segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Você não tem noção do que este post vai ser sobre

Acho que uma boa métrica de como sua vida tá indo é a quantidade de histórias que você consegue contar.

Era 2014 e meus primos que moravam fora do Brasil resolveram vir passear aqui, então acabou que juntou todos os primos pra comer numa hamburgueria (A Chapa acho) e papo vai papo vem e cada um tava contando histórias engraçadas da vida.

Eu contei alguma merda sem nexo total lá, rolou umas risada sem graça e segue o jogo.

O Yoiti de 2014 era sobretudo um fodido. Fazendo cursinho depois de achar que tinha estourado (no bom sentido) nos vestibulares no TERCEIRÃO, mas que acabou batendo a cara na parede. Só tinha um grupo de amigos (mas é o MELHOR grupo de amigos, que fique bem claro), acho que eu tinha voltado a fazer karate na época? Não lembro, mas enfim, sem glória nenhuma, sem nada nada de interessante rolando na vida.

Agora eu teria uma caralhada de história pra contar, só ver os posts neste blog: as situações imbecis que passei no Japão por não saber japonês, as minhas desventuras na Escola Politécnica (que foram inúmeras, INÚMERAS), as vezes que achei que tinha feito uma merda gigantesca no trampo (que são frequentes) e até coisa cotidiana da quarentena e das saídas com meus amigos. Se um dos meus melhores posts foi sobre uma barata aparecendo na minha cozinha, tenho fé que consigo contar alguma história boa pra pessoas que não me veem faz tempo. 

E acho que a métrica aí que citei não é tão unidimensional quanto parece ser. Mais do que ter acontecido coisa comigo de 2014 pra cá, eu conseguir transformar as coisas mais merdas que aconteceram em histórias interessantes também reflete que me desenvolvi como pessoa.

Outro dia eu tava falando com minha equipe no trampo de como eu ODIEI uns dois meses seguidos no trampo porque era basicamente processinho manual e repetitivo todo dia, e foi a ladainha mais honesta que eu poderia falar sem xingar pessoas específicas, mas o pessoal riu pra porra. 

E é isso aí, se a situação não causou a morte de ninguém e se, sobretudo, seja sobre VOCÊ, tem que rir mesmo. Acho que estou muito velho pra me importar com a opinião alheia a ponto de me ofender.

Essa página do Nami Yo Kitte Kure é bem minha visão do que é ser um bom comediante, ou pelo menos a essência de saber entreter ou outros: fazer piada de si mesmo.

TUDO ISSO FOI A INTRODUÇÃO DESTE POST

Galera, eu fui no proctologista hoje.

Eu tava com uns problemas no intestino e no cu desde Maio do ano passado, não vou entrar em detalhes pra não espantar mais que o necessário, mas fui no pronto socorro umas três vezes ano passado e na semana passada voltaram uns sintomas que tive, então decidi largar o medo e fui pro proctologista de qualquer jeito.

Meu professor de filosofia foi um mentiroso do caralho, lembro que ele sempre falava que tinha que deixar a masculinidade frágil de lado e ir fazer o exame de toque mesmo, e que os homens em geral achavam tão bom que sentiam até prazer. Porra nenhuma.

Ah, eu nem fiz exame de toque hoje, mas eu já tinha feito numa das idas ao pronto socorro E DÓI PRA CACETE (mas é rápido, não tenha medo de fazer). O médico até passa uma pomada pra doer menos, que APOSTO que é a mesma coisa que usam no sexo anal, mas ainda dói hein, meu deus.

Eu deixei esse espaço no post pra falar do que seria a minha situação de ter feito dois exame de toque em menos de um ano, mas o proctologista hoje tava mais preocupado com outras coisas.

Antes de mais nada: eu estou bem, por enquanto. To com alguma coisa inflamada no intestino (que não é o apêndice) e vamo ver o que vai rolar né, to com uns exames pra fazer. O único foda mesmo é o médico ter proibido pimenta, além de álcool e cigarro (que não são bem meus melhores amigos).

