quinta-feira, 22 de junho de 2023

Shoegaze

Eu tava conversando com meu amigo outro dia sobre shoegaze, já que a namorada dele gosta e ele, por osmose, começou a ouvir um pouco também. Como eu estou afim de escrever sobre música, acho que focar em algo que vai (um pouco) além do Japão pode ser uma boa.

Mas enfim, o que é shoegaze?

Bem, segundo a Wikipedia:

"Shoegaze (originalmente chamado shoegazing e às vezes confundido com "dream pop")[8][9] é um subgênero do indie e rock alternativo caracterizado por sua mistura fluída de vocais obscuros, distorção e efeitos de guitarra, feedback e volume avassalador.[10][11] Surgiu na Irlanda e no Reino Unido no final da década de 1980 entre grupos neopsicodélicos[9] que geralmente permaneciam imóveis durante apresentações ao vivo em um estado de distanciamento e não-confrontamento.[8][12] O nome vem do uso pesado de pedais de efeitos, já que os artistas costumavam olhar para seus pedais durante os shows."

Eu não quero ficar repetindo coisa que dá pra achar bem mais bem escrita na internet, mas Shoegaze é basicamente rock triste pra gente introvertida, mas que foca mais no instrumental (leia-se guitarras EXTREMAMENTE distorcidas) para passar a introspectividade ao invés de contar só com as letras, eh acho que só ouvindo mesmo pra saber como é o estilo mesmo.

Eu pra falar a verdade já fui mais fã de Shoegaze, e também do Dream Pop que é um gênero irmão, mas ainda gosto bastante de algumas músicas do gênero, ainda mais de vertentes mais puxadas pro indie ou até pro twee.

Cara, eu não quero fazer aqui um guia de como você deve explorar o gênero, até porque isso tem aos montes na internet, mas vou mostrar aqui mais ou menos como foi minha jornada descobrindo novas bandas e outros estilos.

Quando você quer começar a ouvir Shoegaze, existe UM álbum que é o mais importante, o mais amado e o que influenciou tudo o que veio depois: Loveless do My Bloody Valentine.

 

Acho que não é necessariamente onde tudo começou, já que o próprio My Bloody Valentine tem um álbum anterior e dá pra traçar as origens do estilo com bandas de dream pop, mas é indiscutível que este é o álbum mais importante do gênero.

Depois desse álbum os dois mais importantes são Souvlaki do Slowdive e Nowhere do Ride.


 

Pronto, agora você já tem o básico pra ter conhecido as vertentes mais importantes do Shoegaze: 

  • A vertente mais pura (ou noise) com o Loveless;
  • A vertente mais Dream Pop com Souvlaki;
  • A vertente mais Rock Alternativo (quase Britpop) com Nowhere.

A partir daqui você pega o que mais gostou e aprofunda mais, eu sempre gostei mais de Slowdive e Ride do que My Bloody Valentine então sempre busquei bandas que fossem mais do lado dream pop/indie e que tivessem uma influência de Shoegaze.

Um chart que ajuda muito você a se localizar é esse aqui (além de facilitar meu trabalho):

 

Tem algumas coisas que discordo aí tipo o álbum do Candy Claws estar muuuuito pro lado do Loveless ao invés do Souvlaki, mas só pelo fato dos álbuns japoneses estarem aí já me deixa bem feliz. O Ceres and Calypso do Candy Claws aliás é um dos meus álbuns favoritos da vida, por favor ouçam essa obra de arte:


Eu pulei uns passos aí, apesar de ter dado uma ouvida nas coisas mais importantes tipo Chapterhouse, Cocteau Twins, Lush e acho que Pale Saints? Mas eu pulei pros álbuns japoneses aí.

Pra falar a verdade eu cheguei no Shoegaze pelas coisas japonesas, eu ouvia Mass of the Fermenting Dregs e Supercar beeem antes de saber o que era o gênero, e comecei a ouvir os álbuns essenciais junto com Kinoko Teikoku.

Mas pro Shoegaze japonês tem outro chart que achei recentemente:


Hmm, vamos ignorar que Asobi Seksu é americano e só a vocalista é japonesa (e que faz muito mais sentido analisar a banda no contexto do cenário americano) mas é um ótimo chart também, além dele fazer o certo em mesclar as vertentes, já que nenhuma divisão é muito definitiva no Shoegaze.

Eu vi vários membros de bandas que aparecem aí compartilhar esse chart no Twitter, e o que mais me chamou a atenção é como maioria falava "obrigado por lembrar da gente, mas nós não somos Shoegaze" e só depois descobri que as bandas fugiam de serem classificadas dentro do Shoegaze/Dream Pop porque as gravadoras faziam tiragens menores de discos e despriorizavam bandas com gêneros muito específicos, assim maioria se chamava de "rock alternativo" mesmo.

