quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Bora bandejar

Talvez, muito provavelmente (espero), eu vou me formar na Poli durante essa quarentena, e uma coisa que sinto saudade das aulas presenciais é o famoso Bandejão.

Por dois reais (até um tempo atrás era R$1,90), você, aluno da USP, tem direito a uma refeição completa em uns dos restaurantes espalhados pelos campi da Universidade. Para os alunos do Butantã haviam quatro escolhas: o Central, o da Química, o da Física e o da Prefeitura.

O central é o melhor e SE VOCÊ DISCORDA ESTÁ ERRADO. O central é o maior bandejão, é o único com ar condicionado (que eu lembre) e a qualidade da comida era a melhor, o estacionamento, caso você venha de carro, sempre tem vaga e as filas (em dias normais depois do começo do ano) sempre cabiam embaixo da marquise do CRUSP e mesmo com chuva ou solzão sempre era ok.

O da física, na maioria das vezes, servia o mesmo cardápio do central mas o restaurante é MINÚSCULO, a bandeja é pior (usavam o modelo antigo do central) e era horrível de achar lugar pra sentar com o mínimo de pessoas, mas é onde a gente ia comer quando era bixo, já que é o bandejão mais próximo do Biênio da Poli.

O da Química é um hit or miss: ou tava MUITO BOM (ceias, frangossauro, pratos sem molho em geral) ou tava uma bosta (pratos com molho em geral). O pior ponto do bandejão da química é que o arroz branco era parboilizado e o gosto dele nunca me agradou muito, aí eu acabava sempre comendo o integral, isso e a porção que as tias botavam do prato principal raramente era o suficiente, então os pratos ficavam invariavelmente cheiaços de arroz, feijão e salada e no cantinho ficava a porção ínfima da proteína.

Finalmente, o bandejão da Prefeitura abriu quando eu já tava no meu terceiro ano da graduação, ele é meio escondido e no começo pouca gente sequer sabia da existência dele mas eu curtia comer lá quando o cardápio do central não me agradava muito. O ponto positivo aqui é que o restaurante é bem espaçoso e é onde tinha a maior variedade de sucos pra escolher, a qualidade da comida flutuava entre o Central e a Química.

Os bandejões central e da física usam bandejas de aço, enquanto que os outros dois usam pratos. Eu como bixo preferia comer no prato pra não me sentir como um selvagem, mas chega uma hora que você sente falta de ter divisória pra não misturar tudo e acaba que a bandeja se mostra como a solução ideal.

Na última semana de aula os bandejões serviam um cardápio especial e chamavam de ceia de natal (por mais que sempre fosse umas duas semanas antes do Natal). O usual era ter um prato inédito como principal, uma salada com mais de um vegetal (coisa que nunca rolava normalmente), arroz à grega ao invés do arroz normal e como sobremesa um sorvete um pouco mais chique. Segue foto de como foi meu bandejão de natal no meu ano de bixo:

Frango empanado no bandejão foi só nessa vez mesmo.

A sobremesa em particular sempre era uma surpresa. Na maioria das vezes era uma fruta ou uma goiabada ou um doce de leite, às vezes sorvete (que tinha gosto de margarina e uma quantidade não razoável de gordura trans) e uma vez deram pra gente uma barrinha de chocolate Hershey's, sendo que não era fim de ano nem nada assim.

A salada composta por tomates e pepinos também é uma raridade.

Dos pratos principais, meus favoritos eram a coxa de frango e a famosa COXA DE FRANGOSSAURO (que nada mais era que coxa + sobrecoxa) assadas no forno, o estrogonofe, que pra mim era overrated mas era sempre bom, a feijoada, que não era tão pesada, as carnes de panela, que o pessoal em geral não curtia mas eu sempre achei bom, e a linguiça que, sinceramente, não tem muito como errar.

Acho que o bandejão é tão inserido na realidade do uspiano (e qualquer universitário na real) que é meio que um ritual social. Acho que boa parte de você se enturmar passa por ir no bandejão com pessoas que você não conhece e jogar conversa fora enquanto come bife à caçadora com chuchu ao vapor numa bandeja de aço.

Enfim, eu gostava bastante de comer no bandejão e foi lá que "aprendi" a comer coisas que antes eu não conseguia comer, tipo chuchu, e foi comendo lá que conheci muita gente bacana que era amigo de amigo ou que eu encontrava sem querer. Eu bandejava frequentemente sozinho mas qualquer comida que seja é mais saborosa quando você tá com uma boa companhia.