Enfim, é isso aí. 

Se cuidem, façam exercícios, comam decentemente e não fiquem o dia inteiro com a bunda na cadeira.

De resto eehhhh, mando as próximas novidades num próximo post.

vlw flw té mais!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021 ???!!!!!

Eu sei que temos ainda seis dias mas já dá pra falar do ano né?

Foi bom.

Como falei no post anterior: eu avancei absurdamente na minha vida profissional e acadêmica nesse último ano, eu literalmente tirei o atraso dos últimos cinco anos em um só, com MUITAS ressalvas claro.

Mas minha saúde tá bem merda e ela deu uma boa piorada nesse ano, foi o preço que paguei por querer resolver tudo que tinha na faculdade em um ano só, meu condicionamento físico tá HORRÍVEL.

Como vai faltar pouca coisa na faculdade ano que vem, não vamos falar de especificidades, então acho que vai dar pra levar uma vida mais saudável, talvez começar uma academia? As perspectivas são boas.

Mas voltando ao ano de 2021: hmm, até Março tava uma absoluta merda e depois deu uma melhorada. O ponto baixo real foi a mudança que fiz em Março e o ponto alto foi quando finalmente pude encontrar com vários amigos meus e pude até trabalhar presencialmente, interações sociais em ambientes controlados sempre são boas.

Eu não assisti NENHUM filme que não fosse de anime neste ano, NENHUM. E tirando umas vezes que reli umas partes de livros, zero livros também.

De anime eu só assisti Sonny Boy e Yuru Camp 2, tentei assistir Blue Period mas cagaram na animação, tentei também o anime da cosmonauta vampira mas não me animou muito. 

Mangá, como sempre, eu li pra caralho, então é difícil dizer qual que comecei ou terminei neste ano, mas foram muitos, como sempre.

De resto ehhh, comecei a jogar SMT 5, que to com preguiça de terminar antes do ano novo mas vou tentar terminar antes das aulas começarem ano que vem. 

Comecei a comprar carta de Yu-Gi-Oh novamente, talvez o maior erro que cometi neste ano? E troquei de celular depois de quase 5 aninhos! Eu acabei cumprindo a promessa que tinha feito de que meu próximo celular seria pago com o dinheiro que eu ganhasse com trabalho, eu poderia ter pego um atalho nessa afirmação usando o dinheiro que ganhei no Japão, mas eu realmente queria pagar com dinheiro do estágio.

Enfim, 2021 foi bem melhor que 2020 e foram anos bem opostos, onde 2020 começou bem e terminou bosta, 2021 começou bosta e (espero) que vai terminar bem.

Ano que vem eu nem quero tentar prever o que me espera, só quero comprar umas coisinhas na minha wishlist e, se tudo der certo, pegar um feriado pra viajar.

Eu tava planejando guardar dinheiro pra fazer uma grande compra idiota, tipo uma figure cara ou o 3DS LL EDIÇÃO ESPECIAL LOVE PLUS DA MANAKA mas só de pensar no processo de importação já me dá uma gastrite, então vou me manter nos gastos medianos que ainda vão impactar minha conta bancária.

E acho que é isso, eu não vou fazer muitos planos pro ano que vem porque ainda estou num processo que começou neste ano, então vai demorar pra eu ter novas aspirações fora do que já estou fazendo agora, mas perder um pesinho seria bom.

Eeeehhh, no mais é isso. Tenham boas festas e ano novo e demorei demais e o Natal já passou (comecei a escrever este post no dia 25) mas fica aí meus parabéns e feliz Natal também.

Estou cansado, essa semana entre Natal e Ano Novo devia ser feriado prolongado, ainda mais em instituições financeiras.

valeu, falou, té mais!

Aliás, se você tá lendo este post e me prometeu uma breja ano passado ou esse ano, me liga.

Vamo tomar uma Serramalte e bater um papo.

domingo, 12 de dezembro de 2021

nem só de derrotas vive o Yoiti

"Yoiti, você venceu né?"

