quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Meu tesourinho

 Eu sempre tive um fascínio da pessoa ter um BEM MAIS PRECIOSO, um tesouro pessoal. 

"Sabe essa lapiseira? Ela tá com essa tampa amassada porque salvou meu tataravô de uma bala numa trincheira no norte da França em plena Primeira Guerra Mundial!"           

 - Alguém, provavelmente

Eu até herdei umas coisas legais do meu pai, maioria delas obviamente relacionadas a engenharia, mas nunca foi algo que teve muito significado pessoal pra mim porque não tinha nenhuma narrativa folclórica ligada.

O meu bem pessoal pelo qual eu nutria mais carinho é meu canivete suíço, sobre qual já falei num post deste ano ainda, ele não tem um significado maior ou qualquer coisa do tipo mas eu sempre ando com ele na mochila e inclusive foi bem útil em situações que iam desde precisar de uma tesoura pra cortar uma folha de papel na aula de termo até ter que abrir uma lata de creme de leite no Japão. O canivete em si não tem muita história, eu o comprei numa viagem pra Campos do Jordão com minha família depois de ter terminado meu ensino médio mas eu tenho plena consciência que o canivete vai durar mais que eu.

Agora, apesar de eu amar meu canivete, eu não ficaria particularmente DEVASTADO se ele quebrasse ou se eu perdesse ele, já que é uma ferramenta eu meio que tenho plena consciência de que ele deve ser usado e que pode ser eventualmente substituído, então qual é meu bem mais precioso?

Eu gosto muito da minha HQ edição especial da Morte do Sandman e gosto também do meu Kalk Samen Kuri no Hana (famoso melhor álbum das história da humanidade) que minha prima me trouxe do Japão em 2014 mas, novamente, não tem nada de extraordinário nesses objetos, por mais que eu IDOLATRE o KZK falando que ele é a maior obra de arte já feita na humanidade, o objeto físico em si é meramente uma embalagem da obra (por mais que seja uma embalagem instigante) e eu posso muito bem comprar outra cópia caso eu perca a que eu tenho.

Pois bem, algo que eu tenho que tem bastante valor sentimental e que eu considero meu bem mais precioso? Óbvio que vai ser algo que peguei na minha viagem pro Japão.

Meu CD do he(r)art do For Tracy Hyde assinado por (quase) toda a banda veio junto com os CDs que eu considerava mais importantes na minha bagagem de mão, o resto foi na mala despachada, e foi o ÚNICO CD que foi danificado na viagem de volta pro Brasil, a embalagem pelo menos (o crystal case rachou). E ele é um símbolo do que passei no Japão porque os outros dois CDs autografados que tenho (do Hitsujibungaku e do Luby Sparks) foram assinados porque as bandas estavam todas lá juntas na mesinha de merch e era meio que "incluso" no preço do CD os autógrafos. 

No caso do CD do he(r)art eu comprei da vocalista e esperei meu nível de nervosismo abaixar um pouco pra puxar uma conversa (em inglês) com o guitarrista pra ele então ir comigo atrás de (quase) todos os membros da banda pra eu pedir autógrafo, parecia um pai guiando a criança numa festa. Isso tudo e também foi o CD que comprei no meu primeiro show que fui no Japão além da temática do álbum ser centrada em Tokyo, foi nesse dia também que me apaixonei pela cidade. O dia 11 de Janeiro de 2019 estará sempre guardado no meu こころ como o dia que eu me tornei um Tokyoite temporário, apesar de eu ter conhecido só Shinjuku nesse dia, foi amor a primeira vista. 

Quando eu pego meu CD do he(r)art me vem toda a jornada que fiz: de pedir pro meu chefe adiantar minha folga até minha primeira janta em Tokyo que foi um Big Mac que comi na minha cabine do netcafé, me lembro que a primeira pessoa que vi quando cheguei na casa de shows (2h adiantado) foi a vocalista do For Tracy Hyde saindo correndo pra comprar umas coisas na konbini no lado e percebi de repente que aquelas pessoas que eu via tocar na tela do Youtube eram reais.

 

Capa e autógrafos do famigerado.

