domingo, 25 de janeiro de 2026

Gostar de uma banda é também deixar acabar

 Eu to escrevendo o próximo post sobre a viagem pro Japão mas tem uma coisa que queria escrever nesse entremeio antes.

Eu li uma matéria de um site japonês de notícias relacionadas a música (natalie.mu) que entrevistou uma atriz/modelo que eu conhecia porque o perfil dela sempre aparece no meu feed do Instagram, a Makoto Tanaka (aparentemente um nome extremamente comum no Japão). Essa série de matérias entrevista pessoas (famosas) em diferentes profissões e pergunta de uma banda/artista que mais impactou na vida da pessoa, a moça em questão falou de Andymori.


 Eu já falei de Andymori neste blog antes, é uma banda até que bem influente que durou de 2007 até 2014 e é o típico rock indie dessa época, mas uma coisa que sempre me atraiu nas músicas deles são as letras, sempre positivas mas não do jeito "secretamente financiado pelo governo japonês" e também refletiam as inseguranças daquela geração de millenials.

Mas o que achei interessante da entrevista é como a Makoto fala como o término da banda foi essencial pra ela amadurecer como adulta e não manter vícios da juventude. Andymori pra ela foi a primeira banda que ela conheceu sem influência dos pais e a banda acompanhou a vida da moça do ensino médio até a faculdade. Eu fiquei matutando sobre essas colocações dela por uns dias e acho que tem duas bandas que posso falar que tiveram o mesmo papel que Andymori teve pra Makoto Tanaka: Kinoko Teikoku e For Tracy Hyde.

Já fiz post sobre o fim das duas bandas, e por isso mesmo até pensei se deveria fazer mais um post sobre o assunto, mas acho que passados aí quase três anos do fim do For Tracy Hyde e uns sete... SETE ANOS??????? do fim do Kinoko Teikoku, consigo falar melhor sobre o que essas bandas significaram pra mim.

Eu conheci Kinoko Teikoku em 2014 quando achei o clipe do Umi to Hanataba, acho que não tenho outro jeito de falar senão que me apaixonei à primeira vista pela Chiaki Sato. A voz dela pra mim é até hoje uma das mais bonitas que já ouvi e sempre achei ela particularmente linda. Vocês sabem melhor que eu como eu gosto de vocalistas mulheres nas músicas japonesas que escuto, mas muito raramente eu tenho esse fascínio pela pessoa em si, acho que desse jeito eu só compartilho essa mesma paixão com a Momoe Yamaguchi e a Izumi Sakai (do ZARD), a Shiina Ringo obviamente é um caso aparte.


 

Mas enfim, além de eu ser apaixonado pela Chiaki Sato, as músicas dos dois primeiros álbuns e do EP de 2014 eram tudo o que o Yoiti sadboy vestibulando precisava pra chorar nos dias que não tinha aula ou simulado ou vestibular, aquele ano foi uma merda.

Mas no final de 2014 a banda lançou Fake World Wonderland, que abraçava um dream pop e se distanciava do shoegaze pesado dos álbuns anteriores, mas mesmo assim fiquei animado com o lançamento, porque foi o primeiro que acompanhei, e Aruyue em particular é talvez a melhor música que a banda lançou na carreira, então tava tudo certo não ser mais depressivo.

Aí entrei na Poli, e no fim do meu ano de bixo (2015) eles lançaram Neko to Allergy,que foi o major debut deles. Cara, o álbum é ruim. Umas músicas aqui e ali salvam mas achei bem fraco, xinguei a banda no Rate Your Music, no Twitter, na porra toda e acho que aqui também. Eu me senti traído pela banda ter mudado o som totalmente depois que assinou com uma gravadora grande. Aí meio que larguei o osso e só escutava mesmo as músicas antigas. Comecei a ouvir bossa nova nessa época e descobri a Kaneko Ayano! Minha cantora favorita até hoje, mas hoje estamos falando sobre bandas.

Em 2018, quando tava pra ir pro arubaito, eu conheci For Tracy Hyde enquanto estudava na Sala CAD da Naval. Eu tava explorando os álbuns que o pessoal upava no Youtube e conheci o film bleu e o he(r)art, dois álbuns que guardo no coração até hoje. 

Quando eu fui pro Japão eu acabei tendo a oportunidade de ver o show do For Tracy Hyde, eu não era tãooooo fã deles ainda mas me interessava muito. E aqui que entra um pouco da emoção de atrelar acontecimentos a músicas, porque eu já relatei neste blog umas três ou quatro vezes da primeira vez que fui sozinho pra Tokyo ver o show da banda, e como me perdi por Shinjuku e como conversei com a banda e pedi autógrafos pra todos os membros. Poxa cara, depois desse dia não tinha a menor chance de For Tracy Hyde não se tornar a minha banda favorita, pra mim eles eram Tokyo, eles eram o café da manhã que tomei numa konbini no lado da estação de Shinjuku, eles eram o lamen que comi no almoço sem saber um puto de japonês, eles eram o café que tomei no Starbucks de tarde, eles eram o sentimento de frio na barriga que eu tive ao explorar Tokyo sozinho pela primeira vez, eles inclusive têm uma música chamada TOKYO WILL FIND YOU, dá pra ser mais óbvio que isso?

Acho que meu amor por For Tracy Hyde era diferente do meu amor por Kinoko Teikoku, a Eureka (vocal do FTH) não tinha o magnetismo que a Chiaki Sato tinha, e eu gostava de FTH por estar atrelado a memórias muito boas que tinha de Tokyo em específico, além de eu ter conversado com a banda. Eu acabei vendo um show solo da Chiaki Sato nessa mesma viagem, onde ela cantou uma música do Kinoko Teikoku, mas não senti o espanto que senti com outros shows, acho que era sinal que Kinoko Teikoku já não significava tanto pra mim.

Voltando pro Brasil e não deu nem um ano e o Kinoko Teikoku anuncia que acabou, se não me engano eles nem anunciaram que iam terminar antes dos últimos shows que fizeram mas parece que tudo acabou amistosamente entre os membros. Eu não fiquei particularmente triste, porque eu já não acompanhava a banda faz um tempo, mas parece que parte da minha juventude morreu com eles.

For Tracy Hyde lançou o  maravilhoso New Young City em 2019 e depois da pandemia lançaram Ethernity (álbum que acho ser o mais fraco deles, apesar de ser bom) e Hotel Insomnia e no começo de 2022 eles anunciaram que a banda ia terminar.


 

Acho que o azar do For Tracy Hyde foi a pandemia, porque eles tavam num embalo bem legal fazendo shows no sudeste asiático e tal e, depois da pandemia, só voltaram a fazer tour um pouco antes de acabarem, eles tinham fãs bem leais (eu incluso) e um following bem orgânico, tudo isso sendo totalmente independentes.

