sábado, 29 de maio de 2021

Vending Machines

Eu já falei das konbinis, falta falar das vending machines.

Dentre as MUITAS coisas que sinto saudades do Japão, uma delas são as vending machines.

No Japão, mais do que konbinis, e se bobear mais que japoneses também, tem vending machines pra caralho. Você não consegue andar 100 metros no interior do Japão sem achar uma vending machine, em Tokyo não é exagero nenhum falar que tem uma em todo quarteirão... dos dois lados da rua... no mínimo.

E eu não vou nem falar das vending machines oooohhhhh tão diferentes que vendiam comida quente, ou figures, ou qualquer coisa que apareça naqueles reels do Instagram. Vou falar das vending machines mais normais.

Única Vending Machine que tirei foto, foi a primeira que vi no Japão.

 

Andando pelas ruas do Japão, se você trombar com uma vending machine na rua é quase certeza que vai ser uma de bebida. No inverno essas máquinas vendem bebidas enlatadas tanto geladas quanto quentes, e pra melhorar: algumas vendiam sopa enlatada de milho que eram uma delicinha, além dos chás (quase infinitos em sua variedade) e cafés, todos bem bons, e tudo numa faixa de preço que ia de 100 a 200 JPY, preço bem justo pela conveniência.

Nas estações de trem e prédios públicos já era mais provável de você trombar em vending machines de comida e sorvete, nada muito chique de vender comida aquecida e tal, mas era comum achar máquinas que vendiam pães doces, chocolates e salgadinhos. Inclusive uma das situações mais desesperadoras pela qual passei foi quando comprei um chocolate na vending machine da estação de Shibuya E O CHOCOLATE NÃO CAIU, quando eu comecei a quase chorar por ter gasto 150 JPY a toa, a espiralzinha girou um pouco mais E CAÍRAM DUAS BARRAS, eu como um bom (e honesto) turista até tentei achar alguém pra me ajudar a devolver o segundo chocolate, mas era hora do rush e pior que ficar com um chocolate a mais de uma máquina era atrapalhar a vida de um trabalhador japonês com boa vontade de ajudar um turista perdido que não sabe se comunicar.

As máquinas de sorvete em geral também eram meus chuchus. Eu que sempre amei tomar sorvete no frio, sempre gastava umas moedas em algum sorvete diferente que achava nessas máquinas. As embalagens dos sorvetes eram sempre bem feitas para evitar respingos e tudo mais e todos são bons demais.

E se juntar toda a grana que gastei em vending machines, não seria exagero de estimar que estaria na mesma ordem de grandeza da grana que gastei com máquina de garrinha. Eu sei, eu sei, nas vending machines você pelo menos tem a garantia que vai ganhar o que quer, mas fica aí a reflexão da grana que pode sair do bolso, mesmo que seja de moeda em moeda.

No meu trampo na fábrica por exemplo era uma ou duas bebidas por dia, eu bebia refrigerante pra caralho naquela época. E em qualquer andança minha em Tokyo eu pegava fácil umas quatro ou cinco bebidas a cada dia, ainda mais na última semana. Os chás em garrafa em especial eram as coisas que eu mais amava, e ainda não faço ideia do que eram.

A coisa que mais sinto falta da presença das vending machines era ter um motivo de sair vagando pela rua sem qualquer força maior. Apesar do frio ter restringido meus rolês sem rumo perto de casa em Yamanashi, não foram poucas as vezes que eu simplesmente saía de casa só pra pegar um cafézinho enlatado pra pensar na vida um pouco, e também eram uma forma de descansar no meio de longas caminhadas que eu dava, quantas foram as vezes que eu só peguei um refri, me dirigi ao banco mais próximo e fiquei dando um tempo. Ir pegar uma bebida numa vending machine quando você tá de bobeira é o equivalente a sair pra fumar um cigarrinho, outra coisa que também é vendida em vending machines no Japão aliás (mas precisava de um cartão especial).

