segunda-feira, 27 de maio de 2019

Um adeus ao Kinoko Teikoku

Eu conheci Kinoko Teikoku no final do terceiro do meu ensino médio, eu conhecia Shiina Ringo faz um tempo já e Mass of The Fermenting Dregs era de praxe na minha playlist matinal, mas Kinoko Teikoku foi a primeira banda ativa underground que eu conheci e gostei.

E pode parecer estranho eu falar aqui mas eu me apaixonei pela Chiaki Sato desde que a vi no MV do Umi to Hanataba e por um momento eu não soube se ela era homem ou mulher. Aparência andrógina, voz andrógina, nome andrógino e eu já estava questionando minha sexualidade, de verdade. Pode parecer que estou fazendo uma observação leviana mas por um breve momento eu realmente me questionei por achar aquela pessoa bonita, sorte (ou azar?) que a Chiaki Sato é uma mulher mesmo.

E galera, obviamente eu não gosto de Kinoko Teikoku só por achar a Chiaki Sato bonita, se esse fosse o caso eu seria fã de idols ou kpop ou algo assim, não de bandas underground.


E eu já falei em outro post mas a imagem da Chiaki Sato é tão legal que me fez ter um apego especial por moletons lisos, calças slim (PORQUE MINHAS BATATAS NÃO PERMITEM AS SKINNY) e Vans e por pouco eu quase peguei uma Telecaster preta por causa dela, acabei pegando uma Jaguar branca que nem da Aa-chan.

Obviamente eu amava os outros membros da banda também, a Aa-chan fazendo riffs de shoegaze com a roupa menos shoegaze da história: pijamas, o Taniguchi fazendo linhas de baixo que são raríssimos no gênero (são bem evidentes no Eureka) e o Kon com seus bonés mais variados e com um trabalho na bateria que sempre achei bem diferente, nada daquela bateria meio math-rock que sempre gostei mas bem interessante de qualquer forma.

O motivo do término da banda aliás é bem inusitado: o baixista vai ter que herdar o templo da família e ele teve meio que um "sense of accomplishment" com os dez anos de banda e resolveu sair agora com o aniversário de dez anos de trajetória do Kinoko Teikoku. Como o Kinoko Teikoku é formado por amigos que se conheceram na faculdade, eles resolveram por terminar a banda do que continuar com outro membro, achei nobre da parte deles.

Eu meio que já sentia uma falta de empatia na música que a banda vinha fazendo desde 2015, quando você entra num som tão clichê que é o pop-rock que permeia o cenário mainstream do Japão, não tem como se diferenciar. A bateria do Kon agora só fazia o basicão de dar passo à música, assim como o baixo do Taniguchi, agora a Aa-chan também tocava teclado e as músicas giravam todas ao redor da voz da Chiaki Sato.

E sei lá, tudo o que eu podia escrever sobre a banda já foi escrito neste post que fiz faz pouco tempo atrás. Eu já meio que sabia que a banda ia entrar num hiato oficial, ou até mesmo acabar, já que a Chiaki Sato tá começando uma carreira solo, a Aa-chan já está na banda suporte da Seiko Oomori faz tempo e o Kon tava de suporte pra Aimyon um pouco antes dela estourar com o último álbum mas ter a coisa toda oficial foi meio forte demais pra mim.

O fim da banda foi trending topic no Japão, chegando a ser o terceiro tópico mais discutido uma hora. (fiquei com preguiça de cortar a imagem)


O fim do Kinoko Teikoku representa o fim de uma geração de bandas japonesas, apesar de não ter tido o impacto que Andymori e Chatmonchy (ambos fizeram o último show no Budokan) tiveram, Kinoko Teikoku foi a banda que apresentou muitos gringos ao cenário musical underground japonês, por ter influências de post-rock, shoegaze e afins ao mesmo tempo que não apresentava os extremismos dos gêneros, Kinoko Teikoku era antes de mais nada uma gateway drug pra esse cenário, por mais que no Japão mesmo eles fossem só mais uma banda que conseguiu sair do underground pro mainstream.

