Eu escrevi esse review faz umas semanas no Rate Your Music, queria postar aqui só pra ter um backup:
Finalmente tenho 23 anos, a idade que a Shiina Ringo tinha quando fez este álbum. Apesar disso acho que eu devo nascer novamente como uma mulher japonesa e ter um filho pra entender de verdade esse álbum, eu acho que dá pra ver o brilhantismo da obra mesmo fora dessas circunstâncias mas entendê-la verdadeiramente já é outra história.
E como eu disse já várias vezes: foi esse álbum que me abriu os olhos pra o que é realmente uma obra de arte, jogue fora suas pinturas de Monet, Picasso e Da Vinci, isso aqui é ARTE. A humanidade atingiu seu pico com essa obra, o que veio depois foi um desfiladeiro.
Mas falando sério, o que tem de gente que glorifica esse álbum não tá escrito, eu sou uma dessas pessoas com orgulho mas acho meio triste que pra alguns a música japonesa começa e termina aqui, acho que o cenário musical nipônico é muito grande e variado pra ser resumido neste álbum e que não dá pra viver só com isso, por mais que seja uma obra com um grau de excelência nunca antes visto.
Sinceramente, a Shiina Ringo pode fazer ABSOLUTAMENTE QUALQUER COISA que ainda vou respeitá-la só porque ela fez essa obra prima, sério. As músicas que ela anda lançando estão ruins? Foda-se, ela fez KZK. Ela pode fazer colab com artista de K-Pop, pode começar a cantar enka, pode se declarar supremacista nacionalista japonesa (que eu tenho quase certeza que ela é) que eu nem estarei chocado, esse é o nível de qualidade que essa obra tem.
Eu ouvi esse álbum pela primeira vez faz uns bons 6 anos, acho que estou pronto pra fazer review dele agora.
Não
adianta eu botar aqui o contexto histórico do álbum, em suma a Shiina
Ringo era a sua típica cantora-compositora talentosa no cenário
mainstream do Japão que decidiu jogar tudo pros ares e fez então um
álbum totalmente complexo e, para muitos, inacessível e bem experimental
quando ela teve oportunidade de expandir a carreira pra fora do Japão
se tivesse lançado mais um álbum mainstream. Isso importa? Não.
Também
tem o fato da Shiina Ringo ter nascido com um problema no esôfago e
isso fez com que ela, devido às cirurgias, tivesse o ombro direito torto
e uma marca nas costas que deixavam o corpo dela um pouco assimétrico,
fazendo com que ela tenha meio que uma obsessão por simetria, por isso ela fez
com que todo álbum a partir do segundo tivesse uma tracklist
simétrica (no número de caracteres). Isso importa? Um pouco, mas não o
bastante para afetar a sua experiência com este álbum.
Ah sim, a
Shiina Ringo toca neste álbum uns 20 instrumentos! É, mas a maioria é na
faixa 7 onde ela literalmente toca tipo as mesmas 6 notas nesses
instrumentos em cada verso. Isso importa? Não.
Os kanjis usados no livreto do CD são tão antigos e formais que nem japoneses entendem! Isso importa? Nem um pouco.
O
álbum tem exatamente 44 minutos e 44 segundos de duração, 4 é o número
que representa a morte no Japão e a última faixa se chama "Procissão
Fúnebre". Isso importa? Não.
Quando se fala do Kalk Samen Kuri no
Hana é bem fácil cair nas armadilhas que este álbum apresenta, mas
jamais se esqueça que a única forma verdadeira de experimentar essa obra
de arte é pegar o CD e ouvir de começo a fim, preferencialmente com
headphones e num volume razoavelmente alto. A versão que tá no iTunes e
no Spotify é estendida, o que geralmente é bom mas no caso desse álbum
acaba estragando as pontes entre as faixas.
Ouvir Kalk Samen Kuri
no Hana é que nem ler Ulysses, a primeira experiência tem que ser no
escuro, sem notas de rodapé, sem explicações prévias ou spoilers. A sua
experiência seria melhor se tivesse conhecido as obras anteriores do
autor? Sim, mas não o bastante pra melhorar ou piorar o primeiro contato
com a obra de maneira significante.
Dá pra aproveitar o álbum sem saber japonês? Dá.
Vou gostar do álbum na primeira ouvida? Depende muito, eu demorei um tempinho pra engolir mas no momento que caiu a ficha eu tive literalmente um "mindblow".
O álbum não é pretensioso demais?
Olha, ninguém faz um álbum conceito de graça, a moça tava realmente
querendo fazer uma obra de arte aqui, e na minha humilde opinião deu
mais que certo.
É o melhor álbum já feito na história da humanidade e que jamais será superado por qualquer outra obra feita por um ser humano?
Sim.
15 anos de blog e continuo escrevendo a mesma besteira de sempre, consistência é chave mermão. Os erros de português ocasionais são propositais, aqui somos contra o uso de IA pra escrever posts.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Teste Pokémon de personalidade
Jogue fora o resultado do seu teste MBTI, jogue fora suas coordenadas políticas, o que importa é o jeito como você joga Pokémon.
Como vocês jogam Pokémon? Eu não vou nem começar perguntando se você realmente sequer JOGA Pokémon porque eu já dou dada como positiva a resposta se você é leitor deste blog, senão você tá no lugar errado.
Eu sempre joguei Pokémon de forma que eu me punha no lugar do personagem, assim como todo jogo que jogo, e eu capturava os pokémon que eu achava legais e, sim, eu me rendia à técnica de ter um HM slave mas eu jamais fui daqueles de ligar pra IV, EV e essas putarias, nature? Nunca vi. Pra você ver o nível: eu não gostava de capturar muito pokémon porque achava que tava restringindo a liberdade deles se eu capturasse e só deixasse eles no box, NEM O GREENPEACE É TÃO CORRETO QUANTO EU, isso claro tirando os lendários que eu sempre gostei de capturar mas nunca uso em time JÁ QUE QUEM USA LENDÁRIO EM TIME É CUZÃO.
Meu objetivo sempre era completar a história e fazer um time equilibrado e com pokémons que eu achasse legais, não me importando muito com meta do jogo ou qualquer merda dessas, mas sempre me guiando pela pergunta "o que eu faria se o mundo pokémon fosse o real?".
E é claro que todo mundo joga de maneira diferente, tem gente que joga pra completar a pokedéx, tem gente que joga competitivo e é maluco por EV/IV/nature e breeding, tem gente que só quer ter um good time jogando (que é minha praia), tem gente que caça shiny, tem gente que usa cheat (o que nunca fez sentido pra mim) e tem gente que quer sempre botar obstáculos na frente pra ver se consegue zerar o jogo com tal obstáculo ou outro (tipo zerar com um pokémon só) porque convenhamos, Pokémon é um jogo fácil.