 

Os únicos poréns dos autógrafos é que um dos guitarristas não assinou (ele tinha vazado mais cedo eu acho) e o baterista que assinou não era o que estava na banda durante a gravação desse álbum em particular, mas na moral que isso não importa, For Tracy Hyde foi a única banda com quem falei dos sete shows que fui no Japão e eu só tinha descoberto eles uns três meses antes de ir pro arubaito, ou seja: se eu tivesse ido pra arubaito em qualquer ano anterior, eu provavelmente não teria ido num show deles e é bem possível que não teria falado com nenhuma banda.

O álbum em si (sobre o qual eu já falei no post sobre a banda) é um tributo a Tokyo, e mesmo que não soubesse disso antes de ouví-lo, depois de conhecer a cidade eu me surpreendi com a capacidade da banda ter conseguido espremer a alma de Tokyo tão bem em pouco mais de uma hora de música, e como diz o título da penúltima música do álbum: Tokyo will find you.

Enfim, eu nem acho que he(r)art seja o melhor álbum da banda, o New Young City que veio depois com certeza é uma evolução musicalmente, mas é uma coisa que tem tanta ligação pessoal comigo que eu nem posso pensar em julgar a obra de forma imparcial, pra mim he(r)art sempre será aquele dia 11 de Janeiro de 2019, quando um jovem Yoiti de 22-quase-23 anos se perdeu e se apaixonou pela cidade mais incrível do mundo.

Ouçam o álbum aqui!

E é isso eu acho? Na moral que eu nem planejei falar tanto sobre o he(r)art já que queria fazer um post exclusivo sobre ele mas miei da ideia e virou o que virou e falei da minha viagem pro Japão novamente RSRSRSRSRSRSRS se foi intencional ou não fica a cargo do leitor.

Pois bem, vlw flw té mais!

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

EMOÇÃO GALERA, EMOÇÃO!

Tem um tipo de música que só existe no underground e é um dos maiores motivos pra eu apreciar tanto o cenário musical não-mainstream japonês: as músicas que conseguem passar emoção de uma forma mais crua.

Pode vir me tacando pedra falando que chora ouvindo sertanejo ou The Killers mas acho que maioria da música que chega no ponto de virar hit acaba sendo esterilizada demais, música de sofrência não tem grito nem choro, o vocalista não desafina cantando EM PRANTOS sobre término, o público não canta o refrão com o fundo dos pulmões, etc.

Eu sei que estou sendo chato, e querendo que toda banda seja basicamente punk, mas acho que é muito bosta você procurar uma música pra sua situação (ainda mais quando for ruim) e ter que se contentar com uma pessoa cantando bem uma letra realmente muito bem escrita mas com zero emoção, poxa, eu quero SENTIR ALGO quando ouço uma música.

Na moral que eu comecei a me importar com EMOÇÃO na música quando ouvi essa aí, a parte depois da pausa (lá por 6:30) é tão crua e mostra o desespero de uma forma tão nua que me assombra até hoje quando ouço, e é algo que a gente nunca vai ver numa música mainstream, apesar da banda sucessora a essa (Midori) ter chegado bem perto de emplacar um sucesso mainstream e Shinsei Kamattechan ser teoricamente mainstream enquanto faz músicas bem pesadas sobre bullying e suicídio.


Esse vídeo mostra porque eu amo Kinoko Teikoku, meu deus, olha a Chiaki Sato cantando quase chorando no final do Yoru ga Aketara (lá pelos 12min) e deveras, é uma música sobre perdoar uma outra pessoa. Eu fiquei puto com a banda justamente porque a música deles ficou muito higienizada, as letras de algumas músicas (Aruyue e Sculpture em especial) são muito boas mas não tinha aquela magia que eles tinham antes, aqueles rough edges que faziam com que todo jovem sem rumo na vida se identificasse com a música deles, mas isso já é passado.


Essa música já é mais pra quando eu quero dar uma alegrada depois de um dia bosta, geralmente eu ouvia Judy and Mary pra esses casos mas essa música do Volleyboys tem esse refrão alto astral que é feito pra ser cantado com uma plateia que anima qualquer um, espero poder ver eles ao vivo algum dia.


Acho que alegria já é algo mais presente no mainstream mas desse jeito? Só a Kaneko Ayano mesmo. As músicas mais alegres do Judy and Mary também são muito boas mas a Kaneko Ayano tem uma aura que nem a YUKI nos anos 90 tinha, e por isso que por mais que ela esteja crescendo bastante ultimamente, não acho que vai chegar no TOPO TOPO das paradas que nem a Aimyon por exemplo, a Kaneko Ayano é muito selvagem pro establishment japonês deixar correr solta.

