domingo, 23 de junho de 2019

Japanese food is comfort food

Faz tempo que não falo de comida aqui, é hora.

Uma coisa que só descobri depois que comecei a falar mais com mais nipo-brasileiros é que a gente tem uma relação muito particular com a comida. Eu nunca vi gente discutindo como gosta de preparar o feijão, mas outro dia me peguei falando com um amigo sobre o quão úmido o arroz japonês deve ser para estar num ponto perfeito.

E a comida que o japonês (e por consequência os descendentes também) comem geralmente é bem diferente do sushi/sashimi que está tanto em vogue nos últimos anos. Não vou entrar no mérito de que geralmente eu como comida brasileira mesmo mas a comida que mais me dá conforto é o arroz grudadinho com uns side dishes e misoshiro.

E é uma coisa que "aprendi" lendo Shokugeki no Soma, e por isso não sou 100% confiante que se trata de uma informação correta, mas a culinária japonesa tenta sempre destacar o máximo possível o sabor do ingrediente base, por isso não usa muito de temperos e combinações esdrúxulas. Você pode até contra-argumentar falando do uso excessivo de miso, shoyu e sake/mirin EM TODO SANTO PRATO mas esse sabor de dashi é algo que nem levo em conta mais, só tá lá mesmo.

Comida japonesa tem sabor bem fraco, tudo no Japão tem sabor fraco (tirando talvez o curry, mesmo assim nem se compara com o curry indiano obviamente), até os doces são menos doces, os salgadinhos são menos salgados e as frituras são menos pesadas pro estômago e isso não é ruim, cara. A comida japonesa tá naquele limiar de não tão fraco pra ser comida de hospital e nem tão forte pra ser comida de boteco, A COMIDA JAPONESA É BOA DEMAIS.

Comi quilos e mais quilos de arroz e curry e docinhos (tipo o choco pie) e gyozas e tako yaki congelado e aquela salsicha pequena que cortadinha tem formato de polvo e etc etc etc e emagreci 15kg em três meses. Obviamente que eu tava trampando e tudo mais mas a comida no Japão é saudável até certo ponto, certo ponto sendo: não comendo tempurá toda semana. Acho que a única coisa que eu botaria a mais na minha dieta no Japão era um pouco mais de proteína, isso era suprido lá pelas refeições que eu fazia na fábrica mas um pouco a mais não faria mal.

Eu tava até lendo que agora mais da metade dos japoneses adotaram o costume de comer pão ao invés de arroz no café da manhã, eu nem posso falar meu posicionamento quanto a isso porque nunca comi arroz de manhã por mais de dois dias seguidos, e foram dias que comi resto de curry da janta passada.

Por questões financeiras e comerciais eu acabo comendo comida brasileira na maioria das minhas refeições. Arroz, feijão, alguma proteína e algum side dish, seja em casa ou no bandejão, essa é minha refeição usual. Mas o arroz japonês... o arroz japonês é a coisa mais genial já feita.

Bota na panela elétrica e (não cagando na quantidade de água) aquela merda se cozinha, sem tempero, sem caralho nenhum, bota lá aquela merda e uns 45min depois tá pronto BAM! tá aí.

E você tá em casa, só o arrozão, o que comer?

  • Bota chá verde no arroz e bota o que tiver de tsukemono na geladeira: cê já tem um ochazuke.
  • Bota furikake nessa porra: arroz com furikake, um clássico.
  • Bota num misoshiro ou numa sopa Vono que seja: melhor que qualquer canja na HISTÓRIA.
  • Bota um ovo cru e shoyu: TAMAGO KAKE GOHAN.
  • Faz um miojo e taca o arroz: isso provavelmente vai te matar mais cedo mas vai te sustentar mais que o miojo só.
  • Frita o gyoza e come com o arroz: O DOBRO DE CARBOIDRATOS PELA METADE DO PREÇO.
  • Frita o arroz na frigideira com o resto de tudo na geladeira, uns ovos e shoyu: YAKIMESHI!
  • Simplesmente bota sal e faça bolinhas: ONIGIRI, PORRA. 
Enfim, eu posso ficar o dia inteiro aqui falando formas e mais formas de se apreciar um bom arroz japonês mas acho que já defendi meu ponto: é a coisa mais flexível possível de se ter, e o melhor: que dá um trabalho mínimo pra se preparar. Meu maior problema com o arroz japonês é lavar a panela depois, mas isso já é preguiça minha.

Outra coisa que é pouco apreciada é que comida japonesa (os pratos quentes pelo menos) é pra ser apreciada com um chawan numa mão e os hashi na outra, é absurdo a eficiência disso e nego comendo com o chawan de gohan na mesa fazendo deus sabe o quê com a mão esquerda.