Um colega de turma que se formou me falou isso quando fui tirar foto pra formatura da minha turma.

"Mas é sério po, você já pensou em desistir da Poli e tava totalmente desanimado até um tempo atrás, agora tá praticamente efetivado numa boa empresa e quase formado."

Eu não gosto de cantar vitória antes da hora mas puta merda, esses dois últimos anos foram uma correria do caralho: teve a pandemia, o fechamento da pensão dos meus pais, a correria pra vender todos os móveis em menos de um mês, as entrevistas de estágio, o processo de mudança no meio do pico da pandemia, o estágio junto com as matérias mais osso da graduação, minha mudança (não voluntária) de área no trampo e enfim a efetivação, que fiquei sabendo que vai acontecer já no começo do ano que vem.

Sinceramente, a pandemia e a quarentena claramente foram uma merda, mas se não fosse por essa situação eu não me formava e arranjava o emprego mas nem fodendo. É bizarro você olhar pro meu número de matérias cursadas até 2019 e as que cursei em 2020 e 2021, o que duas horas de transporte público a menos por dia na vida do indivíduo não fazem hein?

Não é como se o ânimo pra estudar estivesse particularmente alto nesses dois últimos anos, foi só a urgência de "essa situação não vai se repetir de novo durante a graduação, então vamo aproveitar" e também que meu desânimo com a graduação e a situação geral do país e da minha vida já estavam num nível tão alto que não foi uma pandemia que piorou muito meu astral.

Mas enfim, agora parece que consegui botar nos trilhos tanto minha graduação quanto meu trabalho, o que são duas coisas que eu não esperava ter controle até uns meses atrás, a única coisa que piorou na minha vida mesmo foram as relações interpessoais e minha habilidade de me comunicar verbalmente, mas isso a gente vê com o tempo. 

Ah, e minha saúde também. Hmm.

Agora vamo ver como vai ser ano que vem. SE TUDO DER CERTO vai ficar faltando só uma matéria da Poli pra fazer, aí é correr pro abraço e buscar meu diploma que não tá valendo muita coisa hoje em dia, vida que segue, eu acho.

Mas a grande questão é: meu colega tava realmente certo? Eu venci?

Olha, enquanto eu não tiver uma casa de shows ou uma gravadora independente em Tokyo e morar num apato em Setagaya eu não venci ainda não.

Brincadeiras à parte, a gente vence e perde todo dia, eu só estou com o saldo positivo neste ano.

E vamos tentar manter isso.

E é isso aí, 

vlw, flw

té mais!


sábado, 4 de dezembro de 2021

acabou a festa

Faz quanto tempo que você foi numa festa infantil?

Eu comi umas coxinhas feitas na airfryer hoje e me lembrei das várias festas infantis que fui durante minha infância.

Eu fui em algumas que foram em salões de festa em prédios, em McDonald's (que era A ostentação do moleque de 5 anos) mas as festas que mais fui quando criança foram todos em buffets infantis.

E tinham pra todos os gostos: do buffet mais simples, com uns escorregadores, fliperamas, air hockey e pebolim, até aqueles que tinha um monotrilho (que até hoje não entendo muito bem a graça), cama elástica, oficina de fazer aquela mão de cera, barco viking, escalada, etc. Era praticamente uma competição pros pais das crianças mostrarem quem fazia a festa mais elaborada.

Minha família mesmo nunca fez essas festas pra mim, e pra ser bem sincero eu até agradeço, é um puta gasto desnecessário, o bom mesmo era ir pras festas.

Acho que a última festa dessas de buffet que fui foi lá por 2008, quando eu tinha 12 anos. Já era uma época que o pessoal já fazia umas coisas mais "adolescentes" e era uma vibe meio diferente, menos infantil. Uma das últimas festas de buffet que fui por exemplo era num lugar que a temática era futebol, e toda coisa que tinha lá era de futebol (inclusive o bolo)... não foi tão legal.