Tudo isso quer dizer que só gosto de música com gente gritando? Nah. Eu gosto bastante de shoegaze e da Ichiko Aoba em certos momentos, só acho que falta EMOÇÃO no cenário mainstream musical, porra, eu quero chorar ouvindo uma música triste, quero ficar puto ouvindo música pra se revoltar, quero sentir GOOD VIBES ouvindo música feliz, mas é difícil você sentir isso da música se você se restringir só ao que todo mundo ouve.

Acho que é isso, eu queria escrever esse post depois de ter lido um crítico musical falando que ele odeia toe por ser uma banda que tenta se desvincular muito da emoção e acaba parecendo meio insosso, por mais que seja uma busca pela perfeição da forma.

É isso, vou dormir em posição fetal enquanto choro ouvindo Kinoko Teikoku, é pra isso que comprei meus IEMs: pra poder ficar deitado de lado sem ter o perigo dos fones caírem.

vlw flw té mais!

sábado, 29 de agosto de 2020

OUVI GINCANA??!!!!!

 O colégio onde estudei por 12 anos da minha vida era católico e tudo mais, e na última semana de Agosto era sempre celebrada a "Semana Santo Agostinho" ou Semana Cultural.

É uma coisa que lembro com muito carinho: quando eu tinha acabado de entrar no colégio, a semana cultural realizava sua última edição no formato antigo: todos os alunos do colégio (de todas as séries e ensinos, de todos os turnos) eram divididos aleatoriamente em quatro equipes: Ontem, Hoje, Amanhã e Sempre, e depois de uma semana cheia de gincanas, atividades e outro eventos, a equipe que ganhasse ia pra chácara do colégio de graça (ou algo assim, isso foi há uns 18 anos).

As atividades iam de cabo de guerra a gameshows no teatro do nosso colégio, como eu era aluno do Jardim III, não deu pra ter uma dimensão muito grande do evento como um todo, mas lembro de voltar pra casa e falar pra minha mãe de como tinha sido os eventos, lembro bem que minha irmã estava em outra equipe e que eu estava na equipe "Amanhã".

Depois desse ano, 2002 no caso, a semana cultural ficou mais normal: tinham lá suas celebrações em homenagem ao santo que dava nome ao nosso colégio, vulgo Santo Agostinho, e umas gincanas, eventos e tudo mais, mas não tinha aquele clima de SPORTS FESTIVAL de um anime como antes, o que foi uma pena.

Com o passar dos anos os eventos foram minguando e minguando até que nos meus últimos anos de ensino médio, a Semana Santo Agostinho foi extinta e os eventos foram espalhados pelo ano inteiro, o que tirou totalmente a graça deles. Parece que a justificativa era que tinha uma boa galera que matava aula durante essa semana, o que eu não acho que era verdade, pelo menos eu lembro bem que quase ninguém da minha turma faltava durante essa semana e era uma coisa que eu até aguardava todo ano pra ver como ia ser.

Eu até entendo agora que se na faculdade rolasse isso eu certamente ia matar as "aulas", já que poderia estar estudando, trabalhando ou simplesmente fazendo algo melhor com meu tempo, mas pra garotada de ensino fundamental não tem nada que eles podiam estar fazendo nesse tempo e pro pessoal do ensino médio (ainda mais do TERCEIRÃO! URRA URRA HEI!) a semana pode ser uma boa pausa pra não despirocar.

Sei que sou meio suspeito pra falar disso, já que eu conseguia ter menos vida social no ensino médio do que hoje... durante a pandemia, mas puta merda, gincanas são legais pra caralho. O último resquício de gincana que sobrou no meu colégio foram as MARATONAS INTELECTUAIS que eram quizzes entre umas 6 salas, que eram sempre no palco do imponente teatro do nosso colégio, com perguntas nas categorias (se me lembro corretamente): Conhecimentos gerais, filmes, música e acho que tinha mais uma mas não me lembro [PESSOAL QUE FEZ ENSINO MÉDIO COMIGO POR FAVOR COMENTAR ABAIXO SE LEMBRAREM] onde cada sala mandava dois representantes por categoria, e por mais triste que seja eu preciso admitir que minha sala NUNCA ganhou essa merda, eu acho que inventaram isso lá pelo meu sétimo ou oitavo ano? Então conta aí umas 4 ou 5 edições disso que participei mesmo, me mandaram subir no palco representando a sala, e nunca ganhei, NUNCA! Gianluigi Buffon e Zlatan Ibrahimovic eu entendo vocês.