Mas enfim, a banda acabou no começo de 2022, foi bem quando eu tava começando como efetivado no meu trampo. E desde então eu corro atrás de bandas pra serem minhas favoritas, mas nada vai me fazer sentir o que senti ao conhecer Kinoko Teikoku ou o que senti na minha primeira noite em Tokyo quando fui ver For Tracy Hyde.

Acho que todo mundo devia ter uma banda ativa favorita durante a juventude, mas uma banda ativa de verdade, que lance material novo, que faça tour e que tenha sido descoberta por você mesmo. Acho que o processo todo de descobrir uma banda nova, acompanhar e, quando possível, ir em shows é uma experiência super maneira. E claro, viver o fim da sua banda favorita é uma experiência que todos deviam passar na vida, é quase uma cerimônia de coming-of-age.

Eu não sei se posso falar que seria uma pessoa diferente se minhas bandas favoritas não tivessem terminado, como a Makoto Tanaka falou do Andymori na entrevista que linkei no começo deste post, mas é uma mudança na vida, por menor que tenha sido. 

Os términos das duas bandas foram bem marcantes na minha vida porque coincidiram com mudanças de rotina que tive: o Kinoko Teikoku terminou bem no meio entre minha volta do arubaito e o começo da pandemia, enquanto que For Tracy Hyde terminou bem quando comecei a trabalhar de CLT, foram realmente coming-of-age.

Pode parecer meio redundante mas gosto de falar que sou apaixonado por tudo o que gosto, gosto de viver o negócio, de comprar merch, de só pensar nas coisas que amo, por isso acabo mal sempre que uma das coisas que amo termina ou fica ruim (ainda mais no caso de mangás, eu AMAVA Oshi no Ko!!), mas vou fazer 30 anos daqui umas semanas e acho que perdi um pouco da paixão que tinha pelas coisas, talvez por isso eu não tenho uma nova banda ativa favorita FAVORITA de verdade ainda, mas isso é papo pra outro post.

E acho que é isso pessoal. Eu acho que bandas são um negócio muito legal de acompanhar, por mais que eu ame a Kaneko Ayano ou a Shiina Ringo por exemplo, uma banda onde todos (ou maioria) são iguais na hierarquia são uma vibe diferente, sinto mais conexão.

E é isso, próximo post continua os relatos da viagem!

vlw flw té mais! 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 6

Dia 3/11 - Chegando em Osaka, Dotonbori e Castelo de Osaka

 Começamos o dia tomando um café da manhã no Mcdonalds, o menu do Japão no café é bem mais diferente do que o normal se comparado com o Brasil: tem macaron, panquecas, aquele hambúrguer de porco que chamam de sausage e o delicioso hash browns.

 

Típico café da manhã do Mcdonalds no Japão (foto do Pedro) 

 

A viagem de Kyoto pra Osaka é um trem normal de um pouco mais de meia hora, de centro pra centro demora mais eu chegar da Liberdade pro centro de Osasco do que a gente demorou de Kyoto pra Osaka.

Chegamos, novamente, antes do horário de check-in então deixamos nossas malas no lobby e fomos explorar Osaka. Esse hostel em particular era numa distância andável de Dotonbori, então fomos lá.

Tako Yaki de Dotonbori

 

Dotonbori é uma grande tourist trap, não tem muita coisa que dá pra salvar lá. Comemos um takoyaki logo no começo da rua, porque não tava lá muito caro, e tava até que bom, mas acabamos ilhados num arcade porque começou a chover pra caralho uma hora. Chegou uma hora que estávamos com fome e não tinha nada com preço razoável e que parecesse gostoso lá por perto, então andamos até o Parco de Shinsaibashi, um shopping.

Lá eu queria achar algo típico de Osaka que fosse palatável pro pessoal, então almoçamos num restaurante de Okonomiyaki.

Okonomiyaki (foto do Alvin)

 Esse restaurante era legal porque os caras preparavam o prato na cozinha e na chapa da mesa era mais pra servir mesmo, ao contrário do usual do cliente ter que fazer tudo na mesa. E tinha yakisoba e umas carnezinhas maneiras pra comer também, que pegamos. Quero dizer, era legal porque se deixasse pra gente preparar ia ser um desastre.

Mas enfim, nesse Parco em particular, que entramos por pura sorte, tinha absolutamente tudo o que você pode imaginar: loja do Pokémon, Jump, Studio Ghibli, Muji, etc.

Voltamos pro hostel, demos check-in. Nosso quarto aqui era bem espaçoso, e assim como em Kyoto não tinha banheiro nem geladeira e nem podia comer nada no quarto(!!) mas o lobby era bem legal e tinha cozinha e geladeira e tudo mais.

Nossa quarto em Osaka (foto do Nathan)

 

 Foi de longe a hospedagem mais barata da viagem, mas teve pontos negativos além dos que falei acima: só deram dois keycards pra gente, então tínhamos que ficar fazendo revezamento pra conseguirmos entrar no quarto; o colchão era quase um futon de tão fino, e não era lá tão grande também; os chuveiros não eram tão legais quanto os de Kyoto. Mas em compensação o lobby era super grande e convidativo, tinha uns eventos do hostel que pareciam bacanas (mas não tivemos tempo de aproveitar), tinha uma rede no nosso quarto e a localização talvez tenha sido a melhor (relativamente) de todos os lugares que ficamos.

Depois de descansarmos um pouco no hostel, fomos ver o Castelo de Osaka. O ideal pra ver o castelo mesmo seria no horário comercial, já que dá pra entrar lá e tudo mais, mas como a gente sabia que de dia é um inferno trafegar por ele, fomos de noite pra ver a iluminação mesmo.

O castelo de Osaka fica beeeeemmmmmmm dentro do parque onde ele tá localizado, da estação até chegar perto dele tem tipo meia hora de caminhada e escadas pra caralho, mas ele é bem bonito,

Ele é muito imponente ao vivo, séloco.

 

 O Castelo é muito bonito, a iluminação destaca ele no meio do parque e toda a caminhada até vê-lo parece ser recompensante depois de você ver o dito cujo. Não tinha nada aberto no parque tirando um festival que tava rolando de Natal... que tinha entrada paga, então voltamos pra jantar perto do hostel. Pior que eu queria comprar um chaveirinho que seja do peixe dourado que fica no topo do castelo, uma pessoa que conheci tinha uma fixação tão grande nele (inclusive andava com um pingente do peixe) que fiquei com vontade de comprar algo relacionado também, mas fica pra próxima.