E o que o fim da geração de bandas que surgiram no meio dos anos 2000 significa? Significa que bandas novas vão ocupar os espaços vazios. Acho que o legal da nova geração de bandas surgidas de 2010 pra cá é que os membros delas estão começando a ter a minha idade! O pessoal do Luby Sparks se não me engano são da minha idade e as meninas do Hitsuji Bungaku são um pouco mais novas.

Eu duvido que Kinoko Teikoku conseguirá ter o legado que bandas como Number Girl e Supercar tiveram, mas acho que isso se deve ao fato também de que a mentalidade do cenário na década de 90 era de criar uma identidade própria em meio à influência do rock britânico/americano, enquanto que agora a galera tá mais foda-se.

Enfim, é natural que bandas acabem, ainda mais bandas indie, mas eu ainda acho que uma parte de mim morreu junto com o fim do Kinoko Teikoku, eles foram a soundtrack de boa parte do meu ano de cursinho e começo da faculdade, e infelizmente eu não tive a chance de vê-los ao vivo, esse deve ser o maior arrependimento que tenho de não ter feito arubaito um ano antes que fosse.

Em suma Kinoko Teikoku foi uma das coisas que mais me trouxe alegria, tristeza e raiva, tudo de uma vez, e também foi o que me motivou e que me fez pensar em alguns momentos ruins que tive, e por isso sempre vou guardar um espaço no meu coração pra essa banda incrível.

Da esquerda pra direita: Nishimura Kon (bateria), Sato Chiaki (vocal,guitarra), Aa-chan (guitarra), Taniguchi Shigeaki (baixo).


E citando a última estrofe do Aruyue (e fazendo uma tradução porquíssima de uma outra tradução que achei na webs), a última música que a banda lançou que eu realmente amo:

As árvores na rua fingem não saber
Enquanto balançam gentilmente com o vento
Eu sofro sem aprender com meus erros
Porque esse mundo que sempre me amará está aqui

Obrigado por tudo, Kinoko Teikoku.

sábado, 25 de maio de 2019

Gundam, uma paixão

Acho que o primeiro anime que me fascinou de verdade foi Gundam Wing.

Eu tinha o quê? Uns sete ou oito anos e como eu estudava de tarde, eu estava liberado pra assistir o bloco de animes da Cartoon Network: Toonami. Como o pacote de TV a cabo que minha família assinava não era o pica, eu nunca pude botar minhas mãos no lendário Locomotion (que viria a se tornar Animax), o canal que só passava animes, então eu tinha que me contentar em varar as noites pra ver os desenhos da terra do sol nascente.

A grade Toonami mudava de vez em quando, quando eu comecei a assistir tinha Gundam Wing, Rurouni Kenshin (ou Samurai X se preferir), Samurai Champloo, Gakkou no Kaidan (Histórias de Fantasmas aqui) e acho que Trigun. Lembro também de passarem Ranma 1/2, Dragon Ball (o original, não o Z) e Inu Yasha.

Mas o assunto dessa vez é Gundam Wing.

Acho que por ser a primeira coisa com uma história "decente" que vi na vida, Gundam Wing me marcou pra caralho. Tinha guerra, tinha mortes, tinha treta, tinha P O L Í T I C A, tinha monólogos e tinha crise existencial (não tanto quanto Evangelion), definitivamente o pacote completo. Ah verdade, tinha ROBÕS GIGANTES TAMBÉM, PUTA QUE PARIU!

Cara, se você parar pra pensar qualquer anime de mechas é ridículo, do ponto de vista da engenharia (e da física também) só de pensar em desenvolver um robô gigantesco bípede pilotado por um único piloto dentro dele, e com armas que precisam ser empunhadas pelas mãos dos robôs ao invés de simplesmente botar no meio da cara dele... não faz sentido ALGUM, mas caralho, como é daora.

Acho que as séries Gundam em geral sobrevivem por causa do design dos mecha, eu por exemplo sempre paguei pau pro Wing Zero Custom do Gundam Wing EW, tanto que um quarto de uma mala que trouxe do Japão estava ocupada com o model kit do tal Gundam, e eu sinceramente não sei quando vou começar a montá-lo.