Acho que é isso. Eu espero poder bandejar novamente no futuro mas digo isso sem muitas esperanças de voltarmos ao regime presencial tão cedo assim.

valeu, falou, té mais!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

bora montar uma boy band

Essa moda do Kpop me fez lembrar de todas as modas de grupos de ídolos ao longo dos anos.

Quando eu estava lá pelo sexto ano (~2007) o pessoal amava RBD e nessa mesma época saiu também High School Musical. Essas duas modas foram bem mais centradas nas meninas, mas tinha moleque que também curtia, apesar disso acarretar no julgamento velado de todos os outros moleques.

Nessa mesma época as bandas de Visual Kei estavam na moda, mas o público era bem mais restrito ao pessoal otaku e, novamente, às meninas. Eu tive muito pouco contato com VK pra falar a real, eu conhecia Nightmare por causa das músicas da primeira metade do Death Note e L'Arc en Ciel porque não tem otaku do começo dos anos 2000 que não saiba cantar Ready Steady Go! (abertura do FMA) ou Runner's High (abertura do GTO). Tem um texto muito bom, que devo ter lido faz uns 10 anos, onde falava mais ou menos a origem do VK junto ao X Japan, a confecção do estilo visual seguindo os clichês dos mangás shoujos e até o monopólio dos contratos com fabricantes de guitarras (no caso a Fernandes, que também patrocinava o Takuya do JAM).

O sucesso do Visual Kei foi mais uma das anomalias que os animes causaram. No Japão o estilo ainda é muito associado ao underground e às subculturas glam de Harajuku, enquanto que fora do Japão o estilo é até hoje um dos mais conhecidos, muito devido às músicas atreladas a animes mas também à curiosidade e à internet, que fez com que bandas desconhecidas VK fossem descobertas por mais que nunca tivessem feito músicas para animes.

Não podemos esquecer das boy bands quando falamos de ídolos. Acho que a única boy band que chegou a ser apreciada de forma socialmente aceita pelo pessoal da minha idade foram os Jonas Brothers, o One Direction apareceu já quando o pessoal da minha idade já não gostava do gênero então era a guilty pleasure de muita gente aposto. 

Acho que a minha geração foi uma das últimas a rolar homofobia generalizada sem represálias, por isso que música aceitável pra moleque da minha idade era rock, funk e pagode, qualquer outra coisa você era taxado de gay. Isso só começou a mudar lá pelo meu ensino médio, quando o pessoal que seria taxado de gay já não se importava e quem chamava de gay não via graça em importunar pessoas que não se importavam.

Eu tinha meu gosto por rock britânico pra me defender de qualquer ameaça de ser chamado de gay, mas lá pelo ensino médio eu já ouvia Shiina Ringo e Judy and Mary sem me importar com ninguém.

Eu particularmente nunca fui fã de nenhum grupo de idols, por mais que eu tenha um apreço especial pelas divas do Kayokyoku/começo do Jpop dos anos 70~80, grupos de idol sempre me passaram a imagem de serem muito artificiais pro meu gosto. Eu até tentei começar a ouvir Perfume e Momoiro Clover Z, que são grupos que já passaram pelo batismo do tempo e têm o selo de aprovação de gente de respeito, mas nah, não rolou.

Mas é, acho engraçado que maioria dos grupos de ídolos focam no público feminino, seja o grupo composto só de mulheres ou só de homens. Obviamente que isso não inclui os grupos de idol do Japão, que são focados no público otaku masculino, mas acho que até pra kpop os grupos femininos são direcionados pras moças. Tem muito a ver com a cultura machista japonesa e como as idols vendem a imagem de pureza, enquanto que nos grupos coreanos as idols passam bem mais a imagem de serem mais empoderadas. 

Enfim, eu poderia também falar dos ídolos individuais, tipo o Justin Bieber, a Britney Spears ou a Taylor Swift mas acho que esses artistas são bem mais propensos a passar da fase de serem "moda" pra se consolidarem como artistas respeitados do que os grupos, e os grupos em vogue, pra mim pelo menos, sempre refletem um pouco do zeitgeist da época em que fazem sucesso: das roupas às influências musicais e conteúdo das letras, por isso é tão fácil as músicas deles ficarem datadas em tão pouco tempo, só olhar pro N'Sync, Backstreet Boys, o Rouge ou as Spice Girls, são todos grupos que as pessoas revisitam pra sentirem saudades da época, mas nunca pra ouvir uma música unanimemente aclamada e de qualidade inquestionável.

