terça-feira, 11 de outubro de 2022

Por sete horas na Twilight Zone

Rapaz... onde devo começar a história?

Minha avó veio a falecer uns meses atrás e a missa de 49 dias dela (coisa do budismo, podem procurar) foi nesse sábado lá na cidade natal da minha mãe a uns 500km de São Paulo. Como minha família já não tem carro faz uns bons anos, a gente alugou um Peugeot 208 na Localiza, 400 conto pra ficar com o carro pelo fim de semana inteiro? Pô, bom demais.

A gente pegou um bom trânsito passando por Alphaville e a previsão já não era das melhores: a missa ia começar 15h mais ou menos e a previsão do Maps era chegar 15h30, mas melhor que nada né.

Eis que o carro começa a engasgar na estrada um pouco antes de Bauru: engasga engasga e puff, parou. E isso se repetiu algumas vezes, mas sempre era só parar por um tempinho e aí dava pra andar uns quilômetros. A gente parou num posto em Bauru e o cara falou que o problema era provavelmente álcool de qualidade dubitável, então botamos gasolina e o carro andou bem até, até que engasgou de novo e dessa vez começou a cheirar fiação queimada.

Paramos nesse posto:


 

A cidade da minha mãe é Guaimbê, que dá uma hora e meio de carro do posto.

Ok, chegamos no posto já umas 18h quase e a missa já tinha acabado faz tempo. Meu primo ofereceu de pegar a gente lá e deixar o carro mas pra não dar merda eu acabei falando pra ele vir buscar só minha irmã e minha mãe e deixar eu e meu pai pra esperar o guincho e o carro novo da locadora.

Eu liguei pra locadora, e consegui mandar minha localização, lá pelas 19h. Eles falaram que ia demorar umas TRÊS HORAS pra chegar o guincho e os caraio, Como três horas era o que levava pro meu primo ir e voltar do posto pra buscar a gente, achei melhor esperar mesmo, pô, 3 horas são facilmente tankáveis.

O negócio é que não foram só três horas.

Eu fiquei das 18h e pouco até às DUAS DA MANHÃ esperando a porra do carro, QUASE OITO HORAS NUM POSTO NO MEIO DO NADA.

Liguei, sem brincadeira, mais de dez vezes pra central dos caras e mandei mensagem pra caralho pelo whatsapp também, enfim, faz muito tempo que eu não ficava puto assim.

E o posto era bizarro, era um posto pra caminhoneiros (graças a deus 24h) e foi o mais próximo que experimentei de um survival horror na minha vida, era o que eu só conseguiria descrever como uma twilight zone.


Eu nem tirei muitas fotos do posto porque eu tava com medo real de morrer lá. Parava desde ônibus cheio de boliviano quanto carros de luxo com casais com disparidade de idade muito além do aceito socialmente, duas viaturas da polícia pararam nesse meio tempo que eu estava lá e eu já comecei a pensar que estava numa adaptação com sérias restrições orçamentárias de Twin Peaks no Brasil. Era coisa de louco.

Eu acabei só comprando água (uns 3 litros) e uma barrinha de cereal, meu pai pegou uns amendoins e uma bolacha e assim passamos sete horas a espera de um guincho.

Chegou 00h30, que era o horário que era a estimativa "oficial" de quando ia chegar o maldito guincho e eu só desisti. Liguei pro meu primo pra ele vir buscar eu e meu pai mas, só pra garantir, eu pedi pra ele trazer outra pessoa que soubesse dirigir, porque eu e meu pai não tínhamos mais condição nenhuma de pegar no volante àquela hora.

E não deu meia hora dessa ligação e chegou o guincho com o carro substituto.

SETE HORAS DEPOIS DE EU TER PEDIDO

Mas o negócio nem foi a demora, mas o total despreparo dos atendentes com a situação, o desencontro de informações, etc. Deve ser foda mesmo de achar um guincho lá na puta que pariu do interior de São Paulo, mas falar pra gente ficar junto do carro porque era nossa responsabilidade e depois falar que A GENTE podia ter falado que não podia ficar lá e eles poderiam ter pego o carro? Não fode, Localiza.

Eu acabei chegando no sítio dos meus tios lá por 3h quase (bem a tempo de ver o GP de Suzuka parado na bandeira vermelha) e dormi umas 4h, almoçamos lá NUM CHURRAS GLORIOSO que só poderia ter rolado no interior com a família reunida, e logo depois já tivemos que fazer o caminho de volta pra casa, que obviamente não foi sem emoções também, mas isso é outra história.

Enfim, eu ainda estou meio cansado da viagem HOJE, ontem em especial eu tive que dar uma pausa a mais no trampo pra dar uma soneca, além da soneca que já tinha dado no almoço, e hoje eu quase fiz o mesmo, mas aguentei esperando o feriado.

Agora vou dormir e usar o feriado amanhã pra descansar, num guento mais.