Mas Gundam em geral sempre me despertou a curiosidade por engenharia, é legal ver a evolução do cockpit dos primeiros Gundam pros atuais, o cockpit nos Gundams antigos era uma coisa totalmente apertada, com pequenas telas e luzes de alerta e interruptores pra caralho, o cockpit no Gundam 00 por exemplo é todo cercado por telas gigantescas, de forma que o cockpit parece ser transparente pra quem está dentro e os manches e controles parecem ser bem mais escassos e mais objetivos.

Na moral que foi Gundam que me inspirou a fazer engenharia, tanto que cogitei prestar o IME do Rio pra fazer Engenharia Bélica, não que eu amasse a ideia de fazer coisas pra matar gente, mas o militarismo de Gundam (e de Legend of Galactic Heroes) era o máximo pro Yoiti de uns 15 anos. Cogitei Aeronáutica e Naval também, tanto que estou onde estou. Curiosamente eu nunca pensei em fazer Mecatrônica, que seria a engenharia mais próxima de construir um Gundam, acho que foi porque eu já sabia que construir Gundams era algo impossível e tinha me contentado em Jet Fighters e navios de guerra.

Se vocês acompanham este blog já deu pra perceber que desencanei da ideia de virar militar (apesar de ser uma opção ainda), mas acho que sempre imaginei o legal de ter uma patente e uniforme daora sem pensar nos pormenores e nas cuspidas na cara.

Enfim, eu continuo gostando de Gundam até hoje, mesmo vendo agora os furos e absurdos da série, mas toda vez que algum piloto de Gundam fala algo nas linhas de  "GUNDAM HASHIN!" já fico com o ânimo que eu tinha quando vi Gundam Wing pela primeira vez, numa madrugada em 2005.

Enfim, é isso aí.
Agora vou lá fazer meu robô gigante enquanto é tempo.
valeu falou até mais

sábado, 11 de maio de 2019

Em busca da felicidade

Outro dia fui num evento de anime pela primeira vez desde 2013. Um amigo que conheci no arubaito convidou eu e outro amigo pra ir nesse evento, o plano original era ir pra um karaokê mas calhou de ter esse evento então a gente foi.

E achei que eu me sentiria como naquele Anime Friends que fui em 2013, meio decepcionado e desiludido com o que parecia ser algo que eu gostava muito, mas como já fui com mentalidade de que eu provavelmente não gostaria dos otakus em geral, acabou sendo até algo engraçado, tipo uma história pra contar numa mesa de bar.

Percebi também que estou ficando pra trás, não conhecia metade das músicas que botaram pra tocar lá, não manjo dos animes da season e o comportamento do pessoal em geral que vai nesses eventos já não era mais engraçado, já tava totalmente trágico mesmo.

E não é como se eu não soubesse como é ser feliz nesses eventos, ainda lembro vividamente meu primeiro Anime Friends em 2008, lembro da enorme fila que peguei no lado do Mart Center, lembro de ter pego a promoção de comprar uns 20 Mupys e "ganhar" uma bolsa térmica, lembro do primeiro model kit que comprei (que era do Evangelion ao invés de Gundam), lembro do campeonato de Animekê que tava rolando (e uma menina tava cantando White Reflection, do Gundam Wing EW, extremamente bem), lembro dos quilos de mangá que comprei e do bentô que comi no almoço. Minha alegria nesse dia estava a mil, acho que pro Yoiti de 12 anos aquilo foi o ápice da felicidade, eram milhares de pessoas num lugar que compartilhavam de (parte) do meu gosto! Um grupo que no meu colégio se restringia a umas sete pessoas no máximo, de repente parecia gigantesco naquele Mart Center com filas dando voltas no quarteirão.

Fast forward pra 2013 e eu era um recém-iniciado nas hipsterias, tinha acabado de conhecer a Shiina Ringo e já tinha abaixado a frequência com que assistia animes pra cerca de cinco por ano. A essa altura do campeonato eu era um adolescente já de saco cheio com tudo e esperançoso de que a vida universitária seria bem melhor que o TERCEIRÃO URRA URRA HEI (spoiler: não é), aí aconteceu toda aquela novela de eu estar jogando War no stand da Grow com meus amigos e de repente percebi que meu lugar já não era mais ali. Eu tava tendo um good time com o pessoal? Sim. Mas good time com meu amigos eu poderia ter em literalmente qualquer lugar, não precisava pagar quase 50 conto pra ficar jogando War e ficar aguentando uma galera otária (às vezes de cosplay) fazendo onomatopeias esdrúxulas pra lá e pra cá.

