domingo, 25 de agosto de 2019

Nostalgia por DVDs parte 1: As Locadoras

Pode me chamar de antiquado mas eu sinto muitas saudades das locadoras de vídeo.

Lembro que tinha uma locadora na esquina da São Joaquim com a Rua da Glória, a Golden Fox, que meu pai devia ter cadastro desde a década de 80 no mínimo, que foi onde achei as mais variadas influências que um menino de 5 anos poderia ter. Nessa época ainda lançavam filmes em VHS e DVD, acho que o preço pra alugar VHS era menor.

Eu em particular raramente escolhia um filme pra ver, nessa época pelo menos, mas lembro de ter assistido Space Jam depois de ver de fora da locadora a capa que me intrigou bastante na época: "Um jogador de basquete junto com o Pernalonga? Como assim?", quem pegava a maioria dos filmes era a minha irmã e lembro da saga d'O Senhor dos Anéis, dos filmes de terror que tavam em vogue na época (O Chamado em particular) e daquelas comédias românticas com o Owen Wilson.

No colégio todo mundo tinha a carteirinha da "Turma do Sofá" da Blockbuster, mas como não tinha lojas da rede perto de casa eu tinha que me contentar com as locadoras de bairro mesmo, que podiam não ter os brindes e promoções das redes mas tinham seu charme.

Acho que o começo do fim foi quando a pirataria chegou na porta, de repente as ruas se infestaram de vendedores ambulantes trazendo os mais novos títulos do cinema, às vezes a gravação era um CAMrip horrível mas também acontecia muito de ser uma ISO de um DVD que tinha sido lançado e então tanto fazia alugar na locadora ou comprar aquela coisa horrorosa no saquinho com a capa mal impressa.

De repente a casa de todo mundo que fosse estava cheia de DVDs piratas de filmes novos e antigos, o debate sobre a moralidade da pirataria ainda estava no começo e as campanhas anti-pirataria soltavam pérolas lembradas até hoje como "VOCÊ NÃO FARIA DOWNLOAD DE UM CARRO!" pô, será mesmo?

Por mais que a pirataria estivesse com vento à popa, minha família ia ainda nas locadoras próximas, já que o preço do pirata e do aluguel era quase o mesmo e a gente sabia que não ia ver a maioria dos filmes novamente, que mal poderia fazer? Foi nessa época que uma locadora perto começou a alocar metade do salão pra uma lan house (outra coisa que desapareceu, mas fica pra um próximo post) e a saudosa Golden Fox acabou fechando as portas e virou uma Igreja Universal, a era das locadoras já estava no fim.

Eu lembro até hoje do último DVD que minha família alugou, minha irmã tinha pego um filme numa locadora perto de casa mas como ele não tava rodando (tava riscado eu presumo), eu e minha mãe fomos trocar por outro. O negócio é que fomos no dia depois da data de entrega, por algum imprevisto, e o cara da locadora falou mais ou menos "Vocês não tem direito a pegar outro não, olha a data" e nem devolver a grana o cara devolveu, minha mãe ficou tão pistola que nunca mais pisamos naquela locadora, e em mais nenhuma até onde lembro. O filme se não me engano era algum com a Audrey Tautou, mas posso estar lembrando errado.

A partir daí eu só acompanhei de longe as locadoras acabando uma por uma, as Blockbuster primeiro dividindo espaço com Lojas Americanas e depois sendo totalmente fagocitadas por elas, a locadora-lan house perto de casa virando um restaurante-bar e até as Locadoras 2001, queridinhas de todos os cinéfilos e hipsters de plantão, fechando as portas a pouco tempo atrás.

E de repente não havia mais locadoras de vídeo no Brasil, enquanto que no Japão eu vi até locadora de CD, SIM LOCADORA DE CÊ-DÊ! Pra ser justo a Tsutaya é metade livraria metade locadora, mas é realmente metade/metade e tem muito japonês alugando coisa ainda, vi as famosas estações de coleta automatizada de DVDs/CDs alugados e fiquei pasmo com o anacronismo daquilo, pode ter sido uma das razões pelas quais eu amo aquele país.