Falo tudo isso porque no Pokémon Let's Go! tudo caiu por terra: como o jogo DEMANDA que você capture uma caralhada de pokémon e a nature/IV é tão jogado na sua cara, não tem como você ficar com os pokémon bostinha sem se sentir incomodado, isso acaba fazendo com que todo mundo jogue mais ou menos do mesmo jeito: capturando pra caralho e indo pelo viés mais complestista/competitivo, o que é uma bosta. Espero que o Pokémon ambientado no Reino Unido seja melhor que essa bosta que foi o Let's Go!, COMPREI O SWITCH PRA JOGAR POKÉMON, PORRA.
Mas enfim, qual é sua personalidade de acordo com o teste Pokémon de personalidade (válido até os jogos de DS, quando começou a ter EXP Share como key item já desandou a porra toda)?
vlwflw té mais
Como vocês jogam Pokémon? Eu não vou nem começar perguntando se você realmente sequer JOGA Pokémon porque eu já dou dada como positiva a resposta se você é leitor deste blog, senão você tá no lugar errado.
Eu sempre joguei Pokémon de forma que eu me punha no lugar do personagem, assim como todo jogo que jogo, e eu capturava os pokémon que eu achava legais e, sim, eu me rendia à técnica de ter um HM slave mas eu jamais fui daqueles de ligar pra IV, EV e essas putarias, nature? Nunca vi. Pra você ver o nível: eu não gostava de capturar muito pokémon porque achava que tava restringindo a liberdade deles se eu capturasse e só deixasse eles no box, NEM O GREENPEACE É TÃO CORRETO QUANTO EU, isso claro tirando os lendários que eu sempre gostei de capturar mas nunca uso em time JÁ QUE QUEM USA LENDÁRIO EM TIME É CUZÃO.
Meu objetivo sempre era completar a história e fazer um time equilibrado e com pokémons que eu achasse legais, não me importando muito com meta do jogo ou qualquer merda dessas, mas sempre me guiando pela pergunta "o que eu faria se o mundo pokémon fosse o real?".
E é claro que todo mundo joga de maneira diferente, tem gente que joga pra completar a pokedéx, tem gente que joga competitivo e é maluco por EV/IV/nature e breeding, tem gente que só quer ter um good time jogando (que é minha praia), tem gente que caça shiny, tem gente que usa cheat (o que nunca fez sentido pra mim) e tem gente que quer sempre botar obstáculos na frente pra ver se consegue zerar o jogo com tal obstáculo ou outro (tipo zerar com um pokémon só) porque convenhamos, Pokémon é um jogo fácil.
Falo tudo isso porque no Pokémon Let's Go! tudo caiu por terra: como o jogo DEMANDA que você capture uma caralhada de pokémon e a nature/IV é tão jogado na sua cara, não tem como você ficar com os pokémon bostinha sem se sentir incomodado, isso acaba fazendo com que todo mundo jogue mais ou menos do mesmo jeito: capturando pra caralho e indo pelo viés mais complestista/competitivo, o que é uma bosta. Espero que o Pokémon ambientado no Reino Unido seja melhor que essa bosta que foi o Let's Go!, COMPREI O SWITCH PRA JOGAR POKÉMON, PORRA.
Mas enfim, qual é sua personalidade de acordo com o teste Pokémon de personalidade (válido até os jogos de DS, quando começou a ter EXP Share como key item já desandou a porra toda)?
- Tem como objetivo completar a pokedéx: uma pessoa normal que provavelmente gosta de colecionar outras coisas também, nem sempre coisas úteis, nem sempre com preços razoáveis;
- Joga competitivo sempre atualizado de qual é o meta atual, e analisando os IV/EV/Nature e breedando até o cu: participaria de rinha de galo apostando quantias não razoáveis (se já não participa) e se for muito maníaco com breed se daria bem discutindo eugenia com gente de moral questionável;
- Joga pra se divertir e tá pouco se fodendo: pessoa fodida na vida que só quer se divertir sem compromisso;
- Joga os Nuzlocke da vida: é exatamente o tipo de gente que zera Dark Souls com a guitarra do Guitar Hero, doente (num bom sentido acho?);
- Usa lendário no time: subhumano;
- Usa cheat NUM JOGO DE POKÉMON: queima.
vlwflw té mais
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Como é ser um nipo-brasileiro no Japão
Este post é uma continuação deste post aqui. Na real eu tava planejando fazer um post com os dois assuntos assim que eu voltasse do Japão mas como em Setembro do ano passado eu não sabia se ia mesmo rolar a viagem ou não, acabei postando a primeira parte do pensamento todo aí nesse post, aqui vai a continuação.
Pra começo de conversa: minha experiência no Japão foi EXTREMAMENTE superficial, eu literalmente só tive uma experiência mais imersiva na sociedade japonesa que um turista, fiquei maioria do meu tempo dormindo ou trampando no cu do Japão (vulgo Yamanashi) e os raros dias de folga foram gastos indo pra Tokyo, pelas minhas contas eu passei uns 12 dias na capital japonesa, de um total de 90 e poucos dias que passei no país.
Eu me senti bem.
Olha, eu moro na Liberdade, e NUNCA cheguei num lugar com 100% de gente parecida comigo e onde eu não me sentisse pelo menos um pouco deslocado no local. Claro que em São Paulo o povo é acostumado em ver os asiáticos, nas vezes que fui com minha família pra Minas que eu me senti num nível de desconforto um pouco maior, pelo menos em cidades mais do interior, onde TODO MUNDO ficava olhando pra gente e achando que éramos gringos ou algo assim, mas nada do tipo de ficar bolado pro resto da vida.
O absurdo é eu estar num lugar no extremo oposto da minha terra natal e me sentir mais incluído, pelo menos num nível superficial. Até eu abrir minha boca eu era um legítimo japonês, depois que me esforcei pra ficar parecido com os jovens locais, os atendentes das lojas até demoravam um pouco pra entender que eu era gringo, achava isso demais. Eu andava pelas ruas e ninguém me notava, ninguém se importava, ninguém achava minimamente estranho, eu era finalmente apenas mais um na multidão, totalmente incógnito. Obviamente que toda essa sensação caía por terra quando eu precisava me comunicar com os japoneses, mas isso gerou algumas situações engraçadas pelo menos.
