quarta-feira, 20 de maio de 2020

Durabilidade

Eu gosto de coisas que duram bastante.

Eu me apego muito fácil por um bem material, e amo quando eles duram bastante. Há uma beleza intrínseca à durabilidade dos objetos, qualquer coisa que foi fabricada pra durar bastante me deixa bem feliz, quanto mais tempo passo com um objeto, mais me apego.

No caso dos eletrônicos a merda é que eles foram feitos pra durarem x anos até começarem a falhar, aqui as maiores exceções são os headphones.

Headphone com fio de boa qualidade é feito pra durar mais que você, desde que as almofadas sejam trocáveis e o cabo removível, nada impede que você mantenha um bom headphone por uns 15 anos sem qualquer problema maior. Eu tenho ainda meu AKG K99 que comprei em 2011 que só troquei pelo ATH-M50x porque eu tinha a grana e a vontade de ter algo melhor, nada me impede também de manter o K99 no setup, é a mesma coisa que ter dois carros.

Ainda falando de eletrônicos acho que maioria dos consoles também duram bastante, tirando controle sem fio (ainda mais com analógicos) e uns portáteis, o meu PSP ainda é o único console que me deu perda total, enquanto que o DS Lite se mantém firme e forte depois de mais de 10 anos de uso, com bateria sem viciar e tudo mais.

Com roupa em geral parece que também tem essa de obsolescência programada, mas eu tenho um apreço por camisas de futebol porque tirando as estampas em borracha (de patrocinador, número, nome, etc.) elas aguentam bem ao tempo, minhas camisas do Santos que comprei em 2010/2012 ainda estão bem boas.

Eu acabo sempre rasgando calças PORQUE SOU GORDO e uso que nem um retardado mas eu acho bem legal as jeans feitas pra durar, eu tenho uma Levi's que tem um textinho dentro da calça falando como as calças são duráveis e se possível, depois do uso, doar pra outra pessoa... e ela tá rasgando. Putz, eu realmente acho Jeans uma merda no quesito conforto mas a construção de uma boa Jeans é tão fascinante que lembro que fiquei um bom tempo admirando as minhas Levi's quando comprei, aposto que elas eram mais bem feitas antigamente mas eu acho legal toda a engenharia que vai na confecção de roupas, só de ter rebite numa calça eu acho legal demais.

Agora falando de calçados, acho bem legal os sapatos sociais porque dá pra trocar a sola e se bem cuidado um bom sapato pode durar décadas, eu só tenho um mas dá pra ver que ele foi feito pra durar bastante (já que foi bem caro). Tênis em sua concepção não foi feito pra durar, um Vans normal por exemplo foi feito pra furar em seis meses pra dar aquele ar de "cool", mas eu particularmente acho isso uma merda e tenho um Authentic que tá fazendo uns 5 anos que uso quase sempre, mas já deveria ter jogado fora faz tempo.

Não dá pra ver os furos ENORMES na parte de dentro, mas dá pra ter uma ideia.

Eu sou fã do Adidas Superstar até que ele chegou num preço de 400 pila, então me vi forçado a repensar no tênis de couro branco que vou pegar quando ele ficar muito desgastado, um Nike Air Force 1 talvez? Eu fiquei um bom tempo procurando por tênis que durassem por pelo menos uns 3 anos sem se despedaçar mas acho difícil, só descobri até agora que tênis de couro dura bem mais que de lona, BEM MAIS, o conforto é outra história.

Hmmmmm, ainda tenho outras coisas que amo de coração e vão durar por um bom tempo: meu canivete suíço que ganhei quando terminei o ensino médio, as minhas várias lapiseiras que comprei durante esses últimos anos e o meu relógio da Swatch que, apesar de não ser feito pra durar DURAR mesmo como os mais clássicos, tenho fé que vai me acompanhar por um bom tempo... só tenho que comprar mais baterias pra ele. E apesar de ser puro marketing na real, só de ver o MADE IN JAPAN nas minhas lapiseiras ou SWISS MADE no meu relógio e canivete, sinto que o negócio já é indestrutível.

No mais, eu devia ter investido mais em coisas que eu sabia que iam durar mais quando comprei minhas coisas no Japão, tipo uma Jeans de qualidade e um relógio mecânico, acabei comprando uma garrafa térmica e umas roupas que eu sei que não vão durar muito, a térmica é pra vida tho.