O post ficou meio longo e como sei que quem lê esse blog é preguiçoso pra caralho, vou dividir esse flashback em duas partes (eu espero), a próxima vai ser sobre os DVDs piratas.

vlw flw té mais

domingo, 11 de agosto de 2019

Moletom da Poli

Todo mundo que me conhece sabe que eu tenho o famoso moletom da Poli.

A Atlética Politécnica nunca soltou os números mas eu tenho a leve impressão que o moletom da Poli é o artigo de vestuário universitário mais vendido do Brasil. Mesmo que você não faça USP, é bem provável que você já tenha visto o clássico moletom: azul marinho, zíper metálico, revestimento interno do gorro em amarelo assim como o singelo bordado atrás "USP", o emblema da Atlética Politécnica no peito e, em letras garrafais bordadas ao longo do braço esquerdo: POLITÉCNICA. É o famoso moletom POLISTER.

E eu comprei esse moletom no meu primeiro dia de aula, 130 reais.

Ainda lembro que eu tava 100% perdido no primeiro dia, só conhecia mesmo meu amigo da elétrica que era do meu cursinho, e numa pausa entre as aulas introdutórias de 50 minutos eu dei uma passeada no prédio do biênio e aproveitei pra passar na Atlética pra comprar o tão sonhado moletom da Poli. Na moral que eu achei na época que o preço era meio alto, pra uma roupa que não era de marca, e é caro mesmo, mas pelo tanto que usei já, acho que valeu a pena.

Desde antes de entrar na Poli eu sempre curti moletons universitários, já passei horas e mais horas navegando por páginas de atléticas não só nacionais como também de fora do país, é bem legal ver a sutileza que os moletons têm e como isso reflete a imagem que o pessoal de tal curso em tal faculdade têm deles mesmos. A Poli por exemplo sempre busca botar ênfase no POLITÉCNICA, porque é uma palavra bem bonita e com bastante significado (das origens do ensino da engenharia no país), outros cursos da USP sempre destacam o nome de seus institutos, porque depender do nome USP geralmente é sinal que o curso não tem muito destaque. As universidades federais já são o contrário, com um enorme destaque para a sigla da Universidade e o nome do curso nas entrelinhas. Pessoal de qualquer medicina costuma tacar um MEDICINA em letras garrafais e depois a universidade, até o pessoal da Pinheiros faz isso. Algumas atléticas botam o nome da atlética em destaque e eu nunca entendi o motivo disso, mas enfim.

O negócio é que o moletom pra mim era o símbolo do meu sonho de entrar na Poli, aquele moletom não custou apenas os 130 reais que paguei lá na Atlética, custou também os dois anos de cursinho, as noites de estudo e os rolês perdidos, custou tudo o que eu tinha e pra mim era uma ticket pra uma nova vida, spoiler: não foi.

O meu moletom me acompanhou para todos os lugares possíveis, acho que de todas as viagens que fiz desde que entrei na Poli, eu só não levei meu moletom na viagem pra Argentina porque eu não tava afim de levar um soco na cara por ser confundido com um torcedor do Boca Juniors. No Japão eu usei o moletom mais lá na cidade onde eu estava, tanto pra dormir quanto pra sair pro supermercado, em Tokyo eu acabei usando as roupas que tinha comprado na Uniqlo/Champion que eram mais F A S H I O N e também que no frio da porra que tava lá, usar um corta-vento era mais importante que ter uma blusa grossa.

O meu POLISTER já foi pra praias, foi pro interior de São Paulo, foi pra Curitiba, foi pro Japão, foi pra maiorias das visitas monitoradas e também já me proporcionou as melhores sonecas que tive na USP, já que ele é praticamente um cobertor com gorro.

E o meu moletom em particular já está fazendo 4 anos e uns quebrados e não está tão desbotado quanto eu achava que ele ficaria. O zíper dele quebrou ano passado e minha mãe falou pra comprar outro moletom já que a troca de zíper já sairia mais de 50 reais, num misto de apego por ele com a consciência que ninguém em sã consciência compra um moletom novo da faculdade no quarto ano, eu acabei optando por pagar pelo zíper novo mesmo, que acabou vindo na cor azul já que os zíperes metálicos estavam em falta no lugar.