Agora se eu conseguiria viver pro resto da minha vida comendo comida japonesa? Se fosse pra escolher um tipo de comida acho que sim, mesmo que a comida brasileira em particular tenha uma variedade enorme, comida japonesa é o caminho pra casa, é o que me dá conforto. E acho que nisso que muito restaurante japonês de donos ocidentais acaba errando: eles acham que a comida japonesa precisa ter a mesma quantidade de sal/tempero que a comida ocidental, não, só não.

Quer ver se um restaurante japonês é bom? Pede um misoshiro. 
É infalível, se o misoshiro tá cagado, tá tudo cagado. 

Acho que tem gente que acha que misoshiro precisa ter a concentração salina de uma sopa Vono, não é possível. Nesses lugares geralmente o chá verde também tá parecendo suco Tang. Sinceramente, até eu consigo fazer um misoshiro sem cagar na proporção de água/misô, não é difícil.

Eu nem tenho muito o que falar sobre sushi porque não sou muito fã, eu até gosto de comer uma vez por mês e tal, mas pra mim as refeições têm que ser quentes, mas isso já é bem gosto pessoal.

Você que come sushi e fala que gosta de comida japonesa, você mesmo! Vai comer oden, vai comer tsukemono, vai comer udon, vai comer nikujaga, vai comer curry, vai comer soba, vai comer a verdadeira comida japonesa, sushi é overrated.

Comida japonesa é prática, fácil de cozinhar, se requentada mantém o sabor decentemente, ingredientes fáceis de se encontrar (se você morar na Liberdade hehehe) e é a coisa mais homemade possível. Chá sem açúcar também é bom, pau no cu da Lipton.

Enfim, eu estou viciado nos vídeos da Okana Nanako desde que estava no Japão e isso me influenciou pra fazer este post, vai lá ver.

vlw flw
té mais

sábado, 15 de junho de 2019

Setagaya

De todos os lugares que fui na minha breve visita ao Japão, posso dizer com propriedade que o lugar que mais amei foi Setagaya.

Setagaya é um dos bairros de Tokyo... ou algo assim. Na moral que Tokyo é uma província ao mesmo tempo que uma cidade, então os ditos "special wards" possuem meio que autonomia de cidade ao mesmo tempo que tamanho de bairro... ou algo assim. Setagaya é um desses special wards de Tokyo, assim como Shibuya e Shinjuku por exemplo, mas também abriga subdivisões que seriam os bairros de verdade (no ponto de vista de autonomia) como Shimokitazawa, que é meu lugar preferido no mundo.

Isso tudo aconteceu no dia 6 de Março, um dos meus últimos dias no Japão.

Eu comecei meu dia saindo de Tsukuba (onde eu tava então hospedado) bem cedo, e depois de uma caralhada de baldeações (do Tsukuba Express desci em Akiba pra pegar a Yamanote-sen, depois desci em Shibuya pra pegar a Toyoko Line pra finalmente descer em Jiyugaoka pra pegar a Oimachi Line) eu fui pro meu primeiro destino: Todoroki.


Parece que essa ponte era antiga pra cacete, fica bem na entrada do vale de Todoroki.

Todoroki tem o único vale com vegetação densa no perímetro urbano de Tokyo, lá na entradinha tem um termômetro que comparava a temperatura na rua e no vale (que tinha o acesso através de um lance de escadas, o vale era uns 2°C mais frio que a rua), dessa entrada que era mais próxima da estação Todoroki (da linha Oimachi) até o fim do vale (que dava num templo) dava um pouco mais de um km de caminhada, como o ar lá era mais fresco que o da cidade, foi uma caminhada bem agradável. No meio da trilha tinha um sítio arqueológico, mas acho que tudo o que tinha pra ser descoberto já tinha sido tirado de lá.

Seguindo de volta pra estação passei num mercado bem alto padrão no lado da entrada do vale, tinha uma vibe bem St. Marché, onde comprei um delicioso chá de Rooibos, um onigiri e umas balas, o preço não era muito diferente do praticado nas konbinis.

Peguei a linha Oimachi até o final e desci na estação Futako Tamagawa.

Acho que é a linha Den-En-Toshi, sobre o Rio Tamagawa

Foi o lugar em Setagaya que menos curti, ao redor da estação tinha um Shopping Center/Conjunto Residencial ENORME, tanto que demorei meia hora pra achar a porra do Rio Tamagawa que era no lado e é mais enorme ainda, olha essa porra. Eu vi no meu guia de Setagaya que tinha um ramen famoso perto que era servido com um Ayu (peixe seco, não manjo o nome em português) inteirão, só que chegando no lugar a fila TAVA ENORME TAMBÉM, naipe Aska mesmo e só com pessoal que parecia bem local, ou seja: atestado de que o lugar era bom mesmo. Acabei miando de comer lá porque eu tava quase morrendo de fome e tava com pressa de ver tudo o que queria em Setagaya, passei num KFC perto da estação e meti pra dentro os frango frito.