Mas enfim, voltando ao chart acima, aí o autor bota o Kinoko Teikoku no lugar do MBV, o Asobi Seksu no lugar do Slowdive e Supercar no lugar do Ride. Acho que pros álbuns que estão nas pontas do triângulo (Eureka, Citrus e 3OC) a comparação até faz sentido, mas as três bandas mudaram radicalmente de som com o passar dos anos, ao ponto da comparação não fazer tanto sentido assim se for pensar nas bandas como um todo. Eureka do Kinoko Teikoku em particular é um dos meus álbuns favoritos mas acho que os paralelos com Loveless são beeem pontuais.

No mais, eu seguiria esse chart dessa forma:

Primeiro: Kinoko Teikoku, começando por Eureka.


 

Depois Supercar, aí só ouviria mesmo Three Out Change. Esse álbum é extremamente longo mas é um prato cheio pra quem curte Ride e Britpop em geral, eu acho que o shoegaze passa um pouco longe aqui mas é um dos meus álbuns favoritos.


 

Aí partiria pra Mass of the Fermenting Dregs, a discografia inteira da banda é absurda, mas recomendaria começar por World is Yours.


 

Daí eu pegaria bandas com uma influência mais clara (e declarada) de Shoegaze tipo uma das minhas bandas favoritas For Tracy Hyde com um dos álbuns mais lindos já feitos: he(r)art.


 

Outra banda com influência mais forte de Shoegaze é Yuragi. Os últimos álbuns foram meio fraquinhos mas os dois primeiros EPs da banda foram fenomenais.


 

Se você chegou nesse ponto o que resta é explorar esse chart aí e recomendações no Youtube/Spotify. Eu no meio tempo que estava explorando Shoegaze acabei me apaixonando por twee-pop, que é basicamente indie pop mas muuuuito bobinho, chegando num ponto que é irônico. E por incrível que pareça tem muita banda que mistura os dois, um bom exemplo é For Tracy Hyde que citei anteriormente mas também Pains of Being Pure at Heart:


 

Enfim, o shoegaze hoje está muito ramificado e tem pra todos os gostos possíveis, desde o blackgaze que mistura com o gênero com Black Metal até esses casos aí no extremo oposto do espectro onde misturam com twee e até pop puro.

O Shoegaze é bem música pra gente estranha e antissocial, acho que é uma forma de escapismo mais pura do que ouvir música triste só pela letra, as guitarras distorcidas e o som quase ensurdecedor fazem você simplesmente não pensar em nada. Eu acabei indo mais pro twee porque é um escapismo mais concreto, é bem uma coisa nostálgica e aquela coisa toda melancólica e arrependimento e etc. MAS isso é assunto pra um próximo post, até porque preciso pesquisar mais sobre.

Enfim, este foi um post quase nada informativo mas eu estou escrevendo porque o assunto surgiu em mais de uma roda de conversa de mais de um grupo de amigos.

E acho que é isso aí, dois posts em dois dias! Mas minhas férias terminam hoje então (talvez) vai demorar pra eu animar de escrever algo novamente.

É isso aí, valeu falou té mais!


P.S. tem alguns álbuns que são dream pop, ou com uma influência muito grande do gênero e zero shoegaze, que recomendo fortemente também:

O Swimming Classroom é uma obra bem diferente de tudo que o Macaroom fez, tanto antes quanto depois, e é uma exemplo maravilhoso de como o Pop chiclete pode se misturar bem com o Dream Pop.

 

 

Outro clássico do Dream Pop japonês é a soundtrack do filme All About Lily Chou-Chou. E cara, que álbum absurdo, acho que é um dos melhores já feitos na história do gênero e foi criado pra ser de uma cantora fictícia num filme (relativamente) low budget japonês. A Salyu, que é o vocal desse álbum, tava começando a carreira dela quando participou desse projeto, e acho que a voz diferente dela junto com a falta de experiência na época combinaram bem com a composição e produção do Takeshi Kobayashi, que já tinha se provado um tremendo músico no mainstream. Mas enfim, esse álbum é do caralho, recomendo para qualquer pessoa do mundo que ouça ele.


quarta-feira, 21 de junho de 2023

férias e ah claro, Kinoko Teikoku

Eu tenho que me forçar a escrever aqui a cada mês senão vou abandonar este blog, então vamos lá.