Acabou que eu já não uso tanto meu POLISTER pra cá e pra lá como antigamente, o moletom que mais uso agora é o verde com gola careca que comprei no show da Kaneko Ayano (e é a coisa mais brega da história da humanidade), o moletom da Poli virou meio o que ele tava sendo no Japão: pijama e roupa pra sair pro supermercado.

O moletom POLISTER anda perdendo espaço no gosto politécnico pelo modelo que a Atlética lançou uns dois ou três anos atrás, que é bem mais aquele template de moletom universitário americano: escrito POLI USP, símbolo da Atlética e o famoso EST. 1893 (que é o ano de fundação da Poli e não da Atlética, mas enfim). Antes do moletom que eu tenho, o modelo era baseado nos da GAP com um enorme POLI bordado no peito, que eu acho até legal mas eu realmente tava atrás de um moletom aberto quando era bixo.

Eu nem sei direito porque fiz este post, já que não vou me desfazer do meu moletom POLITÉCNICA por um bom tempo ainda, mas eu sempre me divirto porque, não importa onde eu vá, sempre haverá um panaca usando um moletom da Poli, e se não tiver é porque eu sou o panaca usando o moletom da Poli.

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sábado, 3 de agosto de 2019

eureka - Kinoko Teikoku

Na moral, Kinoko Teikoku foi a banda dos meus 17~~19 anos e por isso eu reverencio este álbum e o Uzu ni Naru. A real é que a banda acabou e só então percebi como ela foi importante para mim, a Chiaki Sato foi uma das minhas primeiras paixões na música e cara, tá pra nascer alguém que tenha uma voz tão linda quanto a dela.

O álbum é extremamente sólido, desde a primeira faixa que é extremamente pessimista até a bonus track que é uma redenção de todos os erros do eu lírico (e todos os nossos também, por que não?) do álbum, a faixa 5, eureka, em especial é assustadora, uma das melhores composições que já saíram do underground japonês nos últimos anos.

Esse álbum cresceu bastante pra mim, eu já gostava bastante dele desde que ouvi pela primeira vez mas é interessante ver como as composições da Chiaki Sato acompanham a vida dela, imagino que até meados de 2013 ela estivesse numa fase mais pessimista e depois chegou a uma redenção, como na bonus track deste álbum.

A bonus track aliás é a melhor música do álbum, sem ela o álbum inteiro não tem sentido, porque até a penúltima faixa o álbum é um poço de depressão, ódio e remorso e a bonus track já chega falando (numa tradução porca minha) "Cada um está carregando seu fardo, as suas lágrimas podem secar amanhã ou depois, mas finja que esqueceu das noites e dias que não voltarão, e sorria, sorria". Quero dizer, não é uma redenção REDENÇÃO, o que seria impossível visto que o álbum todo foi uma via crucis, mas é um passo pra deixar de lado tudo o que te chateava e não ficar remoendo o passado.

Até eu escutar esse álbum mais seriamente, eu achava que o Uzu Ni Naru era melhor, o que não é mentira se compararmos faixa a faixa, mas eureka é praticamente um concept album no modo como ele é construído.


A transição do Kinoko Teikoku amado pelo povo em geral pro odiado aconteceu na bonus track do eureka, tanto que o EP Long Goodbye tem vibes shoegaze/dream pop mas já é bem menos pessimista que os dois álbuns anteriores, o Fake World Wonderland amplia sobre o EP e ao mesmo tempo que possui a música mais dream pop (e uma das minhas favoritas) da discografia do Kinoko Teikoku: Aruyue, também já tem a passagem deles pro mainstream: Tokyo (produzido pelo Uni Inoue, engenheiro de som da Shiina Ringo), o que veio depois vocês já sabem.


Na moral que pode ser bobagem da minha cabeça isso de ficar dando tanto valor pra bonus track deste álbum mas é no mínimo curioso que um álbum que comece com vocais soturnos amaldiçoando meio mundo termine com dois minutos de LA LA LA LA LA LA num estilo Hey Jude hipster japonês, eu quero pelo menos acreditar na minha grande teoria que essa música foi o ponto de mudança do Kinoko Teikoku, é uma coisa tão simples mas que parece ter tanto significado no contexto que nunca deixo de me surpreender, acho que é um final de álbum tão bom quanto o Souretsu do KZK da Shiina Ringo (que também não deixa de ser uma espécie de redenção).