 Voltando pra perto do hostel eu dei ideia da gente comer num yakiniku, escolhi um na rua do hostel mesmo e onde não tinha um puto de um estrangeiro.

Yakiniku pegando fogo (foto do Nathan)

 

 Pegamos um set com wagyu e tudo mais, delicioso. A gente comeu pra caralho, bebemos pra caralho (pelo menos pro meu nível de tolerância) e voltamos felizes pro hostel.

 

 Dia 4/11 - Universal Studios e Estação de Osaka

 

 O grande motivador pra gente visitar Osaka era a Universal. Eu particularmente não sou muito fã de parques de diversão mas acho que viajar com meus amigos desse jeito já é algo que vai ser raro de rolar daqui pra frente, irmos para um parque de diversão então? Não sei se terei mais chances nessa vida. Então vamos lá.

A gente pegou o Express Pass pra uma série de atrações: Jaws, Harry Potter Forbidden Journey, Mario Kart, Donkey Kony Minecart Madness e um dos Minions (escrevi tudo isso de memória, chances são que errei coisa).

 Chegamos cedo lá e tava uma multidão do caralho na entrada. Apesar disso não demorou muito pra gente entrar no parque.

A primeira atração que fomos foi a do Jurassic Park, que não tava no nosso Express Pass mas aproveitamos que tava sem fila.

Entrada pra parte final do trajeto do Jurassic Park (foto do Alvin)

 

 A Atração do Jurassic Park é um trajeto de barquinho com todo um storytelling de dinossauros fugindo do controle do parque. Os barquinhos são todos guiados por trilhos debaixo d'água (ou seja: não são barquinhos) e no final tem uma pequena grande surpresa que fez todo o negócio valer à pena.

Depois demos uma volta e decidimos ir na nossa primeira atração do Express Pass: Jaws.

Entrada da atração do Jaws (foto do Nathan)

 

A atração do Jaws foi também um passeio de barquinho mas mais teatral, onde a guia do barco fazia toda uma encenação caçando o Tubarão (que não sei se tem nome, não vi o filme).

A gente tinha uma janela meio limitada pra comer antes das próximas atrações no nosso Express Pass, então almoçamos meio cedo, fomos no Diner logo na entrada do parque pra comer o mais legítimo hambúrguer americano.

Acho que todos nós pegamos mais ou menos a mesma coisa (foto do Alvin)

 Assim, o hambúrguer não tava ruim, mas uns dois dias atrás nós comemos o maravilhoso Olu Burger, então bateu aquela depressãozinha. O preço pelo combo tá na notinha do Alvin aí na foto: 1800 yen, meio caro mas pra um parque de diversões tá bem ok, aposto que com o preço convertido (uns 70 conto?) você não consegue comer algo decente no Hopi Hari hoje em dia.

Então rumamos para a parte temática do Harry Potter no parque. O Universal Studios de Osaka tem duas áreas temáticas meio que separadas do resto: a do Harry Potter e a da Nintendo. Elas têm um limite de visitantes então você não tem entrada garantida nessas áreas dependendo do horário que você quiser entrar. O nosso Express Pass dava entrada garantida nessas áreas porque a gente tinha atrações nas duas áreas programadas pra certos horários, a área do Harry Potter tava tão de boa que nem tavam vendo quem entrava.

Eu só assisti até o quinto filme do Harry Potter e li só os dois primeiros livros, então não sei e não lembro de muita coisa.

A área temática de Harry Potter no parque (foto do Pedro)

 

 A área toda era baseada na vilinha que fica no lado de Hogwarts (Hogsmeade acho?) e tinha lojinhas de docinhos, varinha, roupas temáticas e tal, e claro, algumas atrações. O pensamento de comprar uma varinha passou pela minha mente mas cada uma era tipo 300 conto acho, e nem curto essa porra. As filas pras comidas que achei interessante também estavam meio longas e acabamos indo pra atração que a gente tinha direito no Express Pass.

O Harry Potter Forbidden Journey (ou algo do tipo) era uma montanha russa indoor com projeções e tudo mais. Foi legal sim! Mas me deixou bem tonto, essas coisas de VR/projeção contam muito com aceleração brusca pra dar sensação de movimento, aí no final eu tava tontaço.

 Aí andamos mais por outras áreas porque quando entrássemos na área da Nintendo, certamente não sairíamos até o final.

Chegada a hora fomos lá pra área da Big N, a fila tava enorme mesmo pra quem tinha Express Pass. O parque tava cheio de gente mas parece que boa maioria só queria ir pra parte da Nintendo mesmo.

Entrada pra parte da Nintendo do parque (foto do Pedro)

 Uma coisa que não percebi pelas fotos e vídeos que vi no Instagram é como essa parte do parque é apertada, ela é toda compacta e cheia de escadas, lá embaixo é mais de boa (na parte que vai pra área do Donkey Kong) mas essa porra foi muito mal planejada, tem muita gente pra pouco metro quadrado.

Super Nintendo World em toda sua glória (foto do Alvin)

 

 A gente andou bastante mas tinha fila em todo lugar, o sorvete do DK tinha um valor meio abusivo e eu sinceramente sou a pessoa mais propensa a gastar dinheiro de forma burra, mas sei lá, quando gasto dinheiro numa coisa questionável eu geralmente me pergunto se vou me arrepender de não ter comprado, mas pras coisas que vi na Universal em geral nada me chamou muita atenção.

A primeira atração da Nintendo que fomos foi o do Mario Kart.

Castelo do Bowser onde tinha a atração do Mario Kart (foto do Alvin)

 

 Cara, eu achei essa atração bem mais ou menos mas a tecnologia de AR que tinha no visorzinho que cada um tinha que usar é super massa. A experiência foi legal sim mas podia ser melhor se os karts fossem individuais (eram em 4 pessoas cada) mas visto a ENORME fila que tem pra essa porra, entendo economia de escala o suficiente pra ver o porquê de ser do jeito que é hoje.

 

Entrada da área do DK (foto do Alvin)

 

Mas enfim, depois fomos pra área do Donkey Kong, que tá dentro da área da Nintendo mesmo, pra ir no Minecart Madness, a montanha russa do DK.

Entrada do Minecart Madness (foto do Alvin)

 

 A montanha russa foi do caralho. Vocês podem ver vídeos dela em um monte de lugares, mas o carrinho da montanha russa é guiado por trilhos que ficam na lateral e botam trilhos falsos e buracos no meio pra dar sensação de que o carrinho descarrilhou, por mais que seja meio óbvio que tudo aquilo lá faz parte da atração, não dá pra evitar de sentir o frio na barriga real.