Enfim. é isso. Eu tava bem afim de dar uma volta pelo bairro e me lembrei das saudosas vending machines que eram meus postos de gasolina nas andanças por Tokyo. Acabei não saindo pra andar porque tá rolando uma coisa meio chata aí né, uma doença, além de eu estar com inexplicáveis condições médicas na minha bunda que estão me restringindo, um pouco, os movimentos.

Bem, espero que vocês estejam bem e que um dia eu possa voltar a desfrutar do dilema que era escolher uma bebida numa vending machine no Japão.

vlw flw té mais!


sábado, 15 de maio de 2021

Eu tenho uma razão totalmente normal pra querer esse 3DS antigo por 1600 reais

Eu sempre curti consoles portáteis.

Por um preço módico você tem um aparelho que pode jogar centenas, às vezes milhares de jogos, junte isso à facilidade de desbloquear a maioria deles (afinal, estamos no Brasil) e temos então milhares de horas de diversão por um preço ridículo.

Eu tenho vários consoles: Game Boy Color, Nintendo DS, Nintendo DS Lite, PSP, New Nintendo 3DS XL e, de forma meio controversa eu vou incluir o Nintendo Switch também.

A foto tá ruim mesmo. Eu gosto de adesivos.

Eu pulei a geração do Game Boy Advance (eu jogava tudo pelo Visual Boy Advance no PC mesmo, funcionava pra mim) mas desde então eu só não comprei o PS Vita dos portáteis que saíram, e me arrependo de não ter pego um usado no Japão, mas fui bem feliz jogando meus portáteis, posso te garantir que joguei mais meus portáteis do que qualquer console de mesa que tenho.

O 3DS em especial não foi desbloqueado até ano passado, quando meu tédio me fez desbloquear pra jogar uns jogos que iam pesar demais na minha carteira pra comprar os originais. E acho que é um console ideal pra pegar caso você ache baratinho: tem uma biblioteca excelente, dá pra rodar maioria dos jogos de DS numa resolução maior e se você pegar o New 3DS/3DS XL realmente dá pra usar o 3D, ao contrário do 3DS original.

O console que mais joguei na vida foi o Nintendo DS, tanto que comprei o Lite depois de cagar a dobradiça do DS original. A descoberta do R4 me abriu portas pra primeira vez que eu tava pirateando conscientemente e me fez correr atrás de tutoriais na internet pra me virar pela primeira vez na vida, não precisando mais contar com a ajuda de um adulto. 

Mas enfim, eu sempre tive um fascínio por consoles que são edição limitada, ainda mais os portáteis. Eu vi recentemente um vídeo do Retro Future falando do sonho dele: o lendário Game Boy Light da Famitsu 500, só 5000 unidades produzidas:

Olha que lindo, tirei daqui.

 

Eu acho bem legal essas edições especiais do Game Boy Light e do Game Boy Color, mesmo as edições um pouco mais comuns como o GBC do Pokémon Center são super bacanas. Meus consoles como vocês viram são todos de edições regulares e, pelo o que me lembro, os dos meus amigos também são.

A merda é que tive a chance de ouro de finalmente realizar meu sonho de pegar um console edição especial quando estive no Japão, e cara, de todas as edições especiais, a que eu mais sonho em ter é o 3DS da Manaka do Love Plus.

Quase 2k por esse pacote todo, vale a pena vai.

A uma bela caminhada do nosso apartamento em Yamanashi tinha um Nomura (loja de eletrodomésticos e eletrônicos em geral) que tinha esse kit com o 3DS XL, artbook, CD, jogo e tudo embalado nessa caixa maravilhosa que você está vendo pela bagatela de 35000 JPY, o que é tipo 1600 agora mas na época era um pouco menos. Eu fui naquele Nomura só duas vezes mas sempre com aquela vontade de fazer merda.