Das atualizações mais relevantes para a minha vida estão que eu meio que entrei de cabeça no projeto lá que falei no último post, e isso incluiu ajudar num matsuri aqui perto de casa, ensinar crianças a fazer cajuzinho ( um doce que não sou muito fã pra falar a verdade) e fazer estrogonofe às 1h da manhã para ensinar crianças do Japão, e é isso.

Estou de férias desde o último feriado que foi uhhh dia 8 acho? E não estou fazendo nada de muito útil desde então. Prometi que iria pra academia todo dia! Fui só uma vez desde que as férias começaram. Falei que iria levar minha calça para fazer a barra! Nem sei onde levar essa merda por aqui perto. Mas eu arrumei meu quarto, fui buscar meu diploma na Poli e mandei botar lentes novas numa armação antiga que comprei no Japão, além de ter gasto uma quantia quase que pornográfica num tablet que ainda não sei bem pra que vou usar. Ah, fui pra um show de shoegaze nacional também.

Em suma: só estou dormindo, gastando dinheiro e ensinando crianças a cozinhar desde que entrei de férias.

Como eu ESPERO que nenhuma pessoa que tenha o mínimo de interesse romântico em mim leia este blog, posso confidenciar com vocês que tentei arranjar meus dates nessas férias, obviamente com os resultados mais desastrosos que você possa imaginar. E minha pura incredibilidade no fracasso do que parecia sucesso certo gerou um papo de tipo 4h num bar, em plena quarta-feira, com meus amigos do ensino médio sobre e-girls. Pra falar a real eu nem sei porque comecei a falar sobre isso, vamos mudar de assunto.

Essas são as primeiras férias que tiro desde Fevereiro, que usei pra emendar com o Carnaval e viajar pra Fortaleza. Eu amei a cidade e a viagem e tudo mais, mas voltei pro trabalho exausto, essas férias de agora eu tirei pra não fazer nada mesmo e até que fiz umas coisas viu. Acho que até uns anos atrás eu ia ficar super culpado por não ter conseguido fazer o que devia (por mais que isso sempre acontecesse) e eu ia ficar malzão na volta das férias, mas agora eu estou levando como posso o que tenho que levar e é isso aí.

Eu ia citar novamente a bonus track do Eureka do Kinoko Teikoku mas... ah foda-se, vou citar de novo:

"Cada um está carregando seu fardo, 

as suas lágrimas podem secar amanhã ou depois,

 mas finja que esqueceu das noites e dias que não voltarão, e sorria, sorria"

 

É uma tradução porca que fiz uns anos atrás mas essa música é tão superação da crise dos meio dos 20 anos que checar o Google só confirmou minha tese: a Chiaki Sato tinha 23~24 anos quando escreveu e lançou Eureka.

Apesar de eu amar Kinoko Teikoku desde meu ensino médio, acho que só fui entender as letras e o sentimento que as músicas passam quando fiquei mais velho, tipo com 23 anos. Não vou desenvolver muito sobre o assunto porque estou sentindo que posso fazer um post dedicado a isso, mas recomendo Kinoko Teikoku para quem esteja procurando música triste para acompanhar a crise do meio dos 20 anos, ainda mais os álbuns Eureka e Uzu ni Naru.


E acho que é isso pessoal, volto a postar quando tiver com tédio o suficiente ou com algum assunto aleatório que o Twitter não tenha caracteres o suficiente para eu expor.

valeu, falou, té mais!

terça-feira, 9 de maio de 2023

A massa de gyoza é feita só com farinha de trigo e água!

Eu estava escrevendo um post faz umas semanas mas ele ficou tão ruim que acabei nem fazendo questão de publicar (não que o nível deste blog seja lá muito alto) mas enfim, a vida aconteceu e tenho mais material pra posts nesse meio tempo.

Eu fiz trabalho voluntário, meu amigo tinha me chamado pra participar de um projeto faz um tempo já mas eu tinha preguiça e não tava muito afim de acordar cedo no fim de semana, só que desde a semana passada eu estou num estado de espírito, em que o tédio e o antidepressivo que tomo me acometeram no mesmo instante, onde qualquer rolê que me propuserem eu estou aceitando, QUALQUER ROLÊ. 

Pois bem, mandei mensagem pro meu amigo no sábado perguntando se tinha algum rolê em mente e ele me perguntou se eu tava afim de fazer uns gyozas com crianças (na sua maioria) japonesas.

Bora.

O projeto tem como objetivo integrar as culturas japonesa e brasileira através da culinária... japonesa, ensinando crianças como cozinhar e tudo mais, por questões demográficas de divulgação do evento acabou que grande maioria das crianças eram japonesas japonesas do Japão, não japonês tipo eu, japonês do Japão mesmo que só fala japonês. Sinceramente, tem causas mais nobres para se voluntariar por aí mas entre isso e ficar em casa morgando, acho que é preferível fazer isso.

