sexta-feira, 28 de novembro de 2025

An eulogy for Reze

Eu assisti o filme do Chainsaw Man duas vezes lá no Japão, e isso me motivou a visitar os locais que aparecem no filme (em Jimbocho) e a gastar uma grana não muito razoável em todo merch possível que eu achei da Reze, que infelizmente não inclui a figure linda do Ichiban Kuji que tava num preço nada razoável de mais de mil reais.

AAHHHHHHH VOU DAR SPOILER DO FILME DO CHAINSAW MAN, SE VOCÊ NÃO VIU AINDA E PRETENDE ASSISTIR, CUIDADO!!!!!!!!!! 

Eu amo a Reze desde que li o mangá, tanto que a última capinha que usei do meu celular antigo tinha uma fanart dela (totalmente sem crédito pro artista e obviamente comprada no AliExpress), mas o filme me cativou de uma forma que agora eu tenho três pôsteres da Reze, dois bottons e um photocard da moça só no alcance da minha visão neste momento, a Reze virou uma das minhas personagens favoritas de fato.

Mas o que gosto tanto na Reze?

É algo que gosto em tudo: a possibilidade.

Eu sou um amante do hype. Cara, tudo o que gera expectativa me anima demais, e algo que sempre me fascinou foi o potencial não realizado, o what if.

Atletas que morreram cedo demais. mangás cancelados antes de atingirem o verdadeiro potencial, filmes e games que nunca viram a luz do dia, tudo isso me fascina de verdade. Porque uma coisa é você falar que tal obra que está lá, estática, é a melhor que já existiu, outra coisa é você falar que uma obra que não existe seria a melhor que já existiu. É o futuro do pretérito.

E tudo isso me leva de volta ao filme do Chainsaw Man e à personagem da Reze.

Meu tipo favorito de personagem é o herói trágico, ainda mais em um romance fadado a dar errado.

Grande Gatsby, Romeu e Julieta, Anna Karenina, Morro dos Ventos Uivantes, Saya no Uta, Oyasumi Punpun, Natsu no Zenjitsu, Narcissu (não muito romance mas...)

e agora o filme do Chainsaw Man.

A heroína trágica em especial é uma personagem que me cativa demais, e gosto muito de duas em especial: a Ai de Oshi no Ko e a Reze de Chainsaw Man.

São casos bem diferentes mas de certo modo similares: a Ai morre já no começo da obra e é o que faz a história começar de verdade, a personagem dela é bem incompleta no começo e a partir do relato de terceiros que você começa a entendê-la. Nesse ponto Oshi no Ko é brilhante, infelizmente em todo o resto o mangá é uma merda. Já a Reze é um flash de luz: ela aparece em um arco só e gera um impacto absurdo mais no leitor do que na obra em si, eu entendo a ideia do Fujimoto de não deixar a Reze como uma lembrança eterna mas acho que dava pra ter lidado melhor com a perda dela. E aí chegamos no ponto em comum: nas duas obras você, como leitor, tem que lidar com a morte da personagem, e obviamente tem uma caralhada de exemplos do tipo em mangás, a morte do Rikiishi no Ashita no Joe é talvez o primeiro exemplo mais impactante, mas acho que a Reze no filme em particular foi feita pra isso.

Mas enfim, acho que por sempre estar fascinado com what ifs que acabo remoendo muito no passado, me pergunto o que eu seria se tivesse aceito tal oferta de emprego ou se tivesse dado certo com uma menina que saí uma ou duas vezes e nunca mais nos falamos. 

Eeeeehhhhhhh, ficou meio introspectivo mas é até interessante ver como meu blog às vezes roda ao longo desse tema né, de lembranças e possibilidades, de como o Kinoko Teikoku poderia ter sido a maior banda ou que eu poderia ter ficado no Japão nas duas vezes que fui ou que eu poderia ter largado a Poli... mas apesar disso tudo eu não me arrependo de muita coisa não, por mais que não pareça.