Eu paguei 30k JPY no meu Nintendo Switch novinho e já tinha um New 3DS no Brasil, eu tinha que ser MALUCO pra gastar boa parte do meu salário num 3DS defasado e merch da minha waifu, então acabei não comprando, mas é uma coisa que fica na minha cabeça até hoje.

Pensando nos preços praticados por outros consoles edição limitada, esse kit aí tá UMA BAGATELA. O Game Boy Light da Famitsu tá sendo vendido por mais de 70k JPY e se você tiver sorte vem junto o blister. Acho que pro kit do Love Plus valer mais a pena, só se viesse uma figure da Manaka também (outra coisa que esqueci de correr atrás).

Outra edição, dessa vez bem menos limitada, que tive vontade de comprar foi o Nintendo Switch do Animal Crossing.

Super kawaii

Quando eu tava no Japão até tinha a edição do Pokémon Let's Go! mas primeiro que era quase impossível achar nas lojas, outra coisa era que a edição é bem feinha, o azul+vermelho neon é uma combinação super bacana E QUEM COMPRA A EDIÇÃO COM OS JOY-CONS CINZAS É CHATO.

Mas o console raro que sempre tive vontade de ter é o Wonderswan do Final Fantasy.

Tirei daqui.

Esse daí eu até tive vontade de correr atrás lá no Japão mas putz, o Wonderswan é um console que só tem jogos em japonês, usa pilhas e não faço ideia se tem como rodar um flashcard nele (deve ter, mas não fui atrás pra saber) então eu nem fui ver pra não gastar dinheiro de forma mais irresponsável que eu já tinha gasto.

Tem mais uma série de consoles portáteis raros que tive vontade de ter: os DS Lite dos Final Fantasy, os PS Vita do Caligula, o 3DS normal e o DSi do Love Plus, mas foram mais "ah, seria legal se caísse um no meu colo" do que uma vontade de verdade de comprar um.

Desses todos o único que eu tenho vontade real de pegar é o 3DS XL do Love Plus, porque vem todo um kit super bacana da Manaka (ou da Nene ou da Rinko, cada um tem seu gosto) que já valeria por si só uns 10~15k JPY, então no final EU REAFIRMO QUE É UMA BAGATELA, mesmo que o console seja defasado.

Se eu tiver grana pra caralho e voltar pro Japão EU TE JURO que vou atrás desse 3DS. Eu não morro sem ter um console edição especial.

Enquanto não boto minhas mãos nesse tão sonhado 3DS overpriced, me contento botando uns adesivos nos consoles que já tenho e pensando seriamente em fazer algum mod pra deixar os consoles mais bonitinhos, nada melhor que um trabalho do caralho que pode cagar seu console só pra ele ficar mais feio no final... porém único!

Enfim, é isso aí, queria postar faz um tempo mas QUEM DIRIA QUE ESTAGIAR E ESTUDAR AO MESMO TEMPO ERA CANSATIVO NÃO É MESMO? RSRSRSRSRS

Vejo vcs na próxima, estou cansadaço, um bagaço.

vlw flw té mais!

P.S. eu não rejeitaria se ALGUÉM comprasse pra mim o LOVE PLUS MANAKA DELUXE SET ou pra ficar mais fácil de buscar: ラブプラス+ マナカデラックスコンプリートセット. Dia das crianças tá aí.


terça-feira, 4 de maio de 2021

Invejinha

Você sente inveja de alguém? Mas inveja de querer a vida da pessoa de qualquer jeito?

No fim do meu médio, e no meu ano de cursinho em particular, o Instagram estava começando a decolar de verdade e só tinha uma conta que todo moleque da minha idade seguia: Dan Bilzerian. Ele era bombado, brincava com armas de fogo, "vivia dos ganhos do poker" e vivia rodeado de modelos, era o que todo moleque de 17 anos sonhava na vida.