Foi só depois, falando com minha prima que está no Japão faz um tempão trampando num trabalho decente, que fiquei sabendo como o workplace no Japão é xenófobo e machista pra um caralho, que é algo que eu já esperava mas ouvir de quem tá lá faz tempo reforça a ideia. Por eu não ser um egoísta filho da puta também me deixa triste que qualquer avanço pelo casamento LGBT no Japão esteja BEM mais avançado nos mangás que na vida real, além do pessoal ser bem... BEM alienado, eu preferia assistir Brasil Urgente pelo resto da minha vida que assistir os noticiários japoneses entendendo eles, sério.
Mas na moral que tive uma crise existencial fodida lá no Japão, eu já sabia que ia rolar isso cedo ou tarde quando eu estivesse lá mas puta que pariu, bateu forte a bad. Eu projetei a imagem de Tokyo tão forte e por tanto tempo que eu tinha certeza que ia me decepcionar, mas não, a cidade superou TODAS AS MINHAS EXPECTATIVAS. Setagaya então me deixou no chão, eu amei tanto o lugar que no dia seguinte da minha visita lá eu já tava vendo apê pela região, eu conseguia fácil viver o resto da minha vida SEM SAIR DE SETAGAYA, só faltava uma praia decente mas acho que isso já é pedir demais.
E então, depois de andar pelas ruelas de Shimokitazawa, e pelos outros bairros de Setagaya, que eu projetei lá minha vida simples se eu soubesse japonês: sei lá, viver de garçom ou atendente numa lojinha hipster e com a graninha abrir meu próprio negócio local, eu sei que esse parece daqueles casos de nego que curte a viagem e se muda pro lugar só pra quebrar a cara, mas achei legal demais que Setagaya era mais pacata que maioria dos lugares que conheço na cidade de São Paulo e está localizada EM TOKYO. Louco demais pensar nisso.
Mas voltando ao ponto principal: eu achei que me sentiria mais deslocado lá no Japão do que realmente senti, acho que por ter ido em lugares que são geralmente longe do alcance de turistas normais (os shows no caso), acabei por ter uma experiência mais autenticamente nipônica que a maioria do pessoal que foi comigo (que foi mais turistão mesmo) e por isso tive meio que a sensação de estar mais inserido na sociedade japonesa.
Então, me considero japonês ou brasileiro afinal?
Sei lá, eu me sinto brasileiro o suficiente no Brasil pra sair de havaianas na rua e falar pro garçom "DESCE MAIS UM LITRÃO, CHEFIA!" ao mesmo tempo que me sinto japonês o suficiente no Japão pra usar pochete como shoulder bag e falar "OTSUKARESAMA!" pro pessoal que tá saindo do trampo quando eu tava entrando.
Não sou 100% japonês nem 100% brasileiro, peguei o pior dos dois HAHAHAHA, não fui malandro no Japão e não tenho um dakimakura no Brasil então acho que tá safo por enquanto. Eu achei que ia estar mais na crise identitária, mas acho que isso a viagem resolveu: eu sou eu, percebi que não preciso estar na caixinha BR ou na caixinha JP pra me sentir esclarecido, todo japonês é diferente e todo brasileiro é diferente, e todo mundo lida com isso de maneira diferente e é isso aí.
Mas agora, passado um mês da minha volta à terra brasilis, eu volto pra valer pro Japão ou não? Pergunta difícil hein. Acho que nas condições atuais o melhor seria aprender a língua japonesa antes de tomar qualquer decisão, sem saber a língua não dá pra viver decentemente lá. Outra é esperar se melhora a situação do Brasil né, porque na situação que tá não dá pra viver decentemente aqui... não pera.
Tá foda galera.
vlwflw
té mais
Pra começo de conversa: minha experiência no Japão foi EXTREMAMENTE superficial, eu literalmente só tive uma experiência mais imersiva na sociedade japonesa que um turista, fiquei maioria do meu tempo dormindo ou trampando no cu do Japão (vulgo Yamanashi) e os raros dias de folga foram gastos indo pra Tokyo, pelas minhas contas eu passei uns 12 dias na capital japonesa, de um total de 90 e poucos dias que passei no país.
Eu me senti bem.
Olha, eu moro na Liberdade, e NUNCA cheguei num lugar com 100% de gente parecida comigo e onde eu não me sentisse pelo menos um pouco deslocado no local. Claro que em São Paulo o povo é acostumado em ver os asiáticos, nas vezes que fui com minha família pra Minas que eu me senti num nível de desconforto um pouco maior, pelo menos em cidades mais do interior, onde TODO MUNDO ficava olhando pra gente e achando que éramos gringos ou algo assim, mas nada do tipo de ficar bolado pro resto da vida.
O absurdo é eu estar num lugar no extremo oposto da minha terra natal e me sentir mais incluído, pelo menos num nível superficial. Até eu abrir minha boca eu era um legítimo japonês, depois que me esforcei pra ficar parecido com os jovens locais, os atendentes das lojas até demoravam um pouco pra entender que eu era gringo, achava isso demais. Eu andava pelas ruas e ninguém me notava, ninguém se importava, ninguém achava minimamente estranho, eu era finalmente apenas mais um na multidão, totalmente incógnito. Obviamente que toda essa sensação caía por terra quando eu precisava me comunicar com os japoneses, mas isso gerou algumas situações engraçadas pelo menos.
Foi só depois, falando com minha prima que está no Japão faz um tempão trampando num trabalho decente, que fiquei sabendo como o workplace no Japão é xenófobo e machista pra um caralho, que é algo que eu já esperava mas ouvir de quem tá lá faz tempo reforça a ideia. Por eu não ser um egoísta filho da puta também me deixa triste que qualquer avanço pelo casamento LGBT no Japão esteja BEM mais avançado nos mangás que na vida real, além do pessoal ser bem... BEM alienado, eu preferia assistir Brasil Urgente pelo resto da minha vida que assistir os noticiários japoneses entendendo eles, sério.
Mas na moral que tive uma crise existencial fodida lá no Japão, eu já sabia que ia rolar isso cedo ou tarde quando eu estivesse lá mas puta que pariu, bateu forte a bad. Eu projetei a imagem de Tokyo tão forte e por tanto tempo que eu tinha certeza que ia me decepcionar, mas não, a cidade superou TODAS AS MINHAS EXPECTATIVAS. Setagaya então me deixou no chão, eu amei tanto o lugar que no dia seguinte da minha visita lá eu já tava vendo apê pela região, eu conseguia fácil viver o resto da minha vida SEM SAIR DE SETAGAYA, só faltava uma praia decente mas acho que isso já é pedir demais.