Acho que a Reze representa tudo isso aí, dos amores em potencial às possibilidades de fuga da rotina nunca materializadas, e por isso todo mundo se apaixona por ela quando vê o filme, porque além do romance que rola, o pessoal deixa a imaginação ditar o que poderia ter acontecido.

E é isso, eu gosto muito de muitas personagens e não sou cabaço o suficiente de chamá-las de waifus, porque gosto de cada uma por motivos totalmente diferentes,a Reze é uma delas. As outras são a Ai de Oshi no Ko, Still in Love do Uma Musume (SIM, O JOGO DAS MENINAS CAVALO), Akashi do Tatami Galaxy e a Chiyoko do act-age (acho que já falei dela noutro post). Tem outras também mas são num menor nível.

Mas é, esse post demorou pra ser escrito porque fui no show da Ichiko Aoba aí no meio e a conversa com meu amigo afetou bastante os rumos do post, a Reze no final é as amizades que fazemos no caminho (??).

Se eu continuar este post vou começar a me expor mais que o necessário, então encerramos por aqui hoje.

Amo vocês,

vlw flw, té mais!

 

AAAAHHHHH esqueci da música do post, e não tem como ser outra:


 agora sim:

vlw flw, té mais! 

sábado, 15 de novembro de 2025

FUI PRO JAPÃO DE NOVO

"E aí, como foi a viagem pro Japão?"

Legal, mas...

Foi uma experiência totalmente diferente da primeira vez que fui, acho que amadureci decentemente nesses últimos seis anos e passei a encarar os empecilhos e dificuldades de um jeito muito mais racional e menos infantil, de modo que muito do frio na barriga e incerteza que tive na primeira vez que me aventurei por Tokyo simplesmente não aconteceu de novo por motivos de: eu tinha internet dessa vez; já conhecia boa parte dos bairros e cidades; e estava com três amigos que, por mais que conhecessem menos que eu o Japão, me davam segurança de que pelo menos eu não me ferraria sozinho.

Por mais que eu tenha tentado sair um pouco do usual pros turistas alguns dias, maioria do roteiro era o mais manjado: Shibuya, Shinjuku e arredores em Tokyo, templos e santuários em Kyoto e Universal, Dotonbori e correlatos em Osaka. Nesse ponto, acho que por estar no Outono, é notável o crescimento do turismo no Japão desde a última vez que fui lá, ao ponto que tem lugar que ficou muito pior de visitar (Shibuya, Harajuku, Akiba e Shinjuku em particular e imagino que Kyoto também, apesar de não ter conhecido lá antes). Mas bom ver que bairros mais afastados tipo Setagaya fora de Shimokita e Kichijoji estão com poucos turistas.

Viajar com amigos que conheciam pouco ou conheciam só a parte mais pop da cultura japonesa foi bem diferente de viajar com o pessoal do arubaito por exemplo, fiz o papel de guia pra muitas coisas e levei o pessoal pra comer pratos que provavelmente passariam despercebidos por eles, e que pra gente que cresceu em uma família japonesa era mais do mesmo do que você acha num festival do Japão, mas acho sempre gratificante melhorar o dia das pessoas e apresentar coisas novas pra elas, de modo que acho que mimei muito meus amigos ao fazer boa parte do roteiro de viagem. Viajar num grupo de quatro pessoas com gostos totalmente diversos foi bem DESAFIADOR mas interessante, acho que muita coisa que aconteceu (e que virou história de bar) não rolaria se eu tivesse viajado com mais três nihonjapa, e pro objetivo da viagem era isso mesmo que eu esperava.

Mas estou escrevendo tudo isso porque foi uma boa viagem no final, comprei coisa pra caralho e CONSEGUI IR EM UM SHOWWWWWWWWWW!!!!!!

Por uma sorte absurda, bem nos dias que a gente planejou de estar em Tokyo, marcaram um festival em Shinjuku com artistas que amo:

SHIN-ONSAI 2025 Official on X 

O festival era bem interessante: cada palco era na verdade um casa de shows em Shinjuku, de modo que pra você ir de um palco pra outro era preciso andar pelo bairro. Aí quem tivesse a pulseira do festival tinha acesso a uns descontos legais nos restaurantes perto também. 