Sábado foi o prep work e domingo foi o trabalho em si, como eu caí meio que de paraquedas no negócio, eu acabei sendo o fotógrafo do evento e ajudei também na cozinha. Eu não falo um puto de japonês quase então não conseguiria ser um monitor muito bom para a criançada.

O evento foi bem bacana, teve um caos lá pelo meio mas deu tudo certo no final. Os guiozas ficaram bons (inclusive os feitos pelas crianças) e ainda testei minhas habilidades de fotógrafo e tirei mais fotos no dia do que nos últimos 5 anos. Aprendi a fazer guioza também, é mais fácil do que parece!

O que esse evento me fez refletir foi como eu devia ter feito trabalho voluntário antes. Na Poli eu só cocei o saco por 7 anos e meio e era a pessoa mais desocupada do mundo naquele lugar, devia ter feito algo de mais útil pra (preparem-se para o clichê) retribuir para a sociedade o fato de eu estar estudando numa faculdade pública.

Enfim, let bygones be bygones, o que importa é que ainda dá pra fazer coisas assim mesmo formado já. O que vou fazer vai depender de como vão estar meus níveis de serotonina.

E acho que é isso? Espero fazer coisas além de trabalhar 8h por dia cinco vezes por semana, se vai ser um trabalho voluntário ou uma eventual pós-graduação que vão suprir meu vazio existencial teremos que esperar para ver, só preciso ser saudável enquanto faço tudo isso.

Hmm, eu queria intercalar entre posts sobre meu dia-a-dia/pensamentos aleatórios e sobre música japonesa mas sou muito preguiçoso pra organizar qualquer coisa, mas no próximo post queria falar sobre música japonesa.

É isso galera, 

vlw flw, té mais!

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Playlist de um dia normal

Acho que já fiz isso antes mas fodasse, você quer me conhecer? Então aqui estão algumas músicas para me conhecer:

Midori - Donzoko

Se eu estiver em qualquer momento de desespero ou angústia essa música começa a tocar na minha cabeça. Acho que Midori foi uma das bandas mais geniais que surgiram no Japão no século XXI e nada representa tão bem o caos que impera debaixo da imagem certinha da sociedade japonesa quanto o som da banda Midori com a Mariko Goto gritando e uma banda de jazz extremamente habilidosa tocando ao fundo. 

Essa música surge na minha cabeça pelo menos uma vez por dia.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Ah mano, de novo isso..."


Usagi - Yakouchuu



Depois de Midori nada melhor que uma música do Usagi, banda que deu origem a Midori. Essa é outra música pros tempos de desespero mas essa é pra quando eu também estou puto e quase chorando. O verso final da música e o crescendo até atingir aquele ponto é maravilhoso, o Akemi-san to Midori-san é definitivamente uma das joias escondidas da música japonesa contemporânea.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "FODA-SE TUDO PORRAAAAAA-"


Aimyon - Marigold


Japão, Janeiro de 2019. 

Acho que Marigold junto com Lemon e, por mais que eu odeie, USA do Da Pump, são os símbolos da música japonesa mainstream pré-pandemia. Por mais que Yoasobi tenha surgido um pouco antes de 2020, toda a fórmula deles se beneficiou e passou a ser cara do Jpop pós-Covid, assim como toda a pletora de V-tubers e V-singers. Marigold foi a swan song do que o Jpop estaria se tornando num Japão mais pra frentex que estaria hospedando uma olimpíada dali pouco mais de um ano.

E foi o Japão que vi quando fui lá.

Pra mim essa música representa minha viagem pro Japão (o que vocês estão cansados de saber) mas também é uma canção de esperança infinita para o futuro. E isso acabou fazendo com que eu sempre associe Marigold com o futuro que era pra ser, um futuro que era prometido, que estava certo, mas que não rolou no final.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Sdds do Japão, e que pena que rolou a pandemia."


Judy and Mary - Sobakasu


Sobakasu foi a música que me trouxe pro rabbit hole que é amar música japonesa, então se estou aqui agora, por bem ou por mal, é culpa de Sobakasu. Judy and Mary (ou JAM) foi uma banda absurdamente talentosa e bem sucedida dos anos 90 e Sobakasu foi o que mandou eles pro sucesso, sendo a abertura do imenso sucesso Rurouni Kenshin. Eu sinceramente acho que JAM tem música melhores nos álbuns subsequentes mas Sobakasu tem um valor inestimável pra mim como a faísca que começou tudo e vou dizer algo que sempre digo: se Judy and Mary voltar, eu vou ver o show de reunião deles no Japão nem que eu gaste todas as minhas economias.