A melhor dessas festas que fui acho que foi lá por 2005 ou 2006 (quando eu tinha uns 8~10 anos), de um amigo meu que inclusive fui encontrar de novo na Poli depois de quase 10 anos sem falar com ele. Se não me engano ele fez duas festas: uma delas teve como lembrancinha umas cartas (falsas) de Yu-Gi-Oh! e um SABONETE COM UM BONEQUINHO DE UM PERSONAGEM DE YU-GI-OH! DENTRO (na moral, melhor lembrancinha de aniversário que já recebi), a segunda festa teve como lembrancinha aquele negócio de fazer sua mão de cera, o que eu não vejo muita graça até hoje mas não dá pra negar que é bacaninha. Ah sim, os dois buffets eram super bacanas, a última festa dele que fui foi inclusive temática de Star Wars, o terceiro filme tinha acabado de sair na época e tinha UM cara fantasiado pra animar a festa e adivinha do que ele tava fantasiado... Jar Jar Blinks.

Enfim, eu não tenho muitas esperanças de ir numa festa infantil de buffet ainda nessa vida, pelo menos não pra curtir como criança, e pensando nisso eu lembro umas vezes que minha mãe me levava pras festas e ficava lá socializando com outros pais.

Eu particularmente nunca fui muuuuuito animado pra comemorar aniversário. Sempre achei que comemorações GRANDES deviam ser reservadas pra feitos importantes, não completar mais um ano de vida, mas isso pode ser idiossincrasia minha também. Acho que de modo geral, o churrasco que fiz com meus amigos comemorando o fim do ensino médio, a festa de formatura do pessoal da Poli e quando saí com meus pais depois da matrícula na faculdade significaram bem mais que qualquer aniversário que eu poderia ter comemorado, acho que até a vez que fizemos um churrasco pra comemorar o fim de um semestre foi significativo. Mas hmm, acho que estou fugindo do assunto aqui.

Acho que esse post é meio que uma continuação do post sobre festas de debutante? É meio aquela piada né, você vê a fase da vida que está pelo tipo de festas que vai: de criança, debutante, formatura, casamento e velório. Logo mais chegam os casamentos.

E é isso aí, saudades de comer bolo e salgadinhos com refrizão.

vlw flw té mais!

domingo, 21 de novembro de 2021

eu trabalho numa empresa bem grande

Eu estou estagiando já desde Abril mas ontem foi meu primeiro dia presencial no trampo.

Como o pessoal bem disse: não era um dia pra trabalhar TRABALHAR. Maioria do pessoal veio do interior pra empresa pela primeira vez em mais de um ano. Teve uma reunião que ocupou toda a parte da manhã da sexta-feira e, bem, era sexta-feira, ninguém tá pilhado numa sexta.

Meu setor tem umas 10 pessoas, sendo que duas moram fora do ESTADO, umas cinco moram fora da cidade e basicamente eu sou o que mora mais perto, o que é mais ou menos meia hora do meu quarto até eu entrar no meu andar.

Obviamente que quando tava presencial pré-pandemia a galera toda morava em São Paulo, mas como a empresa já viu que deixar o pessoal escolher de onde trabalhar é o que dá menos despesas e mais produtividade e o pessoal não tinha tanta afeição por São Paulo a ponto de pagar o triplo por um aluguel de um apê aqui do valor que seria uma parcela de casa no interior, então a escolha fica fácil pros dois lados.

A galera que veio do interior só pra trabalhar na sexta veio mais pra reencontrar (ou conhecer) o resto do pessoal e também pra comer num restaurante perto da empresa, um restaurante delicioso diga-se de passagem. 

Eu me perdi no prédio em todos os momentos que não estava com meus colegas de trabalho, aquela porra tem cinco torres, uns 4 andares térreos com nomes genéricos e meu senso de direção completamente comprometido por dois anos de isolamento também não ajudaram.