Acho que nesse comparativo de grupos de ídolos não é nada justo botar as bandas de VK no meio, elas tão aí porque adquiriram uma fanbase bem parecida com as de idols, mas foi puramente por um alinhamento de acasos e exceções. Eu tenho certeza que maioria das bandas de VK tinham membros infinitamente mais talentosos musicalmente que os grupos de idols.

Esse é um assunto infinitamente mais complexo do que o que escrevi aqui, agora me sinto até meio culpado em ter simplificado desse jeito todo ele: desde a homofobia e o mais puro preconceito que preveniram um maior desenvolvimento dos grupos de idols até a cultura machista japonesa que faz com que grande maioria dos grupos de idol façam com que suas integrantes ajam deliberadamente de forma submissa aos homens. Eu tenho que ler mais sobre o assunto na moral.

Pra terminar o post vou botar um vídeo do Perfume.

 

Perfume é bem interessante porque o grupo é composto por três mulheres de 30 anos (idade impensável pra maioria dos grupos mainstream do gênero) e é de conhecimento geral que o grupo é o que é porque o produtor (Yasutaka Nakata) é um gênio. Acaba que boa parte da fanbase não chega no Perfume porque as moças são particularmente sexy ou lolitas, mas porque curtem o som puxado pro synthpop e com influências de Shibuya-kei, enquanto que maioria dos grupos de idol mainstream são bem mais pop chiclete.

Hoje em dia tem grupo de idol pra todos os gostos possíveis no Japão: tem o Ray (e antes tinha o Dots Tokyo) que tem o som meio shoegaze/dream pop, tem o famoso Babymetal que, como o nome diz, é voltado pro metal e conseguiram um sucesso considerável fora do Japão, tem o Necronomidol que é TREVOSO meio black metal, meio qualquer coisa que remeta às TREVAS e sei lá, tem grupo de idol de todo gênero possível mesmo. A Kaede do Negicco (grupo de idols criado pra promover a venda de CEBOLINHA em Niigata) lançou um álbum belíssimo ano passado de Bossa Nova, então já não duvido de mais nada.

Acho que é isso, tive a ideia pro post ontem à noite e só lembrei agora a pouco, esse é um tema que com um pouco de estudo eu poderia falar horas e mais horas (já que é um assunto bem interessante) mas realmente chegamos ao limite do meu conhecimento por aqui.

vlw flw té mais!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Chove chuva, chove sem parar

Vocês gostam de chuva?

Tem todo o romanticismo ao redor da chuva, como São Paulo é terra da garoa, como o barulhinho de chuva é bom pra dormir etc etc etc, mas a chuva é uma bosta né.

Enchente, acidente na estrada, buraco na rua, além dos problemas mundanos pra alguém de classe média sem carro tipo escorregar no purê de folhas caídas na calçada, pisar no barro com tênis novo, levar banho de carro passando a toda, esquecer o guarda-chuva em casa e tudo mais, chuva é uma merda. É a relação dos ricos e pobres com a chuva que o Parasite mostra bem.

Mas enfim, eu gosto de uma chuvinha, em condições ideais.

Garoinha no fim de tarde quando você já tá em casa? Ok! Chuva num lugar que fica mais bonito com ela? Ok! Chuva na praia em UM DIA de três que você tá lá? Ok! Em quaisquer outras condições? Eh.

Chuva, ainda mais em São Paulo, torna a cidade um CAOS. Todo mundo desaprende a dirigir, vias alagadas, os ratos e baratas resolvem sair pra passear na Liberdade (mais do que o normal) e eu que sempre saio de chinelo, sempre corro o perigo de pegar leptospirose.

Mas é uma coisa que todo mundo tem que lidar, paulistanos em particular sempre devem estar prontos pra enfrentar uma chuva do caralho.

E mesmo no Japão, apesar da foto linda em Shibuya (que só pode ser apreciada 100% de noite e na chuva), a chuva mais atrapalhou do que qualquer outra coisa. Eu quase peguei gripe no dia que fui atrás das casas de show históricas, já que me molhei pra porra na região do Budokan, e poça congelada me fez escorregar duas vezes naquele país, um puta perigo pra quem não tá acostumado.