A letra da música é a coisa mais clichê possível sobre deixar passar as coisas que passaram, mas sempre me atinge em cheio e fico segurando as lágrimas quando ouço com atenção.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "O que passou passou."


Citrus - Wispy, No Mercy



Essa é minha música favorita de todos os tempos. Citrus foi uma banda tão desconhecida e under the radar que nem se deram o trabalho de botar as coisas deles no Spotify, mas os fãs são todos absurdamente fanáticos pelo som da banda. Eu não faço ideia nem o que caralhos as letras dizem mas essa música me traz uma felicidade e uma paz de espírito tão grandes que é tão difícil de descrever quanto a letra da música.

A única coisa que entendo na música é um "I love you, yes it's true" e é o que importa no final.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "NUNCA FUI TRISTE"


Odotte Bakari no Kuni - ghost


Acho que essa música vai na mesma vibe de Marigold, mas é bem mais desconhecida. Pelo clipe mesmo, que foi filmado no ano novo de 2019, dá pra sentir o otimismo que pairava no ar no Japão pré-Covid. É mais uma das músicas que eu falo que descrevem uma esperança infinita para os novos tempos.

E por mais que o clipe e a música tenham sido lançados quando eu tava no Japão, eu só fui descobrir depois, então essa música não me lembra tanto o arubaito quanto Marigold e por isso me traz mais a paz de espírito e um otimismo pro futuro.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Vai ficar tudo bem."


Ichiko Aoba - Terifuriame


É minha música pra quando quero estar em paz, acho que pra esse fim a própria Ichiko Aoba tem algumas melhores já que Terifuriame tem um quê de tensão e desconhecido, mas a pura beleza da música é indescritível.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "" (nada)


Kinoko Teikoku - The Sea


É a música pra quando eu quero CHORAR PARA CARALHO, na moral a letra é a coisa mais emo deprimente pra caralho possível, numa tradução livre: 

"Eu queria desaparecer

Mas se não posso morrer ainda, quero afundar

E no fundo do oceano quero me tornar areia, olhando para cima

Quem dera se a água subisse até o teto

Chove chove chove e torne tudo azul"

Porra, que bad vibes do caralho! Amo essa música!

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Maluco, quero morrer."


Shiina Ringo - Shuukyou


É a primeira música do melhor álbum já criado pela humanidade. Eu associo o Kalk Samen Kuri No Hana inteiro à morte mas essa música em especial eu associo à passagem pro outro lado, um negócio meio dantesco de chegar nos portões do pós-vida. O Souretsu, que é a última música do álbum, eu associo mais a uma reencarnação, não que eu acredite nisso em particular mas eu vejo o álbum muito ligado ao budismo e ao ciclo de reencarnação.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Hmm, isso é o mais próximo que vou experimentar de morte antes de morrer, espero."


Kinoko Teikoku - Hidden Track do álbum eureka


Eu não ia repetir artista mas essa música é tão grandiosa, tão simbólica e tão foda que não tinha como ficar de fora. Eu conhecia o Kinoko Teikoku faz tempo e sempre achei que o silêncio depois da última faixa do eureka era problema com minha versão do álbum, foi só anos depois quando fui editar o arquivo no audacity pra cortar ele que vi que tinha uma faixa escondida no final dos 10 minutos da faixa, me apaixonei pela música de primeira.

Já citei essa música inúmeras vezes neste blog mas acho que ela é a melhor música de superação já feita. Acho que essa é a hidden track da vida na real. É a música que toca nos closing credits depois de uma vida de altos e baixos, ou simplesmente no final do seu dia voltando do metrô.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Todo mundo se fode nessa vida filho, engole o choro e bola pra frente."



Enfim, acho que é isso. Eu tava com um monte de ideia pra post mas fui na ideia mais preguiçosa possível.

Acho que ficar procurando por música japonesa e ler sobre o assunto é meu hobby favorito então pretendo algum dia mergulhar mais de cabeça nisso e ler mais a fundo sobre ou escrever de um jeito decente, mas por enquanto fiquemos aqui.

E é isso, valeu falou té mais!

segunda-feira, 20 de março de 2023

sdds de bullshitar com meus amigos na praça de alimentação do Shopping Paulista às 15h de uma terça-feira em 2012

Eu estou lendo um mangá chamado "Food Court de, Mata Ashita." que é basicamente sobre duas amigas que se separam quando vão pra escolas diferentes por ensino médio e por isso se encontram todo dia pra conversar sobre os mais variados assuntos na praça de alimentação de um shopping.