Aliás, não se engane: Kinoko Teikoku nunca foi uma banda SHOEGAZE, eles sempre foram um indie rock com influências aqui e ali, seja de Radiohead, seja de MBV, mas eles nunca foram shoegaze shoegaze.

Ame a banda pelo o que ela foi, não odeie-a pelo o que ela poderia ter sido.
(Digo isso mas ainda fico puto com os últimos álbuns da banda, relevem).



10/10 na moralzinha, só não boto essa nota no rym porque na minha conta essa nota só pode ser dada ao KZK. Dá pra achar a bonus track no Youtube como "Kinoko Teikoku - hidden track" mas acho que vale bem mais ouvir o álbum inteiro, só a bonus track não tem impacto sozinha.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Curitiba e minhas férias, um breve resumo

Eu viajei pra Curitiba.

Era meio que um sonho de ensino médio: se algum de nós da Turma da Trave fizesse faculdade fora de São Paulo, o resto do pessoal iria visitar a cidade pra conhecer e tal. Acabou que só um de nós foi fazer faculdade num lugar decente fora de Sampa, digamos que Campinas e São Carlos não são tão atraentes pra se fazer uma visita.

E a gente demorou cinco anos pra realizar a viagem, o cara que mora em Curitiba até se formou já, mas ultimamente a gente anda numa vibe YOLO e resolvemos ir, que se fodam as consequências. Eu e mais dois combinamos de ir pra Curitiba pra ficar lá por um fim de semana.

Foi uma viagem de seis horas no Cometão da massa, como ninguém é de ferro a gente pegou o semi-leito (que é um pouco melhor que o executivo que eu estava acostumado), mesmo assim eu não consegui dormir muito bem, nem os dois que foram comigo. Foi a primeira viagem que fiz de ônibus de viação desde que voltei do Japão, e apesar do Cometão ser melhor que os ônibus que peguei lá, dá pra sentir a diferença entre uma viagem de 6h e uma de 2h, pelo menos dessa vez eu estava com meus amigos, no Japão só viajei acompanhado uma vez (das quatro vezes que fui de bus pra Tokyo).

E a gente conseguiu ver boa parte (turística) da cidade, bem mais que na vez que fui com minha família no final de 2012 pelo menos. Museu Oscar Niemeyer, Jardim Botânico, Parque Tanguá, um campus da UFPR e vários shopping centers, para um fim de semana foi extremamente proveitoso.

Não tenho muito o que falar da viagem, tudo correu conforme planejado (tirando um curry caseiro que conseguiu a façanha de ser picante ao mesmo tempo que sem sabor, mostrando que nem sempre é uma boa ideia cozinhar em casa) e foi legal conhecer um pouco mais de uma cidade que sempre tive certa afinidade, além de ter sido uma experiência legal viajar com meus amigos do ensino médio pela primeira vez desde as viagens de formatura em 2013.

Acho que essas foram as férias mais decentes que tive em um bom tempo, tirando obviamente as do final do ano passado pro começo desse ano, consegui me encontrar com maioria dos meus círculos de amigos (só miei com um porque batia justamente com a viagem para Curitiba, me desculpem!), das duas recs que já tive eu passei em uma pelo menos, e foi a que era mais importante.

Pode parecer insignificante mas fiquei feliz em ter ocupado todos os fins de semana do mês pra sair com amigos, seja pra comer na Liberdade, ir comprar jogos na Santa Efigênia, ir pro Festival Do Japão ou pra viajar pra Curitiba, eu com certeza valorizo cada encontro com um amigo da mesma forma, é meio aquele conceito japonês "ichigo ichie" que quer dizer mais ou menos que cada encontro que você tem com alguém é único, já que é fruto das circunstâncias e da situação que as pessoas estão, logo nenhum encontro entre pessoas será o mesmo em outro ponto no tempo, pensar nisso me fez valorizar bem cada momento que tenho com amigos.