Enfim, não quero lembrar muito disso aí já que não valia absolutamente nada, não tinha prêmio nem merda nenhuma, mas foi uma puta humilhação ter perdido no TERCEIRÃO contra a molecada do segundo, isso tudo porque um mano da minha sala esqueceu de botar o artigo A em A PEQUENA SEREIA (sim, eu sempre vou lembrar disso). E a sala inteira voltou cabisbaixa da maratona. Em nossa defesa a gente ganhou as viagens de formatura NA FAIXA depois de participar d'O Último Passageiro (que era apresentado pelo nosso atual secretário nacional da cultura) numa gincana televisionada em rede nacional contra dois outros colégios com mensalidades maiores que o do nosso. CHUPA TERCEIRÃO QUE VEIO DEPOIS DA GENTE! O PROGRAMA FOI CANCELADO DUAS SEMANAS DEPOIS QUE A GENTE FOI E VOCÊS NÃO GANHARAM VIAGEM DE GRAÇA! HAHAHAHAHA!

Pois bem, acho que tudo isso explica muito bem porque gosto bastante do Integrapoli, é praticamente uma gincana que não considera o bom senso e dura uma semana SEM PAUSAS. Eu nunca participei ativamente do Integra mas foi uma coisa que sempre me proporcionou umas risadas e prefiro mais que ele exista do que o caso contrário, a Poli merece ter uma semana em que as pessoas possam rir de outras coisas que não as notas das provas de numérico.

Eu não sei se é efeito da quarentena mas eu amaria estar puxando um cabo de guerra ou respondendo pergunta de borda geográfica ou memorizando onde a luzinha acende pra eu pisar ou qualquer coisa do gênero, gincanas são legais.

Por hoje é só galera, valeu, falou, até mais!

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O fardo de ter dois nomes próprios e não poder usá-los em conjunto porque ficaria estranho

 Uma boa parte dos descendentes de japoneses aqui no Brasil têm dois nomes próprios: um brasileiro e outro japonês, e com isso vem uma série de dramas cotidianos.

Qual nome você  (que tem nome japonês e brasileiro) bota no Facebook? Os dois nomes + sobrenome? Nome brasileiro + sobrenome? Só os dois nomes? Nome japonês + sobrenome? Acho que todo mundo tem uma relação diferente com o nome, eu por exemplo só sou chamado de Daniel por pessoas que acabaram de me conhecer ou por professores/pessoas com ligação mais formal comigo, normalmente as pessoas estão me chamando de Yoiti depois da primeira semana que me conhecem.

Mas eu conheço descendentes que basicamente só usam o nome brasileiro ou que são conhecidos pelo sobrenome, eu geralmente observo como um cara é chamado pelos amigos antes de me referir a ele mas tem vários casos de eu ser uma das únicas pessoas que chamam alguém pelo nome japonês, assim como algumas poucas pessoas me chamam pelo sobrenome. No arubaito eu chamava o pessoal do meu setor pelo sobrenome mas o resto do pessoal que eu conheci por fora eu chamava pelo nome mesmo.

Um costume que acabei adquirindo foi de preencher "Daniel Ishida" em qualquer lugar que precisasse de cadastro, já que sempre pediam o primeiro nome e o sobrenome, e eu não queria dar trabalho pra quem fosse tentar falar "Yoiti", mas um caso interessante foi quando fui fazer óculos no Japão e preenchi meu nome como Daniel automaticamente no tablet de cadastro, a moça gaguejou um "Hmm... Dani.. Danieru-san?" e percebi que pela primeira vez botar Yoiti teria sido mais conveniente.