Enfim, qual seria o "meu lugar" então?

Um show underground numa venue no meio de Tokyo? Provavelmente, acho que tirando o show que fui no Studio Coast (que era um lugar maior), eu me senti acolhido em todo show que fui, mesmo não sabendo a língua local, mesmo perdidaço lá no meio.

E assim como foi com os animes, eu tenho quase certeza que meu gosto por música underground um dia vai decair e outro hobby vai surgir, por isso que não pensei duas vezes em ir por Japão e gastar toda folga possível indo em show, se uma coisa me faz feliz no momento eu vou e faço. Um dia posso me arrepender de ter ido em show pra caralho ao invés de ter saído com o pessoal? Talvez, mas naquele momento a coisa que mais me traria felicidade era ir em show, e disso não possuo arrependimento algum.

Enfim, se eu julgo os otakus felizões que frequentam eventos de anime? Obviamente, mas bem menos do que antes. Esse pessoal tá sendo feliz à maneira deles, sem prejudicar ninguém (com algumas exceções que não valem a menção) assim como também fui buscar minha raison d'être no extremo oposto do globo.

Resumo da ópera: não tenha medo de ser feliz, só não enche o saco do pessoal.

vlw flw
té mais

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Kalk Samen Kuri no Hana

Eu escrevi esse review faz umas semanas no Rate Your Music, queria postar aqui só pra ter um backup:

Finalmente tenho 23 anos, a idade que a Shiina Ringo tinha quando fez este álbum. Apesar disso acho que eu devo nascer novamente como uma mulher japonesa e ter um filho pra entender de verdade esse álbum, eu acho que dá pra ver o brilhantismo da obra mesmo fora dessas circunstâncias mas entendê-la verdadeiramente já é outra história.

E como eu disse já várias vezes: foi esse álbum que me abriu os olhos pra o que é realmente uma obra de arte, jogue fora suas pinturas de Monet, Picasso e Da Vinci, isso aqui é ARTE. A humanidade atingiu seu pico com essa obra, o que veio depois foi um desfiladeiro.

Mas falando sério, o que tem de gente que glorifica esse álbum não tá escrito, eu sou uma dessas pessoas com orgulho mas acho meio triste que pra alguns a música japonesa começa e termina aqui, acho que o cenário musical nipônico é muito grande e variado pra ser resumido neste álbum e que não dá pra viver só com isso, por mais que seja uma obra com um grau de excelência nunca antes visto.

Sinceramente, a Shiina Ringo pode fazer ABSOLUTAMENTE QUALQUER COISA que ainda vou respeitá-la só porque ela fez essa obra prima, sério. As músicas que ela anda lançando estão ruins? Foda-se, ela fez KZK. Ela pode fazer colab com artista de K-Pop, pode começar a cantar enka, pode se declarar supremacista nacionalista japonesa (que eu tenho quase certeza que ela é) que eu nem estarei chocado, esse é o nível de qualidade que essa obra tem.

Eu ouvi esse álbum pela primeira vez faz uns bons 6 anos, acho que estou pronto pra fazer review dele agora.

Não adianta eu botar aqui o contexto histórico do álbum, em suma a Shiina Ringo era a sua típica cantora-compositora talentosa no cenário mainstream do Japão que decidiu jogar tudo pros ares e fez então um álbum totalmente complexo e, para muitos, inacessível e bem experimental quando ela teve oportunidade de expandir a carreira pra fora do Japão se tivesse lançado mais um álbum mainstream. Isso importa? Não.

Também tem o fato da Shiina Ringo ter nascido com um problema no esôfago e isso fez com que ela, devido às cirurgias, tivesse o ombro direito torto e uma marca nas costas que deixavam o corpo dela um pouco assimétrico, fazendo com que ela tenha meio que uma obsessão por simetria, por isso ela fez com que todo álbum a partir do segundo tivesse uma tracklist simétrica (no número de caracteres). Isso importa? Um pouco, mas não o bastante para afetar a sua experiência com este álbum.