A real é que estou lentamente percebendo que a vida adulta está batendo na minha porta e a minha juventude está se esvaindo, demorei demais pra ver que se eu só ficasse parado esperando a vida acontecer ela iria acontecer, mas não do jeito que eu quero. Contudo, ainda estou muito jovem pra me arrepender, dá pra correr atrás do prejuízo ainda.

No mais, eu vou começar a fazer japonês (outra coisa que devia ter começado antes) com esperanças de voltar pro país Japão, pra Setagaya de preferência.

Enfim, é isso. Eu escrevi uma review de um álbum do Kinoko Teikoku enquanto escrevia este post e acho que vou postar aqui depois de mudar algumas coisas.

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sábado, 13 de julho de 2019

Blue Period

Isso vai ser uma review de um mangá... eu acho.

Acho que nos meus 23 anos e alguns meses de vida, poucas pessoas que conheci podem ser realmente chamadas de "apaixonadas". Acho que tem muita romantização pra falar que alguém é apaixonado por algo, ainda mais por um ofício.

Yataro Yaguchi é o seu típico estudante de ensino médio, ele anda com os "delinquentes" mas também se esforça e é o segundo melhor da turma em notas. Toda semana Yaguchi sai pra ver um jogo de futebol e beber com os amigos, e em um desses dias ele nota como a paisagem em Shibuya é bonita ao amanhecer.

Enquanto isso na escola, Yaguchi e seus amigos pegam a eletiva de artes (por ser coxa) e a professora pede pros alunos desenharem a paisagem favorita deles, o Yaguchi logo desenha Shibuya ao amanhecer e enquanto pinta a paisagem ele fala "por que não comecei a desenhar antes?".



Nosso protagonista então recebe alguns elogios aqui e ali e então decide desenhar mais para ter uma opinião da professora, "como posso melhorar?", "quais técnicas devo usar?", "por que eu devo ir para uma faculdade de artes se posso manter a arte como hobby?" e "professora, você acha que consigo entrar numa faculdade de artes?". A professora fala que ela não sabe mas "quando as pessoas esforçadas fazem o que amam, elas são imparáveis".



Yaguchi logo decide entrar no clube de artes para se dedicar a entrar na Univerdade de Artes de Tokyo, a única pública no país (já que a família dele não tem condições pra pagar uma particular) e a mais concorrida também. E aqui tá uma das minhas páginas favoritas dos primeiros capítulos do mangá.


"Ah, eu nunca me senti tão vivo antes", eu achei simplesmente demais o ímpeto e a incerteza que fazem com que o protagonista se sinta vivo como nunca antes, a maneira como o mangá mostra a transformação de um cara que encarava tudo simplesmente como "quests de um rpg" pra uma pessoa totalmente apaixonada em dois capítulos é genial.

Eu pulei uns detalhes mas os primeiros capítulos são praticamente isso: um cara que tem notas boas, é popular na escola e tem tudo pra poder entrar em (quase) qualquer universidade pública do Japão que acaba achando a sua verdadeira paixão. Depois o mangá foca no Yaguchi aprendendo técnicas de pintura e também a aceitação da família com o sonho dele, também tem uns personagens secundários que são bem interessantes, o mangá não parece perder a qualidade tão cedo assim.

E acho que esse foi o mangá que li que mais me fez pensar (tirando talvez Oyasumi Punpun). Eu sei que o mangá é ficcional, mas acho que nunca tive esse ímpeto de fazer as coisas sem ter certeza de que elas darão certo, indo pelo sentimento de paixão apenas, e acho que poucas pessoas passam por isso.
 
Acho que o mais próximo que tenho de paixão é o cenário musical underground do Japão, afinal eu me sujeitei a meses de trabalho braçal e fui pra um país onde eu mal sabia a língua só pra ir nos shows, mas tenho um certo receio de mergulhar de corpo e alma nisso.