Mas mesmo me perdendo, eu gostei bastante do prédio da empresa, ele é ginorme. Dá pra sair do metrô e entrar no prédio sem tomar chuva debaixo de uma tempestade e dentro do prédio tem basicamente tudo o que você pode precisar: drogaria, loja de conveniência, sorveteria e aposto que tem muito mais que não vi no dia que fui lá.

Os meus colegas de trabalho também são super legais, o que eu já sabia pelo o que interagi com eles por distância, mas é bom ver que as pessoas que ouço nas calls semanais realmente existem de verdade.

Hmm, eu provavelmente só vou trabalhar lá presencialmente de novo no ano que vem, se muito vou mais uma vez no mês que vem, depois disso também é bem pouco provável que eu volte 100% presencial, mas é bom saber que caso eu não queira trabalhar em casa, existe a possibilidade de trabalhar em um lugar agradável relativamente próximo. 

Enfim, ano que vem EU ESPERO que sobre só mais uma matéria pra fazer na Poli, então vou poder me concentrar bem mais no trampo pra ser efetivado e então vou poder sonhar com mais benefícios aí hehehe, até lá seguimos sofrendo com a Poli e o estágio comendo meu cu ao mesmo tempo YEEHAW pelo menos o estágio me paga pra isso...

E é isso aí, vlw flw té mais!

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Ah não, meu post foi parar em Shimokitazawa de novo

Nessas últimas semanas eu me encontrei com um dos amigos que conheci no Japão e a gente, como sempre, ficou trocando memórias daqueles dias na Terra do Sol Nascente.

Eu falei pra ele que o hostel que fiquei em Shimokita e uma casa de shows onde fui ver meu primeiro show fecharam por causa da pandemia, além de uma outra casa de shows que fui também estar programada pra fechar ano que vem.

Ele me perguntou se o café que a gente foi em Shimokita também fechou, fui ver no instagram deles e bingo, fechou no final do ano passado.

Assim que voltei pra casa eu acabei procurando como estavam os outros lugares que frequentei lá. Dentre as casas de show, pelo o que consegui entender, foram realmente só a Yoyogi Zher The Zoo que já fechou e o (LENDÁRIO) Studio Coast que vai fechar ano que ver. Além das duas casas o Akasaka Blitz (onde foi o último show do Fishmans) que visitei só pra tirar foto também já anunciou que vai fechar, as outras casas de show que fui têm patrocinadores muito fortes (tipo o Shibuya Club Quattro que é da PARCO)  ou possuem história demais (tipo o Shinjuku Loft que já está há 25 anos no mesmo lugar mas tem uma história de mais de 50) e parecem já estar fazendo shows com um público bom até.

O que me deixou meio triste foram o fechamento do hostel e do café em Shimokita. O bairro de Shimokitazawa está longe de ser o que era antes: um vibrante bairro no oeste de Tokyo que era dominado por pequenos comércios, lar de artistas independentes e longe do caos dos turistas de Shibuya, a poucas estações dali. Quando eu fui visitar, Shimokitazawa já era praticamente uma Shibuya com alguns pouquíssimos comércios locais, casas de show pequenas e brechós superfaturados, mas eu amei o bairro do mesmo jeito. 

Eu ainda me lembro da primeira vez que pisei em Shimokitazawa: era já de noite, era minha segunda vez que eu ia pra Tokyo pra ver show, eu tinha acabado de comer ramen com meus amigos da faculdade em Shinjuku e precisava chegar antes das 22h pra fazer o check-in. Eu peguei a linha Odakyu de Shinjuku até Shimokita (que era uma viagem relativamente curta) e... é difícil descrever a sensação que tive. Eu corri pro hostel, que era bem do lado da estação, e foi aquela história: perguntei pro cara do hostel onde o Kinoko Teikoku tinha gravado Chronostasis e fui lá conhecer a rua. 