Peguei o trem na Den-en-Toshi até Sangenjaya PORQUE EU TINHA QUE VER O BAIRRO QUE O PROTAGONISTA DO PERSONA 5 MORA.

Yongenjaya pros otakus de plantão.

E depois de ficar quase uma hora perdido, ter dado umas cinco voltas no quarteirão atrás das localizações do Persona 5, finalmente notei que tava num lugar incrível. Sangenjaya é um bairro residencial, um bairro que você encontraria em qualquer lugar, mas eu amei aquele bairro. Eu acabei encontrando as localizações do Persona 5 e foi a cereja do bolo, andei por umas duas horas no bairro e imaginei a minha vida morando lá, é realmente um lugar encantador ao mesmo tempo que é a coisa mais normal do mundo, das lojas de tsukemono aos supermercados/hortifruti cada vez mais escassos no perímetro urbano de Tokyo e a total tranquilidade de um lugar que parece não ter sido encontrado por turistas inconvenientes, Sangenjaya é um lugar que quero voltar.

Terminada minha andança por Sangenjaya eu queria muito pegar o bondinho da linha Setagaya (uma das duas únicas linhas de bondinho no perímetro urbano de Tokyo), então fiz isso e desci na estação Miyanosaka pra ver o templo Gotokuji e o Templo Setagaya Hachimangu.

Uma caralhada de Maneki Neko em Gotokuji, o menorzinho era vendido por 500JPY.

É uma boa andada até o Templo Gotokuji, ainda ficava bem no meio de um bairro bem residencial (mais que Sangenjaya) então foi meio osso de conseguir achar o local. Chegando lá não tinha muita coisa pra ver, tinha uma caralhada de Maneki Neko porque pelo visto o dito cujo foi criado lá e eles vendiam os bichos por preços exorbitantes, eu tava bem tentado a comprar um mas me contive. Dei uma olhada no templo e acabei vazando pra estação de volta, no caminho passei pelo Setagaya Hachiman mas o monge não tava lá pra vender os omamoris e perdi a chance de ter uma lembrança com algo escrito Setagaya, triste. Ainda no lado da estação Miyanosaka tinha um vagão antigo da linha Setagaya, como o estofado era renovado acho que o pessoal ia lá pra descansar.

Como eu já tinha meio que visto quase tudo o que queria ver em Setagaya e era 14h ainda, decidi voltar duas estações na linha a pé pra tirar foto da estação Setagaya.

Uchuu Nippon Setagaya - Espaço Sideral Japão Setagaya

Foi uma boa andada, eu tinha subestimado a distância entre as estações da linha Setagaya já que era um bondinho e o tamanho da linha era de 7km só, mas foi uma boa caminhada de uns 30 minutos. Eu queria tirar foto com um lugar escrito "Setagaya" porque um dos meus álbuns favoritos é o "Uchuu Nippon Setagaya" do Fishmans.

Eu acabei pegando a linha Setagaya novamente até a estação Yamashita, de lá fiz uma baldeação pra estação Gotokuji da linha Odakyu, parti então pra Shimokitazawa pela segunda vez na minha estadia no Japão.

Enterre meu coração em Shimokitazawa.

Lá em Shimokitazawa eu dei uma andada por uma parte que não tinha ido antes (lá pelos lados da Zoff e de outras óticas hipsters) e parei pra comer numa rede de lanchonetes que não tinha experimentado ainda (a Freshness Burger, bem melhor que o Mos Burger) e pelo preço os hamburgers são muito bons, a porção de fritas tava bem boa também, parece que a Freshness se promove como uma rede que usa exclusivamente produtos orgânicos, não que eu me importe muito com isso mas pelo menos tava bom.

Acabada a andada por Shimokita, eu acabei pegando a Odakyu de volta pra Shibuya, baldeação pra Yamanote-sen e desci em Akiba pra dar hora e comprar algumas otakisses, depois embarquei no Tsukuba Express de volta.