Valeu, falou, té mais!

sábado, 24 de setembro de 2022

formei (parte 2)`

Hoje (dia 16, este post já vem sendo escrito faz uma semana) fui lá pegar meu certificado de formatura, já que o diploma vai demorar um tempão ainda, e levei meus pais pra conhecerem parte da Poli que dava pra entrar, namely o Biênio e a Mecânica.

Foi bacana andar pelos corredores da Poli sem a pressão de estar na Poli, ou pior: querendo entrar na Poli, você vê a faculdade de outro jeito, tudo parece meio nostálgico, mesmo que eu tenha terminado minha última matéria que precisava faz menos de um mês.

Teve uma cerimônia pra colação onde o diretor fez discurso e chamavam um a um pra assinar lá o termo da colação pra pegar um envelope com o certificado de formatura da Poli.

E o envelope que te entregam não poderia ser mais pretensioso, nele estão impressas quatro linhas:

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA POLITÉCNICA

[SEU NOME]

ENGENHEIRO

Engenheiro, sem qualquer adereço ou sufixo, apenas Engenheiro.

Engenheiro, mané! Faz quanto tempo que eu já tinha esquecido que eu cursava engenharia!

Quero dizer, eu sou engenheiro de dados no meu trampo, mas todo mundo sabe que os nomes desses cargos de TI são cheios de perfumaria, eu não vou me adentrar muito nisso neste post porque não quero me encrencar, ainda.

Mas enfim, isso me fez lembrar a primeira aula de Introdução à Engenharia, onde o professor, um cara já semi-aposentado do departamento de Engenharia Metalúrgica disse: "a função do engenheiro é resolver problemas". Óbvio que isso é a maior meteção de louco possível, porque se fosse por essa definição o maior engenheiro de todos os tempos seria um médico, mas devo dizer que isso foi o bastante para motivar o então jovem Yoiti de 19 anos, recém saído de cursinho.

E ao longo da graduação a minha idealização da (minha) carreira de engenheiro sofreu diversas mudanças. Na maioria do tempo até pegar meu estágio no banco eu realmente procurei trampar na área, mas pra naval em particular é quase impossível achar um trampo bacana e que pague bem, pior ainda se você restringir a área de busca só pra São Paulo. Consultoria (das grandes) eu sequer cogitei, mal consigo trampar 8h por dia, imagina 14, então restou banco e start-up. Eu juro pra vocês que tentei achar uma start-up que não fosse um poço de positividade tóxica mas não rolou, então cá estou eu num bancão.

Mas é, pra todos os efeitos eu me tornei um engenheiro naval.

E eu tenho muito orgulho da minha formação, por mais que seja paia ter orgulho de ter feito Poli, acho que por bem ou por mal aquela faculdade te marca. Como eu já tinha dito no último post: a melhor parte foi ter conhecido um monte de gente bacana, mas os nabos te deixam esperto pra vida. 

E vou te falar hein, entre o pessoal do meu ensino médio numa escola católica de bairro e o pessoal que conheci fazendo Poli, como um todo, eu prefiro o pessoal que conheci na Poli. É bizarro como a galera numa escola com menos de 200 pessoas no ensino médio tinha ego maior do que estudantes da Escola Politécnica da USP, acho que as reprovações em massa realmente deixam a galera mais humilde.

Mas escapei um pouco da tangente aqui, o que passou passou, seja por bem ou por mal.

E agora? Eu não faço ideia.

A curto prazo vai rolar a prova interna no trampo que eu tinha falado no último post mas depois disso? Como estou numa área com constante mudança e novas tecnologias, acho que é inevitável uma pós ou alguma especialização ao longo do caminho, mas quero dar uns dois anos sem pisar numa sala de aula (ainda mais da USP) antes de pensar em continuar meus estudos. Mas eu queria voltar pra USP de alguma forma, por mais que eu tenha apanhado absurdamente lá, acho que uma pós ou coisa assim vai ser menos traumatizante, melhor ainda se for de graça.

Mas enfim, efetivamente minha vida não mudou muito, continuo ganhando o mesmo salário e estou no mesmo cargo, meu currículo só precisa ser atualizado para por o final da minha graduação lá e é isso.

Mas rapaz, como não é um alívio ter esse peso tirado das minhas costas.

Eu juro pra vocês, eu não lembrava dos meus sonhos (porque é conhecimento comum que todos nós sonhamos, só não lembramos dos sonhos às vezes) já faz uns anos, com raras exceções, mas desde que peguei meu envelope na colação de grau, TODO SANTO DIA eu lembro do meu sonho. E não é só isso: eu estou dormindo mais rápido, acordo com mais disposição e tudo mais.