Ter botado só Yoiti Ishida no Facebook também gerou uns incovenientes aqui e ali, tem gente que me procura lá depois de eu me apresentar como Daniel e não acha e qualquer site que faço cadastro com a conta do FB acaba me cadastrando como Yoiti, e isso faz com que muito motoboy do Ifood fique com cara de interrogação pra tentar falar meu nome, mas maioria fala certo (ao contrário do nosso atual secretário nacional da cultura que errou umas 5 vezes em rede nacional 7 anos atrás, quem sabe sabe).

Enfim,pode parecer que não sou muito afeto do nome Daniel mas acho que é mais que eu gosto demais de Yoiti (já que era diferente), até eu entrar na Poli eu só tinha visto uns Yuiti mesmo, mas Ishida e Yoiti tem, se somados, mais que Daniel nessa faculdade eu aposto.

Eu escrevi esse post porque achei a notinha fiscal do óculos que uso normalmente, que é da história da moça gaguejar falando DANIERU, e tá lá ISHIDA DANIEL. Na moral que foi o óculos mais barato que já comprei (5000JPY, na época era uns 170 reais acho?) e como é de plástico ele é mais confortável que os sem borda que eu usava desde 2014, mas ainda está nos planos pegar um oval pra fazer uma justa homenagem ao Shutoku Mukai do começo dos anos 2000. Quando eu for trocar de óculos eu prometo que vou escrever um post sobre óculos, sou fascinado por eles.

Pois bem, vlw flw e té mais!

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Dança das cadeiras

Onde você se senta numa sala de aula normalmente?

Eu vi uns tweets fazendo sucesso com uma imagem mais ou menos parecida com a abaixo e perguntando onde você senta/sentava no ensino médio e na faculdade.

 
 

No meu ensino fundamental eu sentava sempre no fundão porque eu era um relaxo do caralho, eu gostava de sentar, usando as referências da imagem acima, na 29/30 ou 35/36, mas eu já sentei na carteira do protagonista de anime: a famosa penúltima carteira da fileira da janela, aí é a 5 (todo protagonista de anime senta na carteira 5).

No médio, como eu tava preocupado em VER a lousa, meu óculos sempre parecia fraco e eu queria realmente aprender pra passar nos vestibulares, então sempre sentava na frente, seja na 1/2 ou 31/32, eu gostava de paredes para ter apoio para dormir (fazer TERCEIRÃO! URRA URRA HEI! e cursinho não era bom pro meu regime de sono). 

As salas do cursinho (Etapa no caso, chupa!) eram ginormes e tinham um amplo corredor no meio, então eu sempre pegava carteira do corredor porque eu, eventualmente, sempre ia pro banheiro em alguma pausa entre aulas e não tava afim de derrubar estojo de crushes que tinha na época (que podem ou não ter existido). Então nos dois anos de cursinho que fiz eu sentei mais ou menos no mesmo lugar: em uma carteira colada do corredor central, no meio da sala (já que sempre chegava tarde demais pra pegar lugar na frente), no primeiro ano foi lá pelo 22 e no segundo ano era lá pelo 16, guardadas às devidas proporções de uma sala que cabiam 300 pessoas.

Na Poli eu sento perto da porta e/ou perto da lousa, nas salas do cirquinho eu sentava lá atrás porque as fileiras que não a última eram um cu de entrar e sair gente (quem viveu sabe), no resto das salas eu sento mais perto da lousa, agora na sala da naval que é inclinada eu sento no meio, seguindo mais ou menos a lógica de escolher lugar em cinema onde muito perto dá torcicolo e muito longe não dá pra enxergar.

Durante meus anos de ensino fundamental e médio eu precisava ficar no lado das janelas, além de ter o apoio pra dormir, as janelas no meu colégio davam pra quadra e era sempre interessante ficar vendo o pessoal jogando nas aulas de educação física e o ventinho (antes de botarem AC nas salas) era bom demais. No cursinho não tinha janela e na Poli as janelas dão pra lugar nenhum, então resta o conforto.

Acho que desde que comecei a Poli nem tanto, já que costumo sentar sempre perto de quem já conheço, mas o lugar onde sento na sala já me propiciou bons momentos e amizades que carrego até hoje. No ensino médio eu criei amizades bem legais com o povo que sentava perto de mim e no cursinho eu conheci uns caras bem gente fina pelo puro acaso de sentar perto deles, eu particularmente não acho que o lugar na sala defina se a pessoa vai melhor ou pior academicamente, ainda mais no meu ensino médio onde o professor escolhia onde cada um sentava, mas é um bom jeito de conhecer gente nova.