Setagaya me encantou de começo a fim, me imaginei morando em Sangenjaya, trampando num dos escritórios nos maciços prédios em Futako Tamagawa, dando caminhadas matinais em Todoroki e passando o fim de semana caçando shows pra ver em Shimokitazawa. Eu fiquei umas 7h andando por Setagaya e foi o melhor dia que passei no Japão (que não fui pra show). Não recomendo pra todo mundo ir pra Setagaya, acho que eu gostei porque eu fui pra lá procurando justamente o que o bairro é: um lugar aconchegante, longe do caos de Shinjuku e dos milhares de turistas em Shibuya e Harajuku, apesar de Shimokitazawa já estar sendo invadida por turistas.

Espero um dia voltar pra comer o ramen com ayu que não comi, espero um dia voltar pra tomar um café nas margens do Rio Tamagawa, espero um dia voltar pra comprar o omamori que não consegui comprar no Hachimangu, espero um dia voltar pra comprar hawasabi em conserva na loja de tsukemono em Sangenjaya.

Espero um dia voltar pra esse lugar que na minha primeira visita já se mostrou mais aconchegante que minha terra natal.

Espero um dia voltar para Setagaya.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Um adeus ao Kinoko Teikoku

Eu conheci Kinoko Teikoku no final do terceiro do meu ensino médio, eu conhecia Shiina Ringo faz um tempo já e Mass of The Fermenting Dregs era de praxe na minha playlist matinal, mas Kinoko Teikoku foi a primeira banda ativa underground que eu conheci e gostei.

E pode parecer estranho eu falar aqui mas eu me apaixonei pela Chiaki Sato desde que a vi no MV do Umi to Hanataba e por um momento eu não soube se ela era homem ou mulher. Aparência andrógina, voz andrógina, nome andrógino e eu já estava questionando minha sexualidade, de verdade. Pode parecer que estou fazendo uma observação leviana mas por um breve momento eu realmente me questionei por achar aquela pessoa bonita, sorte (ou azar?) que a Chiaki Sato é uma mulher mesmo.

E galera, obviamente eu não gosto de Kinoko Teikoku só por achar a Chiaki Sato bonita, se esse fosse o caso eu seria fã de idols ou kpop ou algo assim, não de bandas underground.


E eu já falei em outro post mas a imagem da Chiaki Sato é tão legal que me fez ter um apego especial por moletons lisos, calças slim (PORQUE MINHAS BATATAS NÃO PERMITEM AS SKINNY) e Vans e por pouco eu quase peguei uma Telecaster preta por causa dela, acabei pegando uma Jaguar branca que nem da Aa-chan.

Obviamente eu amava os outros membros da banda também, a Aa-chan fazendo riffs de shoegaze com a roupa menos shoegaze da história: pijamas, o Taniguchi fazendo linhas de baixo que são raríssimos no gênero (são bem evidentes no Eureka) e o Kon com seus bonés mais variados e com um trabalho na bateria que sempre achei bem diferente, nada daquela bateria meio math-rock que sempre gostei mas bem interessante de qualquer forma.

O motivo do término da banda aliás é bem inusitado: o baixista vai ter que herdar o templo da família e ele teve meio que um "sense of accomplishment" com os dez anos de banda e resolveu sair agora com o aniversário de dez anos de trajetória do Kinoko Teikoku. Como o Kinoko Teikoku é formado por amigos que se conheceram na faculdade, eles resolveram por terminar a banda do que continuar com outro membro, achei nobre da parte deles.

Eu meio que já sentia uma falta de empatia na música que a banda vinha fazendo desde 2015, quando você entra num som tão clichê que é o pop-rock que permeia o cenário mainstream do Japão, não tem como se diferenciar. A bateria do Kon agora só fazia o basicão de dar passo à música, assim como o baixo do Taniguchi, agora a Aa-chan também tocava teclado e as músicas giravam todas ao redor da voz da Chiaki Sato.

E sei lá, tudo o que eu podia escrever sobre a banda já foi escrito neste post que fiz faz pouco tempo atrás. Eu já meio que sabia que a banda ia entrar num hiato oficial, ou até mesmo acabar, já que a Chiaki Sato tá começando uma carreira solo, a Aa-chan já está na banda suporte da Seiko Oomori faz tempo e o Kon tava de suporte pra Aimyon um pouco antes dela estourar com o último álbum mas ter a coisa toda oficial foi meio forte demais pra mim.

O fim da banda foi trending topic no Japão, chegando a ser o terceiro tópico mais discutido uma hora. (fiquei com preguiça de cortar a imagem)


O fim do Kinoko Teikoku representa o fim de uma geração de bandas japonesas, apesar de não ter tido o impacto que Andymori e Chatmonchy (ambos fizeram o último show no Budokan) tiveram, Kinoko Teikoku foi a banda que apresentou muitos gringos ao cenário musical underground japonês, por ter influências de post-rock, shoegaze e afins ao mesmo tempo que não apresentava os extremismos dos gêneros, Kinoko Teikoku era antes de mais nada uma gateway drug pra esse cenário, por mais que no Japão mesmo eles fossem só mais uma banda que conseguiu sair do underground pro mainstream.