No caminho pra tal rua eu me maravilhei com aquele lugar. É difícil descrever o que senti naquela caminhada de noite mas eu estava montando a imagem de Shimokitazawa na minha cabeça desde 2013~2014 quando conheci melhor o cenário musical do bairro, tem até um post que fiz em 2015 falando sobre (mas que tenho vergonha de linkar aqui). Mas é, eu entendo porque o bairro é tão amado e porque os artistas frequentam lá, a atmosfera é muito gostosinha.

Nessa minha primeira visita a Shimokita eu acabei não conhecendo muito o cotidiano do bairro, eu acabei passeando de manhã e só voltei pra dormir lá no hostel por dois dias. Foi voltando lá mais pro final da viagem, ainda mais no dia que dei uma andada por toda Setagaya, que eu realmente consegui entender Shimokita como uma parte da região toda lá de Setagaya. Aí foi tiro e queda, até hoje meu lugar favorito no mundo.

Shimokitazawa tem umas três regiões bem bacanas: descendo a Chazawa-dori que está perto da saída sudeste da estação (onde tem o Mister Donut, ABC Mart grandão), subindo a Chazawa-dori (lugar das galerias, restaurantes de curry e brechós) e aquela parte depois da pracinha que tem feira na saída da estação da linha Keio-Inokashira (onde estão as lojas de roupas caras e brechós EXTREMAMENTE superfaturados).

Eu acabei de olhar no Street View como está o bairro e, como eu temia, as notícias não são boas. Um arcade acabou virando Donqui (uma rede ginorme de lojas), uma loja de soba virou Burger King e cada vez mais só dá pra ver lá as lojas que você encontraria em qualquer canto de Tokyo: Daiso, Zoff, ABC Mart, BK, Donqui, Book-Off, McDonalds. Ainda restam os brechós, as casas de show e alguns restaurantes pequenos, mas o futuro não parece muito promissor.

Ao mesmo tempo que fico triste em não ter visto Shimokitazawa no seu auge, supostamente nos anos 80~90, eu agradeço por ter conseguido presenciar ainda que as últimas labaredas do que foi o bairro mais interessante de Tokyo. Uma obra que só fomentou meu desejo de conhecer o bairro foi o livro Moshi Moshi da Banana Yoshimoto, onde ela cita essa descrição do bairro no começo do livro:

"The clutter of streets and buildings, which seem to have been left to spread and grow without any thought – they sometimes appear very beautiful, like a bird eating a flower, or a cat jumping down gracefully from a height. I feel that what might seem at first sight to be carelessness and disorder in fact expresses the purest parts of our unconscious."

E Shimokita é isso mesmo, são ruelas tortas perdidas no oeste de Tokyo. Não é um local particularmente interessante pra quem não curte a cena musical mas é certamente um local interessante de conhecer depois de ver o caos que são Shibuya e Shinjuku. Koenji tem mais ou menos essa vibe mas é um pouco mais residencial e (ainda) não descoberta por turistas e grandes redes de lojas. Koenji é Shimokita sem o hype, e com uma cena musical diferente... mas ainda prefiro Shimokitazawa.

Acho que meu carinho depois da viagem pro Japão já não é mais restrito a Shimokitazawa só, mas sim a Setagaya inteira. Deus sabe que o post que mais curti escrever foi sobre o dia que explorei Setagaya, que foi meu dia favorito da minha última semana no Japão. Eu não quero me repetir mas puxa, Sangenjaya, Todoroki, Futako Tamagawa e Shimokitazawa são incríveis. Eu consigo me imaginar facilmente vivendo só dentro de Setagaya, Shinjuku pode parecer legal e tal mas uma pessoal normal não consegue morar lá.

Enfim, eu tenho pouquíssimas esperanças de voltar ao Japão antes dos meus 30 anos, isto é, antes de 2026, então já abandono qualquer chance de ver a Shimokitazawa que vi em 2019. E acho que Tokyo é isso mesmo, eu falava sempre uma frase estupidamente clichê: você não vê duas vezes a mesma Tokyo, a cidade sempre está mudando. E isso pode ser bom como pode ser ruim também.