Essa é a primeira vez desde 2011~2012 que eu me sinto decentemente sem uma arma na minha cabeça. Ok, talvez isso seja exagero, já que a época entre as minhas aprovações nos vestibulares e o começo das provas do primeiro ano da Poli também foram super tranquilas, mas hmmm, ainda estou digerindo essa pequena glória.

Com certeza eu fiquei bem mais feliz quando passei na Poli do que quando formei, mas acho que o alívio agora de estar formado e num emprego decente (e relativamente estável) é bem maior.

Mas é, acho que o impacto de eu ter feito Poli só será sentido daqui uns anos. Eu sinceramente não acho que tem uma diferença tão grande (quando há) entre quem fez Poli e quem fez outras faculdades, já dá pra notar isso olhando o pessoal no trampo, mas tem coisa que só quem passou pelo inferno que é aquela faculdade sabe como é. 

No mais, adeus Escola Politécnica da Universidade de São Paulo!

Agora estou marcado como um Politécnico para a vida toda, Engenheiro Naval ainda por cima! (pelo menos no papel). Vamos ver onde isso vai nos levar.

E é isso aí, estou escrevendo este post já faz uma semana achando que ia cair a ficha da minha formatura mas não, tirando o peso nas costas que evaporou, parece que a vida não dá duas pirueta quando você acaba a faculdade.

Então acabo aqui essa crônica de saudade, acho que vou carregar a Poli pro resto da minha vida, então esperem muitos e muitos posts sobre esse meu período da minha vida.

vlw flw té mais!

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

formei

 formei

Quero dizer, não oficialmente. Faltam uns papéis pra preencher e tudo mais, mas cumpri todos os créditos e horas de estágio necessárias pra pegar o diploma de engenheiro naval. 

Foram sete anos e meio, uma jornada que começou lá em 2015, e que vocês podem muito bem ler desde o começo neste blog.

Ah, mas o que falar? 

Eu me encontrei com um amigo hoje e fiz uma pergunta que sempre faço pra quem fez Poli:

"Você passou mais nervoso na Poli ou no trampo?"

E a resposta, como sempre, foi: Na Poli, com certeza.

Óbvio que devem ter exceções. Conheço um cara que perdeu 20 kg em 3 meses quando trampava no mercado financeiro, e perdeu por stress, não porque quis. Ele certamente ia dar a resposta contrária, mas no geral o pessoal costuma sofrer mais na Poli do que no começo da carreira.

Sinceramente eu acho que maioria das formas que a Poli te faz sofrer são inúteis. A maneira que as matérias são cobradas é irracional, a grade é feita pro cara não ter tempo pra estudar (quanto mais trabalhar...), o ambiente é pesado, competição (fora da naval, graças a deus) é totalmente desnecessária, enfim, ambiente propício pra ficar lelé da cuca.

Mas eu curti a vida universitária?

Não.

Mas foi por minha própria culpa.

Não ia pra festas, não participava da atlética, não fiz parte de nenhuma entidade ou grupo de extensão, não fiz optativas (muito) longe da Poli, não fiz IC, não fiz intercâmbio e nem participava de eventos, tirando aqueles que tinham brindes.

Mas acho que perdi minha paixão pelo curso muito cedo. A realidade de que provavelmente nunca iria trampar na área veio junto com a Lava Jato e fiquei um (longo) tempo perdido sem saber muito bem o que fazer da vida.

A pandemia foi o choque que precisei pra botar minha vida nos trilhos: passar em todas as matérias que acumulei nos últimos anos e arranjar emprego, o negócio foi loco.

Mas além disso eu fechei esse capítulo da vida sem muitas emoções, sem muitos amores ou muitos dramas, mas com muitos amigos e pronto pra receber muita porrada na vida.

Os amigos, aliás, foram o que fizeram tudo isso valer a pena.

Desde que entrei em 2015 até este ano eu conheci muitas pessoas pelos corredores da Poli e, sobretudo, na mesa de sinuca do CEN.

Gente que ajudei e me ajudou, que me ouve reclamando da vida e reclama junto e também que não tem receio de me dar uma dura quando necessário, o que é frequente.

Se não fosse por essas pessoas eu certamente teria desistido da Poli antes, o que sinceramente não sei se teria sido bom ou não.

Mas enfim, o que me espera agora?

Primeiro vou tentar botar minha saúde nos trilhos: começar a frequentar a academia mais vezes por semana, me alimentar melhor, dormir melhor, etc.

Depois eu queria focar pra uns processos internos no meu trampo pra ter um plano de carreira bacana.

Depois eu não sei, talvez uma pós? Planejar uma viagem longa? Só o futuro vai nos dizer.

Eu costumo nunca ter expectativas pra nada na vida, e continuo com essa política! Então vamos ver onde isso vai me levar.

Hmm, queria escrever mais sobre minha graduação quando tiver com o diploma (ou pelo menos o certificado de formatura) em mãos, até lá vou matutando sobre esses últimos sete anos e meio.

vlw flw té mais!