A próxima atração que a gente tinha no Express Pass era uma dos Minions mas era só de noite, decidi vazar antes pra conhecer um pouco mais de Osaka. Eu e o Nathan saímos mais cedo e o Alvin e o Pedro ficaram no parque.

Eu e o Nathan fomos pra estação de Osaka pra comprar as passagens de trem bala de volta pra Tokyo mas também exploramos a estação, fomos na Uniqlo e nas lojas que tinham no shopping ligado lá, e tomamos sorvete na Baskin Robins, delicioso por sinal.

Depois disso me despedi do Nathan pra dar uma olhada numas lojas em Shinsaibashi (que era bem perto do nosso hostel) e depois esperamos os dois que estavam no parque pra gente jantar.

A gente jantou num restaurante de Tsukemen bem na esquina antes do nosso hostel. O sistema de pedir era aquela máquina de tickets e eu tava explicando pros meus amigos como funcionava até que o dono do restaurante saiu de trás do balcão e ficou me encarando, meti um inglês e ele falou um "You look japanese bot don't speak japanese?" e dali tive que explicar o porquê de ter japonês no Brasil. Acho que foi a maior interação que tivemos com os japoneses nessa viagem, a gente ficou conversando com o dono enquanto comíamos e foi super legal bater um papo com um nativo, o cara era meio coreano meio japonês e sabia pelo menos japonês, coreano, inglês e chinês (porque no meio da nossa conversa umas clientes chinesas entraram no restaurante). O tsukemen lá era bem interessante que você podia escolher o macarrão entre lámen, soba e udon. 

 

 Dia 5/11 - Onsen, Shinsekai e Denden Town

 

Chegou o dia esperado: o dia da gente ficar pelado.

A ideia de ir pra um onsen ronda a cabeça de todo turista que vai pro Japão, mas geralmente esbarra ou na vergonha ou no impeditivo de ter tatuagem, vou levar em conta que os leitores deste blog sabem o rolê todo que o pessoal do Japão tem com tatuagem.

Por sorte nenhum de nós quatro têm tatuagem, mas sobrou o que? A vergonha de ficar pelado.

A entrada do onsen que nós fomos, é tipo um spa no meio da cidade (foto do Alvin)

 

A gente foi num onsen em Osaka mesmo, eu tinha procurado um lugar que fosse ao mesmo tempo em conta, que tivesse bastante coisa pra fazer e fosse numa localização conveniente. Tinha umas opções em Tokyo mas por tipo o dobro do valor, então fomos nesse mesmo.

Nesse onsen você tinha que tirar o sapato na entrada e botar num footlocker, a chave do footlocker vinha com um rfid que seria tua comanda pro resto da estadia, com esse rfid você paga as comidas, massagens adicionais, etc. E claro, na entrada a gente podia escolher uma yukata pra usar lá dentro, e cada um escolheu uma diferente.

A gente de yukata na ponte que passava sobre nada (foto de duas moças japonesas que tiraram a foto pra gente mas que está no celular do Alvin)

 

A gente pegava uma toalha menor no começo e uma maior no vestiário antes dos banhos. Obviamente cometemos uns erros de principiante: entramos com a toalha grande pra dentro dos banhos, quando era pra entrar, no máximo, com a toalha pequena. Mas tinha gente que fez pior: entraram enrolados com a toalhas nos banhos, algo que tava até com plaquinha no lado proibindo.

Mas todo o processo de ficar pelado e entrar nos vários banhos foi bem de boa, agimos todos com maturidade e naturalidade mas claro, dali pra frente nossa amizade chegou no nível "JÁ TE VI PELADO HEIN!!!!!" e amizade assim, como todos sabem, é pra sempre na vida.

Depois saímos pra almoçar (no restaurante dentro do próprio Onsen) e dar uma passeada pelas instalações do Onsen. O lugar era bem grande e queria imitar uma cidade de Onsen mesmo: tinha uma ponte, um mini-templo, uma sala cheia de gacha e um belo arcade com uma clássica mesa de ping pong. 

 Depois saímos pro jardim central pra andar um pouco. Os banhos onde ficamos pelados eram divididos por gênero mas o jardim era comum para todos. Demos uma molhada no pézinho e nos dividimos: como era o último dia em Osaka eu queria conhecer umas coisas que não tinha visto, então saí mais cedo com o Pedro, enquanto isso o Nathan e o Alvin ficaram mais no Onsen.

Eu e o Pedro paramos numa GEO (loja de jogos e eletrônicos usados) no lado do Onsen mas não tinah nada legal, nos separamos e fui em busca da minha camisa de baseball.

Um dos meus objetivos nessa viagem era pegar uma camisa de baseball, não sou particularmente fã mas queria ter uma, como não queria ser mainstream eu já tinha descartado pegar dos Yomiuri Giants e do Hanshin Tigers, então fui pro Kyocera Dome pegar a camisa do Oryx Buffaloes.

Memorial das conquistas do Oryx Buffaloes dentro do Kyocera Dome

 Eu me perdi pra tentar entrar no estádio porque o negócio é imenso, mas consegui entrar lá e peguei a camisa, gastei bons 9000 yen mas o tecido e tudo mais são de uma qualidade bem boa então tá tudo certo.

Depois rumei pra Shinsekai pra ver a torre Tsutenkaku.

Torre Tsutenkaku

 Shinsekai é o lugar mais decadente que visitei no Japão dessa vez, não tem outro jeito de descrever. Não tinha a caralhada de turistas que tinha em Dotonbori, não tinha as lojas de Shinsaibashi e tinha umas shotengais que tavam com boa parte das lojas fechadas. Poxa, era uma quarta chuvosa de Novembro mas esperava um pouco mais de vida, mas foi legal ver um lugar assim na viagem.

Depois de eu dar uma volta na Donki de Shinsekai, acabei indo pra Den Den Town, a Akiba de Osaka, porque o Pedro falou que tava lá e era uns 20 min andando.

O que achei incrível na andada de Shinsekai pra Den Den Town foram as lojas de usados que encontrei no caminho. Tinha loja de consoles usados que tavam com preços bizonhos de caro e tinha MUITA loja de DVD pornô, MUITA. Não via coisa assim nem em Akiba! Mas enfim, lá em Den Den eu acabei indo pra Animate e lojas do gênero e vi uns desenhos do mangá de romance que falei neste blog (da moça caixa de supermercado).

Juro que só vi depois a plaquinha de proibido fotografar, desculpa.

 Passei na Super Potato e não achei nada demais, então voltei pro hostel. Nossa janta nesse dia foi num izakaya na avenida perto do hostel, foi bem mais ou menos pra falar a verdade, depois fomos no mercado pra comprar mais coisas pra comer de noite.