Aí até que uns anos atrás descobriram o óbvio: o cara era uma farsa. O cara herdou toda a grana do pai, que por sua vez tinha pego a grana de um esquema super suspeito. As modelos todas eram pagas pra aparecerem do lado dele e a marca que ele criou também era, de algum jeito, um esquema de pirâmide.

Eu sinceramente nunca quis ter pra mim esse estilo de vida cheio de excessos de um Charlie Sheen da vida, mas estaria mentindo se dissesse que nunca invejei um estilo de vida desses. Eu demorei pra perceber que minha felicidade tava mais em explorar show de banda desconhecida do que em curtir tardes em iates cheios de modelos suecas.

Outro dia eu falei pra um amigo meu que foi pro Japão comigo que minha estadia lá foi a melhor época da minha vida. Ele mandou um "Sério mesmo?" com razão. A gente tava lá de mão de obra barata, mal tínhamos tempo pra curtir e passamos uns bons perrengues por termos pouca grana e sabermos pouco japonês, mas eu amei. Quero dizer, não amei essas partes de passar perrengue, mas foram o contraste com as folgas que fizeram eu curtir tanto dar meus passeios.

Eu te asseguro que o dia que fui pra Shinjuku pela primeira vez foi um dos melhores dias da minha vida, e ele começou comigo CORRENDO de Yamanashi pra pegar o primeiro busão pra Tokyo e terminou comigo dormindo num chão duro (porém estofado) de um net café em Yoyogi. As únicas interações sociais que fiz no dia foram com os atendentes dos lugares onde comi, o cara da recepção da casa de shows e os caras da banda que fui assistir, com quem tive a maior conversa do dia, depois disso foi o cara do net café tentando entender meu inglês sofrível. Foi realmente um dia do Yoiti pro Yoiti.

Isso não quer dizer que não aprecio uma boa companhia, as viagens de formatura ainda são parte das minhas mais preciosas memórias, mas quando você é forçado a ficar o dia inteiro com pessoas com quem você não se sente 100% ok, a bateria social acaba esvaziando rápido.

Qual era o assunto original mesmo? Ah, inveja. Bem, eu nunca experimentei uma tarde num iate com modelos suecas pra saber se seria melhor que conhecer minha banda favorita E Tokyo no mesmo dia, mas tenho minhas suspeitas.

No meu atual estado de espírito acho que invejo mais as meninas hipsters de Tokyo que o Dan Bilzerian. Depois de muito pesquisar e ler relatos de quem trabalha com música no underground japonês eu entendi que é uma coisa bem bosta, de ver gente sem talento fazer muito sucesso enquanto que as bandas e artistas que realmente tinham tudo pra voar fracassam. 

Então fico com a vida das meninas hipsters japonesas que vivem indo em show (e por isso só veem o lado bom do cenário musical japonês) e trampam com algo relacionado a moda, design ou arquitetura, não que essas profissões pareçam ser mais fáceis que a que exerço agora, mas convenhamos que parece melhor que fazer engenharia naval no Brasil. 

Mas enfim, eu escrevi esse post todo bem desconexo só pra chegar na conclusão que sinceramente não invejo ninguém de verdade de verdade. Tive o privilégio de ter vários momentos incríveis aqui com meus amigos e desfrutei de uns dias como um legítimo hipster em Tokyo, acho que pouca gente pode falar que participou de um Integrapoli e foi ver um show de shoegaze no Shibuya Club Quattro no mesmo ano, mas menos gente ainda vai me invejar por essas coisas, cada um tem sua felicidade.

Vamo que vamo, novas memórias felizes não serão criadas sozinhas.

vlw flw té mais!

domingo, 18 de abril de 2021

Tindão da massa

É uma coisa que o pessoal geralmente não admite abertamente mas eu criei uma conta no Tinder e estou usando faz mais ou menos um ano.

Eu já sei que, como um cidadão que preza pelo mínimo de bem estar familiar, eu não vou sair por aí em plena pandemia pra um rolê com uma pessoa que conheci no Tinder. Muito menos nutro esperança de um papo durar até que a pandemia acabe para, aí então, sair num date. Mas achei que seria um bom passatempo pra fazer durante essa quarentena.