E então, depois de andar pelas ruelas de Shimokitazawa, e pelos outros bairros de Setagaya, que eu projetei lá minha vida simples se eu soubesse japonês: sei lá, viver de garçom ou atendente numa lojinha hipster e com a graninha abrir meu próprio negócio local, eu sei que esse parece daqueles casos de nego que curte a viagem e se muda pro lugar só pra quebrar a cara, mas achei legal demais que Setagaya era mais pacata que maioria dos lugares que conheço na cidade de São Paulo e está localizada EM TOKYO. Louco demais pensar nisso.
Mas voltando ao ponto principal: eu achei que me sentiria mais deslocado lá no Japão do que realmente senti, acho que por ter ido em lugares que são geralmente longe do alcance de turistas normais (os shows no caso), acabei por ter uma experiência mais autenticamente nipônica que a maioria do pessoal que foi comigo (que foi mais turistão mesmo) e por isso tive meio que a sensação de estar mais inserido na sociedade japonesa.
Então, me considero japonês ou brasileiro afinal?
Sei lá, eu me sinto brasileiro o suficiente no Brasil pra sair de havaianas na rua e falar pro garçom "DESCE MAIS UM LITRÃO, CHEFIA!" ao mesmo tempo que me sinto japonês o suficiente no Japão pra usar pochete como shoulder bag e falar "OTSUKARESAMA!" pro pessoal que tá saindo do trampo quando eu tava entrando.
Não sou 100% japonês nem 100% brasileiro, peguei o pior dos dois HAHAHAHA, não fui malandro no Japão e não tenho um dakimakura no Brasil então acho que tá safo por enquanto. Eu achei que ia estar mais na crise identitária, mas acho que isso a viagem resolveu: eu sou eu, percebi que não preciso estar na caixinha BR ou na caixinha JP pra me sentir esclarecido, todo japonês é diferente e todo brasileiro é diferente, e todo mundo lida com isso de maneira diferente e é isso aí.
Mas agora, passado um mês da minha volta à terra brasilis, eu volto pra valer pro Japão ou não? Pergunta difícil hein. Acho que nas condições atuais o melhor seria aprender a língua japonesa antes de tomar qualquer decisão, sem saber a língua não dá pra viver decentemente lá. Outra é esperar se melhora a situação do Brasil né, porque na situação que tá não dá pra viver decentemente aqui... não pera.
Tá foda galera.
vlwflw
té mais
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Músicas que tocavam em todo lugar no Japão
Eu sei que todo post meu desde Dezembro do ano passado tá sendo sobre a minha viagem pro Japão e tá dando no saco.
Mas caguei.
E pra melhorar vai ser sobre música japonesa porque o blog é meu e quero escrever sobre isso.
A coisa é: durante minha estadia no Japão, algumas músicas estavam MUITO em alta, do tipo você entrar em uma loja/shopping e a chance de estar tocando uma dessas músicas era tipo 90%.
As músicas eram:
Com certeza a pior, mais pegajosa e mais popular das músicas dessa lista. Cara, a última vez que tinha ouvido falar de Da Pump foi na minha infância quando eles fizeram a abertura do Super Campeões (Dragon Screamer), desde lá eu nunca mais tinha ouvido muita coisa dos caras.
Pelo o que li o Da Pump já tava bem em baixa desde que todos os membros saíram menos o líder (apesar disso ser normal, já que é uma boy band) e quando os produtores apresentaram USA como próximo single o líder ficou bem confuso já achando que era o fim da linha pro grupo.
No começo a galera ridicularizou a música, quero dizer, é EUROBEAT LANÇADO EM 2018 com uns mano de 30~40 anos fazendo dança de Fortnite e usando Supreme, mas acho que caiu naquela de "ser tão ruim que é bom" e virou um meme no Japão, e fez um puta sucesso.
Na moral que eu odiava essa música mas não é tão ruim assim, é bem nostálgica pra falar a verdade.
Na moral que eu só descobri o nome da música bem depois de ouvir uma caralhada de vezes em loja de conveniência, shoppings e restaurantes.
Apesar de parecer abertura de anime, a música é tema de um dorama acho que baseado num mangá, o dorama parecia bem daqueles bem genéricos de drama que é sobre relacionamento amoroso de professor e aluno (juro que não lembro se era professora+aluno ou professor+aluna), parecia ruim.
Não procurei mais sobre a Uru, me cheirou One Hit Wonder demais pra perder meu tempo, posso estar errado.
Mas caguei.
E pra melhorar vai ser sobre música japonesa porque o blog é meu e quero escrever sobre isso.
A coisa é: durante minha estadia no Japão, algumas músicas estavam MUITO em alta, do tipo você entrar em uma loja/shopping e a chance de estar tocando uma dessas músicas era tipo 90%.
As músicas eram:
Da Pump - USA (copyright block, vejam no YT se estiverem curiosos)
Pelo o que li o Da Pump já tava bem em baixa desde que todos os membros saíram menos o líder (apesar disso ser normal, já que é uma boy band) e quando os produtores apresentaram USA como próximo single o líder ficou bem confuso já achando que era o fim da linha pro grupo.
No começo a galera ridicularizou a música, quero dizer, é EUROBEAT LANÇADO EM 2018 com uns mano de 30~40 anos fazendo dança de Fortnite e usando Supreme, mas acho que caiu naquela de "ser tão ruim que é bom" e virou um meme no Japão, e fez um puta sucesso.
Na moral que eu odiava essa música mas não é tão ruim assim, é bem nostálgica pra falar a verdade.
Uru - Prologue
Na moral que eu só descobri o nome da música bem depois de ouvir uma caralhada de vezes em loja de conveniência, shoppings e restaurantes.
Apesar de parecer abertura de anime, a música é tema de um dorama acho que baseado num mangá, o dorama parecia bem daqueles bem genéricos de drama que é sobre relacionamento amoroso de professor e aluno (juro que não lembro se era professora+aluno ou professor+aluna), parecia ruim.
Não procurei mais sobre a Uru, me cheirou One Hit Wonder demais pra perder meu tempo, posso estar errado.
Kenshi Yonezu - Lemon
Eu só descobri depois mas eu já conhecia o Kenshi Yonezu faz mó cota, tem um MV dele de 2012 que ficou meio viral porque era uma animação bem feitinha e tal.
Na real que os dois últimos singles do Yonezu tavam tocando em todo lugar, mas Lemon tava um pouco mais que Flamingo porque ele tocou essa no Kohaku (aliás, todos dessa lista tirando Prologue foram tocados no Kohaku), mas eu prefiro Lemon de qualquer jeito então talkei.