O que resta é tentar conviver com a dona chuva, tentar apreciá-la mesmo sabendo das tragédias e inconvenientes que ela ocasiona, e sempre andar com um guarda-chuva que você sabe que provavelmente não vai te proteger muito mas te dá uma ilusão de segurança.

Eu escrevi este post porque tomei uma chuvinha num desses dias que saí pra comprar comida aqui perto de casa, isso me fez lembrar que não tomava uma chuva já faz quase um ano por causa da quarentena! Meu DNA paulista chora.

Enfim, espero ainda pegar uma chuva com meus amigos NESSA VIDA AINDA, tenho boas lembranças de tomar chuva em rolê e a saudade tá batendo forte esses dias.

vlw flw té mais!

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Ah não, chorei de novo ouvindo o Prelude do Final Fantasy

Acho que a única música que me faz chorar (sem exagerar, CHORAR DE VERDADE) instantaneamente é o Main Theme do Final Fantasy, ou o Prelude. 

Sei lá porque, mas o vídeo de abertura do Final Fantasy III pra DS/PSP também sempre me faz chorar, e apesar de ser um dos meus games favoritos, não é como se tivesse me marcado particularmente, assim como o resto da série pra falar a verdade.

Eu sempre fui um fã de Final Fantasy. Eu comecei a jogar na época que peguei Pokémon também mas Pokémon obviamente sempre foi um jogo mais fácil de jogar e que eu particularmente nunca prestei atenção pra história (assim como 90% dos jogadores) e nunca perdi muita coisa, agora Final Fantasy você é obrigado a entender bem a história pra ter uma boa experiência.

E puta merda, jogar Final Fantasy é uma puta experiência, não é só jogar um jogo, é entrar nele de cabeça. A música, a história, os personagens, a dificuldade, tudo é feito nos moldes pra você ter uma imersão no universo do jogo em questão, até o Final Fantasy XV, que é bem bostinha em comparação ao resto da série, é um jogo diferente se comparado com outros JRPGs e, como todo jogo da série, também me fez chorar.

Apesar de eu estar aqui falando e falando da série, dos 15 jogos da série principal eu devo ter terminado uns 5 e jogado uns 10 no máximo. Os FF do I ao VI tinham um tempo de conclusão razoável pros RPGs da época: de 5 pra 20h no máximo, da geração do PS1 (VII) até o XIII virou uma palhaçada e os jogos demoravam dezenas e mais dezenas de horas pra terminar, o XII e o XIII em particular são ginormes, o XV é bem rapidão tho.

Além do FFIII, jogos da série que me marcaram foram o FFIV, FFVI e o FFX. Eu pretendo jogar o FFIX, o FFII e o FFXII quando tiver um tempinho a mais, acho que JRPGs não podem ser jogados em grandes intervalos de tempo.

Meu favorito da série é o Final Fantasy VI, que ainda quero jogar novamente. Acho que é o jogo com o melhor vilão, uma trilha sonora maravilhosa (já que, sinceramente, não dá pra rankear) e um setting bem legal. Se contar os spin-offs eu gosto bastante do Final Fantasy Tactics, é com certeza o jogo com melhor história na série, além do fato de ser tactics contribuir bastante pra dar uma variada no gameplay.

Mas é, eu preciso estar numa vibe exata pra jogar Final Fantasy, acho que Shin Megami Tensei por exemplo é uma série bem mais tragável e até falo que é a melhor de JRPGs mas Final Fantasy ainda está no meu coração.

Mas é, acho que vou pegar um FF pra jogar algum dias desses antes das aulas começarem de novo.

vlw flw té mais!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

CARROS

Eu, como todo homem hétero com mais de 20 anos que cursa engenharia, tive uma fase em que gostava de carros.

É o clássico: os pais fazem o filho gostar de carros quando ainda crianças pra ele ter aquele hobby de homem macho alfa AAAAAAUUUUUUUUUUUUUU sem necessariamente a mãe achar ruim: não é tão violento quanto gostar de armas de fogo e não é tão machista quanto gostar de revista de mulher pelada.

Mas é, eu gosto de carros.

Sempre tive meus Hot Wheels e eu gostava dos muscle cars quando criança, mas quando comecei a acompanhar Initial D (lá pelo ensino médio), eu obviamente peguei gosto pelos JDM, os carros feitos pro mercado interno japonês.