Enfim, esse post não tem nenhum propósito, eu só lembrei de onde eu costumava sentar nas salas de aula e quis escrever umas coisas desconexas, não vou entrar aqui no determinismo que o pessoal usa pra definir seu tipo de personalidade pelo lugar onde você senta numa sala de aula, mas é engraçado ver como eu já não me importo onde sento numa sala de aula, ainda mais agora que elas não estão sendo ocupadas há meses.

E é isso aí, pro próximo post eu juro que vou trazer algo mais interessante.

vlw flw té mais!

domingo, 16 de agosto de 2020

Eu gasto tempo demais no Youtube

90% do tempo que gasto no Youtube é vendo show/ouvindo música nova, mas nos 10% restante eu vejo meus canais favoritos sobre os temas mais variados, vou escrever um pouco sobre uns deles:

Trash Taste

É um podcast com uns youtubers de anime na real, mas eu prefiro esse formato em vídeo e as conversas são sempre interessantes, abordando aspectos da vida no Japão (pelos olhos de estrangeiros) e besteiras aleatórias sobre mangás e animes.

Stuff Made Here

Canal de um engenheiro onde ele cria uma coisas bizarras tipo um taco de baseball que sempre acerta home runs e até um robô que corta o cabelo automaticamente com tesouras, bem legal ele mostrando o processo de criação dos projetos.

Okana Nanako

É o vlog de uma moça japonesa que (supostamente) vive de arubaitos e faz vídeos dela cozinhando e às vezes também das viagens de férias, o canal capta tão bem essa juventude japonesa atual DA QUAL EU QUERIA FAZER PARTE que eu fico admirado, mas é bem legal ver as receitas casuais que ela faz, sem qualquer charme ou glamour.

Philip Solo

Canal de um nóia canadense que faz uns vídeos... intrigantes. 

Intrigante.

Ashens

Possivelmente é o canal que acompanho faz mais tempo, tipo uns dez anos, e que nunca mudou a fórmula: é um inglês fazendo reviews de coisas randômicas no sofá marrom dele: de comidas vencidas há mais de 50 anos até cópias chinesas de consoles. 

Half as Interesting

De onde tiro boa parte dos conhecimentos inúteis que tenho (fora dos mangás).

Mustard

História de umas obras de engenharia mecânica/aeronáutica/naval bem interessantes.

Zoe's Studio

É o dia-a-dia de uma barista em um daqueles cafés que estão na moda no mundo inteiro, mas esse no caso é na Coréia do Sul. Bem legal ver como as bebidas e pratos são diferentes dos que estamos habituados a ver no Brasil ou até mesmo dos que via no Japão.

James Hoffman

Canal de um barista inglês que dá dicas sobre o preparo e compra de café, bem interessante apesar de eu não tomar mais café faz um tempo já.

Dancing Bacons 

Canal de um cara de Singapura mas que viaja pela Ásia inteira, os vídeos são tirados em primeira pessoa, dele experimentando comidas diferentes, bem legal ver não só os vídeos do Japão mas também como a cultura da comida é diferente nos outros países.

Casual Navigation

Canal obrigatório pra todo engenheiro naval e quem se interessa pelo assunto, bem informativo e com explicações fáceis até pra leigos no assunto.

I Will Always Travel for Food

É a mesma coisa que o Dancing Bacons mas é só no Japão, bem legal.

Sally Amaki

Canal de uma idol (do grupo 22/7) que nasceu nos States. As legendas em inglês não têm nada a ver com o que ela fala em japonês mas é parte do humor autodepreciativo tipicamente japonês. Ela fala em inglês em uns vídeos também.


Mind the Headphone

É o melhor canal sobre equipamentos de áudio do Brasil. O cara também criou uma marca de fones nacionais pro mercado audiófilo, ele manja bastante do assunto e sempre traz opções que temos aqui no Brasil, não só aqueles mais manjados que só vendem no exterior e que são um cu de achar por aqui.

Regular Cars Reviews

EXTREME ADVERTISING FOR CARS. Imagina como seria se o Filthy Frank fosse da Pennsylvania e fizesse reviews de carro, só consigo pensar nisso. Tem uns vídeos dele que me atingem na alma de tão pessoais que são.