AIMYON - Marigold
Aaaaaaaahhhhhhh eu amo essa música. Na moral que eu já gostava da Aimyon faz um tempo, desde o Ai wo Tsutaetai Atoka (que por sinal foi meu despertador por um ano até ela lançar Marigold), a música da Aimyon não é original nem nada do tipo mas é tão LEGAL que não consigo descrever.
Quero dizer, se você me perguntasse quem é a pessoa mais descolada do Japão eu diria que é a Aimyon, ela é daora pra caralho. Começou tocando nas ruas, anda de penny board no clipe do Marigold, é um ícone fashion (aposto que ela fez mais ensaio fotográfico que música), vendeu o Budokan inteiro EM MINUTOS (eu tentei comprar, foram três minutos) e fez questão de fazer o show inteiro sozinha com um violão, ela queria conquistar o Budokan inteira sem ajuda de ninguém, e deu certo.
Eu sinceramente preferi o álbum anterior dela PORQUE ERA MAIS DESCOLADO, o último álbum dela "Momentary Sixth Sense" é legal mas acho que é muito pretensioso, dá pra sentir que ela queria fazer uma coisa GRANDE, beirando o épico, o que sepá era esperado já que a data de lançamento do álbum foi bem próxima do show no Budokan mas who knows.
Mas Marigold é A música que me lembra da minha estadia no Japão, ela é perfeita demais pra isso: desde o clipe com toques de nostalgia com a música que parece que é de superação, eu nem lembro da tradução da letra mas aposto que era algo do tipo "você brilha que nem uma marigold (que é uma flor que esqueci o nome)", música de autoajuda? amo demais.
Toda vez que eu entrava em algum lugar e tocava Marigold me dava uma tristeza por não ter conseguido o ingresso pro show da Aimyon ao mesmo tempo que eu ficava feliz demais, a música é muito boa e tem aquele sentimento otimista de superação também, teve dia bem bosta meu que melhorou só de eu ter entrado num lugar tocando essa música, falo sério.
Enfim, acho que tava tocando coisa da Utada Hikaru também já que ela lançou Hatsukoi uns meses antes de eu ir pro Japão, mas como não sou muito fã dela (e as músicas não eram marcantes se estavam realmente tocando) eu não percebi.
Enfim, é isso. Devem estar vindo mais uns dois ou três posts ainda sobre a viagem e depois vocês vão ver uns lampejos de saudades espalhados pelos posts, a viagem foi bem legal mesmo.
vlw flw té mais
terça-feira, 26 de março de 2019
ME DESCULPA CHIAKI SATO
Eu tava querendo escrever direito sobre o show que fui da Chiaki Sato mas tava sem tempo, vou fazer isso agora.
Vocês já devem estar cansados de posts meus xingando os novos rumos musicais do Kinoko Teikoku, teve uma época que tenho certeza que de 3 posts meus, pelo menos um era falando mal da banda. Vocês têm que entender que Kinoko Teikoku foi a minha primeira banda japonesa underground favorita, eu conheci o som deles em 2013 (logo depois do lançamento do EP Long Goodbye) e foi amor a primeira ouvida.
Na época Mass of the Fermenting Dregs já tinha acabado então é seguro dizer que Kinoko Teikoku era a minha banda ativa favorita.
E não é algo que digo abertamente mas a Chiaki Sato da fase shoegaze (2012~2014) do Kinoko Teikoku foi a maior paixão que tive na música japonesa (contando underground e mainstream). Contando com o fato que vejo mais a Shiina Ringo como uma entidade divina do que uma pessoa e a Momoe Yamaguchi que eu idolatro ficou nos anos 70.
A Chiaki Sato não me cativava só por ser aquela personificação do Shoegaze: aparência andrógina, voz andrógina, moletom sem marca e jeans skinny com All-Star ou Vans, mas ela dava a alma no palco, quando ela cantava Yoru Ga Aketara parecia que tava expulsando os demônios do corpo, a banda inteira parecia que tava lá morrendo no palco, E CARA A VOZ DELA TRANSMITIA CADA EMOÇÃO E AINDA ME ASSOMBRA TANTO A VOZ FANTASMAGÓRICA EM EUREKA QUANTO AS DESAFINADAS EMOCIONAIS EM YORU GA AKETARAAAAAAA.
Quero dizer, já escrevi essa porra toda num outro post mas é preciso contextualizar isso tudo antes de eu falar do show que fui.
O show que fui da Chiaki Sato foi no Shibuya WWW X, que é uma casa satélite do famoso WWW principal e, acho que, menor que seu irmão mais velho também. O acesso era loco, você tinha que subir uma escadaria do caralho e depois, lá dentro, tinha que descer pra caralho a ponto de eu realmente não saber em que andar eu estava quando cheguei na parte com palco e tal.
Iam se apresentar duas bandas e a Chiaki Sato, a banda de abertura, PAELLAS, era aquele pop rock genérico bem fraquinho, nothing to write home about. depois veio a Chiaki Sato.
Eu só tinha ouvido algumas coisas perdidas do álbum solo dela, que foi lançado ano passado, mas tinha odiado tudo, depois desse show eu... continuo não gostando muito.
Eu posso estar falando bosta (hurr eu só falo bosta neste blog) mas a Chiaki Sato tá fazendo um R&B meio... Utada Hikaru? Quero dizer, não manjo picas de R&B mas desse gênero em específico no Japão eu só conheço a grande Utada mesmo e apesar de não gostar da música dela é inegável dizer que qualquer coisa que você vai fazer REMOTAMENTE no gênero vai ter influência dela, afinal ela é a maior (com algumas controvérsias) cantora no Japão.
Mas voltando ao show: ela basicamente tocou o álbum solo dela e terminou com uma do Kinoko Teikoku: Donut. Que eu achei estranho pra caralho, a música foi um B-side do single do Sakura ga Saku Mae Ni e num misto de eu não lembrar com o arranjo ter sido totalmente diferente, eu nem reconheci a música como sendo do Kinoko Teikoku, e assim o show terminou, depois o headline "odol" chegou lá e eu não curti muito o som então vazei.
Na moral que esse foi o pior show que fui no Japão mas ao mesmo tempo foi a melhor cantora que presenciei na minha estadia, a Chiaki Sato estava cantando como nunca naquele palco, ainda que bem menos emocional que os vídeos que vi no Youtube dela literalmente SOFRENDO enquanto cantava Yoru Ga Aketara, a Chiaki Sato tava extremamente feliz lá, e quando digo que ela tava feliz eu posso afirmar que ela tava se divertindo mais que a Kaneko Ayano no show que fui.