Ah sim, a Shiina Ringo toca neste álbum uns 20 instrumentos! É, mas a maioria é na faixa 7 onde ela literalmente toca tipo as mesmas 6 notas nesses instrumentos em cada verso. Isso importa? Não.

Os kanjis usados no livreto do CD são tão antigos e formais que nem japoneses entendem! Isso importa? Nem um pouco.

O álbum tem exatamente 44 minutos e 44 segundos de duração, 4 é o número que representa a morte no Japão e a última faixa se chama "Procissão Fúnebre". Isso importa? Não.

Quando se fala do Kalk Samen Kuri no Hana é bem fácil cair nas armadilhas que este álbum apresenta, mas jamais se esqueça que a única forma verdadeira de experimentar essa obra de arte é pegar o CD e ouvir de começo a fim, preferencialmente com headphones e num volume razoavelmente alto. A versão que tá no iTunes e no Spotify é estendida, o que geralmente é bom mas no caso desse álbum acaba estragando as pontes entre as faixas.

Ouvir Kalk Samen Kuri no Hana é que nem ler Ulysses, a primeira experiência tem que ser no escuro, sem notas de rodapé, sem explicações prévias ou spoilers. A sua experiência seria melhor se tivesse conhecido as obras anteriores do autor? Sim, mas não o bastante pra melhorar ou piorar o primeiro contato com a obra de maneira significante.

Dá pra aproveitar o álbum sem saber japonês? Dá.
Vou gostar do álbum na primeira ouvida? Depende muito, eu demorei um tempinho pra engolir mas no momento que caiu a ficha eu tive literalmente um "mindblow".
O álbum não é pretensioso demais? Olha, ninguém faz um álbum conceito de graça, a moça tava realmente querendo fazer uma obra de arte aqui, e na minha humilde opinião deu mais que certo.


É o melhor álbum já feito na história da humanidade e que jamais será superado por qualquer outra obra feita por um ser humano?
Sim.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Teste Pokémon de personalidade

Jogue fora o resultado do seu teste MBTI, jogue fora suas coordenadas políticas, o que importa é o jeito como você joga Pokémon.

Como vocês jogam Pokémon? Eu não vou nem começar perguntando se você realmente sequer JOGA Pokémon porque eu já dou dada como positiva a resposta se você é leitor deste blog, senão você tá no lugar errado.

Eu sempre joguei Pokémon de forma que eu me punha no lugar do personagem, assim como todo jogo que jogo, e eu capturava os pokémon que eu achava legais e, sim, eu me rendia à técnica de ter um HM slave mas eu jamais fui daqueles de ligar pra IV, EV e essas putarias, nature? Nunca vi. Pra você ver o nível: eu não gostava de capturar muito pokémon porque achava que tava restringindo a liberdade deles se eu capturasse e só deixasse eles no box, NEM O GREENPEACE É TÃO CORRETO QUANTO EU, isso claro tirando os lendários que eu sempre gostei de capturar mas nunca uso em time JÁ QUE QUEM USA LENDÁRIO EM TIME É CUZÃO.

Meu objetivo sempre era completar a história e fazer um time equilibrado e com pokémons que eu achasse legais, não me importando muito com meta do jogo ou qualquer merda dessas, mas sempre me guiando pela pergunta "o que eu faria se o mundo pokémon fosse o real?".

E é claro que todo mundo joga de maneira diferente, tem gente que joga pra completar a pokedéx, tem gente que joga competitivo e é maluco por EV/IV/nature e breeding, tem gente que só quer ter um good time jogando (que é minha praia), tem gente que caça shiny, tem gente que usa cheat (o que nunca fez sentido pra mim) e tem gente que quer sempre botar obstáculos na frente pra ver se consegue zerar o jogo com tal obstáculo ou outro (tipo zerar com um pokémon só) porque convenhamos, Pokémon é um jogo fácil.