"The Vagabond Falcon really isn't mine, I'm just it's caretaker for a while, I will hold on to this vehicle as long as I can but when it passes from my hands, I hope her next owner will love her as much as I do"


Enfim, acho que é isso. Deixei de fora uns bem manjados tipo o Ted-Ed e o Veritassium e os de música, mas eu percebi no meio desse post que ando passando tempo demais no Youtube.

vlw flw té mais!

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Eu te juro que Cooking Mama me ensinou a cozinhar

Um dia desses eu acordei e falei: "Vou aprender a cozinhar".

Na moral, eu não quero sair dessa quarentena do mesmo jeito que entrei nela (a não ser que mesmo jeito seja VIVO, eu ainda pretendo sair vivo dessa quarentena), então eu estou aproveitando que a USP tá pagando os certificados do Coursera e estou fazendo uma dezena de cursos que podem acrescentar ao meu currículo ou que pareciam interessantes, já fiz cursos de Excel, de Psicologia e de Teoria dos Jogos e estou fazendo um sobre Budismo (sim), Mercado Financeiro e NEGOCIAÇÕES (vai que isso é útil).

Mas um dia desses resolvi começar a cozinhar, minha mãe tava meio de saco cheio e sem ideias e eu que tava mais ou menos em cargo de fazer as compras pra casa, então resolvi primeiro fazer uns pratos que eu sentia saudade de comer no Japão.

Tem um site bem bom chamado Just One Cookbook onde uma chef japonesa que mora em San Francisco bota umas receitas de comida japonesa casual, eu amo esse site, tem desde coisa simples tipo o saudoso Egg Salad Sandwich que tinha em toda konbini, a minha comfort food favorita Napolitan e até o meu donut favorito do Mr. Donut que eu amava. Eu só testei as receitas pra main dishes e uma pra espinafre japonês, mas todas saíram bem boas. 

Na moral que o bom de culinária japonesa casual é que se você tiver miso, shoyu, mirin, sake e açúcar, já dá pra cozinhar qualquer coisa, então resta você mudar a proteína: porco, frango, peixe ou, bem raramente para dar um ar mais autêntico japonês, carne bovina.

Eu tava querendo cozinhar comida japonesa faz um bom tempo já, eu assisto os vídeos da Okana Nanako já desde antes de ir pro Japão e comecei a ver mais uns três canais de culinária em japonês pra aprender a língua junto com algumas receitas, então tá tudo se encaixando bem agora. Isso tudo e ainda lembro de algumas receitas que aprendi jogando Cooking Mama no DS, melhor jogo.

Enfim, cozinhar no Japão mesmo não vale a pena se você mora sozinho e tem pouco tempo de folga, por isso ninguém no arubaito se dedicava a cozinhar algo com o mínimo de complexidade. Qualquer proteína que seja no Japão é cara demais e nos mercadinhos, depois de certo horário, os bentôs ficavam na metade do preço, lá por volta de 200JPY, então era quase impossível você fazer um prato decente e que valesse o tempo e o dinheiro pra valer mais a pena que comer um bentô ou em algum restaurante barato por perto, se muito você estaria economizando o equivalente a centavos, por uma comida que provavelmente não seria tão boa assim. O máximo que o pessoal cozinhava era no começo quando tínhamos as coisas que trouxemos do Brasil, mas depois deu no saco e as refeições se resumiam a curry pronto ou ramen instantâneo.

Minhas aulas começam semana que vem e não estou muito animado, essas foram as férias mais produtivas que eu tive em um bom tempo ao mesmo tempo que foram as mais deprimentes e acho que isso não é coincidência, eu juro que não lembro bem as férias do começo deste ano mas as minhas últimas férias de Julho foram incríveis, e essas que acabaram de passar também seriam mas, nesse ponto da minha vida, eu já sei que não é sempre que as coisas correm como o esperado, e ninguém esperava pela merda que tá rolando agora.

Pois é, enfim, vou lá ver o jogo entre o Bayern e o Barcelona pra fazer dessa sexta-feira um pouco menos deprimente, o Santos perdeu ontem mas pelo menos o menino Ney ganhou anteontem e hoje eu não torço por ninguém, só quero ver sangue mesmo.

vlw flw té mais!