Eu vi quatro shows aí: Yeye, Lovely Summer Chan, Ohzora Kimishima e Odottebakarinokuni. 

Yeye é a cantora dessa música que é um clássico cult dos descobridores de música japonesa no Youtube:

 

O show dela foi num jazz club mais afastado dos outros, em Shinjuku Sanchome. Show acústico bem intimista com cadeiras e tal, muito bom.

Depois fui ver a Lovely Summe Chan:

 

Foi um show bem informal dela com um baterista, o azar era que batia com o Ohzora Kimishima e eu queria muito ver ele, então fiquei meia hora no show dela e rumei pro Shinjuku Face pra ver o cara que considero um dos melhores musicistas do Japão:

 

Foi um set acústico mas puta que pariu, isso só amplificou como o Ohzora Kimishima é foda tecnicamente. A casa de shows Shinjuku Face é feita de um jeito que parece que você tá vendo o show num Sesc:

Imagem 

Foi talvez a melhor performance ao vivo que vi na vida, sem qualquer exagero. O homem realmente é um gênio.

Depois foi vez de rumar pro Shinjuku Loft, única casa que eu já conhecia da vez passada, pra ver Odottebakarinokuni:


Foi o show mais emotivo dos que vi no dia, com total destaque pra Ghost (música do vídeo), onde pela primeira vez na vida vi japoneses gritando um refrão (GHOOOOOSTTT)... e fazendo um mini mosh.

Cara, eu CHOREI no Ghost. Essa música é tão épica numa proporção palpável, dá uma sensação tão quente de esperança que toda insegurança que eu tinha até aquele momento me atingiu no mesmo momento e só me restou o sentimento que não importa o que aconteceu até agora, tudo vai ficar bem no final. 

Depois disso saí pra comer yakiniku com uns amigos lá por Shinjuku.

O festival realmente foi uma mão na roda porque foi 4000 ienes e se fosse pra ver cada um desses artistas em shows solos deles o valor que eu desembolsaria seria 4000 POR SHOW e seriam quatro dias perdidos pra ver os quatro também, então fiquei mais que feliz e cancelei o plano que eu tinha pra ver uma banda menor no dia seguinte, ver Ohzora Kimishima e Odottebakari em seguida já foi demais pra minha alma.

Mas enfim, gostei muito da viagem e fiquei feliz em conhecer Kawaguchiko, Osaka e Kyoto e também Jimbocho e Kichijoji, esse último em particular quero explorar mais da próxima vez, me deu muito a vibe da Shimokitazawa que só li em livros, antes do turismo chegar, além de ter um parque maneiro do lado.

Assisti duas vezes o filme do Chainsaw Man, uma vez legendado em inglês (sim, passam uns filmes legendados em inglês lá, maioria dos populares de anime) e outra em ScreenX, e gastei uma grana em merch, mas não consegui a alusiva figure da Reze... mas conheci as localizações do filme! Ponto alto da viagem com certeza. 

Eu voltei do Japão sem muito sentimento de "devia ter feito tal coisa mas não deu" porque sei que eventualmente vou voltar lá, se vai ser sozinho pra um mochilão (meu plano) ou com família, amigos ou sei lá? Não sei, mas sei que vou voltar, assim como sabia que ia voltar quando voltei em Março de 2019 do arubaito. Os shows em particular são exemplos de coisas que aproveito sempre pra ver quando vou lá porque sei que não é sempre que rola e bandas são suscetíveis a terminar a qualquer momento, outra coisa que é bom aproveitar enquanto existe da forma que existe: Shibuya, aquele bairro tá sendo mutilado pelas passarelas.

Hmmmm, acho que é isso. Farei mais posts sobre a viagem, já que preciso justificar a grana descomunal que gastei nela, mas vai ser algo bem mais contido que os posts da época do arubaito.

Vou dormir porque o jetlag está me matando.

vlw flw té mais!