Eu não faço ideia se nas faculdades de arte tem mais gente apaixonada pelo que estuda, mas se eu conheci na Poli mais de 5 que eram apaixonados pelo curso, acho que é muito. E é nessas horas que lembro de um livro sobre o cenário musical underground do Japão ("Quit Your Band! Musical Notes from the Japanese Underground"), escrito por um inglês que tem uma gravadora lá, ele fala basicamente que é comum ver artistas medíocres darem certo enquanto verdadeiros talentos acabam falhando, trabalhar com música no Japão (ainda mais underground) é um trabalho de amor.

Trabalhar com sua paixão pode ser incrível no papel mas pode também fazer com que você nunca mais goste daquilo que amou outrora, lendo o livro que citei eu tive vários choques de realidade, vi que as coisas não são só flores pras bandas underground e que o que me machucou de ter visto o Kinoko Teikoku ter acabado seria muito pior se eu tivesse trabalhando com eles.

E acho que é meio que o dilema que todo jovem tem, trabalhar com sua paixão ou deixar aquilo como hobby? Será que se você consegue deixar o negócio como hobby, é realmente uma paixão ou só uma coisa que você gosta? Acho que mais que gente que não trampa com a paixão, maioria nem achou o que realmente ama ainda.

Enfim, voltando um pouco ao mangá: A arte é muito boa e dá pra perceber que o artista teve uma educação formal em arte, o modo como ele brinca com as expressões faciais e o formato do rosto dos personagens é bem legal, além das páginas coloridas que sempre apresentam um estilo diferente de pintura.

Blue Period realmente é muito bom, o melhor mangá que peguei pra ler nos últimos dois anos. Recomendo até pra quem não é familiarizado com mangás e tá procurando coisa pra acompanhar, as atualizações agora estão dependendo mais da velocidade dos fansubbers, a tradução tá no terceiro volume enquanto no Japão o último volume lançado foi o quinto, mas a espera sempre vale a pena.

10/10

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Chega de Saudade

Poucas vezes pude dizer que eu realmente tinha orgulho de ser brasileiro.

Pra começo de conversa eu sou bem particular em falar de ter "orgulho" de algo que eu não conquistei, que eu sequer escolhi, mas às vezes me via emocionado quando a imagem do Brasil era projetada no exterior de forma positiva.

A maioria das vezes era no esporte. Mais que no futebol, eu sempre torci mais pro Brasil nas olimpíadas, era sempre legal ver nosso país conseguir vencer um adversário que, na maioria das vezes, tinha bem mais verba de patrocínio e apoio dos governos locais.

Enfim, eu comecei a escutar Bossa Nova um bom tempo atrás, acho que lá no ensino médio, e apesar de ter começado pela Nara Leão por causa da pagação de pau que ela tem na gringa e pela minha preferência por vocalistas mulheres pra músicas calmas, quando eu cheguei pra ouvir o Chega de Saudade do João Gilberto eu quase caí da cadeira, nunca pensei que a voz pudesse ser usada de tal forma.

O João Gilberto foi o maior gênio que já pisou neste país, quanto a isso não há a menor dúvida, não só criou um gênero musical sem praticamente não ter composto as músicas com que ficou famoso,  mas também fez desse gênero o símbolo de um país, o cartão de visita do Brasil na década de 60 era a Bossa Nova.

E ler sobre o João Gilberto é uma diversão em si, cada história que alguém conta sobre ele revela uma faceta: seja a de ouvido absoluto dele dirigir sem olhar pros lados, seja da imensa sensibilidade dele por ter evitado o suicídio de um amigo através da música, seja a de perfeccionista por praticar por horas a fio uma única nota e sempre mudar pequenos detalhes de músicas gravadas a décadas. João Gilberto era uma lenda.

Quando você escuta a voz macia dele cantando de barquinhos, patos fazendo quá quá, abraços e beijinhos ou o amor, o sorriso e a flor, é impossível não se imaginar no Brasil do final dos anos 50 pro começo dos 60, um Brasil que estava em pleno crescimento e com um enorme otimismo, um Brasil que prometia ser o líder daquele que parecia o começo do protagonismo latino americano no cenário mundial, um Brasil que era moderno, progressista e aberto a novas ideias, um Brasil que nunca existiu.

