quarta-feira, 12 de abril de 2023

Playlist de um dia normal

Acho que já fiz isso antes mas fodasse, você quer me conhecer? Então aqui estão algumas músicas para me conhecer:

Midori - Donzoko

Se eu estiver em qualquer momento de desespero ou angústia essa música começa a tocar na minha cabeça. Acho que Midori foi uma das bandas mais geniais que surgiram no Japão no século XXI e nada representa tão bem o caos que impera debaixo da imagem certinha da sociedade japonesa quanto o som da banda Midori com a Mariko Goto gritando e uma banda de jazz extremamente habilidosa tocando ao fundo. 

Essa música surge na minha cabeça pelo menos uma vez por dia.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Ah mano, de novo isso..."


Usagi - Yakouchuu



Depois de Midori nada melhor que uma música do Usagi, banda que deu origem a Midori. Essa é outra música pros tempos de desespero mas essa é pra quando eu também estou puto e quase chorando. O verso final da música e o crescendo até atingir aquele ponto é maravilhoso, o Akemi-san to Midori-san é definitivamente uma das joias escondidas da música japonesa contemporânea.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "FODA-SE TUDO PORRAAAAAA-"


Aimyon - Marigold


Japão, Janeiro de 2019. 

Acho que Marigold junto com Lemon e, por mais que eu odeie, USA do Da Pump, são os símbolos da música japonesa mainstream pré-pandemia. Por mais que Yoasobi tenha surgido um pouco antes de 2020, toda a fórmula deles se beneficiou e passou a ser cara do Jpop pós-Covid, assim como toda a pletora de V-tubers e V-singers. Marigold foi a swan song do que o Jpop estaria se tornando num Japão mais pra frentex que estaria hospedando uma olimpíada dali pouco mais de um ano.

E foi o Japão que vi quando fui lá.

Pra mim essa música representa minha viagem pro Japão (o que vocês estão cansados de saber) mas também é uma canção de esperança infinita para o futuro. E isso acabou fazendo com que eu sempre associe Marigold com o futuro que era pra ser, um futuro que era prometido, que estava certo, mas que não rolou no final.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Sdds do Japão, e que pena que rolou a pandemia."


Judy and Mary - Sobakasu


Sobakasu foi a música que me trouxe pro rabbit hole que é amar música japonesa, então se estou aqui agora, por bem ou por mal, é culpa de Sobakasu. Judy and Mary (ou JAM) foi uma banda absurdamente talentosa e bem sucedida dos anos 90 e Sobakasu foi o que mandou eles pro sucesso, sendo a abertura do imenso sucesso Rurouni Kenshin. Eu sinceramente acho que JAM tem música melhores nos álbuns subsequentes mas Sobakasu tem um valor inestimável pra mim como a faísca que começou tudo e vou dizer algo que sempre digo: se Judy and Mary voltar, eu vou ver o show de reunião deles no Japão nem que eu gaste todas as minhas economias.

A letra da música é a coisa mais clichê possível sobre deixar passar as coisas que passaram, mas sempre me atinge em cheio e fico segurando as lágrimas quando ouço com atenção.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "O que passou passou."


Citrus - Wispy, No Mercy



Essa é minha música favorita de todos os tempos. Citrus foi uma banda tão desconhecida e under the radar que nem se deram o trabalho de botar as coisas deles no Spotify, mas os fãs são todos absurdamente fanáticos pelo som da banda. Eu não faço ideia nem o que caralhos as letras dizem mas essa música me traz uma felicidade e uma paz de espírito tão grandes que é tão difícil de descrever quanto a letra da música.

A única coisa que entendo na música é um "I love you, yes it's true" e é o que importa no final.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "NUNCA FUI TRISTE"


Odotte Bakari no Kuni - ghost


Acho que essa música vai na mesma vibe de Marigold, mas é bem mais desconhecida. Pelo clipe mesmo, que foi filmado no ano novo de 2019, dá pra sentir o otimismo que pairava no ar no Japão pré-Covid. É mais uma das músicas que eu falo que descrevem uma esperança infinita para os novos tempos.

E por mais que o clipe e a música tenham sido lançados quando eu tava no Japão, eu só fui descobrir depois, então essa música não me lembra tanto o arubaito quanto Marigold e por isso me traz mais a paz de espírito e um otimismo pro futuro.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Vai ficar tudo bem."