E o que o fim da geração de bandas que surgiram no meio dos anos 2000 significa? Significa que bandas novas vão ocupar os espaços vazios. Acho que o legal da nova geração de bandas surgidas de 2010 pra cá é que os membros delas estão começando a ter a minha idade! O pessoal do Luby Sparks se não me engano são da minha idade e as meninas do Hitsuji Bungaku são um pouco mais novas.

Eu duvido que Kinoko Teikoku conseguirá ter o legado que bandas como Number Girl e Supercar tiveram, mas acho que isso se deve ao fato também de que a mentalidade do cenário na década de 90 era de criar uma identidade própria em meio à influência do rock britânico/americano, enquanto que agora a galera tá mais foda-se.

Enfim, é natural que bandas acabem, ainda mais bandas indie, mas eu ainda acho que uma parte de mim morreu junto com o fim do Kinoko Teikoku, eles foram a soundtrack de boa parte do meu ano de cursinho e começo da faculdade, e infelizmente eu não tive a chance de vê-los ao vivo, esse deve ser o maior arrependimento que tenho de não ter feito arubaito um ano antes que fosse.

Em suma Kinoko Teikoku foi uma das coisas que mais me trouxe alegria, tristeza e raiva, tudo de uma vez, e também foi o que me motivou e que me fez pensar em alguns momentos ruins que tive, e por isso sempre vou guardar um espaço no meu coração pra essa banda incrível.

Da esquerda pra direita: Nishimura Kon (bateria), Sato Chiaki (vocal,guitarra), Aa-chan (guitarra), Taniguchi Shigeaki (baixo).


E citando a última estrofe do Aruyue (e fazendo uma tradução porquíssima de uma outra tradução que achei na webs), a última música que a banda lançou que eu realmente amo:

As árvores na rua fingem não saber
Enquanto balançam gentilmente com o vento
Eu sofro sem aprender com meus erros
Porque esse mundo que sempre me amará está aqui

Obrigado por tudo, Kinoko Teikoku.

sábado, 25 de maio de 2019

Gundam, uma paixão

Acho que o primeiro anime que me fascinou de verdade foi Gundam Wing.

Eu tinha o quê? Uns sete ou oito anos e como eu estudava de tarde, eu estava liberado pra assistir o bloco de animes da Cartoon Network: Toonami. Como o pacote de TV a cabo que minha família assinava não era o pica, eu nunca pude botar minhas mãos no lendário Locomotion (que viria a se tornar Animax), o canal que só passava animes, então eu tinha que me contentar em varar as noites pra ver os desenhos da terra do sol nascente.

A grade Toonami mudava de vez em quando, quando eu comecei a assistir tinha Gundam Wing, Rurouni Kenshin (ou Samurai X se preferir), Samurai Champloo, Gakkou no Kaidan (Histórias de Fantasmas aqui) e acho que Trigun. Lembro também de passarem Ranma 1/2, Dragon Ball (o original, não o Z) e Inu Yasha.

Mas o assunto dessa vez é Gundam Wing.

Acho que por ser a primeira coisa com uma história "decente" que vi na vida, Gundam Wing me marcou pra caralho. Tinha guerra, tinha mortes, tinha treta, tinha P O L Í T I C A, tinha monólogos e tinha crise existencial (não tanto quanto Evangelion), definitivamente o pacote completo. Ah verdade, tinha ROBÕS GIGANTES TAMBÉM, PUTA QUE PARIU!

Cara, se você parar pra pensar qualquer anime de mechas é ridículo, do ponto de vista da engenharia (e da física também) só de pensar em desenvolver um robô gigantesco bípede pilotado por um único piloto dentro dele, e com armas que precisam ser empunhadas pelas mãos dos robôs ao invés de simplesmente botar no meio da cara dele... não faz sentido ALGUM, mas caralho, como é daora.

Acho que as séries Gundam em geral sobrevivem por causa do design dos mecha, eu por exemplo sempre paguei pau pro Wing Zero Custom do Gundam Wing EW, tanto que um quarto de uma mala que trouxe do Japão estava ocupada com o model kit do tal Gundam, e eu sinceramente não sei quando vou começar a montá-lo.

Mas Gundam em geral sempre me despertou a curiosidade por engenharia, é legal ver a evolução do cockpit dos primeiros Gundam pros atuais, o cockpit nos Gundams antigos era uma coisa totalmente apertada, com pequenas telas e luzes de alerta e interruptores pra caralho, o cockpit no Gundam 00 por exemplo é todo cercado por telas gigantescas, de forma que o cockpit parece ser transparente pra quem está dentro e os manches e controles parecem ser bem mais escassos e mais objetivos.