O objeto que mais exemplifica meu fascínio por coisas que duram é o canivete suíço mesmo, além dele ser bem útil, a qualidade de construção dele é uma coisa que até hoje me surpreende, o metal é da mais alta qualidade e o plástico é o melhor que se podia ter, e tudo isso custou na época (2013) uns 150 reais, uma verdadeira pechincha pelo que você leva, mesmo com o nome Victorinox pesando no lado da grife. E é isso o que busco nas coisas que compro pra durar: confiabilidade, durabilidade e preço justo, que são coisas que geralmente não andam juntas, ainda mais nos bens de consumo aqui do Brasil.

Acho que tudo isso também tem meio a ver com o porquê de eu ter escolhido fazer engenharia, por mais que navios e canivetes não sejam exatamente similares em quaisquer aspectos que sejam, acho que a busca por confiabilidade e durabilidade dado um orçamento limitado é o que toda engenharia se propõe a fazer.

Enfim, acho que me prolonguei demais mas essa minha quase-obsessão por coisas que duram bastante se reacendeu quando eu tava escrevendo com uma lapiseira que meu pai me deu no ensino médio e que deve ter mais de 30 anos.

vlw flw té mais

domingo, 17 de maio de 2020

La Cucaracha (parte 2)

Hoje eu matei uma barata.

Mas não foi nada romântico como a última vez, foi cômica pra falar a verdade.

Como estou morando no que é essencialmente uma garagem na casa dos meus pais, a incidência de insetos no meu "quarto" é substancialmente maior do que era no meu apartamento, desde que a quarentena começou já foram umas quatro baratas mortas por chinelos já que eu tenho consciência que tacar veneno a rodo num quarto sem janela onde vou dormir não é uma coisa muito inteligente.

Eu estava indo tomar banho e me aparece uma barata *PATPATPATPATPATPATPATPAT* (barulho das patinhas frenéticas das baratinhas em piso de madeira, você sabe). Eu, como todo bom diplomata, tentei resolver no diálogo: "Olha baratinha, tu não me enche o saco e você tá safa, belê?".

Foi banho, estou no pc ouvindo Kaneko Ayano e lendo sobre a Guerra Civil do Afeganistão quando *PATPATPATPATPATPAT* A BARATA COMEÇA A SUBIR NO MEU PÉ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA-

"Ain Yoiti você tem nojo de barata~"

Vai se foder, depois de jogar Fallout 3 não tem como você ficar suave com barata.

Então fui numa caçada com um Vans numa mão e uma Havaianas na outra, passados uns 3 minutos eu finalmente consegui matar a dita cuja e me livrei do cadáver dela na privada.

Mas é, baratas, o Yoiti do ensino médio daria risadas de mim já que eu não tinha particularmente nada contra elas mas sei lá, coisa da vida eu acho.

E é isso, vlw flw té mais!

Also, mudei a plataforma do meu blog pra mais nova do Blogger, o que mudou é que agora tem rolagem infinita e tá com um design um pouco mais novo, me falem se vocês têm alguma opinião sobre.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

LUZ VERMELHA É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ

Conversando com meus amigos da época de Ensino Fundamental/Médio eu acabei lembrando de uma coisa que me intrigou do primeiro ano que estive lá no colégio (que foi 2002 se não estou enganado) até a noite passada quando me dei o trabalho de jogar no Google.

Passando as catracas principais do meu antigo colégio, logo na entrada do prédio com as salas de aula, a primeira porta à direita dava numa capela. O que é perfeitamente normal pra um colégio católico, mesmo levando em conta a gigantesca igreja de tijolos laranjinhas que fazia sombra às nossas quadras.

O meu primeiro contato com a capela foi logo no meu primeiro ano lá, no Jardim de Infância III. Pra introduzir conceitos religiosos pros pequenos pimpolhos, o nosso colégio dava seus pulos, na ocasião eles pediram pros alunos levarem brinquedos para serem batizados... batizados?

Eu não estou inventando e, espero eu, que minha memória não esteja me pregando uma peça, mas não teve padre jogando água benta no carrinho que levei e muito menos submergiram o Game Boy do outro moleque no Rio Jordão. Foi mais um passeio pra capela citada, onde nos fora introduzido a importância da oração, a finalidade da capela, etc. No final da atividade tínhamos que desenhar o brinquedo e dar um nome pra ele, eu lembro que levei uma miniatura de Ford Ka, daqueles do tamanho de um mouse, eu sempre gostei de coisas bonitinhas pelo visto.