E quer saber? Eu fiquei feliz por ela. Eu sempre julguei a banda por ter seguido outros caminhos depois que eles foram pra uma major label, quero dizer, o Kinoko Teikoku vem do cenário underground de Shimokitazawa, eles são os herdeiros dos Fishmans! Mas depois de ver a Chiaki Sato feliz e serelepe de uma forma quase contagiante eu já nem tenho como culpar a moça de qualquer coisa. Vendo as letras das músicas do Kinoko Teikoku na fase mais sombria, dá quase pra sentir o sofrimento e angústia naquela porra (o que a Chiaki Sato deve ter sofrido com os ex-namorados dela não é brincadeira), mas se a vida sorriu pra nossa menina de ouro eu não consigo ver o porquê de fazer com que ela sofra novamente. Se a Chiaki Sato tá feliz eu estou feliz.
Isso tudo significa que vou ouvir e GOSTAR das novas releases dela ou do Kinoko Teikoku? Nem fodendo, mas isso significa que não vou ser mais um na legião de fãs chatos fazendo fila pra chorar na seção de comentários do Rate Your Music perguntando "ONDE FOI PARAR O SHOEGAZE PUORRA?!" e dar um rating de 1 estrela, ah não o rating baixo vai continuar.
Mas enfim, parou a choradeira de lamentar todo dia que Kinoko Teikoku tá uma bosta, vou só ficar puto no dia da release mesmo e depois esqueço a banda (ou a Chiaki) até a próxima release.
Essa viagem pro Japão acabou me dando outras bandas up and coming pra acompanhar: For Tracy Hyde, Laura Day Romance, Hitsuji Bungaku e Luby Sparks. Acho que Luby Sparks já tá bem garantido que vai explodir (no bom sentido) cedo ou tarde mas eu sinceramente espero tudo de bom pra essas bandas, viver de música é foda em qualquer lugar.
Enfim, é isso.
Me desculpem Kinoko Teikoku, ainda amo vocês e ALGUMAS músicas dos álbuns pós-2014.
Me desculpa Chiaki Sato em especial, tua orelha deve estar vermelha.
E todo meu apoio pras bandas underground que citei e várias outras BOAS que estejam no underground japonês ou de qualquer país, torço por vocês todo dia.
vlw flw
té mais
Vocês já devem estar cansados de posts meus xingando os novos rumos musicais do Kinoko Teikoku, teve uma época que tenho certeza que de 3 posts meus, pelo menos um era falando mal da banda. Vocês têm que entender que Kinoko Teikoku foi a minha primeira banda japonesa underground favorita, eu conheci o som deles em 2013 (logo depois do lançamento do EP Long Goodbye) e foi amor a primeira ouvida.
Na época Mass of the Fermenting Dregs já tinha acabado então é seguro dizer que Kinoko Teikoku era a minha banda ativa favorita.
E não é algo que digo abertamente mas a Chiaki Sato da fase shoegaze (2012~2014) do Kinoko Teikoku foi a maior paixão que tive na música japonesa (contando underground e mainstream). Contando com o fato que vejo mais a Shiina Ringo como uma entidade divina do que uma pessoa e a Momoe Yamaguchi que eu idolatro ficou nos anos 70.
A Chiaki Sato não me cativava só por ser aquela personificação do Shoegaze: aparência andrógina, voz andrógina, moletom sem marca e jeans skinny com All-Star ou Vans, mas ela dava a alma no palco, quando ela cantava Yoru Ga Aketara parecia que tava expulsando os demônios do corpo, a banda inteira parecia que tava lá morrendo no palco, E CARA A VOZ DELA TRANSMITIA CADA EMOÇÃO E AINDA ME ASSOMBRA TANTO A VOZ FANTASMAGÓRICA EM EUREKA QUANTO AS DESAFINADAS EMOCIONAIS EM YORU GA AKETARAAAAAAA.
Quero dizer, já escrevi essa porra toda num outro post mas é preciso contextualizar isso tudo antes de eu falar do show que fui.
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| Lineup do dia: PAELLAS, Chiaki Sato e odol |
O show que fui da Chiaki Sato foi no Shibuya WWW X, que é uma casa satélite do famoso WWW principal e, acho que, menor que seu irmão mais velho também. O acesso era loco, você tinha que subir uma escadaria do caralho e depois, lá dentro, tinha que descer pra caralho a ponto de eu realmente não saber em que andar eu estava quando cheguei na parte com palco e tal.
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| As escadarias do Shibuya WWW X |
Iam se apresentar duas bandas e a Chiaki Sato, a banda de abertura, PAELLAS, era aquele pop rock genérico bem fraquinho, nothing to write home about. depois veio a Chiaki Sato.
Eu só tinha ouvido algumas coisas perdidas do álbum solo dela, que foi lançado ano passado, mas tinha odiado tudo, depois desse show eu... continuo não gostando muito.
Eu posso estar falando bosta (
Mas voltando ao show: ela basicamente tocou o álbum solo dela e terminou com uma do Kinoko Teikoku: Donut. Que eu achei estranho pra caralho, a música foi um B-side do single do Sakura ga Saku Mae Ni e num misto de eu não lembrar com o arranjo ter sido totalmente diferente, eu nem reconheci a música como sendo do Kinoko Teikoku, e assim o show terminou, depois o headline "odol" chegou lá e eu não curti muito o som então vazei.
Na moral que esse foi o pior show que fui no Japão mas ao mesmo tempo foi a melhor cantora que presenciei na minha estadia, a Chiaki Sato estava cantando como nunca naquele palco, ainda que bem menos emocional que os vídeos que vi no Youtube dela literalmente SOFRENDO enquanto cantava Yoru Ga Aketara, a Chiaki Sato tava extremamente feliz lá, e quando digo que ela tava feliz eu posso afirmar que ela tava se divertindo mais que a Kaneko Ayano no show que fui.
E quer saber? Eu fiquei feliz por ela. Eu sempre julguei a banda por ter seguido outros caminhos depois que eles foram pra uma major label, quero dizer, o Kinoko Teikoku vem do cenário underground de Shimokitazawa, eles são os herdeiros dos Fishmans! Mas depois de ver a Chiaki Sato feliz e serelepe de uma forma quase contagiante eu já nem tenho como culpar a moça de qualquer coisa. Vendo as letras das músicas do Kinoko Teikoku na fase mais sombria, dá quase pra sentir o sofrimento e angústia naquela porra (o que a Chiaki Sato deve ter sofrido com os ex-namorados dela não é brincadeira), mas se a vida sorriu pra nossa menina de ouro eu não consigo ver o porquê de fazer com que ela sofra novamente. Se a Chiaki Sato tá feliz eu estou feliz.