Falo tudo isso porque no Pokémon Let's Go! tudo caiu por terra: como o jogo DEMANDA que você capture uma caralhada de pokémon e a nature/IV é tão jogado na sua cara, não tem como você ficar com os pokémon bostinha sem se sentir incomodado, isso acaba fazendo com que todo mundo jogue mais ou menos do mesmo jeito: capturando pra caralho e indo pelo viés mais complestista/competitivo, o que é uma bosta. Espero que o Pokémon ambientado no Reino Unido seja melhor que essa bosta que foi o Let's Go!, COMPREI O SWITCH PRA JOGAR POKÉMON, PORRA.

Mas enfim, qual é sua personalidade de acordo com o teste Pokémon de personalidade (válido até os jogos de DS, quando começou a ter EXP Share como key item já desandou a porra toda)?

  • Tem como objetivo completar a pokedéx: uma pessoa normal que provavelmente gosta de colecionar outras coisas também, nem sempre coisas úteis, nem sempre com preços razoáveis;
  • Joga competitivo sempre atualizado de qual é o meta atual, e analisando os IV/EV/Nature e breedando até o cu: participaria de rinha de galo apostando quantias não razoáveis (se já não participa) e se for muito maníaco com breed se daria bem discutindo eugenia com gente de moral questionável;
  • Joga pra se divertir e tá pouco se fodendo: pessoa fodida na vida que só quer se divertir sem compromisso;
  • Joga os Nuzlocke da vida: é exatamente o tipo de gente que zera Dark Souls com a guitarra do Guitar Hero, doente (num bom sentido acho?);
  • Usa lendário no time: subhumano;
  • Usa cheat NUM JOGO DE POKÉMON: queima.
E é isso, espero ansiosamente o Pokémon Sword/Shield.
vlwflw té mais

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Como é ser um nipo-brasileiro no Japão

Este post é uma continuação deste post aqui. Na real eu tava planejando fazer um post com os dois assuntos assim que eu voltasse do Japão mas como em Setembro do ano passado eu não sabia se ia mesmo rolar a viagem ou não, acabei postando a primeira parte do pensamento todo aí nesse post, aqui vai a continuação.

Pra começo de conversa: minha experiência no Japão foi EXTREMAMENTE superficial, eu literalmente só tive uma experiência mais imersiva na sociedade japonesa que um turista, fiquei maioria do meu tempo dormindo ou trampando no cu do Japão (vulgo Yamanashi) e os raros dias de folga foram gastos indo pra Tokyo, pelas minhas contas eu passei uns 12 dias na capital japonesa, de um total de 90 e poucos dias que passei no país.

Eu me senti bem.

Olha, eu moro na Liberdade, e NUNCA cheguei num lugar com 100% de gente parecida comigo e onde eu não me sentisse pelo menos um pouco deslocado no local. Claro que em São Paulo o povo é acostumado em ver os asiáticos, nas vezes que fui com minha família pra Minas que eu me senti num nível de desconforto um pouco maior, pelo menos em cidades mais do interior, onde TODO MUNDO ficava olhando pra gente e achando que éramos gringos ou algo assim, mas nada do tipo de ficar bolado pro resto da vida.

O absurdo é eu estar num lugar no extremo oposto da minha terra natal e me sentir mais incluído, pelo menos num nível superficial. Até eu abrir minha boca eu era um legítimo japonês, depois que me esforcei pra ficar parecido com os jovens locais, os atendentes das lojas até demoravam um pouco pra entender que eu era gringo, achava isso demais. Eu andava pelas ruas e ninguém me notava, ninguém se importava, ninguém achava minimamente estranho, eu era finalmente apenas mais um na multidão, totalmente incógnito. Obviamente que toda essa sensação caía por terra quando eu precisava me comunicar com os japoneses, mas isso gerou algumas situações engraçadas pelo menos.

Foi só depois, falando com minha prima que está no Japão faz um tempão trampando num trabalho decente, que fiquei sabendo como o workplace no Japão é xenófobo e machista pra um caralho, que é algo que eu já esperava mas ouvir de quem tá lá faz tempo reforça a ideia. Por eu não ser um egoísta filho da puta também me deixa triste que qualquer avanço pelo casamento LGBT no Japão esteja BEM mais avançado nos mangás que na vida real, além do pessoal ser bem... BEM alienado, eu preferia assistir Brasil Urgente pelo resto da minha vida que assistir os noticiários japoneses entendendo eles, sério.