Ah sim, voltando à capela: além das cadeiras inexplicavelmente desconfortáveis, a iluminação soturna digna hoje de quarto de gamer recluso e o cheiro permanente de pot-pourri com mofo, a coisa que sempre me intrigou era uma caixa de metal preta com uma luz vermelha dentro.

Lembro até hoje nossa professora de Ensino Religioso: "Aquela luz vermelha é DEUS".

Deus? DEUS?!

Eu tinha meus cinco anos de idade, estava desconfortável naquela cadeira horrível que marcava a bunda e segurava um mini Ford Ka nas minhas mãos, eu sequer sabia o conceito de deus mas aquilo me marcou.

E toda vez que a gente voltava na capela eu ficava encarando a caixa preta com luz vermelha, lembro que depois dessa explicação que tive quando tinha cinco anos, nunca mais sequer citavam a maldita luz vermelha, a essa altura eu já achava que a professora que tinha falado que a entidade máxima do universo estava dentro de uma caixa de metal numa capela de um colégio católico no centro de São Paulo... estava totalmente pirada (o que é difícil negar).

Mas ontem quando lembrei dessa caixa preta com luz vermelha eu finalmente me levei a procurar no Google que merda era aquela e realmente, ela simboliza que Deus está em todo lugar e a luz é ininterrupta por isso.

Huh.

Eu já não me surpreendo com nada, ainda mais ligado à religião, mas todo o design daquela caixa preta com a luz vermelha não era nada que remetesse à estética católica, era o cúmulo do utilitarismo. Talvez a caixa abrigasse um no-break pra quando acabasse a luz? Ainda não explica a falta de esforço que botaram pra aquilo ser mais bonito, mas enfim.

Sempre achei muito cyberpunk a ideia de Deus ser uma luz vermelha emitida de uma caixa preta, tem coisa mais distópica que cultuar uma coisa inanimada que nem te dá feedback? Não, pera.

Enfim, a capela acabou sendo substituída pela sala de uma coordenadora quando eu já estava no final do fundamental/início do médio (lá por 2010~). Aquele lugar era um dos muitos espaços que eu achava que eram totalmente desperdiçados no nosso colégio, já que pra celebrações religiosas a igreja sempre estava vazia e pra coisas menos formais eles usavam o salão (saudoso Salão Santa Mônica).

Realmente, depois de conhecer uma galera na USP eu acabo percebendo como tem coisa que era diferente no meu colégio, o pessoal achava que era piada quando eu falava que em todo começo de aula devíamos rezar o Pai Nosso ou a Ave Maria (e por isso sei rezar as orações até hoje), se o deus cristão for o certo eu já tenho meu perdão por isso... espero.

Chego lá nos portões dos Céus e tem um mano barbudo, ele solta essa:
"Você só vai pro Paraíso caso saiba rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e cantar Sobakasu com todas as flutuações de voz que a Yuki teve no último show do Judy and Mary em 2003 no Tokyo Dome."

easy

É isso então pessoal, valeu falou, té mais!

terça-feira, 5 de maio de 2020

Sobre gostar de música japonesa (Parte II)

Eu notei que por algum motivo, um post que fiz sobre meu gosto por música japonesa em 2017 (relevem a qualidade do texto redigido, eu escrevia mal) voltou a ter um monte de acessos, julgo que seja por pessoas que procuraram por Bokuiru? Enfim, isso me deu a ideia de expandir um pouco na ideia do porquê de eu gostar de música japonesa e como isso mudou depois que fui pro Japão ver os artistas ao vivo.

Era o meu maior sonho ir pro Japão e ver os artistas que mais amava de perto. Mas era algo totalmente fora de alcance, as passagens são caríssimas, hospedagem em Tokyo (até onde eu sabia) idem, eu não falava uma palavra de japonês e essa coisa toda. Então eu já aceitava que os artistas que eu via no Youtube iam continuar por lá mesmo, sendo inalcançáveis.

E ao mesmo tempo que me via totalmente fora da realidade das músicas japonesas do underground, eu sentia uma conexão enorme com o sentimento das músicas, Kinoko Teikoku e Kaneko Ayano foram minhas muletas emocionais pelos últimos 5 anos sendo que não faço ideia do que as músicas tratam na sua maioria.