Enfim, vou listar meus carros favoritos aqui e um breve motivo de porque eu gostar de cada um deles. Só botei os esportivos porque tenho o espírito de um adolescente que acha que um dia vai acelerar algum carro pra além dos 200km/h.

Subaru Impreza WRX STI (2006)


Acho que o Impreza dessa geração é o que conseguiu melhor balancear o design estranho típico da Subaru com uma coisa que fosse mais aceitável, tanto a geração antes e a geração depois também são bem bonitas, só não a geração atual do Impreza.

Nissan Fairlady Z (1ª geração)


Eu particularmente amo todos os Nissan Z até os de hoje, mas esse design dos Coupé da década de 70 eram bem charmosos, razão pela qual também amo o Dino.

Honda NSX (1ª geração)

"vídeo do Ayrton Senna dirigindo essa máquina pelo Circuito de Suzuka usando mocassins"

É, talvez, o meu carro dos sonhos caso eu ganhe na loteria.

Ferrari Dino 246 GT

Sempre foi meu carro favorito da Ferrari, mesmo não tendo o logo do cavalo. Se fosse pra gastar uma grana numa Ferrari que seja nessa, sem os excessos agressivos do design dos supercarros de hoje e também um pouco antes dos experimentalismos do design europeu dos anos 80. 

Uma Ferrari V6 sem o logo da Ferrari pra ostentar, stealth wealth at it's best.

Ford GT (2005)


Acho que por tirar o design de um carro de corrida, o Ford GT não tem aquele design de BADBOY típico dos supercarros do século XXI. Eu acho lindo tanto o GT40 (que foi o carro de corrida dos anos 60 que inspirou o GT) quanto o GT de 2005, o GT de agora é zoado justamente por adotar esse design agressivo em vogue faz tempo no setor.

Porsche 911


Assim como o Fairlady, eu amo todas as gerações do 911 (na imagem acima é o 991) mas nesse caso eu realmente não tenho um favorito. O 991 eo o 997 são lindos mas o 911 original tem o charme dos clássicos, eu aceitaria qualquer um deles na real.


Menções honrosas

  • O Toyota Celica original é um carro que adoro por ser meio que a versão dos Pony cars americanos feito pelos japoneses;
  •  Ford Maverick, porque foi o esportivo mais famoso da história do Brasil, além de eu gostar bastante dos pony cars;
  • Aston Martin DB9: o Ford Fusion antes do Ford Fusion;
  • O Mini original porque é o cúmulo da britanicidade.
  • Gurgel BR 800, pra ter um pouco de patriotismo nessa lista.

Enfim, acho que é isso.

Eu sempre curti design de carros, motores e tudo mais mas não o bastante pra querer fazer isso da vida, design utilitarista tem seu charme e é por isso que faço Engenharia Naval.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Menino, esqueci sobre o que era esse mangá

Eu tava olhando a lista de mangás que tenho que terminar e me deparei com o Karate Shoukoushi Kohinata Minoru, um mangá de 50 volumes sobre artes marciais. Eu dropei ele quando fui pro Japão (assim como muitos outros mangás) mas a tradução quando dropei já estava no volume 48 e eu podia muito bem pegar pra ler o resto em uma tarde e o mangá se tornaria então o mais longo que já li até hoje, o que está nesse posto neste momento é Initial D.

Mas eu não lembro nada sobre o mangá.

Foram 48 volumes de pancadaria, treino, pancadaria sem sentido, os protagonistas pegaram a faixa preta e teve mais pancadaria também, eu acompanhava o mangá faz uns bons 5 anos e eu não lembro de nada sobre ele.

E não é só esse mangá: Change 123, Rookies, Shibatora e Ga-Rei são todos mangás com mais de 10 volumes que eu li faz um tempo e não lembro de nada da história além de, talvez, um resumo de uma linha. Eu não vou nem entrar no mérito dos mangás que mudaram minha vida ou os meus favoritos, mas tem mangá que li faz o mesmo intervalo de tempo, com a mesma duração (aproximadamente) e que lembro bem mais: Beck, Sket Dance, Katsu! e Hoshi no Samidare não são estimados como clássicos dos seus respectivos gêneros mas são obras muito boas. 

Eu não estou querendo desmerecer as obras que esqueci, já que lembro bem que gostei bastante de Rookies quando li (é um dos melhores mangás pra ensinar as regras de baseball sem ficar maçante) e Change 123, pro gênero, é um mangá bem diferente, mas não foram obras que me marcaram.