E essa é uma das magias da Bossa Nova em geral, e a razão pela qual ela enfrenta críticas até hoje: ela é um retrato do Brasil dos anos 60 que mostra as coisas boas e oculta as ruins, é uma foto que mostra as moças bonitas tomando sol na praia mas não mostra a favela ao lado.

Às vezes eu ainda vejo essa imagem romântica do Brasil das moças de bikini e dos barquinhos pesqueiros sendo repetida lá fora, e ouvindo Chega de Saudade enquanto se olha para o mar é impossível não acreditar um pouco nessa imagem e sentir um pouco de saudade de uma época que nunca aconteceu.

Eu tenho orgulho de ter nascido no mesmo país que João Gilberto nasceu, o maior músico brasileiro da história e talvez o maior intérprete de música popular no mundo. Eu nunca vi ele ao vivo, só comecei a ouvir a música dele no ensino médio e a bossa nova em particular nunca foi minha coisa favorita, o Jpop estava sempre lá pra superá-la no meu coração, mas minha admiração por esse homem é infinita e para mim ele é o melhor representante que nossa cultura poderia ter.

Esqueça o futebol, a comida, a fauna, a flora ou qualquer coisa que seja, o maior motivo para eu me orgulhar do Brasil era o João Gilberto.

Obrigado por tudo, João.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Coisas que não fiz na Nipponland

Vocês já devem estar cansados de posts falando de coisas que fiz no Japão né.

O POST DE HOJE É SOBRE COISAS QUE NÃO FIZ NO JAPÃO HAHAHAHA!

Enfim, acho que o post vai ser meio longo:

Seção 1: Shows

1.1 Uminote

É o show que eu comprei o ingresso achando que em Fevereiro eu ainda tramparia de noite, me transferiram pro turno da manhã e acabei perdendo o show. Acabei tendo que escolher entre esse e o festival no Studio Coast, na época eu até me arrependi um pouco porque o festival me deixou cansadaço mas vendo agora eu acho que valeu a pena.

 

Foi o show de volta do Uminote, que é uma banda que gosto mas eu tinha comprado o ingresso mais por falta de shows, o que aconteceu é que anunciaram o mini festival no Studio Coast com umas 5 bandas que eu curtia e ainda a KANEKO AYANO anunciou um show no dia 20 do mesmo mês, foi uma questão de trade-off. Acho que o show até foi interessante porque se apresentaram todos os side-projects do Sasaguchi So-on mas não valeria a pena trocar isso pelo festival.


1.2 Ichiko Aoba

Teve um show que ela fez perto do Natal/Ano novo lá em Kobe com a Kaneko Ayano que eu fiquei puto de ter perdido, acho que seria um show essencial pra ver e eu ainda conheceria Kobe! Mas enfim, eu queria mais ver a Kaneko Ayano então não fiquei muuuuuito chateado de não ter visto a Ichiko Aoba, mas vou querer ver um show dela na próxima vez que for pro Nippon.


Não foi o show que perdi mas a vibe acho que seria a mesma.

1.3 CRCK/LCKS

CRCK/LCKS é uma banda bem interessante, os membros são todos support members de outras bandas mais conhecidas e por isso são bem talentosos e maioria é multi-instrumentista. Eles fizeram um show em Osaka na minha última semana no Japão e como eu não tava afim de perder dois dias em Osaka (porque pra mim Tokyo era TUDO), acabei miando pra ver a Chiaki Sato.


Tenho certeza que o show do CRCK/LCKS seria mais interessante que o da Chiaki Sato mas eu perderia valiosos dias em Osaka e foi legal ver a Chiaki Sato ao vivo, mudou minha visão quanto ao Kinoko Teikoku. Há uma notável escassez de vídeos do CRCK/LCKS ao vivo, geralmente isso quer dizer que a banda não é tão boa...

1.4 No Buses/Yuragi

Na moral que No Buses tocou no dia que cheguei em Tokyo (acho que 9 de Fevereiro) pra ver o festival no Studio Coast, o foda é que o show começava MEIA NOITE e eu tava um caco, no dia seguinte eu teria um festival que duraria umas 10 horas seguidas e fazia um frio desgraçado com um combo nada agradável de chuva+neve.