Então eu tratava com o maior romantismo o cenário underground japonês, onde, ao meu ver, todas as bandas se ajudavam, o ecossistema casa de show - loja de CD - labels era totalmente autossuficiente e todo mundo era feliz. Essa visão caiu por terra depois que li o livro "Quit Your Band!" do Ian F. Martin que parece ter sido feito pra fãs como eu, iludidos com o que veem no Youtube achando que tudo são flores. O cenário musical japonês na real é bem selvagem e basicamente todo mundo é filho da puta até provado o contrário, mas como todo bom cético eu não estava convencido ainda.

E com toda a minha paixão por música underground japonesa, lá fui eu, trampar em temperaturas absurdamente baixas pra pagar minha viagem pro Japão... e obviamente meus shows e CDs.

Cara, eu só posso dizer que você passa a ouvir a música de modo diferente depois que você vê a banda tocando ao vivo, isso já tinha acontecido, mesmo que de forma reduzida, depois que fui ver Oasis em 2009 e Libertines em 2016. Agora, como você ouve uma música depois de interagir com os integrantes?

"Ah, esse solo foi do cara que me vendeu a camiseta", "Esse vocal foi da moça que me cumprimentou e ficou espantada porque eu disse que vim do Brasil", "Olha só, eu pedi autógrafo dessa banda toda" e talvez até "Caralho, mijei no mictório do lado desse mano que tá tocando baixo", todas essas situações são bem verossímeis se você frequenta show underground, só a última que não rolou de verdade comigo.

Mas é, mudou totalmente como ouço algumas músicas, além de muitas me trazerem memórias dos shows que fui, o fato de eu ter conhecido as pessoas por trás de algumas delas diminuiu a distância que tenho com as obras. O que antes era "uma música feita por um mano random no extremo oposto do globo" virou "uma música feita pelo mano que conversou comigo por uns 10 minutos e me agradeceu efusivamente por eu ter ido lá no show dele".

Outra coisa que mudou foi toda a idealização que eu tinha com o cenário musical underground japonês, o livro que citei anteriormente realmente tava certo, as casas de show cobram o absurdo que é a bebida obrigatória (por um preço abusivo) mas também operam numa margem de lucro mínima, as lojas de CD pequenas são cada vez mais raras e qualquer emprego que seja nesse setor é totalmente um trabalho de amor, simplesmente não dá pra viver de música no Japão até uma gravadora gigante notar você, ainda assim você vira um refém na mão dos caras. Além disso é bem fácil ver as panelinhas entre as bandas, eu nem tentei ir mais a fundo nisso, já que julgo ser assunto delicado, mas é fácil ver que tem uma certa antipatia entre certos grupos de bandas.

Eu não tive nenhuma grande decepção, e olha que fui com MUITA expectativa pra ver show lá, mas é realmente meio triste saber que as músicas que curto são feitas por pessoas que têm que trampar num escritório pra pagar a conta de luz e o aluguel, mal consigo imaginar como seria a música dessa galera se eles pudessem se dedicar 100% pra música. Por isso mesmo gastei uma grana preta nos CDs e camisetas das bandas que vi, qualquer força que eu pudesse dar já ajudava os caras, ao mesmo tempo eu comprei os CDs usados de artistas mainstream, fui o Robin Hood do cenário musical japonês... numa escala absurdamente pequena.

Enfim, eu ainda tenho que descobrir umas bandas locais pra também ajudar, por mais que eu me identifique demais com as bandas japonesas, não é possível que eu não ache uma por aqui que seja que tenha um som daora com que eu curta.

Pra deixar esse post mais multimídia vou botar um vídeo da banda com quem mais interagi na minha viagem, o pessoal é realmente bem firmeza e fazem um som bem legal.

 


vlw flw té mais

sexta-feira, 1 de maio de 2020

ALTERNATE REALITY YOITIS

Toda vez que fiz uma escolha na vida, eu criei toda uma história pro Yoiti da realidade onde fiz outra escolha.

Geralmente os Yoitis das realidades alternativas estão melhores que o Yoiti desta realidade, porque não vejo muito sentido em manter a existência de um "eu" na pior só pra me sentir bem em comparação.