Agora falando dos mangás memoráveis, Hoshi no Samidare em particular acho que é um dos melhores mangás shounen já feitos: os personagens são incríveis, a história é bem bacana e é totalmente na linha dos shounens de sucesso, não tem nada que faça com que a obra seja particularmente intragável. Do gênero de fight-shounen com poderzinho, esse mangá só perde pra FMA, FALO COM TRANQUILIDADE. O grande mistério é porque ele não foi adaptado pra anime.

Mas enfim, eu fiz esse post porque lembrei de Haibane Renmei, que é um anime cult do começo dos 2000, e é uma obra que pode ser apreciada tanto da maneira superficial, você só assiste e aceita o que te botam na sua frente, ou você pode mergulhar no anime, já que ele é extremamente alegórico. Eu tenho que reassistir Haibane Renmei porque na primeira vez que vi eu obviamente só vi o que tava lá (já que eu tinha uns 15 anos) mas eu ainda lembro perfeitamente do anime inteiro. 

Haibane Renmei é um anime tão morno, tão comfy numa primeira assistida que você pode jurar que vai esquecer dele dali uma semana, mas toda a construção do universo, da história e dos personagens é feita de maneira tão natural que acaba te marcando, recomendo demais que todos assistam se tiverem afim de ver uma coisa diferente. Mas fica o aviso que é um anime de 2002, na minha opinião os animes dessa época foram os piores da história (em termos de qualidade) já que tava no começo do uso dos computadores nas animações.

E acho que é isso. Eu fiquei um tempo pensando nessa categoria de mangás/animes que foram marcantes o suficiente pra gente não esquecer deles por um bom tempo ao mesmo tempo que não tão marcantes pra gente ter sido influenciado por eles. No mundo dos filmes acho que um que entraria nessa categoria é Chungking Express, que é um filme bobinho mas que foi bem legal (e marcante), só não o suficiente pra eu dizer que foi um divisor de águas na minha vida como foi Poderoso Chefão, Apocalypse Now ou Lost in Translation.

Enfim, é isso.

Acho que vou dar uma reassistida em Haibane Renmei, aquele anime é bom demais.

vlw flw té mais!

sábado, 23 de janeiro de 2021

Vendo Tokyo pela primeira vez pela janela de um ônibus

A minha mala de comidinhas foi arrombada  (pela TSA ou por outras pessoas? Nunca saberei) quando viajei pro Japão. Eu não fiquei muito bolado já que o plano era justamente jogar aquela mala fora e comprar uma maior em terras nipônicas, mas como eu tava praticamente sozinho sem conhecer ninguém quando cheguei no Japão, eu perdi a chance de pedir por restituição ou qualquer merda que seja da Emirates, minha viagem no Japão já tinha começado mal.

O cara da empreiteira do arubaito acabou demorando um pouco, e depois de pegar um pequeno friozinho ao descer do A380, quando a gente saiu no estacionamento do Aeroporto de Narita pudemos sentir o frio que enfrentaríamos dali pra frente no Japão. Era começo de Dezembro, tava um frio da porra pra alguém que tava acostumado a dias com máximas acima de 30º em terras tupiniquins.

No minibus que levaria a gente até Yamanashi eu acabei sentando numa das cadeiras da frente que eram sozinhas na esquerda (já que o bus tinha configuração banco-corredor-dois bancos) e fui separado do pessoal gente fina que me acolheu na escala em Dubai. Sentado no meu banco eu fiquei ouvindo a conversa do cara da empreiteira e troquei um papo com outros caras que conheci no aeroporto que faziam FEA, a conversa começou porque eu tava com o clássico moletom da Poli.

Mas no meio desse papo e tudo mais, depois de um tempo já acostumado com o interior aquecido do bus, a gente passou sobre as vias expressas em Tokyo. 

Eu fiquei embasbacado, bobo, sob um transe fodido.

Foi a minha primeira vez vendo Tokyo e puta merda: a Skytree, a Tokyo Tower, a Rainbow Bridge, vários cafés abertos à noite, prédios enormes, salarymen saindo pra beber, tudo o que eu sonhava eu vi lá de cima. Ainda hoje consigo lembrar perfeitamente daquele momento, foi amor à primeira vista.