Isso tudo significa que vou ouvir e GOSTAR das novas releases dela ou do Kinoko Teikoku? Nem fodendo, mas isso significa que não vou ser mais um na legião de fãs chatos fazendo fila pra chorar na seção de comentários do Rate Your Music perguntando "ONDE FOI PARAR O SHOEGAZE PUORRA?!" e dar um rating de 1 estrela, ah não o rating baixo vai continuar.
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| Definição de fã chato (eu tava putaço na época, dsclp Chiaki Sato) |
Mas enfim, parou a choradeira de lamentar todo dia que Kinoko Teikoku tá uma bosta, vou só ficar puto no dia da release mesmo e depois esqueço a banda (ou a Chiaki) até a próxima release.
Essa viagem pro Japão acabou me dando outras bandas up and coming pra acompanhar: For Tracy Hyde, Laura Day Romance, Hitsuji Bungaku e Luby Sparks. Acho que Luby Sparks já tá bem garantido que vai explodir (no bom sentido) cedo ou tarde mas eu sinceramente espero tudo de bom pra essas bandas, viver de música é foda em qualquer lugar.
Enfim, é isso.
Me desculpem Kinoko Teikoku, ainda amo vocês e ALGUMAS músicas dos álbuns pós-2014.
Me desculpa Chiaki Sato em especial, tua orelha deve estar vermelha.
E todo meu apoio pras bandas underground que citei e várias outras BOAS que estejam no underground japonês ou de qualquer país, torço por vocês todo dia.
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segunda-feira, 25 de março de 2019
Uma ode a Tokyo
Desde que comecei a ouvir música underground japonesa eu notava que toda banda que se preze, muitas vezes nem sendo de Tokyo, fazia pelo menos uma música em homenagem a essa cidade. Eu sendo um bom paulista, sempre subestimei esse amor todo por Tokyo "Porra, São Paulo deve ser a mesma coisa" quero dizer: falavam que Tokyo era caótica, assim como Sampa é, falaram que Tokyo era uma cidade global com várias culturas, po o Bixiga está a minutos de distância da Liberdade. Enfim, sempre fui meio cético nesse culto a Tokyo, ao mesmo tempo que achava um absurdo que São Paulo não tivesse metade do amor e apreciação.
Pois bem, fui pra Tokyo.
E acho que é uma coisa que só pode ser entendida se você for pra lá, acho que o meio midiático (ocidental) que mais conseguiu captar o espírito de Tokyo foi o filme Lost in Translation da Sofia Coppola, e ainda acho que ele só capta bem mesmo Shinjuku e Shibuya.
Tokyo é linda, do caos do cruzamento de Shibuya às ruas calmas de Setagaya, eu não acho que vou achar outro lugar no mundo que me encante como Tokyo me encantou, e foi andando por essa cidade que imaginei as várias vidas que passam por aqui ou ali, das várias histórias que se passaram pelos lugares que andei.
Eu fui uma garota de ensino médio que voltava da escola em Shibuya depois de praticar vôlei em preparação pra um campeonato dali a duas semanas.
Eu fui um eletricista consertando a fiação elétrica em Gotokuji.
Eu fui dono de uma loja de conservas em Sangenjaya.
Eu fui um guitarrista vindo de outra província procurando a chance para o sucesso nas ruas de Shimokitazawa.
Eu fui um pintor amador que praticava sketches de natureza nas margens do vale de Todoroki numa manhã ensolarada de terça-feira.
Eu fui uma garçonete de um café pequeno, mas aconchegante, em alguma ruela de Shimokitazawa.
Eu fui um imigrante turco que se sustenta vendendo Kebab pra locais e turistas perto da estação de Akihabara.
Eu fui um barista, dono de um café em Futako Tamagawa, fascinado não só pelo café, mas também pela música brasileira.
Eu fui um operário de uma serralheria em Shin Kiba que ama ver os jogos de futebol do Kashima Antlers e tem como cerveja favorita a Asahi Super Dry.
Eu fui uma estudante que para pagar a faculdade de administração se viu forçada a trabalhar em um Maid Café em Akihabara.
Eu fui um atendente da Jins de Shibuya vindo da Coreia do Sul que foi contratado pelo conhecimento da língua inglesa, já que o número de turistas que vinham à loja estava aumentando exponencialmente.
Eu fui uma das funcionárias de uma pequena casa de shows em Yoyogi, como a casa se mantém praticamente com umas cinco pessoas então ela acumulava as funções de roadie, bartender, segurança e recepcionista.
Eu fui um atendente da Disk Union de Shinjuku que viveu o auge da juventude ouvindo Happy End e RC Succession nos anos 70 mas que valoriza o atual cenário musical japonês.
Eu fui um turista brasileiro que fora pro Japão trabalhar em Yamanashi mas sempre que podia estava em Tokyo pra ver shows de bandas underground.
vlw flw
té mais
Pois bem, fui pra Tokyo.
E acho que é uma coisa que só pode ser entendida se você for pra lá, acho que o meio midiático (ocidental) que mais conseguiu captar o espírito de Tokyo foi o filme Lost in Translation da Sofia Coppola, e ainda acho que ele só capta bem mesmo Shinjuku e Shibuya.
Tokyo é linda, do caos do cruzamento de Shibuya às ruas calmas de Setagaya, eu não acho que vou achar outro lugar no mundo que me encante como Tokyo me encantou, e foi andando por essa cidade que imaginei as várias vidas que passam por aqui ou ali, das várias histórias que se passaram pelos lugares que andei.
Eu fui uma garota de ensino médio que voltava da escola em Shibuya depois de praticar vôlei em preparação pra um campeonato dali a duas semanas.
Eu fui um eletricista consertando a fiação elétrica em Gotokuji.
Eu fui dono de uma loja de conservas em Sangenjaya.
Eu fui um guitarrista vindo de outra província procurando a chance para o sucesso nas ruas de Shimokitazawa.
Eu fui um pintor amador que praticava sketches de natureza nas margens do vale de Todoroki numa manhã ensolarada de terça-feira.
Eu fui uma garçonete de um café pequeno, mas aconchegante, em alguma ruela de Shimokitazawa.
Eu fui um imigrante turco que se sustenta vendendo Kebab pra locais e turistas perto da estação de Akihabara.