O primeiro Yoiti alternativo é o que virou jogador de futebol, eu fiz futsal por um ano na minha segunda série, eu tinha 8 anos, e era muito mas MUITO ruim (ainda sou). O Yoiti que continuou no futsal pro resto do ensino fundamental acabou melhorando... um pouco e conseguiu por meio de alguma intervenção divina uma vaga no time sub-alguma coisa do Juventus da Mooca como lateral direito. Depois do time se destacar em uma Copa São Paulo de Juniores, o Yoiti foi parar num time da segunda divisão japonesa e agora ele está no Júbilo Iwata com 24 anos. O sonho desse Yoiti era jogar no Santos, time do coração, além da seleção brasileira obviamente, mas com a vida tranquila em Shizuoka ele não tem muito o que reclamar.

O segundo Yoiti alternativo é o que tava de saco cheio de fazer vestibular e acabou indo pra UFABC em 2014 ao invés de ter feito mais um ano de cursinho pra ir pra Poli. Esse é um Yoiti interessante porque ele começou a andar com a colônia (de japas que só andam com japas), já que a concentração desse pessoal é bem maior lá que na Naval, e começou a fazer parte de grupos extracurriculares desde cedo. Esse Yoiti é meio perdido mas já tá estagiando em alguma empresa lá pelo ABC Paulista.

O terceiro Yoiti alternativo foi fazer medicina depois de dois anos de cursinho após o ensino médio. Não conseguiu uma vaga na Pinheiros mas pegou uma vaga na UFRJ. Ele foi chamado pra se "voluntariar" na crise do Corona e chora em todo plantão que pega devido à quantidade absurda de gente morrendo. Esse Yoiti viu uma boa quantidade de pacientes morrendo mesmo antes da pandemia (vamos lembrar que ele está no Rio) mas mesmo assim não consegue perder a sensibilidade com essas coisas. O caminho pro dinheiro fácil não é tão fácil assim, pensa esse Yoiti.

O quarto Yoiti alternativo largou a Poli e foi fazer San Fran. Eu não penso muito sobre esse Yoiti já que a ideia que eu tinha de ir pra San Fran era só pra fugir de números, mas julgo eu que esse Yoiti tá masomeno, fazendo um curso que não curte (no máximo acha algumas coisas interessantes) só pra ter dinheiro pra então sim fazer algo que curte de verdade. Acho que é igual o Yoiti que foi fazer FEA depois de bombar Cálculo I (pela primeira vez), não muito feliz mas também não levando muito no cu.

Enfim, tem mais vários e vários Yoitis alternativos que não estão aqui citados: tem o Yoiti que ficou no Japão depois do arubaito pra tentar a sorte e agora está se fodendo pro causa do corona, o Yoiti que foi pra uma faculdade de artes depois de ler Blue Period, o Yoiti que se transferiu pra uma engenharia mais coxa pra conseguir se formar antes, o Yoiti que foi pra UFSC/UFRJ/Unicamp pra morar longe dos pais e outros tantos vários que surgiram de escolhas arbitrárias da minha vida, e que estão aí em universos paralelos, uns se dando bem, outros se fodendo.

O meu favorito obviamente é o Yoiti jogador de futebol, o ponto de divergência foi há tanto tempo que a única coisa que tenho em comum com ele é o nome.

E é isso, eu tive a ideia pra esse post lá pelas 3h da manhã, quando eu tentava dormir olhando pro teto depois de não conseguir pegar a personagem que queria no gacha do Fire Emblem Heroes. Escrevi este post bem mais rápido que o normal então é possível que eu dê um proofreading depois pra ver se ter algum erro.

No mais é isso aí,
vlw flw té mais.

domingo, 26 de abril de 2020

Humor de baby boomer

Toda semana, na frente da estação Vergueiro logo abaixo das escadarias que davam em frente ao meu colégio, era distribuído o jornal Metro News.

O Metro News é o típico jornal gratuito que vive do lucro dos anunciantes, eles jogavam lá as notícias essenciais da última semana e enchiam de propaganda pra viabilizar a produção do jornal, simples e fácil.