O mangá me transportou pra 2011, quando o Yoiti recém-entrado no ensino médio achava que tinha virado adulto só porque ia e voltava sozinho da escola e saía uma vez por mês com os amigos pra comer Burger King no Shopping Paulista. Pra ser bem sincero meus encontros com amigos do ensino médio pouco mudou nesses mais de 10 anos, a diferença mesmo é que agora a gente que tem que pagar pelas nossas despesas e o papo aleatório de sempre, que é o charme do mangá que citei no começo do post, agora tem os assuntos mais chatos do mundo como trabalho, imposto de renda, pós-graduação e sei lá, daqui a pouco casamento e filhos (o que já é assunto em alguns dos meus círculos sociais hmmmm).

Eu não fazia nada demais no meu ensino médio mas tenho saudade da falta de preocupação que eu tinha até começar a pensar em vestibular. Acho que isso é mais um motivo por eu sentir saudade das interações que eu tive com o pessoal no arubaito, por mais que fosse tudo muito temporário e a gente soubesse disso lá, tinha uma falta de preocupação (na maioria do pessoal) que eu raramente vi na Poli por exemplo. O imediatismo, e viver sem planejar muito além do dia do pagamento da fábrica foi uma terapia pra quem vivia de rec em rec e de DP em DP na faculdade, e acho que não era só eu pensando assim lá.

Mas enfim, me lembrei agora também do fliperama que tinha na praça da Liberdade, que era mais um dos pontos de encontro que eu tinha com meus amigos do ensino médio, e olha que eram pouquíssimos: Shopping Paulista, Kantinho do Pão de Queijo (lanchonete no lado da estação Vergueiro), McDonalds's da São Joaquim (sdds) e já em 2013 o Sukiya da São Joaquim. Hoje eu conheço, relativamente, bem mais lugares e tenho também um monte de círculo social que acumulei aí nesses últimos 10 anos.

Com meus 16 anos eu fazia karate e inglês mas eu só saía mesmo com o pessoal do meu colégio, a famosa Turma da Trave, e 10 anos depois com faculdade, trabalho e arubaito eu conheci muita gente bacana e amigos pra vida, tal qual os que conheci no meu colégio, mas toda a conjuntura da época, com a gente sendo meio que os nerdão (ou nerdola como dizem hoje) da turma e a "liberdade" recém conquistada de poder sair de casa aos fins de semana podendo gastar o dinheiro dos pais dava um gosto especial pra aquela época, e acho que isso explica também porque a Turma da Trave dura até hoje.

Hoje as conversas com meus amigos do ensino médio são periódicas e esparsas, converso muito mais com o pessoal com quem convivo no trabalho, mas é só conseguir marcar um rolê qualquer que as conversas de sempre voltam à tona.

E acho que é isso. Leiam o mangá que indiquei, chamem seus amigos do ensino médio pra comer no McDonald's e sejam felizes.

vlw flw té mais!

sábado, 11 de março de 2023

o cafezinho do hospital tava super bom

Eu fiz um post (que estou com preguiça de procurar), acho que em 2013 se não me engano, depois de uma aula de literatura do cursinho onde um professor analisou O Laços de Família da Clarice Lispector e comentou como nossa primeira memória geralmente é atrelada à nossa mãe.

E no meu caso é verdade: minha família nunca contratou babá e por isso que quando meu pai saía pra trabalhar e minha irmã estava na escola e minha mãe precisava sair pra resolver algum problema, seja conta pra pagar no banco ou alguma pendência em algum prédio público, eu precisava ir junto. Minha primeira memória é uma dessas idas a algum prédio público onde fomos de ônibus, lembro que descemos numa rua íngreme e que minha mãe me comprou aquelas balinhas redondas e coloridinhas em embalagens que imitam Tic-Tacs numa barraca na rua. Minha memória desse dia obviamente não é das mas claras, mas é uma coisa que me marcou de uma forma que toda vez que passo por uma rua íngreme com barraquinha vendendo balas e onde tem uma repartição pública, eu me pergunto se foi lá o lugar da minha memória formativa.

Eu nunca morei longe dos meus pais. O máximo foram uns anos que morei a umas estações de distância mas eu via eles todos os dias no jantar, além disso foram só os três meses no Japão.

Outro dia levei minha mãe pra fazer uns exames de rotina num hospital a umas estações de distância de casa. Não é como se fossem raras as ocasiões em que saio com minha mãe, é uma ocorrência semanal ir pro supermercado e pra feira orgânica aqui do lado com ela, mas naquele sábado de manhã de clima ameno, usando o voucher de pão de queijo do exame de sangue e pagando mais um pão de batata pra mim, me sentei com minha mãe pra tomar um café debaixo de uma árvore na lanchonete do hospital.