Na moral que foi Gundam que me inspirou a fazer engenharia, tanto que cogitei prestar o IME do Rio pra fazer Engenharia Bélica, não que eu amasse a ideia de fazer coisas pra matar gente, mas o militarismo de Gundam (e de Legend of Galactic Heroes) era o máximo pro Yoiti de uns 15 anos. Cogitei Aeronáutica e Naval também, tanto que estou onde estou. Curiosamente eu nunca pensei em fazer Mecatrônica, que seria a engenharia mais próxima de construir um Gundam, acho que foi porque eu já sabia que construir Gundams era algo impossível e tinha me contentado em Jet Fighters e navios de guerra.

Se vocês acompanham este blog já deu pra perceber que desencanei da ideia de virar militar (apesar de ser uma opção ainda), mas acho que sempre imaginei o legal de ter uma patente e uniforme daora sem pensar nos pormenores e nas cuspidas na cara.

Enfim, eu continuo gostando de Gundam até hoje, mesmo vendo agora os furos e absurdos da série, mas toda vez que algum piloto de Gundam fala algo nas linhas de  "GUNDAM HASHIN!" já fico com o ânimo que eu tinha quando vi Gundam Wing pela primeira vez, numa madrugada em 2005.

Enfim, é isso aí.
Agora vou lá fazer meu robô gigante enquanto é tempo.
valeu falou até mais

sábado, 11 de maio de 2019

Em busca da felicidade

Outro dia fui num evento de anime pela primeira vez desde 2013. Um amigo que conheci no arubaito convidou eu e outro amigo pra ir nesse evento, o plano original era ir pra um karaokê mas calhou de ter esse evento então a gente foi.

E achei que eu me sentiria como naquele Anime Friends que fui em 2013, meio decepcionado e desiludido com o que parecia ser algo que eu gostava muito, mas como já fui com mentalidade de que eu provavelmente não gostaria dos otakus em geral, acabou sendo até algo engraçado, tipo uma história pra contar numa mesa de bar.

Percebi também que estou ficando pra trás, não conhecia metade das músicas que botaram pra tocar lá, não manjo dos animes da season e o comportamento do pessoal em geral que vai nesses eventos já não era mais engraçado, já tava totalmente trágico mesmo.

E não é como se eu não soubesse como é ser feliz nesses eventos, ainda lembro vividamente meu primeiro Anime Friends em 2008, lembro da enorme fila que peguei no lado do Mart Center, lembro de ter pego a promoção de comprar uns 20 Mupys e "ganhar" uma bolsa térmica, lembro do primeiro model kit que comprei (que era do Evangelion ao invés de Gundam), lembro do campeonato de Animekê que tava rolando (e uma menina tava cantando White Reflection, do Gundam Wing EW, extremamente bem), lembro dos quilos de mangá que comprei e do bentô que comi no almoço. Minha alegria nesse dia estava a mil, acho que pro Yoiti de 12 anos aquilo foi o ápice da felicidade, eram milhares de pessoas num lugar que compartilhavam de (parte) do meu gosto! Um grupo que no meu colégio se restringia a umas sete pessoas no máximo, de repente parecia gigantesco naquele Mart Center com filas dando voltas no quarteirão.

Fast forward pra 2013 e eu era um recém-iniciado nas hipsterias, tinha acabado de conhecer a Shiina Ringo e já tinha abaixado a frequência com que assistia animes pra cerca de cinco por ano. A essa altura do campeonato eu era um adolescente já de saco cheio com tudo e esperançoso de que a vida universitária seria bem melhor que o TERCEIRÃO URRA URRA HEI (spoiler: não é), aí aconteceu toda aquela novela de eu estar jogando War no stand da Grow com meus amigos e de repente percebi que meu lugar já não era mais ali. Eu tava tendo um good time com o pessoal? Sim. Mas good time com meu amigos eu poderia ter em literalmente qualquer lugar, não precisava pagar quase 50 conto pra ficar jogando War e ficar aguentando uma galera otária (às vezes de cosplay) fazendo onomatopeias esdrúxulas pra lá e pra cá.

Enfim, qual seria o "meu lugar" então?

Um show underground numa venue no meio de Tokyo? Provavelmente, acho que tirando o show que fui no Studio Coast (que era um lugar maior), eu me senti acolhido em todo show que fui, mesmo não sabendo a língua local, mesmo perdidaço lá no meio.

E assim como foi com os animes, eu tenho quase certeza que meu gosto por música underground um dia vai decair e outro hobby vai surgir, por isso que não pensei duas vezes em ir por Japão e gastar toda folga possível indo em show, se uma coisa me faz feliz no momento eu vou e faço. Um dia posso me arrepender de ter ido em show pra caralho ao invés de ter saído com o pessoal? Talvez, mas naquele momento a coisa que mais me traria felicidade era ir em show, e disso não possuo arrependimento algum.

Enfim, se eu julgo os otakus felizões que frequentam eventos de anime? Obviamente, mas bem menos do que antes. Esse pessoal tá sendo feliz à maneira deles, sem prejudicar ninguém (com algumas exceções que não valem a menção) assim como também fui buscar minha raison d'être no extremo oposto do globo.

Resumo da ópera: não tenha medo de ser feliz, só não enche o saco do pessoal.

vlw flw
té mais

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Kalk Samen Kuri no Hana

Eu escrevi esse review faz umas semanas no Rate Your Music, queria postar aqui só pra ter um backup:

Finalmente tenho 23 anos, a idade que a Shiina Ringo tinha quando fez este álbum. Apesar disso acho que eu devo nascer novamente como uma mulher japonesa e ter um filho pra entender de verdade esse álbum, eu acho que dá pra ver o brilhantismo da obra mesmo fora dessas circunstâncias mas entendê-la verdadeiramente já é outra história.

E como eu disse já várias vezes: foi esse álbum que me abriu os olhos pra o que é realmente uma obra de arte, jogue fora suas pinturas de Monet, Picasso e Da Vinci, isso aqui é ARTE. A humanidade atingiu seu pico com essa obra, o que veio depois foi um desfiladeiro.

Mas falando sério, o que tem de gente que glorifica esse álbum não tá escrito, eu sou uma dessas pessoas com orgulho mas acho meio triste que pra alguns a música japonesa começa e termina aqui, acho que o cenário musical nipônico é muito grande e variado pra ser resumido neste álbum e que não dá pra viver só com isso, por mais que seja uma obra com um grau de excelência nunca antes visto.

Sinceramente, a Shiina Ringo pode fazer ABSOLUTAMENTE QUALQUER COISA que ainda vou respeitá-la só porque ela fez essa obra prima, sério. As músicas que ela anda lançando estão ruins? Foda-se, ela fez KZK. Ela pode fazer colab com artista de K-Pop, pode começar a cantar enka, pode se declarar supremacista nacionalista japonesa (que eu tenho quase certeza que ela é) que eu nem estarei chocado, esse é o nível de qualidade que essa obra tem.

Eu ouvi esse álbum pela primeira vez faz uns bons 6 anos, acho que estou pronto pra fazer review dele agora.

Não adianta eu botar aqui o contexto histórico do álbum, em suma a Shiina Ringo era a sua típica cantora-compositora talentosa no cenário mainstream do Japão que decidiu jogar tudo pros ares e fez então um álbum totalmente complexo e, para muitos, inacessível e bem experimental quando ela teve oportunidade de expandir a carreira pra fora do Japão se tivesse lançado mais um álbum mainstream. Isso importa? Não.

Também tem o fato da Shiina Ringo ter nascido com um problema no esôfago e isso fez com que ela, devido às cirurgias, tivesse o ombro direito torto e uma marca nas costas que deixavam o corpo dela um pouco assimétrico, fazendo com que ela tenha meio que uma obsessão por simetria, por isso ela fez com que todo álbum a partir do segundo tivesse uma tracklist simétrica (no número de caracteres). Isso importa? Um pouco, mas não o bastante para afetar a sua experiência com este álbum.

Ah sim, a Shiina Ringo toca neste álbum uns 20 instrumentos! É, mas a maioria é na faixa 7 onde ela literalmente toca tipo as mesmas 6 notas nesses instrumentos em cada verso. Isso importa? Não.

Os kanjis usados no livreto do CD são tão antigos e formais que nem japoneses entendem! Isso importa? Nem um pouco.

O álbum tem exatamente 44 minutos e 44 segundos de duração, 4 é o número que representa a morte no Japão e a última faixa se chama "Procissão Fúnebre". Isso importa? Não.

Quando se fala do Kalk Samen Kuri no Hana é bem fácil cair nas armadilhas que este álbum apresenta, mas jamais se esqueça que a única forma verdadeira de experimentar essa obra de arte é pegar o CD e ouvir de começo a fim, preferencialmente com headphones e num volume razoavelmente alto. A versão que tá no iTunes e no Spotify é estendida, o que geralmente é bom mas no caso desse álbum acaba estragando as pontes entre as faixas.