Era quase um ritual, eu nunca pegava o jornal porque sabia que um amigo meu que era de outra sala viria com ele no intervalo das aulas, então ficávamos resolvendo as palavras cruzadas por poucos minutos até que ele tivesse que vazar pra sala dele de volta, mas ele deixava o jornal com a gente. As diversões do jornal eram basicamente o resumo esportivo (que nunca tinha nada que fosse novo), os anúncios óbvios de prostituição que eram a coisa mais humor de ensino médio possível, as já citadas palavras cruzadas e as tirinhas.

As tirinhas eram horríveis, é o humor mais baby boomer possível: era sempre aquela coisa que permeava qualquer tipo de humor voltado para homens no começo dos anos 2000: "odeio minha mulher", "me arrependo de ter filhos", "odeio meu trabalho", "penso mais com meu pinto do que com meu cérebro", etc. Você com certeza já viu algo com esse tipo de humor.

E eu nunca fui uma pessoa de ficar ofendida, mas certamente ficava minimamente incomodado com esse tipo de humor forçado que pressupõe que mulher é burra e a geração mais jovem é perdida, chegando às vezes a beirar uma vulgaridade que me deixava até estupefato de alguém ter tido o culhão de escrever tamanho sacrilégio e publicar.

Esses dias eu tive esse leve flashback às minhas manhãs de 2012/2013 e quis lembrar como era o senso de humor horrível que a geração dos baby boomers têm até hoje, até que achei o subreddit  r/boomershumor, achei incrível como esse tipo de humor não tem fronteiras.

É sem graça, perpetua tudo que há de ruim na sociedade e é um triste retrato de pessoas que não realizaram nada na vida e culpam família, mulher, sociedade e qualquer coisa que seja pelo próprio fracasso, é uma coisa triste.

Eu não quero aqui falar que não tem nada de certo na geração dos boomers, toda a produção cultural dos anos 60~70 foram de uma riqueza imensa e a música hoje basicamente bebe daquela fonte até hoje, direta ou indiretamente.

É a consciência retrógrada da geração que antes fora eleita pela revista Time como "People of the Year" e agora bota um panaca no poder, é o tipo de pessoa que fala que os jovens de hoje em dia se ofendem facilmente mas só de ouvir "identidade de gênero" já começa a chiar.

Um dos meus maiores medos é me tornar também um tiozão e fazer piadas machistas a torto e direita sem se importar com os outros, acho que é aquilo que falei da sensibilidade no outro post, que é uma qualidade que é muito subestimada mas é o mínimo que devemos ter pra viver em sociedade decentemente.

Obviamente que não defendo também os Millennials (e as gerações subsequentes) com muito ardor. Toda a cultura do cancelamento de ostracizar a pessoa por falar x coisa é o sacrilégio e não foram raras as vezes que eu senti vergonha real de estar nessa geração entre os Millennials e a geração Z, mas acho que isso é papo pra outro post.

Eeeh, acho que perdi um pouco o fio da meada mas eu fiquei tão de cara com umas tirinhas que apareceram no meu feed do FB que decidi escrever este post. Um bom boomer falaria que estou de mimimi e que me ofendo fácil, pau no seu cu.

Eu ia botar uma tirinha aqui pra ilustrar o tipo de humor torpe que vi mas não quero dar publicidade, nem ruim, pro indivíduo que faz essas coisas.

Acho que estou virando cada vez mais um millennial, preocupante. Culpo as minhas bandas underground por isso.

vlw flw té mais

terça-feira, 21 de abril de 2020

Sons randômicos DO JAPÃO

Puta merda, vou falar do Japão de novo.

Uma coisa que é pouco falada, de todas, TODAS as coisas do Japão, é como o povo lá gosta de feedbacks e avisos e sonzinhos pra tudo. Tem um motivo pra celulares com teclas ainda serem usados lá (não tanto quanto antes, mas consideravelmente): as teclas te dão aquele cliquezinho que te dá a segurança que elas foram apertadas. E nisso dá pra explicar todas as demais coisas que clicam e dão aquele prazer tátil só de ficar brincando, as lapiseiras também são meio assim.

Enfim, além dessa coisa tátil também tem os sons e barulhinhos que você ouve em todos os lugares no Japão, o que me deu saudade outro dia foram os apitos na faixa de pedestres pra sinalizar pra quem tem visão prejudicada (ou quem usa smartphone, aliás não atravessem a rua sem olhar que muito motorista no Japão é ruim):


Dos barulhos que aparecem no vídeo eu só ouvi os cuckoo e o piu-piu (lá por 1:13 do vídeo) tanto em Tokyo quanto em Kofu.

