domingo, 29 de agosto de 2021

Gerações de otakus e eventos de anime

Uma coisa que percebi recentemente foi como gostar de animes se tornou mais socialmente aceito do que nunca.

Eu sou, ou pelo menos quero acreditar que sou, otaku velho (apesar de não gostar de ser chamado de otaku).

Na minha cabeça as gerações de fãs de anime no Brasil se dividem assim:

  • 1ª geração: pré-internet banda larga, ficavam reféns das escolhas das editoras (na época JBC, começo da Panini e Conrad, além de outras hoje extintas) e dos canais de televisão, eventos eram raríssimos e pequenos. Basicamente é o pessoal que entrou nesse mundo antes dos anos 2000;
  • 2ª geração: começo da internet decente, foi quando comecei a ler mangá/assistir anime. Já havia uma maior maturação na editoras, quando começaram a publicar mangás em volumes inteiros de 200 páginas, os eventos já tomavam uma dimensão até que grande, TODO MUNDO usava da pirataria pra ver os animes novos da temporada (baixar anime em rmvb, quem lembra?) e aqui foi o auge dos site project, que traduziam e eram parte essencial das fanbasees de diversos animes como Naruto, Bleach, Death Note, One Piece, etc. Essa época durou do começo dos 2000 até o começo da popularização do stream em massa lá pra 2013~2015;
  • 3ª geração: agora tá na moda ser nerd, agora ser otaku não é tão sinônimo de ser um social outcast. O Netflix e o Crunchyroll democratizaram o acesso aos animes e agora todo mundo pode ver Death Note sem parecer ser emo, what a time to be alive. Por algum motivo os eventos de anime parece que perderam a força que tinham antes e a galera casual que curte anime é a mesma que curte HQs, então é Comic Con Experience pra todo mundo ao invés do saudoso Anime Friends.

Hoje em dia tem uma chance bem grande de você pegar um jovem aleatório na rua e ele saber cantar Blue Bird, ou de saber como tá Boku no Hero Academia ou Shingeki no Kyojin.

Mas como a popularização dos animes e mangás afetam quem já curtia antes?

Eeeehhh, acho que agora é mais fácil de encontrar quem tem o mesmo gosto que você pra esse tipo de mídia, além de ser mil vezes mais fácil de comprar mercadorias (na maioria das vezes falsificada) dos animes que você curte. 

Eu lembro ainda quando fui num mini-evento de anime na Liberdade em 2019 com um amigo que conheci no Japão. Como os amigos desse meu amigo conheciam os eventos de anime de dentro, eles contaram diversos causos que aconteceram em eventos passados e apontaram discretamente para pessoas problemáticas que sempre davam as caras nesse tipo de evento, e que estavam lá no dia.

Isso me fez pensar como o miolo das fanbases não mudou tanto quanto eu pensava. Acho que ainda tem a galera que move os pequenos eventos e discussões desde a minha época e maioria tem por volta da minha idade e começou a ver anime e ler mangá nas mesmas condições que eu. Desde a época do orkut tinham as pessoas estranhas que iam em todo evento de anime e que, muito antes do termo nascer, sofriam cyber-bullying nas comunidades.

Pra falar a real eu já escrevi uns bons posts aqui sobre minha relação com eventos de anime e como eu não me vejo indo em um de maneira não-irônica hoje em dia, ainda mais porque nem mangá eu compro mais. Mas é, acho que tem uma gigantesca diferença entre os eventos geek gerais (tipo o Comic Con Experience) e os de anime: os de anime ainda são organizados como eventos amadores.

Você vai na CCXP por quê? Porque você vai ver o ator famoso que fez o último filme da Marvel e se dispôs a vir aqui pra dar entrevista, porque lá vai ter um estande da Netflix, da WB, da DC vendendo merch oficial, porque vai ter anúncio exclusivo, etc. Agora, porque caralhos você iria num Anime Friends? Pra tomar Mupy? Pra comprar um colar de 15 reais claramente feito com metais não dermatologicamente seguros? Pra ver show de banda decadente que fez opening de um anime de 10 anos atrás?(pra falar a real eu iria pra isso). 

Agora os eventos de anime estão ficando decentes e tão trazendo uns dubladores e mangakas, mas é foda. Como a gente não vê a pessoa por trás das obras, só fãs muito hardcore sabem qual dublador dubla qual personagem, é muito mais jogo você trazer o Henry Cavill pra uma CCXP, todo mundo sabe quem é o Superman. Agora, imagina trazer o Eiichiro Oda num AF e o Zak Snyder na CCXP, você consegue sentir a diferença de impacto que teriam essas duas aparições por mais que a dificuldade pra trazer o Oda seja milhões de vezes maior? Pois é. 

Pra ser justo o CCXP é mais produto do capitalismo do que do amor dos fãs, o que explica muita coisa pra falar a verdade.

Eu estou saindo numa tangente enorme aqui mas o que estou querendo falar aqui em linhas gerais é que as fanbases de animes na minha geração eram ligadas diretamente à realização de eventos de anime. Hoje como "todo mundo" curte anime, o pessoal não tem mais essa necessidade de se enfiarem num galpão cheio de gente estranha só pra achar mais gente com o mesmo gosto, mas os eventos se mantém pela fanbase que foi criada na minha época. 

Uma CCXP é muito mais aberta para fãs casuais do que um AF, acho que esse é um outro ponto central nessa comparação.

Eu sou uma péssima pessoa pra falar de inside info e da história dos eventos de anime já que peguei uma época muito específica do crescimento do AF e nunca fui próximo do pessoal da organização. Isso tudo além de eu não pisar num AF desde 2013 e nunca ter ido numa CCXP.

Mas enfim, eu até esqueci do que eu tava falando, relação dos eventos com as fanbases de anime? Em suma: hoje a grande parte de quem consome anime é casual, antes você tinha que adentrar tanto na comunidade pra achar coisa traduzida ou indicações que era quase certo que se você curtia anime, também orgulhosamente ia adotar o rótulo de otaku.

E é isso? Eu queria escrever bem mais sobre essas diferentes gerações de quem curte anime e a relação com os eventos mas acho que preciso pesquisar mais sobre.

Eu percebi que os animes estavam se popularizando quando um colega de sala meu, o cara mais faria limer (provavelmente não é você que tá lendo este post, relaxa) que você pode imaginar, me perguntou se eu tinha visto já o anime do Death Note, as maravilhas que a Netflix faz.

No fim eu agradeço que não sou otaku.

E é isso aí pessoal, vou escrever sobre um assunto mais interessante na próxima vez.

vlw flw té mais!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Como viver sendo uma engrenagem do sistema capitalista

Como vocês se motivam no trabalho diário num sistema capitalista? Eu gasto grana.

Quem aqui que trabalha e nunca se sentiu desmotivado que atire a primeira pedra, minha motivação já era baixa desde que entrei na Poli então não tive surpresas em me encontrar desmotivado ao encarar mais uma semana de trabalho no trampo, por mais que eu curta o que estou fazendo.

O que estou passando no estágio agora é meio o contrário do que passei no Japão: enquanto aqui eu me encontro num trabalho bacana num contexto bosta (Brasil de 2021), no arubaito eu tava num trabalho bosta num contexto bacana (qualquer lugar que não seja o Brasil pós-2016), nos dois casos eu me vi desmotivado hora ou outra.

Por um lado o arubaito era uma situação melhor porque aquilo tinha prazo pra acabar (3 meses) e eu tava ganhando uma quantidade astronômica de dinheiro se comparado ao que eu produzia, mas mesmo assim eu tava super desmotivado lá por meio de Janeiro, até que fui no primeiro show dos sete que iria lá. Então eu vi que o dinheiro que eu tava SUANDO pra ganhar até que teria um destino legal: shows. Gastei dinheiro em tudo o que pude também (ainda mais em figures e pelúcias) mas os shows foram meu maior combustível motivacional no Japão.

No estágio estou mais por conta do aprendizado e pela esperança de ser efetivado, então obviamente não posso levar de barriga o negócio como eu fazia com o arubaito. O pagamento obviamente é menor mas o trampo é bem mais bacana, além de não ter chefe japonês gritando bosta pra mim sabendo que não entendo nada. Quem diria que um banco brasileiro seria um ambiente de trabalho menos tóxico que uma fábrica de doces japonesa? Pra me motivar eu acabei comprando um fone que eu tava namorando faz um tempo (o Moondrop Aria) e no mês passado comprei uma air fryer. Estou plenamente satisfeito com as coisas que comprei? Jamais, mas estou mais motivado com elas do que sem elas.

No Japão eu também saía ás vezes pra gastar grana por motivos aleatórios. Antes do meu aniversário eu fui no Book Off e comprei uma figure da Sakura do F/SN só pra ser meu presentinho de mim pra mim mesmo. E eu queria demais gastar grana em figures pra me mimar mas os preços praticados aqui no Brasil são fora de mão.

Como meu VR passa no Extra aqui do lado, raramente uso ele pra comprar delivery mas é outra forma de celebrar datas especiais em casa sem poder sair.

Enfim, esse post veio de uma conversa com meus amigos e acho que a grande maioria das pessoas faz o mesmo: se motiva gastando grana, a grande questão é onde.

Pela minha experiência eu só posso dizer que a felicidade provinda de figures não dura quase nada mas cada centavo gasto nos shows e viagens no Japão valeram a pena. E isso não se restringe ao Japão, os concertos que fui com minha família aqui no Brasil foram todos super bacanas.

Eu acho que devia gastar mais dinheiro em roupas, sepá é hora de me vestir melhor, mas esperemos o fim do home office pra isso.

E é isso aí, vlw flw té mais!

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Fériassssss

Eu estou de férias do trampo desde a última segunda até o dia 10 e estou de férias da Poli desde sexta (anteontem) até dia 16, então até dia 10 estou nessa intersecção das duas férias.

No meu contrato de estágio tá que preciso tirar 15 dias de férias até o fim do meu contrato (em Outubro) ou tenho que acumular pro próximo contrato pra tirar, pasmem, 30 dias ininterruptos. Então escolhi alinhar as férias do trampo com as da Poli e estamos aí. Quando planejei isso lá em Maio a USP tinha anunciado que seria só uma semana de férias entre os dois semestres, então botei pra uma semana das férias do trampo cair na última semana do semestre, pra poder ajeitar os trabalhos e estudar pras provas, no fim nem precisava muito mas deu uma boa ajudada.

Isso tudo aí é pra me explicar já que ouvi umas três vezes "Po, mal começou a trabalhar e já vai tirar férias?". Eu até terminei as coisas que eu tinha que fazer no trampo e organizei tudo pra galera não ficar dependendo de mim EU JURO. O importante é que não vou prejudicar ninguém tirando essas férias, espero.

Desde sexta estou jogando Assassin's Creed Odyssey, peguei a Gold Edition na PSN por 70 conto, são boas 50+ horas de jogo. O último jogo que joguei da série foi o Brotherhood já faz mais de 10 anos, mas eu curti bastante tanto o AC2 quanto o Brotherhood, eu acabei nem jogando o Revelations mais porque meus gostos mudaram de lá pra cá (leia-se: agora só jogo coisa com meninas kawaii). 

A coisa que me fez ir atrás de um jogo de dois anos atrás foi que eu tava relendo Historie e fiquei com vontade de explorar a Grécia antiga, se o AC2 já me fascinou com a Florença da época com gráficos do PS3, imagina o Odyssey com os gráficos do PS4? E já botei mais de 20h de jogo desde sexta. Só parei de jogar um pouco hoje porque eu já tava ouvindo a música do jogo na minha cabeça depois de tirar os headphones (coisa que sempre acontece comigo quando maratono um jogo, ainda mais Fallout).

E cara, tem uma diferença massiva em férias da facul onde você não faz porra nenhuma e férias do trampo que você realmente faz coisa. Acho que desde que entrei na Poli as minhas maiores férias foram as de 2020 pra 2021, e foram horríveis. Foi um tempo incrivelmente mal gasto + correr atrás de emprego + preparar pra mudança de casa, tudo isso sob uma pandemia de merda e o semi-lockdown em Março que teve só cagou mais ainda no que já tava ruim.

Ter só 10 dias de férias totais dá um senso de urgência pra fazer tudo o que não poderia fazer com trampo e Poli ocupando meu tempo. Óbvio que depois do fim da pandemia (se estivermos vivos até lá), eu quero é sair com meus amigos, viajar até, mas até lá eu vou ocupar meu tempo com games e cozinhando.

Comprei uma Air Fryer e vocês vão ouvir muito dela ainda neste blog, aguardem.

vlw flw té mais!

terça-feira, 13 de julho de 2021

Yoiti em três músicas japonesas desconhecidas

Acho que dá pra dividir minha vida recente pela música favorita de cada época.

Num sentido mais específico essa divisão da minha vida seria um inferno, já que cada vez que lança coisa nova, ou que descubro uma banda nova, uma música favorita do momento surge. Num sentido mais amplo as coisas também seriam sem graça, já que Sobakasu ocupa o posto de música favorita já faz mais de 10 anos. Então a divisão vai ser meio em "a música que mais ouvi e que mais representou a minha vida nesse período de X anos".

2012~2014 Rock'n Roll wa Nariyamanai - Shinsei Kamattechan


É a música de adolescente revoltado japonês. Por mais que a música já tenha 10 anos (foi lançada em 2010), eu vi de perto no show da banda em 2019 que ainda ressona muito com os adolescentes de hoje. Acho que é muito daquilo que falei no último post, a música é pura energia jovem e revolta e é fácil ver porque a audiência do Shinsei Kamattechan não necessariamente envelheceu com a banda, eu ainda gosto muito da banda e ainda mais dos álbuns antigos deles, mas eles já não descrevem como sinto, feliz ou infelizmente.

Menção honrosa: Souretsu e Tsumi to Batsu da Shiina Ringo 

Shiina Ringo né, nem preciso falar como ela foi importante pro que sou hoje.

2014~2018 Yoru Ga Akettara - Kinoko Teikoku


Putz, choro, lamúrias, arrependimentos, Poli. É a música de sad boy que eu ouvia sempre que a Poli me dava um murro na boca do estômago. Ainda acho que é uma das músicas mais lindas que saíram do underground japonês, a voz da Chiaki Sato combina demais tanto com a tristeza quanto com a revolta na música. Eu já chorei pra caralho ouvindo essa música e ela (junto com o resto do Uzu Ni Naru) talvez tenham sido as músicas que mais marcaram meus anos de Poli e da vida em geral, já que não tinha muito além da facul nela. Mas não é só de tristeza que vivemos a vida.

Menção honrosa: Insensatez da Nara Leão

Eu tava na vibe pra ouvir Bossa nessa época e a Nara foi um bom ponto de partida, acho que o João Gilberto foi obviamente um melhor musicista mas a Nara tem um repertório bem bom, além de ser bem mais descontraída.

2018~ Wispy, No Mercy - Citrus


Eu descobri Citrus a partir de uma entrevista com o vocalista num site perdido e não dei muita atenção pra banda, até que o cara do Kero Kero Bonito (banda que nem curto tanto) falou que era a melhor banda que ele já ouviu e eu fui procurar mais sobre. Eu não entendo nada da letra (que acho que é inglês?) mas ela me dá uma sensação tão boa, tão leve e tão descontraída que não tem como não ser contagiado. Não é como se minha vida estivesse as mil maravilhas desde que descobri Citrus, aliás longe disso (tem brasileiro feliz desde 2018 neste país?) mas acho que essa música me ajudou a lidar com problemas de uma maneira melhor que antes.

Menções Honrosas: Marigold e Ai wo Tsutaetaida Toka da Aimyon

Uma frase que você já devem estar cansados de ouvir: "Durante minha estadia no Japão..." e é por isso mesmo que a Aimyon me marcou, com certeza não era a maior estrela quando estive lá, mas era a artista mais interessante no Oricon na época.


Enfim, acho que é isso. Acho que Wispy, No Mercy acho que vai se manter como minha música favorita por um bom tempo, é a música que mais ouvi desde que criei a conta no lastfm, e espero que continue assim,  a música é boa demais (assim como o resto do EP).

É isso aí, valeu, falou té mais!

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Rapaz, não sou pago pra isso não

No meu setor, todo funcionário precisa fazer uma série de testes de personalidade, pontos fortes e tudo mais, coisa que antes eu era meu cético sobre, mas um dos pontos fortes que foram apontados num dos testes me chamou a atenção: evitar conflitos.

Eu quebrei o braço de um cara que tentou começar a fazer bullying em mim no meu sétimo ano do fundamental.

Eu sei que foi faz tempo mas eu também briguei bastante no meu primeiro do médio e se o pessoal bobão não tivesse repetido de ano, as chances seriam que alguém ia apanhar naquela turma, e muito provavelmente era eu (mas não aceitaria o cara sair ileso, pode apostar).

Eu também lembro de ter levantado a voz contra um coordenador por decisões administrativas obviamente motivadas por dinheiro do que o bem dos alunos e eu certamente não aceitava nada calado, o Yoiti adolescente era um Yoiti PUTO.

Agora eu só relevo mesmo. Eu sei que pra muita coisa a melhor resposta é FICAR PUTO, mas também descobri que pra a maioria delas o melhor é relevar mesmo e vida que segue. Não que eu deixe o pessoal cagar na minha cabeça, as pessoas que fizeram trabalho em grupo comigo na faculdade sabem bem que eu costumo cobrar que cada um faça a devida parte do trabalho decentemente, mas eu também não vou ficar puto por ter um verme no grupo.

A coisa que mais reflete como mudei acho que foi meu senso de simplesmente não lidar com pessoas que não gosto quando possível. Quando eu era bicho eu sempre ia pedir revisão de prova e tudo mais, mas agora eu realmente só aceito mesmo só pra não tomar esporro de graça. Não foram uma ou duas vezes só que eu reprovei matéria simplesmente por achar que valia mais a pena fazer ela de novo do que morrer abraçado na possibilidade do professor ter piedade de mim depois de me submeter a uma sessão de xingamentos gratuitos.

Neste semestre por exemplo, quando o professor de uma disciplina começou a descer o cacete na sala inteira por uma coisa que obviamente não competia à gente, eu simplesmente saí da aula e aceitei a falta que ia levar na testa. Já passei da idade de ter que engolir sapo de graça.

E isso é meio triste, porque o Yoiti adolescente era combativo, anarquista, questionava toda e qualquer autoridade e dizia que morreria pelos seus ideais. O Yoiti de 25 anos só quer uma air fryer, um teclado mecânico e ver uns shows no Japão. Era isso o significado de virar um adulto? Pelo menos minhas visões políticas foram ainda mais pra esquerda liberal do que antes de começar a faculdade.

Eu vejo que essa conformidade com a nossa realidade não é algo só reservado a mim, meus amigos que conheço há anos também todos perderam um pouco do ímpeto que tinham quando estavam no ensino médio mas, novamente, sem mudar de lado no espectro político.

Acho que é muito do que eu já pensava um tempo atrás, o jovem jovem mesmo não tem medo porque não tem muita coisa a perder (na visão dele), a partir do momento que você tem mais consciência a coisa muda de figura.

Eu sinto que preciso buscar um pouco o ímpeto que tinha uns 7 ou 8 anos atrás, ficar mais puto, ter mais vontade de correr atrás das coisas e tudo mais. Sinto que perdi uns anos da minha graduação simplesmente por só deixar a vida passar sem agir.

Enfim, o estágio está fazendo um ótimo trabalho em me melhorar como pessoa (não que eu tenha ficado puto com alguém lá, muito pelo contrário) e a quarentena está sendo uma jornada infinita de autoconhecimento. Eu espero resgatar um pouco do Yoiti adolescente mas não a parte de quebrar braços alheios, visto que os resultados podem não ser tão agradáveis assim numa esfera jurídica.

Enfim, esse é daqueles posts meio deprês que tenho que soltar às vezes pro blog parecer mais ÍNTIMO.

vlw flw té mais!

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Desculpa W, o VR que eles pagam é bom demais.

"Yoiti, só não vamos fazer engenharia pra ir trabalhar num banco no final hein?"

E estou trabalhando num banco.

Quando aceitei a oferta de emprego no lugar onde estou trampando agora, me veio o flashback de um dia nas mesas da cantina do subsolo mais fundo do Etapa São Joaquim, em 2013. Estávamos em 5 ou 6, provavelmente no intervalo entre os dois blocos de aula à tarde e provavelmente jogando Pokémon no emulador de GBA no celular ou jogando Yu-Gi-Oh! com nossos decks feitos num orçamento limitado.

Um dos meus amigos, vamos chamá-lo de W, tava falando comigo sobre o que a gente ia fazer depois de passar no tão esperado vestibular.

"Ah W, eu pretendo trabalhar na Petrobras ou sei lá, onde for estável e der grana."

"Yoiti, só não vamos fazer engenharia pra ir trabalhar num banco no final hein?"

E isso ficou na minha cabeça por um bom tempo, tanto que eu me candidatei pra pouquíssimos bancos se comparado com o resto das empresas que pleiteei vaga. Mas acabei aceitando a vaga e estou amando o meu trampo.

Eu lembro que a imagem que a gente tinha de banco era que o trabalho ia ser só mexer em Excel, investir na bolsa e coisas que não demandavam conhecimento adquirido num curso de engenharia mas que pagava super bem e tinha zero estabilidade, a gente claramente estava errado.

Mas enfim, esse meu amigo W aliás, é um dos caras mais interessantes que já conheci. Ele entrou no meu colégio no sétimo ano, em 2008, e ele não demorou muito pra entrar no que viraria dali uns anos a Turma da Trave, afinal, o cara era asiático, curtia Pokémon, videogames, mangás e Gundam, não tem como ter mais afinidade comigo.

O W é quem trouxe a Coca Cola no dia que chamo de meu maior momento de paz na vida, e é quem me ajudou a montar meus decks de Yu-Gi-Oh no terceiro do médio. E, depois de uns rolês com ele logo depois do médio ele sumiu, PUF! Ele acabou reaparecendo no velório do nosso amigo e depois disso sumiu de novo, até que encontrei com ele algumas vezes na Liberdade em 2019.

O W é um cara totalmente misterioso por razões que tenho até medo de citar aqui, mas ele é um dos caras mais bacanas que conheci no meu colégio. Eu nem sei como ele tá, o único canal de comunicação com ele é o Facebook que ele nunca usa, mas meu otimismo e minhas experiências passadas falam que ele está bem, seja lá onde esteja. 

Só espero que ele não se decepcione com minha escolha de ir trampar num banco.

E é isso aí,

vlw flw té mais!

sábado, 29 de maio de 2021

Vending Machines

Eu já falei das konbinis, falta falar das vending machines.

Dentre as MUITAS coisas que sinto saudades do Japão, uma delas são as vending machines.

No Japão, mais do que konbinis, e se bobear mais que japoneses também, tem vending machines pra caralho. Você não consegue andar 100 metros no interior do Japão sem achar uma vending machine, em Tokyo não é exagero nenhum falar que tem uma em todo quarteirão... dos dois lados da rua... no mínimo.