O show que perdi que eu realmente queria ter ido foi no dia 25 de Fevereiro e tinha Yuragi e No Buses junto com Hitsuji Bungaku (que eu tinha descoberto uns dias antes no show do Luby Sparks), acho que seria uma das melhores lineups de show se eu tivesse ido.




As duas bandas são da novíssima geração (junto com o Hitsuji Bungaku) com membros com a minha idade pra menos.

1.5 Aimyon

Eu estava tentando me esquecer disso mas tá aí, a coisa que mais ficou me remoendo quando estive no Japão.

Era o primeiro show da Aimyon no Budokan, Marigold estava a semanas no topo da Billboard e o último álbum dela tinha acabado de sair MAS PORRA, ACABAR OS INGRESSOS DO FUCKING BUDOKAN EM TRÊS MINUTOS?!?!?! Cheguei cinco minutos atrasado pra comprar o ingresso no Seven-Eleven, deve ter sido o dia mais triste na minha estadia no Nippon.


O show foi só ela com um violão, apesar de eu preferir um show com a banda toda, o simbolismo dela ter enchido o Budokan em TRÊS MINUTOS e ter feito um show inteiro sozinha é bem legal. Depois eu tive que viver com a dor de ver os anúncios do DVD desse show em toda santa loja de CD que eu ia. O show foi no dia 18 de Fevereiro mas eu matava FÁCIL um dia de trabalho pra ver essa porra.

1.6 Outros artistas

Obviamente tem uma caralhada de artista que eu atualizava a página de TOUR DATES todo santo dia pra ver se não tinha show: Kinoko Teikoku, Kojima Mayumi, Homecomings, Chirinuruwowaka e até qualquer coisa da Shiina Ringo. Eu só fui conhecer a Kayoko Yoshizawa depois que voltei mas vendo depois o único show dela que eu poderia ter ido foi em Osaka, então tá ok.

Seção 2: Lugares

Ia postar umas fotos mas dá mó trampo.

2.1 Kyoto

O clássico, se eu tivesse na vibe mais SAMURAIS sepa eu ia, mas nah, fica pra próxima.

2.2 Osaka

Eu até que tava afim de ir pra Osaka, já que é um exemplo de metrópole japonesa que não é Tokyo, além de ter um cenário musical bem interessante e alguns dizem até mais interessante que o de Tokyo! Foda-se, fica pra próxima.

2.3 Ginza, Roppongi e outros lugares de Tokyo

Basicamente os lugares chiques. Tava sem grana. Ah, e as baladinhas de Roppongi? NOPE.

2.4 Awajishima

Esse eu sabia que não ia rolar mas é um lugar que quero ir caso eu tenha MUITO tempo livre na próxima vez que for pro Nippon, é onde se passa Narcissu que é uma VN que amo de coração, boatos que é um lugar lindo mesmo.

2.5 Hokkaido

Queria passar um frio com neve mas o frio sem neve de Yamanashi já tava me matando, fiquei em Tokyo mesmo.

Seção 3: Coisas

Ah, tem uma série de coisas que queria comprar mas de duas uma: ou não achei ou não cabia na mala. A grana sobrou então não era um problema.

Dentre as coisas tava aquela jaqueta preta que a galera usava muito por cima de moletons (acho que era impermeável) e NÃO ENCONTRO ESSA PORRA NO BRASIL, uma série de CDs que acabei não achando, um CD player maneiríssimo da Sony que eu tava namorando mas não cabia na mala nem fodendo, VÁRIAS FIGURES QUE TAMBÉM NÃO CABIAM NA MALA e queria ter trazido umas comidas também, sdds curry pronto.

Outra coisa que não comprei mas queria era uma armação de óculos de uma marca cara lá MADE IN JAPAN (Oh My Glasses Tokyo, procurem), depois de comprar duas armações eu já tava pensando na possibilidade de comprar uma terceira, devia ter comprado.

Considerações finais

Eu não me arrependo de não ter feito essas coisas, já que fiz outras no lugar delas, mas esse post fica mais como um lembrete de coisas que devo fazer na próxima ida ao Japão.

É isso aí.
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