Eu boto Daniel como meu nome e maioria das fotos que botei no meu perfil foram tiradas no Japão (já faz uns bons dois anos...), todas engraçadas porque sei bem que o meu forte não é a beleza, então vamos usar o bom humor.

Acho que dei uns 30 matches nesse último ano? Sendo que conversei com umas 10~12 moças, duas me ignoraram (então por que dar match pra começar?) e mais outras eu que nem comecei a conversar já que não tava afim de tomar o gelo iminente.

Não vou detalhar caso a caso mas o que tirei dessa experiência (que tá rolando ainda) é que meu papo é HORRÍVEL. Quero dizer, o Tinder já é um lugar péssimo pra conversar, porque de jeito ou outro fica implícito que se você é homem tu tá atrás de SEXO, o que não está necessariamente errad- ENFIM, mas turns out que minhas skills interpessoais são piores do que eu imaginava, o que não só explica minha vida amorosa como também a minha vida profissional.

O que me surpreendeu positivamente foi que dei match com moças super bonitas que nunca achei que dariam like num cara de pamonha como eu, certo que muitas delas foram por causa da minha foto com roupa de Pink Guy, mas isso não tira o mérito... eu acho.

Enfim, o que tirei disso tudo? Vi que o preconceito que eu tinha com o Tinder era bobagem até certo ponto e que eu devia ter começado a usá-lo bem antes, conhecer gente nunca é demais, ainda mais se der pra fazer um rolê. Mas como eu bem disse anteriormente: no Tinder fica bem na cara que maioria do papo tem segundas intenções, então acho mais saudável EM CONDIÇÕES NORMAIS PÓS-PANDEMIA conhecer pessoas em atividades sociais presenciais sem quaisquer pressões por segundas intenções. 

Alguém com um papo muito bom e zero travado (além de bonito e gostoso pra porra) vai discordar de mim e vai falar "Mas eu conheci minhas últimas 15 namoradas pelo Tinder!". 

Pois é.

Eu escrevi este post porque dei match, nesta semana, com duas moças super bacanas (aparentemente) e uma não me respondeu e outra eu já sei que o papo morreu. Nada disso aconteceria se a conversa chegasse em música underground japonesa ou Gundams, mas infelizmente nunca chega.

Eu realmente preciso desenvolver minhas skills interpessoais.

E é isso aí, vlw flw té mais!


EDIT: Eu botei um formulário pra contato e uma nova ferramenta pra assinar o feed do meu blog aí do lado, o feed por email de antes não vai funfar mais a partir de Julho deste ano, então decidi já botar outra plataforma.

sábado, 17 de abril de 2021

Enfim empregado e dez anos de blog em Setembro

Estou atrasado? Com certeza. Mas cá estou eu, estagiando.

Quando entrei na Poli eu meio que aceitei que assim que começasse o estágio eu provavelmente teria que parar este blog, ou pelo menos continuá-lo de forma mais anônima. Achei que a partir do momento que eu virasse um adulto propriamente dito (conceito esse sempre atrelado ao trabalho) esse blog não teria o mesmo sentido de antes.

Pois bem, comecei a estagiar. Mas não vou terminar este blog.

Na real que eu nem comecei o estágio mesmo, hoje foi mais uma epopeia pra pegar meu notebook na empresa (que permanecerá sem nome para não me comprometer) e umas primeiras instruções. Mas no fim estou perdido pra caralho, parecendo bixo em primeira semana de aula.

Mas voltando ao assunto anterior: eu não pretendo terminar este blog tão cedo. Não vou usar este blog pra falar mal da empresa onde vou trabalhar (e que permanecerá anônima, mas todo mundo que me tem no LinkedIn ou é meu amigo próximo já sabe) e nem vou vazar informações sensíveis. Talvez o foco do blog mude assim que eu me forme da faculdade, mas até aí não vai a primeira vez que isso vai acontecer.