Mas na moral que tive uma crise existencial fodida lá no Japão, eu já sabia que ia rolar isso cedo ou tarde quando eu estivesse lá mas puta que pariu, bateu forte a bad. Eu projetei a imagem de Tokyo tão forte e por tanto tempo que eu tinha certeza que ia me decepcionar, mas não, a cidade superou TODAS AS MINHAS EXPECTATIVAS. Setagaya então me deixou no chão, eu amei tanto o lugar que no dia seguinte da minha visita lá eu já tava vendo apê pela região, eu conseguia fácil viver o resto da minha vida SEM SAIR DE SETAGAYA, só faltava uma praia decente mas acho que isso já é pedir demais.

E então, depois de andar pelas ruelas de Shimokitazawa, e pelos outros bairros de Setagaya, que eu projetei lá minha vida simples se eu soubesse japonês: sei lá, viver de garçom ou atendente numa lojinha hipster e com a graninha abrir meu próprio negócio local, eu sei que esse parece daqueles casos de nego que curte a viagem e se muda pro lugar só pra quebrar a cara, mas achei legal demais que Setagaya era mais pacata que maioria dos lugares que conheço na cidade de São Paulo e está localizada EM TOKYO. Louco demais pensar nisso.

Mas voltando ao ponto principal: eu achei que me sentiria mais deslocado lá no Japão do que realmente senti, acho que por ter ido em lugares que são geralmente longe do alcance de turistas normais (os shows no caso), acabei por ter uma experiência mais autenticamente nipônica que a maioria do pessoal que foi comigo (que foi mais turistão mesmo) e por isso tive meio que a sensação de estar mais inserido na sociedade japonesa.

Então, me considero japonês ou brasileiro afinal?

Sei lá, eu me sinto brasileiro o suficiente no Brasil pra sair de havaianas na rua e falar pro garçom "DESCE MAIS UM LITRÃO, CHEFIA!" ao mesmo tempo que me sinto japonês o suficiente no Japão pra usar pochete como shoulder bag e falar "OTSUKARESAMA!" pro pessoal que tá saindo do trampo quando eu tava entrando.

Não sou 100% japonês nem 100% brasileiro, peguei o pior dos dois HAHAHAHA, não fui malandro no Japão e não tenho um dakimakura no Brasil então acho que tá safo por enquanto. Eu achei que ia estar mais na crise identitária, mas acho que isso a viagem resolveu: eu sou eu, percebi que não preciso estar na caixinha BR ou na caixinha JP pra me sentir esclarecido, todo japonês é diferente e todo brasileiro é diferente, e todo mundo lida com isso de maneira diferente e é isso aí.


Mas agora, passado um mês da minha volta à terra brasilis, eu volto pra valer pro Japão ou não? Pergunta difícil hein. Acho que nas condições atuais o melhor seria aprender a língua japonesa antes de tomar qualquer decisão, sem saber a língua não dá pra viver decentemente lá. Outra é esperar se melhora a situação do Brasil né, porque na situação que tá não dá pra viver decentemente aqui... não pera.

Tá foda galera.

vlwflw
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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Músicas que tocavam em todo lugar no Japão

Eu sei que todo post meu desde Dezembro do ano passado tá sendo sobre a minha viagem pro Japão e tá dando no saco.

Mas caguei.

E pra melhorar vai ser sobre música japonesa porque o blog é meu e quero escrever sobre isso.

A coisa é: durante minha estadia no Japão, algumas músicas estavam MUITO em alta, do tipo você entrar em uma loja/shopping e a chance de estar tocando uma dessas músicas era tipo 90%.

As músicas eram:

 
Da Pump - USA (copyright block, vejam no YT se estiverem curiosos)

Com certeza a pior, mais pegajosa e mais popular das músicas dessa lista. Cara, a última vez que tinha ouvido falar de Da Pump foi na minha infância quando eles fizeram a abertura do Super Campeões (Dragon Screamer), desde lá eu nunca mais tinha ouvido muita coisa dos caras.