Ichiko Aoba - Terifuriame


É minha música pra quando quero estar em paz, acho que pra esse fim a própria Ichiko Aoba tem algumas melhores já que Terifuriame tem um quê de tensão e desconhecido, mas a pura beleza da música é indescritível.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "" (nada)


Kinoko Teikoku - The Sea


É a música pra quando eu quero CHORAR PARA CARALHO, na moral a letra é a coisa mais emo deprimente pra caralho possível, numa tradução livre: 

"Eu queria desaparecer

Mas se não posso morrer ainda, quero afundar

E no fundo do oceano quero me tornar areia, olhando para cima

Quem dera se a água subisse até o teto

Chove chove chove e torne tudo azul"

Porra, que bad vibes do caralho! Amo essa música!

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Maluco, quero morrer."


Shiina Ringo - Shuukyou


É a primeira música do melhor álbum já criado pela humanidade. Eu associo o Kalk Samen Kuri No Hana inteiro à morte mas essa música em especial eu associo à passagem pro outro lado, um negócio meio dantesco de chegar nos portões do pós-vida. O Souretsu, que é a última música do álbum, eu associo mais a uma reencarnação, não que eu acredite nisso em particular mas eu vejo o álbum muito ligado ao budismo e ao ciclo de reencarnação.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Hmm, isso é o mais próximo que vou experimentar de morte antes de morrer, espero."


Kinoko Teikoku - Hidden Track do álbum eureka


Eu não ia repetir artista mas essa música é tão grandiosa, tão simbólica e tão foda que não tinha como ficar de fora. Eu conhecia o Kinoko Teikoku faz tempo e sempre achei que o silêncio depois da última faixa do eureka era problema com minha versão do álbum, foi só anos depois quando fui editar o arquivo no audacity pra cortar ele que vi que tinha uma faixa escondida no final dos 10 minutos da faixa, me apaixonei pela música de primeira.

Já citei essa música inúmeras vezes neste blog mas acho que ela é a melhor música de superação já feita. Acho que essa é a hidden track da vida na real. É a música que toca nos closing credits depois de uma vida de altos e baixos, ou simplesmente no final do seu dia voltando do metrô.

O que penso quando essa música está na minha cabeça: "Todo mundo se fode nessa vida filho, engole o choro e bola pra frente."



Enfim, acho que é isso. Eu tava com um monte de ideia pra post mas fui na ideia mais preguiçosa possível.

Acho que ficar procurando por música japonesa e ler sobre o assunto é meu hobby favorito então pretendo algum dia mergulhar mais de cabeça nisso e ler mais a fundo sobre ou escrever de um jeito decente, mas por enquanto fiquemos aqui.

E é isso, valeu falou té mais!

segunda-feira, 20 de março de 2023

sdds de bullshitar com meus amigos na praça de alimentação do Shopping Paulista às 15h de uma terça-feira em 2012

Eu estou lendo um mangá chamado "Food Court de, Mata Ashita." que é basicamente sobre duas amigas que se separam quando vão pra escolas diferentes por ensino médio e por isso se encontram todo dia pra conversar sobre os mais variados assuntos na praça de alimentação de um shopping.

O mangá me transportou pra 2011, quando o Yoiti recém-entrado no ensino médio achava que tinha virado adulto só porque ia e voltava sozinho da escola e saía uma vez por mês com os amigos pra comer Burger King no Shopping Paulista. Pra ser bem sincero meus encontros com amigos do ensino médio pouco mudou nesses mais de 10 anos, a diferença mesmo é que agora a gente que tem que pagar pelas nossas despesas e o papo aleatório de sempre, que é o charme do mangá que citei no começo do post, agora tem os assuntos mais chatos do mundo como trabalho, imposto de renda, pós-graduação e sei lá, daqui a pouco casamento e filhos (o que já é assunto em alguns dos meus círculos sociais hmmmm).

Eu não fazia nada demais no meu ensino médio mas tenho saudade da falta de preocupação que eu tinha até começar a pensar em vestibular. Acho que isso é mais um motivo por eu sentir saudade das interações que eu tive com o pessoal no arubaito, por mais que fosse tudo muito temporário e a gente soubesse disso lá, tinha uma falta de preocupação (na maioria do pessoal) que eu raramente vi na Poli por exemplo. O imediatismo, e viver sem planejar muito além do dia do pagamento da fábrica foi uma terapia pra quem vivia de rec em rec e de DP em DP na faculdade, e acho que não era só eu pensando assim lá.

Mas enfim, me lembrei agora também do fliperama que tinha na praça da Liberdade, que era mais um dos pontos de encontro que eu tinha com meus amigos do ensino médio, e olha que eram pouquíssimos: Shopping Paulista, Kantinho do Pão de Queijo (lanchonete no lado da estação Vergueiro), McDonalds's da São Joaquim (sdds) e já em 2013 o Sukiya da São Joaquim. Hoje eu conheço, relativamente, bem mais lugares e tenho também um monte de círculo social que acumulei aí nesses últimos 10 anos.

Com meus 16 anos eu fazia karate e inglês mas eu só saía mesmo com o pessoal do meu colégio, a famosa Turma da Trave, e 10 anos depois com faculdade, trabalho e arubaito eu conheci muita gente bacana e amigos pra vida, tal qual os que conheci no meu colégio, mas toda a conjuntura da época, com a gente sendo meio que os nerdão (ou nerdola como dizem hoje) da turma e a "liberdade" recém conquistada de poder sair de casa aos fins de semana podendo gastar o dinheiro dos pais dava um gosto especial pra aquela época, e acho que isso explica também porque a Turma da Trave dura até hoje.

Hoje as conversas com meus amigos do ensino médio são periódicas e esparsas, converso muito mais com o pessoal com quem convivo no trabalho, mas é só conseguir marcar um rolê qualquer que as conversas de sempre voltam à tona.

E acho que é isso. Leiam o mangá que indiquei, chamem seus amigos do ensino médio pra comer no McDonald's e sejam felizes.

vlw flw té mais!

sábado, 11 de março de 2023

o cafezinho do hospital tava super bom

Eu fiz um post (que estou com preguiça de procurar), acho que em 2013 se não me engano, depois de uma aula de literatura do cursinho onde um professor analisou O Laços de Família da Clarice Lispector e comentou como nossa primeira memória geralmente é atrelada à nossa mãe.

E no meu caso é verdade: minha família nunca contratou babá e por isso que quando meu pai saía pra trabalhar e minha irmã estava na escola e minha mãe precisava sair pra resolver algum problema, seja conta pra pagar no banco ou alguma pendência em algum prédio público, eu precisava ir junto. Minha primeira memória é uma dessas idas a algum prédio público onde fomos de ônibus, lembro que descemos numa rua íngreme e que minha mãe me comprou aquelas balinhas redondas e coloridinhas em embalagens que imitam Tic-Tacs numa barraca na rua. Minha memória desse dia obviamente não é das mas claras, mas é uma coisa que me marcou de uma forma que toda vez que passo por uma rua íngreme com barraquinha vendendo balas e onde tem uma repartição pública, eu me pergunto se foi lá o lugar da minha memória formativa.

Eu nunca morei longe dos meus pais. O máximo foram uns anos que morei a umas estações de distância mas eu via eles todos os dias no jantar, além disso foram só os três meses no Japão.

Outro dia levei minha mãe pra fazer uns exames de rotina num hospital a umas estações de distância de casa. Não é como se fossem raras as ocasiões em que saio com minha mãe, é uma ocorrência semanal ir pro supermercado e pra feira orgânica aqui do lado com ela, mas naquele sábado de manhã de clima ameno, usando o voucher de pão de queijo do exame de sangue e pagando mais um pão de batata pra mim, me sentei com minha mãe pra tomar um café debaixo de uma árvore na lanchonete do hospital.

Notei que minha mãe envelheceu. A exata reação que a protagonista d'O Laços de Família tem ao bater a cabeça com a mãe no táxi ao final do conto.

Eu tenho muita vergonha de escrever um post sobre uma pessoa próxima de mim, então acho que uma coisa que fala muito sobre minha mãe é a imagem que ela tem de mim, em suma ela acha que sou um alcoólatra.

Quem me conhece sabe que não bebo quase nada. O dia que mais bebi na vida foi no dia que descobri a Serramalte numa ida à Bella Augusta, e mesmo assim não foram nem três garrafas de 600ml. Depois dos "lockdowns" eu parei quase que totalmente de beber, mas isso não impede da minha mãe achar que toda vez que volto depois das 22h pra casa eu estava certamente bebendo.

E ela tem outras concepções totalmente de outro mundo sobre mim que nem cabe esclarecer neste post, porque valorizo ainda o pouco de dignidade que tenho fora da minha casa.

Mas uma coisa que sempre lembro foi de um aniversário dela que perguntamos onde ela queria comemorar e ela escolheu o Shopping Morumbi porque gostava de me ver jogando os jogos de música no Hot Zone de lá, nota: isso quando eu já estava na Poli. Acho que isso define bem minha mãe.

E é isso pessoal, o post ficou meio desconexo porque tive a ideia do começo dele quando fui tomar café com minha mãe e não soube muito bem como terminar o post, tá aí o resultado. Eu queria escrever sobre minha mãe mas o aniversário dela já passou faz um tempinho e o dia das mães tá meio longe ainda (e não vou lembrar de guardar este post até lá).

Recebi a sugestão aí de post de recomendação de música japonesa e acho que vou tentar fazer algo do gênero pro próximo mês.

vlw flw té mais!

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Hot takes sobre música japonesa que ninguém me perguntou

Todo mundo tem teorias esdrúxulas (famosas HOT TAKES) sobre as mais variadas coisas, as minhas são sobre música japonesa, obviamente.

Uma dessas teorias que não foi pensada por mim mas me influenciou a gastar tempo nisso foi de um livro que amo de paixão que é o Quit Your Band! Musical Notes from the Japanese Underground, que é o livro que me deu o pontapé inicial em adentrar no underground japonês. Nesse livro o autor fala que, caso precise apontar um momento pontual, o Kayokyoku virou Jpop depois que o Precious Heart da Seiko Matsuda não conseguiu ser o vigésimo-quinto single seguido dela a ser topo de vendas no Oricon, perdendo pro Gravity of Love do Tetsuya Komuro, o então representante máximo do novíssimo Jpop.  

E essa é uma teoria interessantíssima (pelo menos pra mim) porque pra todo mundo que acompanha Jpop só dos anos 2000 pra cá, Kayokyoku geralmente cai no mesmo cesto que Enka, a diferença mesmo tá no jeito de cantar mais ocidentalizado, já que o uso de orquestras era comum aos dois gêneros, o Kayo mais techno veio quase junto com o Jpop e só foi ser conhecido pro ocidente com outro nome décadas depois: City Pop.

Mas agora indo pras minhas teorias esdrúxulas:

1. O declínio do Japão se acelerou com a morte da Izumi Sakai

Exagero? Eu sinceramente acho que não. Makenaide do Zard é o Tente Outra Vez nipônico, longe de mim querer comparar Zard com Raul Seixas, mas 2007 viu o começo de uma certa transição no mercado musical japonês onde o AKB48 surgia e divas pop se afastavam dos holofotes (no caso a Hikaru Utada depois de lançar o Heart Station em 2008) e vocês sabem minha opinião quanto a grupos 48 né, o maior mal que já surgiu no Japão nos últimos 20 anos.

Mas voltando à morte da Izumi Sakai: o Zard era daquela leva de bandas centradas numa vocalista que surgiram de monte no início dos anos 90: Brilliant Green, Judy and Mary e My Little Lover me vêm à cabeça agora e em 2007 cada uma delas estava de um jeito: Brilliant Green terminou e voltou e acabou virando um projeto da Tomoko Kawase, Judy and Mary terminou em 2001 e My Little Lover acabou perdendo o membro mais importante em 2006: o compositor Takeshi Kobayashi. Enfim, o que isso tudo quer dizer? Nada, só estou falando como tava o cenário na época.

2. O fim do Kinoko Teikoku encerrou o período dourado dos anos 2010 no Underground japonês

O Kinoko Teikoku terminou em 2019 (como vocês podem ler em inúmeros posts meus na época) e isso marcou o fim de um período incrível na música underground japonesa.

No livro que citei no começo deste post, três bandas são elencadas como as principais do cenário underground japonês no final dos anos 90: Number Girl, Supercar e Quruli. Eu concordo bastante com essas escolhas e até botaria outras bandas como o Eastern Youth, mas as três realmente foram as forças motrizes que influenciam o underground japonês até hoje. Number Girl influenciou qualquer banda mais punk/hardcore, Supercar foi mais shoegaze/eletrônico e Quruli era o mais mainstream mas também tinha pegada eletrônica, e por incrível que pareça 9 entre 10 bandas que estão tocando nesta noite num porão de Tokyo vão citar pelo menos uma dessas bandas como influência.

Mas qual seria o trio de bandas mais influentes dos anos 2010? Eu elencaria Kinoko Teikoku, Andymori e Chatmonchy. Kinoko Teikoku com qualquer shoegaze/indie relax, Andymori com rock mais straightforward e Chatmonchy influenciou todo e qualquer power trio feminino que surgiu nos últimos 10 anos.

E em 2019 finalmente a última dessas bandas terminaram.

Sinceramente Kinoko Teikoku estar entre Chatmonchy e Andymori é quase um insulto, porque as duas são absurdamente influentes até hoje, e Kinoko Teikoku tem uma fama (relativa) bem maior fora do Japão que dentro. Mas quero me enganar e PRECISO botar Kinoko Teikoku no panteão de bandas mais influentes da história.

3. Yoasobi prometeu muito e entregou pouco

Acho que o surgimento do Yoasobi e do The First Take são indissociáveis, não dá pra contar a história de um sem o outro, e ambos se beneficiaram absurdamente da pandemia.

Tanto a proposta do Yoasobi como quase sendo uma banda exclusivamente virtual (do ponto de vista de não se apresentar ao vivo) quanto do The First Take de ser meio que uma live mas gravada num estúdio eram interessantes o suficiente para fazer sucesso, a vinda da pandemia poucos meses depois do começo desses dois projetos só potencializou ainda mais o crescimento da popularidade dos dois, num cenário musical que é tradicionalmente focado em shows ao vivo e vendas de CDs físicos.

O The First Take ainda vai bem, obrigado. O canal acabou caindo na graça do público ocidental que queria um gostinho de música japonesa diferente do habitual (leia-se aberturas de anime) e com a apresentação da maravilhosa Hoshimachi Suisei (uma vtuber, e minha kamioshi diga-se de passagem) e com backing da toda poderosa Sony Music, não vejo como o canal dar ruim.

Yoasobi por sua vez também está voando. Se começaram fazendo músicas baseadas em contos publicados num site obscuro, agora estão fazendo música pra anime atrás de música pra anime. Mas putz, eu pelo menos esperava bem mais.

O boom do Yoasobi veio de um movimento gigantesco das net-labels do Japão. Zutomayo, Yorushika, yama e todos aqueles clipes de música extremamente bem animados? Net-labels. E Yoasobi se destacou por mostrarem a cara num cenário dominado por vtubers e vsingers.

Mas enfim, a grande hot take aqui é que o sucesso do Yoasobi era pra ter significado uma mudança de paradigma no que estaria no topo da Oricon, mas não foi isso que rolou e me parece improvável de mudar tão cedo. O Kpop mudou mais os charts da Oricon do que Yoasobi e as net-labels.

4. Outras hot takes que tenho preguiça de explicar

4.1. O Kpop matou os grupos 48 (pelo menos os que seguiam a fórmula original);

4.2. Já foi esclarecido o porquê de muitas bandas (Supercar, For Tracy Hyde, Kinoko Teikoku) de shoegaze do Japão negarem esse rótulo, mas muitas das bandas que negaram realmente não são 100% shoegaze e as que são não fazem sucesso o suficiente pra conseguirem sequer negar;

4.3. Shimokitazawa perdeu a importância nos últimos anos como o trampolim das bandas underground pra serem menos underground depois que as novas bandas aprenderam a se promover na internet;

Enfim, acho que é isso.

Eu notei que só escrevi 12 posts ano passado e com o ritmo que estou escrevendo este ano não vai ser muito diferente hmmmmm... Pior que material pra post não faltou ano passado né, puta que pariu eu tava zicadaço do meio pro fim de 2022.

Also, já é o terceiro post seguido que é sobre música japonesa, vou tentar escrever algo mais fácil de digerir na próxima.

vlw flw té mais!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

27 anos

Hoje fiz 27 anos.

Eu tenho um exercício mental que faço desde que fiz 21 anos: em todo meu aniversário eu vejo o que a Shiina Ringo estava fazendo com minha idade.

Com 21 anos no caso ela fez o primeiro álbum: Muzai Moratorium.

Com 25 anos ela fez a maior obra de arte já concebida pela raça humana: Kalk Zamen Kuri no Hana, mas na época eu errei as contas e tinha achado que ela tinha 23 anos.

E com 27 ela, já no Tokyo Jihen, fez o Adult.


Adult, na minha opinião, é o melhor álbum do Tokyo Jihen. Por mais que a formação original com o Hirama e o HZM fosse DO CARALHO, o Ukigumo e o Izawa não fazem feio também, apesar dos haters da Phase 2 dizerem o contrário. A maior prova que a Phase 2 era boa mesmo foi o álbum de 2010: Sports, porque o que veio depois do Adult (Variety) é uma merda mesmo.

Mas enfim, Adult e os shows da turnê do álbum (Just Can't Help It) são incríveis de bom. Foi nessa época que os shows começaram a ficar mais teatrais com mudança de roupa e tudo mais, e foi quando o Tokyo Jihen começou a explorar mais sons fora do Rock straightforward que era o característico do primeiro álbum deles: Kyouiku.

Então como estava a Shiina Ringo aos seus 27 anos? No auge.

Não me leve a mal, mas na minha humilde opinião de 1999 (Muzai Moratorium) até 2010 (Sports) a Shiina Ringo era IMBROCH- imparável. Qual foi a pior coisa que ela soltou ali no meio? O Variety, e convenhamos que foi porque a ideia do álbum era justamente não ser mais uma coisa feita por ela e o Kameda. Até o Heisei Fuuzoku e o Sanmon Gossip são obras incríveis dada a época e as tendências.

Ok, eu forcei aí no meio em dizer que a Shiina Ringo em 2010 estava ainda no auge, mas em 2006? Auge sem sombra de dúvida.

Esse ano eu fiz diferente e peguei outras duas cantoras bem emblemáticas (pra mim) pra também entrar nesse paralelo:

A Mariko Goto, vocalista do Midori, com 27 anos em 2009 tinha acabado de lançar o icônico Aratamemashite, Hajimemashite, Midori desu.:


A Kayoko Yoshizawa com 27 anos em 2017 lançou o melhor e mais bem produzido álbum de Jpop da segunda metade dos anos 2010: o Yaneura Juu:


Acho que são casos bem distintos, o Aratamemashite é claramente um esforço massivo do grupo que era a banda Midori. Não tirando qualquer mérito da Mariko Goto, que ainda se mantém como uma das pessoas mais influentes do underground japonês, mas a banda era extremamente talentosa também.

A Kayoko em 2017 vinha de uma série de EPs e dois álbuns de Jpop inofensivo e surge com uma caralhada de músicos experientes e extremamente talentosos tipo o Hama Okamoto e solta o melhor álbum mainstream já lançado nos últimos anos no Japão.

Os álbuns da Kayoko desde o Yaneura Juu aliás são sempre baseados numa colaboração com um músico talentoso em algumas faixas-chave: esse álbum de 2017 tem o Hama Okamoto na primeira faixa, o próximo álbum já tem o Izawa (do Tokyo Jihen) numa faixa e o último álbum lançado em 2021 tem uma participação maravilhosa do GENIAL Ohzora Kimishima em duas faixas.

Mas enfim enfim enfim, se me deixar eu vou ficar falando de música japonesa até amanhã. 

Veremos o que farei com 27 anos não é mesmo?

Spoiler: não vai ser um Adult ou um Aratamemashite ou um Yaneura Juu, infelizmente.

vlw flw té mais!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Minha banda favorita acabou DE NOVO

Caralho, For Tracy Hyde terminou.

Procura For Tracy Hyde neste blog que você vai achar uma caralhada de post sobre a banda, desde a época que descobri eles no meio de 2018 ouvindo album rip no Youtube em algum pc da sala cad da Naval até quando fui pro Japão e FALEI COM OS MEMBROS E CONSEGUI AUTÓGRAFOS DA BANDA INTEIRA e os álbuns que eles lançaram desde então.

For Tracy Hyde é minha banda favorita desde que voltei do Japão mais ou menos. Levando em conta que a Kaneko Ayano não é uma banda. É meio incerto o que considero minha banda FAVORITA em determinado momento da minha vida, mas eu estava pensando e ficou mais ou menos assim:

  • ~2009: Oasis
  • 2010 ~ 2012: Judy and Mary e Tokyo Jihen
  • 2013 ~ 2016: Kinoko Teikoku
  • 2017 ~ 2018: ??? Provavelmente??? Citrus ou BOaT
  • 2019 ~ hoje: For Tracy Hyde

 Dá pra botar Mass of the Fermenting Dregs aí no meio também, que conheci lá pelos meados de 2012/2013.

Mas olha só, só dessas bandas aí nesse período,  eu vi CINCO DELAS TERMINAREM:

  • Oasis em 2009, três meses depois de eu ter ido no show deles
  • Tokyo Jihen e MotFD em 2012, no mesmo ano que descobri
  • Kinoko Teikoku em 2019, quem lê esse blog deve estar careca de saber isso
  • For Tracy Hyde agora em 2023

E sinceramente? Dessa vez eu já estava devidamente preparado.

Quando você adentra no cenário musical underground, mesmo que não japonês, já é dado que a grande maioria das bandas são compostas de gente que possuem empregos normais além da música ou são estudantes bancados pelos pais, nada ali dura pra sempre.

Eu fico muito feliz quando bandas que gosto saem do underground pra, finalmente, conseguirem se sustentar fazendo música, mas também fica o receio de como vai mudar o tipo de música que vão fazer agora que dependem do sucesso pra botar comida na mesa.

Um caso que ilustra isso foi o Kinoko Teikoku. Eu acompanhei a banda desde 2013 e peguei bem a passagem deles pro mainstream e o fim da banda, e eu sinceramente fiquei mais triste com a mudança de som da banda do que com o fim da banda, mas acho que já escrevi o suficiente sobre isso nos últimos anos.

Kinoko Teikoku era um caso particular porque muito da banda tava na Chiaki Sato: ela era carismática, escrevia as letras e tinha um background como tarento/gravure idol/atriz antes de entrar na faculdade e conhecer o resto da banda.

O For Tracy Hyde tinha o seu devido holofote na eureka (a vocalista) mas é evidente pra qualquer pessoa que conhece a banda que quem faz a maioria do trabalho, e é a espinha dorsal da banda, é o Natsubot, guitarrista e compositor do For Tracy Hyde. A banda inclusive passou por várias formações mas ele é o único que sobrou da formação original (ele foi inclusive o vocalista original). a Lovely Summer Chan (cantora até que famosa na área entre o underground e o mainstream) chegou a ser vocalista da banda por um curto período de tempo antes de deslanchar como cantora solo.

Mas enfim, o Kinoko Teikoku acabou porque o baixista precisava herdar o templo da família (???) e a banda, como era formada por amigos de faculdade, não via muito sentido em continuar sem ele. O For Tracy Hyde acabou porque a banda viu que não tinha muito pra onde ir depois de tudo que fizeram e, seja por briga ou por acordo, decidiram acabar na alta.

No final as duas bandas me fizeram muito feliz. Kinoko Teikoku me acompanhou nos meus piores dias desde o fim do ensino médio e For Tracy Hyde foi a trilha sonora das minhas melhores viagens de ônibus no Japão, além de ser a única banda que posso falar que consegui conversar em terras nipônicas.

A minha banda favorita de todos os tempos segue sendo Judy and Mary mas acho sempre bom ter uma banda ativa (de preferência underground) como aquela que você acompanha de perto e fica tietando no Twitter.

Será que esse é um sinal pra me contentar com as bandas que já sigo e desistir de procurar coisa nova? Espero que não. O dia em que fui ver o show do For Tracy Hyde em Yoyogi é pra mim ainda uma das memórias que tenho mais carinho na vida, quiçá o melhor dia da minha vida. E apesar disso ser o conjunto de tudo que passei naquele dia: minha primeira vez no centro de Tokyo, sozinho, totalmente perdido e maravilhado com absolutamente tudo, pra no final disso tudo ainda conhecer e conversar com uma banda que eu curtia? Eu não poderia conceber um dia mais bacana que aquele.

Quero dizer, o show do FTH nem foi o que mais gostei dos que fui no Japão, eu amei bem mais o do MotFD, mas no segundo show eu já tava com meu quadradinho reservado no Shimokita Hostel e já tinha conhecido boa parte do bairro, no primeiro show eu estava absolutamente perdido sem saber como caralhos eu pegava um trem (e nem me atrevi a pegar naquele dia) e me guiando totalmente pelo Google Maps offline que eu precisava sempre parar nas konbinis pra roubar wifi pra procurar destinos novos.

Enfim, esses dias eu tava fazendo guioza aqui em casa e lembrei de uma lembrança aleatória da minha viagem pro Japão: o supermercado perto de casa fazia umas promoções malucas de vez em quando e a bandeja de guioza com QUARENTA (40) UNIDADES ficava por tipo 150 JPY, que não dava 5 reais convertendo. Eu rachava o valor com um amigo e fritava tudo na frigideira que a gente tinha no apato e comíamos com arroz, acho que era a refeição mais custo-benefício que a gente conseguia fazer no Japão, e até hoje eu não faço ideia do que tinha no recheio daquele guioza.

Outra memória aleatória que não consegui escrever coisa o suficiente pra virar post: Eu sinto um conforto absurdo ao ouvir a voz da Yuki, ex-vocalista do Judy and Mary. Eu lembro de uma vez que estava em Shibuya subindo uma escada rolante em um daqueles prédios que fica no cruzamento famoso, e eu tava ainda EMBASBACADO e NERVOSAÇO com Shibuya em geral (assim como escrevi num post já) mas ouvir uma música da Yuki, por mais que não conhecesse e não fosse do Judy and Mary, me acalmou um pouco e me trouxe um pouco de nostalgia e segurança. 

Enfim, fugi total do tema mas é isso.

Eu desejo tudo de bom pro pessoal do For Tracy Hyde, sempre será a única banda com que falei na minha viagem pro Japão em 2018/2019 e sempre será o meu primeiro show underground que fui na vida. Eu ainda lembro de chegar tipo 2 horas antes do show abrir e ver a eureka sair pra ir na konbini do lado da casa de shows e pensar comigo mesmo "caraca, ela existe mesmo!".

E é isso, como dizia já o Oasis: 

"But please don't put your life in the handsOf a rock and roll bandWho'll throw it all away"

Obrigado pro tudo For Tracy Hyde.

vlw flw té mais!

sábado, 31 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022

Caralho mané, que ano maluco.

Foi o ano que, de verdade, algumas coisas começaram a voltar à normalidade: medidas restritivas da pandemia começaram a ficar mais relaxadas, PT ganhou eleição pra presidente, Santos decepcionou no brasileirão, Brasil foi eliminado nas quartas da copa, etc. mas foi também um ano cheio de coisa diferente: fui efetivado logo no começo do ano, ME FORMEI NA POLI DEPOIS DE SETE ANOS E MEIOOOOOOOOOOOOO, fui internado na UTI pra um problema que, graças a deus, não era o que se esperava e morreu muita gente, tanto o Pelé quanto minha vó.

O ponto negativo deste ano foi com certeza os milhares de problemas de saúde que tive desde o fim do ano passado, nem quero citar eles pro meu plano de saúde não achar essa porra e começar a me cobrar mais, mas assim, meus pais de 60+ anos são mais saudáveis que eu sem a menor dúvida. O grande alívio é que meu coração tá ok... pra alguém hipertenso, mas tá ok.

Eh, filmes novos que vi neste ano? Provavelmente nenhum. Seriados? Última série que assisti foi Tiger King em 2020. Animes? Cyberpunk Edgerunners! Muito bom. Na música japonesa rolou álbum novo do FTH e do MoTFD, ambos incríveis de bom e não tenho esperanças de 2023 superar nesse quesito... a não ser que a Kaneko Ayano e a Ichiko Aoba lancem obras de arte ano que vem.

Fiz tudo o que tinha planejado pra este ano? Eh, não, mas não fiquei muito longe. Eu como o bom niilista que sou, entro nas ocasiões esperando sempre o pior, e assim qualquer coisa boa que acontece é uma boa surpresa.

No mais, as grandes mudanças na minha vida que vou levar de 2022 são mesmo minha formatura e minha efetivação, duas coisas que eu sequer sonhava até um tempo atrás. Os problemas de saúde, eh, vamos ver.

Eu vou provavelmente começar fisioterapia, pilates, RPG e os caralho pra ver se pelo menos minha dor nas costas e minha postura melhoram, mas prevejo que minhas idas ao hospital aqui do lado não vão terminar no ano que vem, vida que segue.

Só espero que as idas continuem sendo pro hospital e não pro IML. ESPERO

Enfim, esse ano foi daqueles jogos de futebol que termina 1x0 mas teve 500 chutes ao gol dos dois times. Teve altos, teve baixos e não foi um ano parado definitivamente, mas tiveram anos com mais altos e mais baixos.

E assim me despeço de 2022, não terrivelmente otimista mas nem tão pessimista quanto nas últimas duas viradas.

Feliz ano novo, pessoal,

vlw flw té mais!