Mas enfim, foi isso nossa passagem por Osaka! Acho que foi bem curta e devíamos ter ficado mais tempo pra conhecer a cidade mesmo, mas qualquer dia a mais aqui seriam dias a menos em Tokyo, então optamos pelo mais desejado. Osaka e Kyoto foi onde comemos mais coisas boas e diferentes na nossa viagem, conhecemos mais restaurantes locais e nos aventuramos pra fora do roteiro comum. O resto dos dias da viagem foram mais solos (comparado com a viagem até este ponto) então esperem por mais relatos meus em lugares aleatórios que quis ir.

E é isso, obrigado por lerem até aqui e faltam uns 7 dias pra escrever ainda!

vlw flw, té mais! 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 5

Dia 1/11 - Fushimi Inari e Nara

Já passamos dois dias em Kyoto e só fomos no templo/santuário do lado do hostel! Vamos mudar isso!

Começamos o ida comendo no bom e velho Yayoi, restaurante que comemos todas as manhãs que passamos em Kyoto.

Preguiça de girar a foto

 O café da manhã no Yayoi não tinha nada de muito diferente do que comemos no Matsuya lá em Ueno: era uma proteína, arroz (no Yayoi era um arroz mais diferente, mas ainda arroz), missoshiru e um tofu ou outra guarnição que você podia pedir, mas nós gostamos bem mais do sabor dos pratos deles do que do Matsuya, então acabamos tomando nosso café todo dia no Yayoi, além do negócio ser literalmente do lado do nosso hostel.

Rumamos então para o Fushimi Inari.

Os famosos toriis do Fushimi Inari (foto do Nathan)

 O Fushimi Inari estava CHEIO, muito CHEIO. Cara, esse é aquele santuário com dez mil toriis (talvez mais?) e que a galera gosta de tirar foto e fazer merda. Tinha tanta gente no túnel de toriis que a gente tava andando num ritmo de procissão. A gente parou antes dos toriis pra pegar o goshuin e eu em especial parei pra pegar o caderno de goshuin ilustrado pelo Yoshitaka Amano (ilustrador dos primeiros Final Fantasy), comprei uns omamoris e então rumamos pelos toriis.

Uma hora lá no meio, vendo que não ia ter muita coisa mais além dos toriis, decidimos dar uma desviada numa trilha pro meio da montanha e fomos parar numa floresta de bambu.

Não é Arashiyama, mas tava vazio.

 Não era lá AQUELA floresta de bambus, mas tava vazio e o clima tava agradável.

A gente foi para nuns cemitérios e mini-templos pela montanha e só seguimos reto e seguimos até dar numa estradinha no lado de um monte de plantações.

Finalmente nos livramos dos turistas em Kyoto (foto do Nathan)

 Andamos e andamos seguindo o Google Maps pra estação mais próxima mas achamos umas joias no meio do caminho.

Lojinha sem vendedor com livros de gravuras artesanais (foto do Nathan)

 Passamos por uma lojinha onde vendia livros de gravuras artesanais, cara, era o tipo de artesanato muito maneiro e bem feito de verdade. Comprei um livrinho com uns poemas e gravuras mas tudo nessa lojinha era muito bem feito. A lojinha em si era totalmente na base da confiança: você pegava o produto e deixava a grana na caixinha.

Passamos por um templo subindo uma bela escadaria, onde dava pra ver parte da cidade de Kyoto.

Já vimos tudo do Fushimi Inari (que tínhamos saco pra ver), então decidimos ir pra Nara.

Pra chegar em Nara a gente pegou um trem da Estação de Kyoto pela linha Nara, descendo na estação Kintetsu Nara.

A estação está ligada a um shotengai e como já era umas 13h, decidimos arranjar um lugar pra comer lá, fomos num Tonkatsu.

Tonkatsu com Ebi Furai (foto do Pedro)

 Esse restaurante de Tonkatsu era interessante: vinha um pilãozinho pra macerar gergelim e misturar os molhos que você quisesse, pra dar textura e tal. De resto era um teishoku normal, delicioso. Na fila um cara turco ficou perguntando pros meus amigos se eles sabiam o que tinha nos pratos, ele nem tentou falar comigo, provavelmente por achar que eu era nativo.

Bem almoçados, fomos em direção ao parque de Nara pra ver os veadinhos, no caminho comprei um saquinho de baby castella fresquinhos, pensa na massa de Taiyaki/Crepe só que em forma de bolinhas, bom demais (comprei o saquinho grande e ele acabou durando até Osaka).

Rumamos meio sem rumo até ver que tinha um templo lá perto pra ver.

Tem um monte deles pela cidade toda, chega a ser engraçado.

 
Templo Kofukuji em Nara

Olhar de fora é de graça mas entrar nos salões dos templos precisava de ingresso, já que a gente tava lá, acabamos pagando. Tava tendo uma demonstração de naginata na frente do templo.

Depois fomos pegar o goshuin e mais omamori.

Descemos na rua comercial do templo e fizemos umas compras, destaque pro mochi preparado na hora, aquele mesmo que tá famoso no Instagram "YOISHO HAI HAI HAI YOISHO HAI HAI HAI". Passamos em umas lojas do shotengai no aldo da estação e vazamos pra casa.

De noite fomos pra Estação de Kyoto pra explorar e comemos num izakaya, tava mais ou menos. Exploramos as lojas da estação e voltamos pro hostel.

 

Dia 2/11 - Kiyomizudera e Delta do Kamogawa 

 

Acordamos cedo pra ir ao Kiyomizudera, um dos templos que você pensa quando pensa em Kyoto.

O Kiyomizudera é um dos templos que é meio chatinho de ir de transporte público, porque as ruinhas que dão acesso a ele são íngremes e bem, são ruinhas.

A gente acabou não indo ao Kinkakuji porque tinha que pegar ônibus e nem dava pra entrar no negócio dourado, então o Kiyomizudera (junto com o Fushimi Inari) foram os templos mais populares que fomos.

O Kiyomizudera tem uma parte que tem acesso de graça, mas maioria do complexo do templo você só tem acesso depois de pagar um ingresso. Sinceramente, vale bem a pena. Os omamoris e goshuin são mais baratos que os templos que visitamos até então e tem bastante coisa pra explorar.

Essa estrutura de madeira não tem nenhum prego

 
Meu pai me falou que essa foi uma das únicas fotos boas que tirei na viagem

O atrativo do Kiyomizudera é uma fonte que tem água com efeitos místicos ou coisa do gênero, obviamente eu e meus amigos bebemos.

Depois descemos a rua comercial do templo e inventei de comer aquele pepino no espeto que aparece em anime e sempre comem no verão... e só quando dei a primeira mordida que me dei conta que é um tsukemono mas de PEPINO INTEIRO, comi o pepinão sofrendo, o negócio é muito azedo.

Depois de explorar (bem) os arredores do Kiyomizudera a gente foi pro Palácio Imperial de Kyoto... era esse o plano pelo menos, o negócio tava fechado (acho que era domingo) e já era 13h! A gente tava morrendo de fome. Eu dei a ideia de comer hamburguer, mas não de rede, então achamos um restaurante perto do palácio: o Olu Burger.

Olu Burger em toda sua glória (foto do Pedro)

 Caros leitores e leitoras, pra tudo o que comemos nesta viagem eu recomendo muito vocês experimentarem os pratos, não necessariamente os restaurantes, porque não comemos em nenhum lugar específico onde a forma que o restaurante em específico fazia alguma diferença. O Gyukatsu era bom mas muitos lugares faziam igual, o kaisendon idem, mas esse hamburguer? Puta que pariu.

Foi o melhor hamburguer que comi na vida, simples assim. O pão é claramente feito no restaurante e a carne era 100% wagyu puta que pariuuuuuuuuuuuu. Muito bom. Recomendo fortemente que vocês comam no Olu Burger se forem pra Kyoto, queria eu estar sendo pago pra fazer essa divulgação, mas realmente foi uma experiência incrível.

Bem, terminada e experiência transcendental de comer no Olu Burger, cada um foi pra um lugar, era a tarde livre antes da gente ir pra Osaka.

Eu queria conhecer a Universidade de Kyoto (Kyodai), sim, por causa de Tatami Galaxy mas lá é também onde o Genji e a Yui do Evangelion estudaram, além de ser relativamente perto de onde a gente tava.

A famosa árvore e a torre do relógio da Kyodai

 

A Universidade de Kyoto é bem parecida com a Universidade de Tokyo: as duas são bem urbanas e têm um campus bem denso, eu já falei isso quando escrevi sobre a Universidade de Tokyo mas reforço: a USP não tem nada a ver com as duas, se eu demorava meia hora saindo da Poli indo pro bandejão central, em 40 minutos você consegue cruzar o campus todo dessas duas universidades. Eu sinceramente preferiria que o campus da USP fosse assim, ainda mais a parte de ser mais urbano e perto do transporte público, mas vejo valor também na Cidade Universitária como ela é.

Enfim, na ida pra Kyodai eu vi o famoso delta do Kamogawa, lugar onde os estudantes da Kyodai e jovens em geral da região vão pra descontrair.

Delta do Kamogawa, um dos meus lugares favoritos nessa viagem.

 O delta do Kamogawa e suas margens são um espaço bem maneiro de socialização. O delta em especial é um parque, tinha um monte de casais e famílias curtindo o clima meio ameno de fim de outono, tinha rodinha de violão e nas margens do rio eu vi pelo menos três bandas de jazz ensaiando.

Eu pulei essas pedrinhas pra chegar no meio, o rio é bem raso

 

Pode ser meus rose-tinted-glasses de turista mas porra, que lugar legal. Eu tinha passado num Seven Eleven e peguei um potinho de Calbee Jagariko e um chá pra aproveitar o Delta, então me acomodei numa encosta com grama e fiquei lá curtindo o clima por umas horinhas, até botei um alarme pra tirar uma sonequinha de 20 minutos porque o clima tava muito incrível pra deixar passar. 

No verão eu sei que a galera bota cadeira no meio do rio e fica lá curtindo a água, que inveja! A água é bem rasa então imagino que seja um lugar bacana pra ir com família e amigos.

O rio Kamo (ou Kamogawa, gawa/kawa é rio em japonês) corta Kyoto inteira, e por toda sua extensão a margem tem toda uma estrutura pro pessoal andar e ciclofaixas, acho que essa integração só é possível porque o rio é ridiculamente raso na maioria do ano mas é algo que a gente não vê em Tokyo por exemplo, o Kamogawa é mais charmoso e tem um papel mais social que o Sumida/Tama/Arakawa.

Enfim, como era nosso último dia em Kyoto, decidi fazer umas compras, rumei pra Kawaramachi que é a rua comercial (queria achar coisa na Uniqlo). Achei o famoso moletom do Gengar da Uniqlo e uma camiseta do Chainsaw Man!!!

Enfim, nisso chamei meus amigos pra comprar essas roupas de collab da Uniqlo (que em Tokyo não tínhamos achado) e rumamos de volta pro hostel, o jantar do dia foi bento do Supermercado. No dia seguinte a gente ia rumar pra Osaka.

Kyoto foi a parte que mais me surpreendeu na viagem, eu esperava que seria uma cidade 100% histórica mas ela tem uma vida social bem ativa e a cidade em si é super charmosa, o foda é que as linhas de trem não se comparam com Tokyo, muitos pontos turísticos exigem que você pegue ônibus ou ande pra caralho mas assim, ainda é bem melhor que São Paulo por exemplo, é só que Tokyo que é fora da curva mesmo. As comidas são deliciosas, o supermercado do lado do hostel foi o melhor que frequentamos nessa viagem (te amamos, Fresco!) e o hostel também foi talvez o melhor que ficamos. Eu acho que conseguimos fazer tudo o que queríamos mas na próxima vez eu queria explorar mais algumas coisas, amei de verdade essa cidade. Eu nem sou fã de coisas históricas assim mas é uma cidade que usa a história pra construir algo bacana que não fica na mesmice de só visitar templo e castelo.

E é isso, pessoal! Como ficamos só três dias em Osaka, vou tentar botar Osaka inteira num post só.

vlwflw té mais! 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Viagem pro Japão 2025: Capítulo 4

 Dia 30/10 - Indo pra Kyoto e conhecendo o Nishiki Market

Nosso trem bala pra Kyoto saía 10 e pouco então fizemos checkout lá pelas 8. O plano era passar no subsolo da Estação de Tokyo pra pegar o bentô no trem. É uma tradição que queria mostrar pros meus amigos: o pessoal pega o trem bala bem no horário do almoço pra comer durante a viagem, que dura lá suas duas pra três horas.

Eu aproveitei essa oportunidade pra pegar um bentô de unagi (enguia) pra experimentar e uma porçãozinha de kara ague pra complementar, e um chazinho que não podia faltar. 

Me diz se essa não é uma refeição digna de reis?

 Pior que achei enjoativo. Não sei se o molho agridoce tava mais pro doce do que pro agri mas nem consegui terminar a enguia de tão doce que achei, pelo menos o kara ague tava ok, e percebi que kara ague sem gengibre não é um problema só daqui do Brasil, mas tava bom.