Outra grande saudade minha são os sonzinhos que tocavam nas estações e nos trens que peguei, algumas estações tinham musiquinhas próprias que eram características do local (tipo a estação onde o Osamu Tesuka morava tocar a música do Astro Boy).


Os midi tão meio jogados (a não ser que você saiba ler em japonês) mas mostra mais ou menos que estação que cada coisa toca, além das musiquinhas de abrir/fechar porta, aviso, etc. Mas o que me marcou é que eu NUNCA usei fone de ouvido enquanto andava por Tokyo, só usava mesmo nas viagens de ônibus e nos netcafés, então, CARALHO, esses primeiros três sons (que tocavam em toda estação) eram sinônimo de começo de aventura, era a abertura pro anime que eram os meus dias de folga em Tokyo. Esses jingles só tocavam mesmo na linha Yamanote, que é a linha que liga todas as outras, então qualquer lugar que eu fosse eu meio que ouvia as músicas.

Além desses sonzinhos em vias públicas, obviamente que as lojas não poderiam estar de fora dessa nostalgia:


Esse midi tocava toda vez que alguém entrava em um Family Mart (minha rede favorita de konbinis, pau no cu do Seven Eleven) e como era o estabelecimento comercial mais próximo de onde eu morava em Yamanashi e também era a única coisa na estação onde fiquei em Tsukuba, nada era tão aconchegante quanto entrar em um Famima e ouvir esse jingle com um IRASHAIMASEEE~ e, como estava um frio do caralho na época, sentir o ar quente de dentro da loja junto com o leve cheiro de bentôs requentados e nikuman.

Na moral que posso fazer um post inteiro sobre o Family Mart (e provavelmente farei um dia) mas é como se fosse uma ilha de conforto, em qualquer lugar que você fosse no Japão, sempre tinha um Family Mart com comida e bebida quentinha pra você se sentir melhor. Famima > Seven Eleven > Lawson, acabei só indo uma vez no Daily Yamazaki e no Mini Stop então não posso julgá-los.

Also also also, fica aqui minha eterna gratidão às konbinis que tinham lugar pra sentar e comer os bentôs em paz. Obrigado Famima no lado do nosso apato em Yamanashi, obrigado Seven Eleven de Kofu depois da ponte.

Agora indo pros jingles propriamente ditos:



Toda grande loja no Japão tinha um jingle, e de todos eles esse foi o que mais ficou na minha cabeça. Eu juro que só fui uma vez na BicQlo e fiquei lá por menos de uma hora, mas essa música me assombra até hoje. Eu fiquei HORAS na Yodobashi de Akiba, na BIC Camera e nos Shoppings da Aeon e todos tinham jingles, mas nenhum era tão pegajoso quanto esse da BiqQlo em Shinjuku. De todos os empregos insalubres que eu aceitaria pra morar no Japão, o de atendente na BicQlo é um dos que eu recusaria.


Essa é a música da Yodobashi, se não me engano é alguma música de natal americana só que mais rápida e com as letras obviamente modificadas. Eu juro que esse jingle não me marcou muito, apesar de eu ter ficado horas e horas na Yodobashi de Akiba.

Enfim, acho que de sons randômicos que me fazem lembrar do Japão é isso mesmo. Tem também os anúncios falados de próxima estação e tal da linha Yamanote que podem ser ouvidos nesse soundboard interativo mas acho que já é fora do escopo de "sons".

Falando do midi do Family Mart me deu uma saudade danada das konbinis e, INFELIZMENTE, terei que falar delas em algum post só. Eu juro por tudo que mais amo que, dentre tudo que eu poderia trazer do Japão pro Brasil sem pensar na viabilidade econômica ou cultural, eu traria as konbinis. Nisso por mais que eu tenha asco da coisa de família cristã e o caralho que a Hirota tenta por algum motivo promover, eu tenho que admitir que as konbinis que implantaram até agora pegam uns 30% da vibe de uma konbini real do Japão, não o bastante pra passar mas também não tão ruim pra bombar direto.

Ahhhh me prolonguei demais e ninguém vai ler essa merda, pois bem.
vlw flw té mais.

EDIT: Esqueci de uns que são quase um crime se não citar, tipo o Book-Off, aqui tá meio que um compilado com alguns que até já citei e outros que esqueci: