sexta-feira, 19 de julho de 2024

Calma pessoal, depois da copa de 2014 tudo vai melhorar

Eu tava vendo se escrevi sobre, mas não, tinha escrito um post falando como a Copa tava daora, depois um post sobre o Orkut e o 7x1 não foi citado na época. Obviamente eu citei o 7x1 em posts depois, e talvez até citei como se passou os acontecimentos daquele dia, mas o 7x1 fez 10 anos uns dias atrás e queria lembrar daquele dia fatídico.

A Copa de 2014 é uma coisa que lembro bem até hoje. Eu estava fazendo cursinho naquele ano, apesar do eu de 17 anos proclamar "Preciso passar na Poli direto pra presenciar a Copa do Mundo na faculdade!" acabou não rolando e lá estava eu, no Etapa São Joaquim em plena Copa do Mundo.

O Yoiti recém com 18 anos estava todo serelepe de ser um adulto responsável, porém bancado pelos pais, e queria marcar rolê com os amigos do Ensino Médio pra ver todos os jogos da copa. Ver os jogos nos estádios estava meio fora de cogitação porque os ingressos estavam caros e acabaram bizarramente rápidos, o que era o esperado obviamente.

Então marcamos pra ver o jogo de abertura em algum bar! Mas rolou boato (isso foi antes do termo Fake News se popularizar) de que o PCC iria passar ATIRANDO nos bares por qualquer motivo que seja. Aí acabamos miando do plano de ver o jogo, apesar que hoje em dia eu super toparia ir num bar com perigo de levar tiro hmm... mas enfim.

Passa pra frente e tivemos a chance de ver o jogo contra o Chile (aquele que o Brasil quase perde nos pênaltis e o Thiago Silva chorou e tudo mais), e escolhemos aonde pra assistir tal jogaço? Sim, o Sukiya.

Cara, pro algum motivo, o Sukiya em 2014 decidiu instalar TVs onde iam passar todos os jogos da copa que fossem transmitidos na Globo. Agora imagina a situação: dia de jogo do BRASIL, a copa era no BRASIL, a cerveja no Sukiya era bem barata até e porra, o que melhor que uma porção de karague pra acompanahr o jogo? O Sukiya da São Joaquim estava cheio pra tal evento certo??? Certo???

No Sukiya da SJ no dia do jogo do Brasil contra o Chile só tinha TRÊS MESAS com gente durante o jogo: a nossa, a de uns nerd jogando Yugioh (que não estavam lá pelo jogo, claramente) e um casal que deve ter parado pra almoçar e ficou pra ver o jogo por conveniência.

Mas enfim, esse jogo foi suave. Saímos depois da disputa de pênaltis e fomos tomar um sundae no Mcdonalds do lado. Tanto o Sukiya quanto o Mc a qual me refiro foram demolidos pra expansão da Linha 6, eles reabriram em outros lugares perto um tempo depois.

Eis então que o Brasil passa também da Colômbia, num jogo tão dramático quanto o anterior, só que dessa vez foi o Neymar levando uma joelhada na coluna do ZUÑIGA e a cobertura da mídia na época parecia noticiar uma tragédia nacional, mal esperavam que...

ALEMANHA! Brasil na semifinal pela primeira vez desde 2002! E em 2002 a gente faturou a Copa!!! Porra, otimismo pra caralho, todo brasileiro confiante que BERNARD ALEGRIA NAS PERNAS iria levar nosso ataque, quem é Neymar afinal? 

E bem nesse dia todos meus amigos estavam livres pra vir no meu apartamento pra gente ver junto o jogaço que seria aquele!! NOVENTA MILHÕES EM AÇÃO, PRA FRENTE BRASIL! SALVE A SELEÇ-

7x1 SETE A UM!!!!!

LEVAMOS SETE GOLS

A gente nem viu o segundo tempo, mudamos o input da TV pro HDMI2 e ficamos jogando PES 2010 narrado em português de Portugal no meu Xbox 360 desbloqueado pro resto do jogo.

Foi um misto de descrença e tristeza, mas também de risadas e a demorada sacada de que não éramos mais um país digno da alcunha de "país do futebol". 

Foi a partir daí que eu liguei o foda-se pra Seleção Brasileira e comecei a torcer mais pelo Japão, apesar de 2014 ter sido o último ano em que o Japão jogou mal mesmo, 2018 e 2022 foram anos bem melhores, o mesmo não pode ser falado do Brasil.

Eu sequer lembro onde estava quando vi os demais jogos da Copa de 2014, acho que em casa sozinho, mas aquele dia do 7x1 foi um dia a ser lembrado, graças a deus que não escolhemos aquele jogo pra ver no Sukiya, imagina só? O Sukiya (com a decoração antiga) já era depressivo, ver o 7x1 em um faria me jogar do Viaduto Pedroso logo depois de sair do restaurante.

Enfim, passou. A Seleção Brasileira continua a mesma merda, ou melhor, conseguiu piorar. Mas as chances do Hexa permanecem as mesmas: zero.

E é isso, 2014 foi o último ano que realmente estive MOTIVADO por algo: minha vaga na Escola Politécnica da USP. O resultado desse empenho todo pode ser lido nos meus últimos 10 anos de blog.

Por hoje é só, caros leitores.

vlw flw, té mais!

terça-feira, 9 de julho de 2024

Professor Yoiti

Eu dei uma aula a distância, uma presencial e participei da festa junina do Cursinho. Já posso me chamar de professor?

Se vocês não leram meus últimos posts ou não convivem comigo diariamente: comecei a dar aula em um cursinho popular lá na USP. Foi uma ideia que minha irmã me deu depois de eu ter descoberto que trabalho voluntário é legal, desde que todo mundo esteja curtindo.

Mas enfim, poucas vezes na vida eu cheguei perto de dar algo que pudesse ser chamado de aula, mas mesmo assim eu me candidatei pra ser professor em um cursinho popular, e deu certo, fui aprovado.

A primeira aula foi a distância, já que só dou aulas aos sábados e naquele sábado em específico a USP tava fechada por conta de feriado prolongado, e foi bem PELO O QUE EU TINHA PERCEBIDO.

A segunda aula, que foi presencial, foi um desastre.

Não, é exagero meu, mas me embananei todo usando a régua de lousa nos horríveis quadros brancos da FEA e fazer o círculo usando o barbante é mais difícil do que eu esperava. 

E sabe aquela cara de bosta que você faz quando não entende porra nenhuma? Presenciei várias delas naquele dia.

Isso me fez lembrar como alguns professores são bem avaliados por "saberem" de bate pronto quando um aluno tem dúvida, porra, é impossível ignorar a cara de "mano que porra tá acontecendo" de um aluno de cursinho numa aula de geometria às 9h da manhã, eu só não sabia muito bem como lidar com tipo 70% da sala com a mesma cara, além de perguntar um "gente, alguma dúvida? certeza?" e assim a vida, e a aula, seguem.

Enfim, aí teve festa junina do cursinho no último sábado e vou ter mais outra aula nesse sábado. Estou começando nessa carreira de professor aos sábados e vamos ver onde vai parar. 

Eu acho que é uma coisa tipo mil vezes mais importante e desafiador que o meu último trabalho voluntário, e quer queira ou não, é um outro trabalho. Não vou pra FEA de sábado pra fazer takoyaki, vou lá pra fazer algo bem menos divertido, mas bem mais recompensante.

É isso, vamos ver até onde a saga do Professor Yoiti vai. Eu gosto bastante do projeto do cursinho popular e acho que é uma das coisas que devia ter participado quando estava na Poli, mas vida que segue.

Eu to com um monte de posts na fila, e deixo registrado que estava pensando em escrever sobre os dez anos do FATÍDICO DIA do 7x1, acho que vale o post pelo contexto todo, e pra dar uma nostalgia.

é isso, vlw flw, té mais!

domingo, 26 de maio de 2024

Sushi de batchan

Hoje participei de uma gincana japonesa (Undokai) e o almoço foi no esquema motiyori: cada um levava um prato, comi uns sushis e onigiris lá e isso me deu ideia de um post.

Tem um tipo de sushi que todo nipo-brasileiro com um pouco de contato com a comunidade já comeu: o sushi de batchan.

O sushi de batchan, ou sushi de vó japonesa, é um clássico: um futomaki (ou makisushi) com diversos recheios que podem ser aleatórios a depender da época.

Futomaki que você já deve ter visto em vários lugares, amado por todos os japoneses. Peguei a imagem do Just One Cookbook meu site favorito para receitas de comida japonesa

E cara, é o tipo de sushi que você NUNCA vai ver em nenhum restaurante. Os ingredientes são bem característicos, o tempero no arroz é bem diferente de qualquer tempero de arroz de restaurante e você sente que na confecção do sushi teve AMOR.

E isso me leva a outro ponto: não é raro uma pessoa me ver, eu um japonês gordo, e perguntar: qual o melhor restaurante japonês que você já comeu? E dou a maior trucada que pouquíssimas pessoas podem chamar seis: falo de um restaurante que não existe mais.

O restaurante japonês que considero ser o melhor que já comi é o Kotobiya. A dona/cozinheira/chef/manager acabou indo pro Tanka, muito provavelmente num cargo alto, e o Kotobiya já ficou na memória faz mais de dez anos. 

Mas o que o Kotobiya tem a ver com o começo do post? Era o único restaurante que todo sushi tinha gosto de "sushi da batchan". Não só o futomaki, mas todo sushi lá tinha gosto de realmente caseiro, e caseiro feito por vó mesmo. É uma coisa que eu nunca achei em nenhum lugar e imagino que não deva achar facilmente.

"Mas e o Tanka pra onde a dona foi depois que fechou o Kotobiya?". Lá no Tanka ela não cozinha diretamente (EU ACHO) então o sushi não tem o mesmo toque. E uma coisa que sempre me perguntei foi como chamaram ela pro Tanka sendo que o Kotobiya tinha uma proposta totalmente inversa. Os dois eram buffets à vontade (com ressalvas para certas peças que eram sob demanda, mas ainda inclusas no valor do Kotobiya, pra estarem sempre frescas) mas um era totalmente intimista e caseiro e outro é quase um complexo industrial pra sempre ter sushi pra um salão enorme.

Mas porque então é tão raro ter sushi caseiro disponível pra um público geral? Tenho minhas teorias.

Acho que os maiores diferenciais do sushi caseiro ao de restaurante são o tempero do arroz, os ingredientes em pratos com mais liberdade "artística" e a forma que o peixe cru é cortado. O ponto sobre o corte do peixe é um negócio totalmente da minha cabeça que pode muito bem ser maluquice minha, mas o tempero do arroz é o primordial, é diferente.

O tempero pra sushi é uma mistura de vinagre de arroz, açúcar, sal e alguma fonte de dashi, muito provavelmente kombu seco. Então deve ter alguma proporção maluca que os restaurantes fazem e que as avós japonesas fazem diferente? E por algum motivo todas as avós japonesas e todos os restaurantes estão em extremos opostos de como fazem essa mistura? Enfim, muitas perguntas.

O negócio dos ingredientes é a tendência das avós japonesas tacarem tipo vagem ou cenoura no futomaki. Cara, pra ser bem sincero eu não gosto (da vagem, amo cenoura num kimbap), mas vagem é muito aleatório, a textura do negócio não combina com o tamagoyaki ou o pepino ou o kani, mas porra se não me sinto sendo abraçado por uma batchan de 90 anos quando como um futomaki com uma vagem dentro.

No Japão eu queria ter ido num lugar que vendesse sushi caseiro mas é um tipo de combinação que você não acha fácil: os restaurantes caseiros de velhinhos no Japão são em sua maioria de lamen, tonkatsu, bento ou algo quente e (tecnicamente) fácil de se fazer, e sushi é ou caro ou aqueles de esteira, sepá eu realmente perdi a maior chance de comer um sushi caseiro do Japão mesmo.

Eu até tentei fazer sushi em casa mas não curti muito o resultado. Não ficou ruim mas deu trabalho e um futomaki decente na Liberdade tá tipo 20 conto? Bem menos do que o que gastei nos ingredientes. Talvez o segredo seja que não sou uma avó japonesa.

Mas é isso. Meu sushi favorito da vida foi num restaurante no meio de Moema que não existe faz mais de 10 anos e você só pode degustar um tipo extremamente particular de sushi em eventos da comunidade nipo-brasileira, fica aí o convite agora que esses eventos estão sendo bem frequentes.

No mais é isso. Estou participando de vários eventos da comunidade nipo-brasileira e isso talvez esteja sendo mais útil pra achar minha identidade do que ir pro Japão trabalhar feito escravo numa fábrica na puta que pariu só pra ser gritado por um japonês filho da puta, quem diria.

É isso, é isso, é isso!

Vlw flw té mais!

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Fui pra Curitiba procurar o sentido da minha vida mas só achei comida boa, suco de uva e salame

Eu estou escrevendo mais dois outros posts além deste mas o bloqueio veio e entrei numa crise existencial.

Eu viajei pra Curitiba.

Tenho um amigo antiquíssimo, talvez uma das amizades mais antigas que mantenho até hoje, que mora em Curitiba desde 2014 por causa da faculdade e, assim como meus amigos que estudaram fora de São Paulo (Campinas e São Carlos no caso) sempre falou de ir visitá-lo e tudo mais, no final a única visita que rolou mesmo foi pra Curitiba.

Eu já tinha ido com mais dois amigos lá pra Curitiba em 2019 mas na época foi mais pra curtir a juventude, dessa vez foi pra fugir de São Paulo. Não me entenda mal, eu amo São Paulo de coração mas quando você pega 15 dias de férias do trabalho, a última coisa que você deseja é passar esse tempo todo na cidade.

Eu, aliás, tinha um monte de planos do que fazer nesse meio tempo: assistir o seriado do Fallout, ver uns filmes asiáticos e estudar pra prova no meu trabalho e preparar as aulas do cursinho que vou começar a dar aula no próximo fim de semana, fiz alguma dessas coisas? Nope, não completamente pelo menos. Fui acometido por uma crise existencial e questionei absolutamente tudo na minha vida, além de ter pego uma virose e ter ficado com a pior dor de barriga que já tive nos últimos anos. Nisso tudo aí a viagem pra Curitiba já tava planejada mas ela passou de um simples passeio pra uma busca intrínseca por algum sentido de vida, ou algo nessas linhas mas não tão dramático.

Foi uma viagem normal, onde a gente comeu pra cacete e passeamos por lugares que não tínhamos ido na viagem de 2019. A cidade de Curitiba sempre me pareceu uma mistura de bairros nouveau-riche paulistanos com uma imagem deturpada de uma cidade europeia importante-mas-nem-tanto, mas é um lugar bacana de ir pra passar umas férias. Se eu moraria lá? Acho que sim. Não é toda cidade do mundo que é São Paulo (graças a deus) e ir pra uma cidade com a mesma população de quatro bairros de São Paulo (juntos) é definitivamente uma experiência, só aceitaria um sistema de metrô lá pra melhorar a locomoção.

Mas enfim, foi uma boa viagem pra esquecer um pouco de tudo, inclusive das coisas que eu devia ter feito nas férias. Voltei pro trabalho já hoje (16/05) e vi que dormir mais de 10h por dia durante 15 dias seguidos talvez não seja a coisa mais produtiva.

E agora? Agora me vejo encarando longos meses sem férias (minhas próximas são em Novembro!) e preciso ver o que faço da vida, de uma forma mais específica pelo menos. Eu estou relativamente estável, confortável e definitivamente poderia estar pior, mas poderia estar melhor também.

É isso, vou postar essa porra logo e provavelmente o próximo post volta ao assunto usual: música japonesa.

vlw flw

té mais!


terça-feira, 9 de abril de 2024

Mano, vocês não sabem o quanto eu quero sair na porrada com alguém hoje

Cara, achei que era um tema que já tinha falado aqui mas dei uma busca rápida e não achei nada sobre, então preparem-se pra ler um fluxo de consciência enorme de longo sobre uma das minhas maiores paixões: DELINQUENTES JAPONESES.

Não vou mentir pra vocês, meu maior sonho durante o ensino médio era me meter em briga na escola, mas óbvio, um japonês gordo que (na maioria das matérias de exatas) era o top 1 da turma- ah um adendo pra não me xingarem depois: o Romito (meu amigo falecido) era o melhor em química e história, um outro amigo meu era o melhor em física e eu era o melhor em matemática, mas por algum motivo meu conhecimento de ensino médio era bem espalhado (em tudo menos biologia e gramática) e eu conseguia notas melhores que todo mundo nos vestibulares DURANTE MEU ENSINO MÉDIO (depois desgringolou a porra toda) mas enfim, voltando - não é a pessoa mais provável de se meter em briga na escola certo?

Em 2008 eu mudei da turma de tarde pra manhã, um cara tentou me encher o saco, quebrei o braço dele.

Cara, pode parecer mentira falando assim mas te juro que aconteceu, acho que ninguém daquela turma lê meu blog ainda, mas algumas pessoas que ficaram na turma da tarde ainda leem este blog e elas podem confirmar que quebrei um braço quando tinha tipo 12 anos. Mas o que aconteceu depois? Virei amigo do cara. Foi a época que mais curti antes do meu terceirão (URRA URRA HEI!) porque eu ganhei a chave de casa e eu podia dar os rolês mais Yoiti de 12 anos tipo ir pra Liberdade comprar carta de Yugioh (coisa que faço até hoje) e sair com os amigos pra comer McDonalds (coisa que faço até... é minha vida não mudou muito), mas enfim, na minha visão pelo menos o cara tinha virado um amigo, mas foi só aquele ano mesmo e depois a gente meio que perdeu contato. O negócio é que fiquei meio com a fama de ser o cara que quebrou o braço do maluco que era o mais coisa ruim da turma, e ele nem falou pra coordenador ou nada do tipo porque né, com que cara que o maior mal elemento da série ia falar pro diretor que o japonês nerdão recém chegado da turma da tarde QUEBROU O BRAÇO dele? Ficou por isso mesmo.

E acabou que nunca briguei na escola, nem apanhei nem nada. E sempre fui lerdão o suficiente pra não perceber se estavam zombando de mim ou simplesmente não me importava, eu tava numa escolinha de bairro tentando passar na Poli, não podia me importar menos com panelinhas e o caraio (nota-se: não tive namorada no ensino médio).

Falei isso tudo pra quê? Nada. 

O negócio é que sempre tive um amor imensurável por mangá/anime de delinquente, acho que o mais icônico dos últimos tempos é o Tokyo Revengers.


Cara, é um ótimo mangá pra quem curte porrada sem poderzinho. Apesar de ter sim time travel e os caraio e o último arco ser UMA MERDA QUE ESTRAGOU A OBRA INTEIRA, a porradaria é do caralho. 

Aliás, não se assusta com a suástica aí no uniforme do cara, pra explicar melhor eu teria que sair numa tangente enorme aqui mas pra resumir: a gangue principal do Tokyo Revengers é baseada numa gangue de verdade que existia no Japão que se chamava Black Emperor e... aqui tá umas fotos deles:


Tem um documentário ótimo sobre a gangue e sobre esse movimento de gangues em geral do Japão dos anos 60~70 chamado Godspeed You! Black Emperor. E ah, o uso da suástica pelo o que entendo é devido ao Budismo, pode parecer passação de pano mas essas gangues (inclusive do Tokyo Revengers) usa a frase do Buda como lema, então julgo que eles não são nazistas japoneses.

Enfim, tem outras obras que amo de coração que são sobre essas gangues de delinquentes no Japão:

Shonan Junai Gumi, que viria a dar origem a um dos meus mangás favoritos: Great Teacher Onizuka
Rokudenashi Blues, é um mangá de boxe também, mas o tema principal é os moleque metendo porrada fora do ringue

Rookies é o mangá pra você que se pergunta como seria um mangá de baseball mas com delinquentes, e foi tipo meu quarto mangá de baseball que li mas foi o PRIMEIRO que soube explicar bem as regras pra uma pessoa que não tinha a mínima noção sobre

Wind Breaker é a resposta da pergunta quase centenária "como seria um mangá sobre delinquentes mas EXTREMAMENTE SHOUNEN SÉC.XXI?" seria assim, meio paia pra falar a verdade, mas legal

 

Enfim, mas o que é tão legal nesses mangás de delinquentes juvenis? Poxa, tem toda a romantização do, sejamos sinceros, equivalente das torcidas organizadas daqui só que no Japão. Tem todo o negócio de camaradagem, código de ética mesmo sendo à beira da lei, porradaria desenfreada, emoções à flor da pele, etc. e tipo, todo mangá desse gênero é mais ou menos previsível: sempre vai ter o protagonista que vai apanhar, vai ter um cara pica que vai ser o mentor, vai ter um antagonista que é muito foda individualmente mas perde porque ele não tem o poder da amizade, vai ter a menina que é o interesse amoroso do protagonista que parece frágil no começo mas vai se mostrar forte no clímax da história e vai mudar o protagonista, enfim, é uma lista infindável de clichês desse tipo de obra que simplesmente amo, eu poderia ver infinitas combinações e jeitos diferentes de desenrolar um bom mangá de delinquentes que acho que nunca me cansaria.

E sei lá, acho que sempre quis ter um sentimento de pertencimento a alguma coisa, tanto que eu usei minhas camisetas e moletom da Poli por MUITO tempo, pra sentir o pertencimento à grandiosa Escola Politécnica (mas não o suficiente pra entrar pra alguma entidade). Pensei por muito tempo a possibilidade de ir pras Forças Armadas também, ideia essa que graças a deus não foi pra frente. E queria também meter porrada pra ver se isso melhoraria minha relação com a sociedade(?), quando eu tinha 13 anos, e assisti Fight Club pela primeira vez, eu juro que achei a ideia de bater em estranhos aleatórios no porão de um bar uma ideia incrível.

No final eu quis ter o sentimento de pertencimento, mas sem me dedicar a isso, e queria meter porrada, sendo que nos anos que fiz (e faço ainda) karate eu evito lutar porque to com o corpo todo fodido, além de que quando eu fico PUTO PUTO (o que ocorreu recentemente, quem sabe sabe) eu só grito com a pessoa, eu nunca dou um murro em quem me deixa puto, tenho autocontrole, um pouco. Vou deixar pra próxima vida esse meu sonho de ser delinquente, ou eu entro na Torcida Jovem do Santos HMMMMMMMMMMMMMM...

E acho interessante esses delinquentes, que no Japão chamam de Yanki ou Bosozoku (esse termo no caso seria mais pras gangues de motoqueiros), surgiram muito por causa do pós-segunda guerra onde os recrutas jovens não se ajustaram à sociedade japonesa dos anos 50 e viram refúgio nas modificações de carros e motos e brigar entre si.

Enfim, me dispersei pra cacete aí mas continuo com a vontade de sair numa porrada franca com alguém, meu deus como eu queria ser um delinquente juvenil no Japão do começo dos anos 2000.

Enfim enfim, é isso. Eu acho que poderia escrever algo melhor sobre o tema mas aprendi que se eu deixar esse post no rascunho pra terminar outra hora, essa merda nunca vai ver a luz do dia, agora só faço post se conseguir desenvolvê-lo em uma sentada, senão vai pra gaveta do esquecimento junto aos meus inúmeros posts que tinham uma boa ideia neles mas perdi completamente a vontade de terminá-los.

É isso pessoal, obrigado pro perderem tempo lendo esse amontoado de palavras sem coesão.

Valeu, falou, té mais!

quarta-feira, 3 de abril de 2024

NEVER GIVE UPPPPPPP

Cara, um tipo de mídia que sinto muito falta hoje em dia são as músicas e animes e essas coisas em geral EXTREMAMENTE MOTIVACIONAIS.

 
 
 
 
 
No final dos anos 90/começo dos anos 2000 era muito moda todo anime minimamente shounen ter uma abertura super motivacional e a própria história desses animes da época tinham muito esse negócio de superar adversidades E ACREDITAR QUE SEU POTENCIAL DE MELHORAR NÃO TEM FIM, acho que isso é muito do porquê de clássicos como Dragon Ball ainda fazerem sucesso no mundo todo.
 
 
 
Mas pessoalmente, quando penso num anime e abertura extremamente motivacionais, me vem um shounen relativamente obscuro: Buso Renkin. E o mangá/anime é bem tosquinho, a história é meio corrida e você SENTE que o negócio foi feito pra ser HYPE e MOTIVACIONAL, e cara, a abertura é o ápice de CARALHOOOOOOOO FODASSSEEE EU CONSIGO TUDOOO


Enquanto eu procurava essas músicas aí pro post, eu ouvi Makka na Chikai (a abertura de Buso Renkin, vídeo acima) pela primeira vez em uns 10 anos e puta merda, chorei por uns 20 minutos.

Acho que nem foi o usual "meu eu de 10 anos atrás estaria decepcionado comigo" mas sim um "onde foi que deixei de ser honesto com meus sentimentos?".

Tive uma crise emocional.

Poxa, onde foi que deixei de achar legal me esforçar pra alcançar meus objetivos, onde foi que comecei a pensar que nada valia muito a pena? Acho que muito disso vem só do fato de crescer, de perder a paixão e desistir dos sonhos, de se ver dopado pra não ter crises de ansiedade e de ter que deixar de pensar como uma criança.

E tipo, isso nem é só eu ou só restrito ao amadurecimento das pessoas, hoje em dia os animes shounen já não tem essa motivação hype que existia antes, porra sei lá, eu nem acompanho mais anime novo mas não tem nada NA CARA que seja motivacional e que fale pra você correr atrás dos seus sonhos e o caralho, morreu esse otimismo inocente do começo dos anos 2000.

Aaahh sei lá cara, sei lá. Sinto que só estou apanhando da vida faz um tempo e ouvir Makka na Chikai me fez levantar, o que me lembra a coisa mais motivacional criada no ocidente:



Se essa pequena crise numa noite de terça-feira vai dar em algo? Talvez sim talvez não, mas diferente das demais crises que me fazem escrever neste blog numa madrugada meu desejo de morar em Shimokitazawa, isso não foi uma punhetagem mental pra me fazer sentir bem massageando meu ego, isso foi realmente um choque de realidade que a abertura de um anime de uns 20 anos atrás causou em mim. Vou botar umas versões dessa música aqui abaixo já que não tem versão decente da abertura no Youtube.


  






Uma das minhas versões favoritas é essa última, se tem uma música pra ser cantada por umas 20 pessoas num coral uníssono é essa.

Enfim, eu ia falar de Digimon também mas acho que Makka na Chikai passa muito bem a mensagem que eu queria. Mas fica aqui a melhor abertura em português de Digimon:


E falando de Digimon temos que botar aqui também a música que você vai me ouvir cantando no karaoke algum dia se já não me ouviu cantando:


E só queria terminar este post lamentando a morte do Akira Toriyama, sepá escrevo um post mais focado em Dragon Ball (por isso não escrevi muito sobre aqui) mas minhas manhãs como pimpolho vendo Cartoon Network ou Globo não seriam iguais sem ele, obrigado Toriyama.

Enfim, é isso. Vou ver se faço uma playlist com música japonesa motivacional.
Valeu, falou! 
Até mais!

quarta-feira, 20 de março de 2024

Porra cara, acho que sou otaku mesmo

Eu morei praticamente minha vida toda na Liberdade, tirando breves períodos na Vila Mariana (durante a pandemia) e meus três meses no Japão, e acompanhei a transformação total desse bairro.

Pera, este não vai ser um post sobre o bairro da Liberdade (de novo), vai ser sobre como eu enxergo minha identidade como OTAKU.

Porra, é uma longa história: eu comecei a gostar de mangás/animes quando assistia Shaman King na finada finada Fox Kids e meu primeiro mangá que comprei foi um Shaman King volume 5, da época que os mangás tinham uma qualidade BEM MERDA e preço que justificava aquela merda: menos de 5 reais. Enfim, isso foi o quê? 2004? De lá eu comecei a comprar mangás, piratear animes e acompanhar os que passavam na TV aberta e na finada finada Toonami: Samurai X, Gundam Wing, Samurai Champloo, etc. e isso me trouxe várias amizades na escola e em todo lugar que fosse, porque o que mais tinha em qualquer lugar cheio de pirralho no começo dos anos 2000 era fã de anime.

Até que veio Naruto, lá por 2006/2007. Acho que esse foi o maior divisor de águas pra fãs de anime na época porque foi o que trouxe o negócio pro mainstream de verdade. Pokémon era mainstream? Era. Digimon? Também. Mas ainda eram tratados como desenhos animados, mas Naruto não, Naruto era sem sombra de dúvidas um anime: tinha ninja pô! Mas eu odiava Naruto pra falar a verdade.

No começo dos 2000 a comunidade otaku era bem diferente da de hoje em dia, era tudo mais amador, tudo mais feito com paixão (por parte dos fãs) e os eventos eram um bando de cabaço num galpão no meio da puta que pariu (leia-se Mart Center) e todo mundo era estranho, mais que hoje! Os estranhão da Liberdade de sábado de noite não chegam aos pés dos otakus que ficavam na praça nos anos 2000.