Pelo o que li o Da Pump já tava bem em baixa desde que todos os membros saíram menos o líder (apesar disso ser normal, já que é uma boy band) e quando os produtores apresentaram USA como próximo single o líder ficou bem confuso já achando que era o fim da linha pro grupo.

No começo a galera ridicularizou a música, quero dizer, é EUROBEAT LANÇADO EM 2018 com uns mano de 30~40 anos fazendo dança de Fortnite e usando Supreme, mas acho que caiu naquela de "ser tão ruim que é bom" e virou um meme no Japão, e fez um puta sucesso.

Na moral que eu odiava essa música mas não é tão ruim assim, é bem nostálgica pra falar a verdade.

 
Uru - Prologue

Na moral que eu só descobri o nome da música bem depois de ouvir uma caralhada de vezes em loja de conveniência, shoppings e restaurantes.

Apesar de parecer abertura de anime, a música é tema de um dorama acho que baseado num mangá, o dorama parecia bem daqueles bem genéricos de drama que é sobre relacionamento amoroso de professor e aluno (juro que não lembro se era professora+aluno ou professor+aluna), parecia ruim.

Não procurei mais sobre a Uru, me cheirou One Hit Wonder demais pra perder meu tempo, posso estar errado.

Kenshi Yonezu - Lemon

Eu só descobri depois mas eu já conhecia o Kenshi Yonezu faz mó cota, tem um MV dele de 2012 que ficou meio viral porque era uma animação bem feitinha e tal. 

Na real que os dois últimos singles do Yonezu tavam tocando em todo lugar, mas Lemon tava um pouco mais que Flamingo porque ele tocou essa no Kohaku (aliás, todos dessa lista tirando Prologue foram tocados no Kohaku), mas eu prefiro Lemon de qualquer jeito então talkei.

 
AIMYON - Marigold

Aaaaaaaahhhhhhh eu amo essa música. Na moral que eu já gostava da Aimyon faz um tempo, desde o Ai wo Tsutaetai Atoka (que por sinal foi meu despertador por um ano até ela lançar Marigold), a música da Aimyon não é original nem nada do tipo mas é tão LEGAL que não consigo descrever.

Quero dizer, se você me perguntasse quem é a pessoa mais descolada do Japão eu diria que é a Aimyon, ela é daora pra caralho. Começou tocando nas ruas, anda de penny board no clipe do Marigold, é um ícone fashion (aposto que ela fez mais ensaio fotográfico que música), vendeu o Budokan inteiro EM MINUTOS (eu tentei comprar, foram três minutos) e fez questão de fazer o show inteiro sozinha com um violão, ela queria conquistar o Budokan inteira sem ajuda de ninguém, e deu certo.

Eu sinceramente preferi o álbum anterior dela PORQUE ERA MAIS DESCOLADO, o último álbum dela "Momentary Sixth Sense" é legal mas acho que é muito pretensioso, dá pra sentir que ela queria fazer uma coisa GRANDE, beirando o épico, o que sepá era esperado já que a data de lançamento do álbum foi bem próxima do show no Budokan mas who knows.

Mas Marigold é A música que me lembra da minha estadia no Japão, ela é perfeita demais pra isso: desde o clipe com toques de nostalgia com a música que parece que é de superação, eu nem lembro da tradução da letra mas aposto que era algo do tipo "você brilha que nem uma marigold (que é uma flor que esqueci o nome)", música de autoajuda? amo demais. 

Toda vez que eu entrava em algum lugar e tocava Marigold me dava uma tristeza por não ter conseguido o ingresso pro show da Aimyon ao mesmo tempo que eu ficava feliz demais, a música é muito boa e tem aquele sentimento otimista de superação também, teve dia bem bosta meu que melhorou só de eu ter entrado num lugar tocando essa música, falo sério.

Enfim, acho que tava tocando coisa da Utada Hikaru também já que ela lançou Hatsukoi uns meses antes de eu ir pro Japão, mas como não sou muito fã dela (e as músicas não eram marcantes se estavam realmente tocando) eu não percebi.

Enfim, é isso. Devem estar vindo mais uns dois ou três posts ainda sobre a viagem e depois vocês vão ver uns lampejos de saudades espalhados pelos posts, a viagem foi bem legal mesmo.

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