Conversando com um amigo que foi pra arubaito dois anos antes, ele falou que também passou pela mesma experiência: "Motora, pode parar e me deixar aqui que eu me viro!", que cidade maravilhosa!

Depois dessa rápida passagem por Tokyo eu só fui voltar lá no ano novo, quando meus primos me levaram pra Odaiba e pra Tokyo Tower. Odaiba foi bacana e tudo mais (eu AMEI esse lugar, não me entenda errado) mas não parece Tokyo, agora eu fiquei muito mais maravilhado com o pouco que vi da Tokyo de verdade nos arredores da Tokyo Tower, por mais que não seja dos bairros mais famosos.

Eu acabei conhecendo Tokyo mesmo (Shinjuku) só quando voltei novamente no dia 11 de janeiro pra ver meu primeiro show, e isso vocês podem ler em pelo menos quatro posts passados que fiz, mas lembro até hoje do trajeto todo que o ônibus fez de Kofu até Shinjuku: primeiro ele passa por uns pontos em Kofu, passa em Minami Kofu, pega a via expressa, passa na frente de um hotel bonitão na estrada que parecia cassino, passa na frente do jockey clube de Tokyo e entra em Tokyo pela via expressa elevada, chegando em Shinjuku o busão passa por umas regiões cheias de escritório até chegar na rodoviária.

Quando o busão entrava em Tokyo pela via elevada eu sempre me maravilhava, não importava se era a primeira ou a décima vez que via aquela paisagem, Tokyo representava tudo pra mim. Chegando em Shinjuku e quando passava pelos restaurantes de ramen, os escritórios enormes e lojinhas estranhas, eu sentia uma emoção de sair o coração do peito.

Olhando as fotos que tirei no Japão eu percebi que não tirei fotos nesses "amores à primeira vista" que tive com Tokyo, acho que simplesmente por estar paralisado pela paisagem nem me passou na cabeça de querer tirar foto, o que é legal ao mesmo tempo que meio triste por não ter ficado registro. 

Por mais que eu não goste mais de música japonesa e nem de mangás e animes (o que acho improvável) no futuro quando eu puder voltar pra Tokyo, a impressão que aquela cidade deixou em mim vai ficar marcada pra sempre.

Por essa e outras que não me arrependo muito de não ter explorado o resto do Japão. Eu DUVIDO que qualquer outra cidade passe a mesma vibe que Tokyo só de você entrar nela de busão, EU DUVIDO. Osaka, Nagoya, Kyoto, Sapporo, eu tenho fé que todas essas cidades são incríveis e que eu amaria elas se tivesse as visitado mas Tokyo é Tokyo.

Eu pago pau pra Tokyo mesmo e não escondo. Apesar do trabalho no frio de rachar o cu, acho que o arubaito foi bem bacana por ter me dado essa chance de conhecer o Japão antes dos 30. Eu tenho essa neura de querer aproveitar minha juventude e um dos itens mais importantes, e que parecia mais improvável, era conhecer Tokyo antes dos 30 anos, pois fui com 23 e devia ter ido até antes na moral. 

Mas ainda sonho em poder voltar lá antes dos meus 30, afinal os artistas que gosto estão envelhecendo junto comigo, assim como seus fãs, então não vou me sentir muito deslocado. Além de já ter tido uma legítima experiência BUDGET de Tokyo, porque não uma mais luxuosa na minha próxima vez lá? Só de pensar em dormir em hotéis de verdade, comer coisas que não sejam ramen, gyu-don ou hambúrguer e pegar táxis e o Shinkansen já me anima bastante.

Eu sei bem que vai ser difícil eu voltar pra Tokyo antes dos 30, morar lá então seria quase impossível, mas depois de ir lá pela primeira vez eu perdi muitos dos medos que tinha. Pode ser difícil, quase impossível até, mas dá pra fazer. 

É meu quinquagésimo post sobre Tokyo e provavelmente vai ter mais ainda, caguei, foi o lugar mais interessante que fui na vida.

Vai se foder, Tokyo é daora pra caralho. 

vlw flw té mais!

P.S. Caso o Governo do Japão (ou o Governo da Região Metropolitana de Tokyo) queira fazer parcerias comerciais e me adotar como embaixador cultural, favor comentar neste post ou me mandar DM no Twitter ou Instagram, apesar da minha agenda cheia, uma viagem pra Tokyo com tudo pago pode me fazer desmarcar uns compromissos.