Notei que minha mãe envelheceu. A exata reação que a protagonista d'O Laços de Família tem ao bater a cabeça com a mãe no táxi ao final do conto.

Eu tenho muita vergonha de escrever um post sobre uma pessoa próxima de mim, então acho que uma coisa que fala muito sobre minha mãe é a imagem que ela tem de mim, em suma ela acha que sou um alcoólatra.

Quem me conhece sabe que não bebo quase nada. O dia que mais bebi na vida foi no dia que descobri a Serramalte numa ida à Bella Augusta, e mesmo assim não foram nem três garrafas de 600ml. Depois dos "lockdowns" eu parei quase que totalmente de beber, mas isso não impede da minha mãe achar que toda vez que volto depois das 22h pra casa eu estava certamente bebendo.

E ela tem outras concepções totalmente de outro mundo sobre mim que nem cabe esclarecer neste post, porque valorizo ainda o pouco de dignidade que tenho fora da minha casa.

Mas uma coisa que sempre lembro foi de um aniversário dela que perguntamos onde ela queria comemorar e ela escolheu o Shopping Morumbi porque gostava de me ver jogando os jogos de música no Hot Zone de lá, nota: isso quando eu já estava na Poli. Acho que isso define bem minha mãe.

E é isso pessoal, o post ficou meio desconexo porque tive a ideia do começo dele quando fui tomar café com minha mãe e não soube muito bem como terminar o post, tá aí o resultado. Eu queria escrever sobre minha mãe mas o aniversário dela já passou faz um tempinho e o dia das mães tá meio longe ainda (e não vou lembrar de guardar este post até lá).

Recebi a sugestão aí de post de recomendação de música japonesa e acho que vou tentar fazer algo do gênero pro próximo mês.

vlw flw té mais!

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Hot takes sobre música japonesa que ninguém me perguntou

Todo mundo tem teorias esdrúxulas (famosas HOT TAKES) sobre as mais variadas coisas, as minhas são sobre música japonesa, obviamente.

Uma dessas teorias que não foi pensada por mim mas me influenciou a gastar tempo nisso foi de um livro que amo de paixão que é o Quit Your Band! Musical Notes from the Japanese Underground, que é o livro que me deu o pontapé inicial em adentrar no underground japonês. Nesse livro o autor fala que, caso precise apontar um momento pontual, o Kayokyoku virou Jpop depois que o Precious Heart da Seiko Matsuda não conseguiu ser o vigésimo-quinto single seguido dela a ser topo de vendas no Oricon, perdendo pro Gravity of Love do Tetsuya Komuro, o então representante máximo do novíssimo Jpop.  

E essa é uma teoria interessantíssima (pelo menos pra mim) porque pra todo mundo que acompanha Jpop só dos anos 2000 pra cá, Kayokyoku geralmente cai no mesmo cesto que Enka, a diferença mesmo tá no jeito de cantar mais ocidentalizado, já que o uso de orquestras era comum aos dois gêneros, o Kayo mais techno veio quase junto com o Jpop e só foi ser conhecido pro ocidente com outro nome décadas depois: City Pop.

Mas agora indo pras minhas teorias esdrúxulas:

1. O declínio do Japão se acelerou com a morte da Izumi Sakai

Exagero? Eu sinceramente acho que não. Makenaide do Zard é o Tente Outra Vez nipônico, longe de mim querer comparar Zard com Raul Seixas, mas 2007 viu o começo de uma certa transição no mercado musical japonês onde o AKB48 surgia e divas pop se afastavam dos holofotes (no caso a Hikaru Utada depois de lançar o Heart Station em 2008) e vocês sabem minha opinião quanto a grupos 48 né, o maior mal que já surgiu no Japão nos últimos 20 anos.

Mas voltando à morte da Izumi Sakai: o Zard era daquela leva de bandas centradas numa vocalista que surgiram de monte no início dos anos 90: Brilliant Green, Judy and Mary e My Little Lover me vêm à cabeça agora e em 2007 cada uma delas estava de um jeito: Brilliant Green terminou e voltou e acabou virando um projeto da Tomoko Kawase, Judy and Mary terminou em 2001 e My Little Lover acabou perdendo o membro mais importante em 2006: o compositor Takeshi Kobayashi. Enfim, o que isso tudo quer dizer? Nada, só estou falando como tava o cenário na época.