Ouvir Kalk Samen Kuri no Hana é que nem ler Ulysses, a primeira experiência tem que ser no escuro, sem notas de rodapé, sem explicações prévias ou spoilers. A sua experiência seria melhor se tivesse conhecido as obras anteriores do autor? Sim, mas não o bastante pra melhorar ou piorar o primeiro contato com a obra de maneira significante.

Dá pra aproveitar o álbum sem saber japonês? Dá.
Vou gostar do álbum na primeira ouvida? Depende muito, eu demorei um tempinho pra engolir mas no momento que caiu a ficha eu tive literalmente um "mindblow".
O álbum não é pretensioso demais? Olha, ninguém faz um álbum conceito de graça, a moça tava realmente querendo fazer uma obra de arte aqui, e na minha humilde opinião deu mais que certo.


É o melhor álbum já feito na história da humanidade e que jamais será superado por qualquer outra obra feita por um ser humano?
Sim.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Teste Pokémon de personalidade

Jogue fora o resultado do seu teste MBTI, jogue fora suas coordenadas políticas, o que importa é o jeito como você joga Pokémon.

Como vocês jogam Pokémon? Eu não vou nem começar perguntando se você realmente sequer JOGA Pokémon porque eu já dou dada como positiva a resposta se você é leitor deste blog, senão você tá no lugar errado.

Eu sempre joguei Pokémon de forma que eu me punha no lugar do personagem, assim como todo jogo que jogo, e eu capturava os pokémon que eu achava legais e, sim, eu me rendia à técnica de ter um HM slave mas eu jamais fui daqueles de ligar pra IV, EV e essas putarias, nature? Nunca vi. Pra você ver o nível: eu não gostava de capturar muito pokémon porque achava que tava restringindo a liberdade deles se eu capturasse e só deixasse eles no box, NEM O GREENPEACE É TÃO CORRETO QUANTO EU, isso claro tirando os lendários que eu sempre gostei de capturar mas nunca uso em time JÁ QUE QUEM USA LENDÁRIO EM TIME É CUZÃO.

Meu objetivo sempre era completar a história e fazer um time equilibrado e com pokémons que eu achasse legais, não me importando muito com meta do jogo ou qualquer merda dessas, mas sempre me guiando pela pergunta "o que eu faria se o mundo pokémon fosse o real?".

E é claro que todo mundo joga de maneira diferente, tem gente que joga pra completar a pokedéx, tem gente que joga competitivo e é maluco por EV/IV/nature e breeding, tem gente que só quer ter um good time jogando (que é minha praia), tem gente que caça shiny, tem gente que usa cheat (o que nunca fez sentido pra mim) e tem gente que quer sempre botar obstáculos na frente pra ver se consegue zerar o jogo com tal obstáculo ou outro (tipo zerar com um pokémon só) porque convenhamos, Pokémon é um jogo fácil.

Falo tudo isso porque no Pokémon Let's Go! tudo caiu por terra: como o jogo DEMANDA que você capture uma caralhada de pokémon e a nature/IV é tão jogado na sua cara, não tem como você ficar com os pokémon bostinha sem se sentir incomodado, isso acaba fazendo com que todo mundo jogue mais ou menos do mesmo jeito: capturando pra caralho e indo pelo viés mais complestista/competitivo, o que é uma bosta. Espero que o Pokémon ambientado no Reino Unido seja melhor que essa bosta que foi o Let's Go!, COMPREI O SWITCH PRA JOGAR POKÉMON, PORRA.

Mas enfim, qual é sua personalidade de acordo com o teste Pokémon de personalidade (válido até os jogos de DS, quando começou a ter EXP Share como key item já desandou a porra toda)?

  • Tem como objetivo completar a pokedéx: uma pessoa normal que provavelmente gosta de colecionar outras coisas também, nem sempre coisas úteis, nem sempre com preços razoáveis;
  • Joga competitivo sempre atualizado de qual é o meta atual, e analisando os IV/EV/Nature e breedando até o cu: participaria de rinha de galo apostando quantias não razoáveis (se já não participa) e se for muito maníaco com breed se daria bem discutindo eugenia com gente de moral questionável;
  • Joga pra se divertir e tá pouco se fodendo: pessoa fodida na vida que só quer se divertir sem compromisso;
  • Joga os Nuzlocke da vida: é exatamente o tipo de gente que zera Dark Souls com a guitarra do Guitar Hero, doente (num bom sentido acho?);
  • Usa lendário no time: subhumano;
  • Usa cheat NUM JOGO DE POKÉMON: queima.
E é isso, espero ansiosamente o Pokémon Sword/Shield.
vlwflw té mais