E eu não vou nem falar das vending machines oooohhhhh tão diferentes que vendiam comida quente, ou figures, ou qualquer coisa que apareça naqueles reels do Instagram. Vou falar das vending machines mais normais.

Única Vending Machine que tirei foto, foi a primeira que vi no Japão.

 

Andando pelas ruas do Japão, se você trombar com uma vending machine na rua é quase certeza que vai ser uma de bebida. No inverno essas máquinas vendem bebidas enlatadas tanto geladas quanto quentes, e pra melhorar: algumas vendiam sopa enlatada de milho que eram uma delicinha, além dos chás (quase infinitos em sua variedade) e cafés, todos bem bons, e tudo numa faixa de preço que ia de 100 a 200 JPY, preço bem justo pela conveniência.

Nas estações de trem e prédios públicos já era mais provável de você trombar em vending machines de comida e sorvete, nada muito chique de vender comida aquecida e tal, mas era comum achar máquinas que vendiam pães doces, chocolates e salgadinhos. Inclusive uma das situações mais desesperadoras pela qual passei foi quando comprei um chocolate na vending machine da estação de Shibuya E O CHOCOLATE NÃO CAIU, quando eu comecei a quase chorar por ter gasto 150 JPY a toa, a espiralzinha girou um pouco mais E CAÍRAM DUAS BARRAS, eu como um bom (e honesto) turista até tentei achar alguém pra me ajudar a devolver o segundo chocolate, mas era hora do rush e pior que ficar com um chocolate a mais de uma máquina era atrapalhar a vida de um trabalhador japonês com boa vontade de ajudar um turista perdido que não sabe se comunicar.

As máquinas de sorvete em geral também eram meus chuchus. Eu que sempre amei tomar sorvete no frio, sempre gastava umas moedas em algum sorvete diferente que achava nessas máquinas. As embalagens dos sorvetes eram sempre bem feitas para evitar respingos e tudo mais e todos são bons demais.

E se juntar toda a grana que gastei em vending machines, não seria exagero de estimar que estaria na mesma ordem de grandeza da grana que gastei com máquina de garrinha. Eu sei, eu sei, nas vending machines você pelo menos tem a garantia que vai ganhar o que quer, mas fica aí a reflexão da grana que pode sair do bolso, mesmo que seja de moeda em moeda.

No meu trampo na fábrica por exemplo era uma ou duas bebidas por dia, eu bebia refrigerante pra caralho naquela época. E em qualquer andança minha em Tokyo eu pegava fácil umas quatro ou cinco bebidas a cada dia, ainda mais na última semana. Os chás em garrafa em especial eram as coisas que eu mais amava, e ainda não faço ideia do que eram.

A coisa que mais sinto falta da presença das vending machines era ter um motivo de sair vagando pela rua sem qualquer força maior. Apesar do frio ter restringido meus rolês sem rumo perto de casa em Yamanashi, não foram poucas as vezes que eu simplesmente saía de casa só pra pegar um cafézinho enlatado pra pensar na vida um pouco, e também eram uma forma de descansar no meio de longas caminhadas que eu dava, quantas foram as vezes que eu só peguei um refri, me dirigi ao banco mais próximo e fiquei dando um tempo. Ir pegar uma bebida numa vending machine quando você tá de bobeira é o equivalente a sair pra fumar um cigarrinho, outra coisa que também é vendida em vending machines no Japão aliás (mas precisava de um cartão especial).

Enfim. é isso. Eu tava bem afim de dar uma volta pelo bairro e me lembrei das saudosas vending machines que eram meus postos de gasolina nas andanças por Tokyo. Acabei não saindo pra andar porque tá rolando uma coisa meio chata aí né, uma doença, além de eu estar com inexplicáveis condições médicas na minha bunda que estão me restringindo, um pouco, os movimentos.

Bem, espero que vocês estejam bem e que um dia eu possa voltar a desfrutar do dilema que era escolher uma bebida numa vending machine no Japão.

vlw flw té mais!