Este blog vai fazer 10 anos em Setembro e isso me fez pensar bem sobre a finalidade dele. Eu criei o blog pra falar merda e coisas engraçadas mas nunca me esforcei muito pra divulgá-lo, no máximo botei links nos meus perfis das redes sociais mas foi isso, meus amigos na faculdade acabaram espalhando o link do blog pra outras pessoas da sala mas acabou que essa foi a maior divulgação que tive nesses quase 10 anos de blog.

Eu sempre falo que criei o blog pra mim mesmo (o que é verdade) mas também admito que sem o feedback dos leitores, este blog provavelmente teria acabado com uns 3 ou 4 anos no máximo. Sempre que eu estava meio desmotivado pra continuar a postar aqui, alguém surge e manda a famosa pergunta: "E o próximo post, quando vai sair?" e de pergunta em pergunta estamos aqui, quase dez anos depois.

Eu quero fazer algo especial pro post comemorativo em Setembro, provavelmente deixarei algo pronto pra postar até lá mas ainda não tenho nada planejado. Acho que seria legal algo mais participativo, com as pessoas que me ajudaram a manter o blog, se tiver alguma sugestão pode mandar nos comentários do post ou pra mim diretamente.

E é isso aí, valeu falou té mais!


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Um hostel e uma casa de show a menos pra revisitar

Uma das histórias mais engraçadas que aconteceram comigo quando fui pro Japão foi quando me hospedei no hostel em Shimokitazawa.

Eu tava morrendo de vontade de conhecer a rua onde o o Kinoko Teikoku gravou o clipe do Chronostasis e estava planejando como deveria perguntar onde era o lugar pro recepcionista do hostel. Talvez mostrar o clipe pra pessoa e ver se ela consegue reconhecer? Ou perguntar onde eram o(s) Lawson na região pra ir procurando o local por eliminatória? Nada disso foi preciso, quando cheguei no hostel, a caixinha de som da recepção tava tocando uma playlist só de Kinoko Teikoku. Foi só perguntar "Onde que o Kinoko Teikoku gravou Chronostasis?" e o cara me mostrou o lugar no Google Maps.

Pois bem, outro dia fui no site do hostel pra ver como que eles tavam se mantendo durante a pandemia, a resposta é que eles não estavam, o hostel fechou as portas no começo deste ano.

A natureza do hostel como um ambiente compartilhado impossibilita a readequação dele pra realidade de agora, com o travel ban imposto para turistas estrangeiros então quebrou muito negócio do terceiro setor também imagino. 

Acho que nesse ponto os net cafés estão mais seguros, ainda mais o Customa que tinha a cabine totalmente isolada. Como eles eram mais voltados pro pessoal do Japão mesmo que trabalhava, não acho que eles tenham sofrido o mesmo impacto que hotéis e hostels.

A merda é que o hostel era bem novo até (começou a operar em 2018) e não era vinculado a grandes grupos ou conglomerados, dava pra ver que os recepcionistas (que também faziam a limpeza e tudo mais) eram da minha idade e o ambiente eram bem informal, como é o esperado pra um hostel numa região jovem de Tokyo. Então eu fico meio triste por ver (mais) um empreendimento independente dar errado.

Outro lugar que visitei e que fechou também foi o Yoyogi Zher the Zoo, onde fui ver meu primeiro show no Japão. 

As casas de show no Japão inteiro sofreram um baque fodido, não só por dependerem do público pra tirar o já minúsculo lucro que conseguiam pra se manter, mas também foram onde as primeiras disseminações do vírus aconteceram. Aí descobriram que as casas de show underground mal tinham ventilação e eram todas bem apertadas (quando tinha público nos shows).