Foi bem bacana a experiência de pegar um trem bala, não é um maglev nem nada do gênero mas porra, só do negócio chegar perto dos 300km/h já me assustou, e pensar que o primeiro trem bala lá da década de 70 não era tão diferente do atual, é realmente admirável.

Chegamos em Kyoto lá pelas 13h e nosso check-in era 15h, o hotel era uma estação de distância da estação de Kyoto (onde descemos do trem bala) então tínhamos duas horas pra explorar a região, deixamos nossas malas na recepção e fomos explorar por perto.

Kyoto é bem diferente de Tokyo, era minha primeira vez lá e eu realmente esperava que seria só casinhas de madeira, templos e gueixas, mas a cidade é bem desenvolvida. As partes históricas são mais afastadas do centro e é legal ver que lá tem uma vida social bem ativa. Demos uma volta pra achar uns templos perto, e isso tinha de monte mesmo na cidade.

Templo a duas quadras de distância do hostel (foto do Nathan)

 Tinha um templo em particular, a duas quadras de distância do nosso hostel, que era bem simpático e vendia os omamoris mais bonitinhos que vi durante a viagem.

Omamori de coelhinhosssssss

 Passamos também no primeiro supermercado da nossa viagem: o FRESCO. Essa rede só tem em Kansai acho, não vi em Tokyo, e era um mercado bem bom: tinha variedade de tudo, bentôs baratos e muitas bebidas, tudo isso num preço bem ok.

Beleza, chegou a hora e voltamos pro hostel pra dar o check-in.

Screenshot de um vídeo que o Nathan tirou do quarto
 

O quarto não era lá muito mais espaçoso que o anterior mas era. Dessa vez não tinha banheiro no quarto mas os banheiros e chuveiros desse hostel eram incríveis, quero dizer, as privadas foram boas durante a viagem toda mas o chuveiro desse hostel tá de parabéns mesmo viu.

Foto do chuveiro (foto do Nathan)

 O chuveiro era tão pica que tinha instrução de uso no box. E a água do hostel inteiro era filtrada então era só a gente ir no banheiro pegar um copo (que tinha lá) pra tomar, sinceramente não sou muito fã disso, já que não dava pra pegar água gelada e não tinha geladeira nem no quarto e nem no hostel inteiro, mas o chuveiro realmente fez valer a pena.

Deixamos as malas no quarto e fomos pro primeiro destino: Nishiki Market.

O Nishiki Market é um shotengai enorme só que feito pra turistas. Eu achei bem parecido com a Ameyoko mas o nível de tourist trap aqui era absurdo, tinha desde espetinho de wagyu por 5000 yen até sushi de bluefin por 3000 yen CADA PEÇA, obviamente comi algumas coisas, não tão caras mas tourist trap nonetheless. 

Nishiki Market em toda sua glória

 O que a gente não sabia era que o Nishiki Market era ligado diretamente a uma rede de shotengais ENORMES onde me perdi pelo menos umas seis vezes. Puta merda, eu andei tipo uns 3km só DENTRO dos shotengais e do Nishiki Market e não vi tudo, achei a parte do shotengai propriamente dito até mais interessante que o Nishiki Market, porque tinha coisas mais pros locais e umas lojas realmente interessantes, mas é, ficamos até tudo fechar.

Comidinhas do Nishiki Market, tourist trap? Sim, mas ainda deliciosas

 
Shotengai conectado ao Nishiki Market

Andamos, comemos e já era hora de ir embora. No caminho (andando) pro hostel dava pra passar no Pokemon Center de Kyoto e fomos lá, não comprei nada mas fui procurar uns negócios de Chainsaw Man por perto, obviamente sem nenhum sucesso, então voltamos pro hostel.

Como todo mundo tinha comido pelo menos alguma coisinha, a fome demorou um pouco pra chegar, então fomos pro Coco Ichibanya pra comer um curry de noite.

To com preguiça de virar a foto.

 Eu pedi um curry com caldo de lagosta e com camarõezinhos e um tonkatsu pra acompanhar. Po, delicioso tá, o Coco Ichibanya é famoso por você poder personalizar absolutamente tudo do seu Curry e escolhi justamente o curry que eu menos teria chance de comer aqui no Brasil, mas também peguei um tonkatsu porque tonkatsu com curry é a melhor combinação da culinária japonesa, como todos sabemos.

Voltamos pro hostel e dormimos.

Dia 31/10 - Castelo de Nijo e Museu da Nintendo

 Eu deixei o roteiro deste dia na mão dos meus amigos, não tava muito afim de ficar vendo muita coisa no detalhe, então o Nathan pesquisou e achou sobre o Castelo de Nijo, que aparentemente foi construído no Shogunato e tal.

Castelo bem bonito, não tinha aquela edificação central castelo castelo mesmo tipo o de Osaka mas era bem legal o complexo inteiro, as fortificações e muralhas eram bem legais, além dos jardins impecáveis.

Vista de cima da muralha de um dos pontos de entrada do Castelo de Nijo

 Andamos bastante e foi o primeiro lugar que passamos que tinha aquele carimbo que você ia completando ao passar pelos checkpoints, no final ce tinha um negócio carimbado com todas as cores.

Carimbo do Castelo de Nijo, foi o único que consegui completar nessa viagem

No final paramos pra tomar um sorvete (pelo menos eu) e rumamos pra nosso próximo destino: Museu da Nintendo! Mas antes paramos na Estação de Kyoto pra almoçar.

Lamen que comemos na Estação de Kyoto (foto do Pedro)

 A gente parou num lugar de rede bem x na estação de Kyoto pra almoçar, tinha cardápio em inglês e serviam lamen, já era mais que o necessário. O curioso é que nesse lugar tinha uma plaquinha explicando o que era cada uma das coisas que tinha na mesa pra botar no lamen e FINALMENTE descobri o negócio que amo botar no lamen e nunca achei aqui: Takana.

Pickled Takana my love.

 Cara, eu acabei procurando e achei que é um tipo de mostarda, e em restaurantes sempre é servido com pimenta shichimi, o negócio é delicioso e com o lamen então é perfeito. Pra mim é Takana e alho ralado no lamen em doses cavalares e fico feliz, aqui no Brasil como não tem takana, fico só no potinho de alho mesmo (quando tem).

Enfim, seguimos para o Museu da Nintendo depois do nosso almoço. 

O mais esperado em Kyoto.