E tinha o Orkut! Cara, o quanto de treta que eu me metia por falarem mal de, sei lá, Megaman ou Death Note, eu não tinha nem 15 anos na época.

Mas e eu? Cara, minha relação com animes sempre foi meio de vergonha, eu sempre curti e sempre curti tudo do Japão mas sempre tive vergonha de assumir isso. Sei lá se é porque minha irmã sempre odiou otaku ou se eu tinha medo de sofrer bullying mas...

Ah, calma lá.

Eu perdi medo de sofrer bullying em 2008, porque quebrei o braço do cara que mais me enchia o saco e, por questões de respeito e hierarquia entre quem fazia esse tipo de merda, eu não fui muito incomodado até me formar naquela escola, isso me lembrou que eu comecei a assumir que curtia animes e essas otakisses lá por essa época mesmo, já que não tinha mais medo de sofrer bullying, e foi em 2008 mesmo que fui pro meu primeiro Anime Friends.

E foi nessa época que gostar de animes, HQs e essas merda ""geek"" em geral deixou de ser coisa de perdedor e virou mainstream, muito por causa do Big Bang Theory (um dos maiores crimes já feitos em forma de seriado) e o começo do MCU com Iron Man acho? Enfim, mesmo assim eu nunca usava nada de anime, nem chaveiro, nem camiseta, nem nada. Achava paia.

E isso se estendeu até a faculdade também, eu me importava menos em parecer otakão na Poli mas não era algo que abraçava EM PÚBLICO, foi nessa época que parei de ver animes e dei uma diminuída nos mangás também. Fui pro Japão mas nessa época eu tava bem mais pilhado em ver minhas bandas do que ver otakisses, tanto que (comparativamente) eu peguei bem menos coisa de anime que de bandas que curtia lá, apesar de eu ter me rendido às pelúcias...

Pelúcias hehehe


Só que veio a pandemia e tive que arranjar algo pra fazer.

Foi nessa época que voltei a ler mangás e um tempo depois voltei a comprá-los, algo que tinha parado de fazer desde que voltei do Japão.

Aí achei Oshi no Ko.

Poxa vida, sei lá que merda aconteceu mas eu fiquei encantado com Oshi no Ko. Acho que foi o conjunto de eu estar vidrado em Vtubers e idols, sei lá, mas amei demais Oshi no Ko antes mesmo da adaptação pra anime.

E acabei comprando coisa pra caralho de Oshi no Ko.

Camiseta? Comprei.


 

Poster holográfico da Shopee? Claro.


 

Chaveiros do AliExpress? Sim.



 

Chaveiros de gacha que fiz um amigo meu comprar na China? Também.


 

Enfim, tem mais uns chaveiros mas o negócio é: eu nem percebi.

Eu ando perdendo a vergonha de PARECER ser um otaku desde que voltei do Japão mas como minha irmã diz pra mim: agora parece que quero mostrar. Talvez seja verdade, mas acho que isso nem se restringe a anime: metade do meu guarda-roupa hoje é camiseta de banda e um adendo: TODAS originais compradas ou em shows ou no site oficial da banda, e só 3 se enquadram nesse segundo caso: uma da Ichiko Aoba que comprei junto com o lyric book assinado e dois do MOTFD que comprei num kickstarter pra turnê americana da banda.

Pô velho, respeito totalmente quem segue aqueles perfis de se vestir bem e os caralho (e virar um NPC), mas tomei gosto por vestir o que gosto, vestir meu coração à mostra mesmo. 

Ser apaixonado não é paia, é super daora rapaziada.

Se pessoas me julgam por ir trabalhar com camiseta de anime e shorts Nike num ambiente onde boa parte vai minimamente social? Sim? Mas eu me importo com isso? Não?

Enfim, é isso. É legal ser paia, foda-se se vão me achar estranho, tenho 28 anos e tenho PREGUIÇA, vou lá ser feliz vendo anime e jogando joguinho de luta.

É isso pessoal, escrevi esse post porque acho divertido o pessoal tendo vergonha alheia das coisas de anime que uso. Hoje eu não inspiro muito respeito em nada que faço mas pretendo usar uma camiseta de anime num ambiente que camisetas de anime não entram normalmente, acho legal o contraste.

No mais, é isso, hoje eu estava inspirado acho.

Valeu, falou, té mais!