O Zher the Zoo em especial foi uma das casas de show que tinha melhor som das que visitei lá. Outras casas com o mesmo tamanho e que eram bem mais conhecidas (como o Shimokita Garage e o Shinjuku Loft) tinham som e infraestrutura bem piores e, julgo, que viviam da fama que obtiveram da extensa história do cenário underground japonês.

Mas é, isso tudo só mostra como a pandemia tá afetando o mundo todo, mesmo países que não estão tão ruins quanto o nosso (ou seja, qualquer um) e mesmo o Japão que não teve lockdown nem nada. Isso também só reforça a constante mudança pela qual Tokyo passa e que feliz ou infelizmente, quando (se) eu voltar lá, Tokyo será bem diferente.

No mais é isso, mais uma coisa que essa pandemia tá aí trazendo de ruim.

vlw flw té mais!

terça-feira, 30 de março de 2021

Maluco, tentaram me dar um golpe na OLX

É uma longa história mas o resumo é: estou de mudança.

Elaborando um pouco mais: meus pais vão voltar a morar comigo no apê e fiquei encarregado (junto da minha irmã) de vender tudo o que a gente não ia precisar.

E era muita coisa: quatro geladeiras, um freezer, uns gaveteiros e guarda-roupas e inúmeras plantas, camas, colchões, cadeiras e mesas. A gente começou vendendo por preços bem altos até, mas chegando na data limite pra mudança tivemos que vender por preços baixos, ou simplesmente doar.

Agora, o ponto positivo dessa rotina caótica das últimas semanas, relevando o risco potencial de lidar com inúmeras pessoas durante uma pandemia, foi de conhecer a história dessa galera.

Eu acho que escrevi num post aqui como eu gosto de conhecer pessoas novas e ouvir a história delas. Acho bem mais interessante do que ver um filme ou mangá/anime slice of life. Tudo o que aconteceu pra pessoa estar lá pegando um sofá usado na minha casa deve dar uma história.

Um cara tinha uma pensão pra prostitutas do lado de um prostíbulo de luxo, veio a pandemia, fechou o prostíbulo, as mulheres que trabalhavam lá voltaram pro interior, o cara teve que fechar a pensão. (nota: esse cara veio comprar um pé de amora em casa).

Outro cara falou que trampou na roça, no interior do Paraná, até os 18 anos e de lá ele foi visitar os irmãos em Santa Catarina e ficou lá por um tempo e então veio pra Sampa e está aqui faz 5 anos, agora ele trabalha de carteira assinada (não falou com o que) e aluga uns apês mobiliados pra complementar a renda.

Uma mulher que veio pegar uma geladeira, e que acabou levando uns guarda-roupas também, falou que trabalhava fazendo mudança, depois trabalhou fazendo trabalhos domésticos e agora tava montando um escritório de contabilidade.

Dois pedreiros que trabalhavam numa obra perto levaram duas camas no teto de um golzinho, eles falaram que viajavam pra onde tinha obra e eram de Minas Gerais e logo que acabasse a obra eles tavam vazando pra próxima obra que precisasse de gente.

E tem mais uma variedade de pessoas com quem eu só troquei um papo rápido: uma moça abrindo um brechó na região, um cara montando uma república, uma menina que era estudante de medicina da Unifesp, um cara que tava montando um restaurante (e outro que tava fechando), um cara que restaura móveis, etc.

Outra coisa que aconteceu, e não foi legal, foi que uma pessoa tentou me dar um golpe na OLX. Basicamente geraram um email falso falando que tinham feito a transferência e queriam combinar a entrega comigo. Como não sou trouxa nem nada eu não caí mas imagino como seria a pessoa que ia retirar a mercadoria comigo, e se seria possível fazer uma daquelas cenas de emboscada policial, eu não paguei pra ver.

Enfim, essas últimas duas semanas em especial foram HORRIVELMENTE estressantes, desde o processo de mudança até vender uma caralhada de móveis pelo OLX/Mercado Livre, mas se a Poli tiver a boa vontade vamos ter notícias boas no próximo post.

vlw flw té mais!