2. O fim do Kinoko Teikoku encerrou o período dourado dos anos 2010 no Underground japonês

O Kinoko Teikoku terminou em 2019 (como vocês podem ler em inúmeros posts meus na época) e isso marcou o fim de um período incrível na música underground japonesa.

No livro que citei no começo deste post, três bandas são elencadas como as principais do cenário underground japonês no final dos anos 90: Number Girl, Supercar e Quruli. Eu concordo bastante com essas escolhas e até botaria outras bandas como o Eastern Youth, mas as três realmente foram as forças motrizes que influenciam o underground japonês até hoje. Number Girl influenciou qualquer banda mais punk/hardcore, Supercar foi mais shoegaze/eletrônico e Quruli era o mais mainstream mas também tinha pegada eletrônica, e por incrível que pareça 9 entre 10 bandas que estão tocando nesta noite num porão de Tokyo vão citar pelo menos uma dessas bandas como influência.

Mas qual seria o trio de bandas mais influentes dos anos 2010? Eu elencaria Kinoko Teikoku, Andymori e Chatmonchy. Kinoko Teikoku com qualquer shoegaze/indie relax, Andymori com rock mais straightforward e Chatmonchy influenciou todo e qualquer power trio feminino que surgiu nos últimos 10 anos.

E em 2019 finalmente a última dessas bandas terminaram.

Sinceramente Kinoko Teikoku estar entre Chatmonchy e Andymori é quase um insulto, porque as duas são absurdamente influentes até hoje, e Kinoko Teikoku tem uma fama (relativa) bem maior fora do Japão que dentro. Mas quero me enganar e PRECISO botar Kinoko Teikoku no panteão de bandas mais influentes da história.

3. Yoasobi prometeu muito e entregou pouco

Acho que o surgimento do Yoasobi e do The First Take são indissociáveis, não dá pra contar a história de um sem o outro, e ambos se beneficiaram absurdamente da pandemia.

Tanto a proposta do Yoasobi como quase sendo uma banda exclusivamente virtual (do ponto de vista de não se apresentar ao vivo) quanto do The First Take de ser meio que uma live mas gravada num estúdio eram interessantes o suficiente para fazer sucesso, a vinda da pandemia poucos meses depois do começo desses dois projetos só potencializou ainda mais o crescimento da popularidade dos dois, num cenário musical que é tradicionalmente focado em shows ao vivo e vendas de CDs físicos.

O The First Take ainda vai bem, obrigado. O canal acabou caindo na graça do público ocidental que queria um gostinho de música japonesa diferente do habitual (leia-se aberturas de anime) e com a apresentação da maravilhosa Hoshimachi Suisei (uma vtuber, e minha kamioshi diga-se de passagem) e com backing da toda poderosa Sony Music, não vejo como o canal dar ruim.

Yoasobi por sua vez também está voando. Se começaram fazendo músicas baseadas em contos publicados num site obscuro, agora estão fazendo música pra anime atrás de música pra anime. Mas putz, eu pelo menos esperava bem mais.

O boom do Yoasobi veio de um movimento gigantesco das net-labels do Japão. Zutomayo, Yorushika, yama e todos aqueles clipes de música extremamente bem animados? Net-labels. E Yoasobi se destacou por mostrarem a cara num cenário dominado por vtubers e vsingers.

Mas enfim, a grande hot take aqui é que o sucesso do Yoasobi era pra ter significado uma mudança de paradigma no que estaria no topo da Oricon, mas não foi isso que rolou e me parece improvável de mudar tão cedo. O Kpop mudou mais os charts da Oricon do que Yoasobi e as net-labels.

4. Outras hot takes que tenho preguiça de explicar

4.1. O Kpop matou os grupos 48 (pelo menos os que seguiam a fórmula original);

4.2. Já foi esclarecido o porquê de muitas bandas (Supercar, For Tracy Hyde, Kinoko Teikoku) de shoegaze do Japão negarem esse rótulo, mas muitas das bandas que negaram realmente não são 100% shoegaze e as que são não fazem sucesso o suficiente pra conseguirem sequer negar;

4.3. Shimokitazawa perdeu a importância nos últimos anos como o trampolim das bandas underground pra serem menos underground depois que as novas bandas aprenderam a se promover na internet;

Enfim, acho que é isso.

Eu notei que só escrevi 12 posts ano passado e com o ritmo que estou escrevendo este ano não vai ser muito diferente hmmmmm... Pior que material pra post não faltou ano passado né, puta que pariu eu tava zicadaço do meio pro fim de 2022.

Also, já é o terceiro post seguido que é sobre música japonesa, vou tentar escrever algo mais fácil de digerir na próxima.

vlw flw té mais!