Eu nem ia escrever sobre Shimokitazawa DE NOVO mas foi onde o post me levou, paciência.

Não vou postar foto de Shimokita porque já devo ter postado todas aqui.

vlw flw té mais!

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Eu só queria pilotar um robô gigante

Eu achei que já tinha escrito aqui sobre mas vi que não era o caso. Vou escrever aqui sobre minha maior decepção no Japão.

Como vocês já devem saber, eu sou um fã de Gundam desde criança. Tudo começou quando passava Gundam Wing na Toonami, acho que começava 00h30 e como eu estudava de tarde na época, dormir até tarde era um dos luxos que eu tinha.


Na época Gundam Wing era a coisa mais complexa que eu já tinha visto: tinha política, guerra e trairagem, coisa que pra mim eram exclusivas para novelas ou outras coisas para adultos. Eu não entendia um caralho do anime (e pra ser bem sincero não entenderia se assistisse hoje, o enredo é uma merda) mas eu curtia ver os robôs gigantes lutando e sobretudo: eu era fascinado por pilotar um robozão de dentro de um cockpit.

Eu só me sinto confortável mesmo num lugar estreito, minha cama sempre é rodeada por coisas pra restringir meus movimentos e eu curtia demais dormir nas salas privativas dos net cafés no Japão, eu só não fui pra um hotel cápsula porque eram bem mais caros, mas em geral eu curto bastante lugares cercados e estreitos pra dormir.

Eu não sei se isso explica meu fascínio por cockpits, mas puta merda, meu sonho é pilotar um Gundam, até hoje. E tudo isso nasceu do vídeo acima, abertura do Gundam Wing.

Pois bem, lembro quando lançarem o arcade de Gundam no Japão onde você pilotava de dentro de um cockpit e rapaz, o Yoiti de 2006 ficou maluco, loucaço. Aquilo ali era o mais próximo de pilotar um Gundam que eu poderia chegar.

Eis que vou pro Japão em 2018~2019 e eu tinha até esquecido desse arcade. Eu já tinha ido ver um Gundam em tamanho real (e como você pode esperar, eu parecia uma criança vendo ele) e já estava dando check na minha wishlist quando, no começo de Janeiro, eu fui com um amigo no maior arcade da região. Eu vi o fliperama do Gundam e uma torrente de memórias do Yoiti criança vieram à tona, eu precisava jogar aquele jogo!

A experiência já começou mal porque botei uma moeda e a máquina não registrou, e eu (ou meu amigo) não sabíamos como reclamar pros funcionários, então relevei já que eu tava emocionadaço ainda. Botei então os 500JPY de crédito (que é 5x o preço de jogar um arcade normal) e lá fui eu realizar meu sonho de criança.

E foi uma decepção.

O jogo te bota numas missões bem basiconas, tipo shoot the target, e depois te manda pra um Free For All putaria sem qualquer objetivo, só matar geral. Eu até achei que minha inabilidade de ler japonês estragou a experiência e tinha uma missão pra fazer no lobby mas não, free for all mesmo.


 

Eu tinha jogado um arcade bem parecido no Shopping Morumbi, e que foi baseado nesse do Gundam, que você controla um X-Wing no universo do Star Wars. E cara, dá de 10 a 0 nesse do Gundam. Eu sei que não tem multiplayer e tudo mais mas a experiência no geral é bem mais bacana. 

Eu terminei a partida Free For All do arcade e fiquei extremamente desapontado. Não era como se eu tivesse pilotado um Gundam, mas eu esperava bem mais da experiência, BEM MAIS.

Me resta agora pilotar um dos mechas que tão fazendo aí, eu acho que a experiência mais próxima a pilotar um Gundam seria pilotar um caça, mas nunca me motivei o suficiente pra tomar esporro e paulada só pra dar uns giros de avião por aí.

Mas meu amigo, se as forças armadas adotarem robôs gigantes, eu vou ser o primeiro na fila me alistando pra pilotar um deles.

Enfim, acho que é isso.

vlw flw té mais!