Eu fui um barista, dono de um café em Futako Tamagawa, fascinado não só pelo café, mas também pela música brasileira.
Eu fui um operário de uma serralheria em Shin Kiba que ama ver os jogos de futebol do Kashima Antlers e tem como cerveja favorita a Asahi Super Dry.
Eu fui uma estudante que para pagar a faculdade de administração se viu forçada a trabalhar em um Maid Café em Akihabara.
Eu fui um atendente da Jins de Shibuya vindo da Coreia do Sul que foi contratado pelo conhecimento da língua inglesa, já que o número de turistas que vinham à loja estava aumentando exponencialmente.
Eu fui uma das funcionárias de uma pequena casa de shows em Yoyogi, como a casa se mantém praticamente com umas cinco pessoas então ela acumulava as funções de roadie, bartender, segurança e recepcionista.
Eu fui um atendente da Disk Union de Shinjuku que viveu o auge da juventude ouvindo Happy End e RC Succession nos anos 70 mas que valoriza o atual cenário musical japonês.
Eu fui um turista brasileiro que fora pro Japão trabalhar em Yamanashi mas sempre que podia estava em Tokyo pra ver shows de bandas underground.
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domingo, 17 de março de 2019
Yamanashi-ken Chuo-shi Nikko Haitsu II
Eu escrevi meio que uma ode a Tokyo mas enquanto eu termino alguns detalhes dela eu queria falar de coisas que sentirei falta do arubaito em si, tirando os shows e idas pra Tokyo.
Todo o pessoal do arubaito foi dividido em dois prédios: o Sunny Haitsu (onde ficou a maioria do pessoal, incluindo grande parte dos caras mais "pops" e todas as meninas menos uma) e o Nikko Haitsu (onde ficaram os otakus fedidos, onde eu obviamente fiquei), não sei precisar se a divisão foi intencional mas a gente do Nikko ficou bem próximo, no nível de pessoal de um apartamento chegar em outro e simplesmente ABRIR a porta, já que geral sempre deixava aquela porra aberta.
E acho que por nunca ter experimentado essa vida comunitária de viver em república, achei demais que sempre que a gente quisesse fazer algo, por mais esdrúxulo que fosse, sempre haveria alguém disposto a te acompanhar. Quantas foram as vezes que queríamos comer em algum lugar e simplesmente invadíamos os apartamentos vizinhos atrás de gente pra ir junto, ou quando ABSOLUTAMENTE TODOS DO PRÉDIO compraram um Nintendo Switch e as jogatinas de Smash eram itinerantes, no apartamento que estivesse aberto na hora.
É claro que nem tudo eram flores, houveram as tretas por causa de sujeira, divisão de afazeres e o famoso QUEM COMEU MEU SORVETE?! mas no final acho que foi uma experiência bem legal.
Se eu gostaria de estender essa vida de rep por mais de três meses? Talvez, acho que o fato de estar vivendo com pessoas com background parecido tirava um pouco daquela solidão inerente de estar num país introspectivo no extremo oposto da sua terra natal.
Já que eu trampava de noite até o final de Janeiro, só comecei a conhecer o pessoal dos outros apartamentos no último mês, o que foi uma pena já que tinha muita gente que compartilhava dos meus gostos em animes por lá.
Na última noite antes de embarcar pro Brasil geral combinou de ir pro karaokê pra cantar músicas japonesas, o que era pra ser um rolê com cerca de 40 pessoas acabou tendo a presença de umas 12, sendo maioria os apartamentos 305 e 306 do Nikko e o resto era um pessoal perdido do Sunny. Foi um dos únicos rolês que eu acabei indo e foi bem legal, cantamos as mais variadas músicas de anime e eu JOGUEI MINHA ALMA LÁ enquanto cantava com meus pulmões Tsumi to Batsu da Shiina Ringo. Foi um rolê legal.
Enfim, sdds Nikko Haitsu. Acho que se eu fosse sozinho a experiência do arubaito teria sido bem pior, mesmo com os shows e tudo mais, vou sentir falta desses três meses.
vlw flw té mais
Todo o pessoal do arubaito foi dividido em dois prédios: o Sunny Haitsu (onde ficou a maioria do pessoal, incluindo grande parte dos caras mais "pops" e todas as meninas menos uma) e o Nikko Haitsu (onde ficaram os otakus fedidos, onde eu obviamente fiquei), não sei precisar se a divisão foi intencional mas a gente do Nikko ficou bem próximo, no nível de pessoal de um apartamento chegar em outro e simplesmente ABRIR a porta, já que geral sempre deixava aquela porra aberta.
E acho que por nunca ter experimentado essa vida comunitária de viver em república, achei demais que sempre que a gente quisesse fazer algo, por mais esdrúxulo que fosse, sempre haveria alguém disposto a te acompanhar. Quantas foram as vezes que queríamos comer em algum lugar e simplesmente invadíamos os apartamentos vizinhos atrás de gente pra ir junto, ou quando ABSOLUTAMENTE TODOS DO PRÉDIO compraram um Nintendo Switch e as jogatinas de Smash eram itinerantes, no apartamento que estivesse aberto na hora.
É claro que nem tudo eram flores, houveram as tretas por causa de sujeira, divisão de afazeres e o famoso QUEM COMEU MEU SORVETE?! mas no final acho que foi uma experiência bem legal.
Se eu gostaria de estender essa vida de rep por mais de três meses? Talvez, acho que o fato de estar vivendo com pessoas com background parecido tirava um pouco daquela solidão inerente de estar num país introspectivo no extremo oposto da sua terra natal.
Já que eu trampava de noite até o final de Janeiro, só comecei a conhecer o pessoal dos outros apartamentos no último mês, o que foi uma pena já que tinha muita gente que compartilhava dos meus gostos em animes por lá.
Na última noite antes de embarcar pro Brasil geral combinou de ir pro karaokê pra cantar músicas japonesas, o que era pra ser um rolê com cerca de 40 pessoas acabou tendo a presença de umas 12, sendo maioria os apartamentos 305 e 306 do Nikko e o resto era um pessoal perdido do Sunny. Foi um dos únicos rolês que eu acabei indo e foi bem legal, cantamos as mais variadas músicas de anime e eu JOGUEI MINHA ALMA LÁ enquanto cantava com meus pulmões Tsumi to Batsu da Shiina Ringo. Foi um rolê legal.
Enfim, sdds Nikko Haitsu. Acho que se eu fosse sozinho a experiência do arubaito teria sido bem pior, mesmo com os shows e tudo mais, vou sentir falta desses três meses.
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