 O Museu da Nintendo é um rolezinho de conseguir ingresso: primeiro que você tem que ter conta Nintendo, depois você tem que entrar numa loteria e selecionar três horários (podendo ser em dias diferentes) e se você for selecionado, te alocam pra um horário e você compra o ingresso, pois bem, nós quatro entramos na loteria pra comprar 4 ingressos (então só precisava um ganhar pra conseguir comprar o ingresso) e acabou que nós quatro conseguimos. O foda é: pra gente ter mais chance e não disputar um com o outro, escolhemos todos horários diferentes, acabou que peguei o melhor horário lá de manhã. O foda, mais uma vez, é que pra dar um double check pra ver se teu número de celular cadastrado é real, eles mandam você ligar pra um número gerado na hora, número esse obviamente do Japão, e meu plano de celular da Vivo não deixa ligar pra fora do país nem fodendo AAAAAHHHHHHHH, é, ficou pra lá o plano de ir com meu horário, então pegamos o horário de Alvin que era o segundo melhor (pós-almoço) e fomos, e é isso o prefácio da jornada pro Museu da Nintendo.

Controle gigante de 64 (foto do Pedro)

 

O Museu é dividido em duas partes: a parte Museu mesmo, onde tem todos os consoles e várias parafernálias da Big N pro pessoal ver (que é interessante mas a gente não podia tirar foto) e tinha a parte mais popular: a parte com os joguinhos. Basicamente você tinha uma quantidade limitada de créditos pra jogar em uma série de jogos ou baseados ou literalmente jogos mesmo da Nintendo. Dava pra jogar Mario 64 com um amigo num controle gigante de Nintendo 64 mas dava pra jogar nuns consoles que, como já é de conhecimento comum, não são nada mais que emuladores com controles originais pra galera brincar. É um lugar bem legal de visitar e tava na minha lista de lugares pra conhecer, mas não é lá imperdível também, mas é legal.

Wiimote gigante, ele é lindo (foto do Pedro)

No final disso tudo obviamente tem uma lojinha com tudo o que você pode imaginar, inclusive o Wiimote gigante que, com grande pesar, deixamos de comprar porque não conseguimos imaginar como íamos trazer na mala. 

Quando saímos do museu já tinha escurecido (tava escurecendo cedo quando a gente tava lá, tipo antes das 18) e tava chovendo, hora de voltar pro hostel e ver o plano pra janta.

Paramos na Estação de Kyoto pra fazer baldeação pra nossa linha e nos perdemos, acabamos nos encontrando e seguimos as setas pra nossa linha quando o Pedro parou pra ver uma lojinha, nisso a gente seguiu pra depois da loja pra ver o que tinha e achamos essa vista da Kyoto Tower:

A (não tão) grande Kyoto Tower

 Seguimos mais e vimos umas escadas rolantes indo pra cima e subindo ela a gente conseguiu ter uma visão melhor da estação:

Uma beleza arquitetônica

 E subimos mais ainda e vimos as famosas escadarias com iluminação led que sempre tá passando alguma coisa, dessa vez eram motivos de outono:

Tava chovendo, meio perigoso de subir essa escada

 Então vimos uma passarela lá no alto da estação e subimos a escadaria iluminada (as escadas rolantes no lado dela no caso) e chegamos lá no Sky Walk:

A estação vista do topo da escadaria, no meio está a Sky Walk.

 
Vista pro canal, olhando da Sky Walk

Kyoto Tower da Sky Walk

Foi legal pra caralho, nos perdemos um pouco mais nessa parte de cima da estação e encontramos uma maquete de lego da própria estação num lugar meio isolado e que, pelo o que tudo indicava, era o esconderijo dos adolescentes da região, tinha alguns casais se pegando e grupos de meninas filmando tik tok, fé que a taxa de natalidade vai subir pelo menos em Kyoto!

Andamos mais e mais e fomos pro shopping abaixo da Kyoto Tower pra ver se tinha algo pra comer, mas nada interessante, então voltamos pro hostel.

Depois bateu a fome, então pegamos o trem pra andar por Gion pra ver se tinha algo legal pra comer.

Ponte Shijo em Gion

 Andamos andamos e andamos e avistei um Gyukatsu, dei a ideia pro pessoal, todos concordaram, já salivando com a ideia de uma boa carne.

To com preguiça de girar a foto

 Gyukatsu, pelo menos desse tipo, é tipo um tonkatsu só que é carne bovina e ela vem CRUA por dentro e empanada e frita por fora, aí vem uma chapa quente pra você passar o ponto da carne a seu bel prazer. Pra ninguém morrer de vontade ou morrer de pobre, pedimos dois pratos de wagyu e dois normais, sendo que o combinado era dividir as carnes igualmente entre todos pra todos poderes experimentar wagyu, e não era um wagyu normal não, era A5 porra. Levem em conta que esse foi o primeiro wagyu da viagem.

Tava bom pra caralho.

Puta que pariu, que carne boa, vai se foder.

Você pode olhar pro wagyu, só ver gordura e pensar "porra, vou pagar 200 conto num monte de sebo?" Nope, cara, pode parecer eu tentando justificar o gasto que tive mas Wagyu de verdade é MUITO diferente de uma carne normal. Não vou me estender muito porque não é o ponto do post, mas é um negócio bizarro. Porque tem muito umami no gosto do wagyu e a coisa mais próxima dele em sabor, por incrível que possa parecer, foi o atum bluefin que comemos no outro dia. Ah, pode me xingar o quanto quiser, mas antes coma Chutoro de Bluefin e coma um Wagyu A5 e constate que eu só disse verdades aqui.

Enfim, comemos. O restaurante era muito tourist trap, era caro sim mas a qualidade estava muito boa.

De pança cheia voltamos pro hostel.

E o que faremos mais em Kyoto? Fica pro próximo post. Eu queria condensar mais umas coisas mas acho que uns detalhes legais da viagem iam se perder. A parte de descobrir a Sky Walk na Estação de Kyoto foi um negócio bem legal e das experiências que tive com meus amigos foi a que mais guardo com carinho. Eu costumo valorizar muito essas experiências imprevistas porque a expectativa é zero né, então pra corresponder pode acontecer qualquer coisa que já me satisfaz, mas momentos como ver a Estação de Kyoto de cima da escadaria me lembram muito a vez que vi Shibuya de noite pela primeira vez, ou a primeira vez que vi Tokyo do alto da via expressa. Esse sentimento de espanto, de presenciar algo que não consigo descrever em palavras, acho que isso é o que busco sempre mas raramente acho, e no fim é isso que dá valor para as experiências.

E é isso, estou terminando de escrever este post na virada do ano, então feliz ano novo! Meu ano de 2025 foi cheio de altos e baixos e espero que meu 2026 tenha mais altos e menos baixos, e espero o mesmo pra cada um dos leitores e leitoras deste blog.

vlw flw, té mais!