segunda-feira, 20 de março de 2023

sdds de bullshitar com meus amigos na praça de alimentação do Shopping Paulista às 15h de uma terça-feira em 2012

Eu estou lendo um mangá chamado "Food Court de, Mata Ashita." que é basicamente sobre duas amigas que se separam quando vão pra escolas diferentes por ensino médio e por isso se encontram todo dia pra conversar sobre os mais variados assuntos na praça de alimentação de um shopping.

O mangá me transportou pra 2011, quando o Yoiti recém-entrado no ensino médio achava que tinha virado adulto só porque ia e voltava sozinho da escola e saía uma vez por mês com os amigos pra comer Burger King no Shopping Paulista. Pra ser bem sincero meus encontros com amigos do ensino médio pouco mudou nesses mais de 10 anos, a diferença mesmo é que agora a gente que tem que pagar pelas nossas despesas e o papo aleatório de sempre, que é o charme do mangá que citei no começo do post, agora tem os assuntos mais chatos do mundo como trabalho, imposto de renda, pós-graduação e sei lá, daqui a pouco casamento e filhos (o que já é assunto em alguns dos meus círculos sociais hmmmm).

Eu não fazia nada demais no meu ensino médio mas tenho saudade da falta de preocupação que eu tinha até começar a pensar em vestibular. Acho que isso é mais um motivo por eu sentir saudade das interações que eu tive com o pessoal no arubaito, por mais que fosse tudo muito temporário e a gente soubesse disso lá, tinha uma falta de preocupação (na maioria do pessoal) que eu raramente vi na Poli por exemplo. O imediatismo, e viver sem planejar muito além do dia do pagamento da fábrica foi uma terapia pra quem vivia de rec em rec e de DP em DP na faculdade, e acho que não era só eu pensando assim lá.

Mas enfim, me lembrei agora também do fliperama que tinha na praça da Liberdade, que era mais um dos pontos de encontro que eu tinha com meus amigos do ensino médio, e olha que eram pouquíssimos: Shopping Paulista, Kantinho do Pão de Queijo (lanchonete no lado da estação Vergueiro), McDonalds's da São Joaquim (sdds) e já em 2013 o Sukiya da São Joaquim. Hoje eu conheço, relativamente, bem mais lugares e tenho também um monte de círculo social que acumulei aí nesses últimos 10 anos.

Com meus 16 anos eu fazia karate e inglês mas eu só saía mesmo com o pessoal do meu colégio, a famosa Turma da Trave, e 10 anos depois com faculdade, trabalho e arubaito eu conheci muita gente bacana e amigos pra vida, tal qual os que conheci no meu colégio, mas toda a conjuntura da época, com a gente sendo meio que os nerdão (ou nerdola como dizem hoje) da turma e a "liberdade" recém conquistada de poder sair de casa aos fins de semana podendo gastar o dinheiro dos pais dava um gosto especial pra aquela época, e acho que isso explica também porque a Turma da Trave dura até hoje.

Hoje as conversas com meus amigos do ensino médio são periódicas e esparsas, converso muito mais com o pessoal com quem convivo no trabalho, mas é só conseguir marcar um rolê qualquer que as conversas de sempre voltam à tona.

E acho que é isso. Leiam o mangá que indiquei, chamem seus amigos do ensino médio pra comer no McDonald's e sejam felizes.

vlw flw té mais!

sábado, 11 de março de 2023

o cafezinho do hospital tava super bom

Eu fiz um post (que estou com preguiça de procurar), acho que em 2013 se não me engano, depois de uma aula de literatura do cursinho onde um professor analisou O Laços de Família da Clarice Lispector e comentou como nossa primeira memória geralmente é atrelada à nossa mãe.

E no meu caso é verdade: minha família nunca contratou babá e por isso que quando meu pai saía pra trabalhar e minha irmã estava na escola e minha mãe precisava sair pra resolver algum problema, seja conta pra pagar no banco ou alguma pendência em algum prédio público, eu precisava ir junto. Minha primeira memória é uma dessas idas a algum prédio público onde fomos de ônibus, lembro que descemos numa rua íngreme e que minha mãe me comprou aquelas balinhas redondas e coloridinhas em embalagens que imitam Tic-Tacs numa barraca na rua. Minha memória desse dia obviamente não é das mas claras, mas é uma coisa que me marcou de uma forma que toda vez que passo por uma rua íngreme com barraquinha vendendo balas e onde tem uma repartição pública, eu me pergunto se foi lá o lugar da minha memória formativa.

Eu nunca morei longe dos meus pais. O máximo foram uns anos que morei a umas estações de distância mas eu via eles todos os dias no jantar, além disso foram só os três meses no Japão.

Outro dia levei minha mãe pra fazer uns exames de rotina num hospital a umas estações de distância de casa. Não é como se fossem raras as ocasiões em que saio com minha mãe, é uma ocorrência semanal ir pro supermercado e pra feira orgânica aqui do lado com ela, mas naquele sábado de manhã de clima ameno, usando o voucher de pão de queijo do exame de sangue e pagando mais um pão de batata pra mim, me sentei com minha mãe pra tomar um café debaixo de uma árvore na lanchonete do hospital.

Notei que minha mãe envelheceu. A exata reação que a protagonista d'O Laços de Família tem ao bater a cabeça com a mãe no táxi ao final do conto.

Eu tenho muita vergonha de escrever um post sobre uma pessoa próxima de mim, então acho que uma coisa que fala muito sobre minha mãe é a imagem que ela tem de mim, em suma ela acha que sou um alcoólatra.

Quem me conhece sabe que não bebo quase nada. O dia que mais bebi na vida foi no dia que descobri a Serramalte numa ida à Bella Augusta, e mesmo assim não foram nem três garrafas de 600ml. Depois dos "lockdowns" eu parei quase que totalmente de beber, mas isso não impede da minha mãe achar que toda vez que volto depois das 22h pra casa eu estava certamente bebendo.

E ela tem outras concepções totalmente de outro mundo sobre mim que nem cabe esclarecer neste post, porque valorizo ainda o pouco de dignidade que tenho fora da minha casa.

Mas uma coisa que sempre lembro foi de um aniversário dela que perguntamos onde ela queria comemorar e ela escolheu o Shopping Morumbi porque gostava de me ver jogando os jogos de música no Hot Zone de lá, nota: isso quando eu já estava na Poli. Acho que isso define bem minha mãe.

E é isso pessoal, o post ficou meio desconexo porque tive a ideia do começo dele quando fui tomar café com minha mãe e não soube muito bem como terminar o post, tá aí o resultado. Eu queria escrever sobre minha mãe mas o aniversário dela já passou faz um tempinho e o dia das mães tá meio longe ainda (e não vou lembrar de guardar este post até lá).

Recebi a sugestão aí de post de recomendação de música japonesa e acho que vou tentar fazer algo do gênero pro próximo mês.

vlw flw té mais!

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Hot takes sobre música japonesa que ninguém me perguntou

Todo mundo tem teorias esdrúxulas (famosas HOT TAKES) sobre as mais variadas coisas, as minhas são sobre música japonesa, obviamente.

Uma dessas teorias que não foi pensada por mim mas me influenciou a gastar tempo nisso foi de um livro que amo de paixão que é o Quit Your Band! Musical Notes from the Japanese Underground, que é o livro que me deu o pontapé inicial em adentrar no underground japonês. Nesse livro o autor fala que, caso precise apontar um momento pontual, o Kayokyoku virou Jpop depois que o Precious Heart da Seiko Matsuda não conseguiu ser o vigésimo-quinto single seguido dela a ser topo de vendas no Oricon, perdendo pro Gravity of Love do Tetsuya Komuro, o então representante máximo do novíssimo Jpop.  

E essa é uma teoria interessantíssima (pelo menos pra mim) porque pra todo mundo que acompanha Jpop só dos anos 2000 pra cá, Kayokyoku geralmente cai no mesmo cesto que Enka, a diferença mesmo tá no jeito de cantar mais ocidentalizado, já que o uso de orquestras era comum aos dois gêneros, o Kayo mais techno veio quase junto com o Jpop e só foi ser conhecido pro ocidente com outro nome décadas depois: City Pop.

Mas agora indo pras minhas teorias esdrúxulas:

1. O declínio do Japão se acelerou com a morte da Izumi Sakai

Exagero? Eu sinceramente acho que não. Makenaide do Zard é o Tente Outra Vez nipônico, longe de mim querer comparar Zard com Raul Seixas, mas 2007 viu o começo de uma certa transição no mercado musical japonês onde o AKB48 surgia e divas pop se afastavam dos holofotes (no caso a Hikaru Utada depois de lançar o Heart Station em 2008) e vocês sabem minha opinião quanto a grupos 48 né, o maior mal que já surgiu no Japão nos últimos 20 anos.

Mas voltando à morte da Izumi Sakai: o Zard era daquela leva de bandas centradas numa vocalista que surgiram de monte no início dos anos 90: Brilliant Green, Judy and Mary e My Little Lover me vêm à cabeça agora e em 2007 cada uma delas estava de um jeito: Brilliant Green terminou e voltou e acabou virando um projeto da Tomoko Kawase, Judy and Mary terminou em 2001 e My Little Lover acabou perdendo o membro mais importante em 2006: o compositor Takeshi Kobayashi. Enfim, o que isso tudo quer dizer? Nada, só estou falando como tava o cenário na época.

2. O fim do Kinoko Teikoku encerrou o período dourado dos anos 2010 no Underground japonês

O Kinoko Teikoku terminou em 2019 (como vocês podem ler em inúmeros posts meus na época) e isso marcou o fim de um período incrível na música underground japonesa.

No livro que citei no começo deste post, três bandas são elencadas como as principais do cenário underground japonês no final dos anos 90: Number Girl, Supercar e Quruli. Eu concordo bastante com essas escolhas e até botaria outras bandas como o Eastern Youth, mas as três realmente foram as forças motrizes que influenciam o underground japonês até hoje. Number Girl influenciou qualquer banda mais punk/hardcore, Supercar foi mais shoegaze/eletrônico e Quruli era o mais mainstream mas também tinha pegada eletrônica, e por incrível que pareça 9 entre 10 bandas que estão tocando nesta noite num porão de Tokyo vão citar pelo menos uma dessas bandas como influência.

Mas qual seria o trio de bandas mais influentes dos anos 2010? Eu elencaria Kinoko Teikoku, Andymori e Chatmonchy. Kinoko Teikoku com qualquer shoegaze/indie relax, Andymori com rock mais straightforward e Chatmonchy influenciou todo e qualquer power trio feminino que surgiu nos últimos 10 anos.

E em 2019 finalmente a última dessas bandas terminaram.

Sinceramente Kinoko Teikoku estar entre Chatmonchy e Andymori é quase um insulto, porque as duas são absurdamente influentes até hoje, e Kinoko Teikoku tem uma fama (relativa) bem maior fora do Japão que dentro. Mas quero me enganar e PRECISO botar Kinoko Teikoku no panteão de bandas mais influentes da história.

3. Yoasobi prometeu muito e entregou pouco

Acho que o surgimento do Yoasobi e do The First Take são indissociáveis, não dá pra contar a história de um sem o outro, e ambos se beneficiaram absurdamente da pandemia.

Tanto a proposta do Yoasobi como quase sendo uma banda exclusivamente virtual (do ponto de vista de não se apresentar ao vivo) quanto do The First Take de ser meio que uma live mas gravada num estúdio eram interessantes o suficiente para fazer sucesso, a vinda da pandemia poucos meses depois do começo desses dois projetos só potencializou ainda mais o crescimento da popularidade dos dois, num cenário musical que é tradicionalmente focado em shows ao vivo e vendas de CDs físicos.

O The First Take ainda vai bem, obrigado. O canal acabou caindo na graça do público ocidental que queria um gostinho de música japonesa diferente do habitual (leia-se aberturas de anime) e com a apresentação da maravilhosa Hoshimachi Suisei (uma vtuber, e minha kamioshi diga-se de passagem) e com backing da toda poderosa Sony Music, não vejo como o canal dar ruim.

Yoasobi por sua vez também está voando. Se começaram fazendo músicas baseadas em contos publicados num site obscuro, agora estão fazendo música pra anime atrás de música pra anime. Mas putz, eu pelo menos esperava bem mais.

O boom do Yoasobi veio de um movimento gigantesco das net-labels do Japão. Zutomayo, Yorushika, yama e todos aqueles clipes de música extremamente bem animados? Net-labels. E Yoasobi se destacou por mostrarem a cara num cenário dominado por vtubers e vsingers.

Mas enfim, a grande hot take aqui é que o sucesso do Yoasobi era pra ter significado uma mudança de paradigma no que estaria no topo da Oricon, mas não foi isso que rolou e me parece improvável de mudar tão cedo. O Kpop mudou mais os charts da Oricon do que Yoasobi e as net-labels.

4. Outras hot takes que tenho preguiça de explicar

4.1. O Kpop matou os grupos 48 (pelo menos os que seguiam a fórmula original);

4.2. Já foi esclarecido o porquê de muitas bandas (Supercar, For Tracy Hyde, Kinoko Teikoku) de shoegaze do Japão negarem esse rótulo, mas muitas das bandas que negaram realmente não são 100% shoegaze e as que são não fazem sucesso o suficiente pra conseguirem sequer negar;

4.3. Shimokitazawa perdeu a importância nos últimos anos como o trampolim das bandas underground pra serem menos underground depois que as novas bandas aprenderam a se promover na internet;

Enfim, acho que é isso.

Eu notei que só escrevi 12 posts ano passado e com o ritmo que estou escrevendo este ano não vai ser muito diferente hmmmmm... Pior que material pra post não faltou ano passado né, puta que pariu eu tava zicadaço do meio pro fim de 2022.

Also, já é o terceiro post seguido que é sobre música japonesa, vou tentar escrever algo mais fácil de digerir na próxima.

vlw flw té mais!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

27 anos

Hoje fiz 27 anos.

Eu tenho um exercício mental que faço desde que fiz 21 anos: em todo meu aniversário eu vejo o que a Shiina Ringo estava fazendo com minha idade.

Com 21 anos no caso ela fez o primeiro álbum: Muzai Moratorium.

Com 25 anos ela fez a maior obra de arte já concebida pela raça humana: Kalk Zamen Kuri no Hana, mas na época eu errei as contas e tinha achado que ela tinha 23 anos.

E com 27 ela, já no Tokyo Jihen, fez o Adult.


Adult, na minha opinião, é o melhor álbum do Tokyo Jihen. Por mais que a formação original com o Hirama e o HZM fosse DO CARALHO, o Ukigumo e o Izawa não fazem feio também, apesar dos haters da Phase 2 dizerem o contrário. A maior prova que a Phase 2 era boa mesmo foi o álbum de 2010: Sports, porque o que veio depois do Adult (Variety) é uma merda mesmo.

Mas enfim, Adult e os shows da turnê do álbum (Just Can't Help It) são incríveis de bom. Foi nessa época que os shows começaram a ficar mais teatrais com mudança de roupa e tudo mais, e foi quando o Tokyo Jihen começou a explorar mais sons fora do Rock straightforward que era o característico do primeiro álbum deles: Kyouiku.

Então como estava a Shiina Ringo aos seus 27 anos? No auge.

Não me leve a mal, mas na minha humilde opinião de 1999 (Muzai Moratorium) até 2010 (Sports) a Shiina Ringo era IMBROCH- imparável. Qual foi a pior coisa que ela soltou ali no meio? O Variety, e convenhamos que foi porque a ideia do álbum era justamente não ser mais uma coisa feita por ela e o Kameda. Até o Heisei Fuuzoku e o Sanmon Gossip são obras incríveis dada a época e as tendências.

Ok, eu forcei aí no meio em dizer que a Shiina Ringo em 2010 estava ainda no auge, mas em 2006? Auge sem sombra de dúvida.

Esse ano eu fiz diferente e peguei outras duas cantoras bem emblemáticas (pra mim) pra também entrar nesse paralelo:

A Mariko Goto, vocalista do Midori, com 27 anos em 2009 tinha acabado de lançar o icônico Aratamemashite, Hajimemashite, Midori desu.:


A Kayoko Yoshizawa com 27 anos em 2017 lançou o melhor e mais bem produzido álbum de Jpop da segunda metade dos anos 2010: o Yaneura Juu:


Acho que são casos bem distintos, o Aratamemashite é claramente um esforço massivo do grupo que era a banda Midori. Não tirando qualquer mérito da Mariko Goto, que ainda se mantém como uma das pessoas mais influentes do underground japonês, mas a banda era extremamente talentosa também.

A Kayoko em 2017 vinha de uma série de EPs e dois álbuns de Jpop inofensivo e surge com uma caralhada de músicos experientes e extremamente talentosos tipo o Hama Okamoto e solta o melhor álbum mainstream já lançado nos últimos anos no Japão.

Os álbuns da Kayoko desde o Yaneura Juu aliás são sempre baseados numa colaboração com um músico talentoso em algumas faixas-chave: esse álbum de 2017 tem o Hama Okamoto na primeira faixa, o próximo álbum já tem o Izawa (do Tokyo Jihen) numa faixa e o último álbum lançado em 2021 tem uma participação maravilhosa do GENIAL Ohzora Kimishima em duas faixas.

Mas enfim enfim enfim, se me deixar eu vou ficar falando de música japonesa até amanhã. 

Veremos o que farei com 27 anos não é mesmo?

Spoiler: não vai ser um Adult ou um Aratamemashite ou um Yaneura Juu, infelizmente.

vlw flw té mais!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Minha banda favorita acabou DE NOVO

Caralho, For Tracy Hyde terminou.

Procura For Tracy Hyde neste blog que você vai achar uma caralhada de post sobre a banda, desde a época que descobri eles no meio de 2018 ouvindo album rip no Youtube em algum pc da sala cad da Naval até quando fui pro Japão e FALEI COM OS MEMBROS E CONSEGUI AUTÓGRAFOS DA BANDA INTEIRA e os álbuns que eles lançaram desde então.

For Tracy Hyde é minha banda favorita desde que voltei do Japão mais ou menos. Levando em conta que a Kaneko Ayano não é uma banda. É meio incerto o que considero minha banda FAVORITA em determinado momento da minha vida, mas eu estava pensando e ficou mais ou menos assim:

  • ~2009: Oasis
  • 2010 ~ 2012: Judy and Mary e Tokyo Jihen
  • 2013 ~ 2016: Kinoko Teikoku
  • 2017 ~ 2018: ??? Provavelmente??? Citrus ou BOaT
  • 2019 ~ hoje: For Tracy Hyde

 Dá pra botar Mass of the Fermenting Dregs aí no meio também, que conheci lá pelos meados de 2012/2013.

Mas olha só, só dessas bandas aí nesse período,  eu vi CINCO DELAS TERMINAREM:

  • Oasis em 2009, três meses depois de eu ter ido no show deles
  • Tokyo Jihen e MotFD em 2012, no mesmo ano que descobri
  • Kinoko Teikoku em 2019, quem lê esse blog deve estar careca de saber isso
  • For Tracy Hyde agora em 2023

E sinceramente? Dessa vez eu já estava devidamente preparado.

Quando você adentra no cenário musical underground, mesmo que não japonês, já é dado que a grande maioria das bandas são compostas de gente que possuem empregos normais além da música ou são estudantes bancados pelos pais, nada ali dura pra sempre.

Eu fico muito feliz quando bandas que gosto saem do underground pra, finalmente, conseguirem se sustentar fazendo música, mas também fica o receio de como vai mudar o tipo de música que vão fazer agora que dependem do sucesso pra botar comida na mesa.

Um caso que ilustra isso foi o Kinoko Teikoku. Eu acompanhei a banda desde 2013 e peguei bem a passagem deles pro mainstream e o fim da banda, e eu sinceramente fiquei mais triste com a mudança de som da banda do que com o fim da banda, mas acho que já escrevi o suficiente sobre isso nos últimos anos.

Kinoko Teikoku era um caso particular porque muito da banda tava na Chiaki Sato: ela era carismática, escrevia as letras e tinha um background como tarento/gravure idol/atriz antes de entrar na faculdade e conhecer o resto da banda.

O For Tracy Hyde tinha o seu devido holofote na eureka (a vocalista) mas é evidente pra qualquer pessoa que conhece a banda que quem faz a maioria do trabalho, e é a espinha dorsal da banda, é o Natsubot, guitarrista e compositor do For Tracy Hyde. A banda inclusive passou por várias formações mas ele é o único que sobrou da formação original (ele foi inclusive o vocalista original). a Lovely Summer Chan (cantora até que famosa na área entre o underground e o mainstream) chegou a ser vocalista da banda por um curto período de tempo antes de deslanchar como cantora solo.

Mas enfim, o Kinoko Teikoku acabou porque o baixista precisava herdar o templo da família (???) e a banda, como era formada por amigos de faculdade, não via muito sentido em continuar sem ele. O For Tracy Hyde acabou porque a banda viu que não tinha muito pra onde ir depois de tudo que fizeram e, seja por briga ou por acordo, decidiram acabar na alta.

No final as duas bandas me fizeram muito feliz. Kinoko Teikoku me acompanhou nos meus piores dias desde o fim do ensino médio e For Tracy Hyde foi a trilha sonora das minhas melhores viagens de ônibus no Japão, além de ser a única banda que posso falar que consegui conversar em terras nipônicas.

A minha banda favorita de todos os tempos segue sendo Judy and Mary mas acho sempre bom ter uma banda ativa (de preferência underground) como aquela que você acompanha de perto e fica tietando no Twitter.

Será que esse é um sinal pra me contentar com as bandas que já sigo e desistir de procurar coisa nova? Espero que não. O dia em que fui ver o show do For Tracy Hyde em Yoyogi é pra mim ainda uma das memórias que tenho mais carinho na vida, quiçá o melhor dia da minha vida. E apesar disso ser o conjunto de tudo que passei naquele dia: minha primeira vez no centro de Tokyo, sozinho, totalmente perdido e maravilhado com absolutamente tudo, pra no final disso tudo ainda conhecer e conversar com uma banda que eu curtia? Eu não poderia conceber um dia mais bacana que aquele.

Quero dizer, o show do FTH nem foi o que mais gostei dos que fui no Japão, eu amei bem mais o do MotFD, mas no segundo show eu já tava com meu quadradinho reservado no Shimokita Hostel e já tinha conhecido boa parte do bairro, no primeiro show eu estava absolutamente perdido sem saber como caralhos eu pegava um trem (e nem me atrevi a pegar naquele dia) e me guiando totalmente pelo Google Maps offline que eu precisava sempre parar nas konbinis pra roubar wifi pra procurar destinos novos.

Enfim, esses dias eu tava fazendo guioza aqui em casa e lembrei de uma lembrança aleatória da minha viagem pro Japão: o supermercado perto de casa fazia umas promoções malucas de vez em quando e a bandeja de guioza com QUARENTA (40) UNIDADES ficava por tipo 150 JPY, que não dava 5 reais convertendo. Eu rachava o valor com um amigo e fritava tudo na frigideira que a gente tinha no apato e comíamos com arroz, acho que era a refeição mais custo-benefício que a gente conseguia fazer no Japão, e até hoje eu não faço ideia do que tinha no recheio daquele guioza.

Outra memória aleatória que não consegui escrever coisa o suficiente pra virar post: Eu sinto um conforto absurdo ao ouvir a voz da Yuki, ex-vocalista do Judy and Mary. Eu lembro de uma vez que estava em Shibuya subindo uma escada rolante em um daqueles prédios que fica no cruzamento famoso, e eu tava ainda EMBASBACADO e NERVOSAÇO com Shibuya em geral (assim como escrevi num post já) mas ouvir uma música da Yuki, por mais que não conhecesse e não fosse do Judy and Mary, me acalmou um pouco e me trouxe um pouco de nostalgia e segurança. 

Enfim, fugi total do tema mas é isso.

Eu desejo tudo de bom pro pessoal do For Tracy Hyde, sempre será a única banda com que falei na minha viagem pro Japão em 2018/2019 e sempre será o meu primeiro show underground que fui na vida. Eu ainda lembro de chegar tipo 2 horas antes do show abrir e ver a eureka sair pra ir na konbini do lado da casa de shows e pensar comigo mesmo "caraca, ela existe mesmo!".

E é isso, como dizia já o Oasis: 

"But please don't put your life in the handsOf a rock and roll bandWho'll throw it all away"

Obrigado pro tudo For Tracy Hyde.

vlw flw té mais!

sábado, 31 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022

Caralho mané, que ano maluco.

Foi o ano que, de verdade, algumas coisas começaram a voltar à normalidade: medidas restritivas da pandemia começaram a ficar mais relaxadas, PT ganhou eleição pra presidente, Santos decepcionou no brasileirão, Brasil foi eliminado nas quartas da copa, etc. mas foi também um ano cheio de coisa diferente: fui efetivado logo no começo do ano, ME FORMEI NA POLI DEPOIS DE SETE ANOS E MEIOOOOOOOOOOOOO, fui internado na UTI pra um problema que, graças a deus, não era o que se esperava e morreu muita gente, tanto o Pelé quanto minha vó.

O ponto negativo deste ano foi com certeza os milhares de problemas de saúde que tive desde o fim do ano passado, nem quero citar eles pro meu plano de saúde não achar essa porra e começar a me cobrar mais, mas assim, meus pais de 60+ anos são mais saudáveis que eu sem a menor dúvida. O grande alívio é que meu coração tá ok... pra alguém hipertenso, mas tá ok.

Eh, filmes novos que vi neste ano? Provavelmente nenhum. Seriados? Última série que assisti foi Tiger King em 2020. Animes? Cyberpunk Edgerunners! Muito bom. Na música japonesa rolou álbum novo do FTH e do MoTFD, ambos incríveis de bom e não tenho esperanças de 2023 superar nesse quesito... a não ser que a Kaneko Ayano e a Ichiko Aoba lancem obras de arte ano que vem.

Fiz tudo o que tinha planejado pra este ano? Eh, não, mas não fiquei muito longe. Eu como o bom niilista que sou, entro nas ocasiões esperando sempre o pior, e assim qualquer coisa boa que acontece é uma boa surpresa.

No mais, as grandes mudanças na minha vida que vou levar de 2022 são mesmo minha formatura e minha efetivação, duas coisas que eu sequer sonhava até um tempo atrás. Os problemas de saúde, eh, vamos ver.

Eu vou provavelmente começar fisioterapia, pilates, RPG e os caralho pra ver se pelo menos minha dor nas costas e minha postura melhoram, mas prevejo que minhas idas ao hospital aqui do lado não vão terminar no ano que vem, vida que segue.

Só espero que as idas continuem sendo pro hospital e não pro IML. ESPERO

Enfim, esse ano foi daqueles jogos de futebol que termina 1x0 mas teve 500 chutes ao gol dos dois times. Teve altos, teve baixos e não foi um ano parado definitivamente, mas tiveram anos com mais altos e mais baixos.

E assim me despeço de 2022, não terrivelmente otimista mas nem tão pessimista quanto nas últimas duas viradas.

Feliz ano novo, pessoal,

vlw flw té mais!

 


terça-feira, 15 de novembro de 2022

Fui internado numa UTI

Fiquei três dias na UTI.

Domingo de manhã, talvez o pior horário possível para se fazer alguma coisa, eu estava malhando na Smart Fit aqui do lado de casa. Fiz esteira, estava me sentindo benzão, era dia de superiores e faltava uns dois aparelhos pra terminar o treino. Aí que eu estava fazendo remada e DO NADA meu braço esquerdo começou a ficar dormente.

"PUTA QUE PARIU EU VOU MORRER" foi o que pensei na hora. Parei o exercício imediatamente e voltai pra casa. Me acalmei, fui pro supermercado mas comecei a ficar meio tonto e fiquei claramente noiadaço com aquilo ali, então voltei pra casa e corri pro hospital.

Capítulo 1: O Pronto-Socorro

Cheguei lá no PS do hospital do lado de casa e apertei a opção no totem para FORMIGAMENTO/DORMÊNCIA AVC, e fui atendido na hora, nem deu tempo de me sentar para esperar (também porque o hospital estava vazio, era domingo de manhã afinal).

Expliquei o problema, fizeram uns testes e falaram: hmm, tá com cara de crise de ansiedade, mas vamos fazer o eletrocardiograma (EKG) pra garantir.

Fiz lá o EKG, fui pro médico e ele falou: hmm, tá tudo ok, a gente só vai fazer u mteste de enzimas do coração pra ter certeza mas não parece nada grave, foi crise de ansiedade mesmo.

Retirei o sangue lá, tava esperando de boa quando outro médico surge do nada e fala: MALUCO VAMO TER QUE TE INTERNAR, TESTE DE ENZIMA DEU ALTO AQUI E O PAI TÁ COM MEDO DE VOCÊ IR DE BEISE (não com essas palavras mas com esse senso de urgência).

Me trouxeram um almoço de hospital (panqueca integral de atum com chuchu refogado e arroz integral, sdds do bandejão, francamente) e me levaram de maca pra UTI. Nisso o enfermeiro falou que não podia levar celular pra lá.

Capítulo 2: UTI

Eu já estava com eletrodo pelo meu corpo inteiro devido ao EKG, então só ligaram todos a um monitor, botaram o negócio de pressão no meu braço e o prendedor no meu dedo pra medir saturação de O2. 

Cara, a UTI era o inferno na terra. Eu era o mais novo lá por uma margem astronômica, a grande maioria internada na UTI era idoso que não tinha condições de sequer ter uma dieta sólida, quanto mais ir ao banheiro sozinho. 

Quero dizer, eu não era um estranho total de uma UTI, eu visitei o Romito diversas vezes em 2016/2017 quando ele tava na UTI, mas ficar em uma é obviamente totalmente diferente.

Digamos que ver um pessoal à beira da morte urrando de dor até ser dopado com morfina até desmaiar não é uma coisa bacana de se presenciar, com certeza me sensibilizou de coisas que eu nem sabia que eu tinha dentro de mim, mas prossigamos na história.

Meus pais me visitaram na UTI logo depois de eu chegar lá e pedi pra eles pra trazerem meu Kindle, já que achava que não podia ter o celular ali mesmo (imaginei que podia causar interferência com alguns aparelhos ali) e por uma noite eu li mais do que todo o resto do ano.

Eu tinha várias sessões de fisioterapia e uma caralhada de exames, além das três refeições usuais e mais um lanche da tarde e um da noite. As refeições eram sempre servidas naquelas bandejas de refeição congelada, e eram mesmo (o arroz pra ficar daquele jeito só sendo congelado e esquentado no micro-ondas mesmo) mas tirando o quibe assado que comi depois de já sair da UTI, nenhuma refeição era tão ruim assim, só sem graça mesmo.

Cada leito tinha uma cama, uma mesa e uma poltrona, pra não ficar na mesmice você podia pedir pro enfermeiro te ajudar a te botar na poltrona ou na cama e vice-versa. Eu passava maioria do dia na poltrona, já que era bem melhor pra comer e ler no kindle/usar o celular, e só ia pra cama pra exames e pra dormir.

Os enfermeiros eram todos muito simpáticos e eu conseguia conversar bem com eles, acho que como eu era um dos únicos pacientes lá que conseguia sequer ficar consciente na maioria do tempo, eles gostavam de puxar um papo.

No mais, tinham 3 trocas de turno por dia e em toda troca vinha o técnico de enfermagem, enfermeiro, fisioterapeuta e médico pra ver se eu tava vivo e bem. E, como já era de se esperar, quanto mais subia o cargo, menos o profissional se dedicava a você, apesar de uma das médicas em especial ter sido super gente fina comigo.

Toda vez que eu precisava ir ao banheiro eu tinha que pedir pro enfermeiro me tirar todos os eletrodos e medidores e ele precisava ficar na porta, o que era uma merda porque a cada dois minutos eu ouvia um "você tá bem aí?" e não conseguia cagam em paz. Tomar banho era a mesma história, mas eu só tomei banho lá na segunda, domingo não me fizeram tomar banho e terça de noite eu já tava no quarto.

Mas enfim, eu acabei conseguindo pedir pros meus pais trazerem meu celular (e um carregador) na segunda-feira e consegui falar com todo mundo que precisava.

Capítulo 3: O Quarto

Na terça os exames já estavam apontando que eu não tinha nada de errado e provavelmente o primeiro enfermeiro que falou comigo no PS tava certo: foi ansiedade, mas só pra eles não tomarem culpa se eu tivesse um piripaque logo depois da alta, me mandaram pra um quartinho privativo, já sem eletrodos e os caraio.

E o quarto era bacaníssimo, a cama era melhor, tinha um sofá e uma poltrona e TINHA ATÉ TV, além do banheiro privativo onde eu poderia cagar em paz, o único foda era que a janela do quarto não abria. Eu até combinei dos meus amigos virem me visitar se eu ficasse mais tempo, mas acabou que saí depois de um dia lá.

E ficar no quarto foi bem diferente da UTI, em toda troca de turno ainda vinha o enfermeiro e o médico ver se eu tava vivo, mas era uma coisa bem mais relaxada e maioria do tempo eu ficava sozinho num quarto sem janela e com uns 5 canais aleatórios na TV. O bom de ficar no quarto é que já fazia MUITO tempo que eu não comia um café da manhã assistindo Bom Dia SP, e é uma coisa que eu fazia com uma certa frequência no pré-pandemia quando eu tava me preparando pra Poli, e mesmo lá na lanchonete da Poli, não era incomum eu pegar um pão de queijo e um pingado e ficar vendo o noticiário matinal lá enquanto a aula não começava.

Mas enfim, as refeições que vinham pra mim no quarto continuavam bem comida de hospital e os "lanches" da tarde e da noite na terça em particular foram bem deprimentes: pacotes de biscoito de polvilho individuais e um chá quente, naquele dia eu dormi com fome.

Quarta-feira eu já tava com a confirmação do médico do andar que eu já teria alta, veio o cardiologista e o neurologista me dar instruções do que fazer dali pra frente, basicamente exames e consultas, e cumprimento e tapinha nas costas, enfim eu estava livre.

Conclusão

Não morri. 

Pra falar a verdade esse negócio do coração já era algo que me preocupava já faz um tempão, então ter feito os exames e eles terem dado normal já me acalmam quanto a algumas coisas, mas não deixo de pensar que sim, minha saúde é uma merda.

Hoje ainda, uma semana depois de ter entrado na UTI, eu acordei malzaço e vomitei o pouco de suco de laranja que tinha no estômago, tava suando frio e com uma dor de cabeça abismal, acabei só ficando pra uma reunião no trampo e fui descansar. Melhorei agora a pouco e não faço a menor ideia do que seja, intoxicação alimentar? Hipoglicemia? Covid? Não faço ideia e preferi ficar em casa do que ir no hospital, vou ter que voltar lá pra fazer os exames e consultas que fiquei devendo mesmo.

E é isso aí. tem alguns detalhes que omiti e só vou falar mesmo se me pagarem uma coca sem açúcar, já que estou prevendo a merda que uma breja vai fazer comigo nos próximos dias, mas por favor, não deixem de me convidar pra rolês que eu não possa morrer.

vlw flw té mais!