente nos livramos dos turistas em Kyoto (foto do Nathan)

 Andamos e andamos seguindo o Google Maps pra estação mais próxima mas achamos umas joias no meio do caminho.

Lojinha sem vendedor com livros de gravuras artesanais (foto do Nathan)

 Passamos por uma lojinha onde vendia livros de gravuras artesanais, cara, era o tipo de artesanato muito maneiro e bem feito de verdade. Comprei um livrinho com uns poemas e gravuras mas tudo nessa lojinha era muito bem feito. A lojinha em si era totalmente na base da confiança: você pegava o produto e deixava a grana na caixinha.

Passamos por um templo subindo uma bela escadaria, onde dava pra ver parte da cidade de Kyoto.

Já vimos tudo do Fushimi Inari (que tínhamos saco pra ver), então decidimos ir pra Nara.

Pra chegar em Nara a gente pegou um trem da Estação de Kyoto pela linha Nara, descendo na estação Kintetsu Nara.

A estação está ligada a um shotengai e como já era umas 13h, decidimos arranjar um lugar pra comer lá, fomos num Tonkatsu.

Tonkatsu com Ebi Furai (foto do Pedro)

 Esse restaurante de Tonkatsu era interessante: vinha um pilãozinho pra macerar gergelim e misturar os molhos que você quisesse, pra dar textura e tal. De resto era um teishoku normal, delicioso. Na fila um cara turco ficou perguntando pros meus amigos se eles sabiam o que tinha nos pratos, ele nem tentou falar comigo, provavelmente por achar que eu era nativo.

Bem almoçados, fomos em direção ao parque de Nara pra ver os veadinhos, no caminho comprei um saquinho de baby castella fresquinhos, pensa na massa de Taiyaki/Crepe só que em forma de bolinhas, bom demais (comprei o saquinho grande e ele acabou durando até Osaka).

Rumamos meio sem rumo até ver que tinha um templo lá perto pra ver.

Tem um monte deles pela cidade toda, chega a ser engraçado.

 
Templo Kofukuji em Nara

Olhar de fora é de graça mas entrar nos salões dos templos precisava de ingresso, já que a gente tava lá, acabamos pagando. Tava tendo uma demonstração de naginata na frente do templo.

Depois fomos pegar o goshuin e mais omamori.

Descemos na rua comercial do templo e fizemos umas compras, destaque pro mochi preparado na hora, aquele mesmo que tá famoso no Instagram "YOISHO HAI HAI HAI YOISHO HAI HAI HAI". Passamos em umas lojas do shotengai no aldo da estação e vazamos pra casa.

De noite fomos pra Estação de Kyoto pra explorar e comemos num izakaya, tava mais ou menos. Exploramos as lojas da estação e voltamos pro hostel.

 

Dia 2/11 - Kiyomizudera e Delta do Kamogawa 

 

Acordamos cedo pra ir ao Kiyomizudera, um dos templos que você pensa quando pensa em Kyoto.

O Kiyomizudera é um dos templos que é meio chatinho de ir de transporte público, porque as ruinhas que dão acesso a ele são íngremes e bem, são ruinhas.

A gente acabou não indo ao Kinkakuji porque tinha que pegar ônibus e nem dava pra entrar no negócio dourado, então o Kiyomizudera (junto com o Fushimi Inari) foram os templos mais populares que fomos.

O Kiyomizudera tem uma parte que tem acesso de graça, mas maioria do complexo do templo você só tem acesso depois de pagar um ingresso. Sinceramente, vale bem a pena. Os omamoris e goshuin são mais baratos que os templos que visitamos até então e tem bastante coisa pra explorar.

Essa estrutura de madeira não tem nenhum prego

 
Meu pai me falou que essa foi uma das únicas fotos boas que tirei na viagem

O atrativo do Kiyomizudera é uma fonte que tem água com efeitos místicos ou coisa do gênero, obviamente eu e meus amigos bebemos.

Depois descemos a rua comercial do templo e inventei de comer aquele pepino no espeto que aparece em anime e sempre comem no verão... e só quando dei a primeira mordida que me dei conta que é um tsukemono mas de PEPINO INTEIRO, comi o pepinão sofrendo, o negócio é muito azedo.

Depois de explorar (bem) os arredores do Kiyomizudera a gente foi pro Palácio Imperial de Kyoto... era esse o plano pelo menos, o negócio tava fechado (acho que era domingo) e já era 13h! A gente tava morrendo de fome. Eu dei a ideia de comer hamburguer, mas não de rede, então achamos um restaurante perto do palácio: o Olu Burger.

Olu Burger em toda sua glória (foto do Pedro)

 Caros leitores e leitoras, pra tudo o que comemos nesta viagem eu recomendo muito vocês experimentarem os pratos, não necessariamente os restaurantes, porque não comemos em nenhum lugar específico onde a forma que o restaurante em específico fazia alguma diferença. O Gyukatsu era bom mas muitos lugares faziam igual, o kaisendon idem, mas esse hamburguer? Puta que pariu.

Foi o melhor hamburguer que comi na vida, simples assim. O pão é claramente feito no restaurante e a carne era 100% wagyu puta que pariuuuuuuuuuuuu. Muito bom. Recomendo fortemente que vocês comam no Olu Burger se forem pra Kyoto, queria eu estar sendo pago pra fazer essa divulgação, mas realmente foi uma experiência incrível.

Bem, terminada e experiência transcendental de comer no Olu Burger, cada um foi pra um lugar, era a tarde livre antes da gente ir pra Osaka.

Eu queria conhecer a Universidade de Kyoto (Kyodai), sim, por causa de Tatami Galaxy mas lá é também onde o Genji e a Yui do Evangelion estudaram, além de ser relativamente perto de onde a gente tava.

A famosa árvore e a torre do relógio da Kyodai

 

A Universidade de Kyoto é bem parecida com a Universidade de Tokyo: as duas são bem urbanas e têm um campus bem denso, eu já falei isso quando escrevi sobre a Universidade de Tokyo mas reforço: a USP não tem nada a ver com as duas, se eu demorava meia hora saindo da Poli indo pro bandejão central, em 40 minutos você consegue cruzar o campus todo dessas duas universidades. Eu sinceramente preferiria que o campus da USP fosse assim, ainda mais a parte de ser mais urbano e perto do transporte público, mas vejo valor também na Cidade Universitária como ela é.

Enfim, na ida pra Kyodai eu vi o famoso delta do Kamogawa, lugar onde os estudantes da Kyodai e jovens em geral da região vão pra descontrair.

Delta do Kamogawa, um dos meus lugares favoritos nessa viagem.

 O delta do Kamogawa e suas margens são um espaço bem maneiro de socialização. O delta em especial é um parque, tinha um monte de casais e famílias curtindo o clima meio ameno de fim de outono, tinha rodinha de violão e nas margens do rio eu vi pelo menos três bandas de jazz ensaiando.

Eu pulei essas pedrinhas pra chegar no meio, o rio é bem raso

 

Pode ser meus rose-tinted-glasses de turista mas porra, que lugar legal. Eu tinha passado num Seven Eleven e peguei um potinho de Calbee Jagariko e um chá pra aproveitar o Delta, então me acomodei numa encosta com grama e fiquei lá curtindo o clima por umas horinhas, até botei um alarme pra tirar uma sonequinha de 20 minutos porque o clima tava muito incrível pra deixar passar. 

No verão eu sei que a galera bota cadeira no meio do rio e fica lá curtindo a água, que inveja! A água é bem rasa então imagino que seja um lugar bacana pra ir com família e amigos.

O rio Kamo (ou Kamogawa, gawa/kawa é rio em japonês) corta Kyoto inteira, e por toda sua extensão a margem tem toda uma estrutura pro pessoal andar e ciclofaixas, acho que essa integração só é possível porque o rio é ridiculamente raso na maioria do ano mas é algo que a gente não vê em Tokyo por exemplo, o Kamogawa é mais charmoso e tem um papel mais social que o Sumida/Tama/Arakawa.

Enfim, como era nosso último dia em Kyoto, decidi fazer umas compras, rumei pra Kawaramachi que é a rua comercial (queria achar coisa na Uniqlo). Achei o famoso moletom do Gengar da Uniqlo e uma camiseta do Chainsaw Man!!!

Enfim, nisso chamei meus amigos pra comprar essas roupas de collab da Uniqlo (que em Tokyo não tínhamos achado) e rumamos de volta pro hostel, o jantar do dia foi bento do Supermercado. No dia seguinte a gente ia rumar pra Osaka.

Kyoto foi a parte que mais me surpreendeu na viagem, eu esperava que seria uma cidade 100% histórica mas ela tem uma vida social bem ativa e a cidade em si é super charmosa, o foda é que as linhas de trem não se comparam com Tokyo, muitos pontos turísticos exigem que você pegue ônibus ou ande pra caralho mas assim, ainda é bem melhor que São Paulo por exemplo, é só que Tokyo que é fora da curva mesmo. As comidas são deliciosas, o supermercado do lado do hostel foi o melhor que frequentamos nessa viagem (te amamos, Fresco!) e o hostel também foi talvez o melhor que ficamos. Eu acho que conseguimos fazer tudo o que queríamos mas na próxima vez eu queria explorar mais algumas coisas, amei de verdade essa cidade. Eu nem sou fã de coisas históricas assim mas é uma cidade que usa a história pra construir algo bacana que não fica na mesmice de só visitar templo e castelo.

E é isso, pessoal! Como ficamos só três dias em Osaka, vou tentar botar Osaka inteira